Santuário do Cristo Rei

IPA.00010276
Portugal, Setúbal, Almada, União das freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas
 
Arquitetura religiosa, do séc. 20. Santuário cristológico composto por ampla estrutura de betão armado, tronco-piramidal, formada por quatro pilares, unidos no topo, em arcos, sobre os quais tem plataforma, formando terraço com vista panorâmica, e no centro do qual se dispõe a escultura de Cristo Rei. Os pilares têm planta quadrangular com espaço intermédio aberto, à exceção da zona inferior, onde se desenvolve capela, em cruz grega, interiormente com os braços parabólicos e abóbada de aresta no cruzeiro. A capela apresenta as fachadas em betão, formando apainelados côncavos, possuindo amplo portal em arco de volta perfeita, em cantaria, com porta envidraçada em serralharia artística. No interior possui capela do Santíssimo no lado do Evangelho e a capela-mor com pinturas murais. Os pilares são ocos, ocupados pela sacristia, zonas de exposição e um deles com as escadas e o elevador de acesso ao terraço. Aí, a estátua do Cristo Rei, implanta-se sobre plataforma sobrelevada e surge representada com os braços abertos, vestindo ampla túnica de caneluras verticais, presa na cintura, tendo no peito coração inflamado, representando a dedicação ao Sagrado Coração de Jesus. Apresenta afinidades com o Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, ainda que este seja sensivelmente maior e as vestes tenham maior dinamismo na queda dos drapeados. O edifício de acolhimento do santuário, iniciado na última década de 1990 e concluído em 2007, possui planta em U, composta por vários corpos articulados, com fachadas revestidas a placas cerâmicas, de dois tons, e em faixas alternadas a desperdício de mármore e tijoleira, num jogo rítmico.
Número IPA Antigo: PT031503010035
 
Registo visualizado 568 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Santuário composto pelo monumento dedicado ao Cristo Rei, edifício de acolhimento do santuário, Via Sacra ao longo do miradouro N., a Cruz Alta, várias esculturas, edifícios de apoio com cafetaria e instalações sanitárias e zona de merendas. MONUMENTO AO CRISTO REI: estrutura em betão armado, tronco-piramidal, formada por quatro pilares de planta quadrangular, que se unem no topo, em arcos de volta perfeita, encimados por plataforma, formando terraço, no centro do qual se dispõe, sobre plataforma mais pequena, a escultura de Cristo Rei, possuindo o conjunto o total de 110 m de altura. A ESTRUTURA DE SUPORTE da escultura tem 82 m de altura e cada um dos pilares, com 25 m por face ao nível da base, é oco, tendo as paredes, com cerca de 90 cm de espessura, ligadas, a intervalos aproximadamente iguais, por septos dispostos horizontalmente. A exceção ocorre no pilar NE. onde os reforços são constituídos por pequenos elementos triangulares dispostos de ângulo, ligando duas das paredes adjacentes, e mais próximos entre si que os dos outros pilares, dado que o desenvolvimento da escada e o elevador impedem que os septos abrangem as quatro paredes. O espaço entre os pilares é aberto, e cada um dos arcos surge virado a um ponto cardeal, formando na zona de interceção dos mesmos, sob a plataforma, falsa abóbada de aresta. A plataforma superior forma terraço, acedido por escadas desenvolvidas na face E. (atualmente encerrada) e O., com as guardas revestidas a pastilhas azuis, as do terraço encimadas por gradeamento em ferro. No plano inferior, entre os pilares, desenvolve-se a CAPELA DE NOSSA SENHORA DA PAZ, de planta em cruz grega, com cobertura plana, e com as paredes de betão sensivelmente recuadas relativamente aos pilares, pintadas de ocre e formando apainelados côncavos. A face principal da capela surge virada a N., sobreposta por cruz luminosa, e é rasgada por portal retilíneo convexo, de cantaria, integrando dez baixos-relevos, retangulares, em bronze, cinco de cada lado, com a representação dos Dez Mandamentos; possui ampla porta envidraçada e com estrutura em ferro, pintada de preto e dourado, formando quadrícula. A face lateral esquerda da capela é rasgada, nos apainelados centrais, por porta de verga reta, com moldura pintada de branco, e por três vãos envidraçados, a fachada oposta é cega e a posterior é rasgada por porta de verga reta, envidraçada, e com moldura pintada de branco. Este portal permite a visualização de amplo nicho, de perfil curvo com representação escultórica do Anjo de Portugal (da Paz) a dar a comunhão aos pastorinhos de Fátima, encimado por um sagrado coração, em bronze. O nicho tem acesso interiormente por escadas e corredores laterais. O portal S. acede ao INTERIOR do monumento, possuindo vestíbulo retangular de distribuição espacial. Em frente, dispõe-se guarda-vento envidraçado, com molduras de madeira, de acesso à capela, pelo braço do lado da Epístola. A capela, com os braços parabólicos, formando no cruzeiro abóbada de aresta, com candeeiro em cruz, apresenta os paramentos rebocados e pintados de branco e pavimento em tacos de madeira e as coxias, capela do Santíssimo e capela-mor em mármore. A parede fundeira possui os vãos preenchidos com vitrais policromos, alusivos à Santíssima Trindade, e, de ambos os lados, surgem painéis pintados a óleo, longilíneos e de perfil curvo, com dez Passos da Via Sacra. O braço do lado do Evangelho integra a capela do Santíssimo Sacramento, com supedâneo de três degraus e possuindo de ambos os lados portas de verga reta de ligação à sacristia, no pilar SE., e a uma sala de exposições, no pilar SO., ambas encimadas por painéis pintados, alusivos, respetivamente, às Revelações de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, ladeada por estrutura metálica de suporte de lamparina, e à Agonia de Jesus no Horto. Ampla cortina azul protege a parede fundeira do braço da capela, onde surge painel com pintura a óleo alusivo ao Apocalipse de São João, encimada por uma outra triangular referente ao convite à Hora Santa. O braço da Epístola apresenta o guarda-vento encimado por painel pintado com o Anjo Custódio de Portugal e ladeado por vários painéis: do lado do Evangelho existe maquete do quadro da capela-mor do Santuário de Fátima (v. IPA.00020204) e a maqueta do quadro da capela-mor da Catedral de Nampula, Moçambique, referente à glorificação de Nossa Senhora de Fátima pelos povos africanos; e do lado da Epístola tem painel de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A capela-mor, com supedâneo de três degraus e alto rodapé de madeira, possui lateralmente os quatro últimos Passos da Via Sacra e, na parede testeira, pintura mural alusiva à terceira parte do terceiro Segredo de Fátima, sendo visível o Papa João Paulo II baleado, junto a uma Cruz tosca, ladeado por milhares de mártires do século 20 e tendo, de cada lado, um anjo a derramar o sangue desses mártires pelo mundo inteiro. Ao centro dispõe-se tríptico alusivo à sexta e última Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos (13-10-1917), representando no topo Cristo a abençoar o mundo. À parede testeira encosta-se, a toda a largura, o assento dos celebrantes, de linhas retilíneas, com três lugares centrais mais altos, separados por braços e com espaldar recortado, tendo frontalmente estrado. No lado do Evangelho dispõem-se ainda tocheiro em bronze e ambão de madeira. No ângulo entre a capela do Santíssimo e a capela-mor dispõe-se, sobrelevada, a imagem da Virgem. No pilar SE., a SACRISTIA, com um pé-direito de 14 metros, alberga a maqueta da imagem de Cristo Rei e um quadro representando a Imaculada Conceição. No pilar SO., a denominada SALA DA MISERICÓRDIA, possui espaço de arrumos e três painéis pintados a óleo: o do lado esquerdo alusivo à instituição do Sacramento da Reconciliação, segundo São João, o políptico disposto frontalmente, dedicado a Nossa Senhora da Misericórdia, enquadrado por catorze quadros com representação de Obras de Misericórdia, e o do lado direito, alusivo à Hora da Misericórdia, segundo as Revelações de Jesus a Santa Faustina Kowalska. Regressando ao vestíbulo, existe, de cada lado, porta de ligação a cada um dos pilares da vertente N.. O pilar a NO., tem SALA DEDICADA AO PAPA JOÃO XXIII, albergando algumas obras de arte a ele ligadas, nomeadamente a representação do cálice oferecido por João XXIII ao Santuário de Cristo Rei (que lhe tinha sido oferecido pelo Santuário de Fátima, em 1956, aquando da sua visita) e oito quadros a óleo, baseados na encíclica "Pace in Terris" do mesmo Papa. O pilar a NE., com espaço público elíptico, apresenta as paredes revestidas a placas cerâmicas, teto envidraçado, a bilheteira e o acesso ao ELEVADOR, integrado na caixa das escadas, que se desenvolvem à volta do pilar, com guarda em ferro. O elevador não atinge o nível da plataforma superior, mas fica a uma cota inferior, onde o troço final das escadas, em cantaria, se desenvolve em hélice, com as paredes revestidas a pastilhas de cor roxa, e, já ao nível da plataforma intermédia, em vidro. Este piso, de distribuição espacial, apresenta as paredes revestidas a placas cerâmicas e o pavimento em cantaria. Junto às escadas, dispõe-se painel de Nossa Senhora, sob a invocação "Arca da Aliança". À esquerda e com acesso por porta de vidro, protegida por cortina azul, fica a CAPELA DOS CONFIDENTES DO CORAÇÃO DE JESUS, de tem planta poligonal composta por nave e capela-mor, separados por arco abatido sobre pilastras. Apresenta pavimento de cantaria, paredes rebocadas e pintadas, ou revestidas a placas cerâmicas (duas do lado da Epístola), com painéis representando a Beata Maria do Divino Coração (Evangelho), Santa Faustina Kowalska, São João Eude e Santa Margarida Maria Alacoque (Epístola). Sob o arco triunfal dispõe-se altar de mármore com frontal integrando maquineta envidraçada, albergando as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Faustina Kowalska, Beata Maria do Divino Coração e São João Eudes. Na capela-mor facetada, sobre supedâneo de um degrau, surge cadeiral dos celebrantes, de três lugares, o central com espaldar sobreposto por imagem do Crucificado. Lateralmente dispõem-se dois baixos-relevos, em bronze, representando a Anunciação (Evangelho) e o Sagrado Coração de Jesus (Epístola). Na parede do lado da Epístola existe embutida na parede sacrário policromo, com símbolos Cristológicos. A zona dos outros pilares é ocupada por sacristia e arrecadação. Ainda neste piso, desenvolve-se em L a loja de recordações, com porta de acesso ao terraço a E. e a O.. Ao centro do terraço, existe uma outra plataforma, quadrangular, com as paredes em esbarro, revestidas a pastilha azul, com escadas salientes a E. e a O., de acesso a sacada de circulação, com guarda em ferro. Sobre esta plataforma assenta a ESTÁTUA DO CRISTO REI, com 28 m de altura, virada a Lisboa, representada de pé, com os braços abertos, vestindo comprida e ampla túnica, presa na cintura, de caneluras verticais e com dobra na zona dos punhos. No peito, a túnica é sobreposta por coração inflamado, envolvido por resplendor. A figura de Cristo é representada com a cabeça erguida, de cabelo solto e ondulado sobre os ombros, com risco ao meio, barba pequena e olhos abertos *1. EDIFÍCIO DE ACOLHIMENTO AO SANTUÁRIO de planta em U, pouco pronunciado e com topos das alas torreadas, composto por vários corpos, de volumes articulados e coberturas em telhados de uma e duas águas, integrando ao centro várias trapeiras, rematadas em beirada simples, e em terraço nos corpos torreados. Fachadas de três pisos, revestidas a placas cerâmicas, que nas pilastras dos cunhais e a definir os panos e nos frisos separadores dos pisos são de cor mais escura, e terminadas em friso, ritmado por falsas mísulas escalonadas, e cornija, de diferentes tons. Fachada principal virada a S. com corpos torreados revestidos a placas de cantaria, encimadas por desperdício de mármore e tijoleira, estas formando faixas alternadas, com ângulos recortados e côncavos, onde surgem pilares de betão, sustentando o remate e a cornija de betão bastante balançada. Sobre estes corpos, desenvolve-se lanternim quadrangular, rasgado, em cada uma das faces, por vãos facetados. A ala central do U tem cinco panos, o do centro com o mesmo tipo de revestimento dos corpos torreados, abrindo-se inferiormente arco abatido, encimado por falso balcão fechado, assente em consolas. Os panos intermédios têm o piso térreo vazado, possuindo a sustentar os pisos superiores pilares revestidos a desperdício de mármore e tijoleira, formando faixas alternadas, e pilares de betão, parcialmente canelados. Ao nível do segundo piso desenvolve-se largo corredor de circulação envidraçado, e no terceiro abrem-se janelas facetadas envolvidas por molduras denticuladas de placas cerâmicas, encimadas por janelas jacentes. Nos panos dos topos rasgam-se janelas de peitoril sobrepostas. Entre estes panos e os torreados, desenvolve-se escadaria, a disposta a E. de acesso à capela do Divino Coração. Fachadas laterais com três panos, o torreado; um central, mais estreito e recuado, com pilares sustentando corpo com ampla janela retangular; e um terceiro ritmado por pilastras, possuindo na cobertura ampla trapeira, terminada em frontão triangular, com o tímpano rasgado por óculo facetado, e os pisos rasgados por janelas retilíneas, com a verga em tijoleira mais escura, sendo a central do terceiro piso envolvida por moldura denticulada; na fachada E. os dois vãos laterais do piso intermédio são abatidos e formam varanda, e os do terceiro evidenciam os vitrais da capela. Fachada N. semelhante à principal, residindo a maior diferença no pano central, que tem o piso térreo avançado, coberto por terraço, com guarda em ferro, e um pano central avançado, terminado em frontão triangular com óculo facetado no tímpano, rasgado em dois registos por vãos facetados e sob o frontão por dois vãos quadrangulares; ladeiam este pano central janelas retilíneas. INTERIOR com as paredes revestidas a placas cerâmicas envernizadas, ou a tijoleiras e mármore, em faixas alternadas, pavimento cerâmico ou em soalho e cobertura predominantemente plana de betão aparente. Na subcave, existem duas camaratas, com capacidade para 52 pessoas, e na cave um salão polivalente, quatro refeitórios, que servem 350 pessoas, duas cozinhas, sanitários e balneários. No piso térreo, desenvolve-se o vestíbulo, um espaço de internet e sanitários, a residência do reitor e da comunidade religiosa. No segundo piso existem duas galerias polivalentes, a reitoria e serviços administrativos e, no superior, dois salões / auditórios, com capacidade total para 200 pessoas, com cobertura em falsa abóbada de berço, ornada com elementos de betão vazados e possuindo num dos lados pilares a suportar a estrutura, uma biblioteca e a Capela do Divino Coração. A comunicação entre os pisos faz-se por escadas localizadas nos corpos torreados, onde existe pilar central, canelado que, no topo, forma quatro braços de sustentação da cornija e lanternim, e nos corpos intermédios, possuindo guarda em ferro e rodamão de madeira. A CAPELA DO DIVINO CORAÇÃO possui planta composta por nave de dois tramos, o primeiro mais estreito e correspondendo ao corpo de ligação entre corpo torreado e ala do U., com acesso principal por portal de verga reta, envolvido por painel de azulejos figurativos, no cimo das escadas, do corpo torreado E.. No interior apresenta pavimento cerâmico, paredes pintadas de bege ou revestidas a placas cerâmicas envernizadas e cobertura de madeira, a do segundo tramo assente em pilares. Os vãos de ambos os lados do primeiro tramo da nave e os do lado do Evangelho do segundo tramo apresentam vitrais policromos alusivos ao orago. Do lado do Evangelho do segundo tramo existe amplo painel de azulejos de composição figurativa; o presbitério, sobrelevado por um degrau, possui ao longo da parede testeira banco dos celebrantes, um vitral central com coração inflamado e, do lado do Evangelho, sacrário em bronze. O último piso é composto por duas camaratas, sanitários e uma sala de reuniões, para 50 pessoas. Em frente do Monumento do Cristo Rei, sobre placa arrelvada, dispõe-se a CRUZ ALTA, proveniente do Santuário de Fátima, tendo lateralmente a inscrição "QUANDO EU FOR LEVANTADO DA TERRA ATRAIREI TUDO A MIM (Jo. 12,32)". Nas imediações existem outras plataformas com esculturas em ferro, nomeadamente uma âncora, um barco estilizado, um coração contendo o monograma "IHS", e outros.

Acessos

Avenida do Cristo Rei; Largo do Cristo Rei

Protecção

Inexistente

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Urbano, isolado, na margem esquerda do rio Tejo, sobranceiro ao mesmo, a 133 metros de altura, constituindo o ponto mais alto de Almada. O monumento ao Cristo Rei volta-se a N. e à cidade de Lisboa, usufruindo-se do terraço da plataforma superior magnífica vista num raio de cerca de 20 km, sobre as duas margens do Rio Tejo. Daí é possível contemplar alguns dos mais significativos monumentos de Lisboa, como o Mosteiro de Santa Maria de Belém (v. IPA.00006543), a Torre de São Vicente (v. IPA.00004065), o Padrão dos Descobrimentos (v. IPA.00009750), o Palácio Nacional da Ajuda (v. IPA.00004722), o Mosteiro de São Vicente de Fora (v. IPA.00006529), o Castelo de São Jorge (v. IPA.00003128); parte da costa de Cascais, o Forte de São Julião da Barra (v. IPA.00002343), a Torre de São Lourenço ou o farol do Bugio (v. IPA.00006548), e o Bico da Areia; ao fundo vê-se ainda a linha da serra de Sintra e, da margem S., a escarpa até ao Porto Brandão e depois até à Trafaria, a zona do Barreiro, a Baía do Seixal, o Mar da Palha, bem como a Serra da Arrábida. O monumento domina ainda a Ponte Vinte e Cinco de Abril (v. IPA.00009862), a O.. O recinto do santuário surge vedado por gradeamento, formando a N. miradouro, ao longo do qual se distribui uma Via Sacra, composta por catorze estações, formadas por cruzes de grandes dismensões, em ferro, inclinadas, e integrando baixo-relevo em bronze alusivo ao Passo e, no pavimento, lápide em bronze com o texto do Evangelho relativo, uma meditação e uma oração. O monumento é envolvido por faixa ajardinada de planta circular, interrompida por passeios de circulação viradas a cada um dos pontos cardiais. Em frente da fachada principal do edifício de acolhimento existe plinto paralelepipédico com busto, em bronze, de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, com inscrições alusivas aos prelados que fizeram o voto de erigir o monumento e aos seus principais intervenientes. Nas imediações do santuário ergue-se, a E., a Estação Elevatória e Reservatório do Pragal (v. IPA.00025308) e, a SE., o Estádio Municipal de Almada.

Descrição Complementar

Ladeando o portal de acesso ao monumento dispõem-se dez baixos-relevos com os Dez Mandamentos, devidamente identificados por número romano numa das tábuas da Lei, representadas no canto superior direito, sendo ordenados a partir da esquerda, de baixo para cima, seguindo para o lado direito, de cima para baixo. O primeiro baixo-relevo tem a inscrição: "ADORAR / A DEUS / E AMÁ-LO SOBRE / TODAS AS / COISAS"; o segundo tem a inscrição "NÃO / INVOCAR / O SANTO / NOME DE DEUS / EM VÃO" e, na base da figura surge a abreviatura do nome de Deus, "YAVE". O terceiro baixo-relevo tem a inscrição "SANTIFICAR / OS / DOMINGOS / E FESTAS / DE GUARDA"; o quarto tem a inscrição "HONRAR PAI E MÃE"; e o quinto "NÃO MATAR". No lado direito, o sexto baixo-relevo tem a inscrição "GUARDAR CASTIDADE / NAS PALAVRAS E NAS / OBRAS"; o sétimo "NÃO FURTAR", o oitavo "NÃO LEVANTAR FALSOS / TESTEMUNHOS"; o nono tem a inscrição "GUARDAR CASTIDADE / NOS PENSAMENTOS / E / DESEJOS"; e o décimo tem a inscrição "NÃO COBIÇAR / AS / COISAS / ALHEIAS". No nicho da fachada posterior da capela, sobre o grupo escultórico, surge a inscrição: "SANTÍSSIMA TRINDADE, PAI, FILHO, ESPÍRITO SANTO, / ADORO-VOS PROFUNDAMENTE E OFEREÇO-VOS O / PRECIOSÍSSIMO CORPO, SANGUE, ALMA E DIVINDADE / DE JESUS CRISTO, PRESENTE EM TODOS OS SACRÁRIOS / DA TERRA, EM REPARAÇÃO DOS ULTRAJES, / SACRILÉGIOS E INDIFERENÇAS COM QUE ELE / MESMO É OFENDIDO, E PELOS MÉRITOS / INFINITOS DO SEUS SANTÍSSIMO CORAÇÃO / E DO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA, / PEÇO-VOS A CONVERSÃO DOS POBRES PECADORES". A Via Sacra da Capela de Nossa Senhora da Paz conjuga passos da Paixão de Cristo com cenas dolorosas da história recente do nosso país e do mundo. As catorze estações iniciam o percurso na capela-mor, no lado do Evangelho, seguem para a nave nesse mesmo lado, para depois passarem para o lado da Epístola e terminarem, nesse lado, já na capela-mor. 1ª ESTAÇÃO / JESUS É CONDENADO À MORTE: o painel representa no topo a expulsão dos Monges Arrábidos simbolizando a expulsão das Ordens Religiosas de 1910, sobreposta pela inscrição "PROVÍNCIA DA / ARRÁBIDA / EXPULSÃO / DAS ORDENS / RELIGIOSAS" e, mais abaixo, "ONDE HAJA ÓDIO QUE EU / LEVE O AMOR". No centro do quadro, uma figura acaricia um inocente com uma corda ao pescoço atada a uma mó, encimado por inscrição "PEDÓFILIA", aludindo à expressão de Jesus "Mais vale atar uma mó de moinho ao pescoço e deitá-la ao rio, do que escandalizar um dos mais pequeninos"; inferiormente, à esquerda, vê-se Pilatos lavando as mãos, aludindo aos muitos Pilatos que lavam as suas mãos, fugindo às responsabilidades; mais abaixo surgem duas figuras seguram estrutura onde se lê "PLAIBOY" e, à direita, surge Cristo condenado. 2ª ESTAÇÃO / JESUS, COM A CRUZ ÀS COSTAS / CAMINHA PARA O CALVÁRIO. Representa a figura de Cristo com a cruz, simbolizando a cruz daqueles que são explorados e, por isso vemos, ao centro do painel uma figura amarrada pelos pulsos e uma outra inferior, sobre a qual surge a inscrição "EXPLORAÇÃO", os desprezados devido à doença e considerados um peso a aliviar, daí surgir à direita da zona inferior uma figura numa cadeira de rodas, a levar a injeção letal, tendo superiormente inscrita a palavra "EUTANASIA". No topo tem inscrito "AS / NOVAS / TORRES DE / BABEL" e, mais abaixo, duas figuras e a inscrição "LAVAGEM DE / CAPITAIS". Como mensagem de esperança existe tem a inscrição "ONDE HAJA OFENSA, QUE / EU LEVE O / PERDÃO". 3ª ESTAÇÃO / JESUS CAI COM A CRUZ: segundo o autor Jesus cai com a sua cruz quando alguém é privado de ouvir a sua palavra, ou esta é dificultada; quando os meios de comunicação social não são colocados ao serviço da verdade e da justiça. O direito à boa difusão está representada por uma antena parabólica, sobreposta pela inscrição "BOA DIFUSÃO", e por uma figura que proclama a Palavra com um microfone, sem medo, tendo como modelo São Paulo, cujo nome surge lateralmente inscrito. A palavra de Deus é assim penetrante como uma espada de dois gumes, tendo a inscrição "VERBUM". Como sinal de esperança, tem a inscrição: "ONDE HÁ / DISCÓRDIA / QUE EU LEVE / A UNIÃO". 4ª ESTAÇÃO / JESUS ENCONTRA / SUA MÃE: representa Jesus com a cruz e sua mãe, de rostos muito próximos, procurando consolá-la, tal como Ele conforta os que são perseguidos, encimados por um círio, símbolo da luz da fé que dá a força necessária para ultrapassar os totalitarismos do mundo de hoje, representados na inscrição do topo "O NÃO ÀS / DOUTRINAS / TOTALITÁRIAS". Como sinal de esperança tem a inscrição "ONDE HÁ DÚVIDA / QUE EU LEVE A FÉ". 5ª ESTAÇÃO / O CIRENEU AJUDA JESUS / A LEVAR A CRUZ: No topo tem a mensagem de esperança "ONDE HÁ ERRO QUE / EU LEVE A VERDADE". O painel, quase só por meio de inscrições, refere os muitos Cireneus do nosso país que ajudam a levar a cruz a tantas pessoas em sofrimento, nomeadamente a crianças: "PADRE / AMÉRICO / OBRA DA / RUA" e, superiormente, "CASA DO GAIATO / MOÇAMBIQUE". 6ª ESTAÇÃO / UMA PIEDOSA MULHER / LIMPA A FACE DE JESUS: representa Cristo segurando a cruz; no topo surge um rosto feminino segurando lenço de Verónica encimado pela inscrição "ONDE HÁ / DESESPERO / QUE EU LEVE / A / ESPERANÇA"; Verónica representa todas as instituições que se dedicam a minimizar o sofrimento dos necessitados, nomeadamente "OS SEM ABRIGO", que surge inscrito, os que não têm habitação digna, ou alimentação suficiente. 7ª ESTAÇÃO / JESUS CAI / PELA SEGUNDA VEZ: representa a queda de Jesus, tendo no topo a explosão da bomba atómica com as inscrições "HIROSHIMA" e "NAGASAKI". Esta queda repercute-se em tantos países vítimas de guerra. A frase de esperança é de São Francisco "ONDE HOUVER / TRISTEZA QUE EU / LEVE A / ALEGRIA". 8ª ESTAÇÃO / JESUS CONSOLA AS / FILHAS DE ISRAEL: Jesus segurando a cruz consola as filhas de Jerusalém daquele tempo e hoje continua a consolar as mulheres que são abandonadas com os seus filhos nos braços, representado por uma mulher com o filho ao colo e a inscrição "MULHERES ABANDONADAS COM / FILHOS". A frase de esperança, de são Francisco, surge no topo "ONDE HÁ / TREVAS / QUE EU LEVE A LUZ". 9ª ESTAÇÃO / JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ: representa Jesus com a cruz, sendo o seu sofrimento simbolizado pela inscrição "LEI DO / DIVÓRCIO / CONTR- / TRÁRIA / À ARMONIA / CONJUGAL" e pela representação, no cimo do lado esquerdo, por um casal de noivos pacificados. O facto de Jesus na terceira queda não ter quem o ajude, dá o exemplo, segundo a frase de São Francisco que surge no topo "QUE PROCURE / MENOS SER / CONSOLADO / DO QUE CONSOLAR". 10ª ESTAÇÃO / JESUS É DESPOJADO / DOS VESTIDOS: representa uma mão a arrancar as vestes de Jesus, que segura o sacramento da Eucaristia, representando a "PERSEGUIÇÃO AOS QUE / ORAM", como surge inscrito; inferiormente, surge o Anjo da Paz a dar a comunhão aos Pastorinhos, convidando-os, à oração e, no topo as palavras de São Francisco QUE PROCURE / MENOS SER / COMPREENDIDO / DO QUE / COMPREENDER". 11ª ESTAÇÃO / JESUS É PREGADO NA CRUZ": representa Cristo na cruz, simbolizando o sofrimento do drama "A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA", representado por uma figura feminina a ser agredida por um homem; dos trabalhadores que ficam sem emprego, representado pelas chaminés das fábricas que surgem inferiormente à esquerda com a inscrição "NON LABORA". A mensagem de esperança é representada pelo batismo e, no topo, pela mensagem de São Francisco "FAZEI QUE / PROCURE / MENOS / SER AMADO / DO QUE AMAR". Mais abaixo, surge ainda a palavra "INRI". 12ª ESTAÇÃO / JESUS MORRE / NA CRUZ: representa Cristo na cruz, simbolizando que a sua morte é repetida A MULTIDÃO / DAS CRIANÇAS / ABORTADAS" e nas "CRIANÇAS / MORTAS / POR MAUS / TRATOS", representadas à esquerda, com auréola à volta das cabeças, significando a sua inocência. No topo as palavras de esperança "PORQUE É DANDO / QUE SE / RECEBE. 13ª ESTAÇÃO / JESUS DESCIDO DA / CRUZ / É POSTO NOS BRAÇOS DE / SUA MÃE: Jesus descido da cruz surge representado nos braços de sua mãe; a descida é um sinal de esperança e, ao ser colocado nos braços da mãe, dá-se a troca de corações, uma atitude recíproca de amor, ternura entre Jesus e Maria. Esta harmonia é representada com o direito à assistência por parte dos idosos, que surge superiormente. No topo, tem a frase de esperança "É PERDOANDO / QUE SE É PERDOADO". 14ª ESTAÇÃO / JESUS É DEPOSTO / NO SEPULCRO: representa Jesus seguro pelos braços para ser sepultado. Simbolicamente surge a pesada pedra do túmulo que se abate sobre todos os grandes vícios hodiernos inscritos "ALCOOLISMO E / DROGAS". No topo tem a frase de esperança de São Francisco "É MORRENDO QUE / SE RESSUSCITA / PARA A VIDA ETERNA". Na capela do Santíssimo, sobre a porta para a sacristia, o painel pintado, com as Revelações de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, integra as seguintes inscrições, nos ângulos: "FEZ-ME REPOUSAR / NO SEU / PEITO;"; "E ALI DESCOBRIU-ME / AS MARAVILHAS / DO SEU AMOR / PELOS HOMENS."; "DEPOIS, / PEDIU-ME / O MEU / CORAÇÃO;"; "E EU / ROGUEI-LHE / QUE O TOMASSE / O QUE ELE FEZ, / METENDO-O NO / SEU CORAÇÃO". Sobre a porta para a sala de exposições do pilar SO., o painel com a Agonia de Jesus no Horto tem as seguintes inscrições, nos ângulos: "LEVANTAR-TE-ÁS / E DURANTE / UMA / HORA", "MEDITARÁS / NA MINHA / AGONIA", "PEDINDO, / MISERICÓRDIA", "PARA OS / PECADORES". O painel da parede testeira assenta sobre friso de bronze, com a inscrição "ECCE AGNUS DEI", sobre mísulas decoradas, e o painel triangular tem a inscrição "FAZ-ME / COMPANHIA". No braço da Epístola, o guarda-vento é encimado por painel com o Anjo Custódio, identificado por inscrição "ANJO / CUS / TÓDIO", o qual segura pergaminho com a inscrição "OS CORAÇÕES/ DE / JESUS E DE / MARIA / TÊM SOBRE / VÓS / DESÍGNIOS / DE / MISERICÓRDIA", sobre a palavra transversal "PORTUGAL". No lado do Evangelho o painel inferior tem a inscrição "Maquete do quadro da Capela-Mor da Basílica / do Santuário de Nossa Senhora de Fátima / Representa as Aparições de Nossa Senhora e do Anjo, bem como a aprovação do Magistério da igreja, simbolizado pela cúpula da Basílica de São Pedro e / os Papas Pio XII, João XXIII e Paulo VI, que oferece a Rosa de Ouro a Nossa Senhora. / Do lado esquerdo vemos a Escada de Jacob com os Anjos subindo e descendo: / uns levando as orações e outros trazendo as graças recebidas (alusão ao / Terço que Nossa Senhora recomendou, suspenso no Seu braço). / Junto dos Pastorinhos está D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria - / - Fátima aquando das Aparições. / Almada, 17 de Março de 2007". O painel de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, disposto no lado da Epístola e doado pela Embaixada da República Federativa do Brasil ao Santuário, em reconhecimento da ligação entre o Monumento a Cristo Rei e o Brasil, é ladeado por lápide com a inscrição "Nossa Senhora da Conceição Aparecida / Padroeira do Brasil / Autor: Arq. João de Sousa Araújo / Pintura oferecida pela Academia de Letras e Artes, com sede em Cascais, / ao povo brasileiro em 23 de Novembro de 1994. / No dia 17 de Março de 2007 foi a presente obra doada a este Santuário / Nacional de Cristo Rei, pela Embaixada da República Federativa do Brasil com / a devida autorização da A. L. A., expressando assim o reconhecimento da relação / espiritual existente entre este Monumento e o Brasil, representado pela sua / Padroeira". A pintura da parede testeira da capela-mor apresenta as seguintes inscrições: "EU SOU A / SENHORA / DO ROSÁRIO"; "REZAI O / TERÇO / TODOS / OS DIAS"; "A SUA LUZ / PROJECTA-SE / SOBRE O / SOL / AO LADO / DE / S. JOSÉ"; "NOSSA / SENHORA DO / CARMO"; "O MILAGRE / DO / SOL"; "NOSSA / SENHORA / DAS / DORES"; "O MENINO / JESUS A / ABENÇOAR O MUNDO"; "S. JOSÉ A ABENÇOAR O MUNDO"; "NOSSA SENHORA FÁTIMA"; "13.10.1917 / 6ª APARIÇÃO". No vestíbulo, a porta de acesso ao pilar NO. é encimada por painel pintado a óleo alusivo à Queda do Muro de Berlim, integrando as seguintes inscrições: "QUEDA / 9 NOVEMBRO / 1989"; "OBRIGADO / CELESTE PASTORA / POR TERES GUIADO / COM CARINHO / MATERNAL / OS POVOS / À LIBERDADE / JOÃO PAULO II / 12.5.1991". A porta de acesso ao pilar NE. é encimada por painel pintado com a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa João Paulo II, em 1984, possuindo a inscrição: "NOS VINTE E CINCO ANOS / DA CONSAGRAÇÃO DO MUNDO / AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA / ROMA 25.3.84 / SANTUÁRIO DO CRISTO-REI 25 3 2009". No ângulo existe ainda plinto paralelepipédico com imagem do Cristo Rei Redentor, do Monte Corcovado, e documento alusivo à geminação entre os dois santuários. Na plataforma intermédia, junto à Capela dos Confidentes do Coração de Jesus, existe lápide em bronze com a inscrição: "CAPELA DOS CONFIDENTES DO DIVINO CORAÇÃO / Benzida por sua Ex.cia Rev.ma / Sr. D. GILBERTO CANAVARRO DOS REIS, / BISPO DE SETÚBAL / NO DIA 17 DE MAIO DE 2008, POR OCASIÃO DO / 49º ANIVERSÁRIO DESTE SANTUÁRIO". No edifício de acolhimento, junto à porta principal de acesso à Capela do Divino Coração existe lápide em bronze com a inscrição: "CAPELA DO DIVINO CORAÇÃO / INAUGURADA POR Sª EX.CIA REV.MA SR. D. GILBERTO CANAVARRO / DOS REIS, BISPO DE SETÚBAL, NO DIA 25 DE MARÇO DE 2011, / SOLENIDADE LITÚRGICA DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR. / O SANTUÁRIO DE CRISTO REI AGRADECE O CONTRIBUTO PARA A / EXECUÇÃO DOS VITRAIS, AO SECRETARIADO NACIONAL, DO / APOSTOLADO DA ORAÇÃO, CENTROS DIOCESANOS DE SETÚBAL, / GUARDA E LAMEGO, COMPANHIA DE JESUS, IRMÃS DE Nª SRª DA / CARIDADE DO BOM PASTOR, IRMÃS HOSPITALEIRAS DO SAGRADO / CORAÇÃO DE JESUS, IRMÃS OBLATAS DO DIVINO CORAÇÃO, IRMÃS / OBLATAS DO CORAÇÃO DE JESUS, IRMÃS ESCRAVAS DO SAGRADO / CORAÇÃO DE JESUS, IRMÃS MISSIONÁRIAS REPARADORAS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, IRMÃS REPARADORAS MISSIONÁRIAS / DA SANTA FACE E MISSIONÁRIAS DO AMOR MISERICORDIOSO DO / SAGRADO CORAÇÃO, CONGREGAÇÃO DOS SAGRADOS CORAÇÕES". No interior da capela, os vitrais do primeiro tramo, do lado da Epístola, possuem as seguintes inscrições: "1A / DAREI AOS DEVOTOS / DO MEU SAGRADO CORAÇÃO / TODAS / AS GRAÇAS NECESSÁRIAS / AO SEU ESTADO"; "2A / ESTABELECEREI A PAZ / NAS SUAS / FAMÍLIAS"; "3A CONSOLA-LOS -EI EM TODAS / AS AFLIÇÕES"; " 4A / SEREI O SEU REFÚGIO SEGURO NA VIDA / E PRINCIPALMENTE / NA HORA DA MORTE".Os vitrais do lado do Evangelho, têm as inscrições: "5A / ABENÇOAREI ABUNDANTEMENTE TODOS SEUS / TRABALHOS / E EMPREENDIMENTOS"; "6A / OS PECADORES ENCONTRARÃO NO MEU CORAÇÃO UMA FONTE INESGOTÁVEL / DE / MISERICÓRDIA"; "7A / AS ALMAS TÍBIAS TORNAR-SE-ÃO / FERVOROSAS PELA PRATICA DESTA DEVOÇÃO"; "8A / AS ALMAS FERVOROSAS SUBIRÃO EM POUCO TEMPO / A UMA ELEVADA PERFEIÇÃO". No segundo tramo da nave, do lado da Epístola, os vitrais apresentam as seguintes inscrições: "9A / A MINHA BENÇÃO PERMANECERÁ SOBRE AS CASAS / EM QUE SE ACHA / EXPOSTA / E VENERADA / A / IMAGEM / DO / MEU / SAGRADO CORAÇÃO"; "10A / DAREI AOS SACERDOTES / QUE PRATICAREM ESPECIFICAMENTE / ESTA / DEVOÇÃO / O PODER DE TOCAR / OS CORAÇÕES / MAIS / EMPEDERNIDOS"; "11A / QUERO QUE / SEJA CONSAGRADO / O MUNDO / AO VENERADO / CORAÇÃO". Entre o monumento e o edifício de acolhimento do santuário desenvolve-se a O. edifício térreo com cafetaria e instalações sanitárias, bem como parque de merendas, com mesas e bancos de madeira cobertas por estruturas tipo toldos, envolvidas por arbustos. Junto à Cruz Alta existe lápide com a inscrição: "CRUZ ALTA / (Autor: Arquitecto Carlos Freire) / Assim era conhecida no santuário de Nossa Senhora de Fátima. / Venerada na Cova de Iria desde o dia 13 de Outubro de 1951 (encerramento do ano Santo), até ao / dia 16 de Fevereiro de 2004, altura em que é retirada devido à construção da nova Basílica. / Foi oferecida a este Santuário no dia 15 de Fevereiro de 2007, sendo inaugurada a 17 de Maio / do mesmo ano. / Com a sua presença, gemina-se assim a Mensagem de Paz destes Santuários e concretiza-se, / simbolicamente, as palavras proferidas pelo então Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, no dia da / Inauguração deste Monumento frente à imagem de Nossa Senhora, vinda da Capelinha das / Aparições: / "...o Santuário de Cristo Rei levanta-se como complemento do Vosso Santuário da Cova da Iria...". Junto à escultura do barco, existe lápide com a inscrição: "JESUS DISSE A SIMÃO: "NÃO TENHAS RECEIO; DE FUTURO, SERÁS / PESCADOR DE HOMENS" E DEPOIS DE TEREM RECONDUZIDO OS / BARCOS PARA TERRA, DEIXARAM TUDO E SEGUIRAM-NO" / lc 5. 10-11 / "JESUS SAID TO SIMON: "DO NOT BE AFRAID; FROM NOW ON YOU / WILL BE CATCHING MEN". WHEN THEY BROUGHT THEIR BOATS TO / THE SHORE, THEY LEFT EVERYTHING AND FOLLOWED HIM". / lc 5. 10-11". Junto à escultura do coração existe lápide com a inscrição: "EIS AQUI ESTE CORAÇÃO QUE TANTO TEM AMADO OS HOMENS QUE A NADA / SE TEM POUPADO ATÉ SE ESGOTAR E CONSUMIR PARA LHES TESTEMUNHAR O / SEU AMOR; E EM RECONHECIMENTO NÃO RECEBO DA MAIOR PARTE DELES / SENÃO INGRATIDÕES POR MEIO DAS IRREVERÊNCIAS E SACRILÉGIOS, / TIBIEZAS E DESDÉNS QUE USAM PARA COMIGO NESTE SACRAMENTO DE AMOR / (EUCARISTIA)" / Jesus a Stª Margarida Maria Alacoque, 16/06/1975 / BEHOLD THE HEART WHICH HAS SO LOVED MEN THAT / IT HAS SPARED NOTHING EVEN TO EXHAUSTING AND / CONSUMING ITSELF IN ORDER TO TESTIFY ITS LOVE; / AND IN RETURN, I RECEIVE FROM THE GREATER / PART ONLY INGRATITUDE, BY THEIR IRREVERENCE / AND SACRILEGE AND BY THE COLDNESS AND / CONTEMPT THEY HAVE FOR ME IN THIS SACRAMENT / OF LOVE /EUCHARIST). / Jesus to St. Margaret Mary Alocoque, 16/06/1675". Junto à fachada lateral O. do monumento existe lápide de mármore com inscrição do João Paulo II, com tradução em inglês e francês, que em português reza: "QUE MARAVILHA É ESTE REI QUE RENUNCIA / A TODOS OS SINAIS DE PODER AOS INSTRU - / MENTOS DO DOMINIO E DESEJA REINAR / SOMENTE COM A FORÇA DA VERDADE E / DO AMOR. / JOÃO PAULO II / 25 DE NOVEMBRO DE 1979". Os Passos da Via Sacra junto ao miradouro a N. representam os seguintes temas devidamente identificados por inscrição: "I ESTAÇÃO / JESUS CONDENADO"; "II ESTAÇÃO / JESUS / COM A CRUZ"; "III ESTAÇÃO / JESUS CAI PELA / PRIMEIRA VEZ"; "IV ESTAÇÃO / JESUS ENCONTRA SUA MÃE"; "V ESTAÇÃO / SIMÃO DE CIRENE / AJUDA A LEVAR, / A CRUZ"; "VI ESTAÇÃO / VERÓNICA / ENXUGA O ROSTO / DE JESUS"; "VII ESTAÇÃO / JESUS CAI PELA / SEGUNDA VEZ"; "VIII ESTAÇÃO / JESUS CONSOLA / AS MULHERES / DE / JERUSALÉM"; "IX ESTAÇÃO / JESUS CAI PELA / TERCEIRA VEZ"; "X ESTAÇÃO JESUS É DESPOJADO DAS SUAS VESTES"; "XI ESTAÇÃO / JESUS É PREGADO NA CRUZ"; "XII ESTAÇÃO / JESUS MORRE NA CRUZ"; "XIII ESTAÇÃO / JESUS É DESCIDO DA CRUZ / E O SEU CORPO É / DEPOSITADO NOS / BRAÇOS DE / SUA MÃE"; "XIV ESTAÇÃO / JESUS É SEPULTADO".

Utilização Inicial

Religiosa: santuário / Turística

Utilização Actual

Religiosa: santuário (festa na 1ª semana de setembro) / Turística

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20 / 21

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: António Lino (1938); Domingos Ávila Gomes (1996-2007); João de Sousa Araújo (2006-2008, 2013); Luiz Cunha (1996-2007). EMPREITEIROS: Casa Teixeira Duarte & C.ª (1950); Rocha & Renda (1957-1958); Sociedade de Obras Públicas e Cimento Armado - OPCA (1952). ENGENHEIROS: António Fernandes de Barros (1957-1958); Ernest Fleury (1950); Francisco de Mello e Castro (1946-1959); Francisco Lino Netto (1950-1959); João Manuel Castelo Branco Vieira (1950-1959); José Sidónio Brazão Farinha (1950-1959); José Máximo de Castro Nery (1950-1959). ESCULTOR: Francisco Franco (1946-1959). FIRMAS: Altamira (1958-1959); G. Perez Ldª (1957-1958); Philips Portuguesa, S.A.R.L. (1950-1959); Sociedade Eletrotécnica, Ldª - SOTÉCNICA (1950-1959). MESTRE: Leopoldo de Almeida (1950).

Cronologia

1934 - o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, durante a deslocação ao Brasil, visita a estátua do Cristo Rei Redentor, no Monte Corcovado (Rio de Janeiro), e tem a ideia de construir um monumento ao Cristo Rei em Portugal, em frente de Lisboa; 1935, início - aquando do Congresso do Apostolado da Oração em Lisboa, o Cardial revela ao Diretor Diocesano no Patriarcado o seu desejo; 1936, 2 a 7 - no Congresso Diocesano do Apostolado da Oração, o Cardeal propõe a ideia do monumento em honra do Sagrado Coração de Jesus, de quem era grande devoto, e pergunta se todos estão dispostos a secundá-lo na execução do empreendimento; a resposta foi unânime; 17 a 21 junho - no 2º Congresso Diocesano do Apostolado de Oração, em Braga, o Pe. João Ferreira Fontes transmite o intento do Cardeal, que é bem acolhido; 1937 - durante a Pastoral Coletiva da Quaresma, os bispos decidem: "aprovamos e abençoamos o projeto de se levantar em Lisboa, capital do país, à semelhança do que tem sido feito noutros países, um grandioso Monumento a Cristo Rei, como homenagem nacional àquele Divino Coração, "Rei e centro de todos os corações""; os bispos portugueses apontaram três razões para a construção do monumento a Cristo Rei: 1) o dever de um desagravo social pela conspiração universal contra o reino de Cristo; 2) um grande dever de gratidão nacional, pois ao contrário de outros países, em Portugal, por uma singular providência, vivia-se em paz, num progresso espiritual e o monumento seria assim um profundo e sentido agradecimento a Cristo; 3) uma exigência de restauração nacional; 22 abril - carta do Patriarca ao Diretor Diocesano do Apostolado da Oração e ao Diretor Nacional em Braga comunicando a aprovação da ereção da imagem monumental de Cristo-Rei e que o Apostolado da Oração se oferecera para tomar a si a obra; assim, para melhor orientar e concentrar esforços de toda a nação, e recolher os fundos necessários, o Secretariado do Apostolado da Oração de Lisboa deve funcionar como Secretariado Nacional da obra do monumento do Divino Coração a erigir em Lisboa em nome da Nação Portuguesa; instalação do secretariado nas dependências da igreja de São Nicolau, com entrada pela Rua dos Douradores, nº 57; abril - reorganização do Conselho Diocesano do Apostolado da Oração, com eleição dos dirigentes das três secções que o iriam constituir: Senhoras, Homens e Crianças da Cruzada Eucarística; elaboram-se alguns elementos de propaganda: uma folha volante, para toda a classe de pessoas, com carta do Cardeal Patriarca ao Diretor do Secretariado do Apostolado de Oração, a exposição histórica da origem e razões de ser do monumento, e o modo de fazer a subscrição; um cartaz para afixar à porta das igrejas e em toda a parte possível, representando o Sagrado Coração de Jesus erguendo-se sobre o mapa de Portugal; e duzentas mil listas, para quinze nomes de subscritores em cada uma; 4 junho - início da subscrição nacional no dia da festa do Santíssimo Sagrado Coração de Jesus, tendo a base mínima de contribuição individual sido fixada num escudo anual por pessoa; agosto - enceta-se a Campanha Nacional de prece, por meio de uma "Oração cuja fórmula única desse unidade à intenção e aos dizeres de súplica", publicando-se centenas de milhares de pagelas em edições sucessivas com a oração; outubro - carta da Secretaria a numerosos intelectuais portugueses pedindo-lhes uma palavra escrita de exaltação do empreendimento, para publicar na imprensa; 1938, janeiro - começa a realizar-se missa diária pelos benfeitores e contribuintes vivos e falecidos do monumento até que estivesse concluído; produção de novo cartaz do Santíssimo Coração de Jesus, do arquiteto e decorador António Lino, afixado à porta das igrejas e Salões das Associações Católicas do país; criação de pequeno jornal "O Monumento" para promover a construção; mulheres portuguesas promovem uma campanha de angariação de contribuições; pouco depois inicia-se uma campanha de oferta de joias verdadeiras; 1939 - campanha de angariação de fundos para a construção com a participação das crianças, denominada "Pedras Pequeninas", norteada sobretudo pelo valor do sacrifício das crianças e a eficácia da sua oração *2; 1939, outubro - publicação da gravura do monumento aprovado e respetiva descrição no jornal "O Monumento", nº 21; dezembro - data de um projeto do Monumento da autoria do engenheiro civil João de Jesus Pires e do escultor José Luís Pires, não aprovado; 1940, 20 abril - no final do retiro anual em Fátima, os bispos portugueses formulam o voto de "Se Portugal fosse poupado da Guerra, erguer-se-ia sobre Lisboa um Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade"; 1941 - secretariado do monumento recebe recomendação superior para não acelerar a marcha da subscrição, mas antas retardar, embora com cuidado para não morrer, mantendo-se quase apenas a campanha das "Pedras Pequeninas"; 17 junho - escritura de compra do terreno para a construção do monumento, com a área de 78.000 m2, por 7.200$00, à firma "Arealva Limitada"; constitui o planalto sobranceiro ao Tejo, na Cordilheira de Almada, pegado à cerca do Seminário de São Paulo, e conhecido pelo nome de Quinta de Arealva, ou Quinta do Pau da Bandeira, porque aquele era um dos sítios onde antigamente se faziam sinais à navegação *3; feitura de vistorias e cálculos geológicos e agrários ao terreno, os últimos realizados pelo engenheiro agrónomo do Crédito Predial, o Dr. Mário Costa; 1946, 18 janeiro - na Pastoral Coletiva, o Episcopado português refere o 3º Centenário da Coroação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal e declara formalmente que, tendo terminado a guerra, é dever cumprir a promessa de erguer o monumento a Cristo Rei; a partir daí, a campanha de angariação de fundos intensifica-se ativamente; decide-se não abrir concurso público e escolhe-se o escultor Francisco Franco para executar a estátua, o arquiteto António Lino para fazer o pedestal, o engenheiro Francisco de Mello e Castro para o trabalho de estudo e direção dos contratos da construção; feitura da primeira maqueta do pedestal, concebida pelo arquiteto António Lino, mas aperfeiçoada em sucessivas sessões de estudo do autor e consórcios, e da estátua feita pelo escultor; 1948, 11 novembro - Cardeal Patriarca aprova o modelo definitivo do monumento ao Cristo Rei do arquiteto António Lino; 1949, 18 dezembro - bênção da primeira pedra do monumento pelo Cardeal Patriarca *4, sendo a obra levada a efeito pelo Episcopado Português; 1949, final - porque a subscrição não ia muito além dos 1000 contos, inicia-se um Plano Trienal de Subscrição para a construção do monumento, incentivando a contribuição individual, mas que depois passou para a contribuição coletiva de todo o tipo de corporações, associações, etc; tal exigia a organização de Comissões de propaganda em todos os centros do país e na sede das Dioceses; 1950, fevereiro - fundações e sondagens no terreno pela Teixeira Duarte & C.ª; 11 agosto - contrato da construção da imagem pelo escultor Francisco Franco; este compromete-se a ter pronto, no prazo de seis meses, o modelo da futura estátua, de um metro de altura; feito e aprovado este, faria um outro modelo de quatro metros de altura, o qual, depois de aprovado, seria o definitivo; feitura da imagem de Nossa Senhora da Paz, pelo mestre Leopoldo de Almeida, constituindo uma réplica da imagem oferecida para a Igreja de Santo Eugénio em Roma; 1951, final - a subscrição contava com 2.927.218$00; 1952, janeiro - adjudicação das obras da construção dos alicerces à Empresa de Obras Públicas e Cimento Armado (OPCA), por 3.020 contos *5; 03 abril - visita dos jornalistas às obras; 1952 - 1955, entre - realização de campanha oficial para a construção do monumento nas Dioceses; 1953 - 1957, entre - campanha de subscrição para o monumento em Moçambique, Angola, Guiné e Estado da Índia Portuguesa; 1956, 01 junho - dia escolhido pelo Episcopado Português para o peditório nacional para o monumento; subscrição pública entre os portugueses no Brasil e a federação das associações portuguesas no Rio de Janeiro; final - conclusão da estrutura de suporte da estátua; 1957, 26 maio - ereção oficial canónica do Santuário do Cristo-Rei pelo Cardeal Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o qual será administrado por um Reitor nomeado pelo Ordinário Lisbonense e a ele diretamente sujeito; 1957 - 1958, entre - moldagem e fundição da grande estátua do Cristo Rei, pela empresa Rocha & Renda, preparação dos acessos; montagem do elevador pela firma G. Perez Ldª, e com projeto do engenheiro António Fernandes de Barros; 1959 - conclusão do monumento dedicado ao Cristo Rei, com custo total de 20.059.258$40 *6; durante as obras colaboram nas fundações o professor Ernest Fleury, o responsável das estruturas é o engenheiro José Sidónio Brazão Farinha, o projeto de instalações elétricas é da responsabilidade do engenheiro Francisco Lino Netto e a iluminação exterior do engenheiro José Máximo de Castro Nery, montada pela Philips Portuguesa, S.A.R.L.; a instalação elétrica de baixa tensão é da responsabilidade de Sociedade Eletrotécnica, Ldª - SOTÉCNICA; o projeto de urbanização é da autoria do engenheiro João Manuel Castelo Branco Vieira e o mobiliário da firma Altamira; 14 a 16 maio - jornada triunfal da imagem de Nossa Senhora de Fátima de Cova da Iria para Lisboa; 17 maio - procissão com a imagem de Nossa Senhora de Fátima desde a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Cacilhas, até ao Cristo Rei, e inauguração do monumento, no dia de Pentecostes, com a presença do Presidente da República Américo Tomás, Episcopado Português, os Cardeais do Rio de Janeiro e de Maputo (Lourenço Marques), autoridades civis e de cerca de 300 mil pessoas; sagração de Portugal aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima; o Cardeal Cerejeira afirma que "Este será sempre um sinal de Gratidão Nacional pelo dom da Paz"; 1975, 16 julho - criação da Diocese de Setúbal pelo Papa Paulo VI, através da Bula "Studentes Nos", ficando, no entanto, o monumento do Cristo Rei e o Seminário de Almada a pertencer ao Patriarcado de Lisboa; 1983 - proposta para o plano geral de ordenamento da área envolvente do santuário, do arquiteto Manuel de Sousa da Câmara; 1984 - lançamento da primeira pedra para a construção da capela de Nossa Senhora no monumento; aquando da celebração do 25º aniversário do Santuário, é aprovado um Plano Geral de Ordenamento para os terrenos do Santuário, da autoria dos arquitetos Luiz Cunha e Domingos Ávila Gomes; 1996 - inauguração do edifício de acolhimento, com projeto dos arquitetos Luiz Cunha e Domingos Ávila Gomes; 1999, 21 junho - o Santuário passa para a tutela da Diocese de Setúbal; 21 julho - entrega oficial do Santuário pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, a D. Gilberto Canavarro dos Reis, segundo bispo da Diocese de Setúbal; sob a tutela desta Diocese, é nomeado como primeiro Reitor do Santuário, o Padre Jaime Silva, até então Pároco da Paróquia de Almada, sucedendo ao Reitor do Patriarcado de Lisboa, o Cónego Manuel Pires de Campos; 2002, 01 fevereiro - reabertura oficial do monumento; 2003, 23 novembro - na sequência da decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, todas as ofertas feitas no País durante este dia revertem para ajuda do pagamento das obras de restauro do monumento; 2004, 15 junho - inauguração da zona da reitoria e do torreão denominado Torreão Divino Coração, pelo bispo D. Gilberto Canavarro dos Reis; 2005, 17 maio - inauguração do salão polivalente João Paulo II, composto por um refeitório para 150 pessoas e uma sala para 80 pessoas; entra em funcionamento o "Espaço Jovem", composto por duas camaratas, uma com capacidade para 22 pessoas e outra para 30, um refeitório para 55 pessoas e uma cozinha, para melhor atender aos grupos organizados de peregrinos, nomeadamente retiros e recoleções; 2006, 17 maio - remodelação profunda da capela de Nossa Senhora da Paz, com alteração da capela-mor e da capela do Santíssimo Sacramento, pelo arquiteto João de Sousa Araújo *7; transferência da imagem de Nossa Senhora da Paz da Capela do Santíssimo para o local atual, entre aquela capela e a capela-mor, conforme ideia do arquiteto Luís Líbano Monteiro; 2007 - conclusão da construção do edifício de acolhimento do santuário; 15 fevereiro - oferta da Cruz Alta do santuário de Nossa Senhora de Fátima, do arquiteto Carlos Freire, ao Santuário do Cristo Rei; 17 maio - inauguração da sala Beato João XXIII, contendo quadros do arquiteto Sousa Araújo, inspirados na Encíclica "Pax in Terris", do mesmo papa; feitura do grupo escultórico do Anjo de Portugal (da Paz) a dar a comunhão aos pastorinhos de Fátima, pelo arquiteto Sousa Araújo; inauguração do espaço envolvente da zona do elevador; inauguração da Cruz Alta, colocada em frente ao monumento; 2008, 17 maio - inauguração da Capela dos Confidentes do Coração de Jesus, na plataforma intermédia antes do terraço do monumento, benzida pelo bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis, e dos painéis em bronze dos "Dez Mandamentos", ladeando o portal de acesso ao monumento, do arquiteto Sousa Araújo; Quaresma - inauguração da Via Sacra na capela do monumento, com catorze painéis pintados pelo arquiteto João de Sousa Araújo *8; 2009, 6 janeiro - inauguração de dois quadros alusivos às revelações de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, e de um outro na Capela do Santíssimo Sacramento; 17 maio - celebrações do cinquentenário da inauguração do monumento do Cristo Rei; recebe novamente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, da Capelinha das Aparições, bem como as relíquias de Santa Margarida Maria de Alacoque, a religiosa de Paray-le-Monial a quem Jesus revelou o seu Sagrado Coração; inauguração da sala da Misericórdia no pilar SO.; renovação da Consagração aos Corações de Jesus e Maria pelos bispos portugueses; o Papa Bento XVI envia o seu Legado Pontifício, o cardeal D. José Saraiva Martins, que lê uma mensagem no "Angelus"; geminação entre os santuários de Cristo Rei Redentor e de Cristo Rei, com leitura de mensagem do arcebispo do Rio de Janeiro; 12 outubro - segunda fase da geminação entre o Santuário Nacional de Cristo Rei de Almada e o Cristo Redentor do Corcovado, do Rio de Janeiro; 2010, maio - durante a sua visita a Portugal, o Papa Bento XVI sobrevoa o santuário; 2011, 25 março - inauguração da Capela do Divino Coração no edifício de acolhimento, pelo bispo D. Gilberto Canavarro dos Reis; 2014, 01 janeiro - bênção da imagem do Imaculado Coração de Maria, colocada junto à Cruz Alta e executada por João de Sousa Araújo.

Características Particulares

Monumento do Cristo Rei concluído em 1959, em posição dominante da margem S. do rio Tejo e voltado à cidade de Lisboa, constituindo o ex-líbris de Almada e um dos monumentos mais altos do país. A ideia da sua construção deve-se ao então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, após a visita ao Cristo Redentor, no Monte Corcovado, em 1934, sendo erigido com verbas provenientes de subscrições realizadas a nível nacional e entre portugueses noutros continentes, em agradecimento a Portugal ter sido poupado à II Guerra Mundial, justificando-se assim a dedicação da capela a Nossa Senhora da Paz. Apesar de todo o monumento ser feito em betão, deixado à vista, procurou-se conferir um tratamento e acabamento mais cuidado à estátua, através da utilização de uma brita mais escura na figura e do seu bujardamento, e de aparelhar a pico grosso a estrutura de suporte. Cada um dos arcos da estrutura surge virado a um dos pontos cardeais, sendo encimados por plataforma intermédia, onde se inaugurou, em 2008, uma segunda capela, dedicada aos Confidentes do Coração de Jesus, e se localiza uma loja de recordações. Na capela de Nossa Senhora da Paz o acesso processa-se pelo braço do lado da Epístola, ficando no oposto a capela do Santíssimo. Toda a decoração do interior é contemporânea, possuindo inúmeras alusões às Aparições de Nossa Senhora de Fátima, ao Papa João Paulo II, representados na pintura mural e tríptico da capela-mor, ao Papa João XXIII, e ao Sagrado Coração de Jesus e de Maria, a quem o monumento é dedicado. No interior, possui ainda uma Via Sacra composta por painéis pintados com passos da Paixão de Cristo conjugadas com cenas dolorosas da história recente do nosso país e do mundo, identificadas por inscrições. O portal principal, de estrutura convexa em cantaria, integra dez baixos-relevos em bronze com os Dez Mandamentos, também identificados com inscrições. A representação da escultura monumental de Cristo Rei, com os braços abertos, foi uma exigência da arte, para que os contornos da figura humana fossem visíveis e não se confundissem com um vulto uniforme vertical. Em frente do monumento foi colocado recentemente a Cruz Alta, proveniente do Santuário de Fátima e existe uma outra Via Sacra, com as cruzes inclinadas, contendo a representação do passo em baixo-relevo e contendo uma inscrição com o texto do Evangelho alusivo, uma meditação e uma oração.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Monumento do Cristo Rei em betão armado, a estrutura de suporte aparelhada a pico grosso e a figura do Cristo bujardada; portal em cantaria, portas de madeira e em ferro envidraçada; pavimento cerâmico, soalho e mármore; vãos com vidros simples e vitrais; coberturas de betão e estuque; guardas e escada em ferro; revestimentos em placas cerâmicas e em pastilha policroma. Edifício de acolhimento do santuário em betão; fachadas e paredes revestidas a placas cerâmicas, as do interior envidraçadas, placas de cantaria, desperdício de mármore, tijoleira e mármore; pavimentos cerâmicos, mármores e em soalho; coberturas de madeira, estuque e em betão descofrado; portas e caixilharia de alumínio; vidros simples e vitrais; cobertura de telha.

Bibliografia

ALBERTO, Padre Sezinando - Peregrinos de Cristo Rei de Almada. Lisboa: Paulus Editora, 2009; ALBERTO, Padre Sezinando (Coordenação) - Santuário de Cristo Rei Via Sacra. s.l.: Paulinas Editora, 2011; ALBERTO, Padre Sezinando - 50 Anos do Cristo Rei: Álbum Comemorativo. Lisboa: Paulus Editora, 2009; ALBERTO, Padre Sezinando (Coordenação) - Via-Sacra. Santuário de Cristo Rei. Prior Velho, Paulinas Editora, 2011; BARATA, Carlos T. - "Monumento a Cristo-Rei", Boletim da Ordem dos Engenheiros. Lisboa: Papelaria Fernandes, 1952, vol. 1, nº 12, p. 26; BARBOSA, Adérito Gomes - Coração Grande: Paz, Misericórdia e Cordialidade. Prior Velho: Paulinas Editora, 2009; CÂMARA, Maria João da - Cristo-Rei: espiritualidade e História. Cascais: Lucerna, 2009; Fernando Leite, S J., Monumento Nacional a Cristo Rei: Memória Histórica 1936-1959. Lisboa: Secretariado Nacional do Monumento, 1965; Memória do Monumento e cidade de Cristo-Rei. Almada: Jornal de Almada, 1959; TEODORO, José Miguel - Por alturas do Cristo-Rei em Almada. Almada: Câmara Municipal de Almada, 2010; Santuário Nacional de Cristo Rei (http://www.cristorei.pt/), [consultado 2m 20-08-2013].

Documentação Gráfica

IHRU: Arquivo Pessoal Manuel de Sousa da Câmara

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; Associação de Reitores dos Santuários de Portugal / Paulinas

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMAlmada: 2001 - obras de limpeza; Proprietário: 2001 / 2002 / 2003 / 2004 / 2005 / 2006 / 2007 - obras de restauro do monumento do Cristo Rei, com o apoio técnico da Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências e Tecnologia, e da zona envolvente; 2006 - conclusão das obras da Capela de Nossa Senhora da Paz; 2007, 25 novembro - inauguração da remodelação da sacristia principal da capela, incluindo o restauro da maqueta original da imagem de Cristo Rei, do escultor Francisco Franco.

Observações

*1 - A estátua de Cristo Rei tem a cabeça com 4,05 m; o coração sobre o peito tem 1,89m; cada um dos braços mede 10 m e, de mão a mão, tem 28 m; a manga da túnica mede 5m de altura. O peso total da construção da estrutura e da estátua é de 40 000 toneladas e o volume do betão armado de 20 000 m³. *2 - A campanha das "Pedras Pequeninas", que decorreu de 1939 a 1959, consistia na renúncia de algo ao longo do ano por parte das crianças, que colocavam num mealheiro que depois era depositado no Presépio das suas Paróquias, no dia dos Santos Inocentes, ou seja, a 28 de dezembro. No momento em que lançassem a sua "Pedrinha" na salva das esmolas, as crianças deviam recitar em coro a Oração das Crianças, que foi numa estampa a partir do Natal. Esta campanha rendeu, de 1939 a 1957, 1.104.989$30. *3 - A Casa Trigoso, representada pela D. Maria Isabel de Melo Trigoso de Siqueira, havia oferecido gratuitamente um terreno para a construção do monumento ao Cristo Rei, devido à devoção ao Santíssimo Coração de Jesus, na ponta de Cacilhas e compreendendo a parte alta do morro que se estende desde o Castelo de Almada até à povoação. Contudo, tendo o engenheiro António Viana percorrido e observado aquela zona, verifica que o terreno oferecido não tinha a solidez geológica necessária, nem a área necessária para o que se exigia à grandeza do monumento e suas adjacências. *4 - O local do terreno escolhido inicialmente para a implantação do alicerce do monumento era onde a Câmara de Almada construiu o depósito de água, abastecedor da cidade, devido a um lapso do Município e por não ter sido especificado documentalmente a faixa de terreno cedido pelo Patriarca para o efeito. Tal obrigaou a escolher-se para o monumento um outro local, que veio a ser na extrema ocidental do vasto terreno comprado e, consequentemente, à aquisição de uma nova parcela de terreno, para que a zona envolvente da estrutura de suporte da estátua fosse suficientemente ampla. *5 - Os alicerces são feitos através de um sistema de cofragem especial, ou seja, os chamados moldes viajantes, em que o andaime é a própria estrutura, recebendo o betão, nos quais se via crescer o pedestal do monumento, camada após camada. A imagem do Cristo Rei foi construída na própria estrutura, utilizando-se para o efeito moldes de gesso, preparados previamente a partir da maqueta, sendo depois esculpido à mão. *6 - Segundo o extrato das despesas de junho de 1937 a 31 de dezembro de 1961, publicado por Fernando Leite (pg. 226), as maquetas do monumento orçaram em 18.482$40; as sondagens no terreno em 29.100$00; o lançamento da primeira pedra do monumento, em 1949, em 5.447$30; a abertura de um caminho de acesso ao monumento e diversos em 5.252$30; a despesa com engenheiros, desenhos e telas em 30.469$60; a despesa com o Laboratório de Engenharia Civil em 72.405$00; o pagamento à Sociedade de Obra Pública e Cimento Armado, Ldª em 15.316.444$90; a montagem do elevador em 870.000$00; a eletrificação, material elétrico e iluminação em 435.137$60; a despesa com a metalurgia, moldes, vidros, chapas e diversos materiais em 30.729$70; a porta de ferro para a capela (serralharia artística) em 35.000$00; os bancos para a capela e acabamentos diversos em 36.070$00; a maqueta da estátua do Sagrado Coração de Jesus, do escultor Francisco Franco, em 200.000$00; a modelação da estátua da figura de Cristo Rei, em 1.123.000$00; a modelação da estátua da imagem de Nossa Senhora (15.500$00) e o seu assentamento na capela, por António Branco (2.500$00), em 18.000$00; os trabalhos fotográficos para engenheiros e diversas fotografias para a inauguração do monumento em 18.782$00; por fim, a manutenção do Secretariado, expediente, propaganda (estampas e pagelas), o jornal "O Monumento", cartazes, serviços, salários, publicações para as festas inaugurais, etc, na verba de 1.814.910$60. *7 - Para o painel pintado na capela-mor serviu de inspiração ao arquiteto João de Sousa Araújo um dos escritos do Cardeal Cerejeira, onde se afirma que "... o Santuário de Cristo Rei será amanhã o Santuário Nacional na capital do País, que fechará o arco-íris da fé, da esperança e da paz, que nasce de Fátima e passa pelo Vaticano...".*8 - Numa peregrinação ao Santuário da Virgem Negra, na Polónia, em novembro de 2006, o reitor do Santuário do Cristo Rei, observa uma Via Sacra com passos da Paixão de Cristo conjugados com cenas dramáticas da história recente do país. Assim, pensa fazer uma obra semelhante para a capela do santuário, convidando posteriormente o arquiteto João de Sousa Araújo a pintar a Via Sacra com cenas dolorosas da história recente do nosso país e do mundo.

Autor e Data

Paula Noé 2013 (no âmbito da parceria IHRU / Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja)

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login