Castelo da Feira / Castelo de Santa Maria / Castelo de Santa Maria da Feira

IPA.00001040
Portugal, Aveiro, Santa Maria da Feira, União das freguesias de Santa Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo
 
Arquitectura militar, gótica. Castelo gótico, de planta oval irregular, fisionomia básica quinhentista, revelendo um evidente paralelismo com a solução adoptada na Castelo de Lanhoso (v. PT010309190002); a incorporação das flechas cónicas na torre, na época manuelina e joanina, de influência moçárabe, aproximam-se às existentes no Castelo de Porto de Mós (v. PT021016120002). A torre-alcáçova de planta sub-rectangular é dotada de 4 torreões, 2 na fachada principal, enquadrando a porta de entrada, e outros dois no lado oposto. Capela de planta hexagonal, seiscentista, de raíz classicizante, com modelos parentes nas capelas aveirenses de São Gonçalinho (v. PT020105120017) e Madre de Deus (v. PT020105120015).
Número IPA Antigo: PT010109060001
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta oval irregular, com entrada protegida por barbacã, com poço e torres quadrangulares adossados, avançando nas extremidades pequena cerca poligonal que constitui a tenalha e, no lado, oposto, capela de planta hexagonal. As muralhas, com adarve, são rematadas em parapeito ameado composto por ameias de corpo largo, rasgadas por seteiras cruciformes e troneiras, e abertas com esbarro para o exterior. Uma porta arqueada dá acesso às construções e à torre de menagem quadrangular reforçada por torreões nos cunhais, com entrada protegida por balcão de mata-cães, três pisos com cobertura em abóbada de berço seccionada em quatro tramos por arcos torais assentes em mísulas. Os torreões rematam em coruchéus cónicos cantonados por pequenos cones. A capela, de planta hexagonal, anexa corpo em forma de rectângulo com porta rectangular excêntrica e três frestas correspondendo a três vãos rectangulares superiores com sacada, correndo entablamento superior ritmado por mísulas enquadrando os vãos e ao cimo sineira no enfiamento do portal rectangular. Capela com portal axial constituído por pilastras misuladas, empena pronunciada e remate superior com frontão semicircular interrompido, albergando óculo hexagonal interino. Marco arquitectónico liso marcado por pilastras nos cunhais e cimalha de verga recta com pináculos angulares, e cobertura em seis panos com pináculo no vértice. Interior de plano centrado com abertura de cinco arcos de volta perfeita, exceptuando o da entrada, albergando retábulo central e dois laterais. Púlpito de base hexagonal e anteparos de balaústres em madeira. Cobertura em sectores cilíndricos com remate central com florão.

Acessos

Largo do Castelo. WGS84: 40º55'16.01''N.; 8º32'34.66'' O.

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG nº 136, de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2ª Série, nº 195, de 22 Outubro 1946

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano. Isolado em local altaneiro em pequena colina e dominando pequeno vale onde se situa o centro urbano.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: CASTELO: 1. Inscrição comemorativa do III centenário da Restauração de Portugal gravada num silhar colocado à esquerda de uma porta; granito; Tipo de Letra: capital quadrada do séc. 20; Leitura modernizada: A HISTÓRIA DESTE CASTELO FOI RECORDADA COM GRATIDÃO PELOS PORTUGUESES DE 1940; 2. Inscrição votiva gravada numa ara que é cópia de uma ara romana; a análise epigráfica revela falsificação pois na última linha está gravado um "U", letra desconhecida dos romanos, em vez de um "V"; Leitura modernizada: BANDE VELUGO TOIRAECO LUCIO LATEIVS BLAESUS VLAS. 3. Inscrição votiva gravada numa ara romana; granito; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: DEO TVERACO VOLENTI ARCIVS EPEICI BRACARVS SOLVIT LIBENS; Tradução: Ao benévolo deus Tueracos consagra Arcio, Filho de Epeico, bracaro, em pagamento de um voto. 4. Inscrição comemorativa de obras de consrução gravada numa pequena lápide, em campo epigráfico relevado, que integra pedra de armas com moldura lateral em ovalo inferiormente rematada por carrancas, colocada sobre o fecho da porta da praça de armas*1; Descrição Heráldica: escudo de ponta com chefe festonado com cruz florenciada e vazia de campo e orla filetada (Pereira); ornatos exteriores: elmo com correias, das quais pendem inferiormente esporas, virol e paquife; timbre: uma cruz florenciada, ladeada de duas asas estendidas;Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura modernizada: O QUARTO CONDE DA FEIRA DOM DIOGO FORJAZ MANDOU FAZER ESTA E O RELÓGIO DAQUELA TORRE NA ERA DE 1562. 5. Inscrição comemorativa da inauguração da iluminação exterior do castelo gravada numa lápide com cravos de metal nos quatro cantos, colocada entre duas bombardeiras;Tipo de Letra: capital quadrada do séc. 20; Leitura: AOS 13 DE JANEIRO DE 1963, FOI INAUGURADA A ILUMINAÇÃO EXTERIOR DESTE CASTELO POR SUAS EXCELÊNCIAS OS MINISTROS DAS OBRAS PÚBLICAS - ENGENHEIRO ARANTES E OLIVEIRA - E DA EDUCAÇÃO NACIONAL - PROFESSOR DOUTOR GALVÃO TELES. 6. Inscrição identificativa de instituição gravada numa placa de metal aparafussada ao pilar esquerdo do portão, que dá acesso à cerca, com quatro parafusos; no topo superior, ao centro, gravadas as armas da República Portuguesa; sulcos das letras pintadas a tinta negra; Tipo de letra: capital actuária do séc. XX; Leitura: MINISTÉRIO DOS ASSUNTOS SOCIAIS. SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA SOCIAL. CENTRO REGIONAL DE SEGURANÇA SOCIAL DE AVEIRO. CENTRO INFANTIL DA FEIRA. CAPELA: 7. Inscrição comemorativa da construção da capela gravada entre a cornija do portal e a base da edicula onde se abre o óculo hexagonal; a altura a que se encontra impossibilita a obtenção de medidas; calcário; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura modernizada: ESTA CAPELA MANDOU FAZER A CONDESSA DONA JOANA FORJAZ PEREIRA DE MENESES E SILVA 1656.

Utilização Inicial

Militar: Castelo

Utilização Actual

Cultural / Turística

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 11 / 12 / 13 / 14 / 15 / 16 (castelo) / Séc. 17 (castelo, capela)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Época romana - Lápides encontradas na área defensiva confirmam a presença romana no período baixo-imperial; séc. 11 - primeira referência documental (Chronica Gothorum); séc. 11 / 12 - construção da parte inferior da menagem - alcáçova; 1128 - palco da revolta de D. Afonso Henriques contra D. Teresa, sua mãe; 1251 - referido nas Inquirições afonsinas; 1300 - fez parte do dote da Rainha Santa; séc. 14 - construção da cerca amuralhada da qual apenas restará o traçado; 1357 - foi alcaide Gonçalo Garcia de Figueiredo; 1372, 10 de Set. - D. Fernando doa a Terra de Santa Maria a D. João Afonso Telo de Meneses, Conde de Barcelos, ficando o castelo na sua posse; 1383 - Na Crise Dinástica D. João Afonso Telo de Meneses toma partido por Castela e o castelo segue-lhe o exemplo sendo alcaide D. Martim Correia; 1385 - É tomado pelos partidários do Meste de Avis*2; 1385, 8 de Abril - A Terra de Santa Maria e o seu castelo são doadas pelo Mestre de Avis a D. Álvaro Pereira, primo do Condestável; D. João I concede o castelo a João Rodrigues de Sá; 1448 - doado a Fernão Pereira com a obrigação de o reconstruir; séc. 15, 2ª metade - época de grande renovação e ampliação; 1562 - O 4º conde da Feira, D. Diogo Forjaz, manda fazer a lápide, colocada hoje sobre a porta da barbacã, para comemorar a construção da torre do relógio, talvez a que ainda existia em 1755 e se localizava numa das torres da alcáçova (Barreiros, 2001, p. 46) ; séc. 17 - construção de palacete interino, destruído, do qual resta o fontanário; 1656 - D. Joana Forjaz Pereira de Meneses e Silva, condessa da Feira, mandou edificar a capela segundo inscrição; 1700 - extinta a representação dos condes da Feira, passou para a Casa do Infantado; 1722, 15 Jan. - devastado por incêndio; 1839 - comprado em hasta pública pelo general Silva Pereira; 1852 - visitado pela família real; 1881 - classificado como MN; 1905 - campanha de subscrição pública para obras de restauro do imóvel, passando a sua vigilância a ser exercida por um guarda; Drs. Gonçalves Coelho e Vaz Ferreira descobrem três inscrições;1950 - abertura de acesso ao castelo, pela Direcção Geral dos Serviços de Urbanização; 1927 - as visitas ao castelo passam a ser pagas; 1963, 13 de Jan. - inauguração da iluminação exterior pelos ministros Engº Arantes e Oliveira, das Obras Públicas, e Galvão Teles, da Educação conforme regista uma inscrição; 1992, 01 Junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Características Particulares

Possuiu ainda no seu interior restos do antigo palácio seiscentista.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria e cantaria (capela), madeira e lajeado (pavimentos interiores)

Bibliografia

Panorama, V, 1841; VASCONCELOS, José Leite, "Miscellânea. 2. Castelo da Feira. Importante Descobrimento", O Arqeológo Português, 1ª série, vol. X, Lisboa,1905, pp. 397-398; TÁVORA, Fernando Tavares, O Castelo da Feira, Porto, 1907; LARCHER, Jorge, Castelos de Portugal, Centenários, nº 8, 1939; DGEMN, Boletim nº 37 - 38, 1944; CARDOSO, Aguiar e Ferreira Vaz, O Castelo da Feira, Feira, 1950; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1950, Lisboa, 1951; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; CAMPOS, Correia de, Monumentos da arquitectura árabe em Portugal, 1970; CORREIA, Azevedo de, Arte Monumental Portuguesa, Vol. 1, Porto, 1975, pp. 54 - 55; Quatro Lições de Arte e Fortificações, Instituto de História da Arte, Coimbra, 1978; GONÇALVES, Nogueira, Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Aveiro, X, Lisboa, 1981, pg. 38 - 53; MATTOSO, José, KRUS, Luis e ANDRADE, Amélia, O Castelo da Feira, Lisboa, 1989; IPPAR, Santa Maria da Feira. O Castelo, s.l., 1990; BARROCA, Mário Jorge, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), vol. II, Porto, 2000, pp. 1915-1916; BARREIROS, Maria Helena, O Castelo de Santa Maria da Feira, séculos X a XX, formas e funções, Santa Maria da Feira, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DREMC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN / DREMC

Intervenção Realizada

Câmara Municipal: 1877 - desenterramento do poço; Direcção de Obras Públicas: 1907 - recuperação; 1909 - obras de beneficiação e restauro custeadas por Fortunato Fonseca; DGEMN: 1935 - início das obras de restauro, dirigidas pelo Arqº Baltasar de Castro: desobstrução e reconstrução de parapeitos e merlões; 1936 - reconstrução de muralhas e abóbada de acesso à praça de armas; 1939 / 1944 - demolição do paço dos Condes e desaterros, reconstrução de muralha, cisterna, pavimentos e cobertura da capela; 1986 - obras diversas de beneficiação.

Observações

A povoação data de tempos imemoriais, aqui teriam os lusitanos erguido um templo em honra de Bandeve-Lugo Toiraeco, mais tarde transformado num templo Mariano. Data desses tempos a feira que deu nome ao local. Por aqui passava a via romana Olissipo - Bracara Augusta, encontrando-se, no perímetro do imóvel vestígios de ocupação romana. A torre de menagem inclui três fogões. Sendo um castelo de transição, reflecte as adaptações, as persistências e as inovações armamentistas que, ao nível da defesa, vão sendo configuradas por seteiras.*1- Esta lápide armoriada e epigrafada não se encontra no local de origem, uma vez que fotografias datadas de 1929 registam sobre o fecho do arco da porta uma outra pedra de armas; *2. Num silhar, encontrado em 1905, hoje desaparecido encontrava-se gravada a data de 1385; esta inscrição foi publicada por Leite de Vasconcelos no "Arqueólogo Português" e no CEMP, com o nº 671 (BARROCA, 2000, pp.1915-1916).

Autor e Data

Margarida Alçada 1983 / Carlos Ruão 1996 / Filipa Avellar 2005

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