Muralhas de Guimarães / Cerca urbana de Guimarães

IPA.00001048
Portugal, Braga, Guimarães, União das freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião
 
Muralha medieval da cerca da vila de Guimarães concluída no reinado de D. Dinis. A parte alta da vila, a Vila do Castelo, teria sido a primeira a cercar-se de muralhas, talvez ainda no reinado de D. Sancho I. Posteriormente, a muralha iniciada durante o reinado de D. Afonso III e concluída por D. Dinis, uniu a Vila do Castelo à Vila de Sta. Maria, a parte baixa. No interior do espaço amuralhado, porém, vai manter-se o antigo muro da vila alta como uma muralha transversal, apenas demolida em data próxima de 1420.
Número IPA Antigo: PT010308340016
 
Registo visualizado 4451 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Cerca urbana    

Descrição

Existem os dois arranques que ligavam a muralha à cerca do Castelo. A partir da Praça de Mumadona e ao longo da Avenida Alberto Sampaio, pode observar-se o troço mais extenso que se conserva da Muralha, ainda que a cota do pavimento do passeio ande perto de 3 m acima da sua base. Junto da Praça do Toural conserva-se a Torre da Alfândega, que constituía o ponto mais a S. da Muralha. Na Rua de Santo António resta ainda um pequeno troço visível entre o casario.

Acessos

Avenida Alberto Sampaio, Avenida D. Afonso Henriques, Praça do Toural.

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 203 de 30 agosto 1958 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães (v. PT010308340101) / Incluído na Zona Especial de Proteção Conjunta do Castelo de Guimarães (v. PT01030834011), Igreja de São Miguel (v. PT01030834006) e Paço dos Duques de Bragança (v. PT01030834013)

Enquadramento

Urbano. Os dois troços de muralha melhor conservados ladeiam, um, a Avenida Alberto Sampaio, que sobe em direcção ao Castelo, e o outro, o troço da Torre da Alfândega, a Avenida D. Afonso Henriques, na entrada para a Praça do Toural. Os restantes troços ainda existentes estão totalmente encobertos pelas construções do centro histórico de Guimarães.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 13 / 14

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 12 - 13, inícios (reinado de D. Sancho I) - o rei circuitou a cavalo a parte alta da vila, a fim de lhe assinalar um termo, sendo provável que se tivesse amuralhado a partir desta altura; séc. 13, meados - é iniciada a construção do traçado definitivo da cerca de Guimarães por iniciativa o rei D. Afonso III, unificando as partes alta e baixa da vila; 1322, antes - durante o reinado de D. Dinis prosseguiram as obras de construção da cerca, tendo aquele rei sido o grande responsável pela sua conclusão em data anterior a 1322; 1322 - cerco da vila pelo infante D. Afonso, em luta com seu pai o rei D. Dinis; 1369 - cerco da vila por D. Henrique II de Castela; 1385 - cerco da vila pelas forças do rei D. João I; 1389 - D. João I unifica jurisdicionalmente as comunidades das partes altas (Castelo) e baixa (Burgo) da vila, ordenando que fossem ambos um só povo, mediante a incorporação da vila alta num só concelho, doravante Guimarães; 1420, antes - demolição do muro transversal que separava a parte alta da vila da baixa; séc. 18 - a solicitação da Colegiada, a cantaria da Torre da Sra. da Guia foi utilizada em obras na Igreja da Oliveira; séc. 19, meados - demolição da Torre de S. Bento; 1943 - ao longo da actual Av. General Humberto Delgado, foram demolidos vários troços de muralha numa extensão total de mais de 150 m; 1980, década - funciona no interior da Torre da Alfândega um bar; 2014 - Domingos Machado Mendes, empresário de Vila Nova de Famalicão, compra por 193.000 euros a Torre da Alfândega, à família do artista José de Guimarães, a única torre que resta da antiga cerca da vila, não tendo o Município exercido o direito de preferência; 2016, 17 março - o vereador da Cultura José Bastos revela ao Público a concretização de um acordo com o proprietário da Torre da Alfândega para permitir o acesso ao topo da mesma pelo público; o autarca revela também que está a ultimar um projeto que permitirá a circulação pública, a pé e em segurança, no adarve do troço de muralha existente na Av. Alberto Sampaio, entre a entrada lateral da Câmara Municipal e o Museu Alberto Sampaio, atravessando também uma parte do terreno da Colegiada de Oliveira; o percurso, será feito através de uma estrutura de madeira interior, com a gravação no pavimento do nome e do local das torres anteriormente ali existentes, permitindo interpretar melhor o antigo sistema defensivo da cidade.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito.

Bibliografia

CALDAS, A. J. F., Guimarães, apontamentos para a sua história, Porto, 1881; FERNANDES, Joaquim e outros, Guimarães, do Passado e do Presente, Guimarães, 1985; GUIMARÃES, Oliveira, A villa do Castello, Revista de Guimarães, vol. 15, 1898, p. 5 - 13; MACHADO, Delfim - «Vendida muralha onde nasceu Portugal». In Jornal de Notícias. 17 março 2016, p. 24; PINA, Luís de, Planta da cidade em 1863, com a reconstituição da cintura de muralhas e suas torres, Vimaranes, Porto, 1929; «Projecto abre circulação no interior da muralha». In Correio do Minho. 17 março 2016, p. 16; SILVA, Samuel - «Guimarães garante acesso público a torre medieval, depois de não a ter comprado». In Público. Porto: 18 março 2016, p. 16.

Documentação Gráfica

DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1966 - mudança para local subterrâneo da cabine de alta tensão que se encontra encostada à muralha; 1981 - diversas obras de beneficiação; 1986 - um troço da muralha no interior da antiga Casa dos Linhos, com frentes para o Largo da Condessa do Juncal (Feira do Pão) e para a Alameda da Resistência, foi identificado e valorizado num projecto do arq. António Gradim.

Observações

O circuito das Muralhas de Guimarães tinha início no Castelo, onde ainda existem os dois arranques que as ligavam à cerca daquele. Do lado E. descia para S, em direcção à Porta de Freiria ou de Sta. Cruz, que era defendida por uma torre, e das quais não se conservam quaisquer vestígios. Era aqui que o circuito primitivo da vila alta começava a fechar, inflectindo para O. o qual apresentava um pouco mais adiante outra porta e torre, de nome Santa Bárbara. A manutenção deste troço primitivo depois da ampliação da muralha nos reinados de Afonso III e D. Dinis, criou um muro interno transversal só demolido c. de 1420. A muralha dionisina, continuava depois a descer para S. em direcção à Porta do Postigo e à Torre da Sra da Guia. A meio deste troço, existia uma torre, chamada dos Cães, que se localizava na actual Pça. de Mumadona. A partir desta Pça. e ao longo da Av. Alberto Sampaio, pode observar-se o troço mais extenso que se conserva da Muralha, ainda que a cota do pavimento do passeio ande perto de 3 m acima da sua base. Da Sra da Guia, o circuito começava a inflectir para O. encontrando-se hoje completamente encoberta por construções. Existiam aí a Torre Velha, a Porta da Torre Velha e a Torre da Alfândega, que ainda se conserva, já junto da Pça. do Toural, com acesso pelo Postigo de S. Paio ou Porta Nova. A Torre da Alfândega constituía o ponto mais a S. da Muralha que começava depois a tomar a direcção N. No extremo da Pça. do Toural existiam a Porta de S. Domingos e a Torre da Sra. da Piedade, que contituía a entrada principal da vila sendo por isso também chamada a Porta de Vila. A Muralha seguia depois ao longo da actual R. de Santo António onde resta ainda um pequeno troço visível entre o casario. No local onde está hoje o edifício dos C.T.T., ficava a Torre de S. Bento e a Porta de Sta. Luzia ou da Sra. da Graça. Era aqui que vinha terminar o muro transversal já referido do circuito primitivo. Seguia depois ao longo da actual Av. General Humberto Delgado, onde se conservou até, muito recentemente (1943), ser completamente demolida. Na continuação, até se encontrar novamente com o Castelo, existiam ainda a Porta de Sto. António e a Torre da Garrida. Deste último troço, à excepção do encontro com a cerca do Castelo, nada se conserva. As muralhas pertencem a três freguesias: Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião.

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Dordio 1994

Actualização

 
 
 
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