Anta Grande do Zambujeiro / Anta Grande do Zambujeiro de Valverde

IPA.00001233
Portugal, Évora, Évora, União das freguesias de Nossa Senhora da Tourega e Nossa Senhora de Guadalupe
 
Arquitectura funerária, megalítica. Monumento singular, pela sua monumentalidade, complexidade e dimensões, no horizonte megalítico eborense
Número IPA Antigo: PT040705040058
 
Registo visualizado 543 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Construção de planta irregular, composta pela articulação horizontal de câmara poliginal regular com corredor de planta rectangular alongada. Cobertura autónoma para cada um dos elementos constituintes, em grande laje granítica para a câmara funerária e em sucessão de pequenas lajes sobre o corredor. A fachada principal, virada a E, é constituída pela projecção da abertura do corredor sobre a fachada da câmara. As restantes fachadas estão obstruídas à observação pela mamoa, que ainda cobre praticamente toda a estrutura, excepto o lado E. A câmara poligonal, constituída por 7 gigantescos esteios erguidos cerca de 8 m acima do leito da câmara, abre-se para o corredor através de alto vão, solidamente arquitravado por uma estrutura complexa de pequenos esteios dintelados. A cobertura, vastíssima laje com cerca de 7 m de diâmetro, jaz fragmentada sobre a mamoa, a descair na vertente ocidental. O corredor, com cerca de 12 m de comprimento, 2 m de altura e 1,5 m de largura, conserva a cobertura na maior parte da sua extensão e era assinalado, à entrada, por enorme menir - estela decorado com covinhas.

Acessos

Herdade da Mitra, a 1Km ao N. do antigo Convento do Bom Jesus de Valverde

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 516/71, DG, 1.ª série, n.º 274 de 22 novembro 1971

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, em encosta suave pendente para a Ribeira de Valverde, isolado e em destaque, visível a c. de 1 Km, na falda SE da pequena Serra de Montemuro

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Funerária: anta

Utilização Actual

Marco histórico-cultural

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Megalítica

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

4000 a. C., início / 3000 a. C., meados - a correntemente proposta para o megalitismo de Évora; 2012, 27 março - Proposta da DRCAlentejo de ZEP e para a aplicação de restrições, nos termos dos art.º 54.º e 77.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, de 23 outubro de 2009; 2012, 09 maio - Parecer favorável à Proposta da DRCAlentejo pelo diretor-geral da DGPC; 2012, 121 setembro - Anúncio n.º 13446/2012, publicado no DR, 2.ª série, n.º 184, de projeto de decisão relativo à revisão da categoria de classificação como MN e fixação de ZEP.

Características Particulares

Câmara funerária de invulgar dimensão e corredor de estrutura complexa. Segundo alguns investigadores, a abertura do corredor assinalada por colossal menir antropomórfico

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito de grão grosseiro porfiróide

Bibliografia

GONÇALVES, José Pires, Roteiro de Alguns Megalitos da Região de Évora, Évora, 1975; PINA, Henrique Leonor, Novos Monumentos Megalíticos Do Distrito de Évora in Actas do II Congresso Nacional de Arqueologia, Coimbra, 1970; SANTOS, João, Anta Grande do Zambujeiro - Contributo para o Processo de Recuperação do Monumento (Texto policopiado, Dissertação de Mestrado em Gestão e Valorização do Património Histórico e Cultural, Universidade de Évora), 2009; SILVA, António Carlos (coord.), Roteiro do Megalitismo de Évora, Évora, CME, 1992.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1965 - Escavação de Henrique Leonor Pina (cf. bibliografia); 1983 - Estrutura metálica de cobertura; 1989/1990 - Revisão da escavação por Carlos Tavares da Silva (destes trabalhos não conhecemos, até agora, publicação de resultados)

Observações

Trata-se de um dos maiores monumentos megalíticos da Península Ibérica, com uma estrutura muito complexa. Foi escavada em 1965 por Henrique Leonor Pina e os seus materiais recolheram ao Museu de Évora. A publicação dos resultados, realizado em 1970 em Coimbra, no II Congresso Nacional de Arqueologia, deixaram suspensos estudiosos e investigadores. O monumento encontrava-se integralmente selado dentro da sua mamoa, apenas com as cimalhas dos esteios a despontarem no topo supremo do cabeço da mamoa, uma pequena colina com cerca de 50 m de diâmetro máximo na base. Das suas entranhas, durante a escavação, cujos métodos repetidamente se põem em causa (cf. 070504066, para notar o método recentemente usado em Vale de Rodrigo, para consolidar, antes da intervenção, uma estrutura que levanta problemas técnicos similares), exumaram-se preciosos materiais, hoje depositados no Museu de Évora, do horizonte cultural e civilizacional geralmente associado ao megalítico de Évora: placas de xisto idoliformes, báculos, colares, artefactos de cobre, profusão de cerâmica do universo cultural das taças carenadas alentejanas. O monumento, a cuja estrutura, durante a escavação, se retirou o sólido apoio da mamoa, encontra-se agora em risco acentuado de degradação, dado o peso da sua estrutura. Há cerca de uma década, encontra-se coberto por ridícula estrutura metálica, de boa intenção, mas absolutamente incompatível com uma envolvência equilibrada (1) Alguns esteios apresentam fracturas profundas. Alguns pilares, cristalização de sais.

Autor e Data

Manuel Branco 1993

Actualização

João Santos (Contribuinte externo) 2013
 
 
 
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