Ruínas de Almofala / Casarão da Torre / Torre das Águias / Torre dos Frades

IPA.00001444
Portugal, Guarda, Figueira de Castelo Rodrigo, União das freguesias de Almofala e Escarigo
 
Templo romano de planta clássica rectangular, correspondendo o actual espaço à cella; presença de podium, cuja cornija apresenta perfil característico dos templos dessa época.Teria sido inspirado no Templo de Júlio César no Forum de Roma (A.V.Rodrigues). Modificações posteriores para adaptação a atalaia militar e/ou residência senhorial; conjugação do aparelho de granito estrutural com alvenaria de xisto.
Número IPA Antigo: PT020904020007
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Templo clássico  

Descrição

Planta rectangular; desprovida de cobertura. Embasamento proeminente em forma de podium, com cerca de dois metros de altura, construído com grandes silhares de granito e rematado por cornija ou moldura, sendo visível nos lados N., S. e O., enquanto a E. parece ter sido truncado. As paredes N., S. e O. assentes sobre o podium, são construídas em alvenaria de xisto, enquanto a parede E. congrega blocos irregulares de xisto e de granito; articulam-se através de quatro cunhais construídos com grandes blocos de granito. Alçado principal: orientado a E.; três registos; 1º registo: porta em arco recto; 2º registo: janela em arco recto; 3º registo: janela em arco recto. Alçado O.: três registos; 1º registo: cego ; 2º registo: pequena janela em arco recto descentrada; 3º registo: janela em arco recto. Alçado N.: muros desmoronados. Alçado S.: muros desmoronados. Interior: espaço único entulhado; junto às paredes internas do podium e encostado a estas existe um pequeno muro de reforço; no reboco da face interna da parede O. existe ainda o registo de uma escada de acesso ao último registo.

Acessos

Margem E. da Ribeira de Aguiar, caminho rural a partir da EM 607 entre Figueira de Castelo Rodrigo e Almofala

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 129/77, DR, 1ª série, nº 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Rural; isolado, situado em cabeço sobranceiro a vasto planalto, à Ribeira de Aguiar a O. e à Ribeira de Rodelos a N.. Na envolvente imediata foram detectadas fundações de muros que definem compartimentos, casas e ruas,vestígios de antiga aldeia.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: templo clássico

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Afectação

Época Construção

Época medieval

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Época romana, séc. 2 d.c. - construção de templo ( A.V.Rodrigues, H.Frade ); séc. 10 - hipotética construção de fortaleza ( J.M.Garcia ) *2; Época medieval - seria atalaia ou torre defensiva em redor da qual se desenvolveu uma povoação ou teria permanecido a função religiosa ainda que reconvertida ? ( H.Frade ); denominar-se-ia inicialmente Turris Aquilaris ( Torre das Águias ) e teria servido de designativo ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar ou das Águias ( J.M.Garcia ); 1165 - doação de Fernando II de Leão ao Convento de Santa Maria de Aguiar da Granja de Rio-Chico e outros domínios, daí resultando o facto da povoação de Torre das Águias se passar a denominar Torre dos Frades ( J.M.Garcia ); Séc. 16 - as modificações operadas nesta época terão sido responsáveis pela redução do tamanho primitivo do edifício: a construção da parede E. terá levado à destruição de parte do podium e à mudança do acesso ao interior; possível remodelação das duas janelas da parede W.( H.Frade ); as escavações efectuadas colocaram a descoberto vestígios da antiga aldeia; 1527 - contava 37 moradores; Séc. 17 - funcionou como atalaia militar durante as Guerras da Restauração, que acumulou com a função residencial ( J.Almeida, A.V.Rodrigues ); reforçada com pequeno fortim; 1642 - teria sido definitivamente destruída e destituída da sua função militar após o ataque do Duque de Alba, o que terá contribuído para o desaparecimento gradual da povoação; 1941: um ciclone terá provocado a ruína das paredes, segundo informação oral da população.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito e xisto; cantaria e alvenaria, aparelho isódomo; revestimento inexistente e reboco.

Bibliografia

ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1945; GARCIA, José Maria, Torre das Águias em Almofala, Riba-Côa, Viseu, 1965; CABRAL, Dinis, A Torre de Aguiar ou "Turris Aquilaris ", Viseu, 1965; RODRIGUES, Adriano Vasco, O Templo Romano de Almofala, Nova Interpretação sobre o casarão da Torre, Viseu, 1965; FRADE, Helena, A Torre de Almofala, in Actas das IV Jornadas Arqueológicas da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Lisboa, 1990; Helena, Escavações Arqueológicas na Torre de Almofala (Comunicação apresentada nas Jornadas sobre património Histórico-Militar da Região de Riba-Côa), Guarda, 1991; GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira, vol. I, Lisboa, 1997.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

IPPC: 1989 - trabalhos de limpeza, conservação e levantamento estereofotogramétrico; 1990 / 1991 - escavações arqueológicas na área circundante, pondo a descoberto estruturas pertencentes à atalaia e aldeia; IPPAR: 1996 / 1997 / 1998 / 1999 / 2000 / 2001 - obras de consolidação e contratravamento; trabalhos arqueológicos.

Observações

*1 Imóvel também designado por Torre das Águias, Torre dos Frades, Torre de Aguiar. *2 Época romana, séc. 2 d.c - construção de templo situando-se na proximidade de castro pré-romano ( A. V. Rodrigues ); construção de templo de planta rectangular, podium e paredes N. S. e O., tendo sido a actual parede E. construída posteriormente ainda que apresente o seu alicerce semelhante aos restantes, colocando-se a hipótese de que corresponderia à parede E. da cella, compartimento cujas dimensões corresponderiam ao espaço hoje visível; o acesso era feito através de uma escadaria que se desenvolvia através da parede E., dela apenas restando as fundações; teria talvez existido uma cripta, correspondente à altura do podium e sob a cella ( H. Frade ). A ausência de elementos arquitectónicos não permite ainda afirmar se se tratava de um templo in antis, com duas colunas adossadas e duas isentas na fachada, ou de um templo próstilo tetrástilo, ainda que esta última hipótese seja mais credível ( H. Frade ); desconhece-se a divindade a que era dedicado e a sua envolvente : forum, santuário ou local de culto da população de um vicus?

Autor e Data

Margarida Conceição 1992

Actualização

 
 
 
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