Farol de Leça / Farol da Boa Nova

IPA.00015542
Portugal, Porto, Matosinhos, União das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira
 
Arquitetura de comunicação, do séc. 20. Farol costeiro, composto por um edifício principal de três corpos, dois laterais unidos por um outro central que também faz a ligação ao farol através de corredor. Fachadas rasgadas simetricamente por vãos de verga reta, com molduras de granito, simples. Torre tronco cónica, com dez andares separados por faixa pintada de preto. Remate superior em plataforma, encimada por lanterna de secção circular, em ferro, envidraçada e circundada por varandim.
Número IPA Antigo: PT011308050044
 
Registo visualizado 3667 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Comunicações  Farol    

Descrição

Planta composta por edifício principal de cinco volumes diferenciados, de distribuição simétrica, torre e anexos de apoio, com coberturas diferenciadas, em telhados de três e quatro águas nos corpos laterais, em terraço no corpo central e coruchéu na torre. Sobre os telhados, nos corpos laterais, apresenta duas chaminés de grandes dimensões, em cada corpo, junto às platibandas, nas prumadas das cozinhas. EDIFÍCIO PRINCIPAL constituído por quatro corpos, distribuídos dois de cada lado no sentido E./O., de um e dois pisos, de planta retangular, e um corpo central que articula a ligação com os anteriores e com a torre do farol através de um corredor. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento em cantaria de granito, rematadas por duplo friso e cornija de betão alteada, rasgadas simetricamente por vãos de verga reta, com molduras de granito, simples. Fachada principal voltada a E., antecedida por pátio em forma de "U" invertido. É rasgada no corpo central por porta principal, enquadrada por dois postigos, unidos pela mesma moldura, onde apresenta a inscrição PATRIMÓNIO DO ESTADO, ladeada por duas portas laterais; os corpos laterais, simétricos, são rasgados por duas janelas nas fachadas E. e por porta e três janelas nas fachadas voltadas para o átrio. Os corpos recuados, de dois pisos, são rasgados por quatro janelas, de cada lado. Fachadas laterais, semelhantes, rasgadas por porta e quatro janelas no corpo de um piso, por porta e três janelas no piso térreo do corpo com dois pisos, e por quatro janelas no segundo piso do mesmo corpo. Fachada posterior marcada pela construção de vários anexos de um piso que contrastam com a verticalidade da torre. FAROL de planta circular em betão armado, pintada de branco e com faixas estreitas pintadas de preto, fazendo a separação dos dez pisos. Remate superior em plataforma, onde assenta a lanterna e varandim de serviço. A lanterna apresenta uma estrutura de secção circular em ferro pintado de vermelho e envidraçada, rematada por cúpula encimada por pequena esfera e cata-vento. INTERIOR pintado de branco, dotado de escada helicoidal em betão armado, com duzentos e treze degraus, e mais doze em ferro fundido, na lanterna; guarda e corrimão metálico.

Acessos

Avenida da Liberdade

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Marítimo, isolado, ergue-se em plataforma adaptada ao declive do terreno, em frente a um recorte rochoso, próximo da Praia da Boa Nova. A envolvente é marcada pela presença da refinaria de Leça da Palmeira, que se desenvolve numa vasta extensão a E. do Farol, e pelos prédios habitacionais que constituem a frente marítima. Relativamente próximo encontra-se a Casa de Chá da Boa Nova (PT011308050052) e a Capela da Boa Nova / Capela de São Clemente das Penhas (PT011308050075).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Comunicações: farol

Utilização Actual

Comunicações: farol

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: José Joaquim Peres (1926).

Cronologia

1866, 27 janeiro - é reconhecida a necessidade de um farol em Leça ou Leixões, no Plano Geral de Iluminação Marítima da Costa Portuguesa elaborado, pelo inspetor de Faróis Francisco Maria Pereira da Silva; 1881 - Criação da Comissão de Faróis e Balizas, que considerava a instalação de um farol elétrico em Leça; 1902 - nomeação de uma nova Comissão, para rever o plano de alumiamento, que dá parecer negativo a este farol, devido ao porto artificial de Leixões ter um farol no molhe S.; 1919 - determina-se a elaboração dos planos do farol de Leça *1; 1925 - encomenda do aparelho para equipar o farol *2; 1926, 15 dezembro - entrada em funcionamento a titulo experimental, tendo sido a obra dirigida pelo engenheiro José Joaquim Peres; o aparelho produzia grupos de três relâmpagos brancos de 15 em 15 segundos e tinha um alcance luminoso de 43 milhas; desativação do antigo farol da Boa Nova; 1927, 20 de fevereiro - inauguração oficial; 1926 / 1962 - funcionou nas instalações a Escola de Faroleiros; 1950 - demolição do velho farol situado a noroeste do farol da Boa Nova, a cerca de 300 metros de distância; modernização do farol, passando a rotação do aparelho a ser feita por motores elétricos, alimentados por geradores próprios; após - instalação de um ascensor para acesso à lanterna; 1964 - o farol é ligado à rede pública de distribuição de energia elétrica e automatizado, passando a controlar o funcionamento dos farolins do Quebra-mar, dos Molhes N. e S. de Leixões e de Felgueiras *4; 2001 - por já não terem grande interesse para a navegação, foram extintos todos os radiofaróis.

Dados Técnicos

Sistema estrutural misto.

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal, rebocadas, estucadas e pintadas; cunhais, pilastras, socos, cornijas e molduras dos vãos em cantaria; telhados em telha "marselha" de barro vermelho; portas e caixilharias exteriores em madeira com vidros simples, portas interiores de madeira; acabamentos com tinta de esmalte e tinta plástica; lanterna de ferro e vidro com cata-vento em ferro; pavimentos em calcário, lioz, chapa de aço e mosaico hidráulico.

Bibliografia

Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 - 1958, Lisboa, 1959, vol. 1; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, Lisboa, 1962, vol. 1; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1962, Lisboa, 1963, vol. 1.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMN - 0194/01, 1054/04, 1068/09, 1068/13; DGEMN/DSARH - 005/42-3684/07, 005/42-3823/02-05, 005/142-2306/02, 005/142-3684/02, 005/142-3684/03, 005/142-3684/08, 005/142-3704/02, DGEMN/DSCSV - 001-0126/0766

Intervenção Realizada

DGEMN: 1948 - impermeabilização e revestimento exterior da torre; 1956 /1958 - picagem de rebocos, impermeabilização de paredes, substituição de pavimentos, lavagem de superfícies com sulfato de ferro, substituição de portas interiores, pinturas e diversos trabalhos complementares de acabamento; 1961 - obras de reconstrução dos passeios à volta do edifício e do caminho de acesso ao farol, pelos Serviços de Construção e de Conservação; 1962 - obras de reparações, pelos Serviços de Conservação.

Observações

*1 - O farol de Leça tinha os seguintes requisitos: uma residência composta de cozinha, despensa, retrete, casa de banho e cinco divisões; cindo residências para faroleiros, do tipo adotado; um quarto para a inspeção, tendo anexo uma retrete; um quarto para dois supras (faroleiros supranumerários); uma sala de visitantes ou vestíbulo; um depósito de material; um depósito de combustível; Em anexo - casa para se instalar um sinal sonoro, com 7x5,5m aproximadamente, tendo junto uma casa para oficina.". *2 - "O aparelho de 3ª ordem, grande modelo, cuja rotação era conseguido por uma máquina de relojoaria. A fonte luminosa principal era uma lâmpada de incandescência elétrica e a de reserva o sistema de incandescência pelo vapor de petróleo. Existia ainda como recurso um candeeiro de petróleo de nível constante, com bico de 4 torcidas". *3 - O antigo farol de Leça assentava numa plataforma de alvenaria construída sobre um rochedo nas traseiras da capela da Senhora da Boa Nova. Era em granito, boa boa cantaria lavrada, ocupando uma superfície de 34 m2, e era constituído por rés-do-chão e dois andares, com acesso interior através de uma escada de madeira helicoidal. *4 - "Esta rede de telecontrolo foi a primeira que existiu no país".

Autor e Data

Patrícia Costa 2003 / Ana Filipe 2013

Actualização

 
 
 
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