Moradia em Mem Moniz / Casa de Paderne

IPA.00016272
Portugal, Faro, Albufeira, Paderne
 
Arquitectura reidencial, contemporânea. Moradia para habitação unifamiliar e armazenamento de produtos agrícolas, erguida em contexto rural.
Número IPA Antigo: PT050801030018
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Acessos

E.N. 395 ao 52,5Km, lugar de Mem Moniz

Protecção

Inexistente

Grau

5 - registo em pré-inventário com um preenchimento mínimo dos campos… e pressupondo a existência de um registo iconográfico.

Enquadramento

Rural. Implantado junto ao pequeno aglomerado de Mem Moniz, na frente O. do vale da Ribeira de Alte, em encosta marcada pelo traçado recente da autoestrada A2 (Almada - Paderne), do qual o imóvel dista apenas c. 330m em linha recta. O edifício confronta a S. com o antigo traçado da E.N. 395 (em apertada curva e cota inferior à actual) e, a N. e O., com um vasto complexo industrial (extracção de argila e fabrico de cerâmica para construção civil) o qual foi alterando, ao longo do tempo, o perfil natural da pequena elevação existente e a paisagem rural primitiva (olivais e amendoais dispersos).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: moradia

Utilização Actual

Residencial: moradia

Propriedade

Privada

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Manuel Maria Cristóvão Laginha (1919-1985)

Cronologia

1950, Agosto - a revista "Arquitectura", de Lisboa, publica no seu número 35 (organizado pelos arquitectos Candido Palma de Melo e Francisco da Conceição Silva) uma "Moradia no Algarve", obra do Arq. Manuel Laginha situada nos arredores de Paderne (Albufeira), "centro do Algarve", e ilustrada por planta de localização, planta do piso elevado, corte e imagens do exterior (fachada S., ângulo SE., pormenor de pérgola) e do interior. A implantação da casa, no enfiamento da estrada nacional e no ponto em que o seu perfil inflecte, é apresentada como uma justificação para o "partido geral" adoptado, isto é, o desenvolvimento em primeiro andar pouco elevado sobre um embasamento dedicado a armazém de arrecadação de frutos (a casa é parte de um "núcleo de indústria agrícola") é "uma consequência funcional em relação ao conjunto, uma forma de defesa contra ruídos e poeiras e, ao mesmo tempo também, uma imposição de ordem topográfica e perspéctica". Os princípios subjacentes à arquitectura proposta são defendidos clara e detalhadamente: "O partido geral é franco e resulta com naturalidade do estudo das condições climatéricas e da valorização dos pontos de vista. Assim surgiu a criteriosa aplicação do sistema de protecção solar adoptado - persianas nos quartos de dormir e quebras-sóis fixos, de cimento armado, na zona social. Como resultado da compreensão e consideração pelos dados tradicionais, em sentido contrário ao da rotina e do academismo, adoptou o autor uma cobertura inclinada num só tramo e com franca tradução em alçados. O acesso exterior em rampa é outro elemento valioso da sua composição arquitectónica. Atente-se ainda na forma fluente como foi conseguido com materiais comuns a integração do conjunto no ambiente geral. A nossa chamada especial faz-se, contudo, para o significado de que se reveste a vitória dos lavados conceitos de arquitectura racional defendidos nesta Revista, sobre certos moldes formais já consagrados e sempre, por isso, mais fáceis de impor em meio certamente repleto de dificuldades, como este. Isso quererá dizer que a batalha da arquitectura moderna é árdua, mas que, decididamente, não está perdida" ("Moradia no Algarve", Arquitectura n.º 35, Agosto 1950, pp.4-6). A moradia, de acordo com as plantas publicadas, ergue-se em lote ladeado, a E. e O., por outros lotes já construídos, sendo que a frente do lote a O. se estende, em pequeno dente, sobre a frente da obra em questão. O programa distribui-se por zona de convívio / social, com sala comum subdividida, por cortinado, em áreas de entrada, refeições, estar, etc.; zona de serviço com cozinha, despensa e varanda posterior; e zona íntima, com 5 quartos acessíveis a partir de um vestíbulo interior (dotado de clarabóias para iluminação zenital) e instalações sanitárias. Sala e cozinha, que ocupam toda a metade E. do piso elevado, são compartimentos pontuados pela estrutura de suporte da cobertura, que se afirma sob a forma de esbeltos pilares de secção circular. A apresentação desta modesta obra, erguida em contexto rural e localização periférica, como sinal da "vitória" da arquitectura moderna, implicou um cuidado especial no tratamento da imagem a publicar: para este efeito, Manuel Laginha manipula as fotografias do exterior da obra terminada, recortando daquelas a pequena construção adossada a E., preexistência de características rurais, e substituindo-a por vegetação (ML NP977.DGEMN). A obra aparece, assim, liberta dos constrangimentos que a realidade ainda impõe e que, neste caso, são demasiado condicionantes da pureza da imagem moderna pretendida - veja-se, por exemplo, o pequeno vão de peito da antiga casa, colado ao cunhal da nova construção (ML NP37.DGEMN, NP103.DGEMN); 2006 - o edifício encontra-se substancialmente desfigurado, por ter sido objecto, em data indeterminada, de intervenções profundas. Avultam, entre outros, a aposição de uma cobertura de telhado de 4 águas, em substituição da anterior de uma água única; o corte da rampa de acesso ao piso elevado e colocação, no seu lugar, de uma escada de um só tramo e alpendre, dotados de balaustrada; o fechamento da parede de vidro e lâminas quebra-sol verticais em cimento, que primitivamente encerrava a sala a S., com parede opaca pontuada por vãos de peito e uma porta; e o remate superior do alpendre criado com dois arcos abatidos. Refira-se que o próprio perfil da estrada nacional foi alterado, com a sobreelevação geral das cotas de pavimento e a adopção de curvaturas mais suaves, interferindo de modo definitivo na leitura do edifício a partir da rodovia

Características Particulares

Do projecto: apresentado com destaque em publicação especializada, como contributo importante do Arq. Manuel Laginha para a difusão da arquitectura do Movimento Moderno na província portuguesa, e tendo-se tornado um dos projectos mais conhecidos do autor, encontra-se muito deficientemente documentado no seu arquivo pessoal, que é omisso em peças desenhadas e elementos administrativos ou preparatórios da proposta (esquiços, etc.). Por outro lado, encontra-se neste arquivo perfeitamente documentada a operação de fotomontagem prévia à publicação da obra, com os sucessivos passos necessários (ampliações fotográficas recortadas e pintadas, sobreposições, colagens)

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

Moradia no Algarve. Arquitecto Manuel Laginha, Arquitectura n.º 35 Agosto 1950, pp. 4-6.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/Arquivo Pessoal Manuel Laginha ML NP 1016

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo Pessoal Manuel Laginha ML NP 37, NP 42, NP 103, NP 977, NP 980, NP 998

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. A casa é adossada, a O. e N., ao conjunto de instalações fabris da empresa Faceal (Fábrica de Cerâmica do Algarve, S.A., 8200-488 Paderne - Albufeira, tel. 289 367 106, fax 289 368 018)

Autor e Data

Ricardo Agarez 2006

Actualização

 
 
 
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