Academia Politécnica do Porto / Reitoria da Universidade do Porto / Museus da Faculdade de Ciências

IPA.00020015
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Arquitectura civil educativa e científica, neoclássica. Edifício subordinado a planta quadrangular, composto por três pisos, mezzanino e dois pátios internos descobertos. Fachadas rasgadas por composições ritmadas de vãos, apresentando a principal e posterior, ao centro, corpo avançado com três colunas dóricas que sustentam frontão triangular onde sobressai escudo encimado pela coroa real. Todo o edifício é rematado superiormente por ático fechado.
Número IPA Antigo: PT011312150277
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Faculdade    

Descrição

Edifício de planta rectangular, de disposição horizontal, constituído por três pisos, mezzanino, interrompido ao nível dos alçados principal e posterior pelos vestíbulos, e dois pátios interiores. Coberturas diferenciadas de duas, três e quatro águas. Fachadas amplas, em silharia de junta fendida ou rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por numerosos vãos de verga recta emoldurados, com excepção dos pisos térreos das frontarias principal e posterior, que apresentam arco pleno com caixilharia integrando bandeira. Fachada principal orientada a N, dividida em três panos, sendo o central destacado, ligeiramente avançado, rasgado no primeiro nível por três portadas em arco de volta perfeita, sobrepujadas por quatro colunas dóricas que sustentam frontão triangular, com as armas reais em relevo no tímpano; panos laterais simétricos, rasgados por igual número de vãos, no primeiro e segundo registo, sendo os do primeiro em arco de volta perfeita e os do segundo rectos, encimados por cornija, protegidos por balaustrada, seguidos por pequenos vãos quadrangulares, que correspondem ao piso superior. Alçados laterais simétricas, rasgados por numerosos vãos rectos, definindo a existência de quatro pisos, dois dos quais, mezzaninos, circunscritos nas extremidades por dois torreões em ligeiro ressalto, destacados ao nível do piso térreo pela silharia de junta fendida. Fachada posterior idêntica à principal. Todas as fachadas são rematadas superiormente por ático fechado, ligeiramente alteado na fachada principal e posterior. Os pisos térreo das frontarias principal e posterior são percorridos por arcaria de volta perfeita, em cantaria de granito, assentes em colunas de secção rectangular e capiteis de imposta, também de cantaria de granito. Ao INTERIOR acede-se através dos pórticos das fachadas posterior e principal, que conduzem a um espaçoso e imponente átrio, com pavimento de mármore e paramentos forrados a granito e mármore, tectos estucados e pintados de branco, dividido por arcos abatidos, assentes em pilastras. Do átrio parte uma escadaria em granito, de arranque em dois lanços paralelos, com guardas balaustradas, que conduzem ao andar nobre.

Acessos

Vitória, Praça de Gomes Teixeira; Rua do Doutor Ferreira da Silva; Praça de Parada Leitão; Campo dos Mártires da Pátria. Sistema de coordenadas. WGS84: Lat. 41º08'47.56"N., Long. 8º36'56.44"O.

Protecção

incluído no conjunto da Zona histórica da cidade do Porto (v. PT01312070086), no Centro histórico da cidade do Porto (v. PT011312140163) e na Zona Especial de Protecção da Igreja e Torre dos Clérigos (v. PT011312150003).

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado em terreno plano, em posição destacada, em pleno Centro Histórico. Edifício de grande presença arquitectónica ocupa a totalidade de um quarteirão envolvido por praças e jardins. A E. é delimitado pela Rua Doutor Ferreira da Silva e pela antiga Praça de Lisboa, a N. pela Praça Gomes Teixeira, mais conhecida por Praça dos Leões, a O. pela Praça de Parada Leitão, onde se situa o Café Piolho (V. PT1312150486), um dos cafés mais emblemáticos da Cidade do Porto e a S. pelo Campo Mártires da Pátria e Jardim da Cordoaria (v. PT011312150181). A envolvência é marcada por vários edifícios de destaque como o Hospital de Santo António (v. PT011312080009), o Palácio da Justiça do Porto (v. PT011312150245), a Igreja de São José das Taipas (v. PT011312150054), e a Igreja e Torre dos Clérigos (v. PT011312150003).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Educativa: faculdade

Utilização Actual

Política e administrativa: reitoria e serviços académicos / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: Universidade do Porto

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Carlos Amarante (1748 - 1815), J. C. Vitória Vila-Nova (1933)

Cronologia

1620 - Nascimento do portuense Baltazar Guedes; 1644 - Baltazar Guedes é ordenado sacerdote; manifestação das primeiras intenções em criar uma instituição que acolhesse, sustentasse e educasse a infância desvalida da cidade do Porto; 1649 - surge o primeiro edifício para albergar meninos órfãos (primeira Roda dos Expostos), cujo risco é do próprio Baltazar Guedes; por falta de verbas a construção do edifício foi interrompida; 1651, 30 de Janeiro - é autorizado por Alvará Régio de El-Rei D. João IV, a fundação do Colégio dos Órfãos na cidade do Porto, sob a invocação de Nossa Senhora da Graça, cuja capela se encontrava mesmo ao lado do colégio, no campo do Olival (hoje designado Campo dos Mártires da Pátria); 25 de Março - foi o colégio solenemente inaugurado ficando no seu comando, como reitor, o Padre Baltasar Guedes, que se propunha recolher e educar através de uma sólida formação moral e religiosa, meninos órfãos ou abandonados pelos pais, da cidade e diocese do Porto; 1652, Junho - elaboração dos primeiros estatutos; 1653, 20 de Agosto - os estatutos foram aprovados pela Câmara Municipal do Porto; 1653, 11 de Outubro - aprovação dos estatutos pela Corte; 1693, 6 de Setembro - morre o Padre Baltazar Guedes deixando em testamento o colégio e a sua administração ao senado da cidade; 1712 - os estatutos são confirmados por bula papal de Clemente XI; 1762, 30 de Julho - instalou-se no colégio a Aula de Náutica, estabelecida por Decreto, destinada a preparar oficiais para as duas fragatas de guerra mantidas pela Junta da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro*1; 1779, 27 de Novembro - novo Decreto cria as Aula de Desenho e Debuxo, ambas precursoras da Academia Real de marinha e comércio onde abriram em um ano mais tarde; 1802 - nesta data as Alas de Desenho e Debuxo foram transferidas para o Hospício dos Franciscanos de Santo António do Vale da Piedade, ficando a de Náutica no Colégio de Nossa Senhora da Graça, juntamente com as disciplinas de Comércio, Matemática, Francês, Inglês, Filosofia e Agricultura, entretanto criadas; surge a ideia de construir um edifício que reunisse todas as disciplinas, com a designação de Academia Real de Marinha e Comércio; 1803, 9 de Fevereiro - através de Decreto é definido que a construção do referido edifício seria construído nos terrenos do Colégio de Nossa Senhora da Graça; era reitor do colégio o Padre Bernardo Joaquim Gomes de Pinho que entendeu ceder espaços do colégio para a construção do edifício; é elaborado o primeiro projecto por José da Costa Silva; 1807 - correcção do projecto por Carlos da Cruz Amarante; inicio da construção do edifício*2; 1809 - nesta data o colégio passava por grandes dificuldades financeiras, em parte motivadas pelas invasões franceses, tendo os meninos que pedir esmola pela rua para o seu sustento; 1833 - data do desenho de Victoria Vila-Nova; as obras decorreram muito lentamente e com vários periodos de estagnação motivados pelas Invasões Francesas, pela Guerra Civil entre Liberais e Absolutistas e mais tarde pela abolição dos privilégios da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, passando o encargo das obras para o Estado; 1937, 13 de Janeiro - nesta data é extinta a Academia Real de Marinha e Comércio, não chegando a instalar-se no edifício que lhe tinha sido destinado; é criado um novo estabelecimento de ensino com a designação de Academia Politécnica, cujo primeiro director foi João Baptista Ribeiro; 1862 - realização de novas alterações ao projecto sedo executado apenas três anos mais tarde; 1876 - Pinho Leal descreve o edifício ocupado pelo Colégio, dizendo que no seu interior ainda existe, sem ar e sem luz, o antigo colégio de Nossa Senhora da Graça, em estado de ruína; século 19 (finais) - o Colégio muda-se para a Rua dos Mártires da Liberdade, nº 237, recebendo em troca trinta contos de reis; conclusão das obras de construção; 1909 - data do projecto de conclusão do edifício; 1911, 22 de Março - com a reforma do sistema político, a Academia Politécnica deu lugar à Faculdade de Ciências; 1916 - o edifício foi entregue pelo Ministério republicano do Fomento, à Faculdade de Ciências; 1917 - execução de pinturas murais por José Veloso Salgado, professor da Escola Superior de Belas artes; 1920 - execução de dois quadros alegóricos para decoração artística do salão nobre, também por José Veloso Salgado; 1930 - só nesta data o edifício ficou concluído; 1931 - criação do Museu de Zoologia; 1956 - construção dos pavimentos em betão armado no Museu de Zoologia, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1957 - inicio das obras do laboratório de química nuclear, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1974, 20 de Abril - incêndio no edifício; 1933 - estão instalados no edifício o Museu de Zoologia (Dr. Augusto Nobre), o Museu de Arqueologia e Pré-história do Instituto de Antropologia (Dr. Mendes Correia) e o Museu de Ciências Geológicas (organizado pelo Dr. Venceslau de Sousa Pereira de Lima); 2006 - a Faculdade de Ciências deixa vago o edifício com a sua transferência para as novas instalações no pólo do Campo Alegre; 2008, 6 de Maio - incêndio de grandes proporções destruiu parte da cobertura e águas furtadas do edifício; 2014 - aprovação de financiamento comunitário, de cerca de 466 mil euros, para proceder a obras no imóvel e proceder à criação do museu universitário, com reunião do espólios dos museus da História Natural e da Ciência e de outras instituições; 2017, junho - data prevista para a abertura de galeria no edifício dedicada a coleções de zoologia entre outras.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Embasamentos e paramentos em cantaria de granito do Porto, de grão médio, aparente e rebocado e pintado; pavimentos de mármore, madeira e granito; portas e caixilharias de madeira com vidro simples; portões e bandeiras do pórtico em ferro; coberturas revestidas a telha cerâmica.

Bibliografia

AMORIM, Miguel - «Universidade dá à cidade três novos museus». In Jornal de Notícias. 06 maio 2015, p. 28; CARVALHO, Patrícia - «Reitoria da Universidade do Porto em obras para receber um grande museu». Público. Porto: 13 março 2015, p. 17; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Dicionário, Lisboa, 1876, volume 7, p.302-303; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Anos de 1959, 1º volume, Lisboa, 1960; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, 1º Vol., Lisboa, 1962; Câmara Municipal do Porto, Porto a Património Mundial, Processo de Candidatura da Cidade do Porto à classificação pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade - 1993, Porto, 1993; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal, Cidade do Porto, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1995, vol. XIII, pag. 181-183; MESQUITA, Mário João, Da Academia À Universidade, A Acção da Direcção Das Obras Públicas do Distrito do Porto na Construção do Edifício Histórico da U.P., Multitema, Porto, 2007; http://www.cop.pt/cop/pdf/historial/edificios_colegiais.pdf., 5 de Março de 2009

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DOPDP / DGEMN: 1880 / 1914 - Obras de conclusão do edifício; 1915 / 1918 - obras gerais de reparação; 1920 - obras de ampliação da sala do ervário; 1924 - obras de reparação: pintura de portões; reparação dos telhados e fachada Nascente; 1958 - obras de instalação do balneário, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1959 - obras de conservação, pelos Serviços de Construção e Conservação; reparação do anfiteatro de mineralogia; 1961 - remodelação da instalação eléctrica; 2008 - obras de remodelação do telhado; 2015 - obras de remodelação do edifício para instalação do museu; o projeto de musealização fez uma divisão diagonal do edifício, com os os espaços que se estendem ao longa da fachada principal e da voltada para a Praça de Parada Leitão a continuarem ocupados pelos serviços administrativos da Reitoria, e a zona posterior e a da fachada voltada para os Clérigos será ocupada pelo novo museu, espalhado pelos quatro pisos do edifício; os trabalhos nesta última zona incluem a remoção de algumas paredes, a instalação de elevadores e reformulação de salas.

Observações

*1 - Fragatas e Aula, eram sustentados por um tributo que os negociantes portuenses pagavam na Alfândega e cuja receita administrada pela Junta da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro. *2 - Em ambos os projectos o edifício apresentava planta pentagonal e torreões nos ângulos.

Autor e Data

Patricia Costa 2003 / Ana Filipe 2009

Actualização

 
 
 
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