Serra de Sintra

IPA.00022840
Portugal, Lisboa, Sintra, União das freguesias de Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)
 
Paisagem cultural - equilíbrio entre a paisagem natural e a componente humanizada da paisagem. Ao longo de séculos, a dinâmica da paisagem privilegiou a interacção entre os elementos naturais e a acção humana, criando uma paisagem com elevado valor cultural
Número IPA Antigo: PT031111050264
 
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Registo

Categoria

Paisagem

Descrição

1. CARACTERIZAÇÃO BIOFÍSICA: 1.1. CLIMATOLOGIA: A serra de Sintra apresenta um microclima de características mediterrânicas de influência atlântica, (com reduzidas amplitudes térmicas e elevada humidade), condicionado sobretudo pelo relevo (que constitui uma barreira transversal à corrente de ar marítima) e pelo coberto vegetal. A orientação perpendicular da serra em relação à linha de costa afecta as camadas inferiores das massas de ar do fluxo dominante de NO, provocando a barlavento a travagem e divergência das mesmas. Por outro lado, o flanco oriental da serra é atingido por ventos relativamente brandos que a envolvem, contornando-a para a sua vertente S. O ar que ultrapassa o maciço tende a adquirir uma forte aceleração, graças ao movimento descendente e à orientação de alguns vales concordantes com este fluxo dominante (ex: vale do ribeiro da Mula, que divide o maciço com uma orientação NO-SE).Nesta área a humidade é elevada, aumentando com a proximidade do oceano (média anual: 85% no sector ocidental da serra e 75% na parte oriental). O ar marítimo ao atingir a serra condensa mais rapidamente devido à combinação de três factores importantes no desenvolvimento do microclima: posição geográfica (proximidade do oceano), relevo (a serra) e vegetação (de grande porte e densa), originando alguns nevoeiros e precipitação. Os valores médios anuais de precipitação são influenciados sobretudo pelos três factores referidos, variando entre os 500 mm junto ao cabo da Roca e os 1200 mm no vértice geodésico da Cruz Alta e Pena. Para além da precipitação, os nevoeiros contribuem para a presença de água no solo (processo conhecido por "precipitação oculta"), mesmo durante o período estival. A insolação na serra é de 2300 a 2400 horas anuais (menos 800 horas anuais que Lisboa), dada a presença frequente de nevoeiro. Conforme a exposição das vertentes, a quantidade total de radiação global varia entre 145 kcal/cm2 a N da serra e 155 kcal/cm2 a S. A temperatura média mensal mais elevada verifica-se no mês de Agosto (19ºC). Dezembro, Janeiro e Fevereiro são os meses mais frios (temperaturas médias de 10/11ºC). A baixa amplitude térmica anual verificada deve-se à proximidade do oceano e à capacidade deste em absorver e libertar energia. A altitude provoca também uma variação da temperatura (decrescendo 0,6ºC por cada 100 m de altitude), verificando-se na serra uma temperatura, em geral, três a quatro graus inferior às regiões contíguas, a menor altitude. A evapotranspiração real (média anual) varia entre 400 mm junto ao Cabo da Roca e 600 mm na vila de Sintra. 1.2. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS: 1.2.1. RELEVO: Segundo diversos autores, a serra de Sintra é o principal acidente geológico da região de Lisboa. Apresenta uma forma elíptica, estendendo-se de ENE para OSO (12 km). Eleva-se a 300 metros do planalto circundante e a 528 m do nível do mar. O seu dorso apresenta uma descontinuidade no vale do ribeiro da Mula: do lado ocidental evidenciam-se alguns cumes, tais como Peninha (489 m) e Picotos (475 m); no sector oriental surgem picos mais aguçados ou penhas que, no geral, correspondem ao "caos de blocos" de granito (Cruz Alta 528 m e Pena 527 m), que lhe dão uma silhueta característica. 1.2.2. DECLIVES: são acentuados (superiores a 15º) em quase 58% da serra. Cerca de 40% das vertentes apresentam um declive de 15 a 25º. Salienta-se ainda que 3% desta área tem declives superiores a 40º, junto ao Castelo dos Mouros, Palácio da Pena, vértice geodésico da Cruz Alta, ribeira da Mata, miradouro da Urça e na tapada do Saldanha. Os menores declives (até 10º) localizam-se nas cabeceiras das linhas de água, no topo da serra e em algumas rechãs. 1.2.3. EXPOSIÇÃO DE VERTENTES: Devido à orientação ENE-OSO da linha de cumeada as vertentes estão, na sua maioria, orientadas para N (mais frescas) e para S (mais quentes). No entanto, vales como o do ribeiro da Mula são moderadamente aquecidos, em consequência da exposição das vertentes para E e SO. 1.2.4. GEOLOGIA: Durante os períodos do Jurássico e Cretácico (entre 160 M.a. e 90 M.a.) da era Mesozóica, a paisagem da região era marcada por ambientes fluviais, marinhos e lacustres. Neste território foram-se depositando os materiais que constituem as rochas sedimentares, observáveis actualmente nas praias do litoral. A serra de Sintra resultou de uma intrusão magmática a grandes profundidades (Maciço Eruptivo de Sintra) durante o período do Cretácico superior há cerca de 80 M.a., que parece surgir da Fossa Lusitana (fossa com uma orientação NNO para SSE e que deixou de funcionar depois do fim do vulcanismo), semelhante aos maciços mais a S de Sines e Monchique. Segundo Galopim de Carvalho (1994), "durante a sua instalação, este corpo magmático, afectou as rochas sedimentares que se tinham depositado nesta área, provocando a sua deformação, e metamorfizando as que se encontravam mais próximas do contacto." A acção intensa da erosão e da meteorização colocaram a descoberto este núcleo. Estudos tectono-sedimentares revelam ainda que "se atendermos à espessura da sequência sedimentar que envolve o maciço e que o cobriu, provavelmente este relevo assumiu no passado um aspecto mais imponente, como atestam os vários derrames de depósitos grosseiros. Não é de excluir a hipótese de a actual serra ser no passado uma ilha localizada perto do litoral". Segundo este autor, esta estrutura foi considerada "inicialmente como lacólito, depois como batólito, foi depois interpretado como uma estrutura anelar, sub-vulcânica, do tipo "ring-dike" ou "ring-structure". Exibe uma grande variedade petrográfica, com diferentes tipos litológicos dispostos em anéis, num conjunto nitidamente circunscrito". 1.2.5. LITOLOGIA: O maciço da serra de Sintra é formado por rochas eruptivas, resultantes da intrusão de materiais do manto em áreas de falhas. Encaixa em sedimentos calcário-gresosos e xistentos (do Jurássico Superior e Cretácico Médio). Este maciço dispõe-se segundo uma estrutura anelar: um grande núcleo sienítico (localizado em Píncaros Novos) rodeado por granitos em geral calci-alcalinos, rochas ácidas a que, de forma descontínua, se associam gabros e dioritos. O granito é a rocha dominante nesta paisagem. A serra apresenta uma característica comum nas zonas graníticas: paisagem do tipo "caos de blocos". De um modo geral, o granito apresenta fracturas sub-perpendiculares que o dividem em paralelepípedos. Nestas fracturas, a erosão é maior devido à meteorização, desgastando os bordos dos blocos. Com o decorrer do tempo, a alteração do granito leva ao desprendimento dos blocos e à sua disposição de forma aleatória na paisagem, dando origem ao chamado "caos de blocos". A continuação deste processo poderá conduzir à destruição do granito e à formação de areias quartzosas.1.2.6. SOLOS: Predominam a O da serra, os solos derivados das rochas eruptivas, classificados como Cambissolos Húmicos, de textura variável, pouco compactos, arenosos e permeáveis, escurecidos pelo húmus de baixo pH (solos ácidos). São solos que se desagregam com facilidade, sobretudo pela acção química da água das chuvas. Por outro lado, a E da serra e num pequeno sector junto à Malveira da Serra são mais frequentes os solos classificados de Cambissolos Cálcicos. Segundo Pinto da Silva (1991), "os calcários, os arenitos e as margas circundantes dão lugar a Cambissolos pobres, permeáveis e secos que, a NE (uma pequena parte da serra a E de São Pedro) conferem à vegetação um carácter xerotermófilo." 1.2.7. REDE HIDROGRÁFICA: A linha divisória de águas da serra de Sintra tem uma orientação ENE-OSO. Assim, o escoamento das linhas de água faz-se no sentido da exposição de vertentes (para N e S). O escoamento no sopé da serra faz-se de forma assimétrica a N e a S da serra. Na vertente N, a ribeira de Colares é a grande linha colectora com uma orientação E-O, inflectindo um pouco para NO na sua foz. A ribeira do Guincho (com uma orientação NE-SO), o ribeiro da Mula/Marmeleiros e a ribeira da Penha Longa (com uma orientação N-S) são as principais linhas de água na vertente S da serra. A proximidade desta unidade de paisagem à linha de costa facilita o escoamento das linhas de água directamente para o mar, desaguando sob a forma de vales suspensos. O declive acentuado das ravinas confere à rede hidrográfica um regime torrencial, formando frequentemente pequenas cascatas.Existe uma elevada densidade de linhas de água, por vezes aproveitadas para fontes e minas, ou em reservas como a albufeira do ribeiro da Mula ou a Lagoa Azul. No entanto, a pequena extensão e o fraco caudal destas contrastam com o aumento da pluviosidade nos meses de Inverno, provocando enxurradas e inundações de consequências graves nos vales junto ao sopé da serra. Exemplo de área frequentemente afectada é a várzea de Colares, para onde escoa a maioria das linhas de água da vertente N. 1.3. VALORES BIÓTICOS: 1.3.1. FLORA: As condições edafo-climáticas da serra de Sintra (resultantes do microclima, relevo e solo) permitiram o desenvolvimento de uma flora densa, diversificada e luxuriante. Contudo esta exuberância resultou sobretudo da acção humana, que modificou a paisagem quer através de incêndios, quer através de introdução de espécies exóticas. No séc. 16, D. João de Castro iniciou na sua quinta da Penha Verde a introdução de espécies exóticas, como cedros (Cupressus lusitanica), carvalhos (Quercus robur e Quercus pyrenaica), faias das ilhas (Myrica faya) e pinheiros, deixando a natureza agir por si e encontrar um novo equilíbrio. Nos séculos posteriores, aristocratas e burgueses abastados (portugueses e estrangeiros) plantaram espécies exóticas, nos jardins e parques das suas quintas e "villas". Estas intervenções mais intensas durante o séc. 19, em pleno período do Romantismo, tiveram como protagonistas D. Fernando II e Sir Francis Cook, que introduziram no parque da Pena e de Monserrate espécies de todo o mundo, com destaque para espécies características da Macaronésia, como o feto-dos-carvalhos (Davallia canariensis), o feto-de-botão (Woodvardia radicans), o Asplenium hemionitis e o Dryopteris guanchica.Todavia, o repovoamento florestal iniciado no século passado teve efeitos perversos: a introdução de espécies, como pinheiro-bravo (Pinus pinaster), eucalipto (Eucalyptus globulus), acácia (Acacia melanoxylon) e outras espécies exóticas (como as pitosporáceas) inadequadas ao contexto natural, condicionou o desenvolvimento das espécies autóctones e endémicas. De facto, estas espécies ao beneficiarem de condições edafo-climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento, transformaram-se por vezes em invasoras e agressivas para o meio (como é o caso da acácia). Segundo Pinto da Silva (1991), das 1050 espécies encontradas na serra cerca de 86% eram autóctones (das quais 9% eram endémicas). Das restantes espécies (14%), um terço é originária de zonas tropicais e subtropicais do continente americano, 24% são euro-asiáticas, 15% são mediterrâneas e macaronésias, 11% são capenses, 8% provém de outras zonas tropicais e 7% da Austrália. Em relação à origem das plantas autóctones, metade (51%) são mediterrâneas; as atlântico-mediterrâneas atingem valores de apenas 11%, as atlânticas de 5%, e as espécies eurasiáticas (e holoárticas) são inferiores a 18%. 1.3.2. FAUNA:São inúmeras as espécies que enriquecem a biodiversidade desta área, referindo-se de seguida alguns exemplos. Anfíbios: Sapo-parteiro; Tritão-de-ventre-laranja. Répteis: Cobra-de-vidro; Lagarto-de-água; Cobra-de-capuz; Salamandra-de-pintas-amarelas. Aves: Gavião da Europa; Bufo-pequeno; Chapim-rabilongo; Coruja-do-nabal; Alcaravão; Águia-d'asa-redonda; Pombo-torcaz; Pica-pau-malhado-grande; Pisco-de-peito-ruivo; Rouxinol-comum; Chapim-preto; Chapim-de-poupa; Peto-verde; Estrelinha-de-cabeça-listada; Galinhola; Coruja-do-mato; Coruja-das-torres. Mamíferos: Ouriço-cacheiro; Geneta; Lontra; Doninha; Raposa; Texugo; Musaranho-de-dentes-vermelhos; Morcego-de-ferradura-pequeno; Morcego-rato-grande. 1.4. SISTEMA DE VISTAS: A serra de Sintra destaca-se pelo relevo elevado e concentrado. Este volume é rompido por diversos penedos e blocos arredomdados de granito, que caracterizam a paisagem, evidenciando-se A presença de densas florestas, por onde o sol tem dificuldade em penetrar, contrasta com terreno rochoso e nu (principalmente a ocidente e a sul da serra), resultante de fogos ocorridos nas últimas décadas. O sector ocidental da serra localiza-se muito próximo do Cabo da Roca (ponto mais ocidental da Europa continental), onde a presença do azul oceânico é uma constante (na ausência de nebulosidade e em áreas de vegetação menos densa). Da Peninha (487 m) é possível vislumbrar uma vasta extensão do concelho de Cascais e de Sintra, a zona costeira e ainda a margem sul do Tejo. Na várzea junto à ribeira de Colares (a N da serra), onde os declives são mais suaves, surgem os campos cultivados (actividade agrícola), algumas linhas de água (com destaque para a ribeira de Colares) e a compartimentação dos terrenos realizada por sebes e arvoredo. A NE da serra são visíveis diversas construções seculares, destacando-se o Castelo dos Mouros (marca da presença árabe), o Palácio da Pena (marca do Romantismo) e o Palácio da Vila (cuja forma e volumetria das chaminés são um símbolo do concelho). São ainda visíveis inúmeras quintas de veraneio, palácios, palacetes e residências dispersas por toda a serra rodeadas de extensos parques e jardins compostos de vegetação luxuriante e diversificada. Algumas destas propriedades encontram-se muradas, contribuindo para a compartimentação da paisagem. 2. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA E ASPECTOS CULTURAIS: 2.1. EVOLUÇÃO DA OCUPAÇÃO HUMANA: A serra de Sintra traduz um elevado grau de transformação da sua paisagem natural, resultado de séculos de acção humana sobre a estrutura da paisagem. Desde muito cedo, a serra revelou-se um local propício ao misticismo, mas que pelas difíceis condições físicas não proporcionou a exploração agrícola e o assentamento de aglomerados populacionais. Este facto é comprovado pelos vestígios pré-medievais disseminados por toda a serra e pela própria designação de "Monte da Lua". Estes materiais arqueológicos atestam uma ocupação quase contínua desde o Neolítico antigo (5000 a.C.). Exemplos disso são o sítio do Monge (Tholos v. 1111050079), situado no cume com o mesmo nome, a 488 m de altitude, e o monumento megalítico da Bela Vista, implantado na vertente N da serra. Estes monumentos dominam a paisagem envolvente, aproveitando as depressões naturais da superfície do maciço granítico, sendo revestidas artificialmente com grandes blocos da mesma rocha, formando uma câmara circular e corredor. Foram ainda descobertos materiais da Idade do Bronze, principalmente no povoado Calcolítico da Penha Verde, datado de 1450 a.C., situado num cabeço com o mesmo topónimo (360 m), que ao contrário do povoado neolítico contrasta com a geologia, já que todas as estruturas descobertas se encontram construídas com lajes de calcário, entre o "caos de blocos" granítico. Durante a ocupação muçulmana de 434 anos, surgem as primeiras referências à serra e sua envolvente, como atesta a descrição da paisagem feita pelo geógrafo Abde Munime Al Himiari: "uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar. Está permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa. O seu clima é são e os habitantes vivem longo tempo. Tem dois castelos que são de extrema solidez. A vila está a cerca de uma milha do mar. Há aí um curso de água que se lança no mar e serve para a rega das hortas. A região de Sintra é uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes. Esses frutos atingem tal espessura, que alguns chegam a ter quatro palmos de circunferência. Acontece o mesmo com as peras. Na serra de Sintra crescem violetas selvagens. Da costa vizinha extrai-se âmbar excelente" (Borges Coelho, 1997). O Castelo dos Mouros (v. 1111120005), datável do séc. 9, reforça esta presença, assim como estruturas habitacionais, de armazenamento, necrópoles e outros vestígios significativos de ocupação medieval islâmica. Após a reconquista de Sintra por D. Afonso Henriques (1147), o castelo revelou-se importante para a defesa do território envolvente, devido à sua posição geográfica.

Acessos

AÉREO: Aeroporto Internacional de Lisboa a 30 km; Aeródromo de Tires a 10 km. RODOVIÁRIO: IC19 (Lisboa-Sintra), EN 9 (ligação ao sector ocidental da serra) e EN 247 (ligação do sector N da serra a Cascais). FERROVIÁRIO: Linha de Sintra.

Protecção

Inclui parcialmente o PN - Parque Natural de Sintra-Cascais (Decreto Regulamentar n.º 8/94 de 11 de Março) / RN2000 - Rede Natura 2000: SIC - Sítio de Importância Comunitária Sintra e Cascais (Resolução de Conselho de Ministros nº142/97); inclui o Património Mundial / World Heritage - UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra, 1995

Grau

0 – imóvel ou conjunto com valor de património mundial.

Enquadramento

A paisagem é delimitada: entre os paralelos 38º48'50'' N (ribeira de Colares) e 38º45'13'' N (Malveira da Serra) e os meridianos 9º28'33'' O (EN245) e 9º21'55'' O (Portela de Sintra), localizando-se entre a cidade de Sintra e o Cabo da Roca, a 30 km a O de Lisboa. Esta unidade situa-se no distrito de Lisboa, sendo abrangida pelos concelhos de Sintra (freguesias de Colares, Santa Maria e São Miguel, São Martinho, São Pedro de Penaferrim) e de Cascais (freguesia de Alcabideche). Do ponto de vista geomorfológico, a serra de Sintra é o elemento estrutural mais importante na paisagem da região. A sua situação geográfica revelou-se primordial para a defesa da linha de costa e de um vasto território, durante mais de quatro séculos. Posteriormente, a proximidade de Lisboa e as suas características particulares levaram à implantação de residências e parques direccionados para o lazer. Nas últimas décadas, o concelho de Sintra, inserido no contexto metropolitano, verificou um crescimento demográfico exponencial, sobretudo junto aos grandes eixos viários, transformando-se num dos concelhos onde a pressão urbanística é mais evidente.

Descrição Complementar

No decorrer do séc. 15, Sintra é eleita como local de veraneio pela nobreza e altos dignitários do reino. O palácio da vila (v. PT031111110006) transforma-se em residência de Verão e passa a destino privilegiado da corte portuguesa. Em simultâneo, diversos conventos traduzem a forte relação entre Sintra e o culto espiritual. Posteriormente, a emergência do movimento romântico no séc. 19 conferiu-lhe uma grandiosidade renascida. O Palácio da Pena (v. PT031111120007), o Palácio de Monserrate (v. PT031111110034), a Quinta da Regaleira (v. PT031111110077) e a Quinta do Relógio (v. PT031111110078) são exemplos da importância deste movimento de transformação da paisagem sintrense e de reforço de um ambiente de mistério e magia. Sintra constitui a personificação do movimento romântico através da articulação harmoniosa entre a arquitectura revivalista do edificado e os jardins e parques organizados ao gosto romântico, procurando recriar a imagem de uma natureza bucólica (pequenos lagos, fontes, chalets, capelas, grutas fingidas, caminhos secretos). 2.2. A ARTE E A ARQUITECTURA DA PAISAGEM: A Vila de Sintra, com o Palácio da Vila, paço dos reis portugueses desde a Reconquista cristã (Serrão: 1995, pp. 12), já no séc. 15 constituía um centro de lazer da realeza, e da aristocracia. No séc. 17 era frequentada pela corte e nela se desenvolviam variadas actividades, testemunhadas por várias fontes. Nos finais do séc. 17 eram difundidas novas ideias, aplicadas às artes e à literatura, numa atitude de espírito revivalista, que se distingue pela importância dada à personalidade de cada artista e suas emoções. Surge uma admiração pelos países exóticos e pela natureza bárbara, no estado selvagem, tal como se encontrava representada na pintura - "o pictoresco"- que se vai reflectir no acto criador da paisagem (Silva e Antunes: 1987, pp.11). São erguidas estufas para a aclimatização a novas latitudes. As novas plantas permitiam novos efeitos de cor em florações, nunca antes observadas. Sintra possui hoje os dois melhores parques-jardins do Romantismo: o Parque da Pena e o Parque de Monserrate (Serrão: 1989, pp. 82). A criação do Parque de Monserrate em 1798 (v. PT031111110034) por William Beckford, arrendatário da propriedade, constituiu um exemplo importante da introdução do ideário romântico da arte na paisagem. A encosta, situada a baixa altitude e abrigada dos ventos, foi transformada num cenário misterioso, que contou com a importação de milhares de espécies exóticas, longos relvados e com a construção de 16 barragens cuja água acabava por confluir numa cascata com 10 metros de altura (Castel-Branco: 2001, pp. 78). Em meados de oitocentos, Monserrate era comprada por Francis Cook, passando o parque a ser mantido pelo jardineiro Burt, por ele mandado vir de Inglaterra (Serrão: 1989, pp. 84). Já em pleno séc. 19, Sintra iria mudar o aspecto da sua paisagem. O rei D. Fernando II, rei-artista e o principal mecenas português do período romântico, irá contribuir para esta transformação, com a construção do Palácio da Pena e seu parque envolvente (v. PT031111120007). O espírito do rei era também de índole científico, auxiliando o biólogo austríaco Friedrich Welwitsch (chegado a Portugal em 1839), conservador do "Jardim Botânico da Universidade de Lisboa" (v. PT031106460435), na elaboração da "Flora Lusitana Exciccata", encontrando-se a sua biblioteca recheada de obras sobre botânica, sobretudo flora africana (Teixeira: 1986, pp. 270). A família real passava o Verão no Paço da Vila, em Sintra. Em Novembro de 1838, D. Fernando II comprou o Convento da N. S. da Penha, na Serra de Sintra iniciando-se a sua conversão em palácio 3 anos mais tarde. (Teixeira: 1986, pp. 310). Vamos encontrar no parque todos os ingredientes do jardim paisagista da segunda metade do séc. 18, descrito, por exemplo, Latopie, "L' Art de Former les Jardins Modernes" ou "L' Art de Jardins Anglais"(*1) apresenta no prefácio uma regra de distribuição espacial dos elementos de um jardim de forma a conferir-lhe um cunho único:"um templo clássico com a sua dignidade…na parte mais nobre do jardim, um "cottage" na parte formada de simples cenas rurais". Este é apenas um dos manuais do género, que circulavam por toda a Europa. É como tradução deste espírito que na Pena é construído o Templo das Colunas, atelier do rei (*2) e o Chalet da Condessa (v. PT031111120040). Foram ainda projectados pavilhões, fontes com repuxos e taças, quedas de água (Teixeira: 1986, pp. 329). No que diz respeito à florestação, em 1839, foram executadas plantações de árvores como: "Fraxinus excelsior, Acer platanoides, Araucária cuniinghamu", e mais tarde espécies como: "Abies alba, Pinus larix, Aesculus hypocastanum, Castanea yesca, Juglans regia, Quercus robur e Ficus carica, Prunus Cerasus, Fagus sylvatica, Robinia pseudo-acacia, Prunus lauro-cerasus, Cercis siliquastrum, Pinus cedros, Ceratonica siliqua, Cupressus semprevirense, Prunus lusitanicus", bem como árvores de fruto variadas. Em 1841, foram plantadas "...10000 árvores esquisitas, mas estereis, que só por fruto dão sombra por suas dilatadas e tortuosas sombras" (Teixeira: 1986, pp. 335). As plantações foram de tal ordem que oito anos mais tarde era necessário proceder a desbastes para se executar plantação de cedros no "jardim inglês", delineado em 1844, tendo posteriormente sido realizadas novas plantações (Teixeira: 1986, pp. 335). Para o balanço do mês de Fevereiro de 1850, o rei era informado que se tinham plantado 263 árvores, "dando o total de 1214 desde o começo do presente Inverno". Verifica-se mais tarde a vinda de 25 araucárias, das Necessidades para a Real Quinta da Pena (Teixeira: 1986, pp. 336). Este parque recebeu várias remessas de camélias: a primeira, em 1847, vinda de Paris, tendo sido plantadas junto à casa do guarda, outra em Fevereiro de 1850 em que se juntaram mais 50 pés vindos do Paço das Necessidades, perfazendo um montante total de 230 pés plantados, e outra em Janeiro de 1854, transplantadas também do Paço das Necessidades, cerca de 600 pés, colocadas no "jardim ou vale das camélias", por detrás da fonte dos passarinhos cujo lugar e risco da disposição dos arbustos foi decidido nesta altura, tendo Bonnard passado dois dias na Pena a escolher o sítio onde se iriam "colocar as plantas, e principiou a plantar as camélias", sempre sujeito às indicações genéricas do rei (Teixeira: 1986, pp. 335). De facto, no Parque da Pena é o próprio rei que assina a obra de arquitectura paisagista, já que é D. Fernando quem …"indica o jardim dos penedos de cal para a palmeira…escolhe também os lugares mais abrigados do vento para as araucárias e magnólias…recomenda que as sementes de palmeiras se envazem e se abriguem na estufa para depois, em tempo próprio virem para o ar livre", auxiliado pontualmente por Bonnard, o jardineiro das Necessidades (Teixeira: 1986, pp. 336). Foram também plantadas duas feteiras, a da Rainha, junto ao jardim das camélias, e a da Condessa, junto ao seu "Chalet" das quais o rei muito se orgulhava. Foram ainda plantadas outras plantas exóticas, tais como "Cyathaca dealbata" e "Encephalartos lehamani". Nas estufas desenvolviam-se flores raras como begónias tuberosas, rosas do Japão, etc., frutas como ananases e morangos e ainda vegetais como espargos (Teixeira: 1986, pp. 336). Em Novembro de 1886 existia na estufa um variadíssimo lote de plantas exóticas destinadas a repovoamentos e substituições. Enquadrado ainda no espírito revivalista deste parque romântico foi introduzida uma grande variedade de animais. Além de uma reserva de caça grossa, variadas espécies de aves povoavam os lagos. Existiam ainda, entre outros animais, um marabú e cavalos (Teixeira: 1986, pp. 338). Sintra constituía, pelas suas condições naturais, o local ideal para o movimento romântico assumir os seus valores, o que conduziu a que, à imagem de D. Fernando, uma classe endinheirada tenha vindo edificar as suas residências de Verão. Sintra e suas imediações, foi assim sendo retalhada por jardins e parques associados a palácios, mansões, pequenas vivendas e chalets, assumindo os seus espaços verdes um novo cariz cenográfico, ficando para trás os contidos "jardins de estar" entendidos como prolongamento da casa, e suas zonas de regadio e pomar (Serrão: 1989, pp. 81). Existem ainda uma série de locais a distinguir pela sua originalidade e qualidade a nível artístico como a Quinta da Penha Verde (v. PT031111110023) e a Quinta da Vila Velha (Paço dos Ribafria v. PT031111110093) (quintas renascentistas) entre muitas outras, já que é a riqueza do seu conjunto, associada ao urbanismo e à arquitectura da vila, e à paisagem natural, que conferem a Sintra a sua importância como património mundial. Simultaneamente, encontramos ainda e, sobretudo nas penedias dos cumes dos montes da Serra de Sintra, zonas completamente selvagens, onde a paisagem natural ainda se encontra intacta (Ribeiro: 1995, pp. 8) contribuindo para a qualidade botânica, paisagista e florestal desta área. 2.3. DEMOGRAFIA: Os limites administrativos não correspondem aos limites desta unidade paisagística, mas procurando ilustrar a presença demográfica na serra recorreu-se a dados estatísticos desagregados ao nível de freguesia. Em 2001, a população residente nas freguesias correspondentes à serra era de 64795 habitantes (Colares: 7472; São Martinho: 5907; Santa Maria e São Miguel: 9274; São Pedro de Penaferrim: 10449; Alcabideche: 31801). A densidade populacional do concelho de Sintra é de 1162 hab/km2. Contudo, quer a população residente quer a densidade populacional na serra são bastante inferiores a estes valores. Os principais aglomerados populacionais (Azóia, Ulgueira, São Martinho, São Pedro de Penaferrim e Malveira da Serra) localizam-se nas vertentes de declive mais suave, abaixo dos 250 m de altitude, nas áreas contíguas à unidade de paisagem (à excepção de São Martinho). O principal núcleo urbano corresponde à sede de concelho - Sintra, onde a pressão urbanística é mais evidente. Por toda a serra, existem diversas quintas e casais que atestam um povoamento mais disperso. 2.4. ESTRUTURA DA REDE VIÁRIA: A serra dispõe de uma importante ligação ferroviária a Lisboa (estação na Portela de Sintra). A nível rodoviário, a mesma ligação faz-se através do IC19 (uma das rodovias mais movimentadas da Europa). A serra é contornada pela EN 247 a N e a O, EN 9-1 a S, EN 6-8 a SE e a EN 9 a NE. A EN 247-3 atravessa a serra latitudinalmente, pelas cotas mais elevadas e a EN 375 penetra na serra a partir do quadrante NO. Existem ainda algumas estradas e caminhos que fazem a ligação entre o sopé e o topo da serra. 2.5. ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO: São diversos os instrumentos de ordenamento do território que regulamentam esta área. Ao nível dos PEOT, existe o Plano de Ordenamento do Parque Natural Sintra-Cascais (Resolução do Conselho de Ministros nº 1 - A/2004). A Resolução do Conselho de Ministros n.º 68/2002 de 8 de Abril aprovou o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML). Este instrumento de âmbito estratégico considera a serra de Sintra como uma unidade territorial de elevado valor paisagístico, natural e cultural. Esta unidade integra ainda a rede primária da Rede Ecológica Metropolitana, sendo considerada uma área de elevada importância para a biodiversidade da AML. Neste plano são indicadas algumas medidas de conservação e preservação a aplicar nesta área, tais como: garantir que as intervenções urbanísticas na envolvência da serra não prejudiquem o seu enquadramento paisagístico; reforçar os meios técnicos de intervenção na área florestal de modo a impedir fogos e outras acções nocivas na serra; garantir a articulação entre o desenvolvimento do turismo e a conservação deste espaço; fomentar a circulação lenta nos percursos da serra de modo a promover a fruição do enquadramento paisagístico. O Plano Director Municipal de Sintra, aprovado em 1999, define os seguintes usos para esta área: estrutura verde zona única, estrutura verde agrícola, urbano consolidado, equipamentos metropolitanos e infra-estruturas. Em 1995, a UNESCO reconheceu a singularidade de Sintra e classificou-a como Património Mundial, na categoria de Paisagem Cultural. O território classificado abrange a encosta N da serra e ainda a vila de Sintra, estendendo-se para S até ao Parque da Pena, coincidindo com a EN 247-3 até ao Convento dos Capuchos e daí para N até à vila de Colares. Deste modo é privilegiada a área com maior densidade e diversidade de bens monumentais e naturais, tendo em conta a sua importância histórica, arquitectónica e ambiental. O território adjacente à área classificada encontra-se abrangido por dois tipos de protecção: a zona tampão contorna a área classificada e os seus limites passam, grosso modo, pela ribeira de Colares (a N), limite S do concelho de Sintra (a S), a EN 6-8 (a E) e o Oceano Atlântico (a O). Segue-se a área de transição que coincide parcialmente com o território do Parque Natural de Sintra-Cascais. A classificação como Paisagem Cultural deveu-se ao cumprimento de três critérios considerados essenciais: "1. O grupo de villas e quintas com os seus jardins e parques que correspondem à paisagem claramente desenhada e criada intencionalmente pelo Homem; 2. Esta paisagem encontra-se enquadrada num conjunto natural em contínuo crescimento e que tem sido mantida através de intervenções e projectos de valorização; 3. As extensas encostas setentrionais de pinheiros mansos, ciprestes mexicanos, acácias australianas e eucaliptos com as suas escarpas de rochas graníticas, que cobrem achados arqueológicos e velhos mosteiros e eremitérios formam uma paisagem única que, por seu turno, confere a N da serra uma magnificência especial e um carácter sublime a toda a região." Critérios de recomendação para a inclusão na lista de património mundial: "Critério II: é um exemplo único de ocupação cultural que manteve a sua integridade e que representa sucessivas e diversas culturas. Critério IV: a sua estrutura harmoniza uma flora exuberante e uma paisagem refinada criada pelo Homem como resultado de influências artísticas e literárias. Critério V: a sua integridade é frágil e vulnerável a um uso inapropriado e a uma gestão pouco equilibrada." (Pinto-Coelho: 1997).

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

USO DO SOLO: Em 1991, a mancha de áreas florestais e matos ocupava aproximadamente 85% do uso do solo da serra, sobretudo nas cotas superiores a 200 metros, exceptuando o sector a NE (área correspondente aos aglomerados de Sintra, São Martinho, São Pedro de Penaferrim e Ranholas), onde, para além dos núcleos urbanos, também se verificava a presença de áreas de incultos e de áreas agrícolas. Era possível observar ainda manchas significativas de habitação unifamiliar e incultos ou vazios nos espaços contíguos aos principais núcleos urbanos (Azóia, Ulgueira, Almoçageme, Colares, Galamares, Linhó, Penha Longa e Biscaia). As manchas de incultos ou vazios devem-se sobretudo ao abandono de terras agrícolas e a incêndios ocorridos nas últimas décadas (principalmente a NO de Malveira da Serra).

Propriedade

Afectação

Não aplicável

Época Construção

A ocupação humana vem desde o período Neolítico até à actualidade.

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

6º a 5º milénio a.C. - vestígios de um povoado neolítico junto à igreja de São Pedro de Penaferrim; 4º a 3º milénio a.C. - vestígios de um povoado calcolítico (troço de muralha na Penha Verde), vestígios megalíticos no sítio do Monge e no Adro Nunes; século 4 a 5 d.C. - vestígios do período da ocupação romana (artefactos de bronze, cobre, fragmentos cerâmicos e moeda próximo da vila). Estes vestígios, se bem que inequívocos e facilmente datáveis, devido ao seu carácter disperso têm-se duvidado da existência de uma efectiva presença romana; 713 - Sintra é conquistada pelos muçulmanos; 1147 - D. Afonso Henriques conquista Sintra aos Mouros; 1154 - D. Afonso Henriques concede foral a Sintra. O intuito principal deste foral foi dotar este espaço de guarnição militar o que, pela sua posição geográfica, se revelava importante para a defesa e manutenção da conquista do território; 1287 - D. Diniz doa a vila de Sintra à rainha D. Isabel de Aragão, ficando a pertencer desde essa data, à Casa da Rainha, com excepção de curtos períodos; o palácio da vila de Sintra (v. PT031111110006) transforma-se em residência de Verão e passa a destino privilegiado da corte portuguesa; 1386 - D. João I promove grandes obras de ampliação e beneficiação do Palácio da Vila (ala joanina); 1400 - fundação do mosteiro Jerónimo do Convento da Penha Longa (v. PT031111120004); 1410 - fundação do Convento da Trindade (v. PT031111090056); séc. 15 -Sintra é eleita como local de veraneio pela nobreza e altos dignitários do reino; 1495/1521 - ao longo do reinado de D. Manuel I realizam-se obras de melhoramento no palácio da Vila, (como o revestimento do interior a azulejos mudéjar). O palácio torna-se a residência real onde a coroa mais investe, transformando-se num exemplar único da arquitectura palaciana portuguesa; 1503 - fundação do Convento da Pena (Ordem de São Jerónimo); 1514 - D. Manuel renova o Foral de Sintra; 1534 - início da construção da quinta da Ribafria; 1542 - início da construção da quinta da Penha Verde. Na sua envolvente surgem as quintas seiscentistas de Santiago, Pombal, S. Bento e Capela; 1560 - fundação do Convento dos Capuchos (v. PT031111050021); 1783 - Daniel Gildemeester, cônsul da Holanda, constitui a Quinta da Alegria (actual Palácio de Seteais v. PT031111110020); 1787 (c. de) - conclusão das obras de construção do palacete da Quinta de São Sebastião (v. PT031111090053); 1794 - a rainha D. Carlota Joaquina adquire a Quinta do Ramalhão (v. 1111120043) que transforma em residência real; 1834 - a extinção das ordens religiosas no país leva ao abandono e alienação dos conventos sintrenses; 1838 - rainha D. Maria II compra o mosteiro e a tapada da Pena, onde D. Fernando II manda construir o Palácio de acordo com a estética do Romantismo; Sintra internacionaliza-se e inúmeros aristocratas europeus instalam-se em Sintra; 1840-1849 - construção do Palácio da Pena e do respectivo parque botânico (concebido pelo monarca em 1846), plantando-se milhares de árvores e plantas oriundas de todos os continentes; 1873 - inauguração da linha ferroviária de Larmanjat, ligando Lisboa a Sintra; 1887 - inauguração do comboio, ligando Sintra a Lisboa; 1889 - o Palácio da Pena é adquirido pelo Estado. A condessa d'Edla mantém a propriedade do Chalet e do Parque; 1904 - inauguração da linha do eléctrico de Sintra à Praia das Maçãs; séc. 19/ início do séc. 20 - surgem as quintas do Relógio e da Regaleira e ainda chalés e casas do campo; 1949 - a Fazenda Nacional adquire o Palácio e mata de Monserrate. Plano de Urbanização de Sintra, da autoria do urbanista Étienne de Gröer; 1957 - electrificação da Linha de Sintra; 1981 - criação da Área de Paisagem Protegida de Sintra-Cascais (Decreto n.º 292/81, 15 Outubro); 1994 - reclassificação da Área Protegida de Sintra-Cascais como Parque Natural de Sintra-Cascais (Decreto Regulamentar n.º 8/94, 11 Março). Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Sintra-Cascais (Decreto Regulamentar n.º 9/94); 1995 - UNESCO classifica Sintra como Património Mundial na categoria de "Paisagem Cultural"; 2005 - CMSintra assinala os 10 anos de classificação como Património da Humanidade, no Palácio Nacional de Sintra.

Características Particulares

As particularidades de Sintra residem, desde logo, na sua geomorfologia. Sintra é o paradigma da paisagem romântica, pois sob uma aparência de paisagem natural, sofreu profundas transformações, resultando de uma dinâmica de séculos de alteração do meio natural sob a acção humana. O ambiente bucólico de Sintra tem sustentado crenças e práticas simbólico-religiosas ao longo dos séculos, como o comprovam os vários elementos edificados ligados ao culto, conferindo-lhe um carácter distinto, admirado por poetas nacionais e estrangeiros.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Material inerte predominante: Granito

Bibliografia

TEIXEIRA, J., D. Fernando II: Rei-Artista, Artista-Rei, Fundação da Casa de Bragança, 1986; RIBEIRO, O., H. LAUTENSACH e DAVEAU, S., Geografia de Portugal (vol II), O ritmo climático e a paisagem, Edições João Sá da Costa, Lisboa, 1987; SERRÃO, V. Sintra, Ed. Presença, Lisboa, 1989; PINTO DA SILVA, A. R., A flora da serra de Sintra, Lisboa, 1991; GALOPIM DE CARVALHO, O cenozóico continental a norte da serra de Sintra (estudo tectono-sedimentar), in Memórias de Geociências 1, C.M.S., 1994; RIBEIRO, José Cardim, (coord.) Sintra. Património da Humanidade. CMS, 1996; SERRÃO, V. (coord.) Sintra. Património Mundial. CMS, 1995; BORGES COELHO, A. Sintra, medieval, muçulmana e cristã in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995, pp 14-15; CARDIM RIBEIRO, J. A paisagem cultural de Sintra in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995, pp 6-7;CATARINO, F. A paisagem de Sintra e a sua vegetação in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995, pp 30-33; FLOR, J. A. A paisagem de Sintra: natureza, cultura e literatura in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995, pp 24-27;GALOPIM DE CARVALHO, Aspectos Gerais da Geologia da Serra de Sintra, in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995; SERRÃO, V. Sintra, Património histórico e natural da Humanidade in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995, pp 11-13; Sintra e a sua história in Sintra Património Mundial, Vítor Serrão (coord.), Ed. C.M.S., Sintra, 1995, pp 8-11; PINTO-COELHO, M. J. (coord.), Património Mundial - Portugal. World Heritage - Portugal, Estar Editora, Lisboa, 1997, pp 104-111; CASTEL-BRANCO, C. Necessidades. Jardins e Cerca, 2001; FERREIRA, H. et all, Construção e utilização de SIG de base para um sistema de apoio à decisão em áreas protegidas (Projecto PROBIO), in Actas do ESIG, 2001; INE, XIV Recenseamento Geral da População, Lisboa, 2001; PENA, A., GOMES, L., CABRAL, J., Sintra: um concelho ao natural, Ed. C.M.S., Sintra, 2001; QUINTAS, M. A. S., Do Passeio Público à Pena - um percurso do jardim romântico, (texto policopiado), dissertação de mestrado em Reabilitação da Arquitectura e dos Núcleos Urbanos, FA/UTL, 2001; ABREU, H. M. Sintra, os caminhos do silêncio, (texto policopiado), dissertação de mestrado em Reabilitação da Arquitectura e dos Núcleos Urbanos, FA/UTL, 2001; Legislação: Resolução do Conselho de Ministros n.º 68/2002 de 8 de Abril; Decreto-Lei n.º 292/81 de 15 de Outubro; Decreto-Lei n.º 215/2000, de 2 de Setembro; Decreto Regulamentar n.º 9/94 de 11 de Março; URL: Câmara Municipal de Sintra, www.cm-sintra.pt, Outubro de 2003; Instituto de Conservação da Natureza, www.icn.pt, Outubro de 2003; Instituto Nacional de Estatística, www.ine.pt, Outubro de 2003; IPPAR, Outubro de 2003; UNESCO, Outubro de 2003; GEOTA, http://www.despodata.pt/geota/Htmls/Opiniao/Posicoes/1999/06_04_ni_conjunta_comemoracao_dia_mundial_ambiente.html, Outubro de 2003; World Tourism Organization http://www.world-tourism.org/frameset/frame_sustainable.html, Outubro de 2003; ANDRESEN, T., MARQUES, T., Cerca do Bussaco. Uma paisagem entre o sagrado e o profano, in Monumentos 20, DGEMN, 2004

Documentação Gráfica

DSID; CMS; DGA; AML

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID

Intervenção Realizada

Observações

*1 - abrange várias freguesias além de Colares: Santa Maria e São Miguel, São Martinho, São Pedro de Penaferrim / Cascais, Alcabideche; *2 - Tradução de T. Wathley, Observations on Modern Gardening, Londres 1970; *3 - que em 1836 tinha visitado Londres, contactando com a tradução para a realidade destes princípios.

Autor e Data

Luís Marques, Carla Gomes, Teresa Camara 2004

Actualização

 
 
 
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