Basílica do Sagrado Coração de Jesus

IPA.00023014
Portugal, Porto, Póvoa de Varzim, União das freguesias da Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai
 
Arquitectura religiosa, oitocentista, novecentista, de inspiração neoclássica. Igreja jesuíta com planta em cruz latina, de três naves, transepto com cruzeiro elevado por torre lanterna, capelas colaterais, capela-mor profunda lateralmente com duas sacristias adossadas, e duas torres sineiras adossadas à fachada principal. Interiormente predomina a cobertura em abóbada de berço. Nave central, com coro-alto, aberta para as laterais por arcos de volta plena e naves laterais ritmadas por arcos diafragma, dando a ilusão de capelas laterais profundas comunicantes. Cruzeiro com cobertura em falsa abóbada de barrete de clérigo, iluminado por janelas rasgadas no tambor. Para os braços do transepto e capela-mor abrem-se tribunas, assim como as portas de comunicação com as duas sacristias. Apresenta grande uniformidade ao nível da talha, com retábulos de planta recta de um só eixo com decoração fitomórfica.
Número IPA Antigo: PT011313100040
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta em cruz latina de três naves, de cinco tramos, transepto, capela-mor profunda e duas capelas colaterais integradas nos corpos que flanqueiam a capela-mor, correspondentes a sacristias e salas de catequese. A ladear a fachada principal duas torres sineiras. Volumes articulados de dominante horizontal quebrada pelo verticalismo das torres sineiras e da torre lanterna que se eleva sobre o cruzeiro. Coberturas diferenciadas em telhados de uma água nas naves laterais e de duas águas na nave central, capela-mor, transepto e corpos que flanqueiam a capela-mor. Torres sineiras com cobertura em cúpulas encimadas por cruz. Torre lanterna com fachadas em granito aparente, cunhais apilastrados, rematada por platibanda e com cobertura em cúpula encimada pelo Sagrado Coração de Jesus. É rasgada, ao nível do tambor, em cada um das faces, por três janelas gemidadas em arco de volta perfeita com colunas compósitas a servirem de mainéis. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, excepto no corpo central da fachada principal e último registo das torres sineiras em granito aparente, percorridas por falso embasamento de granito, com pilastras nos cunhais e remates em cornija sobre beiral. Vãos com molduras de cantaria. Fachada principal, orientada, de três corpos, os laterais correspondentes às torres sineiras. Corpo central de dois registos e três panos definidos por pilastras, as do segundo registo com capitéis jónicos, sustentando entablamentos, e remate em frontão com tímpano relevado com iconografia do Sagrado Coração de Jesus. No primeiro registo, ao centro, portal de volta perfeita com marcação da chave, precedido por duas colunas dóricas de fuste liso com plinto elevado, sustentando varanda com balaustrada, para onde se rasga, já a nível do segundo registo, janelão com vitral com representação de cálice, ladeado, nos panos laterais, por dois nichos vazios encimados por cartelas rectangulares molduradas. Torres sineiras, simétricas nas quatro faces, de três registos definidos por cornija, a do primeiro registo desenvolvendo-se no seguimento da do corpo central e a do segundo registo, curva. No primeiro registo, da fachada principal, painel de azulejo figurativo emoldurado por arco de consola em granito rematado por cornija quebrada interrompida, encimado por janela de sacada com moldura recortada de granito superiormente com cornija ondulada, e guarda de balaustrada sustentada por modilhões. Na fachada posterior, pequena janela quadrangular. No segundo registo, nas fachadas principal e lateral N., relógios em forma de cártulas com rolos, e na fachada posterior óculo. Terceiro registo com cada uma das faces limitadas por pilastras com capitéis compósitos suportando entablamento sobre o qual se eleva frontão com cornija denticulada. São rasgadas por ventanas em arco de volta perfeita com marcação da chave e seguintes côncavos, apresentado inferiormente, à face, balaustrada cega. Fachada lateral, N. e S. simétrica, com vãos em arco abatido encimados por cornija curva. No corpo correspondente à nave lateral rasga-se porta e quatro óculos e na nave central dispõem-se quatro janelas quadrangulares. No transepto, na face O. rasga-se porta encimada por janelão de sacada à face com balaustrada e superiormente duas janelas de peito. No topo do braço, com remate em frontão triangular encimado por cruz latina sobre acrotério, e vazado por óculo, rasga-se janela quadrangular. Capela-mor rasgada por janelão rectangular encimado por janela quadrangular. Nos corpos adossados rasgam-se vãos de verga. Na fachada lateral quatro janelas rectangulares sobrepostas duas a duas, as inferiores gradeadas, e na fachada posterior porta lateralmente com dois óculos e superiormente duas janelas idênticas à da fachada lateral. Fachada posterior, com remate idêntico aos topos dos braços do transepto, rasgada por duas pequenas janelas rectangulares de verga recta. INTERIOR: Coberturas em abóbadas de berço assentes em cornija, na nave central, ritmada por arcos torais, braços do transepto, capelas colaterais e capela-mor. Apresentam janelas de lunetas, à excepção das capelas colaterais. Paredes rebocadas e pintadas de branco e pavimentos em soalho. Na nave central, primeiro tramo ocupado pelo coro alto assente em arco em asa de cesto e protegido por balaustrada de madeira. Nas paredes laterais abrem-se portas encimadas por tribunas. Sub-coro separado da nave por guarda-vento de madeira e vidro, apresentando nas paredes laterais portas de acesso às sineiras e coro alto. Apresenta placa comemorativa indicando o início das obras da Basílica. Paredes laterais ritmadas por pilastras, entre as quais se rasgam arcos de volta perfeita em granito, ornamentados nos rins, de acesso às naves laterais. Sobre os arcos, separados por cornija painéis de estuque. No topo da nave dispõem-se, confrontantes, dois púlpitos de talha com balaústres. Naves laterais ritmadas por arcos diafragmas de granito na marcação dos tramos. Em cada tramo, em ambas as naves, surgem retábulos de talha castanha com apontamentos a dourado de planta recta de um só eixo. No lado do Evangelho, dedicados a São Francisco Xavier, São João de Brito, Santa Teresinha do Menino Jesus e à Rainha Santa Isabel e no lado oposto a Nossa Senhora de Lourdes, São José, São Francisco de Assis e Santo António. No segundo tramo, pia de água benta em mármore, com o símbolo iconográfico relativo ao Sagrado Coração de Jesus. Cruzeiro com cobertura em abóbada em falso barrete de clérigo, com tambor percorrido por guarda de ferro assente em cornija de granito suportada por modilhões que se ligam aos arcos cruzeiros. Braços do transepto simétricos, com porta de acesso às sacristias, encimada por tribuna, com molduras em granito profusamente decoradas; tribuna suportada por quarteirões assentes na cornija de remate da porta, com guarda de balaústres. Nos topos retábulos de talha idênticos aos das naves, o do lado do Evangelho dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e o do lado oposto ao Coração Imaculado de Maria. Capelas colaterais com acesso por arcos plenos com testeiras preenchidas por retábulos idênticos aos restantes, o do lado do Evangelho dedicado a Santo Inácio de Loyola e o do lado oposto ao Santíssimo Sacramento. Capela-mor com paredes laterais rasgadas junto ao arco triunfal por portas de acesso às sacristias e Centro de Catequese; superiormente tribunas, sobre as sacristias, com três vãos, o central em volta perfeita e os laterais em arco abatido e estrutura de granito suportada por mísulas ricamente decoradas, com guarda balaustrada de madeira. Parede testeira totalmente preenchida com retábulo-mor de talha idêntica à restante, de planta convexa de um só eixo limitado por par de colunas estriadas com o terço inferior marcado, suportando entablamento com cornija inferiormente denticulada sobre a qual se eleva ao centro frontão encimado pelo Sagrado Coração de Jesus em glória de anjos. Tribuna coberta por tela com representação de Cristo celebrando a eucaristia e do Calvário. No banco, ao centro a imagem do orago e no sotobanco altar com frontal decorado com elementos fitomórficos. Lateralmente, a ladear as colunas, dois nichos albergando anjos, encimando pequenas portas de acesso à tribuna. Ao centro, altar-mesa ladeado por genuflexórios.

Acessos

Rua Gomes de Amorim, Rua Cidade de Vila Real, Rua de Camilo, Rua Padre J. L. Campos

Protecção

Inexistente

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, na proximidade do mar, isolado, implantado em terreno plano de natureza granítica. É envolvida por adro parcialmente vedado por gradeamento baixo e vegetação nas fachadas laterais e fachada principal. Pavimento em calçada, apresentando junto à fachada principal as iniciais BSCJ emolduradas por motivos geométricos vários (imbricado, corações) e meandros a contornar o pórtico de entrada destacados a cinza escuro. Nas fachadas laterais, até aos braços do transepto, apresenta motivos geométricos grandes (losangos ou paralelogramos). Desde os braços do transepto e no tardoz, o pavimento é em cimento. A E. da igreja localiza-se a Residência dos Padres da Companhia de Jesus, com fachada no alinhamento da Rua de Camilo, que foi alterada após 1939, em consequência do alargamento da referida rua. Junto à fachada N. desenvolve-se logradouro ajardinado. De planta rectangular e cobertura plana com três águas-furtadas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, de dois pisos, desenvolvendo-se na fachada N. escadaria de acesso ao interior, através de corpo que se destaca da fachada.

Descrição Complementar

AZULEJO: Na fachada principal, no primeiro registo das torres sineiras, dois painéis de azulejo policromo emoldurados por moldura de cantaria. Na torre sineira N. painel representando o padroeiro, apresentando legenda no canto inferior direito "O Sagrado Coração de Jesus manifesta-se a S. Margarida Maria" Na torre sineira S. painel representando São Cláudio La Colombière, também com legenda "O B. Cláudio Colombière propaga a devoção ao Coração Divino". Ambos os painéis apresentam a indicação a proveniência "Aleluia / Aveiro". INSCRIÇÕES: Em placa no vestíbulo "JHS. No 1º Centenário do lançamento da primeira pedra desta Basílica, 1890 - 1990, e na abertura do ano Inaciano, 27 - 09 - 1990". Junto à pia de àgua benta, do lado da Epístola, conjunto de quatro placas de mármore branco com texto inscrito a negro. A superior, mais pequena "Benfeitores que contribuíram com donativos de mil escudos ou mais, ou com relevantes serviços, desde 1942 até 1960, para as obras de conclusão deste templo magnifico". As restantes, maiores, colocadas inferiormente, enumeram os benfeitores. Do lado do Evangelho, sobre a pia de água benta, "1883 - 1958, Perpetuando as bodas de diamante do A. O na Povoa de Varzim, 13 - 6- 1958, presidiu o Senhor Arcebispo Primaz D. António Bento Martins Júnior. Venha a nós o Vosso reino!". Na capela colateral do lado da Epístola, placa comemorativa "4º centenário da morte de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, 1556-1956, a maior glória de Deus". ESTATUÁRIA: A coroar a torre lanterna, O Sagrado Coração de Jesus de mãos estendidas e abertas, formada por três blocos de mármore branco com 4,50m de altura e 4770kg. TALHA: Retábulos das naves laterais, transepto e capelas colaterais idênticos, de planta recta de um eixo marcado por colunas, marcadas no terço inferior suportando entablamento com cornija denticulada, rematado ao centro por frontão triangular sendo encimado por espaldar ricamente decorado. Ao centro, tribuna com os oragos e painéis relevados. O retábulo do topo do braço do transepto do lado do Evangelho é ladeado por duas mísulas em talha igual, com imaginária. Os das capelas colaterais, apresentam ao centro do banco sacrário, destacando-se o da capela do lado da Epístola em talha dourada. VITRAIS: No coro-alto, vitral policromo dividido por filetes de chumbo representando ao centro um cálice com hóstia.

Utilização Inicial

Religiosa: basílica

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Centro de Catequese do Sagrado Coração de Jesus

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Padre António Domingues Ferreira (1889, Março; 1909, 30 Janeiro), Alfredo Santos Rufino (1946, 18 Dezembro), Artur Cruz (1905); CARPINTEIROS: José Manuel Gomes de Amorim (1953; retábulos), António Quilores (retábulo de São Luís Gonzaga); EMPREITEIROS: António Soares de Pinho (conclusão), Oliveira e Silva (soalhos), Firma Serafim da Silva Jerónimo (1984); ENGENHEIROS: Teixeira (1909, 30 Janeiro), J. J. Ferreira da Silva (1938), Arala Chaves (1946, 18 Dezembro; obras de conclusão); ENTALHADOR: Pedro Rodrigues (1905); ESCULTOR: Abílio Candoso (1946, 18 Dezembro), José Ferreira Thedim (conservação e restauro das esculturas); FÁBRICAS: Fábrica Aleluia (azulejos da fachada principal); FUNDIDOR: Fábrica Bochumer Verin (1954, 12 Dezembro); MESTRES PEDREIRO: José Agostinho Alves (1889, Março), José da Silva (obras de conclusão); OFICINAS: Oficina Maias, de Cidadelhe, Castelo da Maia (retábulo de São Francisco, 1957).

Cronologia

Séc. 16, 2ª metade - Presença da Companhia de Jesus na Póvoa de Varzim; séc. 18, 1ª metade - instituição do culto do Coração de Jesus na capela da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Póvoa de Varzim e, estabelecimento da Congregação do Sagrado Coração de Jesus nessa capela; 1769, 19 de Junho - aprovação da Congregação do Sagrado Coração de Jesus na Igreja Matriz da Póvoa de Varzim (v. PT011313100009); 1864 - estabelecimento do Apostolado da Oração em Lisboa (de origem francesa); séc. 19, 2ª metade - fundação do Centro Apostolado da Oração, na Póvoa de Varzim, pertencendo a direcção espiritual aos padres jesuítas; João Francisco Trocado, zelador do Centro Apostolado da Oração oferece à Póvoa uma imagem do Coração de Jesus, em tamanho natural, que necessita de um templo para ser exposta; 1889, 8 Fevereiro - João Francisco Trocado compra um terreno a José Pinto de Sousa Vasconcelos, no lugar de Vila Velha para se edificar a igreja; Março - o Padre António Domingues Ferreira, professor de desenho no Colégio do Espírito Santo em Braga, é contratado pela Devoção ou Apostolado da Oração, para iniciar o projecto da igreja; contratação do mestre pedreiro José Agostinho Alves para regularizar o solo e abrir os alicerces; provém de Vila do Conde a alvenaria para se iniciar a construção e, as peças para cantaria, das pedreiras de Courel; 1890 / 1909 - o Padre António Domingues Ferreira dirige a obra de construção; 1890, 31 de Agosto - início da construção com o lançamento e bênção da primeira pedra; são apontados como fundadores da igreja, Francisco Alves Vasconcelos, João Francisco Trocado (proprietário), Francisco Luís Trocado Júnior, António Ribeiro Pontes (da Lapa), Manuel Fernandes da Silva e Francisco Manuel Pinheiro; 1892, 10 Julho - bênção de uma construção provisória de madeira, designada por Capela-Escola do Coração de Jesus, situada a N. da igreja, que se destinava a albergar a imagem do Sagrado Coração de Jesus, até à conclusão da igreja, bem como, servir de instrução de catequese, celebração de missa e residência dos jesuítas; 1892, 10 Julho / 1910 - os padres jesuítas habitam a capela-escola; 1894 - estavam levantadas as paredes da capela-mor; 1897, Julho - a Devoção da Oração constitui-se legalmente em confraria passando a ser designada por Devoção do Santíssimo Coração de Jesus Agonizante, Apostolado de Oração e Boa Morte; 1899, Setembro - a capela-mor encontra-se em fase de conclusão; 1900 - surgem as primeiras grandes dificuldades económicas para a conclusão da igreja; 1902 - a Confraria de Nossa Senhora de Lourdes manda executar o seu altar para a igreja; Julho - aprovação dos estatutos da nova confraria de Nossa Senhora de Lourdes, erecta na Basílica do Sagrado Coração de Jesus; 10 Julho - bênção da capela-mor, capelas laterais e sacristias; 1905- construção da tribuna, com desenho da autoria do Padre António Domingues Ferreira, retocado pelo arquitecto da câmara Artur Cruz, e executada pelo entalhador Pedro Rodrigues; construção do retábulo-mor a expensas do capitalista João Cristelo Póvoas, na oficina do entalhador Pedro Rodrigues, de Braga; 1909, 30 Janeiro - morre o autor e primeiro responsável pela obra, Padre António Domingues Ferreira, sendo substituído pelo Engenheiro Teixeira; 1910, 7 Outubro - exílio dos jesuítas; interrupção das obras da igreja; 1910 / 1927 - a capela-escola foi utilizada para aquartelar a Guarda Nacional Republicana (GNR), sendo em 1913 ocupada por um destacamento de doze praças sob comando de um 2º sargento e após a sua retirada, utilizada como escola primária, vindo depois a ser reocupada pelos jesuítas; 1911, 30 de Agosto - demolição da capela de São José localizada junto ao mar, na Póvoa de Varzim, e cedência da capela do Sagrado Coração de Jesus, em construção, no lugar de Vila Velha, para nela se estabelecer a confraria de São José de Ribamar da dita capela demolida; este episódio de longa data ficou conhecido por "Questão de São José"; 1913 / 1935 - a confraria de São José está instalada na Igreja; 1913, 17 Junho - autos de entrega e posse da Igreja do Sagrado Coração de Jesus à Comissão Municipal Administrativa e entrega e posse da Igreja do Sagrado Coração de Jesus à confraria de São José; 1 Novembro - a igreja foi de novo benzida e o culto passou a realizar-se, normalmente, a partir dessa data; 1927 - lento recomeço das obras da igreja; 1929 - data do retábulo de São Francisco Xavier, proveniente das oficinas Thedim de Coronado, Santo Tirso; 1930, 1 Abril - faleceu João Francisco Trocado, o impulsionador da construção da igreja; 1932, 2 de Julho - Manuel Pereira Sampaio Júnior compra um amplo terreno na parte posterior da igreja para aí mandar erigir um edifício residencial; 1933 - os jesuítas abandonam a sua residência junto à Igreja de Nossa Senhora das Dores (v. PT011313100007) e mudam-se para o novo edifício, pagando uma renda ao proprietário; 1935, 30 Dezembro - regresso da confraria de Nossa Senhora de Lourdes (antiga instituição que acompanhou o seu nascimento) à Igreja do Sagrado Coração de Jesus, uma vez que, a confraria de São José ocupara a nova capela de São José; 1937- os padres jesuítas compram o edifício residencial a Manuel Pereira Sampaio Júnior, bem como, um amplo terreno contíguo; 1938 - recomeço das obras da igreja, com a modificação do projecto inicial a nível de fachada, tornando-a mais sóbria e menos dispendiosa, por J. J. Ferreira da Silva; 1942 - a confraria de Nossa Senhora de Lourdes, senhorio do templo, recorre ao apoio do Estado através do Fundo de Desemprego que lhe é concedido em Dezembro de 1943; 1943, 31 Julho - lajeamento do vestíbulo, inclusão do guarda-vento, colocação dos ferros das torres, e montagem de pára-raios; 1944, 22 Julho - lançamento da primeira pedra para a conclusão das obras; chegada, à Póvoa de Varzim, do Padre José António de Campos S. J., grande impulsionador no recomeço, a grande ritmo das obras da igreja; 1946 - início das obras no interior; 18 Dezembro - colocação, sobre a cúpula da torre lanterna, da imagem do Sagrado Coração de Jesus, da autoria de Abílio Candoso, sob a direcção técnica de Arala Chaves e de Alfredo Santos Rufino; 1948 - compra de um vitral para a fachada principal e de um relógio para a torre, de Almada; 30 de Outubro - conclusão da parte externa da igreja, bem como das duas torres sineiras e zimbório; 1951, 16 Agosto - realização da escritura em que a confraria de Nossa Senhora de Lourdes doa a Basílica à Companhia de Jesus; 1953 - demolição da capela-escola; completa-se a nave central e o transepto da igreja com bancos de madeira mogno construídos nas oficinas de Manuel Gomes de Amorim, conhecido como Manuel da Venda; 1954, 12 Dezembro - inauguração do carrilhão, composto por trinta e nove sinos de aço, expostos na Exposição Industrial de Hanôver, e encomendados à fábrica Bochumer Verin; 1956, 13 Outubro - inauguração do retábulo do Coração Imaculado de Maria; 1957 - construção do actual retábulo dedicado a Santo Inácio de Loyola e ao Santíssimo Sacramento, pela Oficina de Castelo da Maia, para substituir um antigo dedicado a São Lázaro; 1960- compra de um lustre para a capela-mor pelo preço de 22 contos; 1963, Julho - encerramento das obras; 1984 - substituição do carrilhão, pelos tradicionais sinos de bronze, sendo montado pela firma Serafim da Silva Jerónimo e funcionando por sistema electrónico.

Características Particulares

Apesar de tardia, planimétricamente mantém o mesmo esquema das igrejas maneiristas da Companhia de Jesus. Exteriormente a organização das fachadas foge já ao esquema das igrejas jesuítas apresentando soluções do esquema do neoclassicismo. A utilização da torre lanterna faz lembrar as soluções românicas. Destaca-se uma grande simetria, tanto exterior como interiormente, assim como uma grande uniformidade decorativa a nível do interior. A fachada principal apresenta elementos barroquizantes, nomeadamente a nível das cornijas ondulantes. Foi a única residência mantida na posse dos jesuítas antes de 1910 e na actualidade.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de granito rebocado e pintado; granito em cornijas e modinaturas; calcário no pavimento do adro; estuque pintado nas paredes interiores; vitral nas janelas e óculos; ferro nas janelas, porta principal, gradeamentos e guardas; bronze nos sinos; madeira no pavimento, guardas e retábulos; telha cerâmica; azulejo industrial na fachada principal.

Bibliografia

Coração de Jesus, Estrella Povoense, 22 Julho 1888; Sagrado Coração de Jesus, Estrella Povoense, 3 Março 1889; Sagrado Coração de Jesus, Estrella Povoense, 9 Junho 1889; Sagrado Coração de Jesus, A Independência, 10 Junho 1889; Sagrado Coração de Jesus, Estrella Povoense, 14 Junho 1889; Inauguração solene da fundação da igreja do Santíssimo Coração de Jesus, Estrella Povoense, 7 Setembro 1890; Sagrado Coração de Jesus, Estrella Povoense, 30 Novembro 1890; A Associação do Coração de Jesus, O Liberal, 24 Outubro 1897; Sagrado Coração de Jesus, O Liberal, 29 Janeiro 1899; Basílica do S. Coração de Jesus, A Praia, 14 Setembro 1899; O Novo Templo do Coração de Jesus, Estrella Povoense, 25 Novembro 1900; Sagrado Coração de Jesus, A Independência, 10 Julho 1902; Santíssimo Sagrado Coração de Jesus, A Independência 17 Julho 1902; Nova Confraria. Nossa Senhora de Lourdes, Estrella Povoense, 27 Julho 1902; Benção da nova igreja do Coração de Jesus, Estrella Povoense, 10 Agosto 1902; Coração de Jesus - nova tribuna, A Propaganda, 22 Outubro 1905; A Confraria de São José Ribamar da Póvoa de Varzim. Pela Verdade (singela exposição de factos), Famalicão, Typographia Aliança, 1914; Póvoa de Varzim (revista cultural) - n.º 22, Setembro 1915 (p.6); Basílica do Sagrado Coração de Jesus, Idea Nova, 23 Abril 1938; Sagrado Coração de Jesus, Idea Nova, 25 Junho 1938; Sagrado Coração de Jesus, Ecos de Província, Fevereiro 1939; Sagrado Coração de Jesus, Ecos de Província, Junho 1939; Obras da Basílica do Sagrado Coração de Jesus”, Ecos de Província, Agosto 1939; Comparticipação para as obras da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Ecos de Província, Dezembro 1943; Empreitada para a conclusão da Igreja do Coração de Jesus, Ecos de Província, 3 Junho 1944; Recomeço das obras na Basílica, Ecos de Província, 19 Junho 1944; Basílica do Coração de Jesus, Idea Nova, 18 Janeiro 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados I, Idea Nova, 25 Janeiro 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados II, Idea Nova, 8 Março 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados III, Idea Nova, 29 Março 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados IV, Idea Nova, 19 Abril 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados V, Idea Nova, 24 Maio 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados VI, Idea Nova, 12 Julho 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados VII, Idea Nova, 6 Setembro 1947; A Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados VIII, Idea Nova, 18 Outubro 1947; As obras da Basílica, Idea Nova, 20 Dezembro 1947; As obras da Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados IX, Idea Nova, 10 Janeiro 1948; As obras da Basílica do Coração de Jesus e a fé dos nossos antepassados X, Idea Nova, 12 Junho 1948; BARBOSA, Jorge, Toponímia da Póvoa de Varzim, vol. 2, Póvoa de Varzim, 1973, p. 240-241; Templos Católicos da Póvoa de Varzim. Basílica do Sagrado Coração de Jesus, A Voz da Póvoa, 26 Maio 1983; Paróquia, Comunidade de Fé e Vida. No 125º Aniversário da Confraria e 50º da Paróquia de São José de Ribamar, Póvoa de Varzim, 1985, p.19; AMORIM, Manuel, A Companhia de Jesus na Póvoa de Varzim in Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, vol. 24, 1992, p. 37 a 68; COSTA, Martins da, Cem anos de vida da Confraria de São José de Ribamar da Póvoa de Varzim in Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, n.º 33, 1996-1997 (p. 175-190); AMORIM, Manuel, A Companhia de Jesus na Póvoa de Varzim in Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, vol. 33, 1997, p.103 a 146; COSTA, Martins da, Cem anos de vida da Confraria de São José de Ribamar da Póvoa de Varzim in Boletim Cultural da Póvoa de Varzim n.º 34, 1998-1999 (p. 255-283); AMORIM, Manuel, A Companhia de Jesus na Póvoa de Varzim in Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, vol. 37, 2002, p. 5 a 59; www.companhia-jesus.pt/portugal/povoa/index.htm, 14 Junho 2005; www.ppcj.pt, 15 Junho 2005.

Documentação Gráfica

Arquivo Distrital do Porto; Notários da Póvoa de Varzim, Livro 14, Arquivo Distrital do Porto, 1889, p. 70-71; Arquivo Histórico Municipal da Póvoa de Varzim: Livro de Alvarás; Arquivo da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, Núcleo Fundo Local (periódicos e monografias).

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: 1943, 31 Julho - Substituição da telha com colocação de telha prensada tipo "campos"; 1959 - nova instalação eléctrica.

Observações

A origem desta obra esteve numa missão realizada em 1883, pelos Padres José Bacelar e José de Oliveira, na Póvoa de Varzim, no seguimento da qual se instituiu o Centro do Apostolado da Oração, na Paróquia da Matriz, com a assitência do Pároco, 40 zeladores e 300 associado.

Autor e Data

Sónia Duarte e Patrícia Costa 2005

Actualização

 
 
 
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