Castelo de Monção / Fortaleza de Monção

IPA.00002377
Portugal, Viana do Castelo, Monção, União das freguesias de Monção e Troviscoso
 
Arquitectura militar, seiscentista. Fortaleza fronteiriça de planta poligonal composta por 10 baluartes, irregulares e dispostos assimetricamente, e um meio-baluarte a NO., virando-se este e seis baluartes ao rio, a N., e os restantes a terra, sendo unidos por cortinas predominantemente rectas, apresentando alguns falsas-bragas. Paramentos das cortinas e baluartes em talude, com a escarpa exterior de duas secções escalonadas, em alvenaria de pedra irregular, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeito liso ou com canhoneiras na linha baixa de defesa, tendo nos ângulos flanqueados guaritas facetadas, assentes em mísulas facetadas, tal como a cobertura em cúpula. Possui três portas, a de Salvaterra, inicialmente com ponte levadiça, com arco de volta perfeita entre duplas pilastras toscanas, suportando frontão semicircular, com brasão nacional no tímpano; a porta do Rosal, em arco de volta perfeita assente nos pés-direitos, encimada por guarita, com trânsito rasgado por frestas de tiro, porta dupla, coberto por abóbada de berço e flanqueado por casamatas, acedidas por portais a partir do trânsito ou pelo terrapleno, onde são contrafortados; e as portas das Caldas duas poternas em arco de volta perfeita sobre os pés-direitos, com trânsitos igualmente abobadados. Paiol do Rosal com célula de armazenamento de planta rectangular, interiormente abobadada e cobertura em lajes de granito, envolvida por anteparo de protecção, alto, rasgado por portal central em arco de volta perfeita, sobre impostas salientes.
Número IPA Antigo: PT011604170001
 
Registo visualizado 256 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Fortificação de planta poligonal composta por 10 baluartes, irregulares e dispostos assimetricamente, e um meio-baluarte a NO., virando-se este e seis baluartes a N., e os restantes a terra, denominando-se, de NO. para E., no sentido dos ponteiros do relógio por: Nossa Senhora da Guia, de Salvaterra (antigo São Luís), São João (antigo São José), Nossa Senhora da Boavista (antigo Boavista e Nossa Senhora do Loreto), São Luís (antigo São Francisco), São Filipe, São Bento, Nossa Senhora da Conceição, do Souto (antigo de São Pedro), da Cova do Cão (antigo de Santo António) e, o último, de Terra Nova (antigo de São João); os baluartes são unidos por cortinas predominantemente rectas. Paramentos das cortinas e baluartes em talude, com a escarpa exterior marcada, em quase toda a sua extensão, por duas secções escalonadas, em alvenaria de pedra irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeito liso, igualmente em alvenaria irregular, na face N. encimado por guarda em ferro. Um dos flancos do baluarte da Boavista, que cobria o local onde existia a barca de ligação à Galiza, o de São Filipe e São Bento, que cobriam a porta das Caldas, e ambos os flancos dos baluartes virados a terra, do de Nossa Senhora da Conceição até ao da Guia, dois para cobrir a Porta do Sol e a do Rosal, e respectivas cortinas entre eles apresentam falsas-bragas, tendo o nível inferior de defesa parapeito de canhoneiras. Os seus ângulos são coroados por guaritas facetadas assentes em mísulas molduradas e também facetadas, sendo inferiormente circundadas pelo cordão e superiormente rasgadas por pequenos vãos rectangulares dispostos na vertical; são acedidas por vão de verga recta e cobertas por cúpula facetada sobre cornija rectangular e coroadas por pináculo irregular. A N., entre os baluartes da Boavista e o de São Luís e entre este e o de São Filipe existem integrados na fortificação dois panos da muralha medieval, com perfil curvo, de aparelho de cantaria regular, sobrepujado por moldura e parapeito; o segundo pano de muralha conserva, quase cinco metros abaixo do nível da rua, portal em arco quebrado de aduelas largas, sobre os pés-direitos, entaipada. No baluarte de São Filipe, a linha baixa de defesa possui pavimento em saibro, sendo esta e a do baluarte de São Bento acedidas por portal em arco de volta perfeita sobre os pés-direitos. A fortificação foi interrompida e atravessada a SO. pela linha do caminho de ferro e o baluarte da Terra Nova pela Rua Engenheiro Duarte Pacheco, a S., onde se rasgava a porta do Sol, pela passagem da EN. 201, de ligação a Ponte da Barca - Braga, a NE. pela avenida das Caldas, que liga o recinto da Fonte da Vila (v. PT011604170018) à estância termal e às terras baixas da várzea, a E. pela EN. 202, em direcção a Melgaço, para o que se demoliu a porta de São Bento. Das cinco portas conserva a de Salvaterra, a NO., a das Caldas, a NE. e a do Rosal, a SO.; a de Salvaterra, inicialmente com ponte levadiça, abre-se na face lateral do baluarte de Salvaterra, tendo arco de volta perfeita sobre pilastras, enquadrado por duplas pilastras toscanas, suportando frontão semicircular, contendo brasão nacional no tímpano; virada ao terrapleno, a porta possui superiormente parapeito de circulação. A porta das Caldas é, na verdade, duas portas, bastante discretas, rasgadas nos topos da cortina entre o baluarte de São Filipe e o de São Bento, apresentando arcos de volta perfeita sobre os pés-direitos, com trânsitos de paredes em alvenaria de pedra e cobertos por abóbada de berço. A porta do Rosal, virada a Valença ("caminho velho"), abre-se na cortina entre o baluarte da Guia e o da Terra Nova ou São João, tendo arco de volta perfeita assente nos pés-direitos e sendo encimada por guarita. Possui trânsito rasgado por frestas de tiro, com molduras de capialço, pavimentado a lajes de cantaria com passeios laterais e coberto por abóbada de berço; no terço virado ao terrapleno apresenta portais em arco de volta perfeita sobre impostas salientes dos pilares avançados; lateralmente, abrem-se amplos arcos abatidos transformados em portais de verga recta, de acesso às casamatas. Na face interna, com paramento reforçado por quatro contrafortes, tem a poterna de arco em volta perfeita sobre impostas salientes, ladeado por dois portais de verga recta de acesso às casernas. Para lá dos últimos contrafortes, abrem-se, de cada lado, portal abatido, com trânsito, precedido por escadas, para acesso à linha defensiva inferior. Sensivelmente na gola do baluarte de Nossa Senhora da Guia, ergue-se o PAIOL do Rosal com célula de armazenamento de planta rectangular, fachadas em alvenaria de granito, com cunhais aparelhados e terminadas em cornija, interiormente abobadada e com cobertura em telhado de lajes de granito, em duas águas; a S. é rasgado por portal central, de verga recta assente nos pés direitos, formando moldura relevada e tendo grade de ferro. A célula é envolvida por anteparo de protecção, alto, rasgado a S. por portal central em arco de volta perfeita, sobre impostas molduradas salientes, com porta de madeira.

Acessos

EN. 101, Rua Engenheiro Duarte Pacheco, Avenida das Caldas, EN. 202. WGS84: 42º04'36.17''N., 8º28'50.90''O.

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, adossado, no extremo NO. de Portugal, na orla ribeirinha do rio Minho, fronteira a Espanha. A fortificação envolve o núcleo medieval e de expansão quinhentista da vila (v. PT011604170029), adaptada ao declive do terreno, possuindo em alguns troços construções adossadas. Virados aos terraplenos, os baluartes possuem reparos de torrão, cobertos por vegetação; ao longo do circuito N., transformado em miradouro virado a Espanha, existe caminho lajeado, por vezes com escadas para vencer o declive, sendo os baluartes da Boavista e o de São Luís ajardinados, e tende este último monumento comemorativo a José Rodrigues Vale "João Verde", poeta regionalista, no meio de placa arelvada. O paiol é enquadrado por praça pavimentada a calhau rolado, com lajes de cantaria, formando esquadria. No território da Galiza, do outro lado do rio, sensivelmente a O., ergue-se o Forte de Salvaterra.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca

Utilização Actual

Marco histórico-cultural: fortaleza

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIROS: Manuel Pinto Vilalobos (1713 / 1727), Miguel de Lescole (1656), Sebastião de Sousa e Vasconcelos (1686). MESTRE DE OBRAS: João Alves do Rego (1656).

Cronologia

Séc. 11 - Monção era inicialmente um reguengo cuja igreja D. Afonso Henriques testou ao bispo de Tui, desmembrando-a do couto de Mazedo; 1258 - nas Inquirições, é referida como vila; 1261 - era couto, constituindo o principal porto do rio Minho entre Lapela e Melgaço; 12 Março - concessão de foral por D. Afonso III, conferindo-lhe regalias semelhantes às de Valença e atribuindo-lhe novo topónimo - Monção; 1305 / 1308 - segundo Rui de Pina, D. Dinis promoveu a construção da cerca muralhada *1; 1308, 1 Janeiro - D. Dinis obteve, por troca com o bispo de Tui, D. João Fernandes de Sotomaior, o padroado da igreja Matriz, de modo a isentar toda a jurisdição galega da povoação; 1369 - durante as guerras Fernandinas com Castela, D. Henrique de Trastâmara cerca Monção, levantando o cerco graças ao estratagema lendário de Deu-la-Deu Martins Palhares, mulher do Governador Vasco Gomes de Abreu, ausente da vila *2; 4 Outubro - Pedro Sarmento intimou a rendição da praça portuguesa, estabelecendo sítio; 1398 - D. João I desobrigou o mosteiro de Vila Nova de Muía a irem em anúduva ao castelo de Monção; séc. 14 / 15 - construção da barbacã e uma passagem, em parte subterrânea e abrigada, até à água onde havia uma torre para defesa; séc. 15 - D. Afonso V manda construir a torre de menagem; séc. 15, finais - conclusão da torre de menagem, durante o reinado de D. João II; 1506, cerca - levantamento de Duarte de Armas, mostrando a mancha urbana encerrada pela cerca; a muralha primitiva ("muro") era interrompida por duas portas simétricas, abrindo para o terreiro a porta principal, ladeada pela torre de menagem, que se apresentava já "derribada de dentro", devido à queda de um raio; a barbacã ("barreira") com alguns troços já sem coroamento, integrava três portas, duas desenhadas em cotovelo e apetrechadas por troneiras cruzetadas e uma outra (a única que hoje se conserva) de ligação à couraça que dava acesso à torre que protegia o porto fluvial, onde embarcava assinalável quantidade de vinho para os mercados ingleses; extra-muros assinala-se apenas a Capela de Santa Maria do Outeiro e algumas hortas na vertente voltada para o rio *3; 1643, 12 Agosto - os portugueses sob o comando do Governador das Armas de Entre Douro e Minho tomaram e destruíram a praça de Salvaterra, construída na margem direita do rio Minho, em território espanhol, a qual foi depois restaurada pelo vianense Martim do Rego Barreto, retendo-a durante 16 anos; 1656 - início da construção da fortificação abaluartada sob risco do engenheiro militar Miguel de Lescole e sendo mestre de obras João Alves do Rego, que trabalhou também nas muralhas de Caminha; a fortificação, especialmente irregular na frente ribeirinha, onde integra um troço da cerca medieval, incluía quatro portas, a do Sol, do Rosal, de Salvaterra e São Bento, bem como o postigo das Caldas, para além das restantes poternas; nesta época a vila acusava algum crescimento urbano em redor do terreiro e da Capela do Outeiro, depois sob invocação de Nossa Senhora do Loreto; 1658, 7 Outubro - início do cerco da vila pelo Marquês de Viana, comandando tropas espanholas; o cerco durou quatro meses, período durante o qual o mestre de Campo Lourenço de Amorim Pereira, natural de Viana, com 600 infantes, resistiu ao exército invasor, composto de 12 000 homens, e que impedia o socorro da praça; 1659, 2 Fevereiro - rendição das tropas portugueses, tomando posse da vila os espanhóis; perdida a praça de Monção, a praça galega de Salvaterra capitulou também; 1668, 13 Fevereiro - assinatura de tratado de Paz em Madrid; 14 Maio - saída das tropas espanholas da praça de Monção, tomando posse da vila o corregedor Dr. António Pessoa de Carvalho, o qual procedeu à eleição dos Vereadores e oficiais da Câmara; 1684 - o recinto fortificado contava com uma tenalha de 2 flancos e 5 plataformas correspondentes a tantas outras cortinas, esperando-se o acrescento de 4 bastiões e um meio bastião; 1686 - o engenheiro Sebastião de Sousa e Vasconcelos é afastado dos trabalhos de fortificação devido ao erro cometido no traçado de uma das cortinas; 1703 - João Alves do Rego, mestre empreiteiro das obras de fortificação de Monção e Caminha, pede para se lhe dar uma praça de soldado pago para o incitar a que continuasse os princípios que já tinha de Aritmética e Geometria e juntamente das fortificações que ia adquirindo no trabalho de assistência que fazia com Miguel de Lescole, Mestre de Campo, no traçar delas e no tomar de algumas plantas e pelos rascunhos de fortificações que lhe entregava para os seguir; 1713 - levantamento efectuado por Manuel Pinto Vilalobos, discípulo de Lescole: a fortificação do corpo da praça estava quase concluída, encontrando-se ainda em obras o baluarte de São Bento; a legenda da planta assinala que o revelim da porta dos Milagres (do Sol), talvez projectado por este engenheiro, se achava apenas principiado; os fossos, já abertos, não possuíam contraescarpa, nem estrada coberta; refere ainda a demolição da muralha do "circuito da vila antiga"; encontram-se representadas a Igreja Matriz, a Misericórdia Nova, o Convento das Freiras e a Capela do Loreto e respectivo cruzeiro; estava também projectado um "reentrincheiramento" sobre o vale da Fonte "por onde ha cazas"; com a transferência das freiras para Barcelos, por ordem do Arcebispo de Braga D. Rodrigo de Moura Teles, a fim de permitir a continuidade dos trabalhos de fortificação, desmembra-se o edifício conventual e inicia-se o aproveitamento dos materiais do mesmo; 1727 - Manuel Pinto de Vilalobos dirigiu as medições do quartel de cavalaria de Monção; 1758 - desenho do Sargento-mor Gonçalo Luís da Silva Brandão, integrado na "Topographia da Fronteyra...", tratando-se provavelmente de uma cópia mais cuidada e colorida do levantamento anterior; regista que os fossos ainda não estavam terminados, assim como o revelim da porta do Sol, assinalando, para além dos equipamentos militares já citados, o Hospital Real, instalado junto aos quartéis de cavalaria; representa o pelourinho na Praça e a Ermida de Nossa Senhora da Guia, sobre a plataforma abaluartada; 2 Junho - segundo o relato do pároco Francisco Xavier de Macedo nas Memórias Paroquiais, a vila era fortificada com muros em grande extensão que modernamente, depois da guerra de Aclamação de D. João IV, lhe mandaram fazer, desfazendo-se os que D. Dinis mandara construir; tinha 11 baluartes altos em roda, 7 jogando artilharia para a Galiza, e desta mesma parte tinha duas praças baixas, uma do lado E. e outra a O., cobrindo a entrada das portas das Caldas, e mais abaixo para O., o baluarte da Senhora da Vista, que cobria a passagem onde andava a barca de ligação para a Galiza; mas este baluarte fica mais baixo às muralhas da praça e tem portas para a sua comunicação; o baluarte de São Bento está sem barbacã, nem canhoeiras; os baluartes do lado S. da praça jogam artilharia para a terra e são bastante grandes, tendo muralhas duplas, jogando artilharia alta e baixa, o que não acontece na parte do N., que são muralhas singelas, excepto na cortina entre o dito baluarte de São Bento e o da Senhora da Misericórdia, onde é dobrada; tem ainda duas praças baixas a S., cobrindo as portas do Sol; as muralhas são aprazíveis para o passeio por terem as esplanadas interiores compostas de uma grande alameda de árvores de castanheiros e carvalhos; tem 5 portas: as do Sol, São Bento, Caldas, Salvaterra e Rozal; 1762 / 1769 - tentativa de actualização do sistema defensivo impulsionada pelo Conde de Lippe; 1777 - saída do Regimento de Infantaria para Viana; 1792 - proibição real da existência de edifícios ou cultura dentro dos fossos ou sobre qualquer obra de fortificação das praças e fortalezas da província do Minho; 1797 - levantamento feito pelo Sargento-mor Maximiano José da Serra; reparação das muralhas; recebe de Valença guarnição e artilharia; tinha então 13 canhões; 1802 - a porta de São Bento encontrava-se entaipada; 1833 - possuía 9 bocas de fogo, as quais foram levadas para o cerco do Porto; 1840 - crescente ruína das muralhas; desmoronamento de um lanço da cortina da porta do Rosal; 1882 - demolição da porta de Melgaço, para passagem da EN 203; 1882 - entaipamento da porta das Caldas e demolição do troço de cortina anexa; 1898, 27 Outubro - autorização para demolição das antigas portas de São Bento, a E. da praça, para construção do edifício das Caldas; 1900 - demolição das portas do Sol; 1902 - a Câmara manda arrasar abóbada da porta do Sol; 1915 - ruptura do perímetro muralhado para construção de linha-férrea e respectiva estação ferroviária e a estrada para as Caldas; 2001, Janeiro - derrocada de um troço de muralha; 1976 - construção do monumento comemorativo ao poeta regionalista José Rodrigues Vale "João Verde" (2-11-1866 / 7-2-1934), pela Câmara, no jardim do baluarte de São Filipe; 2004 - aprovação da candidatura do "Plano Director das Fortalezas Transfronteiriças do Vale do Minho", no âmbito do Programa Interreg III; este pretende fazer a inventariação do património edificado, avaliar o seu estado de conservação, determinar as suas patologias e posteriormente determinar estratégias específicas de actuação, tendentes à valorização, divulgação e fruição dos espaços fortificados, bem como a criação de percursos culturais e turísticos entre as povoações das duas margens do rio Minho.

Características Particulares

Juntamente com a fortaleza de Viana, Caminha e Valença, constitui uma das quatro grandes fortalezas em que assentava a antiga defesa do Noroeste português, estruturada em vilas muralhadas na época medieval, e mais tarde transformadas em praças de configuração abaluartada, a qual era complementada com pequenos fortes. A cerca muralhada medieval nunca possuiu castelo, tendo-se conservada dois panos de muralha da barbacã integrados no perímetro N. da praça, voltados ao rio, e onde ainda subsiste, quase cinco metros abaixo do nível da rua, a porta (entaipada) de acesso ao porto fluvial, com arco quebrado de aduelas largas sobre os pés-direitos. Em princípio, a fortificação moderna foi delineada por Miguel de Lescole e levado a efeito sob a direcção de Manuel Pinto Vilalobos. O traçado da cintura fortificada é muito irregular, sendo composta por baluartes de configuração diversa, sendo os do lado S., virados a terra, de maior dimensão, mais possantes e com as faces dos baluartes e cortinas intermédias com falsas-bragas, contrastando com os dispostos a N., que apenas excepcionalmente, têm esses dois níveis de defesa. A consistência da praça de guerra ficou comprometida na raiz, uma vez que os trabalhos de fortificação não foram concluídos, ficando por terminar os fossos e a esplanada. De referir ainda o contraste entre as estruturas da Porta de Salvaterra, aparelhada e armoriada, de composição monumental, e as portas das Caldas e a do Rosal, de estrutura simples, semelhantes a uma poterna, sendo esta última acasamatada, mas desprovida de qualquer tipo de ornamentação e encimada por guarita.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria ou cantaria de granito; portas de madeira; cobertura do paiol em lajes de cantaria.

Bibliografia

LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1875; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, vol. 1, Lisboa, 1889; GUERRA, Luís de Figueiredo, Castelos do Distrito de Viana do Castelo, sep. de O Instituto, vol. 73, nº 5, Coimbra, 1926; GOMES, José Garção, Monção e seu Alfoz na Heráldica Nacional, Barcelos, 1969; PERES, Damião, A Gloriosa História dos Mais Belos Castelos de Portugal, s.l., 1969; CASTRO, Francisco Cyrne de, Na Guerra da Restauração, as Fronteiras do Minho em Cortes, Caminiana, Caminha, 1981, vol. 4, 49 - 73; GARCÃO, José Gomes, Para a pequena História de Monção. Das actividades municipais e da governança durante a ocupação espanhola, Sep. Arquivo do Alto Minho, Viana do Castelo, 1984, 3ª série, 27, 12-60; ALVES, Lourenço, Do Gótico ao Manuelino no Alto Minho (Monumentos Civis e Militares) in Caminiana, Ano VII, vol. 12, Caminha, 1985, p. 37 - 150; MOREIRA, Rafael, Do Rigor Histórico à Urgência prática: a arquitectura militar in História da Arte em Portugal, vol. 8, Lisboa, 1986, p. 67 - 85; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; ROCHA, J. Marques, Monção. Uma monografia, Monção, 1988; MOREIRA, Rafael, dir., História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Lisboa, 1989; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, [1509 - 1521], Lisboa, 1990; SOROMENHO, Miguel, Manuel Pinto de Vilalobos da Engenharia Militar à Arquitectura, Dissertação de Mestrado em História da Arte Moderna, vol. 1, U.N.L., 1991; ANDRADE, Amélia Aguiar, Vilas, Poder Régio e Fronteira: o Exemplo do Entre Lima e Minho Medieval, Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa, 1994; ANTUNES, João Manuel Viana, Obras Militares do Alto Minho: a Costa Atlântica e a Raia ao Serviço das Guerras da Restauração, Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras do Porto, 1996; CORREIA, Delmira Alberto, Fortificação abaluartada no litoral Norte de Portugal, dissertação de Mestrado, U.T.L. - Faculdade de Arquitectura, 1997; CAPELA, José Viriato, Monção nas Memórias Paroquiais de 1758, s.l., 2003; CUNHA, Secundino, Monção recupera muralha, Correio da Manhã, 19 Março 2004, p. 44; Plano Director para o Vale do Minho foi posto em marcha. Fortificações sob olho, Correio do Minho, 25 Agosto 2004.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; www.exercito.pt/bibliopac/

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1955 - diversos trabalhos nas muralhas; 1958 / 1959 - consolidação do baluarte de São Filipe de Nery; 1961 - apeamento e reconstrução de um troço da muralha na esplanada General Carmona; 1962 - conclusão dos trabalhos de reconstrução do troço de muralha na esplanada General Carmona; recalcetamento em vários pontos da muralha e construção de muros de contenção de terras; limpeza dos fossos, escavação e remoção de entulhos, restauro da muralha junto à porta de Salvaterra; restauro e conservação da muralha entre os baluartes de Salvaterra e de São José; restauro e conservação no paiol e na passagem abobadada do Rosal; 1965 - arranjo da muralha voltada ao rio; demolição de casa expropriada e várias obras de conservação no baluarte de Nossa Senhora da Conceição; reconstrução de parte da muralha entre os baluartes de Nossa Senhora da Conceição e do Souto; limpeza e tratamento da muralha no baluarte do Souto; 1966 - reconstrução de um pano de muralha desmoronado no baluarte de Nossa Senhora da Guia; elevação de um troço de muralha desmoronada entre os baluartes de Nossa Senhora Guia e o de Terra Nova e tratamento dos paramentos do baluarte da Cova do Cão; reconstrução da parte do último troço destruído na muralha S. do baluarte de Nossa Senhora da Guia; 1967 - reconstrução de parte de um troço desmoronado na muralha poente do baluarte de Nossa Senhora da Guia; trabalhos de abertura e execução da sapata da fundação e de elevação da parede do amuralhado ruído no baluarte de Nossa Senhora da Guia, e regularização do seu talude envolvente; 1968 - recuperação e valorização da muralha no baluarte de Nossa Senhora da Guia e do Souto; recuperação e beneficiação do baluarte de São Filipe de Nery e recuperação da muralha; 1969 - recuperação e valorização das muralhas nos baluartes; continuação da recuperação do conjunto fortificado; consolidação dos contrafortes exteriores da porta do Rosal; troço da muralha reconstruída junto da porta do Rosal; 1973 - limpeza do fosso da muralha fronteira aos baluartes do Souto, da Nossa Senhora Conceição e de São Filipe; 1975 - demolição do prédio expropriado para desafogo externo da porta do Rosal; demolição do quartel de cavalaria junto ao Baluarte do Souto (prédio militar nº 90-B ); 1977 - limpeza de vegetação na muralha do baluarte da Senhora da Conceição; 1978 - trabalhos de conservação; 1979 - limpeza e arranque de vegetação, tratamento de juntas e limpeza dos fossos; trabalhos de beneficiação; 1980 - trabalhos de consolidação e beneficiação; 1982 - beneficiação de vários troços da muralha; 1983 - beneficiação diversa; 1984 - beneficiação diversa; 1985 - vários trabalhos de beneficiação; 1986 - beneficiação das muralhas; 1988 - reconstrução de cortinas; 1998 - consolidação e beneficiação de paramentos no troço intersectado pela Avª das Caldas; 1990 - reconstrução de cortina e passeio; continuação da reconstrução do baluarte de Nossa Senhora da Guia; 2000 - consolidação e beneficiação de paramentos no troço intersectado pela Av. das Caldas; DGSU / CMM: 1996 - limpeza de vegetação das cortinas e baluartes; 2000 - limpeza do recinto muralhado; DGEMN: 2000 / 2001 - conservação e reparação dos paramentos das cortinas; CMM: 2004 - restauro, limpeza, iluminação e revitalização da muralha; salvaguarda e revitalização do centro histórico de Monção, a partir da cortina do baluarte de São Bento até à cortina da porta das Caldas, baluarte de São Filipe e falsas bragas dos Capuchos e de São Filipe e acesso à porta das Caldas e Poço da Couraça, fechando o Vale da Fonte; arranjo da Av. das Caldas, no seguimento da reconstrução do pano interior da muralha com a porta de acesso ao rio e o túnel de acesso ao revelim dos Néris; definição de área de estacionamento público; 2005 - continuação das obras de arranjo paisagístico da fortificação, especialmente no baluarte de São Filipe, e escarpa do baluarte de São Bento.

Observações

*1 - Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida, no reinado de D. Sancho I (séc. 11 / 12) já devia haver uma fortificação elementar. *2 - Segundo a tradição, em 1368, estando o castelo cercado pelas tropas de Henrique II, de Castela, a esposa do alcaide, Deu-la-deu Martins, fez cozer pão e enviou ou lançou alguns pães aos sitiadores para lhe provar que a vila ainda tinha abundância de mantimentos, encorajando-os assim a levantar o cerco. *3 - Segundo os desenhos de Duarte de Armas, o castelo de Monção tinha planta circular e duas portas ligadas pela R. Direita, a principal, ladeada pela torre de menagem, dando para o terreiro (hoje Pç. Deu-la-deu Martins), e a outra no lado oposto. A barbacã, com cubelo circular, tinha três portas, uma sobre o cotovelo da cortina, dando acesso para S. - a Porta do Postigo, a outra servia o largo, frente à Misericórdia e a terceira permitia o acesso ao rio e porto fluvial. Já não existem vestígios da torre do Poço, mas o seu local de implantação continua a ser sensivelmente conhecido. Persistem vestígios essencialmente na organização urbana do núcleo mais antigo da vila, conservando um reduto circular onde, para além do habitual alinhamento de casas instaladas sobre e na sequência das bragas, apresenta seis arruamentos paralelos, encurvados, regulados pela R. Direita e cruzados por uma travessa que passava fronteira à Igreja Matriz. A S. as "escadas do Postigo" revelam a localização do antigo Postigo. Os dois troços integrados na fortaleza pertenciam à barbacã, destacando-se o que possuía porta de acesso ao rio.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / 2008

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login