Anta da Cunha Baixa / Casa da Orca

IPA.00002378
Portugal, Viseu, Mangualde, Cunha Baixa
 
Arquitectura funerária, Neolítica. Câmara de grandes dimensões e corredor muito comprido bem diferenciado. Área de irradiação deste tipo de dólmen: concelho de Viseu e limítrofes.
Número IPA Antigo: PT021806050001
 
Registo visualizado 465 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Câmara rectangular de 3m de largura e 3,20m de altura, formada por 9 esteios, alguns fracturados ou incompletos. Os da entrada são paralelos à pedra-mestra e bastante inclinados para o interior. É coberta por amplo e espesso chapéu rectangular, de vértices arredondados, com 4,5m de diâmetro. Corredor muito longo bem diferenciado, de 7,20m, e altura de 1,40m, com entrada orientada a SE.. Compõe-se de 8 esteios de cada lado, alguns consolidados com gatos de ferro, a formar dois renques que alargam na zona média e convergem ligeiramente em direcção à entrada voltando a alargar. Os esteios são maioritariamente rectangulares, havendo também alguns trapezoidais e triangulares na câmara. A meio do corredor surge outro chapéu, um pouco menor que o primeiro, de forma trapezoidal. Não há vestígios da mamoa. O pavimento é regular, composto por pequenas lajes graníticas. O comprimento total é de 10,40m. Nalguns esteios há gravuras, ou vestígios, de fossetes e traços.

Acessos

EM Cunha Baixa-Espinho, ao Km 0,8, com carreiro a N. da ponte; 300 m a pé, entre 2 propriedades, no lugar da Orca ou Casa da Moura

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, em planície fértil, próximo de ribeiro. Em harmonia com o meio, isolada, circundada por vinha a S. e E. e pinhal a N.- NO., dos quais está separada por cerca de madeira e arame.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Funerária: anta

Utilização Actual

Marco histórico-cultural: anta

Propriedade

Afectação

Época Construção

Neolítico Médio

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

3000 - 2500 a.C. - Balizas cronológicas da construção, com base no espólio encontrado; 1892 - Leite de Vasconcelos procede à primeira exploração da Anta, com autorização do Dr. Pais da Cunha, o então proprietário. Encontrou-a bastante danificada, por estar em terra de semeadura, e o interior cheio de terra, silvas e pedras de vários tamanhos, algumas da própria Anta. Procedeu à limpeza e escavação até c. 1,17m, aí descobrindo os primeiros objectos arqueológicos, e aprofundou até à base, constituída por terreno duro e saibrento *1; 1934 - O casal Leisner realiza uma planta e um corte em secção da Anta; 1955 - I. Moita encontrou a anta envolvida por matagal e o corredor obstruído com pedras.

Características Particulares

Um dos dólmens de maiores dimensões e mais completos da época neolítica em Portugal, e dos mais bem conservados. A técnica de construção aqui utilizada é idêntica à que se verifica nos monumentos do Alentejo e doutras regiões: os esteios verticais são reforçados com a colocação de calços em cunha na base, escoram-se uns aos outros e descarregam o peso sobre a pedra-mestra.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito

Bibliografia

VASCONCELOS, Leite de, Religiões da Lusitânia, vol. I, Lisboa, 1897, pp. 271-272; Idem, Arqueologia Pré-Histórica da Beira in O Arqueólogo Português, vol. IX, Lisboa, 1904, pp. 303-308; SILVA, Valentim da, Concelho de Mangualde (Antigo Concelho de Azurara da Beira), Viseu, 1945; MOITA, Irisalva, Características Predominantes do Grupo Dolménico da Beira Alta, Lisboa, 1966; CAMPOS, José A. Correia de, Dólmens: Habitações ou Necrópoles?, in Beira Alta, vol. XLI, Viseu, 1982, pp. 167-188; VILAÇA, Raquel, CRUZ, Domingos, A Casa da Orca da Cunha Baixa, Mangualde, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1987 - Limpeza e restauro orientado por Raquel Vilaça e Domingos Cruz, a pedido da A.C.A.B. e do Serviço Regional de Arqueologia da Zona Centro, com autorização do IPPC, acompanhado de trabalhos arqueológicos; 1994 - Limpeza do monumento e área circundante.

Observações

*1 - Nas escavações de Leite de Vasconcelos no interior da anta descobriram-se machados e enxós trapezoidais de pedra polida; lâminas de sílex talhadas rudemente; micrólitos trapezoidais, triangulares e semi-lunares; fragmentos de cerâmica negra e vermelha, alguns com ornatos; bago de terra amarela para pintura corporal; bagos de carvão vegetal; pedaços de substância calcinada em forja ou forno de oleiro; esquírda de osso humano. À entrada, tombada, estava uma pedra estreita de 1,20m x 0,20m, com 15 sulcos num dos bordos, nas duas faces (significado mágico, número de enterramentos ou troféu?). Nos terrenos circundantes achou-se parte de um machado de sílex; metade de um artefacto de pedra polida (alvião); seis lâminas pequenas, algumas denticuladas; pontas de flechas de sílex. Este espólio encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa.

Autor e Data

Lina Marques 1995

Actualização

 
 
 
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