Bateria do Outão e Forte Velho do Outão

IPA.00025039
Portugal, Setúbal, Setúbal, União das freguesias de Setúbal (São Julião, Nossa Senhora da Anunciada e Santa Maria da Graça)
 
Arquitectura militar, barroca, revivalista, modernista. Fortificação revivalista, irregular, composta, com muralha ameada, de características medievais, com muros altos, verticais, com ameias paralelepipédicas de abertos largos, com terraços com escalonamento de planos, com balcão corrido com espaços vazados (mata-cães?); o atalaião é uma fortificação da época da Restauração, abaluartada em redentes. As características classicistas avultam no portão rusticado, no interior, onde a articulação dos alçados com arcadas classicizantes de modinatura em ressalto organizam um espaço repartido, em galeria, com cobertura em abóbada de berço, repartida por frisos paralelos. A bateria é uma construção militar segundo conceitos modernistas, onde se destaca o uso do ferro fundido em peças várias, ou do ferro em combinação com o betão armado.
Número IPA Antigo: PT031512010147
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

A 7ª Bateria do Outão orientada a SE. é constituída por um conjunto de órgãos, a bateria propriamente dita, o Forte Velho a E., e o aquartelamento. Dispersos no conjunto destacam-se a casa da guarda, a residência de oficiais, a caserna, a oficina coberta para viaturas, um gerador e o depósito de água, e as edificações de apoio directo à bateria que incluem preditor e telémetro; existem ainda 2 projectores fora do perímetro da bateria, com as respectivas centrais geradoras. O Forte Velho / Atalaião surge na forma de forte construído sobre plataforma de baluarte, está articulado em volumes escalonados, tem as respectivas coberturas em terraço com escalonamento de planos; o seu conjunto apresenta um circuito de muros altos, verticais que rematam em balcão corrido, vazado (onde poderiam ter existido mata-cães), apoiado em cachorrada; é ameado com abertas largas, com esplanadas em níveis diferenciados, com algum declive para escoamento das águas pluviais, comunicando-se por escadarias de pedra; a plataforma abaluartada é de planta poligonal, irregular, com tenalha traçada em redentes, à volta dos flancos virados à Barra; o portão aberto na fachada orientada a N. é o acesso que serve a torre e o quartel; é em arco de volta inteira, rusticado, sobre o qual se destaca um brasão em pedra com as armas referentes ao aquartelamento assente no muro, as mesmas que avultam na fachada da casa da guarda. INTERIOR: os pisos interligam-se por escadaria de lanços; no piso térreo destaca-se a galeria cujos alçados apresenta uma arcada de volta inteira assente em pilastras de ordem toscana, que são o suporte das coberturas em abóbadas de berço; destacam-se frestas de capialço abertas no espesso muro. O Aquartelamento da bateria com anexo (Posto de Comando) foi construído em espaço do Forte; os dois edifícios erguem-se sobre uma esplanada; são de cobertura em terraço, têm 2 pisos. INTERIOR: os pisos interligam-se por lanços de escada, compõem-se de espaços diversificados, com dependências destinadas além de posto de comando, a camaratas e instalações sanitárias para oficiais, sargentos e praças, escritórios, cozinhas, refeitório para praças, messe para oficiais e sargentos, arrecadações de géneros e materiais. Existem ainda as pequenas edificações do Posto de Observação dos projectores nocturnos, a Central de Comando dos projectores, 2 abrigos de reforço e um posto de metralhadoras antiaéreas. A bateria está orientada a O., é composta de 3 peças de Artilharia de Costa de 28 cm, de 15, - 47 modelo - 44 e respectivas palamentas, sobre plataformas alteadas, sob as quais se abrem os respectivos paióis para armazenamento de cartuchos e granadas com as dependência para elevadores (magslips) para remunicionamento, 2 projectores, uma central de tiro, o material que guarnece os postos de observação de defesa próxima e contra-bombardeamento, e uma central para fornecimento de energia e material de transmissões; na retaguarda de cada peça, existe a respectiva edificação de apoio e, ao nível do pavimento, o vão rectangular das escadas para o acesso aos respectivos subterrâneos e paióis; junto à bateria existe uma pequena edificação de acesso ao refúgio subterrâneo. O funcionamento dos diversos órgãos é assegurado pela Central da Bateria, equipada com um grupo alternador Dornam, estando equipada ainda para receber energia da rede pública de Setúbal. Caserna: (construída a partir de um barracão, que servira de alojamento a trabalhadores durante as obras de construção da bateria) pequena edificação alongada, de um piso, dotada de instalações sanitárias, rebocada e caiada. A Casa da Guarda ergue-se à entrada entre os dois portões de ferro, que dão acesso a todo o conjunto, é de planta quadrangular irregular, com barriga saliente na fachada principal, onde se rasga uma janela larga, de iluminação; é de um só piso. INTERIOR: tem espaço diversificado em sala do posto de sentinela, a sala de escrituração, o sanitário e o paiol para munições de armas ligeiras, cujas paredes e tectos são planos e lisos. O acesso às diversas edificações é feito por ramal a partir da EN n.º 379-1, que se bifurca à entrada, junto à Casa da Guarda, é pavimentada em macadame com revestimento asfáltico. O abastecimento geral da água é feito a partir de um poço existente no sítio da Rasca por meio de um grupo electro-bomba situado num edifício anexo; este grupo leva a água para um depósito existente na bateria a partir do qual se faz o abastecimento desta.

Acessos

Chão (Chã) do Zambujal, Serra da Arrábida, EN n.º 379 - 1, Setúbal - Azeitão, Portinho da Arrábida; EN 10-1 Praia de Albarquel

Protecção

Incluído no Parque Natural da Arrábida

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Rural, constituídos por edificações isoladas com um aquartelamento dentro do forte, a bateria e o forte estão construídos a meio da encosta de um monte da Serra da Arrábida, dominando sobre a Torre / Forte de Santiago do Outão (v. PT031512010016), frente à Barra do rio Sado, tendo a toda a volta uma cerca de arame segura a pilares de betão. O Posto de Observação de contra bombardeamento fica na encosta S., junto à EN n.º 379-1 ao km 15,8; os dois projectores de combate da bateria com as respectivas centrais anexas localizam-se no sopé da serra entre a Estrada da Arrábida e o mar, a S. da EN 10-4; a casa da guarda fica na junção da EN n.º 379-1 com a estrada de acesso à bateria.

Descrição Complementar

Escudo francês com as armas do 7º Batalhão de Artilharia em estuque, com virol com elmo cerrado com paquife coroado com bomba, sobre o arco do portão de entrada; painel de azulejos na fachada da casa da guarda, com escudo com as mesmas armas, sobre filactera ondulada com o letreiro, MOSTRANDO A RVDA FORÇA QUE SE ESTIMA

Utilização Inicial

Militar: forte, atalaia, quartel (artilharia de costa), bateria

Utilização Actual

Militar: acções de formação física / Devoluto: bateria

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Centro de Informações e Segurança Militar (CISM)

Época Construção

Séc. 16 (conjectural), 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Mestre de Campo Gaspar Pinheiro Lobo (autor do desenho do Atalaião)

Cronologia

Séc 16 - provável existência de uma torre de vigia; séc. 17 - João de Saldanha de Oliveira começa a sua vida militar durante a Dinastia Filipina, recebe o comando de uma Companhia de Cavalos de Filipe III, mas combate junto aos conspiradores de 1640, é nomeado Tenente General da Cavalaria da Província da Beira (1641), é depois nomeado seu Governador de Armas, milita na fronteira do Alentejo (de 1642 a 1643), ocupa o cargo de Governador Interino de Elvas (1644), terá dado início à construção de pedra e cal de vários Baluartes defensivos da costa portuguesa, entre elas do Forte do Outão e, ao terminar a porta principal desta fortaleza, teria dado início a uma plataforma, a Atalaia do Alto da Serra, ao pé do castelo de São Filipe para colocação de artilharia (Calixto, 1987); 1649 - data provável do início da construção do Atalaião que estaria já concluída em 1655, probabilidade concluída a partir de uma carta de 1655, de D. João IV enviada a João Nunes da Cunha, Governador da Praça de Setúbal, onde fala de ter - se ordenado a Manuel da Silva de Mascarenhas, Governador da Torre do Outão, que encarregasse o Capitão Agostinho Cardoso o cuidado da Atalaia que de novo se fizera na eminência da dita Torre, dando-lhe 6 soldados que assistissem na Atalaia, nomeando-o seu cabo ou governador (Calixto, 1987); séc. 17 - Informação sobre o Atalaião ter sido mandado fazer por D. Teodósio, na Serra da Arrábida por cima da Torre do Outão (Códice da Casa do Cadaval); O Forte Velho fazia parte do sistema defensivo de Setúbal (Matos, 1941); 1910, 17 de Fevereiro - Com vista à construção da bateria do Outão, dá-se a saber que terrenos da Torre do Outão até à Torre do Farol Velho são pertença do Ministério da Guerra, embora conste que pertencem ao Sanatório do Outão, desconhecendo-se a pertença dos terrenos da Chã do Zambujal, necessário para a construção desta Bateria, constituídos por 259 metros a N., 152 metros a O., 200 metros a S. de terras que confrontam com a Quinta da Rasca e por E. com terreno do Ministério da Guerra; 28 de Junho - escritura de compra de terrenos pertença da Companhia de Cimentos de Portugal, constituído por uma parcela da Quinta da Rasca, descrita na Conservatória de Setúbal, sob o nº 480; 9 de Abril - aprovada a construção da Bateria do Outão (constando da nota 705 da 2ª Repartição da 4ª Direcção da Secretaria da Guerra); 2 de Maio - começo dos trabalhos de construção; 17 de Maio - nota sobre a aprovação da construção de uma bateria no sítio denominado Chã do Zambujal, perto da Torre do Outão, ocupando parte dos terrenos dependentes da mesma Torre, bateria cuja construção é incumbida à Inspecção das Fortificações de Lisboa; 1952, 19 de Fevereiro - efectuado o Auto de Entrega da Bateria do Outão, sita no Chão ou Chã do Zambujal, ao Grupo Independente da Artilharia de Costa; 1953, 27 de Fevereiro - por despacho do Ministério da Fazenda é autorizada a permuta de terrenos entre o Estado e a Companhia Geral da Cal e Cimento (SECIL), terrenos entre o Sanatório e a Bateria do Outão, para serem anexados a esta; 1956 - segundo o tombo feito na época, o valor das obras de construção civil na bateria foi de 9.183.500$00; no Forte Velho foi de 661.500$00; abastecimento de água no valor de 378.000$00; 1992 - desactivação da bateria; 1997, 7 de Maio - existência no Outão de 2 grupos de geradores e os projectores; 15 de Dezembro - directiva estabelecendo a manutenção desta bateria, com um reduzido núcleo de pessoal, para guarnecer 2 peças com um sargento e 3 praças; 1998 - desactivação do Regimento de Artilharia de Costa, passando a bateria a estar disponível, encontrando-se em bom estado de conservação; 1999, 22 de Junho - entrega da bateria já desactivada ao Batalhão de Informações e Segurança Militar (BISM*1), por Auto de Mudança de Utente do Governo Militar de Lisboa, Quartel-General, (em cumprimento da directiva 14/98 de 30 de Dezembro de 1998 do General Governador Militar de Lisboa); 30 de Junho - extinção formal do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) com desmantelamento ou inactivação dos sistemas de armas das baterias; 2001/2002 - cedência a título precário das instalações da bateria à Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal para acções de formação conjunta das corporações do distrito; 2002, Novembro - notifica-se a disponibilização do prédio para alienação; 2004, 29 de Junho - o BISM retira a guarda à ex-bateria do Outão e procede ao cancelamento do contrato de electricidade com a EDP; 14 de Outubro - o BISM é autorizado a recolher o material das infra-estruturas de tiro (predito e painel, etc., sob a coordenação da Comissão Instaladora do Futuro Museu de Artilharia de Costa (a estabelecer-se, provavelmente, na Bateria da Parede) e a elaborar autos de abate para o restante material eléctrico (gerador, regulador, alternador, etc.); 2005, 7 de Abril - protocolo com a duração de um ano, passivo de prorrogação por sucessivos períodos de igual duração, entre o Exército Português e a Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal, confirmando a utilização a título precário, das instalações da bateria para continuidade das acções de formação*2; Junho - estudo do material existente com interesse para o futuro Museu de Artilharia de Costa.

Características Particulares

É um pólo militar construído com posição estratégica e aproveitamento da topografia, apresentando uma associação de estruturas defensivas de períodos diferentes, testemunhos do desenvolvimento das armas de defesa e de ataque das várias épocas que nele estão patentes. O atalaião em forma de forte abaluartado é um exemplar raro no país, como edificação propícia à resistência e à observação, apresentando um estado regular de conservação, construído para organização da defesa da barra de Setúbal, na falta de outras fortalezas que então aí satisfizessem esse fim. O baluarte compõe-se de construções à superfície e construções subterrâneas, galerias e paióis.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes; estrutura autoportante

Materiais

Bateria: Betão armado; (casa da guarda e centrais eléctricas) alvenaria hidráulica; aquartelamento: (paredes) alvenaria, cobertura e pavimentos em betão armado; ferro; Caserna: (paredes) alvenaria de tijolo, (cobertura) fibrocimento; forte: alvenaria insossa, com opus incertum, cunhais em alvenaria em alheta, aparelho isódomo; mármore; cerâmica: tijoleira.

Bibliografia

Carta Topográfica Militar do Território da Península de Setúbal - Construído por Ordem do Marquez de Campo Maior..., 1813; PM 38 - Setúbal, 7ª Bateria do Outão, Caixa 1, Arquivo da Secção do Património da Repartição de Planeamento e Gestão do Património da Direcção de Defesa - Estrutura / Comando do Logístico do Exército Português; MATOS, Gastão de Mello de, Nicolau de Langres e sua obra em Portugal, Lisboa, 1941; CALLIXTO, Carlos Pereira, O atalião da serra da Arrábia, in O Dia Ilustrado, Lisboa, 1987.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID; CISM; Repartição de Planeamento e Gestão do Património da Direcção de Defesa - Estrutura / Comando do Logístico do Exército Português: Arquivo da Secção do Património

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID; CISM; Repartição de Planeamento e Gestão do Património da Direcção de Defesa - Estrutura / Comando do Logístico do Exército Português: Arquivo da Secção do Património

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID; CISM; Repartição de Planeamento e Gestão do Património da Direcção de Defesa - Estrutura / Comando do Logístico do Exército Português, Arquivo da Secção do Património: PM 38 - Setúbal, 7ª Bateria do Outão, Caixa 1; ANTT: Livro 507, fs. 16, v., do Cartório Notarial de Lisboa; ANTT, Planta n.º 9 do Códice da Casa do Cadaval, planta de João Roiz Mouro; IDEM, Documentação do Ministério, Maço 102, nº 24

Intervenção Realizada

MDN: anos 40-50 - reconstrução de edifícios da bateria e recuperação de outros mais antigos (provavelmente contemporâneos da construção do Forte de São Filipe); R.A.C.: 1953 - obras para abastecimento de água à bateria; 1954 - construção de um aquartelamento do Destacamento de Reforço da Bateria; 1955 - instalação eléctrica para iluminação do aquartelamento; construção de instalações sanitárias no barracão já beneficiado para servir de caserna do pessoal recruta da bateria; 1982/83 - remodelação da caserna e suas instalações sanitárias.

Observações

Também conhecido por Forte do Zambujal / Torre do Farol Velho / Forte do Facho / Atalaião da Serra da Arrábida. *1 Desde Julho de 2006 passou a Centro de Informações e Segurança Militar (CISM); *2 Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal com sede em Setúbal, tel. 265534000.

Autor e Data

Albertina Belo 2006

Actualização

 
 
 
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