Catedral de Coimbra / Sé Velha de Coimbra / Igreja Paroquial da Sé Velha / Igreja de Nossa Senhora da Assunção

IPA.00002673
Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
 
Arquitetura religiosa, românica, gótica, renascentista e maneirista. Catedral de edificação românica afonsina e gótica, com sucessivas alterações ao longo do tempo, tendo sido alvo de restauros revivalistas, oito e novecentistas, que lhe deram uma fácies medieval. Conjunto composto por igreja de planta em cruz latina composta por três naves escalonadas, as laterais encimadas por trifório, cada uma delas com cinco tramos divididos por pilares cruciformes, tendo transepto pouco saliente e cabeceira tripartida, com remates semicirculares. Tem claustro quadrangular e de um único piso adossado ao lado esquerdo. A igreja possui coberturas interiores diferenciadas, em falsas abóbadas de berço na nave central e transepto e de aresta nas laterais, sendo em estrela sobre o cruzeiro do transepto, marcado por torre lanterna. Fachadas em cantaria de calcário amarelo, rematadas por ameias ornamentais, percorrida por contrafortes simples e pouco rasgada por fenestrações, resultando num templo escuro interiormente. Fachada principal simétrica composta por corpo central saliente, onde se integra portal escavado, encimado por janelão semelhante, formados por arquivoltas de volta perfeita, assentes em colunelos decorados. A fachada lateral esquerda possui porta travessa e porta do transepto renascentistas. Interior marcado por vários arcosólios com tumulária medieval, sendo alguns vãos mais amplos, contendo altares ou pintura. Absidíolos com retábulos renascentistas, o da Epístola mais desenvolvido e com cobertura em cúpula, albergando a Capela do Santíssimo. Capela-mor pouco profunda com retábulo de talha dourada gótico. Claustro gótico com arcada de perfil apontado, contendo vãos separados por mainel e espelho vazado por óculos, tendo as alas cobertas por abóbadas de aresta e capelas com abóbadas de nervuras. Sacristia maneirista com cobertura em abóbada de caixotões e lavabo em pedraria, com espaldar tripartido, rematado em frontão, e taça ovalada.
Número IPA Antigo: PT020603020006
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta poligonal composta por igreja de três naves, com cinco tramos cada, transepto pouco saliente e cabeceira tripartida e escalonada, com sacristia adossada e claustro quadrangular no lado S., de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, sendo em terraço no claustro e nas naves, inclinadas e revestidas a placas cerâmicas. IGREJA com fachadas em cantaria de calcário aparente, assente sobre alto supedâneo que vence o forte declive do terreno, rematadas em ameias piramidais. Fachada principal volta a O., flanqueada por possantes contrafortes torreados, rasgados por frestas, que flanqueiam três panos, o central avançado e com ampla escadaria de acesso. É rasgado por portal escavado em arco de volta perfeita, composto por sete arquivoltas, assentes em colunas de fustes ornados por elementos geométricos ou fitomórficos, com capitéis decorados por colchetes ou animais afrontados, sobre dados e altos socos; as arquivoltas, de perfis distintos, apresentam decoração de esferas com moldura exterior fitomórfica. Está sobrepujado por cornija assente em banda lombarda, decorada por mísulas fitomórficas e com decoração de folhagem estilizada, onde se rasga janelão escavado, também de volta perfeita e composto por quatro arquivoltas, sustentadas por colunas de fustes lisos e capitéis decorados com elementos semelhantes ao do portal; também aqui, as arquivoltas são ornadas por esferas. Os panos laterais têm dois registos separados por frisos, o primeiro com fresta e o segundo com janela geminada e mainelada, formando duas frestas de volta perfeita, ladeadas por pilastras e por dois arcos cegos, sustentados por colunelos. Fachada lateral esquerda marcada por quatro contrafortes, dando origem a três panos rasgados por frestas inferiores e por janelas de volta perfeita, assentes em impostas salientes e em colunelos, o central interrompido pelo corpo da Porta Especiosa. O corpo do transepto é rasgado pela Porta de Santa Clara, em arco de volta perfeita com tímpano assente em consolas e decorado pela figura de Santa Clara, com seguintes formados por medalhões com figuras e falso fecho saliente, decorado por carranca. Assenta em colunas, flanqueadas por pilastras com a metade inferior estriada de forma distinta, encimada por friso, cornija e dois colunelos clássicos, que sustentam entablamento e pequeno elemento concheado. Encontra-se ladeada por dois arcos cegos e, sobre cornija, cinco arcos geminados, encimados por três frestas e janela mainelada, ladeada por colunelos e sublinhada por arco de volta perfeita. Sobre o corpo do transepto, é visível a torre lanterna, rentada por cúpula revestida a elementos cerâmicos, a azul e branco, com lanternim cego, sustentado por consolas e rematado em domo, estando envolvido por guarda metálica, interrompida por acrotérios paralelepipédicos, os centrais almofadados e os angulares com pináculos piramidais com bola. É reforçada por contrafortes facetados angulares e possui, em cada face, duas janelas de volta perfeita, assentes em colunelos e envolvidas por arquivolta de esferas; do terraço, saem gárgulas zoomórficas. Fachada lateral direita a abrir para o claustro, com vãos semelhantes aos anteriores. Fachada posterior marcada por uma galeria de volta perfeita na torre lanterna, a que se adossa a capela-mor, de perfil curvo, com dois registos de vãos, os inferiores cegos e os superiores de volta perfeita, ambos assentes em colunelos e os superiores com arquivoltas ornadas por esferas. O abidíolo direito possui janelas semelhantes e frestas. Este e a abside rematam em cornija, sustentada por cachorrada decorada por elementos zoo e antropomórficos. O absidíolo esquerdo encontra-se rasgado por janela retilínea em capialço e coberto por lanternim e domo, rematando em cornija e em cachorrada. Encostado a este, ergue-se campanário de empena triangular com três ventanas e a fachada N. da sacristia, com o brasão do bispo-conde D. Afonso de Castelo Branco, ladeado por duas janelas com ombreiras marcadas por pilastras coríntias e rematada em entablamento. INTERIOR em cantaria de calcário aparente, com nave central mais elevada e cobertura em abóbada de berço, interrompida por arcos torais de volta perfeita, que descarregam em pilares de secção quadrangular com base octogonal e quatro colunas integradas, as da nave colossais, ornamentadas por capitéis decorados com motivos vegetalistas e zoomórficos. As naves laterais possuem abóbadas de aresta, sendo de berço nos braços do transepto e, em alguns paramentos, azulejo de padrão hispano-mourisco. Pavimento em lajeado. Para a nave central abrem as arcadas das naves laterais, com arcos de volta perfeita, encimadas por galerias em sucessão de cinco pares de arcos duplos, um par por cada tramo, assentes em colunelos de capitéis ornados por motivos fitomórficos. Na nave do lado do Evangelho, no segundo tramo, arcosólio com o túmulo de um bispo, a que se sucede o vão da porta travessa e, no quarto tramo, a pintura do Martírio de Santa Úrsula; no último tramo, o túmulo de D. Vataça. No lado oposto, com cobertura ostentando vestígios de pinturas murais, existe, no tramo intermédio, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, no local da antiga ligação ao claustro e, no topo, arcosólio com o túmulo de D. Estêvão Anes Brochardo. O transepto possui o cruzeiro coberto a abóbada de arestas, assentes em mísulas decoradas por elementos fitomórficas, tendo, nos braços, arcadas cegas sob a estreita galeria do trifório, com o mesmo número de arcos daquela. No braço do Evangelho, arcosólio com o túmulo de D. Egas Fafes, surgindo, no lado oposto, o de D. Tibúrcio. Junto a este, a pia batismal, em cantaria de calcário, assente em quatro leões e composto por coluna facetada decorada por animais fantásticos e motivos fitomórficos, encimado pela taça facetada, com os ângulos marcados por colunas do tipo balaústre, ornadas por acantos, flanqueando apainelados a representar as armas do doados, o Batismo de Cristo e Moisés salvo das águas. No absidíolo do Evangelho, a Capela de São Pedro, surgindo, no lado oposto, a Capela do Santíssimo. Capela-mor com as paredes marcadas por pares de arcos sobrepostos, simples no par inferior e moldurados com pilar de três colunelos no par superior. Tem cobertura em abóbada de meio canhão, reforçada por tirantes de ferro, sendo em talha pintada e dourada no último tramo, formando uma falsa abóbada estrelada. Possui retábulo de talha pintada de azul e dourada, assente em seis colunelos e duas mísulas de cantaria, de planta côncava e de cinco eixos definidos por seis colunelos facetados, com mísulas e baldaquinos adossados, flanqueado por frisos verticais ornados por folhagem. Ao centro, sobre profusa decoração rendilhada, a representação da Assunção da Virgem, sobrepujado por amplo baldaquino e pequena abóbada rematada por anjos e profusa decoração vegetalista. Os eixos laterais, unidos por uma cobertura comum, possuem quatro nichos sobrepostos, cada um deles com baldaquinos, os superiores em forma de coruchéus piramidais. No topo, nicho com a representação do Calvário, envolvido por fragmentos de arcobotantes, pilares e pináculos. Fronteira, a mesa de altar e ambão, em cantaria de calcário, assente em colunas. No lado da Epístola, cadeira de madeira. A partir do transepto, um portal encimado pelas armas do bispo D. Afonso de Castelo Branco, um corredor acede à SACRISTIA, retangular, com cobertura em abóbada de caixotões decorados por elementos geométricos, assente em friso denticulado e cornija, tendo as paredes revestidas a azulejo de padrão policromo, em esquadria. Possui lavabo em cantaria de calcário colorida, composto por espaldar tripartido por quarteirões, assentes em plintos tronco-piramidais, que sustentam o remate em frontão triangular interrompido pelas armas do bispo, sobrepujado por frontão triangular. Cada pano possui arcos cegos de volta perfeita, contendo as bicas, que vertem para taça de perfil ovalado e bordo boleado. CLAUSTRO em cantaria de calcário é quadrangular e de piso único, com quatro alas cobertas por abóbadas de aresta, tendo, em cada uma delas, cinco arcadas geminadas, enquadradas por arcos de volta perfeita que descarregam em pilares e contrafortes exteriores, dando origem a espelhos vazados por óculos circulares. Algumas delas abrem diretamente para a quadra, com cisterna central. O acesso faz-se pela ala O., com porta para o exterior, surgindo, na ala N., no primitivo acesso ao claustro, a Capela da Natividade. Na ala E., as Capelas de São Miguel, Santa Cecília e a grande Capela de Santa Maria. Na ala S., a Capela de Santa Catarina. No segundo piso, dois arcos provenientes da Capela de Duarte de Melo, ornados por grotesco.

Acessos

Largo da Sé Velha; Rua do Norte

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 *1 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria n.º 311/2014, DR, 2.ª série, n.º 92 de 14 maio 2014

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, implantado a meio da pendente O. da colina da Alta em largo onde confluem as principais ruas do aglomerado, abrindo para um pequeno largo fronteiro, o Largo da Sé Velha. Encontra-se adossado a alguns edifícios a S., tendo, a E., um muro com gradeamento de ferro que cerca a cabeceira, rodeada por uma rua estreita e sinuosa, no topo da qual se situa o Museu Machado de Castro (v. PT020603250013), que abre para a praça onde se implanta a Sé Nova (v. PT020603250001).

Descrição Complementar

PORTA ESPECIOSA em cantaria de calcário, evoluindo em três registos, definidos por frisos e cornijas, com três ordens de pilatras sobrepostas, assentes em altos plintos paralelepipédicos. No primeiro registo, de planta trapezoidal, rasga-se portal escavado, em arco de volta perfeita, possuindo quatro arquivoltas decoradas por grotesco, assentes em pilastras e colunas de fustes lisos, com tímpano ornado pela Virgem com o Menino, e seguintes em forma de medalhões com figuras antropomórficas. Está ladeado por dois nichos retilíneos com duas figuras antropomórficas. Os panos laterais possuem nichos de volta perfeita com abóbadas de concha, contendo as imagens de São João Baptista e Isaías. O segundo registo é marcado por loggia com colunas de fustes lisos e capitéis jónicos, e guarda balaustrada, para onde abre porta-janela retilínea e com bandeira vazada. Está ladeado por dois pequenos lanternins. O terceiro registo constitui o remate, composto por alto espaldar retilíneo com as pilastras ornadas por losangos, círculos e festões de drapeados, ladeadas por urnas, contendo um motivo serliano, composto por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, contendo a imagem de Santa Ana, rematando em entablamento e frontão triangular, que se apoia em pequenos colunelos. Está ladeado por dois nichos de menores dimensões, contendo as figuras de São Miguel e Rute (?), encimado por entablamento, elementos figurativos mutilados e ladeado por quartos de concha. No topo, dois nichos de volta perfeita, assentes em colunas toscanas, contendo São João Evangelista e São Lucas. A estrutura remata em friso de consolas e cornija, encimados por pequenos cilindros vazados. No lado do Evangelho, TÚMULO DE BISPO, inserido em arcosólio de feitura recente, com a parede decorada por azulejos de padrão hispano-mourisco, fitomórficos, interrompido pela pedra de armas, formada por cinco vieiras. A arca é simples, com jacente muito mutilada, tendo a cabeça assente em almofada e mitrada. O TÚMULO DE D. VATAÇA, uma arca em cantaria de calcário, com frontal ornado por três edículas onde se inscreve a águia bicéfala de asas abertas, indicando a sua ascendência dos imperadores bizantinos. Possui jacente ladeada por anjos mutilados. No braço N., do transepto, o TÚMULO DE D. EGAS FAFES em arcosólio ornado por friso cordiforme, com o interior revestido a azulejo enxaquetado, contendo a arca tumular simples com jacente; o bispo veste o hábito pontifical, tendo, sobre o braço esquerdo, o báculo bastante danificado. A cabeça mitrada assente em grande almofada simples. Os pés assentam sobre dois animais fantásticos, com garras de leão e bicos de ave, dispostos de costas um para o outro. No lado da Epístola, o TÚMULO DE D. ESTÊVÃO ANES BROCHARDO, em nicho de volta perfeita, com o fundo revestido a azulejo de padrão hispano-mourisco, com túmulo paralelepipédico com jacente, com cabeça mitrada assente em almofada, tendo, aos pés, um invulgar dragão serpentiforme. Sucede-se o TÚMULO DE D. TIBÚRCIO, em nicho de volta perfeita com a parede revestida a azulejo de padrão hispano-mourisco, contendo o túmulo ornado pelas armas nacionais, ladeadas pelas do bispo, com jacente envergando as vestes episcopais, com motra e anel na mão direita, de rosto barbado com a cabeça assente sobre uma almofada simples, tendo um leão aos pés. No topo S. do transepto, o TÚMULO DE D. PEDRO MARTINS, em arcosólio com arquivoltas boleadas, tendo o fundo revestido a azulejo hispano-mourisco. Possui uma arca simples, com jacente original, envergando as vestes episcopais, estando o bispo com cabeça mitrada assente sobre almofada e segurando um báculo muito deteriorado. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO inserida em nicho com acesso por arco de volta perfeita, assente em pilastras e ornados por grotesco, encimado pela pedra de armas de D. Jorge de Almeida. Contém o fundo revestido a azulejo de padrão hispano-mourisco, contendo retábulo de talha dourada, de planta reta e um eixo definido por quatro colunas torsas, grupadas sobre plintos paralelepipédicos, decorados por elementos fitomórficos. Ao centro, mísula flanqueada por pilastra decoradas por folhagem. A estrutura remata em frisos de acantos e querubins laterais, sobre os quais se ergue frontão triangular interrompido por cornija curva central. Altar em forma de mesa, assente em pilares e coluna central. A CAPELA DE SÃO PEDRO está revestida a azulejo de padrão hispano-mourisco, vegetalista, contendo retábulo em cantaria de calcário, de planta côncava e três eixos definidos por quatro pilastras, a que se adossa imaginária, assente em plintos paralelepipédicos, decorados por figuras antropomórficos e predela ornada por grotesco, surgindo, no topo, três eixos definidos por quatro colunas do tipo balaústre, as interiores encimadas por imagens mutiladas. No registo inferior, ao centro, tem um relevo a representar o Martírio de São Pedro, ladeado pelo Arrependimento de São Pedro e Negação de São Pedro (?). No registo superior, ao centro, o Caminho do Calvário ajudado por São Pedro; flanqueado pelas imagens de São Pedro e São Paulo. A estrutura remata em em friso, cornijas e pequeno tondo vazado com a imagem de Deus Pai, ladeado por duas estruturas arquitetónicas compostas por vãos em arcos de volta perfeita com guardas balaustradas, onde ocorrem cenas figurativas. Possui, na parede, a pedra sepulcral de D. Jorge de Almeida com moldura de grotesco, enquadrado as armas do bispo e a inscrição latina: "DIVINI NVMINIS / PIETATE EPISCOPVS / COMES GEORGIVS / DALMEIDA HIC SITUS / VIXET ANNIS LXXXV / OBIIT VIII KL SEXTILES / ANN DE MDXXXXIII / ANNIS LXII VTRAQZ / DIGNITATE PR AEDITVS". A CAPELA DO SANTÍSSIMO com as paredes revestidas a azulejo de padrão hispano-mourisco, vegetalista, tem cobertura em cúpula ornada por caixotões de pedra, decorados por grotesco, festões, cartelas recortadas com motivos vegetalistas e formas antropomórficas, assente em friso denticulado e cornija. Possui retábulo em cantaria de calcário, com elementos decorativos dourados, sobre sotobanco ornado por festões relevados, e banco com cartelas anepígrafas, sendo o corpo de planta côncava, de dois registos separados por frisos e cornijas, o inferior com dez eixos definidos por pilastras com os fustes ornados por grotesco. Ao centro, possui sacrário em forma de templete, assente em mísula côncava e com o corpo dividido por colunas coríntias, firmadas por urnas, com os panos ornados por apainelados e porta em talha dourada. Tem cobertura em domo e lanternim com vãos de volta perfeita. Os panos laterais formam nichos com abóbadas de concha, os interiores com anjos músicos, surgindo, nos imediatos, as figuras da Virgem com o Menino e São Judas Tadeu (Evangelho) e os quatro Evangelistas. No extremo do Evangelho, amplo vão de volta perfeita, ornado por apainelados. O registo superior com onze eixos definidos por colunas coríntias com o terço inferior ornado por grotesco, contendo nichos com abóbadas de concha e um Apostolado, o central com Cristo Salvador, mis elevado e rematado por arco de volta perfeita e frontão triangular com o tímpano decorado pela pomba do Espírito Santo. A estrutura remata em frisos e cornijas. No ângulo NO. do claustro, a CAPELA DA NATIVIDADE com retábulo em cantaria de calcário, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fustes lisos e capitéis coríntios, ladeadas por apainelados com cenas campestres, encimadas pelas imagens da Anunciação. Ao centro, relevo a representar uma Natividade. A estrutura remata em entablamento, cornija e pequeno espaldar recortado com a figura central de Deus Pai. Altar paralelepipédico. Na ala E. do claustro, a CAPELA DE SÃO MIGUEL, com as arcas tumulares de D. Julião Pais e D. Gonçalo Dias, assentes em colunelos circulares. A CAPELA DE SANTA MARIA possui mesa de altar assente sobre colunas, tendo o fundo revestido a azulejo de padrão policromo, maçaroca, possuindo duas arcas tumulares no lado oposto e, fronteiro à entrada, o Cruzeiro do Arnado, composto por base simples, fuste toscano, com armas portuguesas, e capitel de inspiração coríntia, encimado por um Crucificado. Na capela da ala S., CAPELA DE SANTA CATARINA, surge a arca tumular de D. Sesnando, com frontal orlado de folhagens e inscrição em gótico minúsculo de letras ressaltadas (AQUI : JAZ : HUM : QUE : EM : OUTRO : TEMPO : FOY : GRANDE : BAROM : / SABEDOR : E MUITO : ELOQUENTE : AUONDADO : E RICO : E AG(ORA) / HE : PEQUENA : CINZA : ENCARADA : EM : ESTE : MOIMENTO : / E COM : EL : JAZ : HUUM : SEU : SOBRINHO : DOS : QUAES : HUU / ERA : JA : VELHO : E OUTRO : MANCEBO : E O NOME : DO : TIO : / SESNANDO : E PEDRO : AUIA : NOME : O SOBRINHO - leitura de CORREIA e GONÇALVES, 1947).

Utilização Inicial

Religiosa: catedral

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCCentro, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009 / Afeto ao culto, Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa, 1940, artigo 6.º

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 16 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: António Augusto Gonçalves (1893).AZULEJADOR: José de Góis (1717-1730). CANTEIROS: João de Ruão (séc.16); Nicolau de Chanterene (séc. 16); Pedro Henriques (séc. 16); Mestre Pêro (1636-1637); Tomé Velho (1583-1584).ENTALHADORES: António Gomes (1692); Bernardo Coelho (1600-1603); Fernão da Costa (1582); Jean de Ypres (1503-1508); Olivier de Gand (1503-1508). MARCENEIRO: Nicolau de Frias (1576); Samuel Tibau (1630, 1635-1636). MESTRES-DE-OBRAS: Anselmo Costa (1962, 1970-1988); Manuel de Jesus Cardoso (1932-1959, 1964); Mestre Bernardo (1160); Mestre Roberto (séc. 12); Mestre Soeiro (1172); Saúl de oliveira Esteves (1958-1963). OLEIRO: Agostinho de Paiva (1717-1730); ORGANEIROS: Álvaro Cardoso (1570); Salvador Rebelo (1601, 1605). PEDREIROS: Francisco Fernandes (1601-1623); Isidro Manuel (1635-1637); Manuel João (1623). PICHELEIRO: Domingos Gonçalves (1636); PINTORES: Domingos Vieira Serrão (1608); Martim Conrado (atr., 1636-1637); Mestre de Santa Clara (atr., séc. 16); Simão Rodrigues (1608). PINTORES DE AZULEJO: Fernan Martinez Quijarro (1503); Manuel da Silva (1717-1730); Pedro de Herrera (1503). PINTORES-DOURADORES: Francisco da Fonseca (1637); João Martins (1415). TECELÃO: Fábrica de Tapeçaria Lanarte, Lda (1949).

Cronologia

589 - o bispado de Conímbriga passa para Aeminium; séc. 09 - provável fundação da antiga catedral; 1064 - reconquista definitiva de Coimbra por Fernando Magno; instalação da sede do bispado; 1080 - reconstrução da catedral, obedecendo aos novos ritos litúrgicos gregorianos (MACEDO, p. 54), com D. Paterno; 1086 - no Livro Preto da Sé é referida a existências dos altares de Santa Maria e os laterais de São Pedro e São Martinho de Tours; o templo tem três naves e 3 ábsides e, no flanco S., um atrium; está articulada com a Igreja de São João, antigo batistério, e que funciona como cemitério dos prelados (COELHO, p. 16); 1094 - D. Raimundo doa à Sé o Mosteiro da Vacariça; 1108 - 1110 - renovação da igreja-catedral; 1109 - D. Henrique doa à Sé o Mosteiro do Lorvão; 1117 - ataques muçulmanos a Coimbra com provável destruição do templo; 1128 - 1146 - início da construção do atual edifício, possivelmente no local da primitiva catedral; 1131 - reorganização da Diocese e instalação da Corte em Coimbra; 1160 - trabalha no local o Mestre Bernardo sob a orientação do Mestre Roberto, que se deslocou três vezes ao estaleiro (CRAVEIRO, 2011, p. 19); 1170 - D. Afonso Henriques cede mão-de-obra moura para as obras da Catedral (MACEDO, p. 48); 1172 - o Mestre Roberto é substituído por Mestre Soeiro; 1184 - inicia-se o culto regular, mas os trabalhos continuam; 1187 - primeira referência à existência de capelães no templo (GOMES, p. 75); 1218 - o corpo do chanceler Julião Pais, falecido em 1215, é sepultado na Capela de São Miguel do claustro, o qual se acharia concluído (MACEDO, p. 62); 1240 - existem clérigos do coro (GOMES, p. 75); 1268 - falecimento de D. Egas Fafes, sepultado no transepto do Evangelho; 1285, 17 março - falecimento de D. Pascácio Gondinz, sepultado numa capela do claustro (VASCONCELOS, p. 143); 1290 - data na sepultura de D. Pascácio Nunis, sepultado n a nave; 1301 - falecimento do bispo D. Pedro Martins, sepultado no transepto da Epístola; 1318 - D. Estêvão Anes Brochardo abre sepultura na capela-mor, na parede do Evangelho; 1322, 22 dezembro - falecimento do cónego João Gomes, sepultado na Capela de Santa Cecília, que pertencera a D. Pascácio e por ele transformada (VASCONCELOS, p. 143); 1324, 10 dezembro - criação da Confraria dos Bacharéis do coro (GOMES, p. 75); 1336 - 1337 - feitura do túmulo de D. Vataça, dama da rainha Santa Isabel, pelo mestre Pêro (PERDIGÃO, 2011, p. 104); séc. 15 - construção da Capela de Santa Catarina, onde é sepultado o túmulo de João Vaz de Camões (VASCONCELOS, p. 144); 1408 - 1415 - colocação do cadeiral no meio da nave central (RAMOS, p. 279); 1415 - 1416 - pintura e douramento do coro pelo pintor João Martins, por 5 mil reais (VASCONCELOS, p. 161); 1459, 19 julho - o ourives Henrique Rodrigues retira a prata do retábulo-mor para fundir (VASCONCELOS, p. 163); 1469 - 1472 - construção do coro-alto por iniciativa do bispo D. João Galvão (CRAVEIRO, 2011, p. 29), com arcos em cantaria e teto de alfarge; 1477 - douramento do coro-alto; 1498 - construção de um novo terreiro de acesso, sendo, para o efeito, derrubada uma casa pertencente ao Senado, escambada em 29 julho, por iniciativa de D. Jorge de Almeida (CRAVEIRO, 2005, p. 151); ampliação da capela-mor em altura; encomenda do retábulo-mor a Olivier de Gand e Jean d'Ypres, participando o Cabido com o pagamento de 200$000 (VASCONCELOS, p. 177); 1500, cerca - Instituição da Irmandade de Nossa Senhora da Misericórdia de Coimbra; 12 Setembro - carta de D. Manuel dirigida ao Juiz, Vereadores e homens bons de Coimbra, respondendo a uns "apontamentos" que lhe haviam sido enviados sobre certas coisas que requeriam, "para se mais cumpridamente fazerem as obras de Misericórdia", não consentindo que os oficiais tomassem conta dos hospitais, albergarias e Confrarias antigas que existiam na cidade; dava-se-lhe Compromisso com os mesmos privilégios concedidos à Misericórdia de Lisboa e, como esta, começou com 100 Irmãos; a Irmandade teve o seu primeiro assento na capela de Santa Cecília, a segunda do lado nascente do claustro da Sé de Coimbra; séc. 16 - feitura do retábulo da Natividade; execução da pia batismal por Pedro Henriques e o irmão (VASCONCELOS, p. 179); 1503 - feitura dos azulejos hispano-mouriscos, cuja compra foi tratada pelo escultor flamengo Olivier de Gand, que foi a Sevilha, ao bairro de Triana, comprá-los a Fernan Martinez Quijarro e Pedro de Herrera, por 20 mil maravedis (VASCONCELOS, p. 172); do mesmo local vêm as armas do bispo; 1508, 12 novembro - assentamento do retábulo-mor, pintado por 300$000 (VASCONCELOS, pp. 178-179); 1521, 26 março - conclusão da obra de decoração do absidíolo da Epístola com esculturas e pinturas pagas por Marco António Bonichi, que para o local trasladou os ossos do seu parente Michelangelo Bonichi (VASCONCELOS, p. 183); 1526 - feitura do retábulo de São Pedro por Nicolau Chanterene (PERDIGÃO, 2011, p. 118); 14 maio - escritura de contrato entre o Provedor da Misericórdia Rui de Sá Pereira e os Irmãos da Mesa e o Prior e Beneficiados da Igreja de São Tiago, para se trasladar a Irmandade para aquela igreja, vindo a ocupara a casa que então servia de celeiro; 1527 - feitura da custódia, caldeirinha e cálices, atualmente arrecadados no Museu Machado de Castro; séc. 16, década 30 - feitura da Porta Especiosa, atribuível a João de Ruão e a Nicolau de Chanterene; 1542, 29 abril - testamento do bispo D. Jorge de Almeida deixando à Catedral toda a sua prata e relíquias (CRAVEIRO, 2005, p. 152); 1565, 29 dezembro - colocação de grades no cadeiral da nave (VASCONCELOS, p. 186); 1566 - conclusão da obra da Capela do Santíssimo, mandando-se demolir, para o efeito, a zona posterior do absidíolo; feitura do retábulo; 1570, 26 janeiro - são pagos 30 cruzados a Álvaro Cardoso, organeiro do Porto e morador em Santo Estêvão, para a feitura do órgão (BRANDÃO, p. 77); 1579 - demanda entre o Cabido e o marceneiro Nicolau de Frias sobre as obras do coro (VASCONCELOS, pp. 186-187); 1579 - 1584 - no bispado de Frei Gaspar do Casal são substituídos os bancos do coro de baixo (VASCONCELOS, p. 188); 1583 - 1584 - feitura no lado da Epístola de um arco para a fundação da Capela de São Miguel, por Duarte de Melo, cónego e mestre-escola da Sé; obra feita por Tomé Velho (VASCONCELOS, p. 189), com pinturas atribuídas ao segundo mestre de Santa Clara (SERRÃO, 1991); 1585 - 1615 - ampliação do coro-alto, para 64 cadeiras, com D. Afonso de Castelo Branco, que reformou o chafariz do adro; construção da sacristia pelo mesmo bispo; 1586 - falecimento de Duarte de Melo, sepultado na sua capela, para o que deixou vários bens e duas lâmpadas (VASCONCELOS, p. 190); 1600 - 1603 - trabalha na obra do coro o mestre Bernardo Coelho, de Lisboa (VASCONCELOS, p. 192); séc. 17 - abertura da Capela de Santa Isabel; 1601, 20 agosto - o Cabido da Sé elege Francisco Fernandes como pedreiro da obra; 1608 - pintura dos 10 painéis da sacristia *3, por Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão (PERDIGÃO, p. 125); 1623, 21 Junho - após a morte de Francisco Fernandes, o Cabido elege como mestre-de-obras Manuel João, a ganhar o mesmo salário; 1630 - feitura do modelo dos arcazes da sacristia por Samuel Tibau (VASCONCELOS, p. 194); 1635 - o mestre Frei José de Banhes, da Ordem de Cristo, desloca-se a Coimbra para estudar a colocação do altar no cruzeiro e as cadeiras das dignidades na capela-mor, pelo que se pagou 40$000; 24 outubro - aprovação do projeto (VASCONCELOS, p. 198); 1635 - 1636 - D. Jorge de Melo manda ladrilhar a quadra do claustro, até há data arborizada (VASCONCELOS, p. 195); 1635, 17 abril - início das obras da capela-mor, onde trabalha Samuel Tibau; Domingos Gonçalves, picheleiro faz as grades de bronze do novo coro (VASCONCELOS, p. 199); setembro - colocação de azulejos no coruchéu por Isidro Manuel (VASCONCELOS, p. 203); 1636 - 1637 - feitura de retábulos simples por Samuel Tibau para as capelas laterais de Santo António, Santa Úrsula, Santa Isabel e São Sebastião, inseridas em arcos de pedra, feitos por Isidro Manuel (VASCONCELOS, p. 201); provável pintura dos painéis, atribuíveis a Martim Conrado (SERRÃO, 2009, p. 415); 1637 - trabalhos de decoração e douramento por Francisco da Fonseca (SERRÃO, 1992, p. 477); 1643 - aquisição de azulejos e telhões para o coruchéu (VASCONCELOS, p. 203); 1646 - demolição do coro da capela-mor, sendo aberta a sepultura do bispo D. Joane Mendes de Távora; 1646-1668 - revestimento da capela-mor a talha; 1683 - 1684 - abertura da Capela de São Tomás de Vilanova, sendo o retábulo feito por um entalhador de Condeixa; abertura da Capela de Santa Comba; 1684 - 1704 - o bispo D. João de Melo manda fazer novo cadeiral para o coro-baixo, em madeira de angelim e fechado por grade de pau-santo, tendo 14 cadeiras com pinturas *2; ampliação das frestas (VASCONCELOS, pp. 214, 217-218); 1685, 05 junho - contrato para o douramento do retábulo da Capela de São Tomás (VASCONCELOS, p. 211); 1692 - feitura de painéis de talha pelo mestre António Gomes; 1717 - 1730 - em sede vacante, o penúltimo pilar do Evangelho é demolido para a colocação de um órgão; ampliação do coro-baixo, com mais quatro cadeiras, representando nos espaldares os Evangelistas, pintados por Manuel da Silva, por 20$000; ampliação da janela do braço N. do transepto; revestimentos das alas do claustro e Capítulo a azulejo, fornecido pelo oleiro Agostinho de Paiva e pintados por Manuel da Silva, assentes por José de Góis (VASCONCELOS, pp. 219-225); 1721 - 1725 - Descrição da Catedral na Memória para a Real Academia de História *4; 1772 - demolição da Capela de Santa Catarina do claustro; 21 outubro - trasladação do Cabido da Sé de Coimbra para a Igreja do Colégio de Jesus (v. PT020603250001), com o transporte da pia batismal, de património integrado e a imagem de São Tomás de Vilanova para a Sé Nova, sendo colocado na capela uma de Nossa Senhora da Encarnação; doação da Sé Velha à Misericórdia, que a recebeu despida e desmobilada, e de umas casas contíguas, na Rua do Norte, também sem mobília, para instalação de outros serviços; o claustro passou para a Universidade, tendo sido muito remodelado para instalação da imprensa universitária, com a demolição do segundo piso; 1774, maio - transferência da Misericórdia para a Sé; 1777 - após a morte de D. José, a Misericórdia escreve à Rainha D. Maria I expondo os grandes inconvenientes que tivera com tal mudança, pedindo assim autorização para regressar à antiga casa; 1778, 20 agosto - rainha autoriza a transferência; 23 outubro - perante o Provedor da Comarca de Coimbra, a Misericórdia fez ato de cessão e desistência da Sé Velha e seus pertences, recebendo do mesmo a posse das antigas instalações sobre a Igreja de São Tiago; 1785 - 1816 - está instalada na Sé a Ordem Terceira de São Francisco; 1816 - passa a sede da paróquia de São Cristóvão; 1839 - instalação dos sinos pelo pároco António Teodoro de Oliveira (VASCONCELOS, p. 244); 1869 - pintura das estátuas de São João Baptista e São Zacarias da Porta Especiosa (VASCONCELOS, p. 247); 1871 - colocação na Sé de um retábulo e de imagens provenientes da Igreja de São Bento; 1880 - remoção de dois fustes das colunas do portal (VASCONCELOS, p. 253); 1893, 30 janeiro - início do restauro pelo bispo-conde D. Manuel Correia de Bastos Pina com patrocínio da Rainha D. Amélia, e autorização e verba do MOP, dirigidas por António Augusto Gonçalves *5; 04 dezembro - decisão de remover a talha barroca da capela-mor (VASCONCELOS, p. 319); 1894 - apeamento do coro, hoje existindo em parte no Museu Nacional Machado de Castro; séc. 20, 1.ª metade - transferência de alguns azulejos para o Museu de Lamego; 1907 - demolição das construções pombalinas do claustro (VASCONCELOS, p. 253); 1908, 07 janeiro - colocação do túmulo de D. Afonso de Castel o Branco na ala S. do claustro, proveniente da Igreja do Convento de Santa Ana (VASCONCELOS, p. 431); 1922, 19 novembro - descerramento da lápide comemorativa dos restauros oitocentistas; 1933 - escavações põem a descoberto o cemitério visigótico do adro; construção de cinco degraus de acesso à porta travessa; 1935 - pedido de cedência das salas da extinta Imprensa da Universidade, na ala E., para a arrecadação de objetos de culto da Irmandade do Santíssimo (SIPA: txt.01046698 e 01046699); 1949 - feitura de uma tapeçaria para o portal axial, na Fábrica de Tapeçaria Lanarte, Lda. (SIPA: txt.01047210); 1957, 28 janeiro - definição da Zona Especial deProteção do edifício, criando uma área "non aedificandi2, DG, 2.ª ´srie, n.º 23; 1960 - cedência de um sino da Sé para o Reformatório Central de Lisboa "Padre António de Oliveira", em Caxias (DGEMN/DREL-2844/05); 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2007, 20 dezembro - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura do Centro, pela Portaria n.º 1130/2007, DR, 2.ª série, n.º 245.

Características Particulares

Igreja de grande massa construída com coroamento acastelado, de interior sóbrio e escassamente iluminado, esquema criado nos restauros idealizados no final de Oitocentos, com excelente núcleo de capitéis românicos, alguns denotando influências islâmicas, sendo outros semelhantes aos do claustro de Saint Sernin de Toulouse e das escolas de Saintonge e Poitou. No exterior, destaca-se a solução da fachada principal, com portal escavado, inserido em amplo ressalto, ladeado pelo que seriam as torres, mas que se limitaram a constituir panos laterais, fortemente contrafortados, permitindo escorar as coberturas. Possui duas portas renascentistas, destacando-se a Porta Especiosa, com grande teor escultórico e três registos arquitetónicos, onde se destacam a loggia e o remate que reconstitui os arcos triunfais romanos. No interior destaca-se um bom núcleo de tumulária medieval que marca o início da atividade de imaginária das oficinas coimbrãs, o túmulo gótico de D. Vetaça, e os azulejos sevilhanos quinhentistas que revestiam os pilares e naves da igreja, hoje circunscritos a alguns vãos e aos arcosólios. A Capela do Santíssimo, situada no absidíolo da Epístola, que é de maiores dimensões que o do lado oposto, expressa as características do renascimento tardio, com cobertura em cúpula e lanternim, tendo retábulo côncavo, adaptando-se à estrutura curva da cabeceira, com nichos contendo um Apostolado, os Evangelistas e Cristo Redentor. Destaca-se, ainda, a capela-mor com retábulo de talha dourada do gótico flamejante, de feitura flamenga. O claustro é de estilo gótico, possuindo diversas capelas, numa delas o túmulo de D. Sesnando, destacando-se os arcos do piso superior, com decoração de grotesco e provenientes do interior da igreja, após o restauro purista levado a cabo pela DGEMN.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Estrutura e elementos estruturais em cantaria de calcário das Camadas de Coimbra; pavimento em lajeado de calvário; retábulos de talha dourada e policroma; retábulos em pedra de Ançã; azulejos de padrão policromo; azulejos hispano-mouriscos de aresta; revestimento do zimbório e naves em placas cerâmicas; coberturas em telha; janelas com vitral e vidro simples.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMCentro/DM, DGEMN/DSID, DGEMN/DSMN/REM

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMCentro/DM, DGEMN/DSID, DGEMN/DREMNorte; Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja / Terra das Ideias

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMN-0307/07, DGEMN/DREL-2844/05, DGEMN/DSARH-010/079-0132, 079-0133,079-0134, 079/0135, 079/0136, 079/0137, 079/0138, 079/0139, 079/0140, 079-0147, 079/0509, 079/0511; DGLAB/TT: Conventos diversos, Cabido da Sé de Coimbra, maço 18 / 19, nº 807

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1582 - restauro e limpeza do retábulo-mor por Fernão da Costa (VASCONCELOS, p. 188); 1601, fevereiro e maio - Salvador Rebelo desloca-se a Coimbra para examinar o órgão e consertar o pequeno; 1605, 5 outubro - contrato para afinação anual e arranjo do órgão, pela quantia de 40 cruzados e 10 alqueires de trigo, com Salvador Rebelo; 1635 - conserto da boa de cobre da grimpa do coruchéu e das respetivas janelas (VASCONCELOS, pp. 202-203); PROPRIETÁRIO / MOP: 1893 - picagem do reboco do braço N. do transepto; início dos trabalhos de remoção de rebocos na nave; reconstrução das janelas do topo do transepto; 1894 - apeamento do órgão e reconstituição das arcadas no local onde este se implantava; abertura dos arcos do trifório; remoção do cadeiral do coro e demolição deste; remoção dos túmulos de D. Tibúrcio e D. Estêvão, sendo os restos mortais colocados em urnas de madeira dentro das arcas; 1895 - entaipamento de um carneiro no lado do Evangelho; abertura de um vão entaipado de acesso às escadas de caracol do trifório, que se achavam destruídas; colocação do túmulo de D. Betaça na nave, no lado do Evangelho; 1897 - regularização dos pavimentos das naves e transepto e colocação de novo lajeado; 1898 - restauro da Porta Especiosa; construção das colunas da nave; restauro do portal principal, que tinha apenas duas colunas ornadas; 1898 / 1899 / 1900 - restauro do retábulo-mor pelos mestres de Carregosa; 1899 - desobstrução da ala N. do claustro; 1901 - reconstituição das frestas antigas; 1902 - restauro das grades de pau-santo da Capela do Santíssimo e da Senhora da Conceição; restauro da pia batismal; colocação de um vitral com as armas do bispo D. Manuel Correia de Bastos Pina; feitura de cenas para a predela do retábulo-mor, modeladas pelos mestres de Carregosa; 1903 - reconstrução da arcada da ala N. do claustro; 1907 - restauro do lado S. do claustro, com colocação de uma rosácea; 1909 / 1910 - restauro das arcadas do claustro (VASCONCELOS, pp. 292-436); DEMNNorte: 1922 - conservação e reconstrução do telhado da Capela do Santíssimo (SIPA: txt.08339542); 1925 - restauro dos telhados da igreja (SIPA: txt.08339705); 1930 - restauro das coberturas da igreja; 1932 - assentamento do altar-mor, desenhado por António Gonçalves, pelo tarefeiro Manuel Jesus Cardoso (SIPA: txt.01046581); o mesmo arranja as silharias das paredes e pavimento da capela-mor (SIPA: txt.01046583); 1933 - demolição da torre sineira, reconstrução da primitiva escada de acesso ao claustro; construção do lanternim, reconstrução de janelas, reconstrução de beiradas e ameias das absides e tratamento das coberturas, por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01046595); 1934 - rebaixamento do adro e reconstrução da escada principal e da da Porta Especiosa (SIPA: txt.01046609), por Manuel de Jesus Cardoso; restauro e assentamento do altar-mor com restauro do supedâneo e pavimento da capela-mor; entaipamento de uma porta e janela, por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01046612); remoção das ossadas para uma cavidade situada a alguns metros da fachada principal do templo (SIPA: txt.01046616); 1935 - reconstrução do campanário com três sineiras e escada de acesso à mesma; reconstrução e modificação do muto de vedação do adro da abside; reconstrução da escada principal; obras de Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01046665); assentamento de um coletor de alvenaria e colocação de calçada à portuguesa (SIPA: txt.01046672); 1936 - abertura de rasgos nas paredes e colocação de janelas molduradas; placa de betão armado em pavimentos e lajeamento a cantaria; obras de Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01046685); estudo de separação das alas da antiga Imprensa da Universidade das alas do claustro, com acesso pela via pública (SIPA: txt.01046726); 1937 - lajeamento de tetos, paredes e janelas das dependências baixas da Imprensa da Universidade; construção de pavimento em betão armado na sacristia e feitura de escada e pavimento em cantaria; colocação de azulejos coloridos semelhantes aos já existentes na sacristia; lajeamento do exterior da igreja; obras por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01046728); 1937 / 1938 / 1939 - arranjo dos pavimentos e coberturas do claustro; pintura de portas e caixilharias; 1939 - vedação da escada de ligação da nave lateral ao claustro; colocação do retábulo no local; 1940 / 1941 - restauro dos azulejos e arcaz da sacristia; 1943 - restauro da capela do claustro, destinada à colocação da pia batismal; arranjo de frestas; transferir para o torreão a base da antiga torre (SIPA: txt.01047069); obras de Manuel de Jesus Cardoso; 1947 - rebaixamento das portas do transepto e colocação de cantaria; colocação de cantaria no aparelho moldurado assente na cimalha da parede S. da galeria do claustro; conclusão da escada de acesso à cobertura; colocação de tijoleira na cobertura do transepto; assentamento de uma caleira de cantaria na galeria do claustro; colocação de portas de madeira no transepto e caixilharias de madeira nas janelas das instalações sanitárias; apeamento da rosácea em madeira, existente na abóbada do transepto; apeamento de um altar em cantaria existente no claustro, para a colocação da pia batismal; colocação de cantaria na parede da nave lateral N.; assentamento de azulejo hispano-mourisco em paredes do arcosólio; mudança do túmulo do bispo D. Edmundo; apeamento de um altar de madeira da nave lateral esquerdo e transporte para o claustro; fornecimento e assentamento de azulejo policromo, semelhante ao existente na sacristia; picagem de rebocos nas paredes e abóbadas; obras de Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01047104, 01047105, 01047118 e 01047119); 1948 - picagem de rebocos nas paredes e abóbadas do claustro; conclusão da escada de cantaria de acesso à cobertura; colocação de pavimento em tijoleira na cobertura do transepto; colocação de cantaria na galeria do claustro e de uma caleira de cantaria na mesma; colocação de portas de madeira na galeria do transepto; colocação de grades de ferro nas frestas; obras de Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01047137 e 01047138); 1949 - fornecimento e assentamento de vitrais armados em chumbo para as frestas das naves; montagem de um altar num dos arcos renascença e restauro do arcaz, por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01047222); 1950 - assentamento de um altar de talha numa das capelas laterais da nave; construção e assentamento de vitrais; obras por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01047242); 1951 - mudança do local do altar-mor e substituição da mesa de altar; conclusão dos trabalhos nas naves laterais, com mudança dos túmulos, assentamento da mesa de altar lateral e arranjo do acesso das escadas do claustro; colocação da pia batismal na nova capela, com arranjo do pavimento desta; construção e assentamento de grades de ferros iguais às existentes nas frestas do batistério e capela-mor; obras por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01047268); 1951 - trabalhos de conclusão da capela batismal, com o acabamento do altar e limpeza das paredes e abóbada; construção de uma grade de ferro para a capela batismal; apeamento de um florão de madeira da cúpula; arranjo e pintura de portas; assentamento e arranjo de um altar na capela do claustro; construção de mesa de altar na capela mortuária; obras de Manuel de Jesus Cardos (SIPA: txt.01047285); 1952 - construção de vitrais; reparação dos armários da sala do Tesouro; arranjo da zona do novo altar-mor (SIPA: txt.01047297); obras de Manuel de Jesus Cardoso; 1955 - conclusão do lajeamento do piso superior do claustro; conclusão das obras de proteção da abóbada da Sala do Capítulo, na ala S. do claustro; abertura de uma porta de comunicação da sacristia para o claustro; colocação de novo portão de acesso na Rua Da Ilha para o claustro; arranjo de vidraças e pequenos vitrais; vedação e ajardinamento do recanto formado pelas Ruas do Norte e Borges Carneiro; instalação elétrica do templo, claustro e demais dependências; reparação do mobiliário da igreja e da Confraria do Santíssimo, pois o existente foi destruído com a demolição da sacristia (SIPA: txt.01047361); obras por Manuel de Jesus Cardoso; 1956 - limpeza dos retábulos dos altares dos absidíolos; limpeza da cantaria da Porta Especiosa; reconstrução de rebocos, abóbadas e pavimentos (SIPA: txt.01047375); obras por Manuel de Jesus Cardoso; iluminação do exterior do templo, pela empresa Senatejo Industrial, Lda. (SIPA: txt.01047660); 1958 - reparação de instalação elétrica; 1958 / 1959 - obras de reparação várias com picagem dos cimentos dos pavimentos e assentamento de lajeado na galeria do claustro e trifório; capeamento de lajeado de cantaria junto aos absidíolos; revisão das cantarias das colunas; construção de caleiras para as água pluviais no terraço da igreja; reparação das paredes da escada de comunicação entre a igreja e o claustro; reparação e limpeza de telhados (SIPA: txt.01047446); obras por Manuel de Jesus Cardoso e Saúl de Oliveira Esteves; 1960 - obras de restauro, com colocação de rede metálica nos vitrais do claustro e igreja; colocação de grade ferro no vão do séc. 18 do claustro; tratamentos de rebocos e pinturas; substituição dos tubos de esgoto das instalações sanitárias; pintura de portas e caixilharias; nova cobertura na casa da arrecadação; colocação de lajeado no pavimento anexo ao claustro superior (SIPA: txt.01047475 e 01047476); obras de Saúl de Oliveira Esteves; 1961 - picagem das juntas de cimento e refechamento das mesmas na fachada principal; restauro do guarnecimento e caiação das abóbadas do claustro; reparação da abóbada de uma capela do claustro; arranjo e caiação das paredes exteriores; colocação de pavimento em tijoleira na arrecadação da igreja; arranjo das instalações sanitárias junto à sacristia; arranjo do soco da escada principal; transformação das cantarias da fachada lateral esquerda; restauro do pavimento da galeria do pavimento inferior do claustro; colocação de grades de ferro nos vãos do claustro e na escada da sacristia; restauro dos vitrais; limpeza da cantaria da Porta Especiosa (SIPA: txt.01047513 a 01047518); obras por Saúl de Oliveira Esteves; 1962 - remate do pavimento dos claustros; coroamento de muro, reparação de paramentos e abóbada da antiga torre sineira; valorização da escada de acesso aos claustros, com a construção de nichos; restauro dos vitrais, caixilhos e mísulas; reparação de ferragens e pinturas (SIPA: txt.01047550 e 01047551); obras por Anselmo Costa; 1963 - isolamento do terraço do claustro; conclusão de degraus em cantaria e desentupimento dos tubos de queda (SIPA: txt.01060715), por Saúl de Oliveira Esteves; 1964 - limpeza e arranque de ervas, consolidação de silhares e refechamento de juntas, por Manuel de Jesus Cardoso (SIPA: txt.01060724); 1966 - transferência da escultura de Santa Isabel do Museu Machado de Castro para o retábulo da Capela do Santíssimo Sacramento; 1970 - pequenas obras de conservação por Anselmo Costa (SIPA: txt.01060730); 1973 - restauro do retábulo da Capela do claustro e tratamento do pavimento da capela por Anselmo Costa (SIPA: txt.01047969); 1974 - limpeza das coberturas; reparação dos vitrais partidos e proteção dos mesmos com rede; reparação das portas exteriores; colocação de um reposteiro no portal axial; substituição de fustes das colunas do trifório e do claustro (SIPA: txt.01047994); obras de Anselmo Costa; análise das patologias do retábulo da capela do claustro no Instituto José de Figueiredo; 1975 - levantamento das sebes e arbustos do jardim do claustro; fornecimento de terra e fertilizante; sementeira de espécies cariadas; colocação de canalização de água na quadra; fornecimento de mangueira e aspersores (SIPA: txt.01048022 e 01048023); conservação dos vitrais (SIPA: txt.01048078); obras de Anselmo Costa; decisão de remover o retábulo de São Miguel da capela do claustro para um sítio menos nocivo para as pinturas (SIPA: txt.01048096); 1975 / 1976 / 1977 - lavagem sucessiva do retábulo de pedra do claustro no Instituto José de Figueiredo (SIPA: txt.01048140 a 01048143); 1976 - restauro do retábulo da capela-mor (SIPA: txt.01048107); limpezas gerais no interior e exterior da igreja; retificação da iluminação; arranjo do reboco na passagem para o claustro (SIPA: txt.01048129); obras por Anselmo Costa; 1977 - drenagem do pavimento junto aos sanitários da sacristia; reparação de portas, janelas, vitrais, telhados e terraços (SIPA: txt.01048170), obras de Anselmo Costa; 1979 - reparação da cúpula com limpeza de dejetos de pombo e de vegetação espontânea (SIPA: txt.01048219), por Anselmo Costa; 1980 - consolidação do lanternim e proteção do retábulo-mor da queda de elementos do mesmo; arranjo da talha do retábulo de São Miguel; deslocação da pia batismal e do bispo D. Afonso de Castelo Branco; limpeza e consolidação da calçada do claustro e restauro das colunas desagregadas (SIPA: txt.01060502); obras por Anselmo Costa, Lda.; PROPRIETÁRIO: limpeza de um graffiti da parede exterior; DGEMN: 1981 / 1982 - mudança do retábulo de São Miguel para o interior da Sé; colocação de dois reposteiros em caos de acesso ao claustro e ao terraço; caiação e reparação de rebocos das paredes da antiga torre; remodelação da instalação elétrica do claustro (SIPA: txt.01060563); obras por Anselmo Costa; 1984 - execução de uma porta na zona de receção de visitantes; construção de instalações sanitárias públicas; conservação do tanque do claustro, com impermeabilização das juntas; reassentamento de um degrau na cobertura do claustro; restauro dos vitrais (SIPA: txt.01060626); obras por Anselmo Costa; 1985 - restauro da pedra tumular do claustro, vandalizada; instalação de um ponto de luz nos sanitários dos visitantes; colocação de puxadores na porta da dependência dos guardas (SIPA: txt.01060645); obras de Anselmo Costa; estudo dos fenómenos de alteração da pedra da Porta Especiosa por Luís Aires de Barros e Luísa M, Picchiochi Alves; 1987 / 1988 - restituição fotogramétrica da Porta Especiosa; obras de restauro da Sé por Anselmo Costa; IPPAR: 2001 / 2002 / 2003 - estudo e limpeza da Porta Especiosa; projeto de remodelação e valorização do claustro e jardim; execução do guarda-vento da porta axial; limpeza e consercação das paredes exteriores; conservação do mobiliário artístico; início do restauro das estruturas retabulares; 2004 - trabalhos de recuperação, consolidação e limpeza das coberturas; consolidação de elementos arquitetónicos e escultóricos; 2005 / 2006 - intervenção nas naves laterais colocam à vista vestígios de policromia, com azuis, vermelho e dourado (PERDIGÃO, 2011, p. 112); 2007 / 2008 - conclusão do restauro das estruturas retabulares.

Observações

*1 - DOF: Igreja da Sé Velha, compreendendo o túmulo de D. Sesnando. *2 - as pinturas do antigo cadeiral do coro-baixo representavam, no lado do Evangelho, Natividade, Adoração dos Magos, Apresentação de Jesus no templo, Menino entre os Doutores, Bodas de Caná, Morte da virgem, Assunção e Coroação; no lado da Epístola, o Nascimento da Virgem, Apresentação da Virgem no templo, Esponsais da Virgem, Anunciação, Visitação, Nossa Senhora, São José e São João Baptista. *3 - os painéis, atualmente arrecadados no Museu Nacional Machado de Castro, representavam a Anunciação, Adoração dos Pastores, Adoração dos Magos, Circuncisão, Repouso na Fuga para o Egito, Cristo no Horto, Traição de Judas, Flagelação, Coroação de Espinhos e Caminho do Calvário. *4 - segundo esta descrição, o túmulo de D. Sesnando e do sobrinho, D. Pedro, encontrava-se na parede N., do templo; a fachada principal possui duas frestas alargadas, uma para iluminação do cartório e outro do ante-coro; entre a casa do cartório e a do órgão, existia uma dependência de acesso à varanda da Porta Especiosa. A Porta de Santa Clara encontrava-se sempre fechada e está junto à Capela de Santa Catarina. A igreja encontra-se rematada por ameias e possuía um coruchéu de três pisos, revestido a azulejo azul e branco, demolido por se temer a sua ruína e substituído por um zimbório, também revestido a placas cerâmicas. A torre foi desviada a S., com acesso pelo claustro e com nove ventanas, também revestida a azulejo e com dependências destinadas à residência do sineiro. O interior do templo possuía coro-alto assente em dois arcos e quatro colunas de pedra, com órgão ainda por dourar, e tem três naves com cinco tramos de cada lado, dois deles ocupados pelo coro-baixo, circunscrito por grades e não permitindo o acesso ao cruzeiro. Na nave central, um pequeno espaço destinado às mulheres e dois púlpitos, adossados ao coro. No lado do Evangelho, a pia batismal, em pedra e com figuras e possui a Capela de Nossa Senhora da Encarnação com imagem estovada, a que se sucedem a porta travessa e um altar com painel pintado a representar as Onze Mil Virgens; segue-se o altar de Santo António com painel pintado a representar o Santo e a Virgem, com as imagens do orago e de São Francisco Xavier. No lado da Epístola, junto à porta, duas lápides, surgindo a Capela de São Miguel, de apainelados com as pinturas de São Miguel, Santa Maria Madalena, Santa Catarina, São Lourenço, São Vicente e o Crucificado, encimado pelas armas dos Melo. Segue-se a Capela de São Tomás de Vilanova e uma escada para o claustro de baixo e para o coro-alto. Cruzeiro com varanda interior. No transepto, uma capela mais alta com a imagem de Santa Isabel e São João Baptista menino e um altar, surgindo, no lado da Epístola, a Capela de São Sebastião com um grande quadro pintado. O absidíolo do Evangelho tem a Capela de São Pedro, com retábulo de pedra, com várias figuras, entre as quais a de São Pedro e de São Paulo e a lápide sepulcral de D. Jorge de Almeida, tendo, à esquerda, a Capela de Santa Clara, com as imagens de São Martinho, São Nicolau e Santa Luzia. No pavimento, uma sepultura com inscrição; junto à Porta de Santa Clara, à direita, o túmulo de D. Vataça, com águias por armas. No lado oposto, a Capela do Santíssimo Sacramentom protegida por grades altas e um altar da pedra com as imagens dos Evangelistas, Apóstolos, Virgem e Cristo; no lado do Evangelho, num nicho, a Senhora do Ó ou Senhora das Paridas e um altar no lado oposto, dedicado a Santa Comba; junto, uma porta com as armas de D. Afonso Castelo Branco, de acesso à sacristia. Capela-mor com retábulo de talha com muitas imagens, enquadrado por talha mais moderna, surgindo, nas ilhargas, os Evangelistas e, na Epístola, uma Anunciação; sobre o arco, São Gabriel, tendo aos pés as armas reais e as imagens dos Profetas. A sacristia é de pedra e abobadada e corre atrás da Capela do Santíssimo e da capela-mor, tendo as imagens dos Doutores da Igreja; no teto, as amras de D. Afonso Castelo Branco, que se repetem no lavabo, de mármore e com água nativa, proveniente da fonte do claustro. Confrontantes, arcazes e três janelas na parede N. e mais duas na E.; dentro de um oratório, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, Saindo da sacristia, um arcosólio com túmulo desconhecido. O claustro é quadrado e à direita tem a sacristia da Confraria do Senhor e adiante uma capela com retábulo de pedra, dedicado a Nossa Senhora da Encarnação, ladeada pelas imagens de São Francisco e Santo António, sobrepujadas por um Crucificado e a imagem de Madalena aos pés, em meio-relevo. No canto, uma cisterna e vira-se à esquerda para a ala do Poli, com capela em abóbada de pedra com altar apainelado dedicado à Santíssima Trindade e onde funciona o cemitério dos cónegos. Tem uma fonte que corre por bica. Na terceira ala, a casa de despejos e a capela com altar de pedra, dedicado a São Jerónimo, a que se sucedem uma casa de despejos e outra capela com as imagens de São Cosme e São Damião; adossada à sacristia, uma capela desativada. No segundo piso, exuistem 16 janelas com grades de ferro, onde está a casa do Despacho, o ante-cabido, a casa do tesouro, a casa da cera e necessárias, bem como as salas de aula. (VASCONCELOS, pp. 458-473). *5 - no sub-coro, exitia um teto mudéjar, transferido parao Museu Machado de Castro, para onde também foi deslocado um retábulo raríssimo, em gesso com armaríolo, de traçado flamejante, mas técnica e gosto mudéjares que se encontrava na parede esquerda da capela-mor; o trabalho deste retábulo é muito idêntico ao do púlpito de Santa Maria de Becerril de Campos, obra de Alonso Martinez, ao púlpito da ermida de Cristo de Torremarte, datado de 1492, no de Santo Hipólito e no de São Miguel de Támara, no claustro das Clarissas de Calabazanos, nas abóbadas do claustro de San Fernando das Huelgas de Burgos, na capela funerária dos Sarmiento e na ante-sacristia da São Francisco de Palência.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2013 (no âmbito da parceria IHRU / Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja)

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