Sé de Évora

PT040705210016
Portugal, Évora, Évora, Sé e São Pedro
 
Arquitectura religiosa, românica, gótica, maneirista, neoclássica. Catedral com vincada feição regional, marcada pela transição das soluções românicas para as do gótico pleno, onde despontam algumas influências arcaicas sem solução de continuidade, oriundas de vários pontos significativos dispostos nas rotas de Santiago. Azulejos de revestimento do coruchéu do torreão N. de fábrica sevilhana quatrocentista; laçarias geométricas dos paramentos do claustro gótico-mouriscas; os capitéis de crochet do pórtico são típicos do ciclo trecentista eborense; molduras do pórtico lateral N. maneiristas; capela-mor em estilo neoclássico joanino adornada com esculturas da escola de Mafra.
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta longitudinal, orientada, composta pelo corpo da nave rectangular, torreões laterais da frontaria embebendo o nártex, transepto, ábside, construções térreas, salas capitulares e sacristias envolvendo os braços do transepto e claustro a S. da nave. Fachada principal de dois registos, defendida por sólidos torreões laterais embebendo, no primeiro registo, o nártex e no segundo o paramento fronteiro da nave; este é rasgado pelo amplo vão de arco quebrado emoldurando composição envasada, de duplo janelão mainelado sobrepujado e enlaçado, na continuidade da inversão da direcção das arcaturas, ampla rosácea com vitrais losangulares; cimalha rematada de renque de rendilhado trilobado e de merlões. nártex, apertado entre os torreões, abrindo ao exterior em amplo vão de arco quebrado e com cobertura em abóbada ogival, de um só tramo; dá acesso a pórtico de sete arquivoltas de arco quebrado a cairem em colunas compósitas, em cujo lanço superior figura monumental Apostolado. Fachadas laterais de dois registos, os inferiores rasgados de arcos em volta perfeita, muito profundos e de chanfradura; os superiores de sete tramos, definidos por contrafortes, rasgados por largos janelões de arco quebrado, emoldurando dupla fresta estreita e amainelada, rasgada por simples óculo circular nos tímpanos; paramentos rematados por renque rendilhado e merlões; nos topos S. e N. dos braços do transepto pórticos laterais. Cruzeiro rematado por zimbório em tambor octagonal, com sólidos contrafortes nas arestas, rasgado por janelas maineladas nas oito faces e rematado por coruchéu compósito, de cone com efeitos escamados rodeado por pináculos de fuste sextavado e coroa de pináculos cónicos. Fachada testeira definida pela projecção da ábside sobre os braços do transepto; estes são cegos apenas com delicadas rosáceas nos topos, com moldura frisada de ordens bem repuxadas e toda a superfície envasada de motivos geométricos polilobados; da cabeceira de planta poligonal, flanqueada de cacho de absidíolos, restam dois pares de colaterais; ábside, em silharia monumental de mármore branco de Estremoz, rectangular arredondada na testeira, com os alçados compostos por dois lanços sobrepostos de ramos apilastrados da ordem jónica, no primeiro rasgados por janelões rectangulares de molduras com parapeitos retabulares e no segundo por aberturas de verga ligeiramente arqueada e profundas molduras esquadriadas; é coroada por balaustrada, com os tramos definidos por pilastras rematadas com pináculos florais. INTERIOR: três naves, a central larga e muito elevada, as laterais baixas e estreitas; sete tramos rectangulares definidos pelos poderosos pilares que levantam os arcos torais sobre os quais repousa a abóbada de berço de arco quebrado; esguias colunas de fuste contínuo, a romperem de simples plintos de duas ordens paralelepipédicas, recebem a descarga em capitéis, com enrolamentos de folha de cardo, e marcam, até metade da altura, os pilares sobre os quais descarregam os amplos arcos quebrados, de duas arquivoltas, dos vãos que se rasgam para as naves laterais; dez colunelos, dois torais e quatro das arquivoltas de cada arco rasgado sobre as laterais, embebem-se então nos pilares, poliedros compósitos de planta octogonal, conseguida pela inscrição de um quadrado sobre dois rectângulos perpendiculares e secantes; trifório contínuo acompanhando os braços do transepto, abrindo-se em varandins de quádruplo mainel e arcos de volta perfeita, com fortes e atarracados colunelos de baixos capitéis fitomórficos; naves laterais de seis tramos, cobertas de abóbadas de arestas de ogivas e arcos torais descarregando nos pilares centrais e em colunelos embebidos nas empenas laterais; estas são rasgadas por amplas e profundas frestas de arco redondo. Cruzeiro com cúpula ogival de marcadas nervuras, circunscrita no torreão quadrangular da lanterna e assente em quatro trompas. Braços do transepto de dois tramos, cobertos por abóbada de berço em arco quebrado, definidos por arcos torais iguais aos da nave; nos topos dois pares de absidíolos, os exteriores menos profundos de um tramo com cobertura ogival, os interiores bem rasgados de dois tramos. Arco triunfal simples em arco quebrado a realizar encontro com as pmbreiras dos vãos do transepto através de finos colunelos com capitéis fitomórficos; capela-mor de três tramos a que se adossa ainda o testeiro de planta semicircular; paramentos retabulados, em mármore branco e negro, e apilastrados rematados por arquitrave; cobertura em abóbada de canhão retabulada, rematada na testeira com semicúpula esférica; embebidas em retábulos, adornos escultóricos rematando cimalhas e pináculos. coro-alto, munido de cadeiral, ocupando os dois primeiros tramos da nave central e carregado ao nível da cimalha das navetas, por dois tramos de abóbada ogival nervurada de arco abatido. Claustro de planta sensivelmente quadrada, mais alongada no eixo E.-O., rematado por pequenos cubelos nos cunhais, simulando castelo.

Acessos

Largo do Marquês de Marialva

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 10-01-1907, DG n.º 14, de 17 janeiro 1907 / Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

1

Enquadramento

Urbano, destacado na cumeeira da acrópole, sobranceira ao casario, arrimada à alcáçova medieval e pretório romano, a descair sobre a escarpa S. da colina de Évora a cujo forte pendor vai buscar os alicerces.

Descrição Complementar

PÓRTICO: as dez primeiras colunas repousam em delicadíssimos colunelos de mármore, com bases anelares lavradas em crochets florais sobre plintos graníticos e rematados por pequenos bocéis anelares, lisos e sóbrios, que os separam das imagens de vulto dos Apóstolos, carregando «parterres» com simbologia de heráldica hermética; rematam em exóticos capitéis de crochet vegetalista; as quatro últimas colunas, a comporem o jugo do pórtico, repousam reunidas em elegantes impostas prismáticas, com capitéis lavrados no topo fronteiro e a rematarem colunas compósitas com o arranjo das precedentes, mas sobrepujadas com as imagens de São Pedro e São Paulo. PÓRTICOS LATERAIS: a S., no topo do braço do transepto e encaixado entre o claustro e a sala capitular, pórtico colateral, integrado em apertado nártex de cobertura ogival radial e abatida, de três arquivoltas de arco quebrado descarregando em colunelos de mármore de bases anelares sobre plinto de granito e com capitéis graníticos de crochet vegetalista; a N. pórtico colateral rasgado em vão simples de arco quebrado e simples silharia granítica, com moldura e ombreiras apilastradas e entablamento de volutas e pináculos. TORREÕES: torreão S. de empenas contrafortadas nos cunhais e rematado por dez pequenos coruchéus cónicos rodeando um maior; no piso cimeiro, torre sineira, abrem-se frestas geminadas com arcos interiores ligeiramente ultrapassados assentes em colunelos, três na frontaria e dois em cada ilharga, N. e S.; alinhada à cimalha do nártex, janela de duas arquivoltas e arco quebrado, encimada, um pouco lateralmente, por janela mainelada rectangular, de mainel chanfrado; nos paramentos O. e S. abrem-se ao nível do solo arcossólios tumulares de arco quebrado. Torreão N. esguio e alto rematado de coruchéu cónico revestido a azulejos verde irisados; na sua frontaria rasgam-se, desencontradas em axadrezado, cinco janela; as dos três pisos cimeiros em arco de volta perfeita, apenas com moldura saliente a correr as ombreiras e a a verga; no piso sobranceiro ao nártex, par geminado de janelas maineladas, de três arquivoltas, com as vergas a repousarem em colunelos com capitéis de acanto e o tímpano sobre o mainel ornado de quadrifólio envasado; alinhada à cimalha do nártex, janela par da do torreão S.. CLAUSTRO: monumental, rectangular, de oito por sete tramos marcados no exterior por contrafortes e com paramentos rasgados por olheiras circulares con envasados de laçaria geométrica; acastelado, tem os dois cunhais libertos rematados por cubelos e circundado de adarve defendido por merlões; a E. a capela-panteão do Bispo Dom Pedro IV.

Utilização Inicial

Religiosa: sé

Utilização Actual

Religiosa: sé

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Diogo de Arruda, Manuel Pires, Mateus Neto, Brás Godinho e Jerónimo de Torres (ESPANCA, 1966), João Frederico Ludovice. ESCULTORES:Telo Garcia e Antonio Bellini escultores; Heitor Lobo construtor do órgão; MESTRES DE OBRAS: Domingos Pires, Martim Pires. ORGANEIROS: Francisco Cunha, Miguel Dias e Pascoal Caetano Oldovini.

Cronologia

1283 - fundação e sagração do templo, segundo data em lápide na Capela do Santissímo alusiva à consagração do prebitério pelo Bispo Dom Durando; 1295 - legado de um cavaleiro e sua mulher refere que deveriam ser sepultados na Sé quando as obras tivessem terminado; 1301 - testamento de Mem Soares e sua mulher determina que sejam sepultados no altar que ficar mais perto dos seus túmulos a ser ainda construído; documento refere Domingos Pires como Mestre da Obra; 1305 - o clérigo Abril Pais deixa vultuoso testamento à Sé determinando que se fixem as torres e se abra uma comunicação para o quintal (provavelmente o local do futuro claustro), Séc. 14 - continuação da construção, sobretudo durante o pontificado do sucessor de Dom Durando, Dom Fernando Martins que dota a fábrica do templo de lautas rendas pessoais; 1317 / 1340 - edificação do claustro tumular do Bispo D. Pedro IV durante a qual se concluiu a igreja, c. de 1320; 1334 - o Mestre de Obras Martim Pires ainda é vivo; séc. 14, finais / séc. 15, inícios - documentação do cartório capitular atesta a exiguidade da primitiva cabeceira; construção do nártex; séc. 15 - provável factura das imagens do pórtico principal figurando São Paulo e São Pedro; Séc. 16, início - coro-alto por Diogo de Arruda; pórtico colateral N.; 1470 ducados do rendimento da diocese pertenciam ao padroado da Companhia de Jesus, do Colégio do Espírito Santo de Évora; 1522 / 1525 - Campanha de obras; 1528 - O rei manda fazer ornamentos para a Sé; 1544, c. de - construção do órgão por Heitor Lobo; 1562 - execução do órgão do coro pelo mesmo; 1586, 27 de Janeiro - violento temporal derruba a imagem da Virgem na torre sobre a capela-mor; 1669 - João Nunes Tinoco planifica uma primeira tentativa de reedificação da ábside; 1678 - reparação dos órgãos por Miguel Dias; séc. 17, final - conserto dos órgãos pelo organista Francisco Cunha; 1678 - reparação dos instrumentos pelo organeiro Manuel Dias; 1718 - apeamento da ábside primitiva; 1721 - ábside de João Frederico Ludovice; 1735 - quase concluída a nova ábside; 1746 - sagração da ábside; 1758 - 1762 - feitura dos órgãos da capela-mor por Pascoal Caetano Oldovini; 1939 - aquando das obras da DGEMN, desmantelados altares de talha e retábulos das capelas laterais bem como uma porta gradeada do vestíbulo, tendo transitado para o a Arcebispado de Évora; 1969 - estragos provocados pelo sismo; 1984 - o órgão da capela-mor do lado da Epístola apeado durante as obras de 1966 - 1967, tendo sido vendido a um milionário do Texas, encontra-se desde esta data na Universidade Metodista de Dallas; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2000, 26 de Junho - assinado, entre a Arquidiocese de Évora e o IPPAR, protocolo de colaboração para a salvaguarda e valorização do património cultural património da Igreja no Alto Alentejo; 2011, 13 de Setembro - publicado no DR, nº 176, 2ª Série, Declaração de rectificação de anúncio n.º 281/2011, alterando o prazo para apresentação de propostas relativo ao concurso público Empreitada de Intervenção no Espaço Público da Acrópole de Évora e Área Envolvente - Acrópole XXI.

Características Particulares

O pórtico exibindo aquele que é considerado o mais monumental apostolado da arte medieval portuguesa e no qual trabalhou Telo Garcia que já lavrara o túmulo do Arcebispo bracarense Dom Gonçalo Pereira. O zimbório, elemento que identifica porventura as fontes de influência do primeiro ciclo de edificação do templo, lembrando protótipos que, irradiando de Perigord e Poitou, têm expressão suprema na catedral de Zamora. As rosáceas da frontaria e do braço N. do transepto. A capela-mor talvez a obra mais equilibrada do neoclássico joanino, pesem embora as dificuldades de integração na mole gótica: uma luz equilibradíssima, reflectida e sombreada pela alternância do mármore branco e negro, conferindo a toda a complexa estrutura a monumentalidade das melhores realizações berninianas; destacam-se os seus adornos escultóricos atribuídos ao paduano António Bellini. Saliente-se ainda a vastidão da nave central de pé direito descomunal. O órgão, um dos raros exemplares quinhentistas ainda existentes no país, de Heitor Lobo que construiu igualmente o órgão do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (v. PT002603170004).

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Cantaria de granito, mármore de Estremoz e calcário lisbonense em elementos secundários e pormenores escultóricos

Bibliografia

ANUNCIADA, Dom João da, Descripção da Cathedral de Évora, Lisboa, 1844; SILVA, Joaquim Possidónio da, Mémoire de l'Archeologie..., 1868; CHICÓ, Mário Tavares, A Catedral na Idade Média,Évora, 1946; SANTOS, Reynaldo dos, A Escultura em Portugal, Lisboa, 1948; LAMBERT, Élie, A Catedral de Évora, A Cidade de Évora, nº 7, 1949; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora, Vol. VI, Lisboa, 1966; BAPTISTA, Júlio César, A Catedral de Évora, A Cidade de Évora, nº 57, 1974; CHICÓ, Mário Tavares, A Arquitectura Gótica em Portugal, 3ª edição, Lisboa, 1981; VALENÇA, Manuel ( Padre ), O órgão na História e na Arte, vols. I e II, Braga, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; IAN/TT: Corpo Cronológico, Parte I, maço 39, doc. 68; Parte II, maço 101, doc. 94; maço 102, doc. 5; maço 105, doc. 43; maço 107, doc. 40; maço 129, doc. 244.

Intervenção Realizada

1830 - restauro do órgão por José Manuel Monte; DGEMN: 1937/1938 - Substituição de blocos de cantaria no zimbório, reconstrução de caleiras em cantaria e de ameias, demolição de construções para desafrontar as fachadas, restauro de dois gigantes, de ameias no claustro e de vitrais; 1939 - Demolição de construções e escadas, apeamento de altares em talha e retábulos das capelas laterais e de uma porta gradeada do vestíbulo, reparo de pavimentos e assentamento de escadaria, reparo de frestas e rosáceas; 1945 - desmantelado o órgão do coro-alto do lado da Epístola; 1946 - colocação de um ventilador eléctrico no órgão da capela-mor (Evangelho), por Sampaio & Filhos; 1951 / 1953 - Transferência de um túmulo da cripta para o cruzeiro, restauro do pavimento do cruzeiro, restauro de túmulo em mármore, lajeado de cantaria, reparo da cobertura, lajeado do claustro, demolição de construções no claustro, rebocos em paramentos; 1957 - Conclusão do Museu de Arte Sacra; 1958 - reparo das coberturas; 1963 - Reparo do zimbório; 1965 - Nova disposição do altar, no transepto; 1966 - Reparo de coberturas e do zimbório; 1966 / 1967 - apeamento do órgão da capela-mor do lado da Epístola *1; restauro do órgão da Epístola pela firma Flentorp; 1979 - Novo Museu de Arte Sacra; 1981 - instalação contra intrusão no museu de Arte Sacra; 1985 - Reparo de coberturas, limpeza de telhados e reparo de fendas; 1989 - reparações no exterior, cobertura e restauro de interiores; 1992 - restauro do órgão da capela-mor por António Simões; IPPAR: DRE / MEPAT / LNEC: 1997 - 2000 - estudo dos granitos.

Observações

A composição dos torreões, como de resto todo o edifício, é desigual, tendo todavia as cimalhas alinhadas.

Autor e Data

Manuel Branco 1993

Actualização

 
 
 
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