Forte e capela de Nossa Senhora da Rocha

IPA.00002821
Portugal, Faro, Lagoa, Porches
 
Arquitectura militar e religiosa, visigótica, moderna. Fortaleza quinhentista de traçado poligonal abrigando ermida de hipotética construção visigótica ou moçárabe. A fortaleza, da qual restam esparsos vestígios devido a natural erosão da falésia onde se implanta, possuia fosso e ponte levadiça. A capela de planta hexagonal e cobertura da capela-mor em cúpula em forma de coruchéu piramidal, apresenta a fachada principal antecedida por amplo nartex, lançado em tripla arcada sobre colunas de inspiração paleo-cristã e capitéis visigóticos. A planimetria e a decoração dos capitéis apontam para que o culto cristão no lugar remonte ao período islâmico.
Número IPA Antigo: PT050806040001
 
Registo visualizado 355 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta composta por forte poligonal e ermida de planta composta por nartex rectangular, capela-mor hexagonal e sacristia adossada a S.; a N. corpo anexo. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura em telhado de duas águas no corpo anexo e no nartex com aba prolongada pela sacristia, e em coruchéu piramidal na capela-mor com beirado telhado. FORTE: cortina de muralhas rasgada por porta antecedida de fosso; alçados e coruchéu de alvenaria rebocada e caiada, gradeamentos de ferro trabalhado pintado a cor cinza. ERMIDA: fachada principal a O., de dois corpos correspondentes à galilé e à sacristia ligeiramente recuada; corpo da galilé de pano único rasgado por arcaria de três arcos alteados sobre duas colunas pétreas, de fustes com entase, bases constituídas por plinto e escócia e capitéis com ábaco e équino os da coluna N. relevados com motivos de volutas, triângulos e palmetas muito estlizadas. INTERIOR: portal em arco de volta perfeita e no seu eixo o altar composto por um retábulo com 4 colunas jónicas, a ostentar a imagem da Virgem; cobertura em falsa cúpula octogonal em madeira.

Acessos

Ponta de Nossa Senhora da Rocha

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 45 327, DG,1.ª série, n.º 251 de 25 outubro 1963

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Marítimo, isolado, no promontório da Senhora da Rocha, implantado sobre falésia dominando o oceano Atlântico, disfrutando de uma magnífica envolvente. Nas imediações a povoação de Porches, cuja designação poderá ter evoluído do termo árabe burj (torre), indicia a existência de um assentamento islâmico de carácter militar (GARCIA, 2012).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: fortaleza / Religiosa: ermida

Utilização Actual

Religiosa: igreja (procissão e romaria no 1º Domingo de Agosto) *1

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

RCAlgarve, Dec. Lei nº 34/2007 de 20 de Março 2007

Época Construção

Séc. 08 / 13 (conjectural) / 16 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 08 - data hipotética de construção da ermida, reutilizando materiais de origem provavelmente romana, na sequência, segundo a lenda, do aparecimento, no local, de uma imagem da Virgem *2; Séc. 13 - D. Dinis terá mandado construir uma fortaleza para protecção da ermida; Séc. 16 - D. João III manda construir uma fortaleza no local para defesa da costa e da população dos piratas mouros; feitura da imagem de Nossa Senhora com o Menino; 1755, 01 novembro - a fortaleza é muito danificada pelo terramoto; Séc. 19, inícios - restauro da fortaleza joanina; 1969 - estragos provocados pelo sismo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Características Particulares

Nártex de maior dimensão que o corpo da ermida; capela-mor de planta hexagonal com cobertura em coruchéu piramidal.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Cantaria, alvenaria, azulejo, talha, madeira em portas e caixilhos, telha.

Bibliografia

CALLIXTO, C., Castelos e fortificações marítimas do concelho de Lagoa, Faro, 1991, pp. 21-34; GARCIA, Cristina, Ermida da Senhora da Rocha in Discover Islamicart Art. Place: Museum With No Frontiers, 2012 (http://www.discoverislamicart.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;14;pt); LOPES, João Baptista da Silva, Corografia (...) do reino do Algarve, Lisboa, 1841; OLIVEIRA, Francisco Ataíde, Monografia de Porches, Concelho de Lagoa, Porto, 1912; Torres, C. e Macias, S. O legado islâmico em Portugal, Lisboa, 1998, p. 186.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, Arquivo Frederico George

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID-001/008-0878/1/2, DGEMN(DSARH - 010/118 - 005/006, DGEMN/DSMN/SE - 0118/03

Intervenção Realizada

DGEMN: 1963 - reconstrução de muralhas, construção de rebocos em paramentos do forte e capela; demolição e construção de coberturas; reparação do lambril de azulejos; reconstrução de pavimentos; 1964 - substituição de portas e caixilhos; 1965 - reconstrução de rebocos e pavimentos, reparação do lambril de azulejos; 1968 - restauração da cortina de muralhas e limpeza do fosso de entrada; reparação da cúpula da capela; 1976 - consolidação geral da muralha, colocação de azulejos artísticos na entrada da capela, reparação da cúpula e telhados; 1977 - caiação geral da ermida; 1986 - reparação de fendas na muralha, reconstrução de rebocos salitrosos da capela e anexos.

Observações

*1 - durante a procissão a imagem do orago é levada em andor até à praia; *2 - desconhece-se a data de construção inicial da ermida; Estácio da Veiga é de opinião que foi construida com materiais de edifícios romanos destruídos.

Autor e Data

João Neto 1991

Actualização

Rosário Gordalina 2008
 
 
 
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