Templo Romano de Évora / Templo de Diana

IPA.00002863
Portugal, Évora, Évora, União das freguesias de Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)
 
Arquitectura religiosa romana. Templo de linhas muito clássicas, de um tipo que se desenvolveu particularmente na Hispânia, caracterizado pelo sólido embasamento e pela estrutura hexastila, com paralelo em Mérida.
Número IPA Antigo: PT040705210014
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Restam o pódio quase completo, onde se marca com evidência o desmorono da escadaria, a colunata intacta do topo N. (6 colunas), com respectiva arquitrave e fragmentos do friso, 4 colunas a E., com arquitrave e um fragmento do friso, e a O. 3 colunas completas, uma sem capitel e uma base, fragmentos da arquitrave e um do friso. Pódio edificado em cantaria incerta de granito, opus incertum, rematado nos cunhais por cantaria esquadriada, com vestígios de almofadas salientes; tem c. de 25 m de comprimento, para 15 m de largura e 3,5 m de altura. Colunas coríntias de fustes profundamente canelados, constituídos por 7 tambores de altura irregular, perfazendo c. de 6,2 m, para c. 1,2 m; assentam em bases circulares de mármore branco de Estremoz, directamente sobre a moldura superior e são rematadas por capitéis lavrados, também em mármore, com três ordens de acanto e ábacos ornamentados de florões, malmequeres, girassóis, rosas. Os restos do entablamento são em cantaria de granito.

Acessos

Largo Conde de Vila Flor

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 10-01-1907, DG n.º 14, de 17 janeiro 1907 / Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, quase na cota suprema da acrópole de Évora, isolado, destacado. Rodeado pela Sé (v. PT040705120016), Paço dos Inquisidores de Évora, Tribunal da Inquisição (v. PT040705120051), Igreja e Convento dos Lóios (v. PT040705120033), Biblioteca Pública e Museu.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: templo clássico

Utilização Actual

Marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 1 (HAUSCHILD, 1988) / Séc. 2 / 3

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 1 - edificação durante a época de Augusto (HAUSCHILD: 1988); Séc. 2 / Séc. 3 - edificação, segundo a cronologia tradicionalmente aceite, empreendida no quadro de uma campanha radical de redefinição urbana da cidade, quando o culto e o estatuto imperial lhe imposeram a distinção do espaço da cidadela, que um pesado muro granítico passa a cingir (070513040); Séc. 5 - destruído durante as invasões bárbaras; Séc. 14 - teria servido de casa-forte ao castelo da vila; Fernão Lopes refere-o como açougue; 1467 - carta de D. Afonso V autorizando Sueiro Mendes a retirar pedras dos açougues; Séc. 16 - representado no Foral manuelino de Évora; difunde-se antiga tradição que atribui a fundação do templo a Sertório (paladinos da fundação sertoriana André de Resende e Mendes de Vasconcelos); Séc. 17 - o Padre Manuel Fialho cria a lenda do Templo de Diana; 1789 - James Murphy concebe reconstituição iconográfica do templo; Séc. 19 - mantem ainda os merlões piramidais de tradição mudéjar - manuelina e as empenas cegas de onde apenas despontava a colunata; 1836 - deixa de funcionar como açougue; 1840 - Cunha Rivara, na qualidade de Director da Biblioteca Pública de Évora obtem a cedência dos edifícios da Inquisição, em tempos anexos à fachada N. do Templo e aos quais este se unia por passadiço, e que serão então demolidos desafrontando o monumento; inicia-se então aquela que será a primeira grande escavação arqueológica em Portugal, tendo-se descoberto os tanques dum primitivo aqueduto; 1863 - o tecto abate parcialmente e o edifício ameaça ruína; já destruídos em parte os tanques durante os trabalhos de embelezamento do largo; 1869 - Filipe Simões propõe a demolição urgente das estruturas medievais defendendo o repor da feição primitiva do templo; 1871 - a direcção da obra de restauração é entregue a José Cinatti que faz demolir os vestígios medievais preconizados por Filipe Simões e executa um programa de restauro integral idealista e romântico do templo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2011, 13 de Setembro - publicado no DR, nº 176, 2ª Série, Declaração de rectificação de anúncio n.º 281/2011, alterando o prazo para apresentação de propostas relativo ao concurso público Empreitada de Intervenção no Espaço Público da Acrópole de Évora e Área Envolvente - Acrópole XXI.

Características Particulares

Equilibrada e harmoniosa convivência entre o granito e o mármore. A sua feição actual, que o leva a ser considerado como uma das mais bem conservadas ruínas romanas da Península, é fruto da restauração romântica de Cinatti e evidencia de modo paradigmático as teorias de restauro então praticadas.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma.

Materiais

Cantaria granítica irregular e opus incertum no pódio, cantaria de granito no restante, excepto nos capitéis e bases das colunas em mármore branco de Estremoz.

Bibliografia

RESENDE, André de, Historia da Antiguidade da Cidade de Évora, 1573; IDEM, Libri Quator de Antiquittatibus Luzitaniae, ed. Diogo Mendes de Vasconcelos, Évora, 1593; VASCONCELOS, Diogo Mendes, Liber V de Municipio Eborensi, Évora 1593; ESTAÇO, Gaspar, Várias Antiguidades de Portugal in Collecçam de Antiguidades de Évora, Lisboa, 1785; PATRÍCIO, Amador (Martim Cardoso de Azevedo), Historia da Antiguidade da Cidade de Évora, 1793; BARATA, António Francisco, Restauração do Templo Romano em Évora, Instituto Vasco da Gama, Tomo I, nº 8, Évora, 1872; SIMÕES, Augusto Filipe, O Templo Romano de Évora in Escriptos Diversos, Coimbra, 1888; FIALHO, Pre. Manuel, Évora Ilustrada, A Cidade de Évora - Boletim da Comissão Municipal de Turismo, nº 7 - 8, Ano 3, Julho- Setembro, 1944; GARCÍA Y BELLIDO, A., El Recinto Mural Romano de Ebora Liberalitas Julia, Conimbriga, 10, 1971; ETIENNE, Robert, Le Culte Impériale dans la Péninsule Ibérique d'Auguste à Dioclétien, Paris, 1974; ALARCÃO, Jorge, Portugal Romano, Lisboa, 1988; HAUSCHILD, Theodor, Zur Typologie Romische Tempel auf der Iberischen Halbinsel, Pripterale Anlagen in Barcelona, Mérida und Evora, Badajoz, 1982; Idem, Investigações efectuadas no Templo e Évora em 1986 in Trabalhos de Arqueologia do Sul, 1, Évora, 1986; Idem, Untersuchungen am Romischen Tempel von Evora, Vorbericht, 1986- 1987, Madrid, 1988; SILVA, António Carlos, A restauração do Templo Romano de Évora, A Cidade de Évora- Boletim de Cultura da Câmara Municipal, II Série, nº1, Évora, 1994 - 1995.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMS; Terracarta - Consultoria Geomática, Av. Do Brasil, Lisboa, www.terracarta.org.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMS; Arquivo Municipal de Évora, Archivo da Camara d'Evora, Lº 2º dos originaes, f.148

Intervenção Realizada

1989 / 1994 - escavações na zona envolvente, dirigidas pelo arqueólogo alemão Theodor Hauschild.

Observações

O Templo de Évora evidencia ser pseudoperíptero e hexastilo, com frontão voltado a S. e ampla escadaria de acesso (escadaria dupla de acesso lateral e seria porventura ornamentado por envolvimento de aparato, espelho de água, pórtico monumental, segundo os indicadores de escavações recentes levadas a cabo Hauschild e das quais se aguarda a publicação dos resultados, divulgados pelo arqueólogo numa conferência no Museu de Évora, em Dezembro de 1993.

Autor e Data

Manuel Branco 1993 / Rosário Gordalina 1996

Actualização

 
 
 
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