Igreja Paroquial de São Miguel / Igreja de São Miguel

IPA.00003102
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitetura religiosa, maneirista, barroca. Igreja paroquial com fachada maneirista, robusta e com linhas simples e simétricas, dividida por 4 pilastras, com o pano central mais largo. O edifício é encimado por um nicho central ladeado por aletas e coroado por frontão triangular, e 2 torres sineiras coroadas por elementos de formas bulbosas. Interior bastante rico em talha barroca, estilo Joanino e de grande qualidade.
Número IPA Antigo: PT031106470120
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave única, capela-mor, um anexo adossado na fachada E. e um edifício na fachada posterior. Soco e pilastras em cantaria. Cobertura em telhado de 2 águas. Fachada principal a S., de acentuada verticalidade seccionada por 4 pilastras, sendo o pano central mais largo que os laterais. Pano central: é rasgado por um pórtico coroado por frontão em arco contracurvado e é ladeado por 2 portas com frontões curvos coroados por pinhas. Na prumada destas 2 pequenas janelas rectangulares encimadas por 3 janelas, a central com frontão curvo e as laterais frontão triangular. Panos laterais: são rasgados por várias janelas frestas. Corre a fachada entablamento sobrepujado por platibanda e sobre esta ergue-se, ao centro, um nicho com imagem, ladeado por aletas e coroado por frontão triangular com cruz sobre acrotério. A ladear este nicho e na prumada dos panos laterais, 2 torres (só a de SE. é que tem sino) rasgadas nas 4 faces e com cobertura em forma bulbosa. As fachadas laterais são seccionadas por 4 pilastras e rasgadas por 3 janelas simples de vão rectangular. Interior bastante rico em talha dourada. Coro, iluminado por 3 janelas, assente sobre 3 arcos de madeira. 6 capelas laterais, 3 em cada lado, inscritas em arco pleno e encimadas por 3 tribunas, em cada lado, com janelas iluminantes, ligadas interiormente por corredor. Arco cruzeiro pleno, ladeado por 2 altares inscritos em arcos plenos. 16 telas, emolduradas em talha dourada, decoram todos os espaços das paredes da nave, do arco cruzeiro e das tribunas, representando cenas do Velho e do Novo Testamento. O tecto da nave tem 15 quadrelas com pintura alusiva a emblemas Eucarísticos, tendo a central, uma figuração de anjos. Capela-Mor de pequenas dimensões e com grande profusão em talha dourada, revestindo os nichos, o retábulo, a tribuna e o trono para a exposição do Santíssimo, as ilhargas e o tecto, usando colunas salomónicas e pseudo-salomónicas, volutas, atlantes em forma de pequenos homens ou de anjos vestidos, aletas, pássaros, folhagem, flores, cabeças de anjos. O tecto finge uma abóbada dividida em painéis com medalhões, figurando os símbolos Evangélicos no meio de folhas de acanto e de palmas.

Acessos

Largo de São Miguel, em Alfama

Protecção

IIP - Imóvel de Interessa Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982

Enquadramento

Urbano. Isolado, no cimo de pequena elevação, rodeada por uma malha apertada de casario típico do bairro onde se insere. Implantação destacante.

Descrição Complementar

O nicho da fachada principal recebe uma imagem de São Miguel, em cimento. A primitiva, em terracota, é do 1º quartel do Séc. 18, encontrando-se numa dependência da Igreja. Algumas telas que decoram as paredes, são atribuídas a Bento Coelho da Silveira e as pinturas do tecto a José Ferreira de Araújo. De 1723 a 1728 intervieram na Capela-Mor os seguintes entalhadores e escultores: Manuel de Brito, Santos Pacheco, Claude Lapadre, Félix Adaucto e Santos Pacheco.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João Nunes Tinoco (1666-1678). ENTALHADORES: António Rodrigues (séc. 17); Claude Lapadre (séc. 18); Félix Adauto da Cunha (1724); Manuel da Costa e Silva (1740); Manuel de Brito (1723-1728); Santos Pacheco (1727). PEDREIROS: Francisco Pereira (1673); João Antunes (1696); Manuel Rodrigues (1673-1694); Manuel Soares (1673). PINTORES: António Pereira Ravasco (1699-1700); Bento Coelho da Silveira; Estêvão Amaro Pinheiro (1698); Jacques de Campos (séc. 16); José Ferreira de Araújo; Lourenço Nunes Varela (1698-1700); Miguel dos Santos (1698-1700).

Cronologia

Séc. 12 - edificação da primitiva igreja, segundo alguns autores; séc. 16 - pinturas do retábulo por Jacques de Campos; 1551 - segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, a igreja tem prior e quatro beneficiados, rendendo 175 cruzados e para os beneficiados 40 cruzados; no templo estão sediadas as confrarias do Santíssimo, São Miguel, Nossa Senhora, Espírito Santo, São Roque, Santa Ana, Santa Catarina e São Sebastião, rendendo de esmolas 300 cruzados; 1666 - João Nunes Tinoco elabora a planta de reconstrução da igreja (COUTINHO: 295); 1673 - 1674 - por se encontrar muito danificada e "ameaçando ruína" a Irmandade do Santíssimo Sacramento delibera mandá-la reconstruir "desde os seus fundamentos", com uma planta feita por João Nunes Tinoco; séc. 17, final - feitura do retábulo-mor por António Rodrigues; 1673, 16 julho - contrato para a reconstrução da igreja com os pedreiros Francisco Pereira, Manuel Rodrigues e Manuel Soares (COUTINHO: 448-449); 1694, 03 dezembro - no testamento do pedreiro Manuel Rodrigues é referido que se encontra a trabalhar nas obras da igreja (COUTINHO: 469); 1696 - desenho da fachada por João Antunes e feitura de uma escultura em barro por Claude Laprade; 1698 - pintura dos caixotões do teto em brutesco, por Miguel dos Santos, Estêvão Amaro Pinheiro e Lourenço Nunes Varela; 1699-1700 - pintura das telas da igreja por António Pereira Ravasco (fal. 1712), pagas pela Irmandade do Santíssimo por 318$000; pintura de seis painéis para a nave, com temas eucarísticos a 18$000 cada, dois para o arco triunfal a 15$000 cada, quatro Virtudes para o coro-alto, a 5$000 cada, o da boca da tribuna por 50$000 e dois para as ilhargas da capela-mor por 25$000; 1700 - pintura do tecto em brutesco por Lourenço Nunes Varela e Miguel dos Santos; séc 18 - modelação da imagem em barro de São Miguel para a fachada, por Claude Laprade (actualmente na sacristia); realização da talha parietal da capela-mor por Félix Adaucto da Cunha; 1710 - testamento de Matias Rodrigues de Carvalho referindo parte do pagamento da obra que fazia na igreja; 1720 - conclusão das obras, faltando ainda muitos dos seus adornos; 1723-1728 - feitura do retábulo-mor por Manuel de Brito, havendo intervenção de Santos Pacheco; 1724, 18 novembro - contrato entre Félix Adauto da Cunha e a Irmandade do Santíssimo para a feitura das ilhargas em talha da capela-mor e escultura dos quatro Evangelistas (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 503); 1727, 18 novembro - contrato com Santos Pacheco para a reforma da talha das ilhargas da igreja e feitura do teto da capela-mor (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 557); 1740 - feitura do retábulo da capela de Nossa Senhora da Atalaia por Manuel da Costa Silva; 1755, 1 novembro - o terramoto arruinou o tecto do coro, deitou abaixo as duas torres e abriu brechas nas paredes; as obras de reparação foram rapidamente realizadas; 1758, 06 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Joaquim Manuel de Carvalho, é referido que a igreja tem oito altares, o de São Sebastião, cuja talha se encontra por dourar, ladeado por Santa Catarina de Alexandria e Santa Catarina de Siena, o do Senhor Jesus da Pobreza, retábulo de talha dourada, onde está a imagem do orago, em pasta, com uma irmandade e capelão; possui, ainda, a de São Pedro Gonçalves, o de Nossa Senhora da Estrela, de talha pintada, o de Santa Ana, com a imagem de Santa Luzia; no lado oposto, os altares de Santo António, com as imagens de São Francisco de Bórgia e Santa Bárbara, ainda por dourar, o de talha dourada do Crucificado, com a irmandade das Almas, que sustenta dez capelães, e a imagem de São Francisco de Paula, o altar de Nossa Senhora das Candeias, ladeada por São Brás e Santo André, e o de Nossa Senhora do Rosário, de talha e ainfa para pintar; a capela-mor é de talha dourada, tendo no retábulo as imagens do orago e a de São José, bem como o sacrário, pelo qual zela a Irmandade do Santíssimo; o pároco é prior, apresentado pela Coroa, tendo de rendimento cerca de 300$000; tem quatro beneficiados, apresentados pelo prior, com 70 a 80$000; 2004 - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria, cantaria, madeira, vidro, e telha.

Bibliografia

ARAUJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Fascículo 10, Lisboa, 1944 - 1956; ALMEIDA, Fernando de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, 1º Tomo, Lisboa, 1973; CARVALHO, Ayres de, "Documentário Artístico do Primeiro Quartel de Setecentos, Exarado nas Notas dos Tabeliães de Lisboa", in Separata da Revista Bracara Augusta, vol. XXVII, fasc. 63 (75), 1973, p. 63; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia e COUTINHO, Maria João Pereira, Com toda a perfeição na forma que pede a arte: a capela do Santíssimo Sacramento da igreja de São Roque em Lisboa: a obra e os artistas, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 267-295; Guia Laranja, Lisboa e Costa de Lisboa, Lisboa, 1985; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; Monumentos, n.º 25, Lisboa, DGEMN, 2006; OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues de - Sumário em que brevemente se contém algumas coisas (assim eclesiásticas como seculares) que há na Cidade de Lisboa. 2.ª ed. Lisboa: Edições Biblion, 1938; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros em Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; SMITH, Robert, A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; SERRÃO, Vítor, Um concurso de pintura do século XVII, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 75-100; SERRÃO, Vítor, Os Silva Paz, uma família de pintores em obra, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 101-124; SERRÃO, Vítor, António Pereira Ravasco, ou a influência francesa na arte do tempo de D. Pedro II, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 125-148; SERRÃO, Vítor, Tomás Luís e o antigo retábulo da Igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 211-235; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; SERRÃO, Vítor - «Património de Arte Sacra desconhecido. Três pinturas do século XVI descobertas na igreja de São Miguel de Alfama» in Invenire Revista de Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, janeiro - junho 2013, n.º 6, pp. 28-30.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DSARH; CMLisboa: Arquivo do Alto da Eira (Processo de obras nº 47 231.)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1934 - Obras de reparação na Igreja; 1957 - Reparação dos telhados; 1959 - Obras de restauro; CML: 1914 - Reparações na antiga residência do pároco para instalação da cantina escolar; 1929 - Limpeza do telheiro que deita para as Escadinhas de São Miguel; 1933 - modificação do gradeamento exterior do adro; substituição de telha de canudo por marselha no alçado lateral; 1935 - Alterações no vão de uma janela na fachada lateral da cantina da escola; 1951 - Obras de limpeza geral e substituição da telha portuguesa por telha tipo marselha; 1962 - Obras de reparação da escadaria de acesso à entrada principal; Obras de beneficiação geral; DGEMN: 1994 - obras de beneficiação das fachadas; 1995 -obras de recuperação de fachadas, e das marcenarias dos altares e limpeza da talha do Altar-mor; 2004 - beneficiação de coberturas e fachadas; 2005 / 2006 - restauro dos elementos decorativos interiores, nomeadamente da pintura do tecto em caixotões.

Observações

Autor e Data

João Silva 1992

Actualização

Luísa Cortesão 2005
 
 
 
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