Igreja Paroquial de São Miguel / Igreja de São Miguel

IPA.00003102
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitetura religiosa, maneirista, barroca. Igreja paroquial com fachada maneirista, robusta e com linhas simples e simétricas, dividida por 4 pilastras, com o pano central mais largo. O edifício é encimado por um nicho central ladeado por aletas e coroado por frontão triangular, e 2 torres sineiras coroadas por elementos de formas bulbosas. Interior bastante rico em talha barroca, estilo Joanino e de grande qualidade.
Número IPA Antigo: PT031106470120
 
Registo visualizado 393 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave única, capela-mor, um anexo adossado na fachada E. e um edifício na fachada posterior. Soco e pilastras em cantaria. Cobertura em telhado de 2 águas. Fachada principal a S., de acentuada verticalidade seccionada por 4 pilastras, sendo o pano central mais largo que os laterais. Pano central: é rasgado por um pórtico coroado por frontão em arco contracurvado e é ladeado por 2 portas com frontões curvos coroados por pinhas. Na prumada destas 2 pequenas janelas rectangulares encimadas por 3 janelas, a central com frontão curvo e as laterais frontão triangular. Panos laterais: são rasgados por várias janelas frestas. Corre a fachada entablamento sobrepujado por platibanda e sobre esta ergue-se, ao centro, um nicho com imagem, ladeado por aletas e coroado por frontão triangular com cruz sobre acrotério. A ladear este nicho e na prumada dos panos laterais, 2 torres (só a de SE. é que tem sino) rasgadas nas 4 faces e com cobertura em forma bulbosa. As fachadas laterais são seccionadas por 4 pilastras e rasgadas por 3 janelas simples de vão rectangular. Interior bastante rico em talha dourada. Coro, iluminado por 3 janelas, assente sobre 3 arcos de madeira. 6 capelas laterais, 3 em cada lado, inscritas em arco pleno e encimadas por 3 tribunas, em cada lado, com janelas iluminantes, ligadas interiormente por corredor. Arco cruzeiro pleno, ladeado por 2 altares inscritos em arcos plenos. 16 telas, emolduradas em talha dourada, decoram todos os espaços das paredes da nave, do arco cruzeiro e das tribunas, representando cenas do Velho e do Novo Testamento. O tecto da nave tem 15 quadrelas com pintura alusiva a emblemas Eucarísticos, tendo a central, uma figuração de anjos. Capela-Mor de pequenas dimensões e com grande profusão em talha dourada, revestindo os nichos, o retábulo, a tribuna e o trono para a exposição do Santíssimo, as ilhargas e o tecto, usando colunas salomónicas e pseudo-salomónicas, volutas, atlantes em forma de pequenos homens ou de anjos vestidos, aletas, pássaros, folhagem, flores, cabeças de anjos. O tecto finge uma abóbada dividida em painéis com medalhões, figurando os símbolos Evangélicos no meio de folhas de acanto e de palmas.

Acessos

Largo de São Miguel, em Alfama

Protecção

IIP - Imóvel de Interessa Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano. Isolado, no cimo de pequena elevação, rodeada por uma malha apertada de casario típico do bairro onde se insere. Implantação destacante.

Descrição Complementar

O nicho da fachada principal recebe uma imagem de São Miguel, em cimento. A primitiva, em terracota, é do 1º quartel do Séc. 18, encontrando-se numa dependência da Igreja. Algumas telas que decoram as paredes, são atribuídas a Bento Coelho da Silveira e as pinturas do tecto a José Ferreira de Araújo. De 1723 a 1728 intervieram na Capela-Mor os seguintes entalhadores e escultores: Manuel de Brito, Santos Pacheco, Claude Lapadre, Félix Adaucto e Santos Pacheco.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João Nunes Tinoco (1666-1678). ENTALHADORES: António Rodrigues (séc. 17); Claude Lapadre (séc. 18); Félix Adauto da Cunha (1724); Manuel da Costa e Silva (1740); Manuel de Brito (1723-1728); Santos Pacheco (1727). PEDREIROS: Francisco Pereira (1673); João Antunes (1696); Manuel Rodrigues (1673-1694); Manuel Soares (1673). PINTORES: António Pereira Ravasco (1699-1700); Bento Coelho da Silveira; Estêvão Amaro Pinheiro (1698); Jacques de Campos (séc. 16); José Ferreira de Araújo; Lourenço Nunes Varela (1698-1700); Miguel dos Santos (1698-1700).

Cronologia

Séc. 12 - edificação da primitiva igreja, segundo alguns autores; séc. 16 - pinturas do retábulo por Jacques de Campos; 1551 - segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, a igreja tem prior e quatro beneficiados, rendendo 175 cruzados e para os beneficiados 40 cruzados; no templo estão sediadas as confrarias do Santíssimo, São Miguel, Nossa Senhora, Espírito Santo, São Roque, Santa Ana, Santa Catarina e São Sebastião, rendendo de esmolas 300 cruzados; 1666 - João Nunes Tinoco elabora a planta de reconstrução da igreja (COUTINHO: 295); 1673 - 1674 - por se encontrar muito danificada e "ameaçando ruína" a Irmandade do Santíssimo Sacramento delibera mandá-la reconstruir "desde os seus fundamentos", com uma planta feita por João Nunes Tinoco; séc. 17, final - feitura do retábulo-mor por António Rodrigues; 1673, 16 julho - contrato para a reconstrução da igreja com os pedreiros Francisco Pereira, Manuel Rodrigues e Manuel Soares (COUTINHO: 448-449); 1694, 03 dezembro - no testamento do pedreiro Manuel Rodrigues é referido que se encontra a trabalhar nas obras da igreja (COUTINHO: 469); 1696 - desenho da fachada por João Antunes e feitura de uma escultura em barro por Claude Laprade; 1698 - pintura dos caixotões do teto em brutesco, por Miguel dos Santos, Estêvão Amaro Pinheiro e Lourenço Nunes Varela; 1699-1700 - pintura das telas da igreja por António Pereira Ravasco (fal. 1712), pagas pela Irmandade do Santíssimo por 318$000; pintura de seis painéis para a nave, com temas eucarísticos a 18$000 cada, dois para o arco triunfal a 15$000 cada, quatro Virtudes para o coro-alto, a 5$000 cada, o da boca da tribuna por 50$000 e dois para as ilhargas da capela-mor por 25$000; 1700 - pintura do tecto em brutesco por Lourenço Nunes Varela e Miguel dos Santos; séc 18 - modelação da imagem em barro de São Miguel para a fachada, por Claude Laprade (actualmente na sacristia); realização da talha parietal da capela-mor por Félix Adaucto da Cunha; 1710 - testamento de Matias Rodrigues de Carvalho referindo parte do pagamento da obra que fazia na igreja; 1720 - conclusão das obras, faltando ainda muitos dos seus adornos; 1723-1728 - feitura do retábulo-mor por Manuel de Brito, havendo intervenção de Santos Pacheco; 1724, 18 novembro - contrato entre Félix Adauto da Cunha e a Irmandade do Santíssimo para a feitura das ilhargas em talha da capela-mor e escultura dos quatro Evangelistas (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 503); 1727, 18 novembro - contrato com Santos Pacheco para a reforma da talha das ilhargas da igreja e feitura do teto da capela-mor (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 557); 1740 - feitura do retábulo da capela de Nossa Senhora da Atalaia por Manuel da Costa Silva; 1755, 1 novembro - o terramoto arruinou o tecto do coro, deitou abaixo as duas torres e abriu brechas nas paredes; as obras de reparação foram rapidamente realizadas; 1758, 06 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Joaquim Manuel de Carvalho, é referido que a igreja tem oito altares, o de São Sebastião, cuja talha se encontra por dourar, ladeado por Santa Catarina de Alexandria e Santa Catarina de Siena, o do Senhor Jesus da Pobreza, retábulo de talha dourada, onde está a imagem do orago, em pasta, com uma irmandade e capelão; possui, ainda, a de São Pedro Gonçalves, o de Nossa Senhora da Estrela, de talha pintada, o de Santa Ana, com a imagem de Santa Luzia; no lado oposto, os altares de Santo António, com as imagens de São Francisco de Bórgia e Santa Bárbara, ainda por dourar, o de talha dourada do Crucificado, com a irmandade das Almas, que sustenta dez capelães, e a imagem de São Francisco de Paula, o altar de Nossa Senhora das Candeias, ladeada por São Brás e Santo André, e o de Nossa Senhora do Rosário, de talha e ainfa para pintar; a capela-mor é de talha dourada, tendo no retábulo as imagens do orago e a de São José, bem como o sacrário, pelo qual zela a Irmandade do Santíssimo; o pároco é prior, apresentado pela Coroa, tendo de rendimento cerca de 300$000; tem quatro beneficiados, apresentados pelo prior, com 70 a 80$000; 2004 - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria, cantaria, madeira, vidro, e telha.

Bibliografia

ARAUJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Fascículo 10, Lisboa, 1944 - 1956; ALMEIDA, Fernando de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, 1º Tomo, Lisboa, 1973; CARVALHO, Ayres de, "Documentário Artístico do Primeiro Quartel de Setecentos, Exarado nas Notas dos Tabeliães de Lisboa", in Separata da Revista Bracara Augusta, vol. XXVII, fasc. 63 (75), 1973, p. 63; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia e COUTINHO, Maria João Pereira, Com toda a perfeição na forma que pede a arte: a capela do Santíssimo Sacramento da igreja de São Roque em Lisboa: a obra e os artistas, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 267-295; Guia Laranja, Lisboa e Costa de Lisboa, Lisboa, 1985; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; Monumentos, n.º 25, Lisboa, DGEMN, 2006; OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues de - Sumário em que brevemente se contém algumas coisas (assim eclesiásticas como seculares) que há na Cidade de Lisboa. 2.ª ed. Lisboa: Edições Biblion, 1938; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros em Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; SMITH, Robert, A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; SERRÃO, Vítor, Um concurso de pintura do século XVII, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 75-100; SERRÃO, Vítor, Os Silva Paz, uma família de pintores em obra, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 101-124; SERRÃO, Vítor, António Pereira Ravasco, ou a influência francesa na arte do tempo de D. Pedro II, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 125-148; SERRÃO, Vítor, Tomás Luís e o antigo retábulo da Igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 211-235; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; SERRÃO, Vítor - «Património de Arte Sacra desconhecido. Três pinturas do século XVI descobertas na igreja de São Miguel de Alfama» in Invenire Revista de Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, janeiro - junho 2013, n.º 6, pp. 28-30.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DSARH; CMLisboa: Arquivo do Alto da Eira (Processo de obras nº 47 231.)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1934 - Obras de reparação na Igreja; 1957 - Reparação dos telhados; 1959 - Obras de restauro; CML: 1914 - Reparações na antiga residência do pároco para instalação da cantina escolar; 1929 - Limpeza do telheiro que deita para as Escadinhas de São Miguel; 1933 - modificação do gradeamento exterior do adro; substituição de telha de canudo por marselha no alçado lateral; 1935 - Alterações no vão de uma janela na fachada lateral da cantina da escola; 1951 - Obras de limpeza geral e substituição da telha portuguesa por telha tipo marselha; 1962 - Obras de reparação da escadaria de acesso à entrada principal; Obras de beneficiação geral; DGEMN: 1994 - obras de beneficiação das fachadas; 1995 -obras de recuperação de fachadas, e das marcenarias dos altares e limpeza da talha do Altar-mor; 2004 - beneficiação de coberturas e fachadas; 2005 / 2006 - restauro dos elementos decorativos interiores, nomeadamente da pintura do tecto em caixotões.

Observações

Autor e Data

João Silva 1992

Actualização

Luísa Cortesão 2005
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login