Ruínas do Teatro Romano dedicado a Nero

IPA.00003110
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitectura cultural e recreativa, romana. Teatro romano do séc. 01 composto por 3 partes essenciais: o edifício cénico, a «orchestra» e a «cavea» num diâmetro de cerca de 45 metros; a «orchestra» é pavimentada a placas de mármore cinzento e rosa e tem cerca de 7 metros de raio; o «proscaenium» tinha uma fachada articulada em 13 nichos ou «exedrae», 3 deles semicirculares e 10 rectangulares: 2 nichos correspondiam às escadas de acesso da «orchestra» ao palco; há semelhança entre o »proscaenium» do teatro de Lisboa e o de Mérida, sendo este o maior; o «proscaenium» teria placas de mármore decorativas representando as musas que desapareceram na ruína do teatro à excepção de um fragmento em que ainda se reconhece a musa Melpomene; no palco o «scaenae frons» seria concebido à imagem de fachada palaciana; as colunas, fustes e capitéis são de ordem jónica.
Número IPA Antigo: PT031106340078
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Ruínas que compreendem os degraus ou assentos da «cavea», o pavimento da «orchesta», o embasamento do «proscaenium» formado de quadrângulos e semicírculos; uma inscrição gravada na face perpendicular do «proscaenium» frente à «cavea»; «cippo» em mármore cinzento de 5 palmos de comprimento e 2,5 de largura; 2 estátuas de Sileno reclinados sobre odres em mármore; várias colunas estriadas, capitéis e 3 fustes de diâmetro variados; uma enfiada de pedras de silharia, vestígios dos suportes de arranque das arcaturas para assento da «suma cavea» no r/c aberto no períbolo que serve de parede ao quartel da G.N.R.; alguns outros vestígios destroçados e em desordem.

Acessos

Rua de São Mamede, ao Caldas, n.º 3 - 3 B; Praceta do Aljube, n.º 5

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 47 984, DG, 1.ª série, n.º 233 de 06 outubro 1967 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 71 de 25 março 1969 / Incluído na Zona Especial de Proteção da Sé de Lisboa (v.IPA.00002196), Portal Principal da Igreja da Madalena (v. IPA.00003034), Lápides das Pedras Negras (v. IPA.00006474), Igreja da Conceição Velha (v. IPA.00006470), Casa dos Bicos (v. IPA.00002489) e Igreja de Santo António de Lisboa (v. IPA.00003143)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano. Na encosta S. do Castelo de São Jorge, semi-soterrado a 8 metros de profundidade na confluência da R. de São Mamede ao Caldas com a R. da Saudade; ocupa uma área que vai da R. Augusta até à cerca do Convento de Santo Elói; a parte a descoberto está no meio do casario; a N. adossa-se ao Quartel dos Lóios da G.N.R. e a S., em frente, tem a torre da Sé Catedral.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Cultural e recreativa e cultural: teatro

Utilização Actual

Cultural: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 01

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 01 - construído durante o reinado do imperador Augusto; funcionou como teatro por 300 anos; na época de Nero teve a inauguração oficial após reformulação da zona do «proscaenium», palco e «orchesta»; séc. 4 - no reinado de Constantino começa a ser desmantelado *1; séc. 18, finais - é encontrado pois ficara parcialmente descoberto quando do terramoto de 1755, que faz ruir os prédios de habitação que se haviam construído sobre ele; 1797 - as ruínas são desenhadas pelo arq. Francisco Xavier Fabri que dá o prospecto do monumento; 1799, 9 Fevereiro - a Gazeta de Lisboa noticiava que o prof. Luís António de Azevedo, tinha publicado a inscrição dos libertos segundo desenho de Fabri, que comprovava a dedicação do Teatro Romano de Lisboa ao imperador Nero por Caio Heio Primo.séc. 19 - levantados planta e alçado e postos a descobertos parte da «cavea» e provável área do «proscaenium», por Francisco Xavier Fabri; 1815 - Luiz António de Azevedo publica a descrição daquele; ruínas enterradas de novo; 1960 / 1967 - trabalhos de escavação de Fernando de Almeida; 1987 - é iniciada nova escavação (Dias Diogo) interrompida a 21 Abril 1990; 2001, Novembro - inauguração do Museu do Teatro Romano e campo Arqueológico envolvente; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Características Particulares

Assenta numa encosta de constituição calcária, trabalhada para o efeito em degraus à maneira da construção dos teatros gregos.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Calcário da região, mármore polícromo, madeira, «opus signinum».

Bibliografia

ALARCÃO, Jorge, História da Arte em Portugal, vol. 1, Lisboa, 1980; AZEVEDO, Luis António, Dissertação Crítico - filológica - histórica sobre o Verdadeiro Ano ..., Lisboa, 1815; MOITA, Irisalva, Repensar Olisipo a partir de Lisboa, in I Encontro Nacional de Arqueologia, Setúbal, 1985; O Teatro Romano de Lisboa, Revista Municipal, nº 124 / 125, I trimestre, Lisboa, 1970; RODRIGUES, Adriano Vasco, O Teatro Romano de Felicitas Julia, Lisboa, 1987; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. I; WHEELER, Mortimer, Roman Art and Architecture, (Word of Art), New York, 1985.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Intervenção Realizada

Séc. 19 - levantamento de planta e alçado; 1960 / 1967 - trabalhos de escavação; 1987 / 1990 - reinício de trabalhos de escavação e recuperação.

Observações

*1 As pedras são reutilizadas na construção de outros edifícios públicos, como a Cerca de Moura.

Autor e Data

Albertina Belo 1993

Actualização

 
 
 
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