Igreja Paroquial dos Mártires / Igreja de Nossa Senhora dos Mártires

IPA.00003141
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Igreja paroquial pós-terramoto, combinando tipologia barroca, com elementos neoclássicos. A fachada, sem torres sineiras, apresenta frontões de linhas curvas, e coroamento com frontão de linhas direitas. O seu interior é revestido a "mármores do estilo pombalino" (R. Smith), onde se nota já uma certa sobriedade neoclássica. O pórtico é coroado por frontão de lanços com o tímpano ornamentado com um medalhão esculpido e um baixo relevo. As portas laterais têm verga coroada por frontão segmentar. Presépio com semelhança aos do norte do país.
Número IPA Antigo: PT031106200085
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave e capela-mor de planta retangular e outras dependências ligadas à igreja. Volumes articulados, o corpo central coberto por telhado a duas águas e corpos laterais, mais baixos, de telhado a uma água. A fachada principal, a norte, em cantaria, com corpo central dividido em três panos por seis pilastras dóricas, sendo as extremas duplas. Uma cornija arquitravada sublinha os dois pisos. Ao nível do piso térreo abre-se um pórtico central ladeado por duas portas, de vão rectangular. Três janelões abrem-se ao nível do segundo piso, o central, mais alto, é coroado por frontão contracurvado. Entablamento e frontão triangular com tímpano vazado por um óculo. Os corpos laterais são rasgados por duas janelas, na vertical, e coroados por aletas. Fachadas laterais rasgadas por janelas emolduradas a cantaria simples. Na parte posterior, ergue-se a torre sineira, rasgada nas quatro faces por sineiras e coroada por coruchéu bolboso tendo nos cantos pináculos. O interior de nave única, corrida por teia torneada em cantaria e oito capelas, quatro de cada lado, inscritas em arcos plenos, tendo a meio um púlpito, ladeadas por pilastras coríntias. Estas capelas são encimadas por quatro janelas. Coro-alto assente em três arcos, sendo o central abatido, apoiados em colunas, é iluminado por quatro janelas. À esquerda, sob o coro, baptistério com porta de ferro e inscrição. Arco triunfal pleno dá acesso à capela-mor. A cobertura da nave é em madeira em forma de berço com lunetas, a da capela-mor é em berço, pintada. Existência de um presépio em terracota.

Acessos

Rua Garrett, Rua Anchieta, Rua Serpa Pinto

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 735/74, DG, 1.ª série, n.º 297 de 21 dezembro 1974 / Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) / Incluído na Zona de Proteção do Convento de São Francisco da Cidade (v. IPA.00004020) / Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) e na do Edificio na Rua Garrett n 102 a 122, Café A Brasileira do Chiado (v. IPA.00005957)

Enquadramento

Urbano. Destaca-se do meio envolvente, no lado sul da Rua Garrett, isolada, com escadaria tripartida, na fachada principal.

Descrição Complementar

O portal central apresenta um baixo relevo de "D. Afonso Henriques, rendendo graças à Virgem pela Conquista de Lisboa". O interior apresenta revestimento em mármore de cor. Na porta do baptistério existe a seguinte inscrição: "NESTA PAROQUIA / SE ADMINISTROU O / PRIMEIRO BAPTISMO" " DEPOIS DA TOMADA / DE LISBOA AOS MOU / ROS, NO ANNO DE 1147". O coro tem um órgão atribuído a Silvério Machado. A nave tem vários quadros emoldurados, de Pedro Alexandrino de Carvalho, do mesmo autor é a pintura do baptistério e a composição pictural do tecto. Na capela-mor, o altar-mor é composto por colunas de ordem compósita, banqueta e camarim de mármore negro. No tecto, uma alegoria à Santíssima Trindade, pintura de Jerónimo Gomes Teixeira.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João Antunes (1685-1692); Reinaldo Manuel dos Santos. ORGANEIROS: António Simões (1994); António Xavier Machado e Cerveira. PEDREIRO: António do Couto (1685-1692). PINTOR: Jerónimo Gomes Teixeira; Francisco Vieira de Matos (séc. 18); Luís Gonaçlves Sena (séc. 18).

Cronologia

Séc. 12 - D. Afonso Henriques manda erguer uma igreja a pedido dos cavaleiros estrangeiros que participaram na tomada de Lisboa; 1551 - segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, a igreja é capela e limite da Sé e rende para o Cabido, tendo um capelão e nove clérigos coadjutores; tem duas capelas; no templo estão sediadas as confrarias do Santíssimo, de São Pedro, de São Roque e de São Sebastião, com duzentos cruzados de esmolas; 1598 - a igreja é ampliada; 1602 - nova ampliação e reconstrução da igreja; 1629 - reedificação da igreja; 1684, 27 junho - a Irmandade do Santíssimo contrata a obra do arco triunfal com o pedreiro Jerónimo Nunes (COUTINHO:435); 1685, 25 outubro - contrato com António do Couto para a obra de embutidos da igreja (COUTINHO: 352); 1686, 03 janeiro - contrato com João Antunes para a obra da capela-mor (COUTINHO: 352); séc. 18 - pintura do teto por Francisco Vieira de Matos, vulgo Vieira Lusitano; pintura de uma Nossa Senhora da Conceição e os Santos Mártires por Luís Gonçalves Sena (1713-1790), a imitar o teto da capela-mor do Seminário de Santarém (1747-1748); 1755, 01 novembro - o terramoto destruiu completamente a igreja, onde existiam onze altares, o de São Marçal, Nossa Senhora da Graça, São Gonçalo, Nossa Senhora da Piedade e Santa Catarina, todos no lado da Epístola, sendo o último o colateral; no lado oposto, Santo António, São Brás, Menino Jesus, São Miguel e Almas e o de Santo Cristo, com o Santíssimo; existia, ainda, o altar-mor; as capelas eram em talha dourada e a mor e arco triunfal em embutidos de mármore, sendo as coberturas em estuque; 1758, 11 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Manuel Rodrigues Leitão, é referido que a igreja, anteriormente do Cabido da Sé de Lisboa, é do Padroado Real, rendendo cerca de 500$000; a paróquia está na Capela de Nossa Senhora da Graça e São Pedro Gonçalves, em São Paulo; tem as Irmandades do Santíssimo, com seis capelães e missas quotidianas, obrigadas a duas capelas, a de Nossa Senhora dos Mártires, a dos Escravos de Nossa Senhora dos Mártires e a de São Miguel e Almas, com seis capelas; 1768 - 1770 - início das obras da nova igreja, conforme planos de Reinaldo Manuel dos Santos; 1774 - a igreja é benzida, ainda com as obras por terminar; feitura do presépio; 1785 - execução do órgão por António Xavier Machado e Cerveira, o seu n.º 3; 1787 - a Irmandade de Santa Cecília instala-se na igreja; 1786 - abertura ao culto; 1866 - sagração da igreja, após novas obras; 1889, 06 março - são transferidos para a igreja vários objetos não determinados, provenientes do extinto Mosteiro da Esperança, em Lisboa (v.IPA.00034033); 1896 - restauração dos telhados e limpeza da igreja; 1969, fevereiro - danos causados pelo sismo; 1998, maio - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Dados Técnicos

Sistemas estruturais

Materiais

Alvenaria, cantaria, mármore, madeira, talha, reboco pintado, bronze, ferro forjado, vidro, telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Fernando de - Monumentos e Edifícis Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa, 1975, tomo 2; ARAÚJO, Norberto de - Inventário de Lisboa. Lisboa, 1944 - 1956; COELHO, Teresa Campos - "Um concurso para o provimento do lugar de Arquitecto das Ordem Militares - a propósito de um curriculum do Padre Francisco Tinoco da Silva". Monumentos. Lisboa: DGEMN, 1997, n.º 7, pp. 102-107; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira - A Produção Portuguesa de Obras de Embutidos de Pedraria Policroma (1670-1720). Lisboa: s. n., 2010, 3 vols., dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, texto policopiado; FRANÇA, José Augusto - A Reconstrução de Lisboa e a Arquitectura Pombalina. Lisboa, 1989; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando - Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1974; Monumentos. Lisboa: DGEMN, 1998-2000, 2002, n.º 9 a n.º 13, n.º 16-17; OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues de - Sumário em que Brevemente se Contém Algumas Coisas (Assim Eclesiásticas como Seculares) que há na Cidade de Lisboa. 2.ª ed. Lisboa: Edições Biblion, 1938; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva - Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota. Lisboa: s. n., 1998, dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa, texto policopiado; SERRÃO, Vítor - História da Arte em Portugal. O Barroco. Barcarena: Editorial Presença, 2003; SMITH, Robert - A Talha em Portugal. Lisboa, 1963; VALENÇA, Manuel - A Arte Organística em Portugal. Braga, 1990, vol. 1.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa; DGLAB/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças / Conventos extintos, Convento da Esperança, caixa 1957, capilha 2; DGLAB/TT: Ministério das Obras Públicas, caixa 506, processo n.º 15; ACML: Direcção dos Serviços Centrais e Culturais (processo de Obras nº 37410)

Intervenção Realizada

CML - 1889 - transformação de uma janela em porta; 1905 - abertura de janelas; DGEMN: 1927 - reparações interiores; 1932 - obras de beneficiação geral; 1938 - reparação dos telhados; 1940 - obras de beneficiação; 1948 / 1950 - obras de beneficiação periódica; 1958 - adaptação de uma dependência da Igreja a capela mortuária; 1959 - construção de instalações sanitárias na zona ocupada pela capela mortuária, no aproveitamento de um pequeno vão de escada; 1960 - limpeza e envernizamento exteriores dos portões, obras de beneficiação e modificações nas instalações da residência paroquial; 1965 - obras de reparação na empena e telhado: substituição de madeiramento em mau estado e substituição parcial da telha portuguesa; 1968 - obras na cobertura: substituição da parte do vigamento em mau estado da estrutura de madeira por material pré-fabricado aproveitando-se a telha existente; 1969 - obras de conservação dos danos causados pelo sismo; 1973 - obras de beneficiação geral; 1994 - restauro do órgão por António Simões; 1998 - beneficiação da fachada principal; 1999 / 2000 /2001/ 2002 - recuperação das fachadas laterais e coberturas - 1ª fase.

Observações

Autor e Data

João Silva 1992

Actualização

Luísa Cortesão 2003
 
 
 
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