Igreja Paroquial dos Mártires / Igreja de Nossa Senhora dos Mártires

IPA.00003141
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitectura religiosa, barroca e neoclássica. Igreja paroquial pós-terramoto, combinando tipologia barroca, com elementos neoclássicos. A fachada, sem torres sineiras, apresenta frontões de linhas curvas, e coroamento com frontão de linhas direitas.
Número IPA Antigo: PT031106200085
 
Registo visualizado 1310 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave e capela-mor de planta rectangular e outras dependências ligadas à igreja. Volumes articulados, o corpo central coberto por telhado a 2 águas e corpos laterais, mais baixos, de telhado a 1 água. A fachada principal, a N., em cantaria, com corpo central dividido em 3 panos por 6 pilastras dóricas, sendo as extremas duplas. Uma cornija arquitravada sublinha os 2 pisos. Ao nível do piso térreo abre-se 1 pórtico central ladeado por 2 portas, de vão rectangular. 3 janelões abrem-se ao nível do 2º piso, o central, mais alto, é coroado por frontão contracurvado. Entablamento e frontão triangular com tímpano vazado por um óculo. Os corpos laterais são rasgados por 2 janelas, na vertical, e coroados por aletas. Fachadas laterais rasgadas por janelas emolduradas a cantaria simples. Na parte posterior, ergue-se a torre sineira, rasgada nas 4 faces por sineiras e coroada por coruchéu bolboso tendo nos cantos pináculos. O interior de nave única, corrida por teia torneada em cantaria e 8 capelas, 4 de cada lado, inscritas em arcos plenos, tendo a meio 1 púlpito, ladeadas por pilastras coríntias. Estas capelas são encimadas por 4 janelas. Coro-alto assente em 3 arcos, sendo o central abatido, apoiados em colunas, é iluminado por 4 janelas. À esquerda, sob o coro, baptistério com porta de ferro e inscrição. Arco triunfal pleno dá acesso à capela-mor. A cobertura da nave é em madeira em forma de berço com lunetas, a da capela-mor é em berço, pintada. Existência de um presépio em terracota.

Acessos

Rua Garrett, Rua Anchieta, Rua Serpa Pinto

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 735/74, DG, 1.ª série, n.º 297 de 21 dezembro 1974 / Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) / Incluído na Zona de Proteção do Convento de São Francisco da Cidade (v. IPA.00004020) / Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) e na do Edificio na Rua Garrett n 102 a 122, Café A Brasileira do Chiado (v. IPA.00005957)

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano. Destaca-se do meio envolvente, no lado S. da Rua Garrett, isolada, com escadaria tripartida, na fachada principal.

Descrição Complementar

O portal central apresenta um baixo relevo de "D. Afonso Henriques, rendendo graças à Virgem pela Conquista de Lisboa". O interior apresenta revestimento em mármore de cor. Na porta do baptistério existe a seguinte inscrição: "NESTA PAROQUIA / SE ADMINISTROU O / PRIMEIRO BAPTISMO" " DEPOIS DA TOMADA / DE LISBOA AOS MOU / ROS, NO ANNO DE 1147". O coro tem um órgão atribuído a Silvério Machado. A nave tem vários quadros emoldurados, de Pedro Alexandrino de Carvalho, do mesmo autor é a pintura do baptistério e a composição pictural do tecto. Na capela-mor, o altar-mor é composto por colunas de ordem compósita, banqueta e camarim de mármore negro. No tecto, uma alegoria à Santíssima Trindade, pintura de Jerónimo Gomes Teixeira.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João Antunes (1685-1692); Reinaldo Manuel dos Santos. ORGANEIROS: António Simões (1994); António Xavier Machado e Cerveira. PEDREIRO: António do Couto (1685-1692). PINTOR: Jerónimo Gomes Teixeira; Francisco Vieira de Matos (séc. 18); Luís Gonaçlves Sena (séc. 18).

Cronologia

Séc. 12 - D. Afonso Henriques manda erguer uma Igreja a pedido dos cavaleiros estrangeiros que participaram na tomada de Lisboa; 1551 - segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, a igreja é capela e limite da Sé e rende para o Cabido, tendo um capelão e nove clérigos coadjutores; tem duas capelas; no templo estão sediadas as confrarias do Santíssimo, de São Pedro, de São Roque e de São Sebastião, com 200 cruzados de esmolas; 1598 - a igreja é ampliada; 1602 - nova ampliação e reconstrução da igreja; 1629 - reedificação da igreja; 1684, 27 junho - a Irmandade do Santíssimo contrata a obra do arco triunfal com o pedreiro Jerónimo Nunes (COUTINHO:435); 1685, 25 outubro - contrato com António do Couto para a obra de embutidos da igreja (COUTINHO: 352); 1686, 03 janeiro - contrato com João Antunes para a obra da capela-mor (COUTINHO: 352); séc. 18 - pintura do teto por Francisco Vieira de Matos, vulgo Vieira Lusitano; pintura de uma Nossa Senhora da Conceição e os Santos Mártires por Luís Gonçalves Sena (1713-1790), a imitar o teto da capela-mor do Seminário de Santarém (1747-1748); 1755, 1 novembro - o terramoto destruiu completamente a igreja, onde existiam 11 altares, o de São Marçal, Nossa Senhora da Graça, São Gonçalo, Nossa Senhora da Piedade e Santa Catarina, todos no lado da Epístola, sendo o último o colateral; no lado oposto, Santo António, São Brás, Menino Jesus, São Miguel e Almas e o de Santo Cristo, com o Santíssimo; existia, ainda, o altar-mor; as capelas eram em talha dourada e a mor e arco triunfal em embutidos de mármore, sendo as coberturas em estuque; 1758, 11 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Manuel Rodrigues Leitão, é referido que a igreja, anteriormente do Cabido da Sé de Lisboa, é do Padroado Real, rendendo cerca de 500$000; a paróquia está na Capela de Nossa Senhora da Graça e São Pedro Gonçalves, em São Paulo; tem as Irmandades deo Santíssimo, com seis capelães e missas quotidianas, obrigadas a duas capelas, a de Nossa Senhora dos Mártires, a dos Escravos de Nossa Senhora dos Mártires e a de São Miguel e Almas, com seis capelas; 1768 - 1770 - início das obras da nova igreja, conforme planos de Reinaldo Manuel dos Santos; 1774 - a igreja é benzida, ainda com as obras por terminar; feitura do presépio; 1785 - execução do órgão por António Xavier Machado e Cerveira, o seu n.º 3; 1787 - a Irmandade de Santa Cecília instala-se na igreja; 1786 - abertura ao culto; 1866 - sagração da igreja, após novas obras; 1889, 06 março - são transferidos para a igreja vários objetos não determinados, provenientes do extinto Mosteiro da Esperança, em Lisboa (v. PT031106371733); 1969, fevereiro - danos causados pelo sismo; 1998, maio - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Dados Técnicos

Sistemas estruturais

Materiais

Alvenaria, cantaria, mármore, madeira, talha, reboco pintado, bronze, ferro forjado, vidro, telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Fernando de, Monumentos e Edifícis Notáveis do Distrito de Lisboa, 2º Tomo, Lisboa, 1975; ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Lisboa, 1944 - 1956; COELHO, Teresa Campos, Um concurso para o provimento do lugar de Arquitecto das Ordem Militares - a propósito de um curriculum do Padre Francisco Tinoco da Silva, in Monumentos, n.º 7, Lisboa, DGEMN, 1997, pp. 102-107; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FRANÇA, José Augusto, A Reconstrução de Lisboa e a Arquitectura Pombalina, Lisboa, 1989; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; Monumentos, n.º 9 a n.º 13, n.º 16-17, Lisboa, DGEMN, 1998-2000, 2002; OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues de - Sumário em que brevemente se contém algumas coisas (assim eclesiásticas como seculares) que há na Cidade de Lisboa. 2.ª ed. Lisboa: Edições Biblion, 1938; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa ], Lisboa, 1998; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; SMITH, Robert, A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. I, Braga, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa; DGLAB/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças / Conventos extintos, Convento da Esperança, caixa 1957, capilha 2; ACML: Direcção dos Serviços Centrais e Culturais (processo de Obras nº 37410)

Intervenção Realizada

CML - 1889 - transformação de uma janela em porta; 1905 - abertura de janelas; DGEMN: 1927 - reparações interiores; 1932 - obras de beneficiação geral; 1938 - reparação dos telhados; 1940 - obras de beneficiação; 1948 / 1950 - obras de beneficiação periódica; 1958 - adaptação de uma dependência da Igreja a capela mortuária; 1959 - construção de instalações sanitárias na zona ocupada pela capela mortuária, no aproveitamento de um pequeno vão de escada; 1960 - limpeza e envernizamento exteriores dos portões, obras de beneficiação e modificações nas instalações da residência paroquial; 1965 - obras de reparação na empena e telhado: substituição de madeiramento em mau estado e substituição parcial da telha portuguesa; 1968 - obras na cobertura: substituição da parte do vigamento em mau estado da estrutura de madeira por material pré-fabricado aproveitando-se a telha existente; 1969 - obras de conservação dos danos causados pelo sismo; 1973 - obras de beneficiação geral; 1994 - restauro do órgão por António Simões; 1998 - beneficiação da fachada principal; 1999 / 2000 /2001/ 2002 - recuperação das fachadas laterais e coberturas - 1ª fase.

Observações

Autor e Data

João Silva 1992

Actualização

Luísa Cortesão 2003
 
 
 
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