Edifício da Fábrica Nacional de Cordoaria / Cordoaria Nacional / Instituto Superior Naval

IPA.00003181
Portugal, Lisboa, Lisboa, Belém
 
Arquitectura industrial, setecentista. Fábrica da Cordoaria, de cunho eminentemente Pombalino.
Número IPA Antigo: PT031106320175
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Extração, produção e transformação  Fábrica    

Descrição

De planta longitudinal disposta paralelamente ao rio, apresenta uma série de volumes que se articulam nos limites de um extenso rectângulo, e uma organização simples em 3 corpos distintos, com cobertura a 2 águas:um central, mais elevado e funcionando, em termos planimétricos, como que constituem o eixo de simetria longitudinal do edifício eixo distribuidor relativo dos corpos laterais, com a configuiração de 2 longos braços limitados nos extremos por dois corpos de excepcão que adquirem o carácter de remate do conjunto e encerram 2 grandes pátios que constituem o eixo de simetria longitudinal do edifício - construído com grossas paredes vazadas de janelões rectangulares. Na fachada do corpo central virada à R. da Junqueira N., destaca-se o portal com emolduramento de cantaria, articulado com uma janela de avental e verga curva. De igual modo, no alçado S., observa-se um portal com emolduramento de cantaria e verga em arco abatido. A entrada principal para o conjunto edificado faz-se através de um corpo central de dois andares que proporciona a distribuição por todo o edifício. Este corpo central justifica a criação de dois pátios de ligação entre a oficina de cardame e os restantes compartimentos. INTERIOR: 2 grandes naves simétricas - sob uma cobertura de 2 águas apoiada em estrutura de asnas de madeira, sem apoios intermédios - partem do átrio central e constituem o corpo principal que lhe confere a forma.

Acessos

Rua da Junqueira, n.º 187 - 189; Avenida da Índia; Travessa das Galeotas; Rua de Mécia Mouzinho de Albuquerque

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 2/96, DR, 1.ª série-B, n.º 56 de 06 março 1996 / Incluído na Zona Especial de Proteção conjunta da Capela de Santo Amaro (v. IPA.00006224), Palácio Burnay (v. IPA.00006535), Salão Pompeia (v. IPA.00006536) e Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha (v. IPA.00006221) / Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Palacete Polignac de Barros (IPA.00025572)

Enquadramento

Construído no contexto da antiga praia de Belém, enquadra-se hoje no plano urbano que define a Junqueira e a avenida da Índia, estendendo-se através de um conjunto de construções dispostas paralelamente ao rio. Com carácter de excepção o edifício é delimitado a E. pela rua de Mécia Mouzinho de Albuquerque e a O. pela travessa das Galeotas, encontrando-se na proximidade do Chafariz da Junqueira (v. PT031106320373), da Casa Lázaro Leitão (v. PT031106320161) e da Quinta das Águias (v. PT031106020195).

Descrição Complementar

No núcleo museológico, está presente toda a maquinaria que permitia fazer funcionar a Real Fábrica da Cordoaria.

Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: fábrica

Utilização Actual

Educativa: faculdade / instituto superior / Cultural e recreativa: arquivo / Cultural e recreativa: galeria de exposições

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional, despacho conjunto da Presidência do Conselho de Ministros e Ministério da Defesa Nacional e Finanças de 26 Maio 1993, DR 2ª série, nº 135 de 11 Junho 1993

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Reinaldo Manuel dos Santos (1731 - 1791).

Cronologia

1771, Junho - fundação da Fábrica da Cordoaria (dependente do Arsenal da Marinha) e sua instalação nos terrenos contíguos ao forte de São João da Junqueira; 1775 - decreto nomeando o 1º oficial para dirigir a nova cordoaria; 1788 - a oficina principal (a de cordame) está concluída; séc. 19 - instalação no edifício de uma secção de tinturaria (piso térreo do corpo E.); 1810 / 1825 - instalação, no corpo mais elevado a E., do Recolhimento de Santa Maria de Cortona; 1816 / 1826 - instalação dos colégios de São Pedro e de Santo António, destinados a receber reclusos e vadios menores e vivendo dos rendimentos da fábrica; 1820 / 1823 - reorganização da fábrica, sob a direcção do conselheiro Marino Miguel Franzini, inspector da Cordoaria. A fábrica tinha então 263 operários; 1826, 16 Fevereiro - violento incêndio destrói ala poente. A fábrica tinha então 571 operários; 1881, 13 Junho - novo incêndio destrói armazém do linho ; 1891 - instalação de oficina de alfaiataria e bandeiras; 1886 - dotação de nova maquinaria, reorganização dos serviços; 1896 - instalação de oficina de materiais de limpeza; 1907 - instalação de uma oficina de velame; 1914 - adopção da electricidade como força motriz ; 1925 / 1928 - instalação do Hospital Colonial e Escola Médica Tropical nos 2 corpos extremos; 1926 - adaptação da ala leste do edifício a armazém; 1949, 10 Fevereiro - incêndio destrói oficina de velame; instalados sucessivamente no edifício, o Quartel e o Depósito de Tropas do Ultramar e o Instituto Superior Naval de Guerra; 1991, 08 Abril - determinada a classificação como Monumento Nacional; 1998 - desactivação da fábrica de cordame; 2000 - criação de um núcleo museológico dedicado à fábrica de cordoaria.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Alvenaria mista, cantaria de calcário, reboco pintado, ferro forjado, madeira.

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Vol. 9, Lisboa, 1939; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; ATAÍDE, M. Maia, (coord. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa - Tomo III, Lisboa, 1988 ; FREITAS, Eduardo, CALADO, Maria, FERREIRA, Vitor Matias, Lisboa. Freguesia de Belém, Lisboa, 1993; LOURENÇO, Deonilde, Política. Cordoaria. Não Me Thyssen, in O Independente, 31.03.1995 ; Marinha e Câmara de Lisboa Assinam Recuperação. Fábrica da Cordoaria Passa a Pólo Museológico, in A Capital, 26.07.1995 ; A.H., Cordoaria Vai Ser Museu, in Público, 28.07.1995 ; BOTINAS, Luisa, Os Nós da Cordoaria, in Diário de Notícias, 28.07.1995 ; VITÓRIA, Ana, Antiga Cordoaria Nacional Vai Ser Espaço Museológico, in Jornal de Notícias, 29.07.1995 ; L.B., Cordoaria em Maré de Renovação, in Diário de Notícias, 29.07.1995 ; Antiga Cordoaria Alberga Museus, in Correio da Manhã, 29.07.1995 ; MARQUES, Paulo, Museu do Tejo Vai Nascer na Junqueira. Acordo Entre Marinha e Câmara de Lisboa Dá Novas Funções à Cordoaria Nacional, in A Capital, 29.07.1995 ; FERREIRA, João Antero, Da Cordoaria Nacional a Polo Museológico, in Semanário, 19.08.1995.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DRELisboa/DRC/DIE/DEM; AHMOP: Desenho Nº 94 C ; BNP: Secção de Iconografia, Desenho Nº D. 23 R.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH; CML: Arquivo de Obras, Pº Nº 1738 ; IGESPAR: IPPAR, Pº Nº 89/3 (112)

Intervenção Realizada

Comissão Administrativa das Novas Instalações para a Marinha: 1956 - remodelação e ampliação de várias dependências da fábrica nacional, devendo os trabalhos ficar concluídos em início de 1957; DGEMN: 1958 - execução de obras de reparação de fachadas pelos Serviços de Construção e Conservação.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994

Actualização

Ricardo Porfírio 2002
 
 
 
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