Igreja Paroquial dos Anjos / Igreja de Nossa Senhora dos Anjos

PT031106060191
Portugal, Lisboa, Lisboa, Anjos
 
Arquitectura religiosa, neoclássica. Igreja paroquial cuja fachada, de 2 registos e 3 ordens: 3 portas e 3 janelas, é de risco simples, onde não está ausente uma certa tentativa de monumentalidade.
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta em cruz latina. Exteriormente, uma escadaria dá acesso à fachada principal de 2 registos, enquadrada por pilares dóricos onde assenta o entablamento e frontão. E rasgada no 1º registo por um pórtico central rematado por um frontão interrompido, e por portas laterais, mais baixas, rematadas por frontão curvo. São enquadrados por 4 colunas jónicas com pedestal e entablamento completo sobrepujado por um ático coroado por 4 pináculos piramidais. O 2º registo é rasgado por 3 janelas que correspondem interiormente ao coro. A central, mais alta, é coroada por frontão triangular e as laterais por volutas defrontadas acentes em moldura relevada. A fachada termina em frontão triangular com óculo inscrito, fogaréus e uma cruz no vértice superior. termina em frontão triangular com óculo envidraçado. Fachadas laterais: embasamento em cantaria almofadada. A linha é ligeiramente saliente, limitada por pilastras. São rasgadas nos 2 registos por janelas frestas (a fachada N. tem também um óculo). O resto da fachada é rasgada no 1º registo por uma janela fresta e no 2º por 3 janelas coroadas com entablamento. O corpo posterior, é rasgado por janelas nos 2 registos, e por uma porta na fachada N. O risco de todas as fachadas é fechado por pilastras. O corpo longitudinal é coberto por um telhado a 2 águas, e o posterior a 4 águas. Daqui arranca o campanário, coroado de torre com pequena cúpula oitavada. Interiormente, o corpo é de nave única, e nele: coro-alto em balaustradas assente em colunas. 6 capelas laterais inscritas em arco redondo e encimadas por janelas iluminantes. Um arco triunfal, em arco redondo, ladeado por altar e uma porta com moldura, e ábside, de pequenas proporções. A nave, bem como a ábside, têm cobertura em abóbada de berço.

Acessos

Avenida Almirante Reis, entre nºs 38 e 40, Rua Álvaro Coutinho, Rua Luís Pinto Moitinho, Rua Palmira. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,724494, long.: -9,134564

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 2/96, DR, 1.ª série-B, n.º 56 de 06 março 1996

Grau

2

Enquadramento

Urbano. Situa-se no lado E. da Avenida. Isolada, tendo um espaço ajardinado a envolvê-la. Separadores: muro com grade. Ladeiam este espaço a S. a R. Luís Pinto Moutinho, a E. a R. Palmira (uma escadaria dupla dá acesso a esta rua), a O. a Av. Almirante Reis e a N. a R. Álvaro Coutinho.

Descrição Complementar

O arco triunfal ostenta no fecho o brasão dos Lumiares, padroeiros da antiga igreja. E sobrepujado por um nicho com um Calvário. No arco triunfal, inscrições incisas em pedra mármore: Lado esquerdo da fachada principal: "JARDIM ANTONIO FEIJO / HOMENAGEM DA CAMARA / MUNICIPAL DE LISBOA / A ANTONIO FEIJO / DIPLOMATA DISTINTO / E / POETA ILUSTRE / VEREAÇAO DE 1925". Interior da nave, no lado esquerdo junto à primeira capela: " A CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA EDIFICOU ESTA EGREJA EM SUBSTITUIÇAO DA QUE SE DEMOLIU PARA A ABERTURA DA AVENIDA D. AMELIA FICOU CONCLUÍDA EM 1911". No lado oposto: "ESTE EDIFICIO FOI PROJECTADO PELO ARQUITECTO JOSE LUIZ MONTEIRO QUE ADOPTOU INTEGRALMENTE A PARTE INTERNA DA NAVE O QUE EXISTIA NA ANTIGA EGREJA". Compreendem os anexos da igreja: CAVE - onde se encontra o Salão Paroquial, as Capelas Mortuárias, as Salas de Espera e as Instalações Sanitária. R/C - inclui o Gabinete do Pároco, a Secretaria, a Sacristia, o Cartório, o Vestíbulo e Instalações Sanitárias. 1º ANDAR - inclui as salas de convívio. No 2º ANDAR - estão as salas de catequese. Remata o edifício um sotão.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: José Luís Monteiro (1909). PINTOR: Marcos da Cruz (atr., séc. 17).

Cronologia

1551 - referência à ermida dos Anjos; 1563 - 1564 - o Cardeal D. Henrique, arcebispo de Lisboa, determina a criação da Freguesia dos Anjos, cujo território pertencia à freguesia de Santa Justa, tendo como sede a ermida dedicada aos Anjos, sendo esta então elevada a Igreja; séc. 17 - construção da Igreja no reinado de Filipe III, no local da antiga ermida; pintura das telas da igreja, atribuíveis a Marcos da Cruz; 1621, 30 julho - autorização para lançamento de uma segunda finta para as obras da igreja, sendo para isso autorizado o juiz das obras, Miguel Maldonado; 1716-1754 - a paróquia torna-se reitoria com o rendimento de 750$000; 1755, 1 novembro - devido ao terramoto a Igreja sofre bastantes danos; 1758- reedificação da igreja; 1758, 10 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco António Carlos de Oliveira, é referido que a igreja é de uma só nave, com capela-mor, onde se integra tribuna de talha dourada, fechada pro painel dos Anjos, envolvendo Nossa Senhora da Glória, surgindo, no lado do Evangelho, São Miguel e, no lado oposto, São Pedro; o altar colateral do Evangelho é o de Nossa Senhora dos Anjos, com as imagens de Santo André, Santa Catarina e Santo António; no lado oposto, Nossa Senhora da Conceição com tribuna ricamente ornada, tendo o Santíssimo e as imagens de São Sebastião, São Brás e São João Baptista; sobre o arco triunfal, a imagem de Cristo; o teto da igreja é apainelado; tem as Irmandades do Santíssimo com dois capelães e missa quotidiana, a de Nossa Senhora Conceição com um capelão e missa quotidiana, Nossa Senhora dos Anjos, com um capelão e a das Almas, que recebe 50$000 anuais em esmolas; a igreja tem uma colegiada com 11 capelães cantores, que recebem de renda 64$000, administrada por D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho; 1889 - a cerca de 300 metros, inicia-ae a construção da nova igreja, conforme plano do arquiteto José Luís Monteiro (1849-1942); 1908 - para a abertura da Avenida D. Amélia (depois Almirante Reis) o edifício é entregue à CMLisboa para que esta proceda à sua demolição; 1910, 11 março - inauguração do novo templo paroquial com o recheio artístico, entretanto transferido; 1911- conclusão das obras; 1998, outubro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Características Particulares

Esta Igreja conserva as proporções e disposição da Igreja anterior, bem como todo o seu recheio. O espaço destinado ao culto ocupa só o corpo longitudinal, sendo a cave, os braços e cabeceira destinados aos anexos e cartório. No seu interior foi aplicado o recheio da anterior igreja, sendo profusamente revestido com talha dourada e telas que cobrem completamente os altares laterais, o altar-mor, e o tecto, este em caixotões.

Dados Técnicos

Sistemas estruturais - paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria, alvenaria rebocada e pintada, telha, cerâmica, mármore, azulejos e talha dourada.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1982; DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, 1987; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Vol. IV, Lisboa, sd; PEREIRA, Luiz Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; LIMA, Durval Pires de, Inventário de Lisboa, Lisboa, 1956; Processo de Obras nº 35 101, in Câmara Municipal de Lisboa, Direcção dos Serviços Centrais e Culturais, 5ª Repartição (Arquivo de Obras); MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Intervenção Realizada

1931 - Projecto de obras (planta): - Transformação de uma janela da fachada N. em porta; - Abertura de dois vãos interiores fingindo uma das portas; - Demolição de madeira; - Mudança de um altar de pedra; - Trabalhos de estucagem e pintura; 1968 a 1971 - Substituição do pavimento do R/c e obras de ampliação da cave: - Ocupação de uma área maior na cave destinada a salas mortuárias e arrecadação. - Mudança de posição das instalações sanitárias para S.; - Alargamento da escada; 1975 - Criação de um piso intermédio para ampliação dos espaços no 1º andar; 1974 - Ampliação dos anexos da cave para 4 câmaras mortuárias; 1975 - Criação de uma entrada privativa para as capelas mortuárias e de instalações sanitárias; 1998 - limpeza e substituição de telhas da cobertura.

Observações

Autor e Data

João Silva 1991

Actualização

Lobo de Carvalho e Laura Figueirinhas 1998
 
 
 
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