Casa da Quinta Alegre / Casa da Quinta do Marquês do Alegrete / Centro de Formação Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

IPA.00003200
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Clara
 
Arquitectura residencial, tardo-barroca e neoclássica. Quinta de exploração agrícola, com palácio colocado num dos extremos, com pátio fronteiro à fachada principal e jardim de canteiros junto à fachada lateral, delimitado por muro com bancos conversadeiras forrados a azulejos, formando miradouro sobre a propriedade, e lago artificial. Palácio tardo-barroco de planta longitudinal rectangular, com fachadas de dois pisos divididos por frisos, cunhais apilastrados e rematadas em friso, cornija e beiral, sendo rasgadas regularmente por vãos sobrepostos de molduras rectilíneas, em janelas de peitoril no primeiro piso e janelas de sacada no segundo. Interior com espaço organizado em torno de um corredor central, a partir do qual se faz a distribuição para as várias dependências, através de portas de verga recta com bandeira superior, sendo decorado em ambos os pisos por silhares de azulejos pombalinos, com a técnica do esponjado, e neoclássicos,com padrões vegetalistas, e pinturas murais neoclássicos nas paredes e tectos, algumas em tromp l'oeil, de estuque sobre sanca curva, com elementos geométricos, fitomorficos, pormenores arquitectónicos, mitológicos, aves e frutos, que apresentam afinidades com as pinturas murais da Quinta da Francelha (v. PT031107230018) e do Palácio dos Marqueses de Angeja (v. PT031106180380) e ainda com a Casa Nobre da R. de Avis, nº 41 - 47, em Évora (v. PT040705070103). A cozinha implanta-se ao fundo do piso térreo e possui escada de serviço de acesso ao andar nobre. Palácio de linhas muito sóbrias, optando por uma via neoclássica que marcou a arquitectura pombalina, com fachadas regulares semelhantes duas a duas, sendo a principal e posterior de um só pano, demarcando-se a principal por vãos possuindo leve saliência nas molduras e pinhas a coroar as guardas das janelas, e as laterais de três panos marcados por pilastras, tendo na virada ao jardim uma sacada comum nas janelas centrais do andar nobre. Uma das fachadas laterais surge como frente de rua e as restantes já no interior da propriedade, vedada por muros muito altos; a principal dispõe-se assim numa das fachadas mais estreitas e interiores, possuindo frontalmente pátio de circulação de carruagens, com pavimento ornamental em calçada à portuguesa, vedado por um outro muro que veda o jardim e as antigas cocheiras, cujos paramentos foram revestidos com silhar de azulejos de padrão setecentistas integrando ao centro figuras de convite. No interior destaque para o facto de ambos os pisos serem decorados por pinturas murais de grande qualidade, seguindo os modelos e gravuras da época, e a escada de acesso ao andar nobre surgir não no átrio de entrada, mas lateralmente depois deste, a partir do corredor central. Os azulejos que revestiam os muros do jardim e conversadeiras, com albarradas e figura avulsa, são de finais do séc. 18, bem como os pombalinos que revestem integralmente a cozinha, mas os restantes do interior são maioritariamente neoclássicos, certamente colocados aquando da reforma decorativa da casa e da execução das pinturas murais.
Número IPA Antigo: PT031106130070
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

Quinta de planta rectangular irregular, composta por palácio a NO., junto à estrada, com pátio rectangular delimitado pela fachada principal do palácio, a SO., pela das antigas cavalariças, em ruína, a SE., pelo muro de acesso à propriedade e um outro de ligação ao jardim e quinta, com pavimento em calçada à portuguesa, decorado por motivos geométricos, jardim com lago artificial e poço, cobertos pela densa vegetação, possuindo ainda no jardim junto à fachada lateral direita, três pavilhões pré-fabricados. PALÁCIO de planta longitudinal rectangular, massa simples, com cobertura homogénea em telhados de quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, de dois pisos separados por friso de cantaria, com pilastras nos cunhais, percorridas por embasamento de cantaria saliente, fenestração regular com molduras de cantaria e rematadas em friso liso e cornija sobrepujada por beiral. Fachada principal a SO., de pano único, rasgada no piso inferior por duas portas centrais e duas janelas de peitoril e brincos rectangulares laterais, sobrepujadas no piso superior por quatro janelas de sacada, de verga recta moldurada, com guardas em ferro forjado, rematadas nos ângulos por pinhas. O pátio frontal a esta fachada possui embasamento de cantaria e os paramentos, rebocados e pintados, mostram vestígios de um antigo silhar de azulejos *2. Fachadas laterais semelhantes, de três panos separados por pilastras, rasgadas por oito vãos sobrepostos, sendo os do primeiro piso janelas de peitoril, de molduras simples e caixilharia de guilhotina, as da fachada NO., virada à estrada, com gradeamento de ferro, e correspondendo um na oposta a uma porta, e no piso superior janelas de sacada, de verga recta e bandeira, sendo as da fachada SE., virada o jardim, de sacada única no pano central, com guardas de ferro forjado. Fachada posterior a NE., de pano único, rasgado no piso térreo por uma janela de peitoril, simples, à esquerda, e duas portas de verga recta e, no piso superior, por duas janelas rectangulares simples ladeando janela de sacada com guarda de ferro. Pela fachada SO., acede-se ao INTERIOR, organizado através de um eixo longitudinal, o corredor central, a partir do qual se distribuem as várias divisões, com rodapés ou silhares de azulejos, e paredes e tectos decorados com pinturas murais de motivos geométricos, vegetalistas, arquitectónicos e mitológicos, acedidas por portas pintadas de bege de almofadas sublinhadas e com bandeira superior. Piso térreo com pavimento em tijoleira, com três salas a SO. intercomunicantes, a central correspondendo ao átrio de acesso, que, por um arco de volta perfeita, dá para o corredor, distribuindo-se duas salas à direita, três à esquerda e uma ao fundo, com casa de banho. À direita do corredor, logo no início, dispõe-se a escadaria de acesso ao segundo piso, em cantaria calcária, de dois lances e dois patamares, com guarda de ferro e corrimão de madeira; as paredes do átrio e escadaria têm silhar de azulejos policromos, com a técnica de esponjado, formando painel amarelo, com friso branco e cercadura manganés, tendo até ao patamar intermédio rosetão central em esponjado, e rodapé verde; no patamar intermédio, abre-se ampla janela vertical. À escadaria segue-se um pequeno corredor, que desemboca numa porta para o jardim, e uma sala, com pinturas alusivas às refeições - chávenas, bules, manteigueiras, pão, vinho, etc -, em cartelas nos ângulos do tecto. Ao fundo fica a cozinha, forrada a azulejos de padrão de estrelinha, com escada de serviço de ligação ao piso superior e ampla chaminé de vão de verga abatida. As restantes divisões funcionam como oficinas de serralharia e carpintaria e salas de estudo e de arrumos. Segundo piso com pavimentos em tabuado de madeira e planta idêntica à inferior, excepto a SO., onde existem apenas duas salas; à direita do corredor dispõem-se a escadaria e duas divisões separadas pela escada de serviço, à esquerda, quatro salas intercomunicantes e ao fundo uma sala com lareira, que comunica com as divisões laterais *3; todas as salas têm paredes e tectos decorados com pinturas murais, algumas simples, apenas com elementos arquitectónicos e frisos com elementos geométricos e vegetalistas. Destacam-se as duas salas a SO., viradas para o pátio, uma decorada por drapeados de tecido, ornados ao centro com símbolos ao Amor, tema repetido no medalhão central do tecto *4; a outra é decorada com elementos alusivos às Artes, vasos com flores, grinaldas, aves e instrumentos musicais em cartelas, nos ângulos do tecto. De referir ainda a sala central da ala SE., virada ao jardim, decorada com pinturas murais formando falsa arquitectura de colunas sobre balaustrada, de onde se antevê paisagem luxuriante de árvores, plantas e pássaros, e tendo no tecto medalhão central limitado por grinalda com ramos de videira com cachos de uvas, figuras da mitologia clássica, elementos geométricos e vegetalistas e cestos com alimentos em cartelas e frisos. O sótão serve de arrecadação e possui quatro divisões e um vestíbulo. O jardim, com um lago e poço, encontra-se totalmente abandonado e as cavalariças e zonas agrícolas estão em ruínas. O jardim, com um lago e poço, encontra-se totalmente abandonado e as cavalariças e zonas agrícolas estão em ruínas.

Acessos

Campo das Amoreiras, n.º 94, Charneca do Lumiar

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 44 452, DG n.º 152 de 05 julho 1962 *1

Enquadramento

Urbano, isolado. Quinta com terreno cercado por alto muro, dispondo-se ao longo da Estrada do Campo das Amoreiras e confrontando a Nascente com o aeroporto da Portela. O seu principal acesso é feito junto ao palácio, através de um portão em ferro forjado aberto no muro, com as iniciais "JBA" e a data de "1819", limitado por pilastras em cantaria almofadada, encimadas por pináculos. A NO. e SE., rasgam-se portais idênticos, respectivamente de acesso ao pátio e jardim, e a SO., uma janela rectangular de moldura calcária simples, ladeada por duas portas de verga abatida, que acedem a construções em ruína. O extremo O. do muro é marcado por um chanfro onde é visível uma fonte inscrita num arco de volta perfeita e dotada de um tanque rectangular. Frente à zona principal da quinta fica o Campo das Amoreiras, actual jardim público.

Descrição Complementar

AZULEJO: INTERIOR: ÁTRIO, LANCE E PATAMAR DE ESCADARIA de acesso ao andar nobre: Revestimento de azulejos formando silhar de composição ornamental; policromia: verde, amarelo, manganês; ao centro do longo rectângulo em azulejos amarelo esponjado, destaca-se um rosetão em manganês, formado por folhas de acanto; 1 friso de meio azulejo branco separa o espaço em amarelo da cercadura em manganês e branco esponjado; a rematar a cercadura, friso de meio azulejo, amarelo com traços paralelos em manganês escuro; 6 azulejos de altura. Pombalino tardio; último quartel séc. 18. COZINHA: Totalmente revestida de azulejos; padrão pombalino de estrelinha (2 x 2); monocromia: azul de cobalto em fundo branco; cercadura: 1 fiada de azulejos com motivo de "fita ondulada" pontuada por pequenas flores e folhas; policromia: azul, manganês, amarelo, verde; rodapé: 2 fiadas de azulejos; motivos vegetalistas de palmetas e folhas; monocromia: azul de cobalto em fundo branco. Nalgumas SALAS e CORREDORES: rodapés formados por 2 fiadas de azulejo de padrão e 1 fiada de azulejo esponjado; monocromia: azul de cobalto em fundo branco; finais séc. 18.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Extração, produção e transformação: oficina

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 18, 1ª metade - Por iniciativa de Manuel Teles da Silva, 2º Conde de Vilar Maior e 1º Marquês de Alegrete, inica-se a construção do palácio e jardim; séc. 18, 2ª metade - colocação dos painéis de azulejo no pátio e interior do palácio; 1819 - José Bento de Araújo, então proprietário da quinta, promove obras de remodelação estética a nível do exterior e interior, nomeadamente a substituição dos portões e execução das pinturas murais nas paredes e tectos interiores com motivos decorativos; 1983 - a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa adquire, por compra, a quinta; 1995 - elaboração de projecto de reabilitação e adaptação do palácio a Museu dos Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa; 1996 - na sequência do furto de uma das figuras de convite dos silhares de azulejos do pátio, procedeu-se ao levantamento dos mesmos painéis e dos azulejos das conversadeiras e muretes do jardim, que foram encaixotados e guardados no Convento dos Inglesinhos; 1998, 10 julho - Despacho do Ministro da Cultura a deteminar a alteração dos limites impostos pela classificação publicada no Decreto nº 44 452 de 05 Julho 1962 e complementada pelo Decreto nº 129/77 de 29 Setembro, que esclarece sobre a abrangência dos elementos classificados na Quinta; 1999, 13 Abril - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2001 - na sequência da venda do Convento dos Inglesinhos, os azulejos foram levados para o Quartel do Rio Seco, na Ajuda; 2003 - transferência das três figuras de convite dos painéis de azulejo do pátio para a Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra para serem recuperadas.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria calcária, rebocada e pintada; cunhais, friso, pilastras, embasamento, escadas e molduras dos vãos em pedra calcária; pavimento em tijoleira e em madeira; silhares de azulejos; paredes e tectos estucados e com pinturas murais; portas, molduras das mesmas no interior e caixilharia em madeira; janelas e bandeiras das portas em vidro simples; gradeamento de ferro e guardas em ferro forjado; cobertura exterior de telha cerâmica.

Bibliografia

CONSIGLIERI, Carlos, et. al., Pelas Freguesias de Lisboa. O Termo de Lisboa, Lisboa, 1993; PARRA, Júlio, Azulejos. Painéis do séc. XVI ao século XX, Lisboa, 1994; Monumentos e Edifícios Notáveis do distrito de Lisboa, vol. V, tomo 4, 2ª parte, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa; SCML: DGIP

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa; SCML: DGIP

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; SCML: DGIP

Intervenção Realizada

Observações

*1- DOF: Quinta Alegre com o Palácio, jardins e construções ou elementos decorativos. *2 - O pátio frente à entrada principal tinha silhar de azulejos, de monocromia, azul de cobalto em fundo branco, do terceiro quartel séc. 18; eram de padrão fitomórfico (com 7 azulejos de altura), com folhas de acanto, palmetas, enrolamentos e concheados, com cercaduras de linhas curvas e flores, integrando ao centro figuras de convite, (com 13 azulejos de altura), e ladeados por vasos sobre plintos. Para evitar actos de vandalismo estes azulejos foram retirados e guardados no quartel de Rio Seco, na Ajuda, restando apenas três, visto que uma das figuras de convite foi furtada. No jardim havia muretes com várias conversadeiras revestidas de azulejo de padrão de figura avulsa (com estrelinhas, pássaros, coelhos e barcos) ou de albarradas, mas foram igualmente removidos e encontram-se actualmente guardados. *3 - Esta sala, de acordo com uma planta de 1985 terá sido uma casa de banho embora, actualmente já não tenha louças sanitárias e sirva de sal de arrumos. *4 - O tema desta sala, o Amor, leva a colocar a hipótese de originalmente ter sido um quarto de dormir. *5 - A área do terreno que consta na caderneta predial é de 1577 m2, porém, tirando a área da planta de implementação no terreno é de 5500 m2.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994 / Paula Correia 2001 / Helena Mantas 2004

Actualização

 
 
 
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