Ruínas Arqueológicas de São Martinho de Dume

IPA.00000333
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Real, Dume e Semelhe
 
Arquitectura residencial, religiosa, funerária, romana, paleocristã e medieval. Sítio arqueológico constituído por "villa romana" com edifício balnear, basílica paleocristã e necrópole altomedieval.
Número IPA Antigo: PT010303100045
 
Registo visualizado 639 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Sítio

Descrição

Ruínas arqueológicas que integram uma complexidade de estruturas destacando-se, no conjunto: grande "villa" romana com parte da zona habitacional e edifício balnear; basílica de planta em forma de cruz latina, com orientação E. - O., de nave única e cabeceira trilobada, com aparelho cuidado composto por blocos paralelepipédicos de granito, dispostos em fiadas regularmente horizontais unidas com argamassa e pavimento que integra mosaicos policromáticos; necrópole constituída por doze sepulturas implantadas na arena de alteração granítica, de forma rectangular, definidas por caixa composta por lajes de granito e / ou tijolo e cobertura semelhante.

Acessos

Lugar da Igreja, Lugar do Assento. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,567551, long.: -8,435667

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto nº 45/93, DR, 1ª Série-B, nº 280 de 30 novembro 1993 / ZEP, Portaria n.º 227/97, DR 110, 2ª série, de 13 de maio 1997 / Zona "non aedificandi", Portaria n.º 1133/2009, DR, 2.ª Série, n.º 210, de 29 outubro 2009

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Rural, distribuídas por uma área, ampla, que abarca toda a envolvente próxima da Igreja Matriz de São Martinho de Dume (v. PT010303100145), que constitui o seu núcleo central, e que integra o adro, a Capela de Nossa Senhora do Rosário e uma parte do quintal da Casa do Assento (v. PT010303100064), no limite esquerdo, junto ao muro do cemitério paroquial.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: vila romana / Religiosa: basílica / Funerária: necrópole

Utilização Actual

Marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal / Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 1 / 3 / 6

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 1 - Assentamento no local de uma "villa" romana; séc. 3 - construção de um balneário; séc. 6, primeira metade - construção da primitiva basílica de Dume a mando do rei suevo Carrarico, em agradecimento pela cura do seu filho; 558 - O Bispo São Martinho sagrou o edifício sede da diocese de Dume; 877 - doação de Dume ao Bispo de Mondonhedo, São Rosendo; séc. 10 / 11 - ampliação da basílica; 911 - delimitação do termo de Dume e confirmação da doação ao Bispo de Mondonhedo; 1103 - devolução de Dume à diocese de Braga; 1608 - referências à ermida da Senhora do Rosário junto das casas do Assento; séc. 17 - provável edificação da actual Igreja Matriz; séc. 18, 1ª metade - obras de ampliação na igreja matriz; 1747 - o Contador de Argote relata o aparecimento de diversos vestígios arqueológicos em Dume, descobertos casualmente, durante os trabalhos agrícolas *1; 1987 - identificação de uma "villa" romana sob a capela de Nossa Senhora do Rosário, sendo os trabalhos dirigidos por Luís O. Fontes, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho; 1992 - escavação da necrópole altomedieval de Dume; 1993, Maio - durante os trabalhos de escavação arqueológica foi descoberto o edifício balnear da "villa" romana de Dume; 2006, 6 Agosto - transladação do túmulo de São Martinho de Dume para um subterrâneo construído junto às ruínas, por debaixo do adro da igreja matriz.

Características Particulares

A sequência de ocupação registada, ocupando um espaço de tempo longo de cerca de 2.000 anos; o registo de uma " villa" romana com um edifício balnear; a identificação do primitivo templo cristão sagrado por São Martinho de Dume como sede do bispado de Dume; a singularidade desse templo com filiação em modelos de igrejas tipicamente orientais que entre os séculos 6 e 8 se difundem pelo Ocidente Europeu.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estruturas de granito; pavimentos que integram mosaicos; paredes e tampas das sepulturas integrando tijolos.

Bibliografia

FONTES, Luís Oliveira, Salvamento Arqueológico de Dume - 1987: Primeiros Resultados, in Cadernos de Arqueologia, Série II, nº. 4, Braga, 1987, pp. 111 - 148; FONTES, Luis F. de O., Dume: Devolução do Túmulo do Bispo de S. Martinho, a Ampliação da Igreja Paroquial e o Salvamento Arqueológico, in Forum, nº 4, 1988, pp. 75 - 89; FONTES, Luis F. de Oliveira, Salvamento Arqueológico de Dume (Braga). Resultados das Campanhas de 1989 - 90 e 1991 - 92, in Cadernos de Arqueologia, Série II, vol. 8 / 9, Braga, 1991 / 92, pp. 199 - 230; FONTES, Luis Fernando de Oliveira, Inventário de Sítios Arqueológicos do Concelho de Braga, in Mínia, 3ª série, nº 1, 1993, pp. 39 - 43; Vv.Aa., Braga - Freguesias 97, Braga, 1997, p. 22; DIAS, ENCARNAÇÃO, Marta, Arqueólogos redescobrem basílica de São Martinho, in Diário do Minho, 5 Julho 2006, p. 4; Tiago, Basílica do século VI posta a descoberto em Braga, in Público, 10 Julho 2006, p. 34; PEREIRA, Pedro Antunes, São Martinho volta à freguesia de Dume, in Jornal de Notícias, 6 Agosto 2006, p. 66.

Documentação Gráfica

DGEMN: DREMN; UM: Unidade de Arqueologia

Documentação Fotográfica

DGEMN: DREMN, DSID; UM: Unidade de Arqueologia

Documentação Administrativa

DGEMN: DREMN; UM: Unidade de Arqueologia

Intervenção Realizada

Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho: 1987 - Início das escavações arqueológicas na Capela de Nossa Senhora do Rosário, para onde se projectava a devolução do túmulo do Bispo São Martinho, após as necessárias obras de restauro e adaptação do espaço às suas novas funções; preservação dos vestígios arqueológicos exumados no interior da igreja, com a colocação do pavimento interior cerca de 1.80 m acima das ruínas; Junta de Freguesia: 1997 - vedação com rede da área escavada no quintal da Casa do Assento, cujas estruturas arqueológicas correspondendo ao edifício balnear da "villa" romana de Dume ficaram a descoberto; 2005, Julho - início de escavações arqueológicas pondo a descoberto a basílica paleocristã.

Observações

O espólio desta estação arqueológica, reunido nas escavações e depositado no Museu Dom Diogo de Sousa, de Braga, testemunhando uma continuada ocupação desde o séc. I até aos nossos dias, é constituído maioritariamente por fragmentos de cerâmica comum de fabrico romano e medieval. Presente, também, alguma cerâmica romana de importação, basicamente composta por ânfora, e fragmentos de vidro. As moedas, muito corroídas, são posteriores à nacionalidade. De entre os elementos arquitectónicos há a salientar fragmentos de mosaico de tipologia romana, com temática decorativa geométrica, e de tipologia altomedieval, com dezenas de "tesserae" tipo "ravennate" que comporiam mosaicos policromáticos, parte de uma tampa de sepultura com mosaico, bases de colunas, fragmentos de fustes, aduelas de arcos e impostas, uma decorada com motivos em espinha e roseta, placas de calcário e mármore em que se destaca um fragmento com vestígios de epígrafe e um fragmento de grelha de gelosia.*1 - é conhecido, já desde o século XVIII, pela abundância de vestígios arqueológicos de época romana e altomedieval, dos quais se destaca um conjunto de seis epígrafes romanas e troços soterrados da primitiva Igreja de Dume. Inúmeras fontes documentais referenciam para o local uma intensa ocupação pós-romana, associada sobretudo ao Bispado de Dume e ao seu primeiro titular o Bispo São Martinho.

Autor e Data

António Dinis 1999

Actualização

 
 
 
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