Villa Cardillio

IPA.00003376
Portugal, Santarém, Torres Novas, União das freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago)
 
"Villa" romana disposta em torno de um "peristylum" central, de grandes dimensões, rodeando um jardim; entre as divisões dispostas em seu redor destaca-se o "ostium" e a "exedra" e parte das instalações termais - o "frigidarium" e o "caldarium".
Número IPA Antigo: PT031419130005
 
Registo visualizado 899 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

A "villa" organiza-se em torno de um vasto "peristylum", com cerca de 20 m. de lado, rodeado por 12 colunas e centrado por recinto quadrado com 11 m. de lado, com um poço de 7m. de profundidade, no extremo S.; rodeando esta área uma faixa de 3,50 m. de largura, distribuída por 6 tapetes de mosaico em "opus-tessellatum", com motivos geométricos; entre os tapetes em mosaico e o recinto, uma calha de 0,5m. de largura, em "opus signinum", o "curigum". A E. do "peristylum", a "exedra", com 10x6,5m, pavimentada em "opus signinum", ao fundo da qual se abre a ábside, precedida por pórtico, com 4 colunas de frente e 2 laterais; a O. do "peristylum", o "ostium", a entrada principal, com pavimento de mosaico formando vários painéis de decoração geométrica e figurativa, vendo-se num deles uma inscrição: VIVENTES / CARDILIUM / ETAVITAM / FELIXTURRE, num outro o retrato de um casal trajando à romana, rodeado por crateras e uma foice e num 3º 4 aves, postas 2 a 2, em sentidos diametralmente opostos, com flores nos bicos. Existem ainda vestígios do "frigidarium", do "caldarium" e respectivo "hypocaustum" e de uma piscina, a O. do "peristylum"; esta zona termal sobrepõe-se em parte a um anterior dispositivo, do qual restam 2 tanques. A N. do "ostium" um tanque rodeado por colunas em 3 lados, talvez o "atrium" do edifício anterior.

Acessos

2 Km a S. de Torres Novas, no sítio de Caveira. WGS84 (graus decimais) lat: 39.452897 long:-8527917

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 47 508, DG, 1.ª série, n.º 20 de 24 janeiro 1967 *1

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, planície. Implantada em terrenos da várzea que rodeia o Rio Almonda, 2 km. a S. de Torres Novas.

Descrição Complementar

O "curigum" continha água corrente, durante o Verão, permitindo não só regar o jardim, como refrescar o ambiente. Sobre o pavimento de várias dependências foram encontradas telhas de tipo "imbrex" e pregos que ligavam o madeiramento.

Utilização Inicial

Residencial: villa romana

Utilização Actual

Marco histórico-cultural: villa romana

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 1 / 4 d.c.

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 1 - construção de uma 1ª "villa", da qual resta um primitivo "atrium" e restos de instalações termais, que em parte foram adaptadas na construção posterior; séc. 4 - construção da 2ª "villa", propriedade de Cardílio e Avita; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2009, 24 agosto - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163.

Características Particulares

É o único exemplo de "villa" romana que se conhece com referência aos nomes dos seus proprietários - Cardílio e Avita. A importância desta "villa" põe-a a par das vilas romanas de Santa Vitória do Ameixial e de Torre de Palma, podendo os seus mosaicos equipar-se aos de Milreu e de Conímbriga (Lambrino, 1963, p. 105).

Dados Técnicos

Materiais

Estruturas em alvenaria de pedra, cantaria, tijolo; revestimentos em "opus tessellatum" e "opus signinum".

Bibliografia

JALHAY, Eugénio, Uma curiosa estatueta de barro, in Revista de Arqueologia, tomo II, fasc. VII, Lisboa, 1936; GONÇALVES, Artur, Anais Torrejanos, Torres Novas, 1939; LAMBRINO, Scarlat, A "villa romana" de Cardílio e de Avita, in Nova Augusta, 2, Torres Novas, 1963; PAÇO, Afonso do, Vila Cardílio, Estação Romana de Torres Novas, in Nova Augusta, 2, Torres Novas, 1963; Idem, Vila de Cardílio (Ruínas luso-romanas de Torres Novas), I Algumas observações sobre a 1ª campanha (1963); II - Algumas observações sobre a 2ª campanha (1964), Biblioteca Municipal de Torres Novas; Idem, Mosaicos Romanos de la "Villa de Cardilius" en Torres Novas (Portugal), in Archivo Español de Arqueologia, vol. XXXVII, nºs 109 e 110, 1964; Mosaicos da Villa de Cardílio, in Lucerna, 4, 1965; ALARCÃO, Jorge de, Achados na Vila Romana de Cardílio, in Boletim da Câmara Municipal de Beja - Arquivo de Beja, vol. XXIII - XXIV, 1966 / 1967; CEREJO, António Joaquim Mendes, Sala construída ou embelezada quando Cardílio e Avita moravam na Torre Felix? , in Diário de Notícias, 24 de Janeiro de 1960; COSTA, Francisco Cândido Rodrigues, Memória Breve sobre Vila Cardílio,in Nova Augusta, 2ª série, 2, Torres Novas, 1982; SANTOS, Manuel Farinha dos, Lições de Arqueologia Romana, Instituto Politécnico de Santarém, 1983; ALARCÃO, Jorge de, Arquitectura Romana in História da Arte em Portugal, vol. I, Lisboa, 1986; BICHO, Joaquim, Património Artístico do Concelho de Torres Novas. Torres Novas, s.d..

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN

Intervenção Realizada

1932 - Jalhay e Afonso do Paço interessam-se pela 1ª vez pelo sítio arqueológico; 1963 / 1964 - escavações sob a direcção de Afonso do Paço; 1980 - reinício das explorações arqueológicas sob a direcção de Jorge Alarcão, sendo os trabalhos de campo dirigidos pelos Drs. Monteiro e Quinteira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; nas prospecções foi já utilizado o método estratigráfico da quadrícula.

Observações

1. *DOF "Vila Lusitano-Romana junto de Torres Novas (ruínas) / "vila Cardílio". 2. Do espólio encontrado até 1963 destaca-se uma estatueta de barro, uma ânfora, moedas datáveis entre 145 a.c e 408 d.c., uma estátua de Eros, em mármore de Carrara; durante as campanhas de 1963 / 1964 foram encontrados fragmentos de "terra sigillata", com marcas variadas de fabrico, objectos de cerâmica comum - lucernas, vasos, pratos, ânforas - objectos em metal - uma ave e uma campainha em bronze, fíbulas, etc. - objectos em vidro, marfim e osso; o material respeitante às campanhas de 1980 / 1981 está inédito. 3. Em 1930 o sítio serviu de mina - o proprietário de Casais da Caveira retirou 360 carradas de pedra do local. 4. A leitura da inscrição que refere o nome dos proprietários da "villa" tem tido diferentes interpretações: "Felix de Turre fez os mosaicos em homenagem a Cardílio e Avita"(Paço, 1963); "Felix fez o retrato de Cardílio e de Avita, em vida, na localidade chamada Turris" (Lambrino, 1963); "A Torre será feliz enquanto viverem Cardílio e Avita" (Garcia Y Bellido, in Paço, 1964); "Vivendo Cardílio e Avita na Torre Feliz" (Cerejo, 1980). 4. Os objectos representados no painel dos retratos dos proprietários, a foice e as crateras simbolizam respectivamente o cultivo do trigo e da vinha (Costa, 1982, p. 48).

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Isabel Mendonça 1995

Actualização

2010
 
 
 
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