Povoado do Alto do Couto da Pena / Estação Arqueológica do Alto do Couto da Pena

IPA.00003518
Portugal, Viana do Castelo, Caminha, União das freguesias de Caminha (Matriz) e Vilarelho
 
Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Ferro com anterior ocupação do sítio da Idade do Bronze Final e com posterior ocupação romana e medieval. Povoado fortificado / castro implantado num morro junto à zona litoral, que dominava. Segue o ordenamento característico dos castros do Noroeste, com adaptação à figuração do terreno pela muralha e casas, que têm plantas circulares, alongada e para-rectângular, com ângulos arredondados. Povoado bastante original no contexto da arqueologia castreja do Noroeste Peninsular, pela natureza das suas estruturas, amplitude cronológica e variedade de espólio conexos com uma implantação de relevante interesse. As casas de planta quadrangular e rectangular são geralmente construídas sob influência romana, mas aqui detectou-se no 1º nível de ocupação - Bronze Final - pelo menos uma casa de planta alongada e perfil curvilíneo adaptada aos rochedos, e com paredes muito espessas feitas de pedra miúda ligada com saibro, anterior às de planta circular também existentes.
Número IPA Antigo: PT011602190014
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoado  Povoado da Época do Ferro  Povoado fortificado  

Descrição

Povoado fortificado formado por uma linha de muralha (a única até agora confirmada) e casas de habitação. A muralha, envolvendo a plataforma superior do povoado, assenta em superfície preparada na rocha natural, com espessura irregular (1.80 m. a 2.60 m.) e é constituída por fiadas de pedra de diversos tamanhos, dispostos horizontalmente sem argamassa. As unidades de habitação, de pedra, no perímetro interior e exterior da muralha, apresentam planta circular, de forma alongada e outras para o rectangular com ângulos arredondados, aproveitando para implantação os espaços, os desníveis e os rochedos existentes. O pavimento exterior é de saibro arenoso e o interior mais espesso. Algumas casas têm lareira de barro encostada à face exterior do muro.

Acessos

Vilarelho. WGS84 (graus decimais): lat.: 41,866660; long.: -8,835314 (à freguesia)

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 1/86, DR, 1.ª série, n.º 2 de 03 janeiro 1986

Enquadramento

Rural. Situa-se na confluência do Rio Coura com o Minho, em excelente posição estratégica, num maciço rochoso de declives abruptos a O. e fortemente acentuados nos restantes lados.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Afectação

Época Construção

Idade do Ferro

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Séc. 08 a.C. - 1ª fase de ocupação com preocupações defensivas; séc. 07 - 06 a.C. - 2`ª fase: aparentemente sem ruptura de ocupação; 500 a.C., cerca - 3ª fase: desenvolvimento da cultura castreja; a certa altura, a muralha foi considerada inútil e a zona alta do castro foi abandonada em detrimento de plataformas inferiores; 4ª fase: romanização do povoado; séc. 01, 2ª metade - reocupação da zona alta do castro; séc. 04, até - ainda com ocupação romana; incêndio generalizado; séc. 11 - 12 - construção de um castelo na zona alta, com ocupação contínua; 1258 - Inquirições referem-no já abandonado; 1979 - terraplanagem para futura urbanização destrói zona considerável da estação.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Granito

Bibliografia

PAÇO, Afonso, Núcleo castrejo delapidado por coleccionadores levianos in Jornal de Notícias, 4 Maio 1979, p. 11; Relatório da 4ª Companhia de Escavações Arqueológicas no Castro do Coto da Pena (Vilarelha e Caminha), 1983; SILVA, Armando Coelho Ferreira da, A cultura Castreja no Noroeste de Portugal. Habitat e Cronologias in PORTVGALIA, nova série, vol. 4 / 5 , Porto, 1983 / 1984, p. 121 - 129; ALVES, Lourenço, Caminha e o seu Concelho (Monografia), Caminha, 1985; COELHO, Amando, LOPES, António B., Coto da Pena in Informação Arqueológica, vol. 5, Lisboa, 1985, p. 132; idem, A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal, Paços de Ferreira, 1986; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74447 [consultado em 11 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1980 / 1981 - escavações arqueológicas; 1982 - escavação estatigráfica do sector VII, em continuação dos anos anteriores; 1983 - alargamento para O. e S. do sector anteriormente descoberto.

Observações

O castro do Couto possuia uma situação privilegiada para exploração agro-pecuária, marítima e outras, numa rota importante de comércio tradicional. Possuía uma longa fase de ocupação que vai desde o Bronze Final até ao séc. 12, distiguindo-se assim várias fases. Em termos de ocupação, teve 5 fases: a 1ª com afinidades predominantemente Atlânticas; a 2ª ligada à metalurgia do ferro - fase halstática -, denotando-se no espólio um crescente afluxo de influências meridionais, relacionadas com o mundo tartéssico; a 3ª manifesta grande prosperidade, surgindo juntamente com cerâmica manual a importada, de proveniência e / ou tradição púnica, com ocupação exterior da linha de muralhas, o que leva a pensar na possibilidade de uma 2ª linha de defesa; a 4ª fase de ocupação romana tem algumas alterações de ordenamento, culminando com um incêndio generalizado no séc. IV d.c., provavelmente ocasionado pelas invasões germânicas; a 5ª fase é de ocupação medieval. Frente ao castro do Couto, na foz do Minho, implanta-se o castro de Santa Tecla, ambos com espólio concordante.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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