Pelourinho de Bertiandos

IPA.00003529
Portugal, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Bertiandos
 
Arquitectura de comunicações, romana. Marco miliário romano, epigrafado, transformado em pelourinho de pinha cónica embolada na centúria de seiscentos ou setecentos, com soco de um degrau quadrangular e remate em pináculo cónico, encimado por pinha. Pelourinho de origem senhorial constituído por um marco miliário romano, o nº 47 da série Capela, reparoveitado para pelourinho, a que foi acrescentado o remate, pouco comum, constituído por dupla pinha cónica, seccionada.
Número IPA Antigo: PT011607080003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Transportes  Marco  Marco miliário  

Descrição

Estrutura em cantaria de granito, composta por soco quadrangular de um único degrau baixo, sobre o qual se ergue marco miliário, constituído por coluna monolítica de secção circular, a alargar para cima e inscrita, encimada por duas molduras, convexas inscritas e côncovas. Remate cónico duplo, seccionado e terminando em pequena pinha gomeada.

Acessos

Bertiandos, EN 202. WGS84 (graus decimais) lat.: 41.760061; long.: -8.625643

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 23 122, DG, 1.ª série, n.º 231 de 11 outubro 1933

Enquadramento

Rural, isolado, junto à estrada. Implanta-se no terreiro relvado do Solar de Bertiandos (v. PT011607080024), em frente do mesmo e delimitado por buxo. Nas imediações e do outro lado da estrada corre o rio Lima.

Descrição Complementar

Inscrição do marco miliário: "IMP. CAES. G. IVL. VERS / MAXIMINUS. P. F. AVG. GERM / MAX. DAC. MAX. SARMATIC. MAX / PONT. MAX. TRIB. POT. V / IPM. VII. P. P. COS. PROCOS. ET / C. IVL. VERVS. MAXIMINUS. NO / BILISSIMVS. CAES. GERM. MAX. / DAC. MAX. SP. M MAX (sic) / PRINC. IVENTVTIS. FILIVS. IMP. D. N. G. IVL. VERI. MAXI MINI. P. F. AVG. VIAS. ET / PONTES. TEMPORES / VETVSTATE COLLA. / SOS. RESTITVERVN T / CVRANTE Q. D. / LEG. AVG. PR. PR. AE E (sic) / A BRAC. M. P. XVIII". Leitura - "Imp(erator) Caes(ar) G(aius) Iul(ius) Verus / Maximinus P(ius) F(elix) Aug(ustus), Germ(anicua) / Max(imus), Dac(icus) Max(imus) Sarmatic(us) Max(imus) / Pontifex Max(imus), Trib(unicia) Pot(estate) V / Imp(erator) VII. P(ater) P(atriae) Co(n)s(ul), Proc(n)s(ul) et / C(aius) Iul(ius) Verus Maximinus, No / bilissimus Caes(ar), Germ(anicus) Max(imus), / Dac(icus) Max(imus), Sarm(aticus) Max(imus) / Princ(eps) Iuventutis, Filius / Imp(eratoris) D(omini) N(ostri) G(aii) Iul(ii) Veri Maxi / mini P(ii) F(elicis) Aug(usti) Vias et/ Pontes Tempores / Vetustate Co(n) la / (p)sos Restituerunt / Curante Q(uinto) D(ecio) / Leg(ato) Aug(usto) Pr(o) Pr(etore) / A Brac(ara) M(ilia) P(assuum) XVIII".

Utilização Inicial

Transportes: marco miliário

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 03 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

235 / 238 d.C. - feitura do marco miliário, do tempo dos Imperadores Maximino e Máximo, erguido junto à estrada romana que ia de Braga a Tuy; 1641 - o marco foi encontrado enterrado no Campo de Santo Amaro (freguesia da Feitosa) e mandado trazer para Bertiandos por Frei António Pereira Lima, irmão do morgado Francisco Pereira da Silva; como o monólito tinha de passar para a margem oposta do rio Lima, a Câmara Municipal da vila obrigou o fidalgo a lavrar uma escritura responsabilizando-se pelos prejuizos que pudesse causar na ponte; em Bertiandos o marco foi "alindado", acrescentando-se um remate que o encimava com cruz de ferro, e juntaram ao texto romano algumas linhas de memorando; séc. 17 - António Pereira Pinto d'Eça, senhor de vínculo e casa de Bertiandos manda dourar as letras deste padrão; 1750, 13 Abril - decreto elevando Bertiandos a vila, na sequência do qual é possível que se tenha adaptado o marco miliário a pelourinho; 1758, 29 Maio - segundo o abade Manuel de Andrade nas Memórias Paroquiais, a freguesia pertencia ao rei, comarca "secular de Valença" e "secular de Viana"; tinha 164 pessoas de sacramento e 24 menores; refere a existência de um padrão com 15 palmos de altura e de grande grossura, com um letreiro de letras douradas, em frente das casas de Damião Pereira da Silva de Sousa Meneses, nas margens do rio Lima; 1795 - constituindo-se o Couto de Bertiandos (que era constituído por esta freguesia e as de Esporãos e Santa Comba), "colocaram o marco junto da cadeia e próximo do rio, destinando-o para pelourinho do concelho"; 1835 - extinção do couto; 1886 - o Conde Gonçalo Pereira, delineando o parque defronte da casa, ali colocou o pelourinho, resguardado por uma sebe, mas bem visível ao público.

Dados Técnicos

Sistema estrutural autónomo.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito.

Bibliografia

ARAÚJO, José Rosa da, Caminhos Velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima, Viana do Castelo, 1962; AURORA, Conde d', Roteiro da Ribeira Lima, Porto, 1959; CAPELA, José Viriato, As freguesias do distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, Casa Museu de Monção / Universidade do Minho, 2005; CHAVES, Luís, Os Pelourinhos e os Cruzeiros in Arte Portuguesa - As Artes Decorativas, Lisboa, s.d., p. 75 - 104; idem, Pelourinhos do Distrito de Viana do Castelo, Viana do Castelo, 1934; MALAFAIA, E. B. de Ataíde, Pelourinhos Portugueses - tentâmen de inventário geral, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1997; MELO, Maria de Fátima da Silva, Arqueologia do Concelho de Ponte de Lima (Dissertação de Licenciatura em História) s.l., 1967; SOUSA, Júlio Rocha e, Pelourinhos do Distrito de Viana do Castelo, Viseu, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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