Igreja de Paderne e convento / Igreja Paroquial de Paderne / Igreja do Divino Salvador

IPA.00003617
Portugal, Viana do Castelo, Melgaço, Paderne
 
Arquitectura religiosa, românica e barroca. Igreja românica da 2ª fase do foco românico do Alto Minho. Planta harmonizada com as necessidades e funções de reduzida comunidade monástica rural, mas sendo notório a adopção de algumas soluções arquitectónicas que lembram pormenores da ordem Cisterciense: cabeceira de 3 capelas e transepto. O portal O. do braço N. do transepto é protogótico e o axial, com ombreiras salientes e decorativas, capitéis pequenos e decoração vegetal e floral, é já gótico. A arcada exterior com arcozinhos sobre o toro foi influenciada pela Catedral de Orense. Dos acréscimos posteriores destacamos: azulejos seiscentistas, organizados em 2 padrões diferentes sobrepostos e com excelente integração arquitectónica, retábulo de talha da capela-mor em estilo nacional; cadeiral e imagens de madeira polícroma, barrocas; e retábulo do absidíolo N. neoclássico. Convento muito arruinado, restando apenas 3 faces do claustro.
Número IPA Antigo: PT011603110005
 
Registo visualizado 767 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta composta por igreja em cruz latina, de nave única curta e transepto desenvolvido, cabeceira de 3 capelas rectangulares, torre sineira e sacristia adossada obliquamente a S.. Também a S. desenvolve-se corpo quadrangular, avançado em relação à igreja, e um outro perpendicular a este, criando pátio, a que se tem acesso por porta junto ao muro do adro. Volumes articulados, com coberturas em telha a 1, 2 e 3 águas. Frontespício, orientado, terminado em empena, aberto por portal de arco pleno, de 5 arquivoltas esculpidas com motivos florais, sobre colunas de capitel decorado, e janelão rectangular. Coroa-o pináculos e cruz central. Fachada N. contrafortada, com cornija a meio para apoio a dependências, 2 frestas de arco pleno e cornija esculpida sobre cachorrada. O braço N. do transepto tem a O., entre contrafortes, portal de arco pleno com arquivoltas esculpidas com motivos geométricos, sobre colunas; encima-o banda lombarda, rosácea decorada e cornija sobre cachorros; a N. abre-se numa espécie de alfiz, portal de arco quebrado com 3 arquivoltas sobre colunas. Interior com coro-alto, púlpito no lado da Epístola e cadeiral com alçados de madeira decorada e banco corrido de pedra de ambos os lados; arco triunfal quebrado sobre colunas com capitel de folhagem encimado por rosácea e várias imagens de madeira aplicadas no muro; tecto de madeira com travejamento à vista. Capela-mor com cadeiral, 2 janelas laterais e retábulo de talha; tecto de caixotões de madeira. Arcos quebrados sobre colunas e capitéis esculpidos fazem ligação aos braços do transepto. O do N. tem vestígios de pintura mural e de friso corrido; a parede O. do absidíolo é revestida a azulejos de padrão e, no seu interior, tem retábulo de talha; cobertura curva de madeira. O do lado N. tem absidíolo com vestígios de pintura nos capitéis e arco, de 2 aduelas; é encimado por fresta alargada e tem uma outra na parede testeira. Sacristia com arcaz, painel pintado, várias imagens e fonte de pedra com 2 carrancas e frontão curvo encimado por pináculos e cruz; tecto de madeira. A parte N. do claustro desapareceu e a de E. sofreu alterações profundas, devido adapatação a habitação. O corpo do claustro, de 2 pisos, é ritmado por pilastras tendo fenestração irregular na fachada N.; a O. tem janelas rectangulares e porta central de arco pleno no 1º piso; janelas quadradas, algumas ladeadas por outras muito pequenas no 2º. Entre este e o corpo perpendicular, os edifícios agrícolas; existe outro com largo arco, dando passagem para a quinta da antiga cerca, sendo encimado por janela. A face interior do claustro, tem os pisos separados por friso, tendo no 1º arcos plenos sobre colunas dóricas e no 2º janelas de sacada fechadas até meio.

Acessos

Lugar do Convento - CM. 501

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 (igreja) / IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977 (convento)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, adossado, implantação harmónica. Ergue-se dentro da povoação, com grande largo fronteiro, tendo adro fechado por muro de pedra, desenvolvendo-se a S. as dependências conventuais avançadas e a N. o cemitério.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino da Ordem de São Bento (Beneditinos)

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / residencial: mosteiro parcialmente ocupado para habitação e casa de lavoura

Propriedade

Pública: Estatal (Igreja) / Privada: pessoa singular (mosteiro)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 11 - fundação do mosteiro, feminino; 1071 - doação de metade do convento à Sé de Tui; 1130, 6 Agosto - segundo Pe. António Carvalho da Costa, D. Paio, Bispo de Tuy, sagra igreja e mosteiro; 1141, 16 Abril - grato pela abadessa D. Elvira Serrazin lhe ter prestado auxílio aquando do cerco do castelo de Castro Laboreiro, D. Afonso Henriques concedeu-lhe carta de couto; os limites do couto abrangiam as actuais freguesias de Paderne, Cousso e Cubalhão; séc. 13, 2º quartel - convento passa a ser só de monges, da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho; 1225 - Prior D. Tomé fez contrato com abade de Fiães, D. Gonçalo, sobre umas propriedades; 1244 - Prior D. Paio Martins faz troca de propriedade com o abade de Fiães; 1248 - o então prior D. João Pires, manda demolir a velha igreja e reedificar a actual; 1258 - as Inquirições de D. Afonso III revelam o nome do prior do mosteiro João Peres ou Pires e do juíz, Martinho Pais que, juntamente com outros ajuramentados, disseram que o rei não era padroeiro da igreja, e que lhe pagavam apenas um quarto da colheita; 1264, 6 Agosto - sagração da igreja pelo bispo de Tui D. Egídio; 1320 - no tabelamento do contributo que as igrejas e mosteiros deviam pagar, como subsídio para as despesas de guerra contra os mouros, o mosteiro sobressaia entre os da região entre Minho e Lima, pois foi taxado em quinhentas libras anuais (Santa Maria de Fiães foi taxado apenas pelas terras que possuia em Portugal) em quatrocentas libras, o de Ganfei trezentas libras, o de São João de Longos Vales em cem libras e o de Cabanas em cento e quarenta libras); 1360, 27 Março - D. Pedro confirmou e outorgou-lhe "privilégios e liberdades e foros e bons costumes"; 1475, 26 Abril - D. Afonso V estendeu os privilégios do mosteiro a todos os moradores do couto, tendo-os isentado de todos os encargos e servidões do concelho; 1497, 8 Setembro - D. Manuel confirmou-lhe todos os privilégios outorgados até aquela data; séc. 15 - transita para a posse de comendatários, possivelmente por se encontrar em decadência; 1556 - ordem de Paulo IV incentivou a reforma da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, a partir da Congregação de Santa Cruz de Coimbra; 1592 - o Mosteiro de São Salvador de Paderne aderiu à reforma; 1594 - por ordem de D. Sebastião e Bula de Clemente VIII, foi unido ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra; 1604 - monges crúzios do mosteiro intentaram acção contra Gregório de Mogueimar Fajardo e esposa, D. Catarina de Távora; séc. 17 / 18 - ampliação da capela-mor, transformando a ábside de perfil curvo em rectangular para colocação do retábulo-mor; séc. 18 - modernização da igreja; 1770 - colocação de órgão no coro-alto, que custou 300$000 réis; compra de um realejo por 17$000 réis; 4 Julho - de Clemente XIV Sacrosanctum Apostoluates Ministerium extinguindo a ordem; é anexado ao Real Mosteiro de Mafra; 27 Setembro - o Dr. Feliciano Ramos Nobre, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e Desembargador de sua Majestade, deslocou-se a Paderne com o breve e a ordem do Cardeal D. João da Cunha, Arcebispo de Évora, e do concelho de Estado de D. José, para proceder à execução do breve pontífice e extinguir o mosteiro; ali habitavam então onze monges; data da planta do mosteiro e da cerca, assinalando os caminhos, tanques, fontes, bem como os números das diversas árvores em cada parcela; segundo o inventário da livraria, a Biblioteca do convento tinha mais de seiscentos e dezasseis títulos, num total de mil cento e quarenta volumes; 1771, 30 Abril - ali ingressam os religiosos de Paderne; 1836, 6 Novembro - extinção do couto de Paderne e sua integração no concelho de Melgaço; 1888 - compra do convento por particular; 1910, 16 junho - decreto classifica como Monumento Nacional apenas trechos da igreja de Paderne; 1946 - desabamento do tecto da nave.

Características Particulares

O portal O. do braço N. do transepto, pela sua desenvoltura e grandeza, o que se poderá explicar pela função funerária do espaço fronteiro e por razões de serviços de procissões. As linhas verticais do convento são acentuadas ao nível dos telhados por pináculos, mas a fenestração barroca inicial foi profundamente adulterada com a redução das janelas de sacada no 2º piso.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autoportantes em cantaria com aparelho "vittatum".

Materiais

Granito, talha, madeira, pinturas e azulejos. Pavimento de granito e cobertura de telha.

Bibliografia

VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, vol. 1, Lisboa, 1886; PINTOR, Pe. Manuel A. Bernardo, Mosteiro de S. Salvador de Paderne (Alto Minho), sep. rev. THEOLOGIA, Braga, 1957; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Primeiras impressões sobre a Arquitectura Românica Portuguesa in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971; idem, Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho (Dissertação de Doutoramento em História de Arte), vol. 2, Porto, 1978; SILVA, Armando Barreiros Malheiro da, Paróquia do Mosteiro de São Salvador de Paderne em demanda com os Senhores da Quinta de Pontiselas (século XVIII) sep. I Colóquio Galaico - Minhoto, Braga, 1983; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, O Românico in História da Arte em Potugal, vol. 3, Lisboa, 1986; ibidem, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana de Castelo, 1987; RODRIGUES, Jorge, Paderne: A Arte e os Enigmas in Sábado, Lisboa, 6 Maio 1989; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; PINTO, Luís de Magalhães Fernandes, Os Azulejos do Mosteiro de Paderne in Monumentos, nº 9, Lisboa, 1998, p. 98 - 101; Relatório dos Trabalhos de Acompanhamento Realizados pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao Abrigo dos Protocolos com a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1997 - 1999) (2001 - 2002), (Universidade do Minho), Braga, 2002; MARQUES, José, O Cartório e a livraria do Mosteiro de Paderne, em 1770, in Boletim Cultural de Melgaço, nº 1, s.l., 2002, pp. 9 - 92; FERNANDES, Paulo - «O teatro das formas - face da condenação e redenção na escultura românica» in Invenire Revista de Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, julho - dezembro 2013, n.º 7, pp. 20-26.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; Arquivo Distrital do Porto: secção Monástica, Livros vários, nº 13, fls. 68 - 70

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; Arquivo Distrital do Porto: secção Monástica, Livros vários, nº 13, fls. 68 - 70

Intervenção Realizada

DGEMN: 1947 - início das obras e beneficiação com reconstrução total de telhados que haviam ruído; apeamento parcial da torre sineira que ameaçava ruir; 1951 - restauro na capela-mor, pavimento da nave, braço do transepto e absidíolo S.; 1955 - obras de reparação; 1956 - prosseguimento da reconstrução da parede S. do transepto; 1957 - prosseguimento das obras de restauro; 1958 - reparação parcial do telhado da nave; 1960 - prosseguimento das obras de restauro; 1961 - obras de reconstrução da sacristia; 1962 - continuação das obras de reconstrução e restauro da parede S. da igreja; 1966 - reconstrução de um nicho na parede S. da nave, do telhado e reposição do tecto do absidíolo esquerdo; 1967 - reconstrução do telhado da capela-mor e diversos trabalhos de restauro; 1968 - trabalhos de carpintaria especializada; conclusão da reconstrução da sacristia; 1971 - restauro do pavimento do braço N. do transepto; 1973 - construção do pavimento de torre sineira; 1974 - instalação eléctrica; reconstrução do coro e diversos trabalhos de conservação; 1975 - conclusão da cobertura do transepto; 1976 - diversas obras; 1977 - reparação de vitrais; 1979 - beneficiação dos telhados, conservação do altar-mor; 1982 - conclusão das obras de beneficiação e diversos trabalhos de conservação; 1983 / 1984 - trabalhos de conservação; 1985 / 1986 - trabalhos de beneficiação; 1988 - trabalhos complementares de construção civil; obras de construção; 1998 - obras de conservação e beneficiação geral do imóvel; arranjos exteriores do adro, com acompanhamento arqueológico do Dr. Luís Fontes, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, no âmbito do protocolo com a DGEMN; 2000 - conservação e restauro do remate da pia baptismal e arcaz.

Observações

*1 - Os capitéis, à excepção de um historiado, têm decoração vegetal e nada volumosa, num estilo bem diferente da escultura arquitectónica anterior, mostrando que houve em meados do século, no Alto Minho, uma grande mudança de gosto. *2 - Junto à ala dos sepulcros encontramos um grafito posterior à construção - um cão com coleira - e que pode ter missão de guarda. *3 - A inscrição com a data de sagração "DEDICACIO: EGIDII: EPI: ISTA / ECLESIA: I IPE: JOHANES / PETRI: PRIOR: E: M: CCCII", foi feita com letras unciais, como é já usada no séc. 13 e princípios do séc. 14, mas nota-se ainda um certo arcaísmo nela. *4 - Segundo o Arq. Fernandes Pinto, "o grande afastamento entre a localização do revestimento de Paderne e as localizações mais próximas de revestimentos de iguais motivos denuncia um fornecimento originário da região centro. Por outro lado, a escassa quantidade de material necessário e a grande variedade de temas aplicados em obra tão pequena, permitem supor que foi utilizado o remanescente de outras aplicações maiores". *5 - Durante as obras de beneficiação do adro não foram identificados quaisquer vestígios arqueológicos. *6 - Apesar de alguns autores localizarem a fundação do Mosteiro no séc. 11 por D. Paterna e dizerem que era misto ou dúplice, ou seja, que tinha uma comunidade masculina e outra feminina, a documentação existente não permite confirmar tal facto; na pouca existente, nomeadamente a carta de couto, nada existe que permita chegar a essa conclusão. *7 - Em 1770 o Mosteiro constava de uma igreja com cinco altares, um na capela-mor, dois em capelas profundas e dois outros à face debaixo da grade, tinha uma "casa de grades" para a pia baptismal e uma sacristia junto ao claustro, que servia para os religiosos; tinha uma outra sacristia para os clérigos de fora, paramentada pelo mosteiro para os dois altares. No adro e pátio de fora, aberto, à direita da portaria ou do portão de entrada, surgia uma casa alta, tendo no piso térreo a cadeia e no superior a casa de audiência, a qual para além das funções ligadas à administração do couto, funcionava, sistematicamente, como tribunal. A S. do claustro, havia um grande pátio, em que se entrava directamente do exterior pela portaria, com alpendre da parte de fora, à volta do qual se dispunha a carpintaria (à direita), para S. a adega e lagar de vinho, com celeiro por cima, cavalariças e por cima a casa dos moços fidalgos; a E. tinha um forno e duas casas altas para fruta e, por baixo, a casa de bois; a N. tinha um arco com trânsito para o claustro, tendo na passagem, do lado direito, uma casa de hospedaria e, em frente, a de visitas, com quatro camarotes; a O. no claustro ficava a casa do capítulo, uma casa de visitas e a escada para os dormitórios; a N. ficava uma porta para a sacristia, num canto, e outra para o "de profundis"; a E. ficava uma outra imediata para despejos de madeira e a S. uma casa de procuração com outra imediata para despejos; no piso térreo do claustro ficava ainda outro "de profundis", o refeitório, a cozinha e a cozinha dos moços, e do outro lado duas casas que servia de dispensa; a cozinha tinha porta para um pátio onde se achava uma escada para os sinos da torre e para os dormitórios; esse pátio tinha uma porta para a cerca dos coelhos. No segundo piso do claustro existiam quatro dormitórios, do lado O. tinha um coro com o seu trânsito que servia de ante-coro e três celas, do lado S. tinha seis celas e uma alfaiataria; a E. tinha três celas e uma maior que servia de cartório e a N. tinha a livraria e duas celas que serviam de despejos com uma ante-câmara para a torre e para descer para o pátio da cozinha. Existia ainda um outro pátio fechado a S. da parte do celeiro, com o pomar de laranjeiras e limoeiros, dois moinhos, um para moer trigo e outro para milho, com um rego de água que passava por dentro da cerca, um pombal sem cobertura e umas casas velhas, a um canto.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

Paula Noé 2001
 
 
 
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