Ponte de Trajano

IPA.00003668
Portugal, Vila Real, Chaves, Santa Maria Maior
 
Ponte romana, de arco, com tabuleiro plano, de paramentos almofadados, assentes em arcos de volta perfeita, de aduelas almofadadas e com orifícios para encaixe da forfex, e apresentando talhamares prismáticos a montante. Insere-se na via XVII do Itinerário de Antonino Pio, constituindo o monumento romano mais representativo na cidade e paradigma do esplendor que a mesma atingiu, e, simultaneamente, constituindo uma das principais pontes romanas do país. No seu conjunto, conserva o traçado original, evidenciado no aparelho almofadado e nas marcas de forfex das aduelas, ainda que tenha sido reduzida, pois as descrições do séc. 18 referem ter 18 arcos, e tenha sofrido algumas reconstruções, conforme é notório no aparelho dos arcos do lado E. e na numeração das aduelas de alguns arcos, no lado oposto. O facto dos talhamares não terem todos as mesmas dimensões e alguns não serem estruturais, mas apenas adossarem à estrutura, bem como o facto dos dois últimos arcos da margem esquerda, junto ao bairro da Madalena, serem mais largos, ocupando o espaço que, segundo Colmenero, corresponderia a três dos originais, vem confirmar as várias reconstruções. Numa das últimas reformas que sofreu, em finais do séc. 19, substituiu-se, sensivelmente a meio, de cada um dos lados, um talhamar por um pilar semiculcular, sobre os quais se colocaram marcos comemorativos, monolíticos, cilíndricos e com inscrições, constituindo cópias dos padrões originais perdidos. Segundo Antonio Rodríguez Colmenero constitui uma das poucas pontes da Península que possuem data de construção, a acreditar na coluna dedicada a Trajano, existente a montante da ponte. A calçada romana descoberta recentemente junto à ponte, a montante e disposta obliquamente em relação à mesma, deverá ser anterior à ponte.
Número IPA Antigo: PT011703510001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Transportes  Ponte / Viaduto  Ponte pedonal / rodoviária  Tipo arco

Descrição

Ponte de tabuleiro plano, com cerca de 140 m de comprimento, paramentos em aparelho regular almofadado, actualmente apenas sobre 16 arcos visíveis, de volta perfeita, de aduelas almofadadas e com orifícios para encaixe da forfex, e alguns dos arcos do lado E. com as aduelas numeradas, sobre pilares rectangulares; as juntas das aduelas e intradorso dos arcos surgem pintados de branco; os dois arcos no extremo da margem esquerda, junto ao bairro da Madalena, são maiores que os outros e quatro na margem direita encontram-se entaipados, dois deles interiormente servindo de arrecadação e rasgados por vãos rectangulares gradeados. A montante, a ponte é reforçada por oito talhamares prismáticos, ligeiramente escalonados e de tamanho e altura sensivelmente diferente, sendo uns estruturais, uma vez que os seus silhares servem de sustentáculo aos arcos, e outros surgem apenas adossados à estrutura da ponte. Sensivelmente a meio, entre o sexto e o sétimo arco, existe, a montante e a jusante, pilar semicircular avançado da estrutura, em cantaria de aparelho regular, com cartela oval, inscrita com a data 1880, terminado em cornija, ao nível do pavimento da ponte, e sobre os quais se erguem dois marcos cilíndricos, monolíticos, a montante designado "padrão dos povos" e a jusante comemorando a construção da ponte; ambos os marcos assentam em bases sobre socos quadrangulares. Entre o quarto e o quinto arco, contado a partir da vila, em vez de talhamar existe um outro pilar semicircular, composto de dois corpos escalonados, ambos terminados em cornija, e no sexto talhamar integra-se um outro pilar do mesmo formato, de sustentação de candeeiros de iluminação do imóvel. Tabuleiro com pavimento em paralelos de granito, com passeios laterais em cimento, exteriormente avançados da estrutura da ponte e assentes em cornija de cantaria, que integra inferiormente e em ritmo regular, de ambos os lados, gárgulas semicirculares para escoamento da água; apresenta guarda em ferro.

Acessos

Santa Maria Maior, Rua da Ponte Romana; Rua Cândido Sotto Mayor

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 e Decreto nº 28 536, DG, 1.ª série, n.º 66 de 22 março 1938 *1

Enquadramento

Urbano, sobre o Rio Tâmega, integrado no tecido urbano, tendo adossado na margem esquerda, onde se desenvolve o bairro da Madalena, construções alinhadas no enfiamento da ponte. Na margem direita, quatro arcos surgem actualmente enquadrados por paredão marginal, construído na primeira metade do séc. 20, possuindo escada de cantaria, de um lanço, disposta a O., entre a ponte e o mesmo; sobre o quarto arco entaipado, a contar da vila, existe passadiço metálico entre o prédio construído a E. e a ponte.

Descrição Complementar

O chamado "Padrão dos Povos", tem a seguinte inscrição: IMP(eratori) CAES(ari) VE[SP(asiano) AVG(vsto) PONT(ifici)] / MAX(imo) TRIB(unicia) POT(estate) [XX P(atri) P(atriae) CO(n)S(uli) IX] / IMP(eratori) VESP(asiano) CAES(ari) AV[G(usti) F(ilio) PONT(ifici) TRIB(unicia) POT(estate)] / VIII IMP(eratori) XIIII CO(n)[S(uli) VI / [...] / C(aio) CALPETANO RA[NTIO QVIRINALI] / VAL(erio) FESTO LEG(ato) A[VG(usti) PR(o) PR(aetore)] / D(ecio) CORNELIO MA[ECIANO LEG(ato) AVG(usti)] / L(ucio) ARRVNTIO MAX[IMO PROC(uratori) AVG(usti)] / LEG(ioni) VII GEM(inae) [FEL(ici)] / CIVITATES [X] AQVIFLAVIEN[SES AOBRIGENS(es)] / BIBALI COEL[ERNI EQVAESI] / INTERAMIC[I LIMICI AEBISOCI] / QVARQVE[R]NI TA[MAGANI]". A tradução da inscrição é: Sendo Imperador César Vespasiano Augusto, Pontífice Máximo, com o Poder Tribunício dez vezes, Imperador vinte vezes. Pai da Pátria, Cônsul nove vezes e filho do Imperador Vespasiano César Augusto, Pontífice, exercendo o Poder tribunício oito vezes, Imperador catorze vezes, Cônsul seis... Caio Calpetano Rantio Quirinal Valério Festo, Legado de Augusto e Propetor Décio Cornélio Meciano, Legado Augusto Lucio Arruntio Maximo, Procurador Augusto Legião VII Gemina Feliz, dez civitates, Aquaflaviensis, Aobrigen ses, Bibalos, Celerinos, Equesos, Interamnicos, Limicos, Nebisocos, Quarquernos, coamaganos. A coluna comemorativa da construção da ponte tem a inscrição: "IMP(eratori) CAES(ari) NERVA / TRAIANO AVG(usto) GER(manico) / DACICO PONT(ifici) MAX(imo) / TRIB(unitia) POT(estate) CO(n)S(ule) V P(atri) P(atriae) / AQVIFLAVIENSES / PONTEM LAPIDEVM / DE SVO F(aciendum) C(uravit)". A sua tradução é: Sendo imperador o césar Nerva Trajano augusto germânico, Dácico, pontífice máximo, com a potestade tribunícia, cônsul pela quinta vez, pai da pátria; os Aquiflavienses levantaram à sua custa esta ponte de pedra.

Utilização Inicial

Transportes: ponte

Utilização Actual

Transportes: ponte

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 01 / 02 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

79 - data da erecção da coluna designada Padrão dos Povos, dedicado pelas 10 civitates aos imperadores Vespasiano e Tito, ao legado propector de Augustus, ao legado e ao procurador de Augustus, e à Legio VII Gemina Felix; séc. 01, finais / séc. 02, inícios - época provável da construção da ponte sob o Império de Trajano; 104 - erecção da coluna comemorativa, assinalando a construção da ponte pelos aquiflavienses, à sua própria custa; séc. 16 - representação da ponte no Livro de Duarte d'Armas, na imagem da cidade vista do lado E., com 14 arcos, intercalados por talhamares, com guardas plenas de cantaria e tendo a N., do lado da cidade, umas azenhas; 1514, 7 Dezembro - no foral de D. Manuel a Chaves surge representada a ponte no brasão; 1548 - cardeal espanhol Luís de Castro viajando para Santiago de Compostela, passa por Chaves e copia a inscrição sobre uma coluna que disse encontrar-se nas hortas de Simão Guedes; 1572 - Ambrósio de Morales na sua viagem pelos reinos hispânicos a instâncias de D. Filipe copia a inscrição que disse estar numa coluna próximo da ponte, em casa de João Guedes, talvez filho ou neto de Simão Guedes; séc. 16, finais / séc. 17 - o padrão foi colocado na parte N. da ponte e recolocado, depois da sua queda, cortando-lhe a última linha da inscrição; 1711 / 1723 - ali permanecia quando Távora o estuda e copia a inscrição nas suas "Notícias"; 1738 - Rodrigo de Sande Vasconcellos, Tenente-coronel de Artilharia, mandou "exornar" estes padrões, colocando num as armas reais e noutro um "carcaz" de folhagem vazada, fazendo algumas letras, que o tempo tinha tornado pouco perceptíveis (conforme relatado nas Memórias Paroquiais de 1758); segundo Antonio Rodríguez Colmenero, Rodrigo de Sande teria mandado, não só adornar os padrões preexistentes e mandado avivar as inscrições, mas também mandar lavrar dois novos padrões gémeos, que ficavam à entrada da ponte, do lado da cidade; 1755, 1 Novembro - não padeceu ruína no terramoto; 1758, 27 Março - segundo o relato de António Manuel de Novais Mendonça, prior encomendado da igreja matriz de Chaves, nas Memórias Paroquiais da freguesia, a ponte da vila constava de 12 arcos, mas em outros tempos tivera 18, "de grande e excelente cantaria", a qual principiava no arrabalde da Madalena até o das Couraças e tinha de comprimento 92 passos geométricos e 3 palmos e de largura 3 passos geométricos e 3 palmos; 1762 - data do desenho de Chaves que representa a ponte com 12 arcos, sem ameias e com as suas colunas colocadas do lado da cidade, com os remates decorativos; séc. 19 - os autores descrevem o padrão na parte central da ponte em frente do marco que comemora a construção da mesma; 1878, 06 dezembro - delibera-se "representar" a Sua Majestade pedindo o alargamento da ponte; 1880 - data inscrita na cartela oval de um dos pilares cilíndricos, assinalando a data da última remodelação da ponte, da construção desses pilares e da colocação de cópia da coluna comemorativa da construção da mesma no meio do pilar; deve ter sido nesta altura que se procedeu também à substituição das guardas de pedra pelas actuais grades de ferro; 1910 - aquando da instauração da República os dois marcos da ponte encontravam-se ornados, um com as armas reais portuguesas e a coroa real e o outro com grande florão, ornamentos actualmente depositados no Museu Flaviense; 1913, Setembro - autorização a João Francisco Alves Carneiro de Lamadarcos, na sequência do seu pedido, para construir um passadiço metálico sobre a ponte e o primeiro andar da sua casa, onde estava instalado o Hotel Comércio; 1914, 26 Fevereiro - delibera-se oficiar o Director das Obras Públicas do Distrito para reparar as escadas de acesso à ponte, então arruinados; 16 Março - comunicação do Director das Obras Públicas informando ter ordenado a reparação das escadas da ponte; 1940, década - construção de um paredão, espécie de cais, pela Câmara, ao longo da margem direita, estreitando o leito do rio, abafando mais outros 4 arcos, para além dos outros 4 na margem direita e, pelo menos 2 outros, na margem esquerda, que já estavam soterrados desde longa data por alguns prédios; ofício refere que 4 arcos se encontravam cortados na sua altura pelo aterro feito à poucos anos pela Junta Autónoma de Hidráulica Agrícola e os restante quatro ocupados como armazéns; 1942 - alguns arcos eram utilizados como depósitos de estabelecimentos comerciais; 1980, Verão - durante a dragagem do rio, descobriu-se, na margem esquerda, a montante da ponte e muito próxima da mesma, um padrão cilíndrico idêntico ao Padrão dos Povos, mas epigraficamente com diferenças e sem permitir a leitura completa do texto devido à erosão provocada pela longa permanência na água; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2001 - descoberta de troço de 50 m. de calçada romana no bairro da Madalena, sobre o leito do rio, feita de lajes largas, servida de duas rampas, em posição oblíqua em relação ao eixo da ponte, e que se utilizava na época de estiagem, ainda no início do séc. 20, pelos carros dos lavradores que cruzavam o rio, para molharem as rodas e refrescarem os animais.

Dados Técnicos

Sistema estrutural misto.

Materiais

Estrutura em silhares graníticos; guardas em ferro; guardas em ferro; pavimento em cubos graníticos e em cimento.

Bibliografia

ABREU, Thomé de Távora e - «Notícias Geográficas de Trás-os-Montes, ms. 221 da BNL, transcrição de Júlio Montalvão Machado». In Revista Aquae Flaviae. Chaves: 1989, p. 13 - 14 e 17 - 18; AIRES, Firmino - «Incursões Autárquicas I - 1860 - 1890». In Revista Aquae Flaviae. Chaves: 1994, vol. 12, pp. 11-81; ALARCÃO, Jorge de - Roman Portugal. Warminster: 1988, vol. 2, p. 6 - 7, nº 1 / 116; ARGOTE, D. Jerónimo Contador de - Memórias para a História Eclesiástica do Arcebispado de Braga, Primaz das Hespanhas. Lisboa: 1732, tomo I, pp. 282 - 285 e 302 - 311; BARROS, João de - Geographia d'Entre-Douro e Minho e Tras-os-Montes. Porto: 1919, pp. 88 - 95; CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique - As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património. Braga: 2006; CAPELLA, M. Martins - Miliários do Conventus Bracaraugustanus em Portugal. Porto: 1895, p. 120; CARDOZO, Mário - Algumas inscrições lusitano-romanas da região de Chaves. Chaves: 1943, pp. 40 - 41 e 45 - 48; «Chaves Escavações põem a descoberto calçada romana». A Capital. 10 maio 2001, p. 20; COLMENERO, Antonio Rodríguez - AQVUAE FLAVIAE. I. Fontes espigráficas da Gallaecia meridional interior, s.l., 1997; COLMENERO, Antonio Rodríguez - AQVAE FLAVIAE. II. O tecido urbanístico da cidade romana. s.l., 1997; HUBNER, Emil - Corpus Inscriptionum Latinarum. Berlin: 1869, vol. II, n.º 2477 e 2478; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952. Lisboa: 1953; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956. Lisboa: 1957; PINTO, Direcção de Paulo Mendes - Pontes Romanas de Portugal. Inventário de Património: s.l.: 1998; RIBEIRO, Aníbal Soares - Pontes Antigas Classificadas. Porto: 1998; RODRÍGUEZ COLMENERO, António - Aquae Flaviae. I Fontes Epigráficas. Chaves: 1987, p. 255, n.º 158; p. 549 - 569, nº 437 e p. 570-571, nº 438; RODRÍGUEZ COLMENERO, António - Galicia Meridional Romana. Bilbao: 1977, pp. 84 - 91; SILVA, Armando C. F. - Novos dados sobre a organização social castreja, Portugalia. Porto: 1981 - 1982, Nova Série. 2-3, pp. 90 - 92; TEIXEIRA, Ricardo e AMARAL, Paulo - Levantamento Arqueológico do Concelho de Chaves, relatórios anuais de atividades. Chaves: 1985 - 1992; TRANOY, Alain - La Galice Romaine. Recherches sur le nord-ouest de la péninsule ibérique dans l'Antiquité. Paris: 1981, p. 61 e 332 - 333; VERDELHO, Pedro - A Herança Céltica e romana. Porto: 1993.

Documentação Gráfica

DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

1956 - projecto de desassoreamento do rio Tâmega pela Direcção Hidráulica, cujas obras foram orçadas em 249 989$00; JAE: 1956 - construção de acessos à ponte; Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos: 1959, 22 Agosto - despacho Ministerial referindo a vantagem de rever o projecto de desassoreamento, aumentando a largura do leito do rio; na sequência, cria-se uma Comissão de estudo, na dependência de DGSU, com representantes de vários organismos estatais e municipais; esta elabora novo projecto prevendo o alargamento do leito do rio, desafogando 3 arcos da ponte, desassoreamento local do leito, para criação de um espelho de água; beneficiação do açude das Poldras, protecção das margens do rio e aterro da antiga desembocadura do ribeiro de Rivelas; 1961, 4 Julho - despacho ministerial aprovando o projecto; 1962 - obras de valorização das margens do rio Tâmega na sua travessia da cidade de Chaves em várias fases; durante estas, realizaram-se escavações no leito do rio, as quais deixaram em evidência as sapatas dos 7 pilares dos 8 arcos actualmente em funcionamento, as quais estavam em muito mau estado; encontrou-se também vestígios da calçada antiga que existiu a montante da ponte, talvez para atravessamento do rio antes da construção da via de Braga a Astorga; 1964 - concluída da última fase das obras; 1967 - obras de conservação das sapatas; 1967 - arranque da vegetação e pintura das guardas de ferro; Comissão Regional de Turismo de Chaves: 1970 - iluminação da ponte; 1972 - elaboração de estudo das zonas de protecção das Muralhas, Torre de Menagem, Bastião da Rua 28 de Maio e Forte de São Francisco e Ponte de Trajano; 1974 - Comissão Administrativa da Câmara solicita o desassoreamento do leito do rio; em sequência, a Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos propôs-se a desobstruir o leito do rio, na extensão necessária e a proceder à elaboração de projecto de remodelação das redes de esgotos e de recuperação da estação de tratamento; Câmara Municipal de Chaves, sem conhecimento do IPPC e da DGEMN: 1981 / 1982 - obras de consolidação das bases dos talhamares e remoção do lajeado assente junto aos mesmos; IPPAR: posteriormente - limpeza, fecho das juntas e iluminação; CMChaves 2001 - prospecção arqueológica durante obras de remodelação da zona histórica da cidade; 2008 - obras de beneficiação e requalificação, integradas no programa Pólis, o qual procurará melhorar igualmente as margens do rio junto à ponte.

Observações

*1 - DOF: Ponte de Trajano e as colunas comemorativas nela colocadas, do tempo dos imperadores Vespasiano e Trajano. A cidade de Chaves constituía um importante nó de comunicações durante a época romana. Segundo Antonio Rodríguez Colmenero, a principal via era a chamada XVII do Itinerário de Antonino, que, pelo menos, entre Praesidium e Aquae Flaviae, e entre esta e Compleutica, discorria por dois ramais diferentes, que se cruzavam na cidade, criando quatro entradas ou saídas. Uma das mais conhecidas procedia de Ardãos, Seara Velha, Soutelo e Valdanta entrava na cidade, por uma ponte anterior à existente sobre o Ribelas, provável "decamanus maximus" da cidade, percorrendo a Rua Figueiredo Fernandes para E., e cruzando o Tâmega pela ponte, para seguir em direcção a São Lourenço. O ramal S. procedia de Boticas e Pastoria e cruzava o Ribelas pela ponte actual de dois arcos, penetrando na cidade pelo "cardo maximus" prosseguiria o mesmo decurso dentro da área urbana e sairia dela em direcção a Reboretum, depois de cruzar o Tâmega, mais ou menos pela Galinheira, antes da construção da ponte de Trajano. *2 - Segundo as Memórias Paroquiais de 1758, o rio Tâmega não era navegável, mas alguns cavalheiros curiosos passeavam nele em barcos, na distância de 4 léguas, tendo sido o Conde de Aveiras, enquanto governador das armas da Província de Trás-os-Montes, quem introduziu o primeiro barco, para seu divertimento. As águas do rio serviam para banhos e ali se faziam muitas barracas no Verão. *3 - Segundo João de Barros, quando passou pela ponte o corpo de São Geraldo, que morrera em Bornes, Vila Pouca de Aguiar, e o traziam para Braga, a ponte carecia de segurança ou estaria destruída, pelo que, para espanto de todos, o rio que inundava as duas margens, parou milagrosamente de correr e abriu-se, para que por esse vau passasse o féretro e seus acompanhantes.

Autor e Data

Isabel Sereno e Paulo Amaral 1993 / Paula Noé 2009

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