Ponte e Torre de Ucanha

IPA.00003805
Portugal, Viseu, Tarouca, União das freguesias de Gouviães e Ucanha
 
Ponte fortificada gótica, com torre de planta quadrada, com porta de acesso em nível superior ao solo. Apetrechada com seteiras e balcões com matacães. Abertura de janelas maineladas em arco arco conopial. Ponte tipo sela, devido ao ângulo obtuso do tabuleiro, apoiada em três arcos quebrados e protegida por talhamares. Mostra afinidades com a Ponte de Lagoncinha sobre o rio Ave (v. PT010312240003), Ponte sobre o rio Sever em São Salvador de Aramenha (v. PT041210040005), Ponte de Sequeiros sobre o rio Côa (v. PT020911370009). Constituía a entrada monumental no couto do Mosteiro de Salzedas. Presença de epígrafe em letra gótica, conjugando com nicho albergando imagem sacra.
Número IPA Antigo: PT011820080001
 
Registo visualizado 967 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Transportes  Ponte / Viaduto  Ponte pedonal / rodoviária com torre-portagem  Tipo arco

Descrição

Ponte de planta longitudinal, simples e regular. Inclui cinco arcos quebrados, sendo o arco central de bastante maior altura e largura. O tabuleiro inclinado forma um ângulo obtuso, possuindo parapeito. É dotada de dois talhamares a montante. A torre mostra planta quadrada, cobertura homógenea com telhado de quatro águas e conta três pisos. No alçado E. observa-se o arco a pleno centro, formando túnel abobadado. Ao lado conserva-se uma epígrafe em letra gótica, com o báculo abacial, enquadrada por cercadura em arco conopial. O arco é sobrepujado por nicho de volta inteira com imagem de Nossa Senhora e seteira lateral. No piso superior abre-se uma janela mainelada com arco conopial e moldura decorada. No último piso existe um balcão com matacães e vigias laterais superiores, junto à cobertura, solução repetida nos restantes alçados. No lado O. o arco pleno é encimado por seteira e uma outra janela mainelada em arco quebrado, esta revelando um labor mais sóbrio. Enquanto isso, no alçado S., ao nível do segundo piso, rasga-se a porta em arco quebrado, com patamar apoiado em três cachorros. O alçado N. é cego nos dois primeiros registos. O espaço interno restringe-se a um compartimento amplo em cada um dos pisos, com acesso através de uma escada de tiro em madeira. As janelas maineladas possuem conversadeiras. O piso superior mostra o forro em madeira mostrando a estrutura do telhado de quatro águas, assim como as grelhas de madeira que protegem as denominadas vigias laterais.

Acessos

EM 530 2,4 km; Avenida Nova da Ponte. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,048444, long.: -7,747290

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Periurbano. Lançada sobre o rio Varosa ou Barosa, constitui o elemento de união entre dois núcleos urbanos pertencentes a diferentes freguesias, Ucanha e Gouviães. Sobre a ponte, a torre ergue-se isolada na margem direita, marcando a entrada no Couto do Mosteiro de Salzedas (v. PT011820050011), de que a Vila de Ucanha era cabeça (v. PT011820080017). Zona de assinalável interesse paisagístico: a linha de água, correndo em vale aberto, surge bordejada por amieiros, salgueiros e azenhas. Este rio Varosa conta ainda com as pontes medievais de Mondim da Beira (v. PT011820040008) e de São João de Tarouca.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes: ponte

Utilização Actual

Transportes: ponte

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Junta de Freguesia de Ucanha, auto de cessão de 10 Fevereiro 1975

Época Construção

Séc. 12 (conjectural) / 15

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 12 - provável construção da ponte, à entrada do couto cisterciense do Mosteiro de Salzedas, sendo a povoação denominada Vila da Ponte; o topónimo Ucanha generalizou-se depois; o crescimento do núcleo urbano esteve dependente da exploração tributária da ponte; 1315 - documento régio determinando a obrigatoriedade da passagem na ponte e pagamento da respectiva portagem; 1324 - tentativa régia de isentar os moradores de Castro Rei do pagamento de portagem, tentativa não sucedida devido à oposição dos monges de Salzedas; 1465 - reedificação da ponte e torre por iniciativa de D. Fernando Abade de Salzedas ( documentado por epígrafe ); é provável que o arco já existisse antes, a fim de evitar a livre passagem da ponte, sendo possível que a torre se destinasse a depósito de produtos e aos aposentos do funcionário abacial ( FERNANDES, 1995 ); 1504 - concessão de carta de foral ao Couto de Salzedas, sendo Ucanha vila e extinguindo a cobrança de portagem; 1999, 29 Junho - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Dados Técnicos

Estrutura mista; estrutura de paredes portantes em alvenaria com aparelho de silharia e travamento dos pisos com estrutura em madeira

Materiais

Granito, madeira

Bibliografia

COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa, Lisboa, 1708; AZEVEDO, Joaquim de, História Eclesiástica da Cidade e Bispado de Lamego, Porto, 1877; MOREIRA, Vasco, Monografia do Concelho de Tarouca, Viseu, 1924; LIMA, Francisco de, Ponte Fortificada de Ucanha - Breves Notas, in Ilustração Moderna, Porto, 1931, nº 53, pp. 355 - 357; VASCONCELOS, J. Leite de, Memórias de Mondim da Beira, Lisboa, 1933; ALMEIDA, General João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1945; REAL, Mário Guedes, Ucanha, in Revista da Beira Alta, Vol. XXIV, 1965; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, Lamego, 1977; DIAS, Pedro, História da Arte em Portugal - o Gótico, Lisboa, 1986; FERNANDES, A. de Almeida, As Dez Freguesias do Concelho de Tarouca, Braga, 1995; RIBEIRO, Aníbal Soares, Pontes Antigas Classificadas, Lisboa, 1998.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DREMCentro

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DREMCentro

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DREMCentro, DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1936 - obras de conservação e restauro, refechamento das juntas da cantaria, limpeza da vegetação, armação completa da torre, reconstrução e assentamento dos pavimentos, colocação de portas exteriores, construção das escadas interiores; diversos trabalhos de demolição e reconstrução, demolição de casa e de muros de quintal no lado S. da torre; 1937 - obras de consolidação e restauro, conclusão dos cunhais, demolição de pardieiros, construção de portas exteriores, pavimentos superiores, escadas de comunicação e cobertura com telha nacional, assentamento de escada em ferro; 1938 - execução de diversos trabalhos, armação do telhado e cobertura, revestimento dos pavimentos em lajedo de cantaria, recalçamento e consolidação de cunhal; 1939 - execução de diversos trabalhos, reconstrução da armação do telhado com forro em castanho, travejamento grosso de madeira, refechamento de juntas da cantaria, cobertura de telha; 1965 - execução de trabalhos de colocação da efígie de José Leite de Vasconcelos e de uma lápide na casa onde nasceu; 1969 / 1970 - execução de 80 m2 de calçada igual à existente; 1975 - obras de beneficiação nas coberturas, forros e beirados, reparação de cinco portas e do corrimão das escadas de madeira; 1986 - vedação da ponte ao trânsito automóvel, assentamento de 4 marcos graníticos; 1988 - trabalhos de consolidação e conservação da ponte; 1990 - continuação das obras de consolidação, colocação de tubagem para futuras ligações subterrâneas das redes de infraestruturas; 1999 - reparação das coberturas e caixilharias, substituição da escada interior, reparação das restantes escadas interiores, iluminação interior, estudo museológico.

Observações

Os documentos disponíveis e os elementos construtivos parecem revelar que a ponte é mais antiga do que a torre. O último piso da torre, para além de uma função aparantemente defensiva, poderia ser destinado ao armazenamento de produtos resultante da cobrança da portagem na ponte. Leitura da epígrafe: Esta Obra Mandou Fazer Dom Fernando Abade de Salzedas. Era Domini 1465.

Autor e Data

Madeira Portugal 1992 / João Carvalho 1998 / Margarida Tavares 1999

Actualização

Maria Fernandes 1999
 
 
 
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