Mosteiro de Odivelas / Mosteiro de São Dinis e São Bernardo / Instituto de Odivelas

IPA.00004067
Portugal, Lisboa, Odivelas, Odivelas
 
Arquitetura religiosa, gótica, maneirista, barroca e eclética. Mosteiro cisterciense feminino, de planta retangular, composto por igreja de fundação gótica, de que subsiste parte da cabeceira, de influência mendicante, do tipo tripartido, com capela e absidíolos, rasgados por frestas em arco apontado e com abóbadas de arestas, reforçadas exteriormente por contrafortes. Foi reformado nos séc. 17 e 18, de que são exemplo os dois coros da comunidade, o inferior ligado por escadas ao corredor do comungatório e confessionário, que substitui o antigo coro, no centro da nave. O interior da igreja é setecentista, com abóbada de lunetas, tendo, na capela-mor, retábulo maneirista. Os dois claustros são de execução seiscentista, possuindo vários exemplares de azulejo de tapete, o primeiro com a Portaria e Capítulo, protegidos por galilé com colunata, também ele revestido a azulejo de tapete, surgindo, no segundo, as dependências domésticas. O claustro mais antigo, anexo à igreja, possui um andar de arcadas, tendo o imediato dois pisos com colunas. O conjunto é antecedido por amplo terreiro, rodeado por casas onde habitavam os funcionários da comunidade, entre as quais se verifica a existência da Casa do Abade. Convento cisterciense feminino, um dos maiores cenóbios de Portugal, constituindo couto, tendo sido, juntamente com o de Almoster, uma das últimas construções cistercienses femininas em Portugal. A planta da zona monástica desenvolve-se para N., ao contrário do usual, devido ao curso do rio, e caracteriza-se pela sua simplicidade decorativa, que reflete a influência da arquitetura religiosa da Ordem Cisterciense feminina. Mantém elementos góticos, de influência mendicante, nomeadamente na disposição da cabeceira, com passagens estreitas estabelecendo comunicação direta com a zona conventual, disposição que se encontra igualmente em Portalegre e Almoster, sendo as frestas em Odivelas mais baixas que as dos demais cenóbios. Constituía uma igreja de três naves, acompanhando todo o comprimento do claustro novo, com entrada lateral, própria dos conventos femininos, tendo as naves colaterais paredes finas, pois o local tinha função de circulação, pois eram proibidas procissões no interior da igreja. Na nave, surgia o antigo coro das monjas, de três naves, com doze tramos, seguindo o plano cisterciense. Da reconstrução quinhentista, restam as portas do claustro, manuelinas, e a fonte do Renascimento. Possui vários elementos barrocos, como as capelas, o revestimento a azulejo de padrão na cozinha (figura avulsa), refeitório, alpendrada, nártex e portaria, com azulejo de tapete, surgindo exemplares de decoração joanina no refeitório e cozinha. No denominado Claustro Novo, subsistem duas alas do claustro primitivo. Na igreja, surgem os túmulos régios, do fundador, D. Dinis, de características góticas. Integrava um palácio real e a casa da Madre Paula, encostada ao lado N. da Igreja, junto à casa do Capítulo, que comunicava com o mosteiro por passadiço, de onde são provenientes painéis de azulejo figurativo.
Número IPA Antigo: PT031116030003
 
Registo visualizado 4976 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de Cister - Cistercienses

Descrição

Mosteiro de planta retangular irregular, composto por igreja situada no extremo S. e pela zona monástica, composta por dois claustros quadrangulares, dos quais algumas alas se prolongam para N. e para E., a primeira com dois braços adossados, ligando à cerca, de planta irregular e adaptando-se ao percurso da Ribeira. A IGREJA é de planta retangular composta por nave simples, cabeceira formada pela capela-mor e absidíolos, todos eles poligonais, e por sacristia adossada à fachada lateral direita, de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas (nave), três (sacristia) e cinco (cabeceira) águas. Fachadas em cantaria de calcário aparente, em aparelho isódomo na cabeceira e em alvenaria, rebocada e pintada no corpo da nave, esta rematada em cornija, que na cabeceira é sustentada por cachorrada. Fachada principal virada a O., adossada a anexo, que constituía, primitivamente, os coros. Fachada lateral esquerda parcialmente adossada, tendo, no extremo esquerdo, um corpo que permite o acesso ao templo, através de um arco apontado, sustentado por pilares segmentados, que dá acesso ao nártex, com abóbada estrelada, tendo uma das paredes revestida a azulejo de padrão policromo. Possui portal escavado, em arcos apontados, formado por três arquivoltas, sustentadas por colunas de fustes lisos e capitéis em colchete, sendo a moldura formada por aresta boleada, esboçando pequeno colunelo. No lado esquerdo, um portal semelhante, mas de duas arquivoltas acede a um corpo que liga ao absidíolo N.. Sobre este, é visível uma janela retilínea rasgada no corpo da nave. Fachada lateral direita rasgada, na nave, por três janelas retilíneas. A cabeceira é marcada por quatro corpos facetados, marcados, nos ângulos, por contrafortes; alguns dos panos são rasgados por arcos apontados, sustentados por colunas, mas de dimensões distintas. Sobre a cabeceira, dois óculos circulares rasgam a parede sobre o arco triunfal. No lado direito, na nave, sineira retangular, com seis ventanas de volta perfeita. A sacristia, percorrida por soco de cantaria e com cunhais também em cantaria, é rasgada, na face E., por duas amplas janelas retilíneas com molduras simples em cantaria. INTERIOR com as paredes da nave rebocadas e pintadas de branco, exceto o do arco triunfal, em cantaria aparente, em aparelho isódomo, tendo as paredes divididas em cinco tramos definidos por pilastras toscanas colossais, que sustentam arcadas de volta perfeita; tem pavimento em lajeado, formando motivos geométricos, e cobertura em abóbada de lunetas, algumas delas entaipadas. Coro-alto tripartido, sustentado por pilares cruciformes, com o vão central em arco abatido e os laterais em arcos de volta perfeita, tendo guardas balaustradas. Sob o centro, portal em arco de volta perfeita, flanqueado por colunas toscanas com o terço inferior marcado e assentes em altos plintos. Encontra-se ladeado por vãos em arcos de volta perfeita, enquadrados por pilastras e encimados por cartelas recortadas. Os tramos da nave possuem portas de verga reta, tribunas com guardas balaustradas, dois púlpitos confrontantes, com bacias lavradas e guardas plenas de talha pintada, com acessos por portas de verga reta e molduras de cantaria, rematados por frisos e cornijas. Também confrontantes, quatro capelas laterais. Arco triunfal apontado, composto por duas arquivoltas, assentes em colunas de fustes lisos, protegido por teia de madeira balaustrada, ladeada pelos arcos dos absidíolos, com o mesmo tipo de perfil, possuindo abóbadas de aresta com vestígios de policromia. Nestes existem os túmulos de D. Dinis, arca de grandes dimensões, de forma paralelepipédica, com jacente e seis suportes, e o atribuído a sua filha, D. Maria Afonso, constituído por arca de forma igualmente paralelepipédica, com jacente e dois suportes. A capela-mor possui três tramos definidos por colunas e mísulas, tendo abóbadas de aresta e simples altar de cantaria. ZONA MONÁSTICA com as paredes rebocadas e pintadas de branco, evoluindo em três e quatro pisos, rasgados regularmente por vãos retilíneos. Fachada principal virada a E., com dois corpos em ângulo reto, antecedidos por galilé sustentada por colunas toscanas e com pavimentos em lajeado e coberturas de madeira em masseira, forradas a azulejo de padrão policromo, tendo, na face E., em cota inferior à via pública, vários bailéus adossados, sendo rasgada por três janelas retilíneas, protegidas por grades de ferro. A face virada a S. possui um segundo piso de lógia, sustentado por colunas toscanas e o portão de acesso ao Instituto, de verga reta e ladeado por pilastras de fuste liso e capitéis jónicos, sucedendo-se um segundo portal assente em pilastras toscanas, ladeado por postigo e três janelas retilíneas e com molduras simples. Adossado à igreja, o Claustro Novo ou Claustro do Capítulo, de dois pisos, o inferior saliente e marcado por arcadas de cantaria, tendo, no interior, silhares de azulejos. Possui portal canopial de acesso ao coro (primitivamente), torre anexa junto à igreja e sala do Capítulo, hoje pequeno museu onde, entre outros, se conserva desmanchado o antigo órgão. Sobre o piso inferior, evoluem as janelas retilíneas do segundo piso. Ao lado deste e dividido por corpo retilíneo, o Claustro da Moura, de dois e três pisos, os inferiores com arcadas abatidas assentes em colunas toscanas, tendo alguns capitéis góticos. Para este, abre a cozinha, forrada com azulejos de figura avulsa e a "Ministra", móvel giratório, que servia para passar as refeições da cozinha para o refeitório. O refeitório é percorrido por silhares de azulejos figurados e albarradas, com teto de masseira em caixotões pintados com elementos vegetais e compositivos; púlpito e mecanismo giratório ligado à cozinha.

Acessos

Largo D. Dinis. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,791290, long.: -9,182821

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / Zona "non aedificandi", DG, n.º 130 de 01 junho 1962 *1 / ZEP, Portaria n.º 629/2013, DR, 2.ª série, n.º 182 de 20 setembro 2013 *2

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado num vale, o Vale de Odivelas, num terreno em ligeiro declive, na encosta O., entre os montes de Nossa Senhora da Luz (a S.), Tojais (a E.) e São Dinis (a O.), próximo da Ribeira de Caneças. Implanta-se sobre uma antiga pedreira, cujo material seria utilizado na construção, o liós de Loures. Ergue-se num largo desafogado, correspondendo ao antigo Couto das Freiras, que era fechado por portão e circunscrito por várias construções, dependências do Mosteiro, com a Casa do Prior (v. PT031116030037), possuindo dois edifícios adossados, que constituiriam a primitiva hospedaria (v. PT031116030034 e PT031116030051). Encontra-se rodeado por amplo parquet de estacionamento, em declive, surgindo, junto à portaria do Mosteiro, um monumento escultórico, alusivo à Rainha Santa Isabel (v. PT031116030048) e pequeno Jardim (v. PT031116030042), envolvido por construções várias, correspondentes a uma mancha edificada que fechava a S. o Couto *3.

Descrição Complementar

Capela adossada do Evangelho com uma sepultura com a seguinte inscrição: "CAPELA. E SEPULTURA DE NICOLAO RIBEIRO. SOAREZ. E DE VIUOLANTE. RABELA. SUA MOLHER. E DE SEUS. DECENDENTES. E HERDEIROS. HO QUAL FALECEU AOS 27 DA AGOSTO DE 1557". Túmulo de D. Dinis é em calcário liós, composto por uma arca tumular com 2,93m de comprimento, 1,45 de largura e 1,21 de altura, mostrando vestígios de policromia, ornado por 12 edículas, quatro em cada frontal e duas em cada facial, cada uma formada por arco trilobado e gablete assente em pequenas colunas, contendo duas figuras. São encimadas por friso de quadrifólios e no fundo da arca, arcos trilobados, ornados por flor. No facial da cabeça, uma figura a ler junto a uma ajoelhada, sendo visível na segunda edícula um altar e figura muito arruinada. Nas edículas do frontal esquerdo, surgem monges que sustentam livros, sustentando, numa delas, um cofre. No facial dos pés é impossível verificar as figuras, demasiado truncadas, sendo possível ver, numa delas, uma figura a sustentar um livro. No frontal direito, surgem duas monjas em cada edícula, algumas segurando livros, sendo impossível determinar os atributos de cada uma delas. Sobre a arca, a figura jacente de grandes proporções, com a cabeça sobre duas almofadas e envergando vestes régias, com amplo manto, sustentado pela mão esquerda. Junto aos pés, dois lebreus muito amputados e vestígios de figuras angélicas. A arca assenta em seis suportes, representando animais e figuras humanas: um urso sobre um homem, uma quimera, camelo ajoelhado e figura masculina, um leão (?) sem cabeça a atacar uma jovem, figura de animal com figura humana, mas de difícil definição, animal com juba e uma mão humana. O túmulo atribuído a D. Maria Afonso tem uma arca com 1,90m de comprimento, 84cm de largura e 1,08 de altura. O facial da cabeça tem as armas da tumulada, envolvidas por roda de ramos. O frontal esquerdo tem três edículas, duas nos topos e uma central, algumas com figuras de monges, e a central sem qualquer decoração; as edículas têm arco trilobado, encimado por espaço vazado, ornadas por cogulhos exteriores e emolduradas por contrafortes rematados por pináculos. Os espaços entre as edículas ostentam dois brasões. No facial dos pés tem o brasão envolvido por ramos. O frontal direito apresenta três edículas, duas nos topos e uma central, que centram armas, uma delas pessoais e envolvidas por paquife, com decoração arquitetónica semelhante à oposta. Duas delas têm um monge e a central ramagens e trevo. A figura jacente tem ampla veste e um manto preso com firmal, com as mãos colocadas em prece e a cabeça sobre duas almofadas, a menor com decoração geométrica; junto aos pés, dois lebréus a alimentarem-se. Os dois suportes representam um franciscano em oração e uma cena de violação de uma jovem. As armas da tumulada têm, no primeiro quartel, um leão rampante, no segundo e terceiro as armas de Portugal com os escudetes dispostos em cruz, carregados com cinco besantes em aspa; no quarto quartel, um castelo, correspondendo às armas de Portugal e ao estado unificado de Leão e Castela. Na sacristia, a inscrição: "AQUI JAZ A SERENISSIMA SENHORA DONA FELIPA FILHA DO INFANTE DOM PEDRO E DE SUA MOLHER DONA ISABEL HE NETA DEL REI DOM IOAO I VIVEO HE MOREO RECOLHIDA NESTE MOSTEIRO". Os azulejos das arcadas têm a inscrição: ESTA OBRA DE AZULEIO E PINTVRA MANDOV FAZER A SVA CVSTA DONA LOVRENÇA DE MELLO SENDO PRIORA ERA DE ANO DE 1671". Na portaria, os azulejos provenientes da torre desmoronada, com a representação de uma Merenda e a Torre de Nesle; na escadaria do ginásio, o painel do Jogo, composto por azulejos do séc. 18. Átrio e escadaria com azulejos de balaústre, do séc. 18. Possui um quadro do séc. 17, a representar a Rainha Santa Isabel, possuindo azulejos de açafates feitos recentemente. A cozinha encontra-se parcialmente revestida a azulejo de figura avulsa, tendo nas janelas azulejos monocromos brancos e albarradas nas paredes; no arco, azulejos de tapete, policromos, constituindo reaproveitamento. No Claustro Novo, surgem azulejos enxaquetados, verde e branco, semelhantes aos da Sala do Capítulo, havendo também em azul e branco, com cercaduras floridas. Dois lanços de escadas, levam ao refeitório, com azulejos de tapete e uma barra a azul e amarelo sobre fundo branco. No refeitório, existe reaproveitamento de azulejos vários. No Capítulo, o túmulo com inscrição: "QUEM TUDO LOGROU NA VIDA AQUI SE VE SEPULTADA A MOURA MAIS ELEVADA JAS A CINZAS REDUZIDA A 24 DE ABRIL DE 1765". Na colunata da cerca, foram colocados azulejos. A casa de jantar das alunas possui azulejos de feitura contemporânea.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Educativa: colégio de ensino regular

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 14 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Afonso Martim (atr., séc. 12-13); Antão Martim (atr., séc. 12-13); Frei João Torriano (1640-1656); José Maria Nepomuceno (1888). CARPINTEIRO: José de Sousa Camarinha (1940-1942). CONSTRUTOR CIVIL: Anselmo Costa (1958, 1974); António Domingues Esteves (1938); António Ricardo Correia, Lda. (1985-1986); Bernardo Rosa (1938); Cândido Patuleia (1966-1969); Domingos Ferreira da Rocha (1939); Joaquim Pereira Ramos (1939). EMPREITEIRO: António Ferreira de Almeida (1961, 1980). EMPRESA DE DESINFESTAÇÃO: Gaso-Esterilizadora, Lda. (1978). ENGENHEIRO: Artur Mendes Magalhães (1946-1950). MESTRES:: Domingos Domingues (1348). ORGANEIRO: António Xavier Machado e Cerveira (1789). PINTOR DE AZULEJO: Fábrica Viúva Lamego (1946-1952); Jorge Barradas (1945). PINTOR DE VITRAL: Ricardo Leone (1941).

Cronologia

1294, setembro - licença para a construção de um mosteiro de monjas bernardas, pelo abade de Cister, D. Roberto, como resposta ao pedido do abade de Alcobaça, São Domingos Martins, portador do desejo do rei; seria a última fundação medieval da Ordem de Cister, simultaneamente com o de Almoster, em Santarém; 1295, 27 fevereiro - carta de confirmação da fundação do mosteiro, dedicando-o a Deus, Santíssima Virgem, todos os santos, São Dionísio e São Bernardo, tendo como obrigação rezar pelas almas dos monarcas, antecessores e sucessores; lançada a primeira pedra por D. Dinis *4, com a presença da Família Real e a primeira abadessa, D. Elvira Fernandes, proveniente de São Bento de Évora; as obras foram levadas a cabo, provavelmente por Antão Martins e Afonso Martins; março - 80 monjas, número contestado por algumas fontes, ocupam o edifício do antigo Paço Real, anexo ao local e situado na Quinta das Flores; concessão de várias propriedades para rendimento do mosteiro, nos lugares de Odivelas, Xabregas, Loures, Alenquer e Sintra; 23 março - concessão ao mosteiro dos padroados das igrejas de Santo Estêvão de Alenquer e São Julião de Santarém, bem como a mata de Loures; 1296, 01 março - início dos serviços religiosos; 1299, 08 abril - primeiro testamento de D. Dinis, fazendo-se sepultar em Alcobaça e deixando 4 mil libras ao mosteiro de Odivelas; 1305 - as monjas ocupam o novo edifício, sendo em número de 80; 1306 - é abadessa D. Constança Fernandes, estando para executar o parlatório, entre o coro e o altar; 1318, 01 outubro - doação do reguengo de Algés de Ribamar para que fossem mantidos 5 capelães, que rezassem pela sua alma, manifestando o desejo de se fazer sepultar no local com a rainha; os capelães, provenientes de Alcobaça, teriam que viver junto ao local, no Hospício do Reguengo de Odivelas; 09 outubro - foram concedidos ao Mosteiro, os padroados das igrejas de São João Baptista do Lumiar e São João de Frielas; 1320 - falecimento de D. Maria Afonso, filha do monarca e sepultada no local; 1322, 20 junho - testamento de D. Dinis, determinando que fosse enterrado no Mosteiro, entre o coro e a capela-mor, deixando 4 mil libras, capas, mantos, dalmáticas e a cruz que pertencessem à Capela Real; 1324 - data provável de colocação do túmulo de D. Dinis, no mosteiro; 1325, 07 janeiro - falecimento do rei D. Dinis, sendo o corpo sepultado em Odivelas; era abadessa D. Urraca Pais (1316-1340); a rainha D. Isabel acompanhou as cerimónias fúnebres, ficando a residir algum tempo no Paço Real; 1327, 22 dezembro - testamento de D. Isabel, deixando roupas e mil libras à enfermaria do mosteiro; 1348 - lançamento da primeira pedra do claustro, sendo mestre Domingos Domingues; séc. 14, meados - sepultamento do príncipe D. João, filho de D. João IV na capela-mor; séc. 15, início - D. João I impede que o Mosteiro afore terras a famílias poderosas; possuía a Quinta do Pêro Borba e a Quinta da Barroca, junto ao Lumiar; 1414 - existia o alpendre fronteiro à fachada do mosteiro; 1415, 05 julho - D. Filipa de Lencastre, esposa de D. João I, refugia-se no Paço de Odivelas, para fugir à peste que assolava Lisboa e Sacavém; 18 Julho - falecimento de D. Filipa; 19 julho - sepultara da rainha no ante-coro do Mosteiro; doara, por testamento, vários bens ao Mosteiro, nomeadamente uma povoação fora do Reino; 1416, 09 outubro - trasladação do corpo de D. Filipa de Lencastre para o Mosteiro da Batalha; 1425, 19 junho - o Infante D. Pedro funda uma capela em memória da mãe, deixando como administrador João Álvares, e as casas da Ferraria da Ribeira, na Rua da Ferraria, à Madalena, na Rua D. Maria Mafalda e nas Fangas do Paço, bem como bens em Torres Novas; os bens garantiam o mantimento de um capelão; pintura dos paramentos da capela de D. Filipa (?) com flores-de-lis douradas sobre fundo verde, e provavelmente do absidíolo do lado da Epístola; 1429, 24 março - D. João I concedeu a Beatriz de Góis, do mosteiro de Odivelas, uma tença anual de 185 libras; 1434, 17 março - D. Duarte concedeu carta de privilégios ao Mosteiro; 1436, 07 novembro - o monarca doa 1 marco de prata anual ao Mosteiro para resolver um pleito entre o Mosteiro e o escudeiro Henrique Góis sobre a Quinta da Barrosa; 1439, 09 fevereiro - D. Afonso V confirmou todos os privilégios e graças concedidos ao Mosteiro de Odivelas; 1445, 17 março - o monarca nomeia o Doutor João Fernandes, chanceler de Lisboa, para o cargo de juiz dos feitos, havidos e por haver, do Mosteiro; 1449, 20 maio - na sequência da Batalha de Alfarrobeira, D. Filipa, filha do Infante D. Pedro, refugia-se no Mosteiro; 1472 - D. Joana, irmã de D. João II, mudou-se para o convento dominicano em Aveiro, mas antes residiu neste mosteiro; 1473, 18 julho - o rei privilegiou o Mosteiro de Odivelas, a pedido da sua abadessa, concedendo-lhe licença para comprar bens de raiz até à quantia de 100.000 reais; 1485, 28 dezembro - D. João II confirma a concessão dos padroados das igrejas de São Julião de Santarém, de Santo Estêvão de Alenquer, de São Julião de Frielas e de São João do Lumiar; 1496, 13 maio - D. Manuel I confirma todas as honras, privilégios, liberdades, graças e mercês concedidas pelos seus antecessores; 1497 - falecimento de D. Filipa no local, ficando sepultada na sacristia; 1499, 10 novembro - escambo de bens entre o Mosteiro de Santos-o-Novo e o de Odivelas, ficando este com umas casas em Lisboa, na Rua da Sapataria, e o de Santos com um serrado, olival e horta situados junto do seu edifício; 1501, 10 março - D. Manuel I doa ao Mosteiro todo o linho arrecadado para o rei no Almoxarifado da Azambuja; 1503, 10 fevereiro - o rei dá licença para aceitar os bens deixados por Mécia de Abreu, entre os quais se destacam uns moinhos na Ribeira do Reguengo, junto de Torres Vedras, umas casas em Lisboa, em Santo Elói e no Furadouro; 1504, 16 fevereiro - o rei confirma o emprazamento de uns bens da capela da rainha D. Filipa, situada no Mosteiro, a Diogo Fernandes, morador em Torres Novas; 1509, 11 janeiro - o monarca confirma a administração da capela da rainha D. Filipa, com os respetivos encargos, a Simão Garcês, filho de Jorge Garcês, seu secretário; 1514, 23 outubro -a administração passa a Jorge Garcês, sobrinho do anterior; 1510, 6 fevereiro - confirmação da doação da Mata de Loures; 1516-1536 - foi abadessa D. Violante Cabral, irmã de Pedro Álvares Cabral, responsável por diversas obras no edifício; construção do Claustro da Moura, separado do mais antigo pelo refeitório e cozinha; 1519 - o Almoxarifado da Azambuja arrecadou para o Mosteiro 1.600 molhos de linho; 1522 - reforma do Mosteiro por D. Francisco da Fonseca, bispo de Titópolis, sendo recrutadas no local as religiosas para reformar os mosteiros de Santa Maria de Almoster e de São Bento de Cástris; 1531, 26 janeiro - um violento terramoto afetao edifício; 1532 - visita de D. Edme de Salieu, abade de Claraval, a que a casa pertencia; 10 outubro - o abade de Claraval pede a D. João III para transferir religiosas de Odivelas para Almoster; ficaram no local 70 monjas, 5 noviças e 14 irmãs conversas; 1534 - representação no local do Auto da Cananeia, de Gil Vicente, encomendado pela abadessa D. Violante Cabral; 1535, 14 março - alvará de D. João III doa 8 côvados de pano; 1536, 24 agosto - um terramoto provoca estragos no edifício; 1551 - o túmulo de D. Dinis está, segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, no meio da igreja, pendendo para o lado da Epístola; 1555, 08 janeiro - D. Catarina paga a D. Constança de Vilhena, religiosa de Odivelas, 30$000 de mercê; doação de um legado perpétuo de 30$000 de juro anual, para pagar a entrada de 20 religiosas, cada uma das quais recebia 8$000 anualmente; 1557, 27 agosto - falecimento de Nicolau Ribeiro Soares, sepultado na Capela de D. Filipa, onde se sepultou a mulher, D. Violante Rebelo e os seus herdeiros; 1561 - data nas portas da igreja; 1569 - contrato em que o Mosteiro aceita 90$000 anuais para três dos lugares instituídos pela rainha D. Catarina; 1571 - provável feitura da loggia do frontespício; 1573 - provável remodelação do alpendre que liga a igreja à portaria, por ordem de D. Guiomar de Noronha; séc. 16, final - D. Filipe I autoriza o Mosteiro a ter açougue; 1611 - construção de um dormitório, por ordem de D. Isabel de Meneses; 1617 - existência de 210 monjas; 1639 - finalização das obras do alpendre; data no brasão da loggia; 1640-1652 - descrição da igreja por Jorge Cardoso *5; 1656 - D. João IV ordena obras profundas no corpo da igreja e zona regral, dirigidas pelo monge beneditino Frei João Torriano (1610-1679); 1656-1667 - D. Afonso VI mantém uma relação estreita com o mosteiro, especialmente com as religiosas D. Ana de Moura e D. Feliciana de Milão; 1671 - pintura dos azulejos dagalilé, pagos por D. Lourença de Melo; 1677 - construção de um novo dormitório por ordem de D. Guiomar de Sousa e Melo, conhecido como Dormitório Corte Real, nome da família da mãe da madre; 1686, 17 maio - toma o hábito de noviça D. Luís Maria de Moura, que viria a fomentar várias obras, na qualidade de abadessa; 1690 - era montado anualmente um presépio; 1691 - data na porta da portaria; 1694, 25 agosto - visita ao Mosteiro de D. Catarina de Bragança, conforme lápida mandada fazer por D. Feliciana Maria de Milão; séc. 18 - D. João V ordena remodelações, aumentando os dormitórios, melhorando o refeitório, cozinha, e outras dependências, que desvirtuam a anterior simplicidade monástica, correspondendo ao aumento da comunidade para 300 freiras; o monarca frequenta o local e tinha boas relações com a Madre Paula; o mosteiro patrocina festas sumptuosas, com outeiros e concertos musicais; habitam no local 260 monjas; o Padre Carvalho da Costa refere que a igreja tinha 10 capelas e o coro 20, todas profusamente decoradas com talha e prata, destacando, como obra de arte, a custódia; 1704 - bula de Clemente XI a conceder o título de abades aos priores de Odivelas; 1707 - feitura da escultura central do Claustro da Moura; 1724, 11 agosto - frei Bernardo de Castelo Branco inicia a reforma do Mosteiro; 1727, 03 fevereiro - criação de um novo regulamento para a reforma do Mosteiro; 1735, 11 fevereiro - a abadessa de Odivelas recebeu provisão para ter juiz privativo; 1744 - as casas de habitação foram demolidas por ordens superiores; séc. 18, 2.ª metade - reconstrução da igreja, sacristia, alas E. e N. do Claustro Novo, ala do capítulo e do refeitório; revestimento do refeitório com azulejo; 1754 - colocação dos azulejos no Claustro da Moura, mandados fazer por D. Luísa Maria de Moura; 1755 - Cocheril fala em 350 religiosas, tendo a ver com o reagrupamento das religiosas de Portalegre, de Cástris e de Tavira, transitando algumas monjas para Odivelas; 1 novembro - o terramoto provocou grandes danos no mosteiro, sobrevivendo apenas cabeceira e o túmulo de D. Dinis, apesar de muito danificado; as religiosas vivem em barracas durante as obras e o culto passa para o lagar de azeite; trasladação do túmulo de D. Dinis para o absidíolo; 1758 - as Memórias Paroquiais referem que a cobertura da igreja, em abóbada, caiu matando o capelão e 32 pessoas, caíram várias casas, a torre da igreja; no couto das freiras, existia a Capela de São Miguel; 1789 - feitura do órgão por António Xavier Machado e Cerveira; 1807 - 1808 - as tropas de Junot violaram o túmulo de D. Dinis; 1850 - o edifício apresenta já adiantado estado de degradação; 1862 - Vilhena Barbosa refere que o túmulo de D. Maria Afonso se encontra numa capela do claustro; 1874 - é capelão António Joaquim de Moura Calvão, que cumpre estas funções até 1886; 1875 - habitam 8 monjas no local; Pinho Leal refere o túmulo de D. Maria Afonso na capela-mor e o de D. Dinis muito danificado e vandalizado; 1885 - descrição da cerca por Esteves Pereira, referindo que a cerca era cortada e regada por um ribeiro; 1886 - Vilhena Barbosa descreve a igreja com quatro alturas com retábulos de pintura a óleo, surgindo no coro 20 altares; 17 Junho - morre a última religiosa, a abadessa D. Bernarda da Encarnação Correia; 04 agosto - inventário dos bens do Mosteiro *6; 21 outubro - doação de um sino para a Igreja Vilar, em Cadaval; 1887 - planta de Borges Figueiredo; 03 março - pedido de um retábulo e sacrário para a Igreja de Zebreira; 05 maio - pedido de uma sineta para a Igreja do Estoril; 28 outubro - concessão de um sino à Paróquia de Nossa Senhora da Expectação, em Valada, Cartaxo; são levadas peças para as Belas-Artes e São Vicente; 1889 - descrição do mosteiro por Borges de Figueiredo *7; venda da Quinta Nova, da Cerca do Rapaz e terra de vinha; aluguer da cerca; nesta data, as casas do couto já são particulares; 07 junho - param as obras por falta de verbas; 1892, 14 março - o Recolhimento das Irmãzinhas dos Pobres, em Campolide, pede um sino para a Capela; 1898 - o edifício é incorporado na Fazenda Nacional; o Infante D. Afonso solicita-o ao Ministro da Fazenda para alojar filhas órfãs de oficiais do exército; 1899, 09 março - criação do Instituto Infante D. Afonso; obras de adaptação à nova função; 1900, 14 janeiro - inauguração do Instituto; 1902, 06 agosto - auto de entrega do edifício e a propriedade rústica de Vale das Flores ao Instituto; julho - a igreja passa para o Instituto, após ter sido administrada pelo Hospital de São José; 1903 - terminadas as obras de adaptação, estão no Instituto 57 alunas; 1904, 11 maio - o Instituto é equiparado ao Colégio Militar e destinava-se às filhas dos oficiais do exército; 1909, 16 abril - falecimento da última monja de Odivelas, D. Carolina Augusta de Castro e Silva, que já não habitava o mosteiro; 1910, 06 novembro - o Instituto recebe a designação de Torre e Espada; 1911, 25 maio - é criada a Obra Tutelar e Social do Exército de Terra e Mar, onde se integra o Instituto; 19 agosto - toda a família militar pode usar o Instituto; 28 agosto - alterada a designação para Instituto Feminino de Educação e Trabalho; 1922 - por ruína, as janelas do Paço Real desmoronaram-se; colocação do escudo real no Claustro da Moura; 1938 - abertura do túmulo de D. Dinis, deparando-se uma figura ruiva, com cerca de 1,65; 1939 - transporte do retábulo-mor para Vila Real; execução de três janelas sob o alpendre, a substituir umas que existiam no local anteriormente; 1942, 31 Dezembro - alterada a designação para Instituto de Odivelas; 1947 - está afeto ao Ministério da Guerra; 1945 - feitura de azulejos para o Pátio da Rainha; 1950, 14 outubro - inauguração do edifício; aquisição de Equipamento e mobiliário pela Comissão para a Aquisição de Mobiliário; 1951 - deslocação do túmulo de D. Dinis para a Capela de Nicolau Ribeiro Soares; 1952-1953 - está aqui instalado o Instituto Feminino de Educação e Trabalho; 1955 - execução de trabalhos de terraplanagens e desvio do leito da Ribeira de Odivelas nos terrenos que confinam com o Mosteiro; 1958 - estudo do engenheiro Artur Andrade Mendes Magalhães relativo às expropriações que deveriam ocorrer, para ampliação do Mosteiro; construção de uma garagem; 1961 - foi adquirida uma propriedade com 926m2 para o arranjo do largo fronteiriço ao instituto, pelos Serviços de Construção e de Conservação; 1969, 28 fevereiro - abalo sísmico provoca estragos no imóvel; 1958 - projeto para o arranjo da zona envolvente; 1973 - colocação de lápide comemorativa da fundação do Instituto no claustro; feitura de azulejos de figura avulsa, retirados da cozinha da Torre, réplica da cozinha maior; colocação de azulejos cedidos pelo Museu Nacional do Azulejo, painéis provenientes do Palácio do Duque de Cadaval, onde se instalou o Instituto de Altos Estudos Militares - azul e branco, com caça ao veado e cenas campestres e do séc. 17, provenientes do Mosteiro de Chelas; 1974, agosto - durante as obras de remodelação da sacristia, foi encontrado um cano que transportava a água de uma mina na Ramada até ao lavabo, colocando-se a questão se deveria ser mantido ou removido *8; 1976 - colocação de silhar de azulejo enxaquetado; 1988, 22 abril - o Instituto assa a chamar-se Instituto de Odivelas (Infante D. Afonso); 2011, 19 Setembro - publicação do anúncio do projeto de decisão da fixação da Zona Especial de Proteção do imóvel, em DR, 2.ª série, n.º 180, anúncio n.º 13023/2011.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria, rebocada e pintada e a cantaria; modinaturas, contrafortes, cornijas, cachorros, colunas, escadas, pavimentos, sepulturas, túmulos em cantaria de calcário; retábulos, coberturas de madeira; revestimento de azulejos; pinturas; telas; coberturas exteriores em telha.

Bibliografia

ANTUNES, Eva Maria Cotas e Garcia e SILVA, Ana Paula Noé da, O Mosteiro de São Dionísio de Odivelas, Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1986 / 1987; BARBOSA, J. Vilhena, O Mosteiro de Odivelas, in Archivo Pittoresco, 6 vols., Lisboa, 1863; CHICÓ, Mário Tavares, A Arquitectura Gótica em Portugal, Viseu, 1968; COCHERIL, Dom Maur, Notes sur l'architecture et le décor dans les abbayes cisterciennes du Portugal, Paris, FCG, 1972; COCHERIL, Dom Maur, Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal, Paris, FCG, 1978; DIAS, Pedro, A Introdução das primeiras formas Góticas, in História da Arte em Portugal, vol. 4, Lisboa, Edições Alfa, S.A.R.L., 1986, pp. 9-63; FIGUEIREDO, António Cardoso Borges, Mosteiro de Odivelas - Casos de Reis e Memórias de Freiras, Lisboa, 1889; Guia Turístico do Concelho de Odivelas, Odivelas, Comissão Instaladora do Município de Odivelas / Departamento de Actividades Económicas Divisão de Turismo, 2000; GUSMÃO, Artur, A Expansão da Arquitectura Borgonhesa e os Mosteiros de Cister em Portugal, Lisboa, 1953; LIXA, Florinda, Núcleo Histórico de Odivelas - caracterização e bases para uma proposta de salvaguarda, 2 vols., [dissertação de Mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico], Évora, Universidade de Évora, 1997; MACHADO, J.T. Montalvão, A Rainha D. Filipa de Lencastre no Mosteiro de Odivelas, Separata de Olisipo - Boletim do Grupo Amigos de Lisboa, ano XX, n.º 120, Lisboa, Grupo Amigos de Lisboa, Outubro-Dezembro 1967; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Triénio de 1947 a 1949, Lisboa, 1950; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1950, Lisboa, 1951; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1.º vol., Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1.º vol., Lisboa, 1960; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, 1.º vol., Lisboa, 1962; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa], Lisboa, 1998; SARAIVA, Carlota Abrantes, Contribuição para o Estudo dos Azulejos do Instituto de Odivelas, Lisboa, 1975; SARAIVA, Carlota Abrantes, O Instituto de Odivelas - breve notícia histórica, Odivelas, Instituto de Odivelas, 1978; SARAIVA, Carlota Abrantes, Contribuição para o estudo dos azulejos do Instituto de Odivelas, Lisboa, s.n., 1986; SILVA, Ana Paula Noé da, O túmulo de D. Dinis e ode “D. Maria Afonso”, Lisboa, Universidade Lusíada, 1990; TOMÉ, Manuela Maria Justino, Mosteiro de São Dinis de Odivelas - estudo histórico-arquitectónico - acções para a salvaguarda do património edificado, [dissertação de Mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico da Universidade de Évora], Évora, Universidade de Évora, 1995; TOMÉ, Manuel Maria Justino, Odivelas - um mosteiro cisterciense, Odivelas, Comissão Instaladora do Município de Odivelas / Departamento Sociocultural / Divisão de Cultura e Património Cultural, 2001; VAZ. Maria Máxima, Odivelas - uma viagem ao passado, s.l., s.n., 2003; Odivelas - um Concelho a descobrir, Odivelas, Câmara Municipal de Odivelas, 2005; URL: www.ttonline.pt ., 30 Abril 2010.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSARH, DGEMN/DSPI/CAM, DGEMN/DRELisboa/DIE, DGEMN/DRELisboa/DRC, DGEMN/DRELisboa/DEM

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa, SIPA; CMOdivelas

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID-001/011-1524, 1525, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSARH-010/127-0022, 0023, 0029, 0030, 0032, 0033, 0034; DGARQ/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças - conventos extintos (cx. 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993)

Intervenção Realizada

1858 / 1859 - provável restauro do túmulo de D. Dinis, com colocação de pastas e estuque, pago pela rainha D. Estefânia; 1861 - restauro do túmulo de D. Dinis, sendo removida a imagem de São Dinis, que estava junto à cabeça do jacente; 1884 - obras de conservação na capela de D. Filipa; 1887 - obras de readaptação para abrigo de mulheres regeneradas; 12 setembro - obra para restaurar o túmulo de D. Dinis por José Maria Nepomuceno; outubro - obras de remodelação para instalar no local um abrigo de mulheres regeneradas, demolindo-se algumas paredes e construindo-se outras, feitura de novo de várias abóbadas do claustro e respetivo lajeado; abertura de 11 janelas em cada piso e duas portas; o Capítulo foi transformado em camarata e feitura de duas camaratas, ficando com o total de 4; feitura de uma escada a partir da portaria; instalação do capelão no antigo locutório, instalando-se no de cima, os aposentos da diretora e ajudantes; 1888 - projeto de restauro do túmulo de D. Dinis, por Nepomuceno, sendo-lhe acrescentado o nariz, o ângulo inferior da almofada, a mão direita e panejamentos do braço, hábitos das monjas, bases e acrescento da zona do busto, colocação de folha nas uniões das edículas; DOP: 1889 - obras de construção das paredes das camaratas junto à igreja com vigamento de madeira, telhados do refeitório e cozinha, aposentos da regente, reforma das abóbadas do claustro junto à igreja; alargamento de duas alas do piso superior do claustro; construção das escadas que ligam todos os pisos; construção de janelas; conclusão das instalações sanitárias; arranjo do teto e madeiramento da igreja; obras na casa do Capítulo, transformada em camarata de 14 camas; feitura de uma segunda camarata; construção da nova portaria e enorme escada de 3 lanços, que comunica com os aposentos da regente; transformação dos locutórios em casa do capelão; 1925 - cedência de verbas, para obras de restauro não especificadas; 1930 / 1931 / 1932 / 1933 / 1934 / 1935 / 1936 - obras de remodelação, sendo removido o estuque do teto da igreja, demolição da sacristia, para permitir a reconstrução do absidíolo; alteração do tamanho das fenestrações da cabeceira; nivelamento da capela anexa ao absidíolo do Evangelho, para ficar com as mesmas dimensões daquele; remodelação das coberturas; foram encontrados vários capitéis no piso superior do claustro, pedindo-se para que fossem removidos para o Museu Arqueológico, bem como a janela do Palácio de D. Dinis; 1938 - trabalho de conservação no túmulo, então transferido para uma capela lateral; pede-se para que o altar que seria desmontado transitasse para a Sé de Vila Real (v. PT011714330005), o que viria a ser deferido; pedido da DGEMN para remoção de um marco postal e um mictório, que se encontravam junto à cabeceira do Mosteiro; DGEMN: 1938 - obras de reparação nas coberturas, com colocação de nova armação e telha, e no pavimento da igreja, obra efectuada por Bernardo Rosa e António Domingues Esteves; entaipamento de duas janelas da capela-mor, com cantaria; reconstituição das frestas dos absidíolos a cantaria; colocação de lajeado em cantaria; 1939 - apeamento e reconstrução da sacristia; lajeamento do pavimento da igreja com calcário de Mem Martins; construção e assentamento da armação do telhado, em pinho; cobertura com telha; limpeza das cantarias; feitura de novos rebocos, obras feitas por Domingos Ferreira da Rocha e Joaquim Pereira Ramos; o mesmo reconstituiu o altar-mor, incluindo os degraus, modificou o altar da Casa do Capítulo, com remodelação do soalho e a totalidade da sala e limpou as sepulturas; 1940 - feitura de novas coberturas exteriores; colocação de portas exteriores e respetivas ferragens, lajeado do pavimento com calcário de Pêro Pinheiro; as obras foram executadas por José de Sousa Camarinha; 1941 - colocação de vitrais coloridos nas janelas, executados nas oficinas de Ricardo Leone; picagem de rebocos e feitura de novos nos tetos da igreja; guarnecimento de tetos com gesso linhado e fasqueado; construção de vigas de betão para reforço dos tetos; construção e assentamento de caixilharias de madeira; obras feitas por José de Sousa Camarinha; 1942 - o mesmo construiu arcos de tijolo furado, assentes em argamassa de cal hidráulica e colocou estuque em tetos curvos; 1944 - reparação do túmulo de D. Dinis; reparação dos degraus do supedâneo do altar-mor e altar lateral; reparação de um caixilho e colocação de vidros; as obras foram levadas a cabo por José de Sousa Camarinha; 1946 / 1947 / 1948 / 1949 / 1950 - obras profundas no imóvel, dirigidas pelo engenheiro Artur Mendes Magalhães; instalando-se as alunas no Palácio dos Duques do Cadaval, em Pedrouços; demolição do palácio de Madre Paula; reintegração de peças encontradas nos alicerces do Claustro da Moura; remoção do túmulo de D. Dinis da nave para uma capela lateral; colocação de azulejos no átrio e escadaria, provenientes do espólio do Mosteiro; feitura de vários azulejos para a galilé, na Fábrica Viúva Lamego, a imitar os seiscentistas; obras na cozinha, anexos, creche e oficina de costura; DGEMN: 1950 - obras de conservação e reparação pela Direção Regional dos Edifícios de Lisboa; 1955 - reparação geral do telhado da nave central, capelas, batistério, claustro e sanitários; colocação de azulejos a representar cenas da vida de Santa Isabel e um Sagrado Coração de Jesus na rosácea, feitos por Ricardo Leone; arranjos exteriores do edifício pela Direção dos Serviços de Construção e Conservação; 1958 / 1959 - reparação geral do telhado, substituindo telhas partidas; levantar o telhado da sacristia e substituir a armação e ripa; reboco e caiação da sacristia; os trabalhos foram adjudicados a Anselmo Costa; 1959 - início do arranjo do Largo D. Dinis, fronteiro ao instituto, incluindo a execução da estátua da rainha D. Leonor, bem como da garagem, e à adaptação da Casa dos Bolos a serviços públicos, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1961 - reconstrução do telhado das capelas laterais esquerda; transferência do túmulo da capela lateral esquerda para o absidíolo, sendo consolidados alguns elementos dos mesmo, efetuada por António Ferreira de Almeida; o Instituto pede que não seja colocado no centro da nave como se desejava, para não impedir as cerimónias religiosas; pedido para transformar a Casa do Capítulo em Museu, desejando a DGEMN remover os caixotões, permitindo a reconstituição do primitivo teto; 1966 - reparação da cobertura da igreja e dos telhados das capelas laterais esquerdas, por Cândido Patuleia; 1967 - reparação do telhado da capela-mor, por Cândido Patuleia; 1969 - reparação dos estragos causados pelo sismo de Fevereiro, nomeadamente com a reparação de telhados, com substituição de uma linha de asna, e forro do teto da nave e trabalhos urgentes de conservação; picagem das paredes da sacristia e feitura de novo reboco; gateamento das pilastras de cantaria; as obras foram adjudicadas a Cândido Patuleia; 1969 - tratamento do reboco e pintura da nave; arranjo dos vitrais das capelas laterais; tratamento da porta principal da igreja; as obras foram adjudicadas a Cândido Patuleia; 1974 - substituição do telhado na sacristia e capela lateral direita; limpeza das coberturas da nave, capela-mor, capela colateral esquerda e galilé; limpeza das coberturas e desentupimento dos canais do claustro da Moura; limpeza do forro da galilé; caiação de paredes e tetos; feitura de caixilharias na sacristia; reboco em várias zonas do claustro da Moura; colocação de soalho em pinho no coro-alto; pintura do teto da sala do coro; conserto da porta principal da igreja; desentupimento de gárgulas no claustro principal; limpeza do forro sobre a galilé e da fachada principal; conserto e pintura de vitrais da capela-mor e laterais; arranjo da canalização do lavabo da sacristia; tratamento de rebocos numa arrecadação; substituição de um caixilho da sacristia; as obras foram feitas por Anselmo Costa; 1978 - tratamento da teia da igreja contra a formiga branca, pela firam Gaso-Esterilizadora, Lda.; 1980 - limpeza da telha, substituindo-se as partidas; consertos dos vitrais de vidro catedral da capela-mor e laterais; reparação dos caixilhos de chumbo; restauro das coberturas da capela-mor, capelas laterais e entrada; obra a cargo por António Ferreira de Almeida; remodelação da instalações telefónicas; 1985 / 1986 / 1987 / 1988 / 1989 / 1990 / 1991 - tratamento de telhados e terraços, por António Ricardo Correia, Lda.; 1988 / 1989 - beneficiação no claustro da Moura; 1990 - beneficiação nos terraços do claustro principal; 1994 - reparação da cobertura da igreja e beneficiações no claustro da Moura; 1995 - obras na cobertura da igreja e colocação de uma nova no alpendre do Claustro da Moura; 1997 - revisão da cobertura da igreja; execução de nova cobertura na sacristia; rebocos na torre sineira e fachadas N. e nascente da igreja; DRML: 2005 - remodelação do equipamento móvel da capela-mor com execução de suporte para sacrário existente e ambão com aproveitamento de baixo-relevo alusivo a São João Baptista, do antigo altar lateral da igreja.

Observações

*1 - DOF:..compreendendo os Túmulos de D.Dinis e de sua filha. *2 - Zona Especial de Proteção Conjunta dos Mosteiro de Odivelas (v. IPA.00004067), do Memorial de Odivelas (v. IPA.00004813) e da Igreja Paroquial de Odivelas (v. IPA.00006818). *3 - o terreiro era fechado por portão, que limitava o Couto, com casas a fechar o terreiro, onde se destacava a aposentadoria, a casa do capelão, com capela forrada a azulejos do séc. 18 e que seria usada por alunas para venda de bolos, tendo a cozinha forrada a azulejos de golfinhos; o acesso a esta era feito por um pátio de acesso encantador, com alegretes e nichos, entretanto desaparecido. Em frente à Portaria, a Capela de São Miguel, que servira de cemitério às freiras, demolida, não sendo a imagem transferida para o Instituto, apesar das solicitações. *4 - Segundo a tradição, o mosteiro foi construído na sequência de um voto que D. Dinis fez por ter saído ileso do ataque de um urso, em 1294, aquando de uma caçada, na zona de Beja, próximo de uma povoação denominada Belmonte, ou da A-da-Beja, ao invocar os seus santos protectores São Dinis e São Luís. Autores do 19 questionaram este motivo, que parece não ter qualquer fundamento e inclinam-se ante a hipótese de ser um local para o rei acomodar filhos bastardos; segundo a tradição, foi construído para acolher a sua filha D. Maria Afonso, cuja família materna vivia no Paço do Lumiar, mas que viria a morrer adolescente. Para agradecer o urso, terá fundado uma capela em São Francisco de Beja, dedicada a São Luís, invocação que não surge no mosteiro. *5 - Jorge Cardoso refere que a Igreja tinha três naves, flanqueada por duas torres, sendo metade da nave ocupada pelo coro, com três ordens de cadeiras, com assento para 200 monjas; este tinha 6 capelas com peças ricas; custódia de ouro, feita recentemente e grades prateadas no coro e capela-mor; o túmulo de D. Dinis estava rodeado por grades e, anteriormente, estaria no centro da igreja, mas impedia as monjas de ver o altar, tendo sido transferido. *6 - no Inventário dos Bens do Mosteiro é feita uma descrição minuciosa do mesmo, referindo que o Mosteiro tem entrada por um grande largo, chamado "Couto", o qual possui, no lado N., um alpendre com porta de acesso ao convento, surgindo ladeado por duas pequenas portas de acesso aos parlatórios e, a E., uma escada de 13 degraus de pedra que comunica com o prolongamento do alpendre e dá acesso aos parlatórios do segundo piso, por meio de três portas. No topo deste, há uma porta, por onde eram conduzidas as religiosas falecidas; o alpendre prolonga-se e tem no ângulo a grade regral, surgindo, no extremo deste, a porta de acesso à igreja. Esta tem capela-mor e tribuna e nas paredes da primeira 6 quadros a óleo grandes e dois pequenos sobre as portas. No lado do Evangelho, duas casas, uma com o túmulo de D. Dinis e na segunda a Capela de Nossa Senhora da Piedade. No lado oposto, três, na primeira um túmulo, que conteria os restos mortais de uma infanta espanhola, a sacristia, com arcaz no lado E., de diversas madeiras e ferragens de latão, surgindo, na parede S., uma mesa de pedra sobre quatro colunas de granito e um túmulo embutido com os restos mortais de D. Filipa; a sacristia comunica, por um arco, com a casa do lavabo, que liga à igreja. A nave tem seis capelas, três de cada lado, com duas colaterais, havendo na Capela da Epístola e, nas laterais, quadros pintados avaliados em 84$000. No corpo da Igreja, uma teia de madeira e teto estucado. O coro-baixo está separado da nave por uma grade de madeira, tendo, no alto, 14 capelas fixas e 3 móveis, 4 delas com frentes de cantaria, sendo os restantes de talha e quadros a óleo, avaliados em 587$000. As 3 capelas móveis ou relicários são de madeira e talha dourada com quadros a óleo, avaliados em 350$000. Há duas galerias de pau-santo, fronteiras, casa uma com 49 assentos distribuídos por duas filas. O coro e igreja estão avaliados em 19:960$000. No coro, 5 portas, duas na parede S., que comunicam com o corredor dos foles, duas na parede N., que comunicam com o claustro das procissões e com a casa do tesouro; a terceira porta, no fundo, dá acesso à cerca, atravessando-se uma casa e um pequeno corredor. No corredor dos foles, há escadas para as tribunas do coro e igreja e uma porta de acesso ao cemitério das criadas com uma pequena capela em ruínas. O quintal tem árvores de fruto e confronta, a N. e O., com o Convento, a E. com uma propriedade que pertenceu ao Convento e a S. com a Rua da Fonte, sendo avaliado em 192$000. No fundo do corredor dos foles, três casas, uma com porta para a igreja e outra uma escada que dá comunicação para uma casa situada ao fundo das tribunas, avaliadas em 192$000. O Claustro das Procissões tem um alpendre gótico sobre colunas de pedra, chão em lajeado com sepultura em duas das alas. No centro, um jardim com parreira, poço e árvores de fruto. Na parede S., uma porta para a escada de caracol da torre, com 3 sinos, dedicados a São Bernardo, São Miguel e São Dionísio, faltando o de São Bento, dado para Vila Verde, concelho do Cadaval. No lado E., a casa do Capítulo com sepultura e capela de madeira, avaliada em 30$000. No mesmo lado, uma estrada de 3 degraus para a casa de passagem que tem, no lado N., o cartório e junto uma casa com a grade de clausura. Junto a esta, escada de 2 lanços. No lado O. Do claustro, uma capela com altar de pedra e quadro a óleo. Junto, a casa de tesouro com escada de comunicação para o segundo piso. No extremo O., a Capela da Senhora da Índia, com vários quadros a óleo. No lado N., uma porta para casa de passagem para o Claustro da Moura e para a portaria. O Claustro tem uma fonte de 4 bicas em cada lado de uma coluna de pedra, um poço tapado e um tanque com bica. Está rodeado de casas, como as cozinhas, refeitório, casas do forno, despensas e arrecadações e comunica com o 2.º piso por duas escadas, comunica com a cerca pelo lado S., atravessando duas lojas e 1 saguão, ladeado por palheiros e arrecadação. No dim do saguão, a E., uma porta que comunica com uma casa que liga à cerca e ao Couto. O segundo piso tem uma varanda e terraço superior no claustro das Procissões com várias casas de arrecadação. Na varanda S., uma sineta grande. O Claustro da Moura tem uma varanda com alpendre assente em colunas de pedra e telhado. No lado O., comunica com a habitação da Corte, casa de enfermaria, com a Capela de Nossa Senhora da Piedade e vários dormitórios. No dim da escada do tesouro para o 2.º piso, e virando à direita, sobem-se degraus que comunicam com casas, uma a do relógio. O 3.º piso tem várias comunicações com o 2.º e tem um dormitório com 30 celas em ruínas e, no lado N., várias habitações com 3 dependências cada. Junto à enfermaria, celas arruinadas e uma escada para o 4.º piso, com as habitações da Rainha Santa Isabel e várias salas e quartos. Nas casas, há armários embutidos nas paredes, alguns com estrutura em pau-santo ou casquinha. O 3.º piso tem tetos de madeira e pintados e paredes com azulejos, avaliados em 17:605$000. A cerca, denominada Vale de Flores, tem um grande tanque com uma bica em forma de golfinho, com água vinda da Ramada. Tem mais um tanque e um poço com água nascente. Tem árvores de fruto, parreiras, horta e terra de semeadura. A N., confronta com courela do convento, a S. com o lagar de azeite, a E. com o convento e a O. Com o Rio de Caneças. É murada a alvenaria e a S. tem porta com 2 pilares de cantaria que comunicam com a Rua da Corte, avaliada em 2:000$000. A Courela N., denominada Cerca do Rapaz, confronta a E., com um quintal do Pombal, com árvores de fruto, horta, parreiras e uma fonte, oliveiras e uma claraboia, onde se dividem as águas. Tem uma levada coberta que comunica com a azenha e lagar e uma porta para o Claustro da Moura e uma para a Quinta Nova, propriedade das freiras. A N., alpendre sobre colunas de pedra e inscrição gravada. O lagar tem 3 compartimentos e moenga animal; descendo 4 degraus, um lagar de duas varas a água e, na terceira dependência, as tulhas. *7 - a cerca desenvolvia-se a N. e O. do mosteiro, chegando deste lado até ao Vale de Flores; a S. e E. do mosteiro, localiza-se o couto, onde existiam casas, onde habitavam os abades, capelães, feitor e se situavam as hospedarias; o teto da igreja estava decorado com o maná; o retábulo de pedra estava encoberto por um de madeira; o túmulo de D. Maria Afonso estava no absidíolo da Epístola, ou Capela de São Pedro; o autor encontrou uma lápide com a inscrição: "DNA: M: FILIA: DONI: SIONISII: REX: PORTUGALIE: ET ALGARBII: JUSIT: FIBRI: HOC: ATARE: AD: HONOR: DEI: ET: GLORIOSISIMI: SCI: ANDREE: APLLI: E: M: CCC: L"; conta que foi aberto, encontrando-se o esqueleto de uma criança, parte de um damasco verde e uma moeda do tempo de D. Manuel I. *8 - a água potável era captada em duas nascentes naturais, no Casal Ventoso e na Ramada, que confluíam para uma mãe de água, do Calçado, de onde seguia para o mosteiro, por canalização subterrânea até ao lavabo do claustro primitivo, passando à pia de lavagem da cozinha e outras dependências. A água para as latrinas, regas, lagares e oficinas era conduzida da Ribeira de Caneças por um dique na Arroja, conduzida por uma levada até à zona N, passando pelas latrinas da enfermaria e dormitórios, descarregando na Ribeira de Caneças, a O..

Autor e Data

Paula Noé 1991 / Paula Figueiredo (IHRU) 2012 (no âmbito da parceria com a CMOdivelas)

Actualização

Ana Rosa 2005 / Helena Rodrigues 2005
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login