Cidade romana de Miróbriga / Ruínas de Miróbriga / Castelo Velho

IPA.00004076
Portugal, Setúbal, Santiago do Cacém, União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra
 
Aglomerado urbano. Cidade romana / civitas integrando povoado da Época do Ferro (muralhas e templo). Aglomerado urbano desenvolvido em torno de santuário, local sagrado de peregrinação associado a termas medicinais, com diversos templos, complexo termal de apoio e um hipódromo destinado a fornecer divertimento aos peregrinos (Almeida, 1963, 1964); possível local de peregrinação mas sem associação com termas medicinais (Biers, 1988). Termas duplas de planta irregular construídas na tradição republicana. Circo de construção não monumental (à excepção da porta triunfal), rodeado por muro em alvenaria com bancadas feitas em materiais perecíveis, exemplo único em território português. Aglomerado fugindo aos cânones da urbanização romana pela adaptação ao povoado preexistente, sendo as termas e o hipódromo partes do seu perímetro urbano e correspondendo a área dos templos ao forum habitual em qualquer cidade.
Número IPA Antigo: PT041509060005
 
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Registo

Categoria

Conjunto

Descrição

A povoação estrutura-se em redor de vias romanas e ruas com muitos troços pavimentados, com construções implantadas no topo do monte e em patamares abertos na encosta. Em redor da via O. / E. as ruínas de casas de habitação; ao fundo de um desvio desta via no extremo E., as termas construídas sobre um canal de água e compostas por dois edifícios dispostos em L (termas E. e O.), cada um com os compartimentos usuais: zona de entrada com sala de massagens e ginástica e zona de vestir, zona de banhos frios, tépidos e quentes e uma latrina comum aos dois blocos; as salas são aquecidas pelo sistema de hipocausto, a S. dos edifícios (estrutura subterrânea formada por pilares e arcos em tijolo em que circula o ar quente produzido na fornalha); a E. das termas uma ponte romana de um só arco; por uma estrada a meio da via O. / E. uma bifurcação conduz ao forum dominado a NO. pelas ruínas de um templo in antis, dedicado ao culto imperial e de um templo com ábside, provavelmente dedicado a Vénus; entre os dois, os restos de um templo anterior dedicado a divindade local; a S. do forum as ruínas do mercado e de hospedarias separadas por outra rua. Existem vestígios de estuques pintados em habitações, nas termas e na hospedaria; não foram encontrados mosaicos. Hipódromo: planta rectangular terminada em arco redondo do lado N., em arco segmentar a S. (370 m. x 75 m.), dividido a meio pela spina, com uma meta em cada extremidade e porta triunfal do lado S. Centro de Acolhimento e Interpretação: junto à entrada para a visita, sobreelevado, é um edifício de planta rectangular, massa simples, com fachada em metal, madeira e vidro; do imóvel partem vários caminhos e passadiços na direcção das ruínas.

Acessos

Herdade dos Chãos Salgados, desvio da EN. 120 (Santiago do Cacém - Grândola); hipódromo na EN. 261 (Santiago do Cacém - São Domingos). WGS84: 38º00'35.75''N.; 8º41'03.66''O.

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 32 973, DG, 1.ª série, n.º 175 de 18 agosto 1943 / ZEP, Portaria n.º 1135/91, DR, 1.ª série, n.º 254 de 05 novembro 1991 *

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Rural, alto da colina, isolado. Sobre a colina do Castelo Velho (245 m.) a E. da elevação em que assenta Santiago do Cacém, dominando o extremo N. da planície dos Chãos Salgados, em que está implantado o hipódromo, a c. de 1 km. de Miróbriga. Em localização priviligiada, no entroncamento de vários eixos viários e próximo do litoral. Nas proximidades fica o Moinho de Vento das Cumeadas ( v. PT041509060047 ).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Ferro / Época Romana

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Séc. 09 a.c. - início do povoado (Biers, 1988); séc. 04 / 03 a.c. - construção das muralhas defensivas; área do povoado fortificado nas encostas e topo NE. do Castelo Velho: 11 800 m2 (dele subsiste parte da muralha e um templo, junto ao forum romano); séc. 01 d.c., 2ª metade - início da povoação romana, que atinge uma área de 28 000 m2: construção do complexo termal romano, estrada pavimentada na encosta SE., correspondendo ao período flaviano de prosperidade económica; séc. 02, 1ª metade - construção das termas orientais e do hipódromo; séc. 02, 2ª metade - 2ª fase de construção das termas orientais e construção das termas ocidentais; séc. 03, meados - 2ª fase de construção do hipódromo; séc. 03, 2ª metade - sinais de abandono de parte da povoação, em resultado da crise generalizada causada pelas invasões bárbaras; séc. 04, final - redução substancial: mantêm-se sinais de continuidade de habitação numa área reduzida à volta da capela de São Brás; séc. 16 - descoberta das ruínas; séc. 18 - início do estudo das ruínas; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação da Área do Castelo Velho como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1996 - 1997 - aquisição pelo IPPAR de terrenos situados na zona especial de protecção; 1999, 1 de Fevereiro - Despacho conjunto nº 180/99 dos Ministérios do Equipamento, do Planeamento e da Admnistração do Território, do Ambiente e da Cultura reconhecendo de interesse público a construção, pelo IPPAR, do centro interpretativo e de acolhimento de visitantes da Estação Arqueológica de Miróbriga; 2000 - construção, pelo IPPAR sob projecto da Arq. Paula Santos, do Centro de Acolhimento e Interpretação ocupando uma área bruta de 700 m2 concentrada num único edifício implantado na área de Reserva Arqueológica Nacional; 2007, 20 dezembro - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura do Alentejo, pela Portaria n.º 1130/2007, DR, 2.ª série, n.º 245.

Características Particulares

Dados Técnicos

Materiais

Cantaria e alvenaria de pedra e tijolo; tijolo.

Bibliografia

SILVA, João Gualberto da Cruz e, Apontamentos e considerações sobre as pesquisas arqueológicas realizadas desde 1922 nos concelhos de Santiago do Cacém, Sines e Odemira, Arquivo de Beja, vol. 3, Beja, 1946; MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS, DGEMN, Obras em Monumentos Nacionais - Congresso Internacional de História da Arte, s.l. 1949; ALMEIDA, D. Fernando de, Nota sobre os restos do circo romano de Miróbriga dos Célticos, separata da Revista de Guimarães, vol. 73, nºs 1, 2; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; Ruínas de Miróbriga dos Célticos, Setúbal, 1964; CORREIA, Susana, Estação arqueológica de Miróbriga (Santiago do Cacém). Balanço de uma investigação e perspectivas de intervenção futura, Anais da Real Sociedade Arqueológica Lusitana, 2ª série, vol. 1, Santiago do Cacém, 1987; BIERS, W.(ed.), Mirobriga - investigations at an Iron Age site in southern Portugal by the University of Missouri - Columbia, 1981 - 1986, Oxford, 1988.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1940 - início das pesquisas sistemáticas, dirigidas pelo Dr. Gualberto Cruz e Silva; 1954 / 1955 - campanhas orientadas pelo cor. Afonso do Paço; 1959 - 1978 - trabalhos arqueológicos dirigidos pelo Dr. Fernando de Almeida; 1961/ 1962 - obras de restauro na capela de São Brás (cobertura, rebocos); 1965 / 1966 / 1967 - arranjos na praceta; 1968 - consolidação de barreiras; 1981 - 1985 - projecto de cooperação internacional dirigido pelos arqueólogos J. O. Caeiro, Carlos Tavares da Silva, D. Soren, W. Biers, K. Slane e A. Leonard Jr.; IPPAR: DRE: 1996 - 1997 - escavações arqueológicas.

Observações

* DOF: Área do Castelo Velho, com as ruínas da cidade romana adjacente descobertas na herdade dos Chãos Salgados, subúrbios de Santiago do Cacém.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1992

Actualização

 
 
 
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