Igreja Paroquial de Rubiães / Igreja de São Pedro

IPA.00004125
Portugal, Viana do Castelo, Paredes de Coura, Rubiães
 
Igreja paroquial construída em finais do séc. 13, em estilo românico, integrando-se na 2ª fase do românico português, na 1ª do foco do Alto Minho e, de um modo mais regional, no grupo das igrejas românicas da bacia do Minho. A sua espacialidade primitiva encontra-se alterada devido às remodelações do séc. 16 que criaram uma espécie de transepto entre a nave e a capela-mor. Esta contudo, conservou a sua planta quadrangular, a fresta de topo e os cachorros. Estas obras revivalistas reutilizaram antigos elementos e criaram outros, explicando-se assim os 3 tipos de decoração da cornija: enxaquetado, laçaria e losango. Os cachorros primitivos são todos esculpidos, sobretudo com temas humanos e animalescos na sequência do estilo do Alto Minho do séc. 12, embora já se note grande evolução em relação à Igreja de Longos Vales ou Friestas. Entre todos, realçam-se os do lado S. da capela-mor. A sua planimetria, pode levar a pensar, à primeira vista, estarmos perante uma igreja de nave única e transepto saliente. Merece destaque especial o portal axial com a representação da "Anunciação" nas colunas centrais. Estas ainda que não tenham espacialidade e as formas do volume corpóreo, testemunham-nos o avanço e o gosto popular pela escultura, embora o seu interesse seja, sobretudo, de ordem iconográfica. Os capitéis têm rica decoração alternando motivos vegetais com zoomórficos. A representação do Cristo em Mandorla é 1 reprodução revivalista do antigo tímpano que se partiu, mas os motivos serpenteados do lintel, muito finos e pouco profundos, quase do tipo grafito, parecem pouco ter a ver com os originais. A cornija enxaquetada na parede testeira da capela-mor não é muito frequente surgir nas igrejas românicas do Alto Minho. Conserva pintura a fresco de temática e cronologia díspar parcialmente sobreposta. Algumas das sepulturas adjacentes à fachada S. da igreja, e postas a descoberto aquando das escavações de 1997, incorporam pedras do alicerce da igreja a definir a caixa, dois deles da época romana, reaproveitados na construção do próprio imóvel.
Número IPA Antigo: PT011605200002
 
Registo visualizado 2354 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave única rectangular e alargando na metade posterior e capela-mor rectangular, com sacristia quadrangular adossada a N. Volumes articulados com coberturas em telhado de duas e três águas. Fachada principal orientado e terminado em empena. Rasga-o portal, de arco pleno, com 4 arquivoltas, 3 destas assentando sobre colunas de capitéis vegetalistas e zoomórficos; a exterior é enxaquetada e assenta sobre a imposta. As colunas centrais têm grupo escultórico: no lado esquerdo, anjo com parte inferior do corpo e asas mutiladas, cabelos compridos, barba e cédula; no lado direito, Virgem, com véu, touca na cabeça e mãos erguidas em palma. Lintel com data gravada e, no tímpano, Cristo em Mandorla. Encima-o fresta, de arco pleno sobre colunelos e com capitel decorado. A N. adossa-se torre sineira, quadrangular, com cunhais apilastrados e cobertura piramidal; pedra com mitra num cunhal e gárgulas de canhão no topo. Nas fachadas laterais, portais de dupla arquivolta sobre pé-direito e tímpano liso. A fachada N., tem também um portal, de arco pleno, no corpo ressaltado. Percorre o imóvel cornija enxaquetada, ondulada ou com losangos sobre cachorros lisos, zoomórficos ou geométricos. INTERIOR iluminado por estreitas frestas que abrem para dentro. Na parede do lado do Evangelho, junto à do arco triunfal, pintura a fresco constituída por dois fragmentos sobrepostos na zona de junção: no lado direito representa-se um retábulo, o do lado esquerdo apresenta diversos elementos decorativos. Arco triunfal em asa de cesto sobre pé-direito. Cobertura de madeira à vista. Capela-mor com 2 frestas laterais simples e uma na parede testeira, a qual, abrindo para o interior, é ladeada por 2 colunelos com capitéis decorados encimada por imposta enxaquetada apoiando o arco pleno.

Acessos

Rubiães, Lugar da Costa, Estrada de Ponte de Lima - Valença (EN 201)

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 01-02-1913, DG, n.º 29 de 06 março 1913 (igreja), Decreto nº 8 228, DG, 1.ª série, n.º 133 de 04 julho 1922 (pórtico e capela-mor)

Enquadramento

Rural, isolada. Enquadrada por arvoredo, ergue-se junto à estrada e sobranceira a esta sendo protegida por adro lajeado e murado. Junto da fachada N. dispõem-se lápides sepulcrais do antigo cemitério e um marco miliário.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 (conjectural) / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1295 - Data gravada no lintel; séc. 16 - alargamento da nave, obrigando a capela-mor a deslocar-se mais para nascente; séc. 16, finais - provável feitura de fresco; séc. 17 - provável feitura de fresco, parcialmente sobreposto a um outro anterior; adossa-se a torre sineira ao frontispício; séc. 19 - época provável para o refazamento do tímpano; 1996 - durante a drenagem perimetral exterior, foram encontrados e estudados vestígios de túmulos medievais no subsolo.

Dados Técnicos

sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em granito; tetod e madeira, pavimento de lajes e cobertura de telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Primeiras Impressões sobre a Arquitectura Românica Portuguesa in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971, p. 65 - 116; CUNHA, Narciso C. Alves da, No Alto Minho. Paredes de Coura, Braga, 1979; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana do Castelo, 1987; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, O Românico in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1988; ALMEIDA,José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; MURAL DA HISTÓRIA, Igreja Paroquial de Rubiães / de São Pedro, Rubiães, Paredes de Coura, Viana do Castelo, - Restauro de pintura mural, Relatório, 1997; Relatório dos Trabalhos realizados de acompanhamento realizados pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao Abrigo dos Protocolos com a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1997 - 1999), (2001 - 2002), (Universidade do Minho), Braga, 2002.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1936 - obras; 1937 - conclusão de vários trabalhos; 1960 - arranjo do telhado; 1972 - reparações inadiáveis dos prejuízos ocasionados pelo temporal; 1974 - trabalhos de conservação no pórtico e capela-mor; 1978 - reparação da cobertura da capela-mor; 1980 - reparação do telhado da nave; 1989 - trabalho de conservação; 1997 - substituição do revestimento da cobertura com colocação de sub-telha; reboco da torre da igreja que se encontrava com pedra à vista e pintura a cal; tratamento da entrada de água pela torre; substituição de reboco e caiação do baptistério; limpeza superficial dos paramentos em granito exteriores e interiores e refechamento das juntas; restauro da pintura mural existente: remoção das massas aplicadas nas grandes lacunas e dos restos de cal que se encontravam sobre a superfície; consolidação da zona com falta de aderência ao suporte; limpeza; preenchimento de lacunas; reintegração cromática; levantamento gráfico da pintura; restauro do varandim do coro-alto e escada de acesso e revisão geral de madeiramentos interiores (tecto e estruturas); instalação de drenagem perimetral, obra acompanhada pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao abrigo do protocolo realizado com a DGEMN, tendo-se localizado diversas sepulturas intactas, a pouca profundidade, sem espólio antropológico; escavação de várias sepulturas a N. e a S. da igreja, as quais foram depois desmontadas para instalação da drenagem; revisão e restauro geral de todos os vãos; pintura e restauro do tecto da sacristia; revisão geral (com substituição de focos) da instalação eléctrica e sonora.

Observações

*1 - Para Carlos Alberto Ferreira de Almeida, se a data epigrafada de 1257 parece algo tardia para os elementos arquitectónicos da igreja, não pode haver uma diferença muito grande. A inscrição dá-nos uma maneira peculiar de numerar usada na Galiza desse tempo, pelo que é mais legítimo aceitar a fidelidade da transcrição. *2 - Nos temas e escultura dos capitéis do portal axial e nos motivos e estilo dos modilhões estamos perante, uma igreja posterior ao grupo de Sanfins de Friestas, Longos Vales e até Bravães, pelo que o seu portal deve ser de meados do séc. 13. *3 - Aquando da construção da estrada real nº 30 frente à igreja, ao se rebaixar o adro para a sua regularização encontrou-se um necrotério com 2 camadas de sepulturas sobrepostas, sendo a primeira talvez do séc. 13. Estas lápides sepulcrais encontram-se organizadas em paralelo, em duas filas, de cada um dos lados da igreja, integradas em espaço relvado. *4 - As pinturas do interior, executadas a fresco sobre uma só camada de reboco bastante fino, têm uma gama de cores bastante restrita: ocre, vermelho, preto e um azul misturado com preto. Detectaram-se algumas incisões no reboco correspondentes à passagem de desenho. Não se encontram quaisquer juntas de aplicação de reboco. *5 - Durante os trabalhos de drenagem exterior, os arqueólogos da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho procederam à escavação dos túmulos que entretanto apareceram.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

Lídia Costa 1997 / Paula Noé 1998
 
 
 
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