Igreja Matriz de Santa Cruz / Igreja de São Salvador

IPA.00004152
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Santa Cruz, Santa Cruz
 
Arquitectura religiosa, gótica e manuelina. Igreja influenciada por programa gótico mendicante, de planta longitudinal e 3 naves de altimetria escalonada, separadas por arcos quebrados sobre pilares facetados, provida de clerestório, com cobertura de madeira. Capela-mor abobadada, polinervada com bocetes vegetalistas e heráldicos, sobre colunas torsas interrompidas e mísulas, à semelhança dos apoios das abóbadas da Igreja de Santa Cruz de Coimbra (v. PT020603170004). Capela lateral com abóbada estrelada sobre mísulas, decorada com bocetes vegetalistas e no fecho pedra de armas do encomendador.
Número IPA Antigo: PT062209050002
 
Registo visualizado 159 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta longitudinal irregular composta por corpo da igreja de três naves, ábside rectangular e retro-coro quadrangular; a S. adossa-se capela lateral rectangular e torre sineira quadrangular; a N. capela quadrangular, Sacristia e Cartório rectangular e Casa paroquial triangular. Massa horizontalista de volumes articulados de que sobressai a torre. Coberturas diferenciadas de telhados a 1 água nas naves laterais, 2 águas na central e na Sacristia, a 3 na ábside e parte da casa paroquial, sendo a restante cobertura a 4 águas; torre coberta por coruchéu octogonal. Frontispício orientado de três panos escalonados divididos por 2 pseudo-arcobotantes vazados por arcos quebrados; ao centro portal de arco quebrado sobre colunelos com decoração geométrica, encimado por rosácea com cruz da Ordem de Cristo; panos laterais cegos; remate em empena boleada encimada por cruz pétrea. Fachada lateral S. com 2 registos correspondentes a 2 corpos escalonados a que se adossa corpo saliente de capela e a torre sineira; no 1º registo portal de arco quebrado sobre colunelos com capitéis vegetalistas e 2 frestas e remate em beiral; no 2º registo 4 frestas e remate em beiral; corpo da capela lateral com 1 janela rectangular a O., 2 janelas de dimensões diferentes a S. e cego a E.; remate em beiral; sobre o telhado sobressai empena vazada por pequeno óculo; segue-se torre delimitada por cunhais, com 1º registo cego a S. e 2 janelas a E., no 2º janela a S. e cego a E. em arco pleno, no 3º sineiras duplas a S. e simples a E., em arco pleno encimadas por relógio; no remate sobre os os cunhais os vértices são chanfrados passando a octógono. Cabeceira: pano da ábside com janela a S. e contrafortes escalonados colocados em oblíquo, terminando em pináculos; remate em platibanda de cruzes; corpo do retro-coro com porta a S. e cego a E.; segue-se pano oblíquo com janela a E. e cego a N., sendo, deste lado, visível o pano lateral da ábside, cego, com contrafortes; pano da Sacristia e Cartório com janelão de peito rectangular gradeado e porta no 1º registo e janela no 2º; pano da Casa Paroquial alpendradrado, entaipado, com marquise. Fachada N: pano da Casa Paroquial de 2 registos: 1 porta e 2 janelas transversais no 1º e 5 janelas e 1 fresta no 2º; remate em beiral; do lado O. pequeno pano com corpo saliente. INTERIOR: 3 naves de 5 tramos iluminadas por clerestório sobre os arcos quebrados divisórios, assentes em pilares hexagonais encimados por capitéis quadrangulares, sendo os arcos extremos apoados em mísulas torsas, em bico de lápis. A O. coro-alto em madeira, apoiado em estrutura também de madeira, que incorpora o guarda-vento, com escada em caracol; púlpito de madeira estriado helicoidalmente, assente em coluna, e baldaquino também de madeira pintada, com escada em pedra negra da região; no pavimento da nave central 6 tampas sepulcrais viradas ao contrário; tecto de madeira pintada com desenhos florais e cenas alusivas ao orago. Na nave lateral do Evangelho pia baptismal em mármore, o túmulo dos Spínolas formado por um arcossólio quebrado emoldurando arca assente sobre dois leões, e a capela de São Tiago, hoje do Santíssimo Sacramento aberta por arco pleno sobre colunas com capitéis vegetalistas, tendo no fecho pedra de armas com o brasão da família Morais *1 que se repete na chave da abóbada polinervada que a cobre. Na nave lateral da Epístola, cadeiral de madeira com espaldar, altar de talha pintada de azul, branco e dourado, de invocação de Nossa Senhora da Conceição e a Capela das Almas aberta por arco pleno e com tecto de maceira pintado a azul sobre cornija. As capelas são protegidas por balaustradas de madeira. Nos topos das naves retábulos de talha com imagens de vulto. Os tectos das naves laterais são de madeira pintada. Arco triunfal quebrado encimado por uma pintura figurando a Última Ceia. Na coxia central a tampa sepulcral de João de Freitas; Capela-mor com fresta de um lume a S. e cobertura em abóbada polinervada decorada com bocetes vegetalistas e heráldicos, pintada com motivos fitomórficos e assente em meias-colunas torsas que finalizam a meia altura sobre mísulas facetadas decoradas com esferas; a N. acesso à Sacristia feito por duplo arco polilobado sobre mainel envolto por arco quebrado com esferas e com óculo no tímpano (truncado); na parede de topo arco pleno do retro-coro onde se localiza o camarim com trono do retábulo-mor de talha dourada organizada em três níveis com colunas encimadas por capitéis lotiformes, 2 nichos laterais e remate em duplo frontão interrompido por cartela com as armas reais.

Acessos

Sítio da Vila, Pç. D. João de Alarcão

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228 de 29 setembro 1948 / ZEP, Portaria, DG, 1.ª série, n.º 154 de 05 julho 1946

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, no centro histórico da cidade, em amplo lg. que se estende para S., arborizado, onde se implanta Pelourinho; a N. e E. arruamento que contorna o imóvel; a O. passeio provido de degraus. Nas proximidades do edifício da Misericórdia (v. PT062209050012), Jardim Municipal e os Paços do Concelho.

Descrição Complementar

Abóbada da capela-mor polinervada estrelada com hexágono central, decorada com bocetes vegetalistas e emblemática manuelina. A capela do Santíssimo é coberta por abóbada estrelada sobre mísulas facetadas (as de N. truncadas), decorada com bocetes vegetalistas, uma vieira e, ao centro, brasão de armas de Morais *1. INSCRIÇÕES: 1. Inscrição funerária cinzelada em relevo, no sentido dos ponteiros do relógio, em lâminas de bronze, a orlar uma tampa de sepultura, excepto no flanco direito por a lâmina já ter desaparecido*2, e decorada nos cantos por medalhões quadrilobados com os símbolos dos Evangelistas. As palavras do texto estão separadas por motivos florais, e não por pontos como é hábito. Ao centro, numa lâmina de bronze em forma de losango, incrustada na pedra, figuram as armas dos Freitas. Descrição heráldica: escudo de ponta adamascado com cinco estrelas de seis pontas. Ornatos exteriores: correia, elmo e paquife; timbre: uma estrela de seis pontas entre duas asas: Hustarte(derivado do flamengo Hustaerdt)?. As lâminas encontram-se muito danificadas especialmente nos cantos, afectando os simbolos do tetramorfo*3. Dimensões: Totais:303x179; campos epigráficos:13; lâmina de bronze onde está lavrado o brasão: 56x56. Tipo de Letra: capital quadrada. Leitura modernizada: (ramo de malmequeres) SEPULTURA (ramo de carvalho) (ramo de carvalho) DE (ramo de rosas) IHOÃO(sic) (ramo de malmequeres) DE (ramo de carvalho) FREITAS (ramo de rosas) E (ramo de carvalho) DE (ramo de rosas) [...].

Utilização Inicial

Cultual e devocional: igreja

Utilização Actual

Cultual e devocional: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1507 - construção inicial; séc. 17 - edificação da Capela das Almas; séc. 18, 2ª metade - obras de recuperação após o terramoto de 13 de Março de 1748; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação da Igreja Matriz de Santa Cruz como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 1966 - durante as obras então realizadas, é posta a descoberto a porta geminada de ligação entre a capela-mor e a Sacristia.

Características Particulares

Alguns pilares conservam vestígios de pinturas. Arco polilobado, mainelado de passagem para a Sacristia. Retábulos de talha dourada e barroca e neoclássica. Os pseudo-contrafortes adossados ao frontispício em época setecentista conferem-lhe uma fisionomia peculiar. A nível epigráfico destaque para a inscrição nº. 1 por apresentar semelhanças com as inscrições nº 13 da Sé do Funchal (v. PT062203100001) e nº 13 da Quinta das Cruzes (v. PT06220308820) quer a nível do tipo de material utilizado, pedra escura da região de la Meuse(?) e bronze, como a nível paleográfico e ainda a nível da composição decorativa, com a representação do tetramorfo tal como acontece na Sé da Funchal, na Igreja de São Martinho em Penafiel (v. PT011311240002) e no Castelo de Beja (v. PT040205130003).

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Pedra da região, basalto, madeira, pavimento de laje e madeira, coberturas de telha.

Bibliografia

Santa Cruz, in Elucidário Madeirense, Funchal, 1978; PEREIRA, Padre Eduardo, Ilhas de Zarco, Funchal, 1968; PITA, Manuel Ferreira, Notas para a História da Freguesia de Santa Cruz, in Das Artes e da História da Madeira, nº 8, Funchal, 1951; Pedras e sepulturas laminadas flamengas do século XVI na Madeira, Islenha nº 4, pp. 120-127, 1989; O ex-libris de Santa Cruz, Jornal da Madeira, 6 Abril 1997; AVELLAR, Filipa Gomes do, Epigrafia e iconografia na Igreja de Santa Maria Maior do Funchal, Monumentos nº 19, pp. 73-83, 2003.

Documentação Gráfica

DRAC; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

DRAC; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DRAC; IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, MI

Intervenção Realizada

CMSC: 1998 - obras de restauro: renovação dos telhados e do reboco e impermeabilização das paredes.

Observações

*1 - As armas de Morais são as seguintes: partido: o 1º de vermelho, torre de prata lavrada, aberta e iluminada de negro movente de campanha de prata aguada de azul; o 2º de prata, amoreira arrancada de verde; *2 - Esta lâmina, partida em bocados, encontra-se guardada num armário da sacristia. *3 - A tampa sepulcral encontra-se coberta por uma estrutura de acrilico a fim de preservar a inscrição.

Autor e Data

Dina Jardim e Eduarda Gomes 1998 / Lina Oliveira 2003 e Filipa Avellar 2003.

Actualização

 
 
 
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