Igreja Paroquial de Canas de Senhorim / Igreja do Santíssimo Salvador

IPA.00004238
Portugal, Viseu, Nelas, Canas de Senhorim
 
Arquitectura religiosa, barroca. Vãos de molduras curvilíneas, em avental e polilobadas, arcos de volta perfeita e rebaixados sob frontões em cortina e de volutas, decorações conquiformes, empena de volutas, remates de fogaréus. Retábulo de talha dourada joanina, de arquitectura dinâmica com camarim provido de sanefa. A torre da fachada principal copiou o modelo da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Viseu, da autoria de António Mendes Coutinho, discípulo de Nicolau Nasoni.
Número IPA Antigo: PT021809010007
 
Registo visualizado 251 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, simples, de 2 rectângulos justapostos (nave e capela-mor). Massa de volumes articulados composta por nave e cabeceira, Baptistério adossado a S., Sacristia e torre sineira adossados a N., horizontalistas, excepto a torre. Coberturas diferenciadas de telhados a 2 águas na nave e cabeceira, a 1 água no Baptistério e Sacristia e coruchéu pétreo na torre. Fachada principal orientada a O. com embasamento pouco saliente, ao centro portal em arco rebaixado de moldura exterior curvilínea com frontão em cortina sobre pedra-de-armas, sobre aquele janela de moldura curvilínea flanqueada por 2 janelas gradeadas em arco rebaixado de moldura superiormente festonada encimada por frontão diminuto angular. Remate em empena curvilínea com pequenas volutas ladeada por fogaréus sobre os cunhais e rematada por arco de volta perfeita de onde se eleva uma cruz. À esquerda torre sineira com 2 vãos curvilíneos no 1º piso, relógio de sol no 2º e abertura sineira no 3º. À direita Baptistério, sem vãos. Fachada S. com embasamento pouco saliente; à esquerda corpo do Baptistério com vão único a S., de moldura lobulada encimada de frontão curvo; pano da nave com 2 pisos: no 1º portal moldurado em arco rebaixado sob frontão em cortina, no 2º 2 janelas profundas de moldura rectangular simples; à direita pano da cabeceira com embasamento pouco saliente e 2 janelas de molduras curvilíneas em avental decoradas com florões e concheados sob pequenos frontões em cortina. Remates em cornija; fogaréus e pináculos sobre os cunhais. Fachada E. com embasamento pouco saliente, sem vãos, remate em empena angular. Fachada N. com embasamento pouco saliente, à esquerda corpo da Sacristia com porta em arco rebaixado encimado de pequenas volutas e frontão contracurvado e vão lobulado idêntico ao do Baptistério; pano da nave com 2 pisos: no 1º porta moldurada em arco rebaixado sob frontão curvo e no 2º 2 janelas iguais às da fachada S.; à direita torre sineira de 3 pisos, 1º e 2º sem vãos nas faces E. e N., 3º com aberturas sineiras em arco de volta perfeita. Interior: Espaço de nave única com 3 janelas a O. a central mais elevada, de moldura curva, e coro-alto de balaustrada de madeira sobre arco pétreo rebaixado. No sub-côro a O porta principal, a S. Baptistério com altar e pia baptismal e a N. arco granítico e porta em arco cairelado. Paredes S. e N.: no 1º piso 1 porta de moldura rectangular e 1 capela lateral em arco de volta perfeita (a S. com imagem de Nossa Senhora sobre mísula e a N. com confessionário) e 2 janelas de moldura rectangular. Piso de lajes graníticas e tecto de masseira com caixotões e alguns florões dourados. A E. arco triunfal de volta perfeita flanqueado de 2 altares de urna com retábulos de talha branca e dourada, enquadradas por colunas de capitéis coríntios e encimadas por frontões contracurvados ladeados de arcanjos, tendo ao centro uma glória circundada por cabeças de serafins. Capela-mor com degrau decorado com pontas de diamante. Na parede S. 2 janelas de molduras curvilíneas; na parede N. 1 porta de moldura rectangular encimada por frontão interrompido de volutas, de acesso à Sacristia; parede E. totalmente coberta por retábulo de talha dourada com sacrário e tribuna apainelada flanqueada por 2 pares de colunas pseudo-salomónicas decoradas com folhas de acanto, rosas, malmequeres, pássaros e putti e pilastras postas em esquina nos intercolúnios, que suportam entablamento curvilíneo com sanefa. Tecto em berço de caixotões com 35 painéis pintados (5x7) com temas cristológicos e hagiográficos que incluem Apóstolos, Evangelistas e Doutores da Igreja, emoldurados de talha dourada com folhas de acanto e florões. A Sacristia possui um arcaz com embutidos de madeiras exóticas e uma pia de água-benta transformada em lavabo.

Acessos

Largo da Igreja (Largo Abreu Madeira)

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano. Em amplo largo arborizado circundado por edifícios de 2 pisos a E. e pelo Solar dos Abreu Madeira a O. (v. PT021809010015). Em destaque, isolada, rodeada por adro em plataforma cercado por muro com escadas a O. e a N..

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viseu)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Manuel de Oliveira (séc. 18) e Keil do Amaral (1960). DESENHADOR; Manuel de Oliveira (séc. 18). ENTALHADOR: Luís de Araújo (1784). CARPINTEIRO: José Simões (1779); PEDREIROS: Domingos Francisco, João da Silva, João Luís Gonçalves Pegas e João Manuel (1777), Domingos Rodrigues (1783).

Cronologia

Séc. 12 - fundação da primitiva igreja românica, de que não restam vestígios; 1321 - foi taxada em 80 libras; sécs. 13 / 14 - era padroado do Cabido da Sé de Viseu; séc. 16 - a igreja rendia 20$000; 1675 - pertencia ao arciprestado do Aro; tinha sacrário e dois altares colaterais, o de Nossa Senhora do Rosário e de São Pedro, além de uma capela particular, na nave, dedicada a São Bernardo, com imagem em pedra de Ançã *1; séc. 18, 2.ª metade - desenho do corpo da igreja por Manuel de Oliveira; 1730 / 1735 - reedificação da igreja, sacristia e capela-mor com retábulo, às custas do Abade e moradores; 1735, 6 Julho - licença para se benzer o altar; 1758 - o pároco era abade apresentado pelo Cabido da Sé de Viseu, tendo 50$000 de renda; tinha cinco altares, o mor, do Santíssimo Salvador, o de Nossa Senhora do Rosário, São Pedro, Almas e São Bernardo, e cinco confrarias, do Santíssimo Sacramento, Santíssimo Salvador, Menino Deus, Nossa Senhora do Rosário e São Pedro; 1777, 1 Dezembro - reconstrução do corpo da Igreja, então arruinado, e torre sineira, a cargo das confrarias e fregueses, sendo lavrada escritura de obrigação da obra de pedraria com os mestres pedreiros João Luís Pegas, Domingos Francisco, João Manuel e João da Silva, os três primeiros minhotos e o último de Avelâs, por 1:470$000, segundo o risco de Manuel de Oliveira, natural de Canas; 1779, 3 Maio - o mestre carpinteiro José Simões, de Sarzedo, ajusta toda a obra de carpintaria da igreja por 450$000; 1783, Dezembro - contrato com o mestre pedreiro Domingos Rodrigues de Magueija para executar o pavimento e as sepulturas, por 279$000; a obra decorreu por conta da Irmandade do Santíssimo Sacramento; 1784, 30 Maio - contrato para a feitura dos novos retábulos colaterais, da Senhora do Rosário e de São Pedro, em madeira de castanho, pelo mestre escultor Luís de Araújo, sendo utilizados os antigos até à sua conclusão; a obra importou 125$000, a cargo das Confrairas de Nossa Senhora do Rosário e Santíssimo Sacramento; 1784, 11 Setembro - licença para a benção da nova igreja concedida pelo provisor do bispado Dr. José Vaz Leitão; 1814 - lançada uma finta para reforma de um sino quebrado, que importou 40$000; 1960 - várias obras na nave e cobertura da mesma da autoria do arquitecto Keil do Amaral, por iniciativa do Padre Domingos Dinis de Sousa, sendo feitos os 112 caixotões e a torre.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra granítica irregular rebocada; cunhais, molduras, coruchéu e cantarias de granito de aparelho regular; balaustrada do coro-alto e tecto de madeira; cobertura exterior de telha.

Bibliografia

ALVES, Alexandre, Igrejas e Capelas Públicas e Particulares da Diocese de Viseu dos Sécs. XVII,XVIII e XIX, Rev. Beira Alta, vol. 24, Viseu, 1965, pp. 208-209; LOUREIRO, José Pinto, Concelho de Nelas - subsídios para a história da Beira, 3.ª ed., Nelas, Câmara Municipal de Nelas, 1988; ALVES, Alexandre, Notas e Documentos para uma Monografia da Vila de Canas de Senhorim e seu Termo, Rev. Beira Alta, vol. 54, Viseu, 1995, pp. 245-280; Canas de Senhorim - História e Património, Canas de Senhorim, 1996; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, 3 vols., Viseu, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/ DSID

Intervenção Realizada

1950 / 1960 - Diversas obras de restauro, incluindo o tecto da nave pelo arquitecto Keil do Amaral.

Observações

*1 - encontra-se na Casa Abreu Madeira, pois a Capela já não existe.

Autor e Data

Madeira Portugal 1991 / Lina Marques 1996

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login