Ponte sobre o Rio Lima

IPA.00000424
Portugal, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arca e Ponte de Lima
 
Ponte construída provavelmente no séc. 01, em estilo gótico, de tipo arco, e reformada na época medieval, passando a ser fortificada com duas torres, e integrada no sistema defensivo da vila. A ponte é formada por dois troços distintos: um romano, mais simples, mas também mais largo, como era comum nas pontes romanas, e um outro gótico já com dois arcos soterrados devido a arranjos urbanísticos. O troço romano tem aduelas rusticadas e com visíveis vincos fórfex. O troço medieval, em cantaria siglada, representa em Portugal um novo protótipo de ponte, imitando outras espanholas existentes no caminho para Santiago, como Puente la Reina (Navarra) ou a de Zamora e que depois se reproduziu no norte do país, em Ponte da Barca e em Vilar de Mouros.
Número IPA Antigo: PT011607350002
 
Registo visualizado 3411 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Transportes  Ponte / Viaduto  Ponte pedonal / rodoviária com torre-portagem  Tipo arco

Descrição

Ponte lançada sobre rio, formada por 2 troços distintos, um romano e outro medieval. O troço medieval, com tabuleiro rampante muito suave, assenta sobre 15 arcos quebrados à vista (um deles ainda com soleira), com talha-mares de forma prismática a montante encimados por olhais também de arco quebrado. Parapeito com alvéolos marcados e, sensívelmente a meio, na guarda a montante, cruzeiro de coluna facetada, cruz latina de braços em flor-de-lis e escudo no capitel. Pavimento lajeado e com ralos de escoamento para as gárgulas, de canhão, que se dispõem irregularmente. A N. subsiste base de uma das torres que a fortificava, de planta quadrangular, e com base avançando para jusante. Tem erguida "alminha", de planta rectangular, de frontespício revestido a azulejos, ladeado por aletas e encimado por frontão curvo com cobertura de telha coroada por pináculos e cruz. À torre liga-se o troço romano, muito simples, de tabuleiro rampante assente sobre 7 arcos a pleno centro e quebrado, dispostos irregularmente e de diferente vão. Um deles está encoberto a montante pelo maciço onde assenta a igreja de Santo António e um outro, a jusante, está entaipado. Parapeito marcado por alvéolos.

Acessos

Ponte de Lima, Largo Luís de Camões; Rua Conde da Barca. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,768742; long.: -8,584478

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DR, 1.ª série, n.º 269 de 21 novembro 1977

Enquadramento

Urbano, implantação destacada. Implanta-se directamente sobre terreno de aluvião, ligando a vila de Ponte de Lima à outra margem, conhecida como Além do Rio, erguendo-se entre os 2 troços que a compõem a Igreja de Santo António e, junto ao leito do rio, a capela de Nossa Senhora da Guarda.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes: ponte

Utilização Actual

Transportes: ponte

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 01 (conjectural) / 14

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Baltazar de Castro (1929).

Cronologia

Séc. 01 - provável construção do troço romano, visto por ela passar a via iniciada pelo Imperador Augusto; 1370 - segundo inscrição, concluiram-se as obras de fortificação da vila mandadas fazer por D. Pedro I e onde se integrava a ponte; 1504 - D. Manuel manda fazer novo calcetamento e colocar merlões; 1746, Dezembro - Corregedor pede à Câmara que mandasse tapar a pedra e cal a porta do torreão do meio da ponte; 1780 - figuração em desenho de Justino Valente ainda com os merlões coroando o parapeito; 1812 - segundo gravura inglesa, já não tinha os merlões; 1858 - fotografia mostrando ainda a torre velha, na margem direita; pouco depois, a vereação, alegando necessidades de tráfego, arrasa as torres; depois da demolição da torre velha, a lápide foi colocada sobre o 1º arco junto ao Largo Camões, ladeada por 2 anjos com turíbulos; 1862, 5 Junho - a Irmandade de Santo António, proprietária da torre velha desde tempos remotos, vendeu-a por 72$000 rs para a demolir; 1887 - Miguel Roque dos Reis diz que a ponte media 277 m. de comp. x 4 m. larg.; 1929, novembro - nomeação do arquiteto Baltazar de Castro para integrar a Comissão "para dar o parecer sobre as obras na Praça de Camões, das quais resulta o entaipamento de dois arcos da majestosa Ponte de Lima" (Portaria de 13 novembro 1929, Diário do Governo n.º 262, 2.ª série); com a remodelação do Largo Camões a lápide supra citada fica caída no chão, ao abandono, durante muito tempo, estando hoje recolhida no adro da Misericórdia; 1939 - cheias provocam o derrubamento de cerca de 30 m. de guardas.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante com aparelho "quadratum" e "vittatum".

Materiais

Estrutura em granito.

Bibliografia

LEMOS, Miguel Roque dos Reis, Apontamentos para as Memórias das Antiguidades de Ponte de Lima, s.l., 1873; PEREIRA, F. Alves, Os Arcos Romanos em Ponte de Lima in Limiana, nº 2, Ago. 1912, p. 29 - 35; AURORA, Conde d', Roteiros da Ribeira Lima, Porto, 1959; GUIMARÃES, Feliciano, Pontes e Calçadas in Lusíada, vol. 4, nº 13, Outubro 1960, p. 43 - 48; ARAÚJO, José Rosa de, Caminhos Velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima, Viana do Castelo, 1962; MACHADO, A. de Sousa, A Ponte Romana de Ponte de Lima, sep. Actas do I Colóquio Portuense de Arqueologia (STUDIUM GENERALE, vol. IX) Porto, 1962; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; Pontes Romanas de Portugal, [dir. Paulo Mendes Pinto], Lisboa, 1998.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1929 - Obras de alargamento do Lg. Luís de Camões entaipando 2 arcos da ponte; 1936 - conclusão das obras no lg. de Camões; restituição do cruzeiro existente a meio da ponte com a substituição do braço horizontal da cruz; colocação da lápide de D. Pedro I e chanframento da entrada da ponte; 1937 - construção de um aqueduto pela câmara junto a um dos arcos da ponte; 1938 - comparticipação de 2.500$00 para obra de recuo de prédios para rectificação da EN 12 na R. António Feijó; 1946 - reconstrução parcial dos talha-mares, alguns parcialmente demolidos; 1949 - Refechamento de juntas dos paramentos verticais da ponte; 1954 - colocação de uma coluna, armada em ferro, a montante da ponte e junto à entrada da vila destinada à montagem de linhas de alta tensão, pela Empresa Hidro-Eléctrica; 1959 - Consolidação urgente do troço mais antigo: demolição dos tímpanos, reforço das abóbadas com sobre - arcos de betão armado e reconstrução dos tímpanos pela Junta Autónoma de Estradas - Direcção dos Serviços de Pontes; Obras de conservação no trecho romano com 2 fases: a de super estruturas e a infra estrutura de protecção das fundações e pavimento; 1960 / 1961 - concretização das obras supra-citadas; 1962 - estudo do sistema de iluminação para a ponte romana; 1974 - colocação coaxial interurbano Braga - Viana, passando pela ponte sobre o Lima; 1988 - trabalhos de construção civil e electricidade; trabalhos de recuperação e consolidação - reforço de cantarias das abóbadas; 1989 - iluminação pública; remoção do lajedo existente, fornecimento e assentamento de um novo, consolidação e limpeza geral; 1990 - continuação da pavimentação; 1991 - encontrados 5 merlões da ponte no rio; continuação da pavimentação: remoção do lajedo existente, fornecimento, e assentamento do novo, consolidação das abóbadas e limpeza geral; 1993 - iluminação dos arcos com projectores estanques para lâmpadas tubulares; CMPL: 1997 - revalorização da ponte (1ª fase), com recolocação parcial de merlões sobre o parapeito.

Observações

A ponte, e especificamente o seu troço romano, ficava no trajecto de uma das vias militares do antigo "Conventus Bracaraugustanus", que de Braga ia para Tuy, mandado abrir pelo Imperador Augusto no séc. 1. Ainda se conserva parte da torre velha que defendia a sua entrada. Da torre dos Grilos, que ficava no extremo oposto, já no alinhamento das muralhas, onde hoje é a R. Amoroso Lima, já não há vestígios. A estereometria do aparelho permite detectar várias reconstruções que segundo A. de Sousa Machado se alinham da seguinte forma: 1 - inicialmente tinha o seu leito horizontal; 2 - reconstrução com pavimento formado pelo extradorso dos arcos ligados entre si por pedra e entulhados, notando-se ainda as relheiras; 3 - recobre-se os arcos, ficando com pavimento de cavalete, mas desprezando-se parte da largura dos arcos primitivos (cerca de 50 a 70 cm. de cada lado), os quais já não foram totalmente aproveitados para o leito da ponte; 4 - a ponte medieval foi emendada na romana, da igreja de Santo António para O., no maciço que separa os seus 5 arcos romanos (4 de volta perfeita e o 5º apontado) dos outros 2, já de reconstrução medieval como denota o seu aparelho e as siglas. Segundo documento arquivístico as obras foram terminadas já no reinado de D. Fernando.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / 1995

Actualização

 
 
 
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