Central Tejo / Museu da Electricidade

IPA.00004306
Portugal, Lisboa, Lisboa, Belém
 
Arquitectura industrial, novecentista. Fábrica de produção de energia eléctrica, a vapor, composta por um núcleo de vários edifícios, que foram sendo construidos consoante as necessidades de acompanhar a modernização e intensificação da produção de energia, composto por dois edifícios das caldeiras, escritório ou edifício sede e casa do guarda. Os edifícios criam pequenos pátios internos, sendo de plantas regulares, construídos em ferro, tijolo e betão, revelando os materiais mais em voga na altura, com fachadas imponentes, com amplos janelões e jogos de saliências e ressaltos, dinamizando exteriormente a sua aparência. As janelas são rectilíneas ou em arco de volta perfeita, emolduradas por cantaria ou betão apenas na zona superior, como era usual no período. O interior é estritamente funcional, composto por escadarias de metal, plataformas, elevadores, passadeiras, fornalhas e tubagem, que permitiam a entrada do carvão, utilizado, incialmente como matéria-prima, e a sua transformação em energia.
Número IPA Antigo: PT031106320156
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Núcleo construído *1, composto por vários corpos articulados, que formam uma planta rectangular irregular e alongada, de volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e quatro águas, envolvido por muro de tijolo a S. e E., surgindo, no primeiro, o portão de acesso, flanqueado por dois altos pilares, capeados a ponta de diamante, com grades metálicas nas demais fachadas. No lado esquerdo, possui pavimento em calçada, com canteiros de relva, onde se ergue amplo elemento cilíndrico escalonado, o inferior pintado de amarelo e constitundo uma zona de restauração. O núcleo museológico, propriamente dito, é composto por cinco corpos, o de maiores dimensões correspondente ao Edifício das Caldeiras de Alta Pressão, o seguinte, correspondente ao Edifício das Caldeiras de Baixa Pressão, seguindo-se um mais baixo, da Galeria das Bombas e um mais alto correspondente à Casa das Máquinas, e, no extremo direito, o Edifício Administrativo, todos com construção em ferro, forrados a betão no primeiro registo, e com os restantes pisos em tijolo vermelho, rasgados por janelas com caixilharias de ferro e vidro simples, possuindo, entre eles, alguns pátios de plantas irregulares. EDIFÍCIO DAS CALDEIRAS DE ALTA PRESSÃO de planta poligonal irregular, com a fachada principal virada a E., dividida em três registos separados por friso e cornija de betão, com mais dois registos no lado direito, dividida em quatro panos, divididos por pilastras. No piso inferior, surgem dois vãos rectilíneos, compondo uma janela de peitoril e, ao centro, uma ampla porta; no lado direito, escada de dois lanços divergentes, em betão, com guarda do mesmo material e corrimão saliente, em cantaria, com o patamar apoiado por pilar, dando origem a um alpendre na zona inferior; o patamar, já no segundo registo, acede a porta de verga recta com moldura saliente em betão. No segundo registo, rasga-se, em cada pano, um amplo janelão em arco de volta perfeita, o do extremo direito de menores dimensões, devido à existência da porta, encimados e unidos por moldura de betão corrida. O terceiro registo é formado, em cada pano, por apainelados rectangulares com molduras de betão. No pano extremo direito, surgem mais dois registos, um em tijolo, com janela rectilínea e moldura também em tijolo, encimado por um registo em ferro, cego e pintado de cinzento. A fachada lateral esquerda, virada a N., tem três registos semelhantes aos da fachada anterior, compondo oito panos, surgindo, no registo inferior, em cada um deles, uma janela de peitoril rectilínea. Nas coberturas, três chaminés cilíndricas. A fachada lateral direita, virada a S., com cinco registos, o superior metálico e correspondente ao Castelo da Água, e oito panos, sete deles semelhantes aos da fachada anterior, surgindo, no primeiro piso, uma porta no sétimo pano. O oitavo possui dois corpos adossados e escalonados, também em tijolo, que constituíam o depósito de carvão e o "skip" das cinzas, aparecendo, ainda, um telheiro apenas com um piso. No quarto registo surge uma janela e, do terceiro, saem dois alcatruzes metálicos, por onde entrava o carvão, que ligam ao edifício anexo, dividido em vários registos, rasgados por vãos rectilíneos apenas nos superiores, saindo, na face S. de um deles, dois alcatruzes, também metálicos, que entram no telheiro. Junto a este telheiro e no pátio, ergue-se uma torre isolada, com um elevador que liga ao telheiro, de planta quadrangular, com características semelhantes ao depósito do carvão, com janelas no último registo, funcionando, actualmente, como um pequeno bar, com esplanada exterior. Fachada posterior parcialmente adossada, de três registos, dividida em quatro panos, semelhantes aos das demais fachadas, o do extremo direito rasgado por porta de verga recta, elevada relativamente ao pavimento, com acesso por escadas de dois lanços e guardas plenas de cantaria. O EDIFÍCIO DAS CALDEIRAS DE BAIXA PRESSÃO apresenta planta rectangular simples, encontrando-se parcialmente adossado ao anterior, tendo, na fachada principal, virada a O., três panos, o central ligeiramente saliente e mais estreito, sendo os laterais divididos em três registos. O pano do extremo esquerdo apresenta o primeiro registo adossado ao corpo descrito anteriormente, surgindo, no segundo, apainelados rectilíneos, a que se seguem três janelões em arcos de volta perfeita, assentes em pilares, com molduras comuns de betão; remata em empena truncada por friso e elemento contracurvo, ambos em betão. O corpo do extremo direito tem um remate semelhante, possuindo o registo inferior cego, tendo, no do lado direito, umas escadas metálicas de acesso ao segundo registo, com porta de verga recta e moldura almofadada, ladeado por dois apainelados cegos. Superiormente, surgem três janelas rectilíneas, divididas por pilatras, com pano de muro superior, encimado por três janelas em arcos de volta perfeita, com molduras comuns de betão. O corpo central encontra-se flanqueado por pilastras salientes e seccionadas por frisos de betão, tendo o primeiro registo adossado ao telheiro do edifício anterior, surgindo, no segundo, uma ampla porta de verga recta, protegida por folha em ferro pintado de cinzento, sobrepujada por janelão em arco de volta perfeita, rematado por cornija curva de betão. O pano superior é cego, flanqueado por pilastras de betão, rematado por frontão triangular do mesmo material. A fachada lateral esquerda está virada a N., com três registos e sete panos, divididos por pilastras, o inferior rasgado por seis janelas de peitoril rectilíneas e por ampla porta de verga recta, rasgada no segundo pano e que se prolonga pelo registo superior, rematando em friso. O segundo registo apresenta apainelados quadrangulares cegos, excepto no segundo pano, encimado por janelas em arcos de volta perfeita, com moldura de betão corrida. No piso superior, as pilastras apresentam-se almofadadas e os panos surgem intercalados, cegos ou com janelas rectilíneas. Adossado, apresenta pequeno tubo de ferro, que se eleva sobre a cobertura. Fachada lateral direita, virada a S., composta por três panos definidos por pilastras almofadadas, com quatro registos, o inferior com portas, o segundo com painéis almofadados, a que se seguem, o terceiro, rasgado em cada pano por três janelões em arco de volta perfeita com molduras de betão corridas, sobrepujados por um registo com três janelas quadrangulares em cada pano. Fachada posterior parcialmente adossada ao edifício seguinte, sendo visíveis, no piso superior, janelas rectilíneas rematadas por frisos de betão. O EDIFÍCIO DA GALERIA DAS BOMBAS é de pequenas dimensões, surgindo no enfiamento do anterior, com remate em platibanda plena, tendo, na fachada N., dois registos, o inferior com duas janelas em arco abatido e jacentes, surgindo, no piso superior, duas janelas em arco de volta perfeita, com molduras superiores corridas e com pedra de fecho saliente, tudo em betão; adossada à estrutura, tubo circular, de ferro, pintado de cinzento; na face virada a E., possui, no registo inferior, porta de verga recta e, no superior, janelas semelhantes às anteriores. EDIFÍCIO DA SALA DAS MÁQUINAS de planta rectangular, com as fachadas N. e S. semelhantes, de dois registos, rasgadas por janelas em arco abatido jacentes, a S. com uma porta de acesso. Superiomente, surgem dois pilares que se elevam sobre a cobertura, seccionados por frisos de betão, que circunscrevem três janelas em arco de volta perfeita, a central de maiores dimensões, com moldura superior corrida e com pedra de fecho saliente, em betão, o central, flanqueado por dois pequenos óculos; a estrutura remata em empena truncada por duplo friso, o superior saliente. As fachadas laterais são semelhantes, parcialmente adossadas a edifícios, sendo visível, superiormente, a divisão em registos, por pilastras salientes, sendo ornado por apainelados quadrangulares, com molduras inferiores e superiores de betão. O EDIFÍCIO DA SUBESTAÇÃO é de planta rectangular irregular, com a fachada lateral direita virada a E., composta por vários panos escalonados e salientes, uns rematando em friso, outros em platibanda plena. Fachada posterior virada a N., de disposição simétrica, a partir de um pano central ligeiramente saliente e mais alto, flanqueado por pilastras salientes, com dois registos separados por friso saliente, surgindo, no superior, três pisos, com o registo inferior rasgado por três janelas jacentes, rectilíneas, encimadas por elementos almofadados, em betão. Os pisos superiores são rasgados por três janelas em cada piso, as inferiores rectilíneas e as superiores em arco de volta perfeita, todas com molduras de betão, as superiores corridas e com fechos salientes. Os panos laterais possuem embasamento de betão e remate em platibanda plena, o do lado esquerdo com um eixo de vãos, o inferior rectilíneo e o superior em arco de volta perfeita, semelhantes aos do pano central; o lado direito encontra-se parcialmente adossado ao piso inferior do edifício anexo, possuindo janela rectilínea entaipada e uma em arco de volta perfeita, com a zona inferior entaipada, com moldura semelhante às anteriores. Junto a este, a maquinaria de onde sai a electricidade para o abastecimento. EDIFÍCIO DOS ESCRITÓRIOS com fachada principal virada a S., evoluindo em quatro pisos, o inferior revestido a betão e os superiores em tijolo aparente, o primeiro com ampla porta de verga recta e os superiores, com janelas bífidas com peitoril e verga sublinhados por friso de betão; ao centro, em cantaria, a inscrição, disposta na vertical "E.C.R.G.E.". A fachada lateral esquerda encontra-se parcialmente adossada, sendo visíveis dois registos com janelas em eixo, sendo a lateral direita composta por vários panos, alguns em ressalto, rasgados por janelas rectilíneas nos dois primeiros pisos e por janelas em arco de volta perfeita no último, todos sublinhados por molduras de cantaria ou betão. Adossado, um pequeno corpo de dois pisos, rematado por platibanda plena e rasgado por vãos rectilíneos. A CASA DO GUARDA situada junto à entrada principal, de planta rectangular simples e evoluindo em dois pisos, com cobertura homogénea em telhado a quatro águas, rasgado, em cada fachada, por dois vãos em arco abatido e molduras de betão na zona superior, os inferiores compondo portas e janelas de peitoril, que se repetem no segundo piso. Separado por uma grade, surge uma pequena CASA, actual sede do conjunto, de dois pisos e cobertura a quatro águas com mansarda, com as fachadas rebocadas e pintadas de rosa, rasgada, uniformemente por vãos rectilíneos, emoldurados na zona superior. O INTERIOR encontra-se sujeito a um percurso museológico, processando-se o acesso por uma ampla recepção, situada no Edifício da Casa das Caldeiras de Alta Pressão, onde se mantém o equipamento original, com quatro caldeiras, com as respectivas tubagens e os silos de carvão que as alimentavam, conduzidos por tubos até aos "sem-fins". O edifício possui várias estruturas de ferro, constitundo escadas e passadiços, onde os trabalhadores monotorizavam o percurso do carvão até às caldeiras. O Edifício das Caldeiras de Baixa Pressão possui exposições temporárias, sendo um espaço amplo, onde ainda se vislumbram os silos do carvão, surgindo, no lado N., a Galeria das Bombas de Alimentação. A Sala das Máquinas mantém a antiga sala de comando, a Sala do Quadro da Subestação, no piso superior, surgindo, no inferior, os condensadores, os barramentos de saída da electricidade e, sob estes, as entradas e saídas de água para refrigeração da maquinaria. No interior, surgem várias peças que se conectam com a história da electricidade no séc. 19, painéis explicativos sobre o funcionamento das várias caldeiras que se mantêm, surgindo, ainda, vários painéis, mostrando a evolução da produção de electricidade em Portugal até 1989, com referência à construção das várias estações hidroeléctricas.

Acessos

Avenida Marginal e Avenida da Índia, na zona de Belém. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,695823; long.: -9,194977

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 1/86, DR, 1.ª série, n.º 2 de 03 janeiro 1986 / ZEP, Portaria n.º 140/93, DR, 2.ª série, n.º 145 de 23 junho 1993

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, isolado, protegido, em todo o seu perímetro por muro separador, parcialmente em alvenaria rebocada e parte em grade metálica, que delimita a zona ajardinada no lado esquerdo. Está implantado de forma harmónica numa área de cerca de 400 m, na margem N. do Rio Tejo, junto ao qual se encontra, tendo, na fachada posterior, zona ajardinada e passando, nas imediações, a linha férrea de Cascais. O conjunto tem acesso por dois portões, um no lado esquerdo e outro na fachada principal, virado ao Rio, abrindo, directamente, para uma estreita via pública marginal.

Descrição Complementar

O princípio da produção de energia e de funcionamento das fornalhas era relativamente simples, com a entrada do carvão, através de um elevador, nas fornalhas, que produziam vapor, transformado em energia, sendo o sistema arrefecido pela água do Rio Tejo, que entrava num reservatório, o Castelo da Água; num piso inferior, ficavam os cinzeiros, onde se acumulava a cinza resultante da combustão do material. A Sala das caldeiras de baixa pressão possuía dez caldeiras, todas desaparecidas, surgindo, no local, alguns instrumentos ligados à actividade, em exposição. Na Sala das Caldeiras de Alta Pressão, mantêm-se, inoperacionais, quatro caldeiras, cujo processo de funcionamento era, na generalidade, semelhante ao anterior, mas possuía ventiladores de ar a vários níveis (primário e secundário), que arrefeciam o alternador, junto aos quais circulava, também, a água do Tejo. Surgem vários painéis a contar a história da energia.

Utilização Inicial

Industrial: central eléctrica

Utilização Actual

Cultural: Museu da Electricidade

Propriedade

Privada: pessoa colectiva / Pública: Estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Cristino da Silva (séc. 20); Tomás Taveira (séc. 20). ENGENHEIROS: Fernand Touzet (1912); Jaime Martins (1936-1938); João Franco Tojal (1936-1938).

Cronologia

1878, Outubro - ocorre em Lisboa a primeira experiência de iluminação eléctrica exterior, a partir de uma central geradora instalada na actual Rua Serpa Pinto, que fornecia energia para seis candeeiros, a expensas do rei D. Luís; 1886 - a Câmara Municipal de Lisboa termina o contrato com a Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás, responsável pela iluminação da cidade, que continuou, contudo, a laborar; 1887, Abril - concurso internacional para fornecimento de gás à cidade, tendo vencido a empresa S.A. D'Eclairage du Centre, de Bruxelas; 14 Outubro - celebração do contrato; Novembro - a empresa concessionária, conjuntamente com o Banque d'Escomptes de Paris, Comagnie Générale pour l'Eclairage e Chauffage par le Gaz, S.A., da Bélgica e a Compagnie Générale Française et Continental d'Eclairage constitui, a S.A. Gás de Lisboa, com um capital de 1260:000$000 réis; 1888, Março - início de funcionamento da fábrica; Outubro - além da rede pública, a Fábrica abastecia 2728 consumidores privados, que começavam a aderir à aplicação de gás nas cozinhas; 1889, 1 Junho - a empresa criou uma fábrica geradora de luz eléctrica para as ruas da cidade; 1891, 10 Junho - fusão da Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás e a Gás de Lisboa; Fevereiro - a fusão de ambas as sociedades esteve na origem de um novo contrato, em que se comprometiam em fornecer energia eléctrica à cidade, mais precisamente à Avenida da Liberdade, dando origem às Companhias Reunidas de Gás e Electricidade; 1901 - um novo contrato, estabelece o fornecimento de iluminação eléctrica a outras zonas da cidade, ao mesmo tempo que alguns particulares aderiam a este tipo de iluminação; 1902 - 1903 - foi construída a primeira central eléctrica na Rua da Boavista, que, poucos anos depois, era exígua em relação às necessidades dos consumidores; 1906 - 1907 - a CRGE (Companhias Reunidas de Gás e Electricidade) adquire o terreno para a construção de uma "nova fábrica central de electricidade da Junqueira", em terrenos conquistados ao Tejo, adquiridos à Companhia de Açúcar de Moçambique, próximo de Belém, numa zona industrial; 1908 - início da construção do edifício, a que se anexavam duas barracas de madeira, uma arrecadação e a casa do guarda; a produção destinava-se à iluminação pública das zonas da Rua D. Pedro V, R. do Carmo, Camões e zona envolvente ao Palácio das Necessidades, servindo particulares nas zonas da Avenida 24 de Julho, Praça do Comércio, Rua da Madalena, Rua da Palma, zona do Campo dos Mártires da Pátria, Rua do Telhal, Rua do Salitre, Praça do Príncipe Real, Calçada do Combro, Calçada da Estrela e Rua D. Carlos I; 1909 - construção do armazém, oficina e casa de habitação do chefe de serviço; inauguração da nova central de Lisboa *2; 1912 - execução de várias ampliações na Casa das Caldeiras e Casa das Máquinas, com a substituição de uma chaminé de ferro por uma chaminé de tijolo, correspondente à nova casa das caldeiras, construída por Fernand Touzet; 1914, Abril - encomenda de uma bateria de seis caldeiras à Alemanha, que não chegou pelo eclodir da I Guerra Mundial; Junho - pedido do mesmo tipo de máquina a Inglaterra que também não viria a chegar a Portugal; 1916 - o fornecimento foi afectado com o bloqueio marítimo estabelecido pelos alemães, cessando em finais deste ano; 1916, Outubro - encomenda de uma máquina deste tipo à Suiça; 1918 - construção de uma nova casa das caldeiras; 1919, Outubro - a máquina proveniente da Suiça começa a laborar; 1921 - todo o material que tinha sido instalado no edifício é desmontado por se encontrar tecnicamente ultrapassado e em mau estado, sendo adquiridas máquinas à Alemanha e Inglaterra; 1922 - retoma do fornecimento, após os problemas ocasionados pelo fornecimento de combustível durante a I Guerra Mundial, mas com algumas deficiências; 1928 - novo contrato entre a Companhia e a Câmara de Lisboa, para remodelar gratuitamente a iluminação pública, a gás ou electricidade, compensada pelo aumento das tarifas de abastecimento ao público; final da década - o governo legisla, tendo em vista a criação de uma rede eléctrica nacional; 1930 - o raio de acção alarga-se, havendo contactos com as regiões de Mafra, Loures, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço; 1934 - execução de sifões de aspiração e descarga de água da condesnsação, no Rio Tejo; 1936 - 1938 - com a utilização de caldeiras de alta pressão e a instalação de quatro exemplares, foi necessário construir um novo edifício, conforme projecto de engenheiros belgas, com a construção acompanhada pelos engenheiros portugueses João Franco Tojal e Jaime Martins; 1939 - é terminada uma sala de caldeiras de alta pressão; 1939-1945 - produção de 900Gwh, 655 com combustível importado e o restante com combustível nacional; 1939 - 1945 - devido à II Guerra Mundial, a Central passa por várias dificuldades, mas não diminuíu a sua produção; séc. 20, década de 40 - construção de várias hidroeléctricas, mas sem um plano geral, criando diferenças de tensão e frequências; 1940 - montagem da Fábrica de Gás da Matinha; 1943 - esta começa a laborar; 1944, 26 Dezembro - lei da electrificação nacional; 1945,15 Setembro - o decreto 34.919 determina a participação maioritária do Estado nas empresas concessionárias dos aproveitamentos hidroeléctricos; 1948 - devido a problemas de falta de água, começa a fornecer a Hidroeléctrica do Alto Alentejo; 1950 - com a construção da era das grandes centrais hidroeléctricas de que a Central de Castelo de Bode é o primeiro exemplo, fecha-se o ciclo de ouro da Central Tejo; transporte de um rotor de 70 toneladas da Central Tejo para a barragem do Castelo de Bode; 1951 - inauguração da hidroeléctrica do Castelo de Bode; 1954-1972 - a Central continua a funcionar para suprir necessidades pontuais; 1963 - construção da central térmica do Carregado, conforme um projecto franco-belga; 1966, 6 Outubro - o Governo criou a Companhia Portuguesa de Electricidade; séc. 20, década de 70 - construção de várias centrais e ligação à rede espanhola; 1972 - a Central Tejo deixa de laborar; 1975 - a Fábrica foi totalmente desactivada; 1976 - foi incluída no património da Electricidade de Portugal; 1986, 3 Janeiro - decreto a instituir o Museu da Electricidade; 2001 - início da remodelação do edifício; 2006, Maio - reabertura ao público, após remodelação profunda, tendo em conta os novos conceitos museulógicos.

Características Particulares

Fábrica de produção de energia extraordinariamente bem conservada, transformada em núcleo museológico, sendo possível, do ponto de vista teórico e visual, acompanhar o processo de fabricação de energia até ao resultado final, com a presença de vários candeeiros metálicos no seu interior, bem como verificar parte do equipamento íntegro no local. O que não se encontra conservado, está explícito em enormes painéis, que explicam os processos de funcionamento dos mesmos e do aparecimento das principais fontes energéticas alternativas, como as barragens hidroeléctricas. O conjunto de edifícios ostenta uma uniformidade de estilo, apesar de terem sido realizados em épocas distintas e por engenheiros e arquitectos com formações diversas, denotando um respeito pela unidade de estilo relativamente ao edifício original.

Dados Técnicos

Estrutura de betão, ferro e tijolo.

Materiais

Estrutura em ferro, betão e tijolo; modinaturas e remates em betão; caixilharias em ferro e vidro simples; tubos, chaminés e portas em ferro. Fornalhas e tubos em metal.

Bibliografia

ATAIDE, Maia, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, 3º Tomo, 1988. ALMEIDA, Pedro Vieira de e FERNANDES, José Manuel, História da Arte em Portugal, Vol. XIV, Lisboa, 1986; BASTOS, Sousa, Lisboa Velha - Sessenta Anos de Recordações (1850 a 1910), Lisboa, 1947; Um Século de Electricidade, Lisboa, Museu da Electricidade, 1990; FERREIRA, Maria Odete da Silva Amador e FREIRIA, Maria Luísa Mendes Moller, A Central Tejo, Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1997.

Documentação Gráfica

CML

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; CML

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID-001/011-018-1668/6; CML

Intervenção Realizada

EDP - séc. 20, década de 80 - restauro do imóvel, arruinado em algumas zonas, transformando-o em núcleo museológico, com a criação de áreas de exposição, painéis informativos sobre a maquinaria que se mantém no local, relativo ao processo de produção de energia e aproveitamento de algumas zonas para restauração.

Observações

*1 - a primeira Central construída era mais simples, como se depreende de registos fotográficos antigos, que mostra a fachada virada a S., sendo composta por um edifício central, de planta rectangular, e de três pisos, dividido em três panos por pilatras, com o central mais elevado e rematado em empena, tendo, no piso inferior, uma porta central de verga recta, flanqueada por duas janelas de peitoril rectilíneas, surgindo, no segundo piso, quatro janelas semelhantes às anteriores e no terceiro, envolvidas por arco de volta perfeita com dois medalhões, duas janelas de peitoril rectilíneas, que contrastam com as de arco abatido dos panos laterais. Anexo, um edifício de planta rectangular, de fachadas cegas, a que se adossa, enorme chaminé metálica e um edifício de menores dimensões, com três janelas jancentes. Junto ao portão, a casa do guarda, de dois pisos, o inferior com janelas em arco de volta perfeita e o superior com janelas de maiores dimensões e rectilíneas. A fachada posterior mostra o edifício central com dois pisos e três panos, rematado em empena, o inferior com porta, flanqueada por janelas, todas rectilíneas, encimadas por janelas em arco abatido, nos panos laterais e por amplo janelão em arco de volta perfeita no central. No lado direito, uma chaminé de tijolo e vários edifícios de um único piso, rasgados superiormente por vãos, surgindo, o lado oposto, o Edifício das Caldeiras de Baixa Pressão. *2 - possuía dois cais privativos para descarga de matéria-prima para o seu funcionamento, a Ponte Pequena e a Ponte Grande, de que se mantêm vestígios.

Autor e Data

João Silva 1992 / Paula Figueiredo 2008

Actualização

 
 
 
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