Convento de Cristo / Mosteiro de Cristo

IPA.00004718
Portugal, Santarém, Tomar, União das freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais
 
Arquitectura religiosa e militar, românica, gótica, manuelina, renascentista, maneirista, barroca. Capela-mor de planta centralizada, adaptação da primitiva rotunda românica templária inspirada no modelo oriental das igrejas circulares italo-sírias e na linha arquitectónica do templo do Santo Sepulcro de Jerusalém. Claustros góticos com arcadas quebradas sobre colunas grupadas, característica da época *8. Nave manuelina de espaço unificado coberta com abóbada rebaixada, polinervada, com combados, sobre mísulas. Portal-retábulo preenchido com grutescos, elementos vegetalistas e estátuas de vulto. Janelas, frisos e platibandas do corpo manuelino com decoração vegetalista, emblemática e grutescos. A planta do conjunto monacal quinhentista parece inspirar-se na do Ospedale Maggiore em Milão (KUBLER, 1927). Claustro de D. João III maneirista, com alçados inspirados no pórtico da basílica de Vicenza de Jacopo Sansovino, solução dos chanfros dos ângulos, bebida no pátio da Imperiale Nuova, de Genga (COELHO, 1987). Solução barroca na fachada NE. do Convento, com frontões contracurvados e pináculos moldurados rematando a Sala dos Cavaleiros.
Número IPA Antigo: PT031418120002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino (casa-mãe)  Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão

Descrição

Complexo monacal de planta irregular, composta pela igreja, claustros e dependências conventuais. Coberturas diferenciadas em telhado e em terraço. Volumes articulados em disposição horizontal quebrada pelo verticalismo da Charola (oratório templário primitivo). Torre de planta poligonal, originalmente integrada no sistema de fortificação amuralhado, a Charola é o centro irradiador de todo o complexo edificado e constitui ainda o seu elemento visual dominante. A E. erguem-se os claustros góticos do Cemitério e da Lavagem, a Capela de S. Jorge e as ruínas dos paços medievais, primeiro conjunto de construções anexadas à Charola. A NE. a Sacristia Filipina e atrás desta, já integrado na fachada N. do complexo, o corpo das Enfermarias (rematado pela Sala dos Cavaleiros) e da Botica. A O. sacrificando-lhe 2 faces, encosta-se o corpo da Igreja manuelina e depois desta, os claustros e dependências conventuais resultantes das reformas quinhentistas, que se articulam ortogonalmente a partir da, planta cruciforme dos Dormitórios, cujos braços se desenvolvem no sentido N.-S. e E.-O. A E. do cruzeiro dos Dormitórios, no prolongamento da nave manuelina, situa-se o claustro de Santa Bárbara, a NE. o claustro da Hospedaria, a NO. o da Micha, a O. o das Necessárias, a SE. o de D. João III ou Filipino e antiga sala do capítulo e a SO. o dos Corvos. Fachada E.: Botica, no seguimento da muralha, e Sala dos Cavaleiros, no ângulo NE., com fachada dupla sobre embasamento em talude, rasgada por janelas de sacada e encimada por frontões contracurvados. Fachada N. formada pela Portaria Real, entre o corpo das Enfermarias e o da Hospedaria, a que se segue a fachada dos Dormitórios, rematada por frontão triangular, e o corpo da Micha, rasgado pela antiga Portaria. A fachada O. é cercada por muro alto, por trás do qual avulta a cobertura tripartida do Noviciado e a massa prismática das Necessárias. Fachada S. realçada pela arcaria do aqueduto dos Pegões, apoiada em plataforma rusticada, corresponde ao corpo do Claustro dos Corvos, Dormitórios e Claustro de D. João III, este encostado à Casa do Capítulo, assente em embasamento de talude. IGREJA: Planta composta por 2 corpos diferentes: Charola poligonal românica de 16 faces (actual cabeceira), com contrafortes nos ângulos, frestas em panos alternados, cachorrada sob murete rematado por merlões e torre sineira a SE.. Adossado a O. adaptando-se ao desnível do terreno, situa-se o corpo da nave manuelina assente num forte embasamento e marcado por registos sobrepostos divididos horizontalmente por frisos decorativos, contrafortes salientes e moldurados (mais robustos nos ângulos NO. e SO.), revestidos por pujante decoração naturalista e emblemática manuelina, também presente nas molduras das janelas que rasgam a caixa murária, por vezes em associação com elementos platerescos. Estes janelões possuem 2 ou 3 arquivoltas de decoração vegetalista, grutescos e heráldica manuelina. O remate é feito por cornija de folhagem e platibanda rendilhada de 2 registos com esferas armilares e cruzes da Ordem de Cristo. Portal a S., profundo, entre 2 contrafortes prismáticos e escalonados, rematados em pináculos de colchetes, unidos superiormente por arco em asa-de-cesto com rosetas e cairéis de cogulhos que antecede estreita abóbada rebaixada polinervada com bocetes vegetalistas pendentes. O portal possui 3 arquivoltas em arco pleno, delimitadas por colunelos sobre bases facetadas, a 1ª com grutescos onde na base do lado direito se encontra, inscrita em faixa, o ano de 1515 e assinatura de João de Castilho, a 2ª com enrolamentos de folhagem que se elevam a partir de um cesto, por entre os quais avultam anjos, e a 3ª por rosetas quadrifoliadas, mais pequenas e ladeadas por colunelos torsos nos pés-direitos. Do extradorso, decorado com cogulhos de acanto, eleva-se moldura ondulante rematada em canopial, decorada com rosetas e cogulhos, que alberga esfera armilar suportada por 2 meninos, e é encimada por friso torso com rendilhado e mísula vegetalista com imagem da Virgem com o Menino sob baldaquino. Ladeiam-na pilastras e colunelos estriados que intercalam nichos com estátuas de Profetas e Doutores da Igreja em 3 registos. O conjunto é encimado por tronco podado a formar arco polilobado com florões nos vértices e rematado por Cruz da Ordem de Cristo. O acesso ao interior da igreja faz-se por uma porta de madeira apainelada e pregueada, datada de 1703. INTERIOR: Charola composta por deambulatório anelar, com 16 faces no seu perímetro periférico, coberto por abóbada de berço suportada por arcos torais de volta perfeita, envolvendo tambor central octogonal. Este é composto por 2 andares: no 1º rasgam-se arcos esguios, ligeiramente apontados; no 2º, frestas simples ou de remate trilobado, sendo o interior do octógono coroado por cúpula nervurada de oito panos. A exuberante decoração - estatuária, pintura, estuques, frescos e outros elementos complementares - pertence, sobretudo, à época das obras manuelinas quando, igualmente, duas faces da Charola foram rasgadas pelo arco de acesso à nave, adaptação atribuída a João de Castilho, que assim transformou o oratório templário primitivo em capela-mor do novo templo. As outras 14 faces do muro periférico do deambulatório, alternadamente rasgadas, no alto, por estreitas frestas, encontram-se divididas por colunelos, de onde arrancam os arcos torais da abóbada. Nas faces situadas imediatamente à esquerda e direita do arco triunfal, abrem-se duas capelas decoradas com talha setecentista. A nave manuelina é um espaço unitário de 3 tramos cobertos por abóbada polinervada, com cruzeiros, liernes e terceletes unidos por combados torsos formando grandes pétalas em chaveta, decoradas com bocetes vegetalistas. A abóbada apoia-se em mísulas muito desenvolvidas (decoradas com elementos vegetalistas, meninos, anjos, esferas armilares, cruzes da Ordem de Cristo, escudos reais e flor da pimenta), unidas por friso de rosetas que corre a todo o perímetro das paredes da nave. Na parede O., óculo profundo de estrias radiantes envolvido por moldura torsa. A N. e S. 2 janelões emoldurados periferiacmente por colunelos torsos, subsistindo no intradorso vestígios de decoração de troncos podados saíntes de cestos. O portal da igreja é formado, no interior, por arco abatido com elementos vegetalistas entre duas colunas torsas. A E., amplo arco de acesso à Charola profusamente pintado, com medalhões dos Evangelistas no intradorso onde, suspenso do lado S., se encontra o púlpito, composto por base circular de pedra e sobre esta, um peitoril de balaústres encimado por baldaquino. Do lado N. existe versão do mesmo púlpito, mas pintada em Trompe-l'oeil. Uma teia alta em pau-santo, esquinada por balaústres em brecha, separa o espaço da Charola do corpo da igreja. Abarcando 2 tramos desta, a O., situa-se o coro-alto com cadeiral setecentista de dois níveis de cadeiras dispostas em "U", que substitui o gótico primitivo. O espaço é protegido por teia em pau-santo integrando 4 balaústres em pedraria que assenta sobre parede com porta de acesso a um sub-coro de pé-direito reduzido (actual Sala do Capítulo), coberto por abóbada abatida, artesoada. O espaço é iluminado por duas janelas, a S. e a O., possuindo esta última abundante decoração naturalista manuelina que corresponde à face interna da designada Janela do Capítulo. CLAUSTRO DA LAVAGEM: quadrangular, de 2 pisos, o inferior com 5 tramos por ala com arcos quebrados assentes em grossos pilares chanfrados sobre murete, o superior com 6 tramos de arcos quebrados sobre colunas grupadas transversalmente, com capitéis de dupla fiada de colchetes de folhagem; cobertura em tecto de madeira. O espaço central apresenta 4 tanques e a meio 1 poço cisterna. CLAUSTRO DO CEMITÉRIO: quadrangular, 1 piso com 5 tramos por ala, de arcadas e suportes idênticos aos do Claustro da Lavagem, mas com colunas duplas de bases e capitéis distintos; coberturas em abóbada de berço nas 4 alas e de aresta nos cantos. O seu risco é atribuído a Fernão Gonçalves cuja assinatura, em caracteres góticos, se inscreve na base da coluna do ângulo SO. Destinado a servir de cemitério a religiosos e cavaleiros da Ordem, possui pavimento revestido com tampas sepulcrais lisas, numeradas e arcossólios com arcas tumulares a S. e O. Espaço central com 5 alegretes decorados com azulejos hispano-mouriscos. Abrem para este claustro as capelas de São Jorge, a S. e dos Portocarreiros, a O.. SACRISTIA FILIPINA: espaço rectangular de traçado maneirista substitui a sacristia velha que funcionava desde 1484 na actual Sala de Passagem. Abre para a ala S. do Claustro do Cemitério através de portal enquadrado por pilastras dóricas encimadas por frontão com a data de 1620. Nos topos E. e O., mais estreitos, situam-se janelas envolvidas por cartelas por cima de um entablamento dórico sustentado por pilastras em estípide. Os lados maiores apoiam-se em dois amplos arcos abatidos formando recessos. Cobertura em abóbada de berço com caixotões pintados com grutescos dourados e cruzes da Ordem de Cristo sobre fundo negro. CLAUSTRO DA MICHA: quadrangular, 4 alas com arcos plenos geminados (em asa de cesto nos topos N. das alas E. e O.), separados por fortes contrafortes; abóbada polinervada sobre colunas lisas com capitéis de volutas e em mísulas cónicas; entrada N. com inscrição e data de conclusão (1546); pavimento central lajeado, com 4 clarabóias e escada de caracol no topo NO., que conduz a vasta cisterna com abóbada apoiada em 6 colunas. A N. Antiga Portaria, de vão rectangular entre colunas coríntias assentes em altos pedestais. Sobre a galeria, edifícios de 2 pisos que integram, na ala O., as Salas das Cortes. Estas compreendem 3 espaços quadrangulares com 4 colunas centrais suportando tectos de madeira, um dos quais constituído pelo cruzamento de 2 abóbadas de berço com caixotões. CLAUSTRO DAS NECESSÁRIAS: rectangular, com 2 arcadas nas alas N. e S. e 1 na ala E., tem ao centro boca de cisterna e contíguo, corpo independente onde sobre vasta fossa subterrânea, se acham as instalações sanitárias correspondentes a todos os pisos conventuais. CLAUSTRO DOS CORVOS: quadrangular, 2 galerias de dupla arcada separadas por contrafortes, que sobem até ao 3º registo a S. e O.; coberturas e suportes idênticos aos do Claustro da Micha. Rodeiam a quadra 4 corpos de 3 pisos, sendo o lado S. ocupado pelo antigo Celeiro (hoje capela), o N. pela Cozinha (piso térreo) e as celas do Noviciado (1º piso) e o lado E. pelo Refeitório e pelas celas do braço S. dos Dormitórios. REFEITÓRIO: amplo espaço rectangular situado entre o Claustro de D. João III e o dos Corvos, com abóbada de berço esquartelada formando caixotões quadrados; 2 janelas maineladas rematadas por 2 vãos rectangulares rasgam o topo S., ladeando nicho central onde se abrigava uma pintura. Nas paredes laterais, 2 púlpitos renascença com peitoris decorados com baixos-relevos, entre janelões rectangulares. No topo N., abre-se arco de acesso à Cozinha, espaço quadrangular com abóbada de cruzaria abatida, apoiada em grossas colunas. DORMITÓRIOS: em cruz, com 2 grandes corredores, para os quais abrem as pequenas celas, cobertos por abóbada de berço em madeira apainelada; 3 janelas maineladas, encimadas por meia luneta, rematam os topos O., N., e S., este incluindo pequeno lavabo parietal; na intersecção dos corredores, um cruzeiro sob cúpula abrindo para uma capela quadrangular, com abóbada de berço com pequenos caixotões com motivos emblemáticos, vegetalistas e figurativos em relevo. No tambor da cúpula, largo friso renascentista com 2 grifos em baixo-relevo e cartela com a data de 1533. O piso inferior da ala E.-O. é integralmente ocupado pelo Noviciado, corredor coberto por abóbada de berço abatido e ladeado de celas. CLAUSTRO DA HOSPEDARIA: quadrado, 4 alas com arcadas duplas, separadas por contrafortes e galerias cobertas por abóbada semelhante à do Claustro da Micha, no 2º registo varandas com colunas sustentando uma arquitrave corrida, à excepção da ala S., destruída; a O., uma 3ª varanda com colunas jónicas e arquitrave, galerias cobertas com tecto de madeira. CLAUSTRO DE SANTA BÁRBARA: quadrado, com 4 arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso; cobertura de abóbada rebaixada com nervuras e lintéis no lugar dos arcos torais; 2º piso sem cobertura, possuindo, no entanto, colunas e mísulas. PORTARIA REAL: com entrada a N. por porta ladeada de colunas estriadas e frontão com inscrição, compõe-se por escadaria de 56 degraus em 3 lanços com silhares de azulejos azuis e brancos de padrão, é precedida de pequeno vestíbulo a céu aberto e termina numa sala nobre conhecida como Sala dos Reis, espaço quadrangular com azulejos idênticos aos da escadaria, 2 bancos de pedra assentes em mísulas e tecto apainelado de madeira pintada. CASA DO CAPÍTULO: composta por vestíbulo quandrangular e nave de 2 registos, rectangular, com ábside poligonal; forte embasamento do lado S. e meio soterrada do lado E., sem pavimento divisor dos 2 pisos primitivos (Capítulo dos Freires, em baixo, e dos Cavaleiros, em cima) e sem cobertura; abóbada de nervuras sobre o vestíbulo, que comunica com a nave por arco geminado. CLAUSTRO DE D. JOÃO III OU FILIPINO: quadrado com chanfros nos ângulos, 2 pisos, cobertura em terraço com balaustrada; as 4 alas, com galerias cobertas de abóbadas de nervuras e caixotões, abrem para a quadra alternadamente por arcos de volta inteira e por vãos rectangulares encimados por janela (1º reg.) ou por óculo (2º reg.) entre colunas de ordem dórica (1º reg.) e jónica (2º reg.) de fuste liso que sustentam os respectivos entablamentos; os 4 ângulos possuem chanfras rectas no 1º piso e convexas no 2º, rematadas por 4 guaritas, com escadas helicoidais a NE. e SO. Do primitivo claustro subsistem várias "engras", vãos rectangulares, nos cantos, com abóbadas polinervadas descarregando em pilastras; uma destas, no ângulo NO., abriga o Lavabo, de bacia rectangular com decoração gomada, amplo alçado dividido por pilastras e remate em frontão com a data de 1593; o seu risco é atribuído a Filipe Terzi. Ao centro da quadra, fonte de 2 taças sobrepostas sobre plataforma octogonal, atribuída a Pedro Fernandes de Torres. As 3 escadarias abertas nas paredes interiores, que fazem a ligação dos 2 pisos com as dependências conventuais envolventes, pertencem igualmente ao primitivo claustro, tendo sido integradas na construção do actual; possuem abóbadas de cruzaria com chaves volumosas e decoração renascentista em baixos-relevos, com florões, putti e medalhões com a imagem de D. João III, de D. Maria, de santos e de Frei António de Lisboa, esta acompanhada de inscrição.

Acessos

Terreiro de Gualdim Pais

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 10-01-1907, DG, 1.ª série, n.º 14 de 17 janeiro 1907, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2,ª série, n.º 265 de 14 novembro 1946 *1 / Património Mundial - UNESCO, 1983

Grau

0 – imóvel ou conjunto com valor de património mundial.

Enquadramento

Peri-urbano. Implantado em terreno com declive para O., no alto de uma elevação sobranceira à planície onde se estende a cidade de Tomar, dominando-a visualmente; circundado a E. e S. pelas muralhas do Castelo ( v. PT03141812006 ) e pela mata da cerca (v.PT031418120016). Antecede a igreja um terreiro com escadório de 3 lanços convergentes, ao fundo, a que se acede por porta rasgada na muralha do Castelo, a E.. A O. localiza-se o Aqueduto dos Pegões (v. PT031418040008).

Descrição Complementar

Exteriormente os 3 tramos da nave manuelina são marcados por 4 contrafortes muito pujantes e decorados, sobretudo na parte superior. Existem ainda frisos de decoração que actuam como separadores dos registos das fachadas, sem correspondência no interior. O remate é feito por cornija de folhagem e platibanda rendilhada de 2 registos com esferas armilares e cruzes da Ordem de Cristo. Na fachada O a designada janela da Sala do Capítulo, possui no intradorso colunelos a imitar troncos podados, encimados por arco polilobado com florões onde se encaixa aro torso; o enquadramento, em alto-relevo, inicia-se inferiormente com um tronco desenraizado carregado por figura masculina barbada, que se subdivide em 2 frisos de onde se elevam 2 colunas recamadas de folhagem e corolas, atadas por grossos cordões com nós e ladeadas inferiormente por 2 pequenos nichos vegetalistas desabitados e superiormente por duas esferas armilares atadas a segmentos curvos de folhagem; sobre o vão da janela sobrepõe-se grosso arco polilobado recamado de folhas onde se encaixam 2 aros torsos rematados inferiormente por florões, e cujos segmentos superiores se enroscam; remata a composição escudo real encimado por cruz da Ordem de Cristo sobre pano de muro esquadriado. Interiormente tem forma de portal em arco abatido emoldurado por colunelos decorados com elementos de passamanaria: sanefas, nastros, borlas, fios e cordões entrelaçados. A S. rasga-se outra janela cujo exterior, semi-encoberto pelo Claustro de D. João III, possui também decoração naturalista manuelina, embora menos desenvolvida. A decoração interior da Charola abrange todo o seu muro periférico, a abóbada anelar e o exterior e interior do octógono central. As 14 faces que limitam o deambulatório são divididas por colunelos onde, a meia altura, se encontram suspensas esculturas em madeira policromada, com cerca de 2m, representando Profetas, assentes em mísulas e encimadas por baldaquinos góticos em talha dourada, obra de Olivier de Gand e Fernão Muñoz. 8 Faces do deambulatório que mantêm a estrutura primitiva, possuem altar em baixo, recessos de 2,5x4m para pinturas sobre tábua na zona média e no último terço (até ao arranque da abóbada), pintura mural ou estuques. As 5 faces restantes possuem capelas ou acessos a outras dependências construídas posteriormente. À esquerda e direita do arco triunfal, 2 capelas com talha setecentista: a do lado da Epístola com talha dourada de "estilo nacional" cobrindo o tecto, parte das ilhargas e parte da parede fundeira (retábulo incompleto). A do lado do Evangelho, integralmente revestida por talha rocaille, dourada e policromada com marmoreados. Das grandes pinturas sobre tábua das paredes, atribuídas a Jorge Afonso ou ao seu círculo, restam 5 em estado integral, 1 incompleta e 2 fragmentos. Também os altares possuíram pinturas sobre tábua (de menores dimensões e formato rectangular), atribuídas a Gregório Lopes ou ao seu círculo. Destas restam apenas 3, uma delas fora do Convento *1. A pintura parietal superior, com cenas da Vida de Cristo (Menino Jesus entre os Doutores, Fuga para o Egipto, Circuncisão, Enterro de Cristo, Descida da Cruz, Encontro de Cristo com a Virgem, Cristo a caminho do Calvário, Pilatos apresentando Cristo ao povo e Cristo no Monte das Oliveiras), está atribuída a Domingos Vieira Serrão e/ou Simão de Abreu. Também o octógono central possui, exteriormente, na zona das frestas superiores, pinturas murais de anjos segurando os Instrumentos da Paixão de Cristo, atribuídas a Fernão Anes. Internamente é decorado com 3 grandes baldaquinos góticos em talha dourada, suspensos nas faces a E., e abóbada de nervuras com chave e cairéis dourados envolvendo, alternadamente, cruzes da Ordem e esferas armilares. Adossadas aos pilares dos arcos do octógono encontram-se, aparentemente suportadas por mísulas, 12 esculturas em madeira policromada (Anjo de Portugal, Arcanjo, S. João Baptista, S. Paulo, S. Agostinho, S. Basílio, S. Domingos, S. António, S. Pedro, S. Jerónimo, S. Gregório Papa, e Virgem com S. João Evangelista). Tal como os baldaquinos, pertencem ao conjunto de escultura (de influência flamenga) da autoria de Olivier de Gand e Fernão Munõz. A abóbada anelar que cobre a Charola é integralmente pintada com motivos arquitectónicos góticos em trompe-l'oeil (nervuras e molduras flamejantes polilobadas) sobre fundo carmesim. A presença, num dos tramos, da esfera armilar manuelina face ao escudo com as armas de D. Maria, permite datar a sua execução entre 1510 e 1518. Claustro do Cemitério utilizado como complemento do panteão das Ordens do Templo e de Cristo na Igreja de S. Maria do Olival. Na ala S., em edícula coroada por frontão e com a data de 1584, o túmulo de Baltazar de Faria, juiz da Casa da Suplicação e agente diplomático de D. João III em Roma; abrigado em arcossólio manuelino com rebordo de folhagem entre colunelos e remate trilobado, o túmulo, datado de 1523, de D. Diogo da Gama, irmão de Vasco da Gama e capelão de D. Manuel I. Na mesma ala, abre-se porta de acesso à antiga Capela de S. Jorge, utilizada também como sacristia até à construção da nova (dita filipina); espaço quadrangular com abóbada de cruzaria, tem na parede O. arcossólio com túmulo brasonado de Vasco Gonçalves de Almeida e sua mulher, Meça Lourenço, amos do Infante D. Henrique e doadores da capela em 1426, conforme inscrição. Na ala O. do claustro, datado de 1599, túmulo com arca encimada por obelisco ostentando as armas de D. Pedro Álvares Seco, desembargador da Casa da Suplicação e contador do Mestrado da Ordem e Capela dos Portocarreiros, datada de 1626. Mandada erguer por António Portocarreiro, almoxarife das rendas da Mesa Mestral da Ordem, é um espaço rectangular revestido por azulejos seiscentistas de diamante e padrão, incluindo frontal de altar e caixotões da abóbada de berço que cobre a capela. Na parede fundeira, altar encimado por nicho vazio; nas paredes laterais (lado do Evangelho) pedra tumular armoriada com identificação do fundador e sua mulher e do lado oposto (Epístola) lápide sepulcral com legenda, destinada aos descendentes. Acima destas, em painéis que prolongam as divisões em caixotões da abóbada, azulejos figurativos com cenas da vida de Cristo. Nas paredes periféricas da Charola: 8 Esculturas quinhentistas em madeira estofada e policromada, com cerca de 2m, representando Profetas; 5 mísulas e 12 baldaquinos góticos em talha dourada; pinturas sobre tábua, atribuídas à oficina de Jorge Afonso, com 2,5x4m e topo em semicírculo - 5 Em estado integral (Entrada de Cristo em Jerusalém, Ressurreição de Lázaro, Cristo e o Centurião, Ascensão de Cristo, e Ressurreição), 1 incompleta (Baptismo de Cristo) e 2 fragmentos (o maior com a Virgem e os Apóstolos e o menor com Instrumentos de Martírio); 2 Pinturas sobre tábua, atribuídas ao círculo de Gregório Lopes, com 1.87-2.60x1.16-1.30m (S. António pregando aos peixes e S. Bernardo). No octógono central da Charola: 3 baldaquinos góticos em talha dourada com cerca de 4m e 7 pequenos em talha dourada e policromada; 12 esculturas quinhentistas em madeira policromada (Anjo de Portugal, Arcanjo, S. João Baptista, S. Paulo, S. Agostinho, S. Basílio, S. Domingos, S. António, S. Pedro, S. Jerónimo, S. Gregório Papa, e Virgem com S. João Evangelista), conjunto atribuído a Olivier de Gand e Fernão Muñoz, e 1 Crucifixão em madeira policromada. Numa das capelas: 1 escultura barroca de santo não identificado em madeira estofada e policromada. No coro alto: cadeiral setecentista de dois níveis de cadeiras dispostas em "U" em madeira de cor natural; 1 atril de madeira em cor natural. Na Capela do Cruzeiro: 1 imagem de barro policromado (Cristo coroado de espinhos, assinada "Inácia da Encarnação fecit - 1654"). No antigo Celeiro (hoje capela): 1 grande pintura sobre tela (Santíssima Trindade), oriunda do Convento das Trinas do Mocambo, em Lisboa. Em corredor contíguo à Sala dos Reis: 2 grandes molduras (vazias) oriundas do mesmo convento. Nas reservas: fragmentos do primitivo cadeiral gótico; fragmentos em talha do antigo órgão; abóbada de nervuras em madeira policromada originalmente pertencente a uma capela da Charola que se situava por baixo da torre sineira *3 (inutilizada pela escada de betão de acesso ao terraço); imaginária diversa em madeira e em pedra policromada.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 12 / 15 / 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

APARELHADOR: Francisco Lopes (1504, 1564-1566). ARQUITECTOS: Diogo de Arruda (1512-1513); Diogo Marques Lucas (1640); Diogo Torralva (1557); Fernão Gonçalves; Filippo Terzi (1584); Francisco Lopes (séc. 16); Jerónimo Rodrigues (séc. 17); João de Castilho (1519, 1533); Nicolau de Frias (séc. 16); Pêro Fernandes de Torres (séc. 17); Pêro Vaz Pereira (séc. 17). CANTEIRO: Baltasar Marinho (séc. 16); Simão Gomes (séc. 16-séc. 17). CARPINTEIROS: Fernão Rodrigues (1602); Domingos Taborda (1602); Simão Dias (1548). ENTALHADORES: Fernão Muñoz (1511-1514); Olivier de Gand (1511-1512). MESTRE-DE-OBRAS: Estêvão Gomes (1551); Fernão Gonçalves (séc. 15). PEDREIROS: Baltazar Marinho (1587); Simão Gomes (1587). PEDREIROS: Álvaro Rodrigues (1512); Manuel da Cal (1602); Salvador Antunes (1602); Salvador Jorge (1593); Simão Nunes (1602). PINTORES: Fernão Anes; Jorge Afonso (atr.); Gregório Lopes (atr.); Domingos Vieira Serrão (atr.); Simão de Abreu.

Cronologia

1118 - fundação da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo; séc. 12, final - construção do oratório templário, num dos ângulos da muralha do castelo, pelo grão-mestre D. Gualdim Pais; 1190 - cerco do exército de al-Mansur; séc. 13, 2.º quartel - Tomar é doada à Ordem do Templo, tornando-se a sua sede; 1319, 14 março - a pedido de D. Dinis, João XXII institui a Ordem de Cristo para substituir os extintos Templários; 1357 - Tomar torna-se sede da Ordem de Cristo; séc. 15, 1.ª metade - obras henriquinas com a adaptação do oratório templário, introduzindo-se nas faces O. da Charola um coro em arco aberto, a meia-altura, na espessura da parede, do qual subsiste a moldura em colunelo da arquivolta interior *4; feitura do Paço; 1417-1450 - durante o mestrado do Infante D. Henrique é feito o Claustro do Cemitério e o das Lavagens, onde trabalha o mestre Fernão Gonçalves; 1426 - construção da Capela de São Jorge; 1484 - D. Manuel manda construir uma sacristia (atual Sala de Passagem), que funcionava na Capela de São Jorge, com comunicação com o coro e com o cubelo da muralha onde se situa a casa-forte; 1492 - em Capítulo Geral decide-se ampliar o Convento; 1499 - são gastos 3.500 reais em obras: melhoramentos na Casa do Capítulo, retábulo do altar-mor, grades de ferro para os arcos da Charola e pintura da mesma, arranjos no coruchéu e no Coro henriquino, início da construção de nova Casa do Capítulo; 1503 - nova reunião do Capítulo tendente à Reforma da Ordem, ordenando o Rei expropriar a antiga Vila de Dentro, intramuros, e encerrar as portas do Sol e de Almedina; 1504, 11 outubro - nomeação do mestre aparelhador Francisco Lopes, por D. João III, recebendo 8$000 anuais e 120 reais para alimentação diária; 1506 - D. Manuel decide mandar construir a nave da igreja; 1509 - raio destrói a lanterna e coruchéu da Charola *5; 1510 - pintura mural do tambor central atribuíveis a Fernão Anes; encomenda atribuída ao pintor régio Jorge Afonso de 12 tábuas (de que restam 5 em estado integral, 1 incompleta e 2 fragmentos), para as paredes da charola; 1510-1513 - construção do novo Coro (nave) por Diogo Arruda, a mando de D. Manuel; contudo, as medidas apontadas no documento não coincidem com as atuais; 1510, 13 junho - carta de D. Diogo de Braga para o rei sobre a obra feita por Diogo de Arruda; 1511-1514 - construção do cadeiral gótico por Olivier de Gand e Fernão Muñoz *6; 1512 - falecimento de Olivier de Gand; é mestre de pedraria Álvaro Rodrigues; 23 agosto - carta que refere o pagamento feito a Diogo de Arruda pelas obras que efetuou no Convento; 1515 - provável conclusão da nave da igreja por João de Castilho, conforme assinatura e data existentes no portal; 1518 - conclusão das esculturas da charola; 1519 - referências documentais da presença de João de Castilho no Convento, respeitantes à construção dos lagares e aos estaleiros onde se lavrava a pedraria para as obras; 1523, 25 janeiro - falecimento de D. Diogo da Gama, conforme inscrição na sua arca tumular, situada na ala S. do Claustro do Cemitério; 1523-1540 - a Coroa faz várias doações de dinheiro para as obras do Convento; 1529 - reforma da Ordem acometida por D. João III a Frei António de Lisboa, que expulsa antigos freires, impõe a clausura e elabora novos estatutos baseados na Regra de São Bernardo; 1530 - a Reforma espiritual é acompanhada de uma reforma material, tendo início nova campanha de obras por João de Castilho: construção do Claustro de D. João III e dos outros a O. da Charola; 1533 - quitação de D. João III que refere as obras feitas por João de Castilho: Coro, Casa para o Capítulo, arco grande da Igreja, portal principal, casas do Aposento da Rainha e obras miúdas; conclusão do cruzeiro dos Dormitórios conforme inscrição em cartela no tambor da cúpula; data incisa em duas filacteras agarradas por anjos, no arranque do arco da abóbada das ruínas da Casa do Capítulo, referente à campanha de obras; 30 junho - contrato entre o amo do rei, Bartolomeu de Paiva, e Júlio de Castilho para a abertura de alicerces para as casas, claustro com abóbadas e 64 arcos, dormitórios e enfermarias; 09 julho - carta de D. João III para Frei António de Lisboa, ordenando que se adquirissem os terrenos necessários para as obras de ampliação; 1533-1536 - data numa das faces dos púlpitos do refeitório; 1537 - data no fecho da abóbada na fonte do Anjo; 1539 - data no fecho da abóbada da sala contígua à cozinha e no da abóbada do antigo celeiro; 1540, 16 junho - carta de João de Castilho sobre a obra dos Dormitórios; 1541 - data no fecho da abóbada da galeria do claustro da Hospedaria, num capitel duma coluna do claustro da Micha, numa coluna do ângulo nascente do pavimento térreo do claustro Filipino, na verga da janela do topo N. do corredor do cruzeiro; 1542 - data no fecho da abóbada do claustro da Micha; 1543 - data em oito capitéis do claustro da Hospedaria e no fecho da abóbada do claustro dos Corvos; 1546, 04 março - carta de João de Castilho sobre a obra dos Estudos dos Colegiais; 1546 - conclusão do Claustro da Micha iniciado por João de Castilho cerca de 15 anos antes; 1548 - João de Castilho constrói os Estudos dos Colegiais, a Cela do D. Prior, o corredor do eirado sobre a Livraria e faz os esboços dos espelhos do Noviciado; trabalha com João de Castilho o carpinteiro Simão Dias; 11 setembro - carta de João de Castilho pedindo a aquisição de carros para a condução de materiais para as obras; 1551 - carta de João de Castilho sobre a fatura da escada do Coro; o mesmo constrói a cozinha, o eirado do andar dos Dormitórios, a varanda da Enfermaria e a Cisterna; decorrem obras feitas pelo mestre Estêvão Gomes; 1553 - falecimento de João de Castilho; 1557-1580 - início do derrube do Claustro de D. João III e construção de outro renascentista, por Diogo Torralva, no mesmo lugar, obra interrompida em 1565; 1562 - conclusão da ala N. do Claustro de D. João III, conforme data no fecho da abóbada do ângulo NE.; 1564-1566 - Diogo Torralva serve de aparelhador com o ordenado de 16$000 por ano; 1581 - entrada de Filipe II no Convento de Cristo: realização das Cortes de Tomar no Terreiro da igreja; 1583, 13 setembro - carta do Contador Pero Henriques referindo obras de reparação efetuadas em 1573-1575 por Fernão Rodrigues, pela pintura dos painéis dos altares e das colunas, pilares e paredes da Charola, e por Lucas Pires (carpinteiro) - andaimes para limpeza das paredes da Charola, restauros no coro, sacristia e retábulos na crasta dos Cavaleiros, tendo os trabalhos sido avaliados por Simão de Abreu (pintor) e Francisco Rodrigues (carpinteiro); 1584 - construção do túmulo de Baltazar de Faria na ala S. do Claustro do Cemitério; 1584 - 1598 - Ordem de Filipe II para o arranque das obras do aqueduto, fontes e lavabos do Convento, a que Terzi dá início, o qual sucede a Francisco Lopes; ordem de Filipe II a Nicolau de Frias e a Filipe Terzi para que estudassem o lugar onde construir a nova portaria (Portaria Real ou Filipina) que estes arquitetos concluíram poder erguer-se no terreiro da igreja, entre a porta desta e a do Capítulo, com serventia pelo Claustro Real (de D. João III) ou mais abaixo, com entrada pelo Claustro do Lavor (da Lavagem); a difícil conciliação dos acessos com a necessidade de recolhimento dos religiosos nos referidos claustros acabaria por protelar o projeto; execução da teia da Charola em pau-santo; 1587, 15 junho - contrato para a conclusão do claustro com desenho de Filippo Terzi e arrematada por Baltazar Marinho e Simão Gomes; 1591, 05 abril - obra de Baltazar Marinho e Simão Gomes, pela que receberam 50$000; 1593 - construção do Lavabo do Claustro principal por Filipe Terzi, tendo a data inscrita no frontão; 29 março - contrato com o pedreiro Salvador Jorge para a feitura das arcas e pias para todas as fontes do Convento; 1596, 19 janeiro - carta informando Filipe II que estão por acabar o retábulo do Refeitório e o do cruzeiro dos Dormitórios, a Portaria, o lajedo e degraus do Terreiro da igreja e o lavatório da sacristia velha (manuelina - atual Sala de Passagem); 1597 - nomeação de Pêro Fernandes de Torres como mestre do convento, por falecimento de Filippo Terzi; 1598 - 1615 - pedido do D. Prior do Convento a Filipe III para fazer a Portaria em lugar mais adequado, que o monarca terá despachado favoravelmente; 1599 - construção do túmulo de D. Pedro Álvares Seco na ala O. do Claustro do Cemitério; 1602 - obras de carpintaria nas escolas, por Fernão Rodrigues e Domingos Taborda, por 128$880; obras de pedraria por Salvador Antunes, Manuel da Cal e Simão Nunes, por 218$880, gastando-se 10$000 em ferro; 1603, 08 Julho - a viúva de Baltasar Marinho, Maria Machado, recebe 256$263 que se devia por obras no claustro, onde trabalhara em parceria com Simão Gomes; 1612, 27 junho - verba para a obra da sacristia nova; 1615, 03 dezembro - nomeação de Diogo Marques Lucas como Arquiteto das Obras de Tomar, por renúncia de Pêro Fernandes de Torres; 1618 - início da construção da Portaria Real, Casa da Escada e Sala dos Reis, por Diogo Marques Lucas, obra que custaria no total 8.000 cruzados; 1618 - 1630 - demolição de uma torre da muralha Norte para a construção da portaria nova; execução das portas da Portaria em madeira de angelim e pregaria de bronze; construção do pátio da Portaria (que antecede a escadaria filipina); azulejamento deste e dos 3 lanços da escadaria; construção da Sala dos Reis, incluindo teto de madeira, 2 bancos de pedra forrados com tábua e azulejos, e de uma sala contígua com a mesma decoração; execução do lavabo da sacristia velha (Sala de Passagem) e construção do corredor que lhe ficava anexo, integrando 5 confessionários com ligação ao Coro; azulejamento deste corredor, do corredor de ligação com o Claustro do Cemitério, dos Dormitórios, da escada de caracol do Noviciado e da varanda da Hospedaria; 1618, 11 janeiro - trabalhos finais para a condução de água ao Convento (acabamento da canalização e das fontes); segundo documentação, o custo final de toda a obra terá sido de 60.000 cruzados; 1619 - Filipe III deixa verba para as terminar; entrada de Filipe III no Convento de Cristo para presidir ao Capítulo Geral da Ordem; 1620 - conclusão da Sacristia Filipina, provavelmente riscada por Francisco Lopes e construída entre o Claustro do Cemitério e a Sala de Passagem *7; 23 janeiro - atribuição de verbas para a fonte do olho marinho, Casa do Capítulo e ornamentos na porta principal do Castelo de Tomar; 1622, 26 novembro - verbas para a obra do Terreiro da igreja; 1626 - conclusão da Capela dos Portocarreiros na ala O. do Claustro do Cemitério, data incisa no frontão da porta; 1634, 15 fevereiro - verbas para concertos no aqueduto do Convento; 1634, 01 março - o rei inquire a Mesa Mestral da Ordem sobre a razão do inacabamento do Capítulo que tinha mandado terminar; 1640, 11 junho - atribuição de 1.000 cruzados para se fazer um cofre para a exposição do Santíssimo na igreja do Convento; 21 junho - consulta para o provimento do cargo de arquiteto, por falecimento de Diogo Marques; 1641, 19 julho - nomeação de Pêro Vaz Pereira para arquiteto das obras do Convento, em substituição de Diogo Marques Lucas; 1644, 16 Janeiro - nomeação de Jerónimo Rodrigues como mestre-de-obras do Convento, substituindo Pêro Vaz Pereira; após a sua morte, o cargo é extinto; 1654 - execução, conforme inscrição na base, da imagem de Cristo da Capela do Cruzeiro; 1686 - 1690 - remate da fachada das enfermarias e da frontaria da Sala dos Cavaleiros (João Antunes é o mestre das obras das Ordens Militares); 1789 - abolida a Reforma de Fr. António de Lisboa; 1811 - as tropas francesas ocupam o convento; destruição do Cadeiral de Olivier de Gand; 1834 - abandono após extinção da Ordem de Cristo; roubo dos livros de canto em pergaminho com iluminuras, desaparecimento de pinturas e outros espécimes artísticos; 1837, novembro - DR anuncia para Maio de 1838 a venda de uma parte do Convento de Cristo e cerca, adquiridos por António Bernardo da Costa Cabral, Conde de Tomar e ministro do reino, pelo valor de 5:000$000; 1843 - visita da rainha D. Maria II ao palácio do Conde de Tomar; 1844 - elevação da vila de Tomar a cidade; 1845 - D. Maria, acompanhada por D. Fernando, instala-se no convento; 1852 - D. Fernando manda derrubar o piso superior do Claustro de Santa Bárbara e do Claustro da Hospedaria (ala S.) e corredor dos confessionários que lhe passava por cima, para permitir a melhor visualização da fachada O. da nave; 1853 - o claustro da Lavagem encontrava-se em ruína; 1866, 26 setembro - por Portaria, o Ministério das Obras Públicas autoriza o envio de alguns fragmentos do claustro da Lavagem para o Museu do Carmo; 1868, 11 fevereiro - Lucas José dos Santos Pereira é notificado para acompanhar o diretor das Obras Públicas do distrito de Leiria, Augusto de Abreu, a Tomar, a fim de proceder ao "projeto de obras necessárias para a reparação do Claustro do Cemitério" do Convento de Cristo; 1871, 15 novembro - auto de cedência pelo Ministério das Obras Públicas ao Ministério da Defesa das dependências das antigas enfermarias, hospital, sala dos Cavaleiros, Botica e claustro da Micha, entre outras, para ocupação pelo Hospital Militar Regional n.º 3, com a designação de PM4 / Tomar; 1917 - todo o conjunto, à exceção da igreja é ocupado pelo Ministério da Guerra; 1918 - estragos causados na janela da sala do capítulo; 1919 - o claustro de D, João III e o refeitório passam a fazer parte das dependências monumentais (não foi lavrado auto de entrega porque da receção também não havia sido); séc. 20, anos 20 - o cadeiral atualmente existente no coro, é oriundo do antigo convento de Santa Joana, em Lisboa; 1921 - o claustro da Hospedaria aloja uma companhia da GNR; pedido de ocupação pela Procuradoria-Geral das Missões Religiosas dos Padres Seculares de parte do edifício ocupado pelo Ministério da Guerra, que passam a usufruir da zona do dormitório novo e cruzeiro, noviciado velho e claustro da Micha; 1939 - o Estado compra o Convento aos herdeiros do conde de Tomar; 1964 - projeto de "Adaptação a Pousada da Ala ocupada pelo Hospital Militar"; 1969 - danos na Sala dos Cavaleiros causados por sismo; nesta data a sala funciona como enfermaria; 1971 - pedido da Direção-Geral da Fazenda Pública para devolução de algumas dependências afetas ao ME (antiga padaria, forno e todas as salas anexas); 1972, 25 agosto - auto de devolução ao Ministério das Finanças pelo Ministério do Exército da zona do piso térreo do Convento de Cristo, constituída pela padaria e salas anexas; 1985 - cedência ao IPPC de dependências até então ocupadas pelo HM3; 1986 - devolução ao Ministério das Finanças de parte das dependências ocupadas pelo Ministério do Exército e agora afetas ao IPPC - 3 dependências do claustro da Micha e 1 dependência junto ao claustro da Hospedaria; 1991, 31 dezembro - desativação do HMR3; 1; projeto para instalação na área ocupada pelo HMR3, de uma área de apoio social para Oficiais do Exército; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1994, cerca - início do projeto global de recuperação do Convento de Cristo pelo arquiteto. Santa Rita; 1995 - celebrado protocolo entre o IPPAR e a EPRPS, para a execução da intervenção de restauro e a recuperação das pinturas da abóbada da charola do Convento de Cristo; 1995 - entrega a título precário das instalações ocupadas pelo ex-Hospital Militar à Escola Prática do Serviço de Material; 1997 - as dependências ocupadas pelo ex-HM3, afeto ao MDN, fazia parte das listas do património a alienar em regime de hasta pública (DL nº 318/97, 25 Novembro), DR I Série - nº 273, 21/11/1997; 2001, 13 fevereiro - publicação da adjudicação da empreitada "Convento de Cristo, Ermida da Imaculada Conceição - Obras de restauro e conservação"; 2002 - pelo Despacho conjunto, MF / MDN / MC, nº 266/2002, publicado no DR nº 84, II Série, de 10 Abril, foi autorizada a reafetação deste PM ao MC para utilização do IPPAR; 2006, Fevereiro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2007, 29 março - o imóvel é afeto ao IGESPAR, pelo Decreto-lei nº 96/2007, DR, 1.ª série, n.º 63.

Dados Técnicos

Estruturas mistas e autoportantes.

Materiais

Cantarias de calcário, alvenaria mista rebocada, alvenaria hidráulica, tijolo, betão armado, lajedo, azulejo, mármore, madeira, ferro, vidro, telha.

Bibliografia

Anais do Município de Tomar, 8 vols., Tomar, 1941 / 1972; ATANÁZIO, M. Mendes, A Arte do Manuelino, Lisboa, 1984; COELHO, Maria da Conceição Pires, A Igreja da Conceição e o Claustro de D. João III, do Convento de Cristo em Tomar, Santarém, 1987; CONDE, Manuel Silvio Alves, Tomar Medieval: O espaço e os homens - (séc. XIV-XV), Texto policopidado, Lisboa, 1988; COSTA, Fr. Bernardo da, História da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, tomo II, 1775; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Relatórios da intervenção nos estuques da Charola, 4 vol., Cacém, 1995-1998; FRANÇA, António Pinto da, Os condes de Tomar no Convento de Cristo, Texto policopiado, Roma, 2000; GIL, Júlio, As Mais Belas Igrejas de Portugal, Lisboa, 1989; GRILO, Fernando, A influência nórdica na escultura portuguesa no tempo de D. Manuel I, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 139-174; GUIMARÃES, Vieira, A Ordem de Cristo, Lisboa, 1901; SANTOS, Reinaldo dos, Tomar, Guia de Portugal, II, Lisboa, 1927; GUIMARÃES, Vieira, O Claustro de D. João III, em Thomar, Gaia, 1931; HAUPT, Albrecht, A Arquitectura do Renascimento em Portugal, Lisboa, 1986; HENRIQUES, Jorge Gabriel, A Charola de Tomar, Estratégias de Conservação da Pintura Mural, Tese de Mestrado policopiada, Faculdade de Letras, Lisboa, 2000; IPPAR, Restauro da Abóbada da Charola do Convento de Cristo, Tomar, 2000; JANA, Ernesto, O Convento de Cristo em Tomar e as Obras Durante o Período Filipino, Tese de Mestrado policopiada, Faculdade de Letras, Lisboa, 1991; KUBLER, George, Portuguese Plain Architecture - 1521 - 1706, between spices and diamonds, Middletown, 1972; LAMBERT, Élie, Remarques sur le plan des églises abbatiales de Tomar e de Batalha in Congresso do Mundo Português, II, Lisboa, 1940; MOREIRA, Rafael, A Arquitectura do Renascimento no Sul de Portugal, Tese de Doutoramento policopiada, Universidade Nova, Lisboa, 1992; O poema de pedra de João de Castilho em Thomar, Lisboa, 1934; PEREIRA, Fernando António Baptista, Descidas do Espírito Santo em programas iconográficos retabulares dos séculos XV e XVI, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 161-197; PEREIRA, Paulo, A simbólica manuelina. Razão, celebração, segredo: O Convento de Cristo, in História de Arte Portuguesa, vol. 2 , 3ª ed., 131-136, Lisboa, 1999; PEREIRA, Paulo, De Aurea Aetate: O Coro do Convento de Cristo em Tomar e a Simbólica Manuelina, Lisboa, 2003; SANTOS, José António, Monumentos das Ordens Militares do Templo e de Christo em Thomar, Lisboa 1879; ROSA, Amorim, História de Tomar, 2 vols., Santarém, 1965, 1982; ROSAS, Lúcia Maria Cardoso, Monumentos Pátrios, Tese de Doutoramento em História de Arte, Universidade do Porto, Porto, 1995; TEIXEIRA, Garcez, Anais da União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo (UAMOC), vol. I, tomo 1º, 1919, Contribuições para a História das Artes em Portugal, Lisboa, 1925; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vols. II e III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSARH; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra; DSE: Rep. Pat.-Tombo Militar; IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra; IPPAR

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa; DGARQ/TT: Corpo Cronológico: Parte I: maço 11, doc. 122; maço 18, doc. 14; maço 56, doc. 93; maço 67, doc. 109; maço 76, doc. 37; maço 80, doc. 46; maço 81, doc. 40; maço 86, doc. 26; maço 87, doc. 35; Parte II: maço 100, doc. 111; maço 111, doc. 38; Chancelarias de D. Manuel, D. João III, D. Filipe I, D. Filipe II; Núcleo Antigo, nº 772 e 773; Conventos Diversos, Livro 23; Mesa da Consciência e Ordens (1594-1608), Livro I; Ordem de Cristo: Convento de Cristo de Tomar, maço1, nºs. 1 a 10, maço 29, nº 907; Livros 23, 34, 101, 102, 118, 120 e 232; Bulas, decretos e resoluções da Mesa das três Ordens Militares, de Cristo, Santiago e Avis, B.N., Reservados, P.B.A. 154, 1596-1665; Crónica da Ordem de Cristo, Conventos de Frades (Docs. do AHMF), ROMAN, Fr. Jeronimo, Libro de la Ynclita Cavalleria de Cristo en la Corona de Portugal, 1591; S. Miguel, Fr. Jacinto de, [Papéis vários], B.N., Reservados, códice 8842, c.1700; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra; DSE: Rep. Pat.-Tombo Militar

Intervenção Realizada

Proprietário, 1º Conde de Tomar: 1838 - redimensionou as estâncias da ala do noviciado, onde estabeleceu a parte social da residência, murando as portas renascentistas do corredor para essas estâncias e delas para a varanda sobre o Pátio dos Carrascos e rasgando novas portas; construção numa parte da dita varanda de um jardim de Inverno à sala de jantar; construção a partir do terraço do "choço" *3, encostada a uma parte da fachada S., de um acrescento à altura de 2 andares onde se instalou no espaço térreo uma capela e, no andar superior, uma sala de estar; restauro da muralhas entre a Porta do Sangue e a borda do "choço", ou seja a horta, para criar um passeio de recreio; construção de uma estufa junto deste troço de muralhas; construção de uma varanda pequena, ao fundo da varanda do Pátio dos Carrascos, que servia de acesso e regalo aos quartos dos donos da casa, instalado num espaço ao nível do 3º andar, no extremo poente da ala N. do Claustro dos Corvos; transformação em cozinha do longo corredor de passagem do 1º andar da ala S. do claustro dos Corvos, com porta para o corredor do Noviciado, para onde davam todas as salas; ao nível térreo foram colocadas portas com as armas Costa Cabral gravadas sobre vidro fosco, na passagem para a cozinha velha do convento (PINTO DA FRANÇA, 2000); 1897 - a sala da antiga livraria dos frades foi dividida em vários quartos pelo 3º conde de Tomar; CSMN: 1900 / 1912 - Limpeza e restauro nos Paços da Rainha, Claustros da Lavagem e Micha, Capela de São Jorge, ornatos do Coro (SILVA, s.d); Proprietário, 3º Conde de Tomar: 1917 - construção de um lagar num dos recantos do "choco", junto à fonte dos anjos; DGEA: 1926 /1929 - Reforço da torre sineira da Charola, com betão armado, reconstrução do seu interior, reparação do telhado; restauros das casas do Dom Prior; reparações no pátio dos Carrascos; reparações diversas no claustro de D. João III; demolições diversas frente ao portal da igreja; DGEMN: 1933 - Obras de ajardinamento na entrada para o Convento: construção de muros e canteiros; colocação de alegretes, vasos e bancos; 1934 - Reparação e reconstrução dos muros da cerca do Convento; 1933 / 1945 - Reforço dos suportes das galerias do Claustro da Hospedaria e das paredes da Casa do Capítulo com desentaipamento da janela S.; restauro dos claustros de D. João III ( limpeza dos paramentos e refechamento de juntas, restauro das molduras e ornatos em cantaria, reparação do 2º pavimento e colocação de gárgulas, abertura de um arco, desentaipamento de vãos, reconstituição de parte do corrimão das escadas em caracol); e de Santa Bárbara, sala dos Cavaleiros (reparação do pavimento), casas do Dom Prior, sala da Hospedaria, fachada dos Paços, porta do Sol; conservação das salas viradas ao Claustro dos Corvos; telhado da igreja; obras no aqueduto do convento: reparação e cobertura do canal até à primeira nascente; demolição de casas em ruínas no pátio dos Carrascos; projecto para a reinstalação eléctrica do Seminário das Missões; remodelação das instalações sanitárias; restauro de duas janelas geminadas na sala do Capítulo; 1945 / 1960 - Construção de muro de vedação e duas portas de cantaria junto ao castelo; Claustro da Lavagem: construção 2º piso, substituição do pavimento em tijoleira, reboco das paredes do 1º piso e assentamento de silhares de azulejos, novo capeamento de cantaria, assentamento de portas, assentamento de bancos de cantaria na passagem do claustro para o castelo, recuperação da cobertura da ala norte com aplicação de telha românica e de canudo; Claustro da Hospedaria: aplicação de cintas de betão na ala S., limpeza de ervas e reparação da cobertura com a colocação de um novo vigamento em pinho e forro de madeira em casquinha, substituição do telhado incluindo caleira e telha romana; reparação da fachada E., construção de 4 gárgulas e seu assentamento, restauro de uma janela que dá para o telhado, incluindo caixilho pintado, picar, rebocar e caiar paredes interiores e exteriores, reconstrução do pavimento de lajedo, substituição da canalização, assentamento de 2 portas; Capela do Cruzeiro: reconstrução do telhado com substituição de telhas, ripas e barrotes; assentamento de uma mísula em cantaria, consolidação de artesões nas abóbadas; capela dos Portocarreiros: reparações nas fachadas O. e S. da nave, colocação de azulejo decorativo no frontal do altar, igual ao existente, colocação no altar de duas colunas de cantaria trabalhadas, pintura a óleo do portão de ferro; sala dos Reis: reconstrução do pavimento em tijoleira, substituição da cobertura, picagem, reboco e pinturas das paredes; reparação da sala do Noviciado; demolição da plataforma onde assentava o altar-mor da Charola, reparação de ornatos nas janelas do Coro e Sala do Capítulo; reparação e pintura nova em caixilharias e portas na igreja; reassentamento do pavimento de lajedo na igreja; consolidação da pia baptismal; fornecimento e assentamento de vitral em caixilho de chumbo na charola, janelas no coro, rosácea e janela do cruzeiro; assentamento de um altar de cantaria, incluindo supedâneo, em substituição do existente na igreja; pintura dos cabeçotes dos sinos; construção de cortina de cantaria na escada da sala do capítulo e reparação e pintura de portas e janelas; restauro das cantarias do gigante do ângulo norte da sala do capítulo; Claustro de D. João III: substituição dos pavimentos em tijoleira no 1º e 2º pisos, consolidação de uma das abóbadas, picagem, reboco e pintura das paredes, vedação das juntas dos terraços, impermeabilização de uma parede; Claustro da Micha: levantamento e assentamento de telhados e reconstrução com substituição da telha dos canais, reparação do madeiramento, limpeza e pintura das portas, picagem, reboco e pintura das paredes, consolidação dos artesões das abóbadas, assentamento de duas colunas de cantaria, substituição da tubagem que conduz a água ao seminário; Claustro do Cemitério: limpeza de telhados; refechamento de juntas, picagem, reboco e pinturas das paredes, assentamento de azulejos artísticos, assentamento de lajedo, restauro e pintura das portas; Claustro dos Corvos: na passagem do claustro para a escada foram picadas e rebocadas as paredes, substituição de degraus em cantaria no acesso ao refeitório; Instalação eléctrica (1ª. fase); limpezas das ervas existentes nos muros do convento; renovação de canalizações e instalações sanitárias; Claustro de Santa Bárbara: substituição do pavimento em tijoleira, restauro e assentamento de caixilhos de madeira e uma porta, restauro de escadas, picagem, reboco e pintura das paredes, substituição da cobertura colocando novos madeiramentos e telhas; Sala dos Cavaleiros: reparação do telhado e assentamento de algerozes em zinco; reparação da boca da cisterna; reparação do tanque do jardim; construção do muro de suporte (1ª fase), da plataforma frente ao castelo, para parque automóvel, no sítio denominado Cerrado dos Cães, construção de instalações sanitárias no parque (1ª. fase); SFOE: Instalações do Hospital Militar: 1950 - reparação geral dos telhados; 1955 - substituição da instalação eléctrica; 1956 - reparação e melhoramentos das instalações sanitárias dos oficiais e sargentos; DGEMN: 1961 / 1965 - claustro da Micha: restauro e recuperação dos pavimentos, restauro de cantarias em abóbadas, com substituição e consolidação de artesões, pavimentação em calçada no troço de ligação do claustro com a cozinha, restauro da clarabóia, colocação de uma porta nova em madeira exótica, na entrada principal, demolição de uma escada existente no claustro, rebaixamento do pavimento na varanda do lado nascente para utilização das gárgulas; claustro dos Corvos: recuperação dos pavimentos, com refechamento de juntas no lajedo e limpeza de ervas, restauro dos tectos e paramentos, assentamento do pavimento na zona da cisterna e colocação de tampos, tapamento de vãos de janelas e frestas, colocação de gárgulas em cantaria, assentes nos algerozes, colocação de cachorros em cantaria nas janelas a N., arranjo da platibanda, substituição de caixilharia e assentamento de uma porta em madeira; restauros diversos na sala de aulas, hospedaria e enfermarias; desentulhamento das caves sob o Refeitório; construção e assentamento de mesas e bancos de pedra no refeitório dos frades; cinta de betão nos contrafortes da Charola; reparações e impermeabilização no terraço sobre a porta antiga da charola; obras diversas no adro, frente à igreja; picar paredes e rebocar na sala de passagem e corredor do confessionário, incluindo a abóbada e assentamento de silhares de azulejos; obras diversas de restauro e conservação nos anexos do claustro da Hospedaria, outrora ocupados pela GNR (assentamento de portas, restauro e construção de tectos, construção de pavimentos em tijoleiras); reparação do telhado na dependência junto ao corredor do noviciado; reparação e renovação das instalações sanitárias no convento; substituição da instalação eléctrica do refeitório, cozinha e anexos; reparações diversas: reparação de paredes e caiações no corredor do noviciado; limpeza e pintura da porta principal da igreja; reparação e pintura de tectos; substituição do pavimento em tijoleira na sala das cortes; colocação de portas no corredor do cruzeiro, de acesso ao coro; reparações diversas nas salas dos Reis; reconstrução dos paramentos no claustro da Lavagem; obras de conservação no antigo cartório dos frades; Hospital Militar: reparação das coberturas com substituição do ripado, algumas peças de forro e colocação de telhas novas; recuperação do telhado da sala dos Cavaleiros com substituição de algerozes e caleiras; 1965 / 1970 - demolição de um muro adossado à muralha do lado sul da porta de acesso ao jardim; substituição do pavimento e telhado da Sala dos Reis e restauro da pintura dos tectos; sala de aulas e 2º piso do Claustro de D. João III; sondagens no mesmo e nas paredes S. e O. do Coro (picar paramentos, limpar cantarias, refechar juntas); restauro da fachada S. e elementos decorativos da Charola (arranjo de 12 baldaquinos, restauro da talha, limpeza de paredes, marmorear degraus dos altares, consolidação de um altar em talha, restauro de pinturas das banquetas dos altares); reparação do telhado da igreja com substituição de telhas partidas, limpeza de ervas, de algerozes e gárgulas; claustro dos Corvos: regularização da cortina de alvenaria que protege a passagem sob as arcadas e na entrada para a cozinha, escavações e sondagens para a procura do primitivo pavimento, construção de nova caixilharia, protecção da boca da cisterna; limpeza do telhado e assentamento de azulejos com argamassa nova no claustro do Cemitério; pintura do tecto e assentamento de azulejos com argamassas novas no claustro da lavagem; demolição e reconstrução da varanda da antiga enfermaria do convento; arranjo urbanístico do terreiro de Cerrado dos Cães; instalação eléctrica na igreja e anexos; obras de conservação e restauro de coberturas na zona da sala dos Cavaleiros; restauro da fachada O. e conservações diversas (escavações, demolições, picagem, refechamento de juntas; substituição de caixilharias); instalação eléctrica: iluminação da sala do Capítulo e claustro de D. João III; obras de restauro e conservação na zona do seminário e paços do Infante (recuperação de diversas dependências situadas no 1º piso do lado S., escavações junto à fachada sul até deixar a descoberto as soleiras das portas e arcos; sondagens diversas; SFOE: Hospital Militar: 1969 - reparação do telhado e exteriores; DGEMN: 1971 / 1980 - Limpeza das fachadas E. e N. do convento; restauros no Claustro da Micha, Hospedaria, Santa Bárbara e Lavagem (conservação de telhados, pavimentos e tectos, substituição de caixilharia, substituição de portas); substituição da porta na torre da sala da Rainha; construção de socalcos e muros de suporte nos jardins e pomar; obras de consolidação no interior da Charola (substituição do estrado do pavimento no lado E., reparação e colocação de peças em talha); consolidação da grade do coro, reparação dos balaústres em pedra; conservação diversa entre a torre de Menagem do castelo e a entrada do Hospital Militar; reparação da cobertura na zona do museu das Missões, junto ao Hospital Militar; consolidação do campanário junto à sineira; reparação de instalações sanitárias; colocação de 2 grades de ferro nas janelas da Sala do Capítulo; SFOM: Hospital Militar: 1970 - remodelação total da cobertura com substituição da estrutura de suporte em betão pré-esforçado; 1974 - sala dos Cavaleiros é transformada em sala de convívio para os doentes; 1975 - construção de um guarda -vento na sala dos Cavaleiros; 1983 - remodelação dos sanitários na zona das consultas externas; construção de bar e sala de praças; DGEMN: 1981 / 1990 - Limpeza de paramentos exteriores da Charola, beneficiação da cobertura e substituição de alguns cachorros junto ao terraço; construção de estrutura pré-esforçada para assentamento do telhado da nave da Igreja; telhado na ala O. do Claustro dos Corvos; reparação de coberturas e fachada das casas de Dom Prior e no Claustro da Lavagem; reparação da cobertura do cruzeiro; obras no refeitório, cozinha e quartos; beneficiação na zona do Hospital - execução de pavimentos em calçada à portuguesa, arranjo do jardim do hospital; construção de sanitários públicos; 1988 - início do restauro da pintura mural da Charola; 1995 / 1998: IPPAR / Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra - Intervenção nos estuques da Charola, com limpeza, consolidação, reprodução e feitura dos elementos em falta; reintegração cromática; IPPAR: 1995 / 2000 - Obras de beneficiação, reabilitação e restauro do imóvel: beneficiação do Claustro dos Corvos, impermeabilização dos terraços, reparação de coberturas e do muro do laranjal, contenção de taludes, desenhos e levantamentos arquitectónicos das casas dos serviçais do conde e de infra-estruturas de água e esgotos; estudos das patologias das pedras da charola e da sacristia nova; escavações nos Paços do Infante; recuperação das pinturas da abóbada da Charola: fixação da camada pictórica, limpeza, aplicação de massas nas fissuras e fendas de maior expressão, reintegração cromática; conservação e restauro de todos os vitrais novecentistas da charola; tratamento do suporte e da policromia das mísulas e baldaquinos em talha dourada, onde assentam as esculturas que se distribuem pela parte inferior do tambor interior e exterior da charola; 2000 / 2006 - restauro dos elementos decorativos da charola: talha dourada, pintura mural decorativa e historiada, estuques, pintura sobre tábua, renovação da instalação eléctrica (em curso).

Observações

*1 - Zona Especial de Proteção Conjunta com o Castelo de Tomar e o Aqueduto do Convento. *1 - Embebidos na talha, existem 12 reservas (8 na abóbada e 4 nas ilhargas) para pinturas em tela já desaparecidas; *2: "Martírio de S. Sebastião". Atribuído a Gregório Lopes, faz parte da exposição permanente do MNAA. *3: Esta capela gótica possuía, no altar, um quadro conhecido como "Nossa Senhora dos Anjos", hoje no MNAA; *4: De acordo com uma descrição datada de 1571 (Ordem de Cristo, Livro 232, fl.5), antes do coro manuelino existiu um outro mandado fazer pelo Infante D. Henrique "no arco em que ora estaa, com que tomou dous panos dos dezaseis aos defronte dos arcos da capeila [mor]". Foi feito "debaixo do dito arco, no maciço da parede [à] altura de uma braça do andar do convento, ao qual [se] acrescentou huma pequena sacada sobre a mata e outra sobre a egreja com hum peitoril (...). A serventia deste coro fez[-se] no outro pano pegado da banda do norte [com] escada pello grosso da parede". *5: Visíveis na portada iluminada do Livro 4º da Extremadura da Leitura Nova e numa inicial iluminada do livro 232 da Ordem de Cristo. Fr. Jeronimo Roman (1591) descreve o desaparecido corpo superior da Charola como um "cimborio" que os monges do Convento chamavam de "charolinha". Esta designação, a par da indicação de que era "armada sobre 28 pilares", pressupõe a existência de uma circulação anelar réplica da Charola, mas em escala reduzida. *6: "O Coro (antigo Cadeiral) é fabrica admiravel, naõ tem igual neste Reyno, e por ventura, nem em toda a Espanha. He obra de talha (...) em que se vem os antigos freires com habito clerical com barretes na cabeça e cruzes de Christo no peito e muitas figuras em nichos, humas de relevo, e outras de meyo relevo. Vemse tabem laçarias, folhagens, e brutescos, (...) tudo primores da arte, em que se esmeraram os engenhos da superior Alemanha e ate às cousas mínimas com tanta propriedade esculpedas que parece desafiar a natureza" - Fr. Jacinto de S. Miguel, c.1700, (Códice 8842, fl. 197). *7: A descrição da Sacristia nova (Filipina) por Fr. Jacinto de S. Miguel refere que, nesta, existia um santuário de relíquias com um relicário de ouro oferecido por D. Manuel "obrado pellos grandes engenhos da Índia" e um "habito de Christo em ouro esmaltado", oferecido por Filipe II, avaliado em 14.000 cruzados - a conhecida cruz de Cristo que faz hoje parte do Tesouro da Sé de Lisboa. *8: V. Claustro da Sé de Lisboa, São Francisco de Santarém e São Domingos de Guimarães. Na torre, à direita do antigo portal (S.), encontra-se uma placa undecentista que o Infante D. Henrique mandou trazer do Castelo de Pombal.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1991 / Lina Marques 2002 / Ricardo Branco 2006

Actualização

Cecília Matias 2006
 
 
 
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