Chafariz de São Domingos / Chafariz Devisme

IPA.00004807
Portugal, Lisboa, Lisboa, São Domingos de Benfica
 
Arquitectura infraestrutural, tardo-barroca. Chafariz integrado num longo muro, ritmado por pilastras de massa ou em silharia fendida, terminado em cornija e platibanda, vazada ou plena, com acrotérios, possuindo espaldar tripartido, coroado por urnas ou bolas de cantaria; o pano central, coroado por espaldar e obelisco, possui duas bicas em forma de golfinhos afrontados, encimadas por nicho e cartela rectangular com falsos brincos, a que se adossa tanque rectangular de ângulos recortados; os panos laterais possuem amplas almofadas e bancos adossados.
Número IPA Antigo: PT031106390377
 
Registo visualizado 1024 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Muro da quinta em alvenaria parcialmente rebocada e pintada de bege, percorrido por embasamento de cantaria e ritmado por falsas pilastras de massa ou, no pano central e nos extremos, em silharia fendida, formando catorze panos, com amplas almofadas rectangulares simples. O muro é rematado por platibanda, ritmada por acrotérios no alinhamento das pilastras, em cantaria vazada, nos panos extremos e no central, e plena, em alvenaria, nos intermédios, onde é decorada com cartela circular ladeada por almofadas rectangulares. Nos quatro primeiros panos, do lado esquerdo, rasgam-se quatro janelas rectilíneas, de peitoril e com bandeira, e no seguinte, uma outra janela, mas mais pequena, correspondentes a construções desenvolvidas na face interna do muro. Do lado direito, um dos panos é rasgado por amplo portal rectilíneo emoldurado. A zona central, o chafariz, propriamente dito, apresenta dois registos, o inferior sensivelmente saliente, e três panos de dimensões semelhantes, separados por pilastras em silharia fendida, encimadas por acrotérios que suportam, as centrais, urnas bojudas, ornamentadas por friso fitomórfico e coroadas por bola, e, as laterais, bola, em falta no lado esquerdo. O pano central remata por cornija em ressalto, coroada, ao nível do entablamento, por espaldar recortado, decorado com estrela de dezasseis pontas, em alto-relevo, terminado em cornija e rematado por obelisco piramidal. O espaldar possui, superiormente, tabela rectangular, almofadada e de falsos brincos rectos com pingentes, sob a qual surge nicho, em arco abatido, conservando ferragens e vestígios de policromia verde, contornando o mesmo *1; na zona inferior, mais larga e encurvada, aparecem duas bicas em forma de dois golfinhos afrontados, com dorso de escamas e tendo na extremidade motivo trevado, que vertem para tanque rectangular, com ângulos recortados, formado por lajes de linhas côncavas e convexas e de bordo boleado. Os panos laterais são decorados com almofadas rectangulares salientes e possuem adossados bancos de cantaria.

Acessos

Largo de São Domingos de Benfica, Travessa de São Domingos de Benfica, Rua de São Domingos de Benfica

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 5 DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 *1 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Palácio dos Marqueses de Fronteira (v. PT031106390113)

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Urbano, integrado no muro da Quinta Devisme, da Infanta ou Instituto de São Domingos de Benfica (v. PT031106390368), implantado numa zona de terreno de declive ligeiramente acentuado e rebaixado relativamente à via de circulação automóvel, separando-se da mesma por faixa relvada pontuada de árvores e por passeio em calçada. O chafariz volta-se para a colina N. do Parque Florestal de Monsanto. Na proximidade erguem-se o Palácio dos Marqueses de Fronteira e a Igreja de São Domingos de Benfica (v. PT031106390046).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Infraestrutural: chafariz

Utilização Actual

Marco histórico-cultural: chafariz

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1758 - Benfica tinha 805 vizinhos e 3960 pessoas; todos os Domingos do mês de Maio realizava-se, junto do Convento de São Domingos de Benfica, uma feira livre; tinha duas fontes, uma no Convento de São Domingos e outra na Quinta de Santo Eloy; 1760 / 1770, entre - construção do palácio da Quinta de Devisme, por iniciativa do negociante inglês Gerard Devisme e segundo o projecto de Inácio Oliveira Bernardes (1695-1781); 1784 - Gérard Devisme pretendeu construir um sistema de canalização para o palácio, a suas expensas, a partir de uma nascente que descobrira; 1784, 23 Julho - a Junta de Administração das Fábricas do Reino e Obra das Águas Livres embargou a obra, porque se sobrepunha à zona de protecção do Aqueduto das Águas Livres; 30 Julho - os arquitectos das Águas Livres, Reinaldo Manuel dos Santos e Francisco António Ferreira Cangalhas, ordenaram uma inspecção à obra; 4 Agosto - a rainha concedeu licença para que a obra prosseguisse, desde que passasse sob o aqueduto das Águas Livres (v. PT031106), para o que era necessário abrir um novo arco no mesmo, que ficaria a cargo do proprietário da obra; 30 Agosto - segundo o parecer dos arquitectos Reinaldo Manuel dos Santos e Francisco António Ferreira Cangalhas, a rainha D. Maria I autorizou a execução da obra, desde que passasse sob o aqueduto, implicando a abertura de um novo arco, que ficaria a cargo de Devisme; construção do chafariz integrado no muro S. da quinta Devisme, com encanamento feito até ao Aqueduto geral das Águas Livres; 1786, 16 Dezembro - D. Maria I autorizou que o proprietário usasse a água de um anel do Aqueduto das Águas Livres, obrigando-se a construir um chafariz para uso público, abastecido pelas Águas Livres; 1787, 27 Março - alvará concedendo um anel de água ao chafariz, com a condição de que, quando esta escasseasse, teriam preferência os chafarizes prioritários; 1788, 9 Maio - implementação da autorização da rainha D. Maria I sobre a cedência de um anel de água do Aqueduto das Águas Livres; a Junta de Administração das Águas Livres decide que, em caso de falta de água, este chafariz seria encerrado; 1851 - os sobejos que haviam sido concedidos a Gerard Devisme, e herdados pelo Marquês de Abrantes, passaram para a posse da Infanta D. Isabel Maria; 1946 - o chafariz era alimentado pela mina da Câmara Municipal de Lisboa, que corria através do chafariz e destinava-se a usos alimentares e domésticos; é abastecida pela rede pública.

Características Particulares

Chafariz construído por iniciativa particular para abastecimento de água a uma quinta com encanamento feito a partir do Aqueduto Geral das Águas Livres. De referenciar as bicas, em forma de golfinhos entrelaçados, embora apresentem caudas trevadas, elemento pouco vulgar. O tanque apresenta linhas sinuosas, o elemento mais barroquizante e dinâmico de conjunto, com a base larga e curva, numa solução semelhante às dos chafarizes de espaldar de pequenas dimensões, como surge no Chafariz do Arco de São Mamede (v. PT031106461292). É o único chafariz deste período que recorre ao obelisco para rematar uma estrutura de espaldar, neste caso assente em base curva e ornada por estrela, sob a qual surge um nicho em arco abatido, que ostentaria, provavelmente, um elemento votivo.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Espaldar, bicas, tanque, bancos, pilastras, molduras dos vãos, platibanda, cartelas, urnas, obelisco e bolas em cantaria calcária; parede do muro e parte da platibanda em alvenaria rebocada e pintada.

Bibliografia

ANDRADE, José Sérgio Velloso d', Memoria sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, Lisboa, Imprensa Silviana, 1851; PINHO, Bernardino de, Inventário das Minas, Poços, Furos e Cisternas da área da Cidade de Lisboa, in Boletim da Comissão da Fiscalização das Águas de Lisboa, II série, n.º 28, Lisboa, Ministério das Obras Públicas, 1946, pp. 25-38; PROENÇA, Padre Álvaro, Benfica Através dos Tempos, Lisboa, 1964; PORTUGAL, Fernando, MATOS, Alfredo de, Lisboa em 1758, Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, 1974; CAETANO, Joaquim de Oliveira, SILVA, Jorge Cruz, Chafarizes de Lisboa, Sacavém, Distri-Editora, 1991; FERREIRA, Jorge Rodrigues, São Domingos de Benfica. Roteiro, Lisboa, 1991; CONSIGLIERI, Carlos e OUTROS, Pelas Freguesias de Lisboa. O Termo de Lisboa, Lisboa, 1993; SANTANA, Francisco, SUCENA, Eduardo, Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, 1994; FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999; Câmara Municipal de Lisboa, www.cm-lisboa.pt, 26 Fevereiro 2007.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

*1 - Por decreto do Ministério da Cultura (dec. nº 5/2002 de 19 de Fevereiro) foi alterado o Decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que designava o imóvel como "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte redacção: "Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa.". *2 - O nicho rasgado no espaldar do chafariz, provavelmente, albergaria imagem, já que existem ferragens no lado esquerdo e no direito, que seriam elementos de fixação de uma grade à cantaria.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1996 / Marta Ferreira 2007

Actualização

 
 
 
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