Catedral do Funchal / Sé do Funchal

IPA.00005015
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Arquitetura religiosa, manuelina, mudéjar, maneirista, barroca, rococó e revivalista. Sé com estrutura filiada no gótico mendicante, visível em outras Sés contemporâneas, como a de Silves e de Lamego, de planta em cruz latina, composta por três naves escalonadas, permitindo a iluminação direta de todas elas, transepto saliente e cabeceira tripla escalonada, de topos poligonais, contrafortada, interiormente iluminada por clerestório, rosáceas no topo do transepto e pequeno óculo sobre o arco triunfal, e com coberturas de madeira nas naves e abobadada na cabeceira. Fachada principal revelando a divisão espacial interior, rasgada por portal, de arquivoltas apontadas rematadas em canopial, e rosácea. Fachadas laterais com porta travessa e frestas, tendo, na lateral esquerda, torre sineira com coruchéu revestido a azulejos executados segundo a técnica hispano-mourisca. No interior, molduras dos vãos de inscrições tipicamente manuelinas com arcos canopiais, cairelados e polilobados. Cobertura das naves e transepto com tetos de alfarge utilizando as técnicas de "par y nudillo" e de "limas moamares", pintados com grutescos inspirados em gravuras e heráldica, e da cabeceira com nervuras e panos das abóbadas pintados, sobre mísulas vegetalistas, zoomórficas e antropomórficas. Os retábulos do transepto são em talha dourada maneirista, de dois andares e três eixos, e os da nave são mais tardios, com estrutura e decoração rococó, igualmente de três eixos, estilo que se repete na estrutura retabular da antiga sacristia, se bem que mais elaborado e de planta côncava. Capela do Santíssimo revestida a talha tardo-barroca, cuja estrutura aponta para uma linguagem rococó. Na capela-mor, cadeiral e retábulo-mor manuelinos, este em políptico, de planta côncava, tês registos e cinco eixos, com painéis pintados essencialmente com cenas historiadas, de temática eucarística no primeiro registo, Mariana no segundo e Cristológica no último, sendo rematado por sobrecéu e platibanda rendilhada coeva.
Número IPA Antigo: PT062203100001
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta em cruz latina, composta por três naves com cinco tramos cada, transepto saliente e cabeceira tripartida, escalonada e de topos poligonais, tendo adossada a NE. a antiga sacristia, quadrangular, sobreposta por torre sineira, ao transepto S. a capela de Nossa Senhora dos Anjos, retangular, seguida para E. da antecâmara da Confraria do Santíssimo, quadrangular, e da sala da Confraria, trapezoidal; independentes surgem as dependências da casa do Cabido, retangulares, a que se adossa sacristia, retangular, delimitando dois pequenos pátios interiores, irregulares, em redor da cabeceira. Volumes articulados de tendência horizontal, à exceção da torre que tem tendência vertical, com coberturas diferenciadas em telhados de uma água nas naves laterais, de duas na nave central e transepto, de três e quatro águas nas dependências anexas, rematadas em beirada tripla, em terraços sobre a cabeceira e em coruchéu piramidal revestido a azulejos na torre. Fachadas predominantemente rebocadas e pintadas de branco, com cunhais em cantaria. A fachada principal vira-se a O. e tem três panos escalonados, o central pétreo e saliente, terminado em empena com cornija, coroada por cruz, e com dois registos separados por cornija; no primeiro registo abre-se portal de arco apontado, com seis arquivoltas, a exterior canopial e com decoração vegetalista, assentes em colunelos de capitéis fitomórficos, encimado por brasão real e coroa aberta; no segundo registo abre-se rosácea com grilhagem radiante centrada por cruz. Panos laterais cegos, delimitados por cunhais de cantaria, com lápides epigrafadas alusivas ao Santíssimo Sacramento (esquerda) e a Nossa Senhora da Conceição (direita). Nas fachadas laterais, as naves são rasgadas por porta travessa, em arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, encimado por friso e cornija reta, e por quatro frestas, em arco de volta perfeita, com capialços profundos; na nave central, rasgam-se quatro frestas semelhantes. Braços do transepto terminados em empena, rasgados por rosácea com decoração radiante, janela em arco de volta perfeita a O. e fresta a E.. Na fachada N., a antiga sacristia, sobreposta pela torre sineira, é rasgada por portal em arco apontado, acedido por lanço de escadas adossadas, sobreposto por frestas e pequenas janelas retangulares; no pano virado a E. abre-se, no primeiro registo, janelão mainelado de arcos apontados, inserido em arco de volta perfeita, encimado por duas janelas em arco de volta perfeita; o registo superior da torre, em cantaria, é rasgado, em cada uma das faces, por vãos simples e geminados, em arco de volta perfeita, e remata em parapeito ameado, tendo ao centro relógio circular de cantaria. Num plano recuado, tem corpo também quadrangular, sobre o qual assenta o coruchéu. Na fachada S. e no alinhamento do transepto, surge o pano da capela de Nossa Senhora dos Anjos, alto, com duas janelas estreitas retangulares e o pano das salas da Confraria do Santíssimo Sacramento, mais baixo, com dois registos, abrindo-se, no primeiro, porta de verga reta, com bandeira, entre duas janelas jacentes e, no segundo, três janelões retangulares, gradeados. Fachada posterior com a cabeceira de cantaria, composta por ábside de topo facetado, com quatro contrafortes escalonados nos ângulos, com gárgulas de canhão, coroados por pináculos piramidais sobre plintos paralelepipédicos; é rasgada por duas frestas em arco apontado com colunelos de capitéis antropomórficos (SE.) e vegetalistas (NE.) e rematada em balaustrada, com pequeno campanário a N.. Absidíolos reforçados por contrafortes escalonados, com gárgulas de canhão, coroados por pináculos torsos; no absidíolo S. abre-se janela em arco adintelado, gradeada, e, no absidíolo N., porta de verga reta; remates em platibanda vazada e trevada. A E., dispõe-se o pano da sala da Confraria, com janela jacente e muro do pátio, com portal em arco e portão de ferro; o corpo das casas do Cabido tem fachada terminada em cornija, de dois pisos, rasgados por sete janelas retangulares sobrepostas, sendo as do primeiro piso de peitoril, com caixilharia de guilhotina e gradeadas, e as do segundo de sacada, com bandeira, encimadas por friso e cornija e com guardas de ferro. No INTERIOR, as naves, escalonadas, são separadas por arcos apontados, de amplo vão, sendo os que flanqueiam o cruzeiro ainda maiores, sobre pilares cruciformes pintados a marmoreados fingidos, com bases estreladas e capitéis baixos com meias-esferas, exceto os do topo E., com folhagem, e os do O., com alcachofras, cabaças, folhas, flores, romãs e hera. Nave central com clerestório, tendo no primeiro tramo o coro-alto, sobre três arcos apontados, providos de guarda-vento em madeira e bandeira envidraçada; lateralmente comunica por dois vãos, gradeados e em arco canopial rematado por esfera armilar com o Batistério, no lado do Evangelho, e com a "casa das escadas", no lado da Epístola, ambos abertos e sobre os quais se prolonga o coro-alto, com guarda em balaustrada de madeira; ao centro e adaptado ao perfil da rosácea, tem órgão de tubos e, no pavimento cinco tampas de sepulturas epigrafadas. Adossado ao último pilar do Evangelho, surge púlpito de cantaria, de bacia circular, guarda plena de cantaria, helicoidal, sobre coluna torsa, com baldaquino facetado em talha, acedido por escada também de cantaria. Na nave lateral do Evangelho, o batistério tem abóbada de cruzaria de ogivas, com bocete vegetalista, apoiada em colunas com capitéis vegetalistas e anéis torsos; alberga pia batismal de taça facetada, de panos côncavos, e pé estrelado. Nas naves laterais rasgam-se seis capelas confrontantes, pouco profundas, em arco apontado, de três arquivoltas assentes em pilastras e colunas, pintado a marmoreados fingidos, com retábulos de talha dourada e policroma; estes são dedicados às Almas, Nossa Senhora do Desterro e aos Milagres, no lado do Evangelho, e a Nossa Senhora de Fátima, São José e São Miguel, no lado da Epístola, protegidas por teia de madeira, em balaustrada, formando U, contendo no pavimento fragmentos de tampas de sepulturas com inscrições. Entre as capelas, abrem-se irregularmente quatro janelas e, no segundo tramo, porta em arco rebaixado com pia de água benta de taça facetada. Cobertura em tetos de alfarge, com entrelaçados geométricos e pingentes, apoiados em frisos perfilados por cordões, totalmente pintados com grutescos e flores. As naves finalizam em arcos, canopial na central, encimado por óculo, e apontados nas laterais, sobre mísulas de folhas, flores, cabaças e cachos de uva. Transepto com capelas nos topos, a do Evangelho dedicada ao Senhor Bom Jesus *1 e a da Epístola a Santo António, com retábulos de talha dourada, integrando telas e rosácea central. O transepto separa-se do cruzeiro por arcos apontados, formando três secções, cada uma delas com cobertura em tetos de alfarge oitavados, sobre trompas de ângulo e circundados por largos frisos de madeira com cordão, tudo pintado com grutescos, flores e elementos heráldicos. Absidíolos de arcos apontados sobre colunas com capitéis de folhagem, vieiras, taças e jarros, no lado do Evangelho, e zoomórficos, no da Epístola, com anjos relevados nos seguintes, encimados por friso de acantos sobreposto por tabela ovalada com remate em frontão triangular, e com interior pintado, figurando a Nossa Senhora do Manto (Evangelho) e a Última Ceia (Epístola). Os absidíolos têm dois tramos e abóbada de cruzaria de ogivas, com cadeia longitudinal, o primeiro retangular e o segundo poligonal, com bocetes florais e heráldicos; o do Evangelho, dedicado a Nossa Senhora de Lurdes, é rasgado na parede testeira por vão de verga reta para ligação à sacristia dos Cónegos; encima-o plinto com imagem do orago, acedido por dois lances de escadas laterais, com balaustrada de madeira, e com os paramentos de suporte das escadas revestidos a azulejos azuis sobre fundo branco, com composições figurativas, representando a Adoração dos Pastores no lado do Evangelho e a Anunciação no lado oposto. O absidíolo da Epístola, dedicado ao Santíssimo Sacramento, possui retábulo de talha dourada e esculturas de vulto. Arco triunfal de duas arquivoltas apontadas, com intradorso cairelado com pequenas flores, cingidas por arco canopial, sobre colunelos com capitéis zoomórficos. Capela-mor com cobertura em abóbada polinervada de três tramos, o último facetado, com fechos unidos por cadeia longitudinal, decorada com bocetes heráldicos e vegetalistas, apoiada em meias colunas pintadas com motivos vegetalistas dourados, e capitéis vegetalistas e antropomórficos; nos panos da abóbada surge pintura policroma de arabescos, acantos e putti. Nas paredes laterais dispõe-se cadeiral de talha policroma a azul e dourada, de duas ordens de cadeiras, distribuídas em duas fiadas confrontantes, a segunda encimada por espaldar ornado com figuras antropomórficas com os seus atributos, sobrepostos por baldaquinos de decoração vegetalista rendilhada. Superiormente, as paredes integram seis painéis pintados, com molduras recortadas, envolvidas por elementos vegetalistas e com baldaquino, representando cenas da vida da Virgem: Apresentação da Virgem no Templo, Casamento Místico da Virgem e Anunciação (Evangelho), e Fuga para o Egito, Adoração dos Reis Magos e Adoração dos Pastores (Epístola). Retábulo-mor de planta côncava, ocupando a parede testeira da ábside e prolongando-se por parte de um pano das ilhargas, compondo-se de três registos separados por frisos com decoração vegetalista e cornija, e cinco eixos delimitados por pilastras com edículas, algumas mantendo imaginária, que emolduram treze painéis pintados sobre tábua, e, no eixo central, sacrário encimado por nicho. Doze dos painéis têm cenas historiadas; as do primeiro registo figuram, da esquerda para a direita, Abraão e Melquisedeque, Última Ceia, Missa de São Gregório e Apanha do Maná; no segundo, de temática Mariana, figuram a Anunciação, Natividade, Pentecostes e Assunção da Virgem; no último, com cenas da Paixão de Cristo, surgem Cristo no Horto, Cristo a Caminho do Calvário, Descida da Cruz e Ressurreição. No eixo central, surge inferiormente o sacrário em forma de templete rematado com elementos fitomórficos rendilhados formando falsa platibanda, encimado por pequena torre com o mesmo tipo de decoração, enquadrado por dois nichos das colunas com imagens, talvez dos Profetas; ao centro, surge nicho, em talha dourada, albergando a imagem do orago, encimado por volutas de talha; no terceiro registo, tem painel com representação do Senhor da Cana Verde. Encima o retábulo vasto sobrecéu em meia-abóbada nervada, também dividido em cinco registos, coroados por fina platibanda rendilhada, ostentando o central as armas de D. Manuel e, nos dois eixos seguintes, a esfera armilar; entre o remate e o baldaquino, surge tirante de ferro, fixo nos panos laterais da capela, conservando ainda as argolas de suporte das antigas cortinas. A antiga sacristia, tem retábulo, lavabo pétreo de espaldar, em arco de volta perfeita, uma janela mainelada a E., e a NO. saliência correspondente à escada da torre; cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas com fecho decorado com cruz da Ordem de Cristo. Capela de Nossa Senhora dos Anjos com teto de estuque, em gamela, decorado com motivos vegetalistas pintados e, ao centro, brasão real; nas paredes tem arcazes e armários de madeira embutidos, com almofadas entalhadas; no topo, retábulo. A antecâmara da sala da Confraria do Santíssimo, a E., tem lavabo de cantaria, terminada em cornija sobreposta por cruz, e a sala de reuniões que se segue silhar de azulejos azuis sobre fundo branco, de moldura recortada, com representação de cenas galantes; cobertura em teto de madeira octogonal sobre trompas, tendo ao centro cartela pintada com o Agnus Dei. A sacristia, com entrada independente, possui arcaz e oratório. Os edifícios do Cabido são intercalados por estreito átrio abobadado com grande lavabo de mármore, terminado em frontão curvo com tímpano concheado.

Acessos

Largo e Rua da Sé, Rua do Aljube e Rua João Gago. VWGS84 (graus decimais) lat.: 32.648233, long.: -16.908086

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, isolado, no coração do centro histórico do Funchal, no antigo Campo do Duque (v. PT062203100109), em terreno com inclinação suave para S.. Insere-se parcialmente em amplo adro, desnivelado relativamente ao arruamento que corre a N., uma das principais vias da cidade, sendo murado neste mesmo lado e gradeado no oposto e frontal; o adro é acedido frontalmente por portão de ferro e a NE. por escada. Fecha-o na fachada posterior os edifícios da sacristia e do Cabido, ligados por muro com portão à sala da Confraria do Santíssimo Sacramento e à capela de Nossa Senhora dos Anjos, adossados ao transepto, os quais são circundados por duas ruas sem trânsito automóvel. Nas proximidades erguem-se outros imóveis de interesse, como a Casa da Alfândega (v. PT062203100008), o edifício do Banco da Madeira (v. PT062203100142), o Palácio de São Lourenço (v. PT062203100109), e outros.

Descrição Complementar

PORTAL principal de seis arquivoltas em arco quebrado apoiadas em colunelos lisos e facetados, intercalados, e envolvidas por arco pseudo-conopial (o arco interrompe-se superiormente em dois segmentos retilíneos verticais onde assenta um diminuto arco em cortina) cuja moldura é de secção sensivelmente maior e intradorso preenchido com decoração vegetalista relevada: um caule ascendente com folhagem, terminando em alcachofra; no fecho tem flor sob mísula com taça (truncada); a base dos colunelos apoia-se sobre plinto, apresentando vestígios de decoração rendilhada com folhagem estilizada, e os capitéis são esculpidos com pequenos troncos entrançados com folhas, flores e frutos. As faces interiores da porta têm painéis de madeira com incisões profundas, formando desenho estruturado à volta de estrelas de oito e doze pontas, cujos braços se entrelaçam com os motivos seguintes. TORRE SINEIRA terminada em coruchéu quadrangular piramidal, revestido a azulejos, numa altura de 73 azulejos, lisos, de cor castanha (óxido de manganés), azul cobalto, amarelo melado (óxido de ferro), verde (óxido de chumbo) e branco (óxido de estanho), numa composição formando linhas diagonais alternadas. COBERTURAS INTERIORES: as naves e o transepto são cobertos com tetos de alfarge; o da nave central de perfil trapezoidal é composto por uma esteira longitudinal ladeada por dois panos oblíquos (saias), a que se aplicam regretas entrecruzadas compondo laçarias geométricas que, na esteira, enquadram florões, pingentes e "senos" (conjuntos de prismas côncavos) dourados, e nas saias formam estrelas e losangos que interrompem o paralelismo das asnas. Os tetos das naves laterais são de pano único, embora com ângulo, possuindo esquema formal idêntico ao das saias da nave central; ambas as coberturas se apoiam em frisos de madeira perfilados por cordão esculpido e são totalmente revestidas com pinturas de ramalhetes, flores e sobretudo grutescos que preenchem os interstícios das regretas e os frisos. Nos da nave central a temática é maioritariamente composta por grifos ou dragões alados, figuras híbridas com torso animal e cabeça humana, golfinhos semi-vegetalistas, grandes vasos floridos, máscaras e figura masculina armada de lança sobre carro triunfal, intercalados e envolvidos por enrolamentos de folhagem; nos panos laterais dominam pequenos vasos de ramagem e flores. Na nave lateral S. o friso apresenta série de águias alternadas com bucrâneos decorados com videiras e cornucópias e na lateral N. grandes vasos ladeados por golfinhos, volutas vegetalistas e meninos alados que tocam dois tambores; as pranchas do teto são preenchidas com candelabros incluindo elementos vegetalistas e florais, vasos, taças e pequenas figuras humanas. Nos braços do transepto os tetos são oitavados, em maceira, sobre trompas de ângulo em leque, utilizando a técnica de "limas moamares" (laroz de viga dupla); a composição e decoração das esteiras assemelha-se à da nave central, diferindo nos frisos onde, para além dos grutescos, constituídos por bucrâneos, golfinhos, vasos, enrolamentos de folhagem e flores, cabeças de dragão e figuras humanas, surge heráldica manuelina: brasão real, esfera armilar e cruz da Ordem de Cristo, que marcam o eixo central das composições de grutescos; nas trompas-de-ângulo e nas saias predominam os candelabros vegetalistas que se elevam de vasos e as estrelas são preenchidas com flores. Os RETÁBULOS DA NAVE são semelhantes, de talha pintada a marmoreados fingidos, de planta reta e três eixos, definidos por duas colunas de fuste liso e o terço inferior marcado, e por duas pilastras coríntias, assentes em plintos galbados; no eixo central têm nicho com moldura dourada, contracurva e de acantos enrolados, albergando as imagens do orago; nos eixos laterais, têm mísulas com imaginária, encimadas por baldaquino contracurvo; remate em frontão semicircular na zona central, sobre o qual evolui, duas pilastras encimadas por fragmentos de frontão, que enquadram um espaldar recortado com enorme cartela e remate em cornija. O retábulo dedicado a São José possui sacrário na base e altar paralelepipédico com frontal em prata repuxada, formando motivos fitomórficos, tendo sebastos e sanefa decorados por acantos. Os demais têm altares em forma de urna, decorados com marmoreados e elementos fitomórficos dourados. Os RETÁBULOS DOS TOPOS DO TRANSEPTO são semelhantes, de talha dourada e planta reta, de dois registos divididos por friso, de acantos e querubins, e cornija, e de três eixos, definidos por quatro colunas, de ordem colossal no primeiro registo; nos eixos laterais surgem telas pintadas com temática alusiva aos respetivos oragos; remate em frontão semicircular, formando falsa tabela, a enquadrar a rosácea que ilumina o espaço, circunscrita por quarteirões e aletas, onde repousam dois anjos de vulto; a tabela é encimada por pequeno frontão de lanços. O retábulo do lado do Evangelho, dedicado ao Crucificado, tem os eixos divididos por colunas de fuste espiralado e de terços marcados, assentes em duas ordens de plinto paralelepipédicos, os inferiores de cantaria e almofadados e os superiores com elementos fitomórficos; no eixo central tem painel de talha, com enorme resplendor a envolver o orago. O do lado da Epístola é mais elaborado, sendo as colunas divisórias torsas e decoradas por pâmpanos; no eixo central do primeiro registo tem nicho côncavo flanqueado por quatro colunas torsas, sobre consolas, que evoluem em duas arquivoltas, unidas por aduelas, formando o ático; no segundo registo, ao centro, tem nicho profundo semicircular, ladeado por painéis de talha decorados com acantos; possui sacrário na base do nicho e altar paralelepipédico, ostentando, no frontal, cartela e acantos. ABSIDÍOLOS: No absidíolo do Evangelho, sob as escadas de acesso ao oratório, são ainda visíveis restos do silhar de azulejos seiscentistas em enxaquetado; as escadas são flanqueadas por duas portas em arco quebrado. A capela do Santíssimo Sacramento possui, sobre supedâneo de três degraus centrais, retábulo de talha dourada, de planta côncava, adaptada à estrutura poligonal do absidíolo, e de três eixos, definidos por colunas torsas com falsa espira fitomórfica; o eixo central tem painel relevado, representando um grande resplendor a envolver o sacrário e, os laterais, mísulas sustentando imaginária protegida por baldaquino; as colunas prolongam-se em mísulas que sustentam o remate em sobrecéu, decorado por acantos, e cornija contracurva; altar paralelepipédico. A talha prolonga-se nas ilhargas, repetindo os módulos decorativos do retábulo nos dois tramos, definidos por colunas torsas, aparecendo, nos intercolúnios, mísulas com imaginária protegida por baldaquinos, exceto no segundo do lado da Epístola, rasgado pela janela que ilumina o espaço. CAPELA-MOR: Cadeiral com as cadeiras da primeira ordem, mais pequenas e interrompidas por duas escadas de acesso às posteriores, são encimadas por friso com motivos fitomórficos dourados; as da segunda ordem, de espaldar alto, seccionado em vinte e dois assentos por pilastras rematadas por coruchéus dourados, possuem a meio, figuras relevadas, assentes em mísulas esculpidas, retratando os Apóstolos, Profetas, Santos mendicantes, monges beneditinos ou cistercienses e outros. Encima o conjunto baldaquinos subdivididos por cadeiras, com decoração fitomórfica rendilhada, intercaladas por pilastras rematadas em pináculos com cogulhos vegetalistas; os correspondentes à primeira cadeira de cada lado são mais avançados. O Retábulo-mor surge sobre supedâneo de cantaria, acedido por cinco degraus recortados, e tem sotobanco apainelado pintado a marmoreados verdes. Vitrais da capela-mor com representação de Nossa Senhora da Conceição, no lado do Evangelho. ANTIGA SACRISTIA, a atual capela de Nossa Senhora dos Varadouros, possui retábulo de talha policroma a branco e elementos decorativos dourados, de planta côncava e três eixos definidos por colunas de fuste liso e marmoreados fingidos a rosa, assentes em plintos galbados; o eixo central, proeminente, é formado por nicho envidraçado com uma imagem da Virgem sobre plinto e remate em espaldar recortado, tendo cartela e flanqueado por pilastras e aletas decoradas por acantos; os eixos laterais têm mísulas encimadas por baldaquinos, rematados por friso e cornija; altar paralelepipédico com o frontal quadripartido, decorado por elementos fitomórficos e sanefa. O retábulo é prolongado por duas ilhargas, tipo armário, pintadas de branco. A CAPELA DOS ANJOS possui pequeno oratório formado por sotobanco de madeira em branco, sobre o qual assenta uma estrutura de talha dourada, de planta reta e um eixo, tendo painel central com a representação pictórica do orago, flanqueado por colunas com o terço inferior decorado por motivos vegetalistas e os dois terços superiores torsos; sobre friso, tem frontão interrompido por cartela circular enrolada, representando a "Coroação da Virgem" em relevo dourado. A SALA DE REUNIÕES DA CONFRARIA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO possui janelas conversadeiras, porta de acesso ladeada por dois armários embutidos e silhar de azulejos com composições separadas por quarteirões e putti, sobrepujados por vasos. Ao centro dispõe-se mesa circular com cadeiras e no fundo armário com alçado envidraçado. A SACRISTIA tem a toda à volta arcazes de madeira entalhada, encimados por espaldar, ritmado por pilastras de acantos, assentes em consolas e coroados por pináculos, rematado em espaldares vegetalistas rendilhados; no topo, surge oratório de planta reta e um eixo, definido por quatro colunas torsas que se prolongam em duas arquivoltas, unidas por aduelas, flanqueadas por pilastras que suportam o frontão interrompido do ático; ao centro tela pintada com São Pedro; altar em forma de urna. O oratório é ladeado por dois armários embutidos que interrompem os painéis do espaldar. Cobertura de estuque octogonal sobre trompas de ângulo concheadas. INSCRIÇÕES DO INTERIOR *2: 1 - Tampa de sepultura circundada por uma orla insculpida, outrora preenchida com lâminas de bronze epigrafadas, cujos cantos evidenciam os recortes dos medalhões quadrilobados onde estavam representados os atributos dos quatro Evangelistas; ao centro uma concavidade prova a existência de uma lâmina de bronze retangular, composta por quatro lâminas, hoje também desaparecida; Dimensões: 2,70x147,5; segundo Pita Ferreira nesta tampa estava gravada a inscrição funerária de Pedro de Brito Oliveira Pestana, de sua mulher, D. Catarina de Bettencourt, e D. Iria de Morais, nora de ambos. 2 - Inscrição funerária gravada, no sentido dos ponteiros do relógio, na orla de uma tampa de sepultura com moldura filetada; ao centro tem as armas dos Barros: escudo com três bandas de..., acompanhadas de nove estrelas de seis pontas, dispostas 1, 3, 3 e 2, praticamente apagadas; timbre: aspa de..., carregado de cinco estrelas do escudo; está situada entre o sub-coro e a nave central e tem um orifício no topo superior esquerdo, sob o 1º campo epigráfico, feito para encaixar o fecho do guarda-vento que está sobre a tampa; superfície epigrafada com alguma erosão; Dimensões: 216,5x82,5; Campo Epigráfico: 1: 10x69, 2: 10x203,5; 3: 10x68,5; 4: 10x204,5; Moldura: 6; Brasão: 56x44,5; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE GONÇALO DE BARROS E DE SUA MULHER HERDEIROS FALECEU A TREZE DE FEVEREIRO DA ERA DE 1602 ANOS. 3 - Inscrição funerária gravada numa tampa sepulcral, delimitada por moldura rematada em arco cairelado; superfície epigrafada muito deteriorada, principalmente a do lado direito; rombo no final do campo epigráfico "restaurado" com um pedaço de pedra; Dimensões: 176,5x51,9; Campo Epigráfico: 165x41,8; Moldura: 4 / 4,5; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE ANTÓNIO(?) RODRIGUES [...] ESCUDEIRO FIDALGO DA AIEANI (?) E SUA MULHER MARIA DE CORCIA (sic) DROMOND E HERDEIROS. 4 - Inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura com moldura filetada; truncada no canto inferior direito; Dimensões: 18.2x79; Campo Epigráfico: 1,65x62,5; moldura: 8; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DO CÓNEGO ANTÓNIO LOPES DE ANDRADA. 5 - Inscrição funerária gravada, no sentido dos ponteiros do relógio, numa tampa de sepultura hoje invertida; campo epigráfico orlado por moldura filetada e acantonada pelos símbolos dos quatro Evangelistas em medalhões quadrilobados; superfície epigráfica muito deteriorada, especialmente no terceiro e quarto campo epigráfico, afetando as imagens do tetramorfo, e nas extremidades da laje; Dimensões: 191,5x102,5; Campo Epigráfico: 1: 10x53,5; 2: 10x141,5; 3: 10,3x53,5; 4: 10x141,5; Moldura: c. de 7 cm; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE JO[Ã]O MENDES E DE [S]UA MULHER BRAN[CA] (?) [...] E [DE] SEUS HERD[EIROS...]. 6. Inscrição funerária gravada numa tampa de escultura enquadrada por moldura filetada, muito deteriorada no lado esquerdo, rematada por arco canopial; Dimensões: 192x86,5; Moldura: 7; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE FRANCISCO FERNANDES DA MADEIRA [E] HERDEIROS. 7 - Inscrição funerária gravada em campo epigráfico localizado a meio da tampa da sepultura, enquadrado por uma moldura laminada de bronze, de que apenas resta a faixa superior ainda que partida, decorada com volutas; a tampa é circundada por uma orla insculpida, outrora preenchida com lâminas de bronze epigrafadas, cujos cantos evidenciam os recortes dos medalhões quadrilobados onde estava representado o tetramorfo; as cavilhas de cobre que fixavam estas lâminas à pedra ainda são visíveis; superfície epigrafada muito gasta; Dimensões: 39,5x56; Moldura: 5; Dimensões totais da tampa sepulcral: 199,5x105; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE MANUEL FERNANDES(?) TAVARES E DE SEUS HERDEIROS. 8 - Inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura, delimitada por moldura filetada rematada por arco polilobado, truncada no canto superior esquerdo e no remate inferior; Dimensões: 169, 5x85; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE SIMÃO DARIA E DE SUA MULHER E SEUS HERDEIROS. 9 - Tampa sepulcral outrora orlada por lâminas de bronze, rematadas nos cantos por medalhões quadrilobados com tetramorfo, como provam as concavidades hoje existentes; ao centro a representação em duas lâminas de bronze de um casal. 10 - Inscrição funerária gravada na parte superior de uma tampa de sepultura; ao centro um brasão de armas; o texto epigráfico, gravado decerto depois do brasão ter sido esculpido, está muito erodido; conglomerado de pedras; Dimensões: 240x111; Tipo de letra: gótica minúscula de forma; Leitura: [s]epultura d' Álvaro d' Ornelas fidalgo da casa d' el rei e da virtuosa dona Branca Fernandes d' Abreu sua mulher p[a]droeiros desta capela de Santo António e de seus herdeiros. 11 - Inscrição gravada numa lápide; sem moldura mas encimada por um rebordo ovalado concavo onde se gravou um brasão de armas; restos de argamassa de betão nos sulcos das letras; Truncada transversalmente; Dimensões: 76x154; rebordo ovalado: 28x28; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: AQUI JAZ DOM AIRES D'ORNELAS DE VASCONCELOS NASCEU NO FUNCHAL A 18 DE SETEMBRO DE 1837 BISPO DE GERASA IN PARTIBUS INFIDELIUM COADJUTOR E FUTURO SUCESSOR DO FUNCHAL 6 DE MARÇO 1871, BISPO DO FUNCHAL 27 DE OUTUBRO DE 1872, ARCEBISPO DE GOA PRIMAZ DO ORIENTE 19 DE NOVEMBRO DE 1874, MORREU EM LISBOA A 28 DE NOVEMBRO DE 1880 REQUIESCAT IN PACE. 12 - Inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura enquadrada por moldura dupla; Dimensões: 288,5x131,5; Campo Epigráfico: 204x107; Moldura: exterior: 7,5; interior: 4; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: AQUI JAZ O ILUSTRÍSSIMO BISPO DOM FREI ANTÓNIO TELES DA SILVA FILHO DE JOÃO GOMES DA SILVA REGEDOR QUE FOI DO PORTO E DE LISBOA FALECEU EM 14 DE FEVEREIRO DE 1682 ANOS. 13 - Inscrição funerária cinzelada em relevo, no sentido dos ponteiros do relógio, em lâminas de bronze que orlam a tampa da sepultura, exceto num dos lados onde a lâmina desapareceu, tendo nos cantos medalhões quadrilobados com os atributos dos quatro Evangelistas; as palavras estão separadas por motivos florais que ornamentam a inscrição; no terço superior da tampa existe um retângulo escavado que conteve uma lâmina de bronze, com uma outra inscrição ou com o retrato do defunto, de que subsistem as cinco cavilhas de fixação da mesma; sensivelmente a meio da tampa está um escudo com um símbolo de comerciante idêntico a outros usados por indivíduos ligados à indústria do papel ou da impressão de livros; a terceira lâmina está muito gasta pela erosão, já não sendo visíveis os relevos do último ramo de flores; Dimensões: 214, 5x107,5; Campo Epigráfico: 1 e 3 : 10,8x57,3; 2: 10,5x166; 4 (sem a lâmina de bronze): 10,8x166,5; ramagens: 20,5; Medalhões quadrilobados e símbolos: 22,3x21,5; escudo: 22,5x18,5; cavidade retangular: 28,5x59; Tipo de letra: capital quadrada em relevo; Leitura: (ramo de malmequeres) ESTA (ramo de rosas) (duas pequenas flores) SEPULTURA (ramo de malmequeres) É (ramo de rosas) DE (ramo de carvalho) JOÃO (ramo de rosas) (ramo de malmequeres) RODRIGUES (ramo de rosas) [...]. 14 - Inscrição funerária gravada no sentido dos ponteiros do relógio, numa tampa de sepultura hoje invertida; o campo epigráfico é orlado por moldura filetada rematada nos cantos pelos atributos dos quatro Evangelistas enquadrados por medalhões quadrilobados; algumas hastes ascendentes e descendentes das letras estão delidas; Dimensões: 229x129,5; Campo Epigráfico: 1: 13x69; 2: 13x168; 3: 13x69,3; 4: 13x169; Moldura: c. 8,5; medalhões quadrilobados e símbolos: 29,5x29,5; Tipo de letra: gótica minúscula com algumas letras góticas maiúsculas; Leitura: Sepultura de Marcos Lopes escudeiro da casa del Rei nosso senhor e mamposteiro-mor dos cativos desta ilha. 15 - Inscrição funerária gravada no terço superior de uma tampa de sepultura orlada por moldura filetada rematada superiormente por duplo arco; três quadrados foram esculpidos: um no final da 2ª linha; outro no 3º espaço interlinear e o último no último espaço interlinear; Dimensões: 211x81,5; Campo Epigráfico: 58,5x66,5; Moldura:6,5/12; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE DOM LEÃO HENRIQUES E SEUS HERDEIROS. 16 - Inscrição funerária gravada no sentido dos ponteiros do relógio, numa tampa de sepultura, hoje invertida; o campo epigráfico é orlado por uma moldura filetada rematada nos cantos pelo tetramorfo enquadrado por medalhões quadrilobados, estando dois deles, os que contêm o homem e o toiro incompletos pela adaptação da laje ao pavimento; superfície epigrafada erodida no segundo campo epigráfico, mas não afeta a leitura; Dimensões: 221x103,5; Campo Epigráfico: 1: 11x62,5; 2: 11x169,5; 3: 11x62,5; 4: 11x169,5; Moldura: de um lado 7,5 do outro 2, 5; Medalhões quadrilobados e símbolos: 25x25; Tipo de letra: gótica minúscula com algumas letras góticas maiúsculas; Leitura: Esta sepultura é de Guiomar Rodrigues que Deus haja mulher de Simão Fernandes que faleceu dia de todos os santos do ano de 1541.17 - Inscrição funerária gravada no terço inferior de uma tampa de sepultura; o campo epigráfico é enquadrado por uma cartela encimada por um brasão de armas (67x46,5) tendo por timbre um chapéu cardinalício com 12 borlas; Brasão: escudo esquartelado no I Velho; no II Figueiredo com pomba no chefe; no III duas cabras volvidas; no IV Travaços; Dimensões: 214,5x105,5; Moldura: 12; Mármore; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: AQUI JAZ DOM LUÍS DE FIGUEIREDO DE LEMOS BISPO QUE FOI DO FUNCHAL FALECEU A XXVI DE NOVEMBRO DE MDCVIII ANOS. 18 - Inscrição funerária gravada em tampa de sepultura, enquadrada por moldura filetada; Dimensões: 187x70; Campo Epigráfico: 176,5x40; Moldura: 4/4,5; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE MANUEL DOCEM CORRETOR DE SUA MULHER [E] HERDEIROS 1611 ANOS.19. Inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura enquadrada por moldura filetada; Dimensões: 218x101,5; Campo Epigráfico: 188x72; Moldura: 13,5/14; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: SEPULTURA DE PEDRO FARIA(?) E [...].

Utilização Inicial

Religiosa: sé

Utilização Actual

Religiosa: sé

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ALIMPADOR: João da Nóbrega (1772). CARPINTEIROS: António Mendes (1646-1650); Cristóvão Gomes de Sousa (1755); João de França (1697); João Moniz (1732); Manuel Afonso (1652); Manuel da Costa (1732); Manuel da Silva (1732); Manuel Lima (1646-1650); Manuel Pereira (1634 1646-1650); Miguel Fernandes (1646-1650). ENSAMBLADORES: João do Tojal (1512, cerca, atr.); Machim Fernandes (1512, atr.). ESCULTORES: Anjos Teixeira (1965-1966); Agostinho José Marques (1772, cerca). ENTALHADORES: António João (1772, cerca); Estêvão Teixeira de Nóbrega (1790, 1797-1801); José António da Costa (1772, cerca); José Dias de Araújo (1658); Julião Francisco Ferreira (1732); Manuel Francisco Gomes (1772, cerca); Manuel Pereira (1650, 1677); Manuel Pereira de Almeida (1696-1697, 1732). FUNDIÇÃO: António Alves (1814). IMAGINÁRIOS: Agostinho de Almeida (1696-1697); Domingos Moniz (1646-1650); Inácio Ferreira (1646-1650); José Fernandes (1646-1650); Martinho de Bettencourt (1646-1650). LADRILHADOR: Bernardo Friz (1735-1736); José Teixeira (1735). MESTRE-DE-OBRAS: Diogo Filipe Garcês (1732); João António de França (1732/1734); João Martins de Abreu (1734). NÃO DETERMINADO: Caetano da Costa (1735). ORGANEIRO: T. A. Samuel (séc. 20). OURIVES: António José Roque (1791); Custódio José da Cunha (1791); João da Silva Esteves (1766); Paul Mallet (1799). PEDREIROS: Pedro Anes; Gil Eanes; Teodósio Pestana (1697); João Vieira (1697). PINTORES: Mestre da Lourinhã (1512, atr.); António Vila Vicenzo (1751); João António (1755); João Nicolau Ferreira (1797-1801); Martim Conrado (séc. 18); Miguel de Coxcye (1581). PINTORES-DOURADORES: António Lopes (1695); Baltazar Gomes (1646-1650); Manuel Duarte (1646-1650); Manuel Francisco Moniz (1755). PINTOR DE AZULEJOS: oficina de Bartolomeu Antunes (1731-1735, atr.). PRATEIROS: António Araújo (1661); António Neto (1661); Manuel Aguiar (1731, atr.); oficina de Sebastião Bernardes dos Santos (1747); Simão Lopes (1661). RELOJOEIRO: Casa Gillet S. Johnston (1776); Paulo de França (1775).

Cronologia

1433, 26 setembro - carta de D. Duarte a D. Henrique doando a ilha da Madeira e sua jurisdição religiosa à Ordem de Cristo; 1455, 13 março - Bula "Inter Coetera" do Papa Calixto III confirma a doação; 1472, 21 janeiro - D. Beatriz, administradora da Ordem de Cristo, ordena que não deixem entrar na ilha nenhum bispo ou outra pessoa por sua ordem ou representação; carta do vigário de Tomar à Câmara Municipal do Funchal recomenda que ninguém usurpe a jurisdição espiritual das ilhas; 1485, 5 novembro - o ouvidor Brás Afonso Correia e o contador Luís de Atouguia demarcam o chamado Chão do Duque, junto à Ribeira de Santa Luzia; 1486, 3 outubro - D. Manuel cede chão para o concelho fazer Câmara, paço de tabeliães e picota; 20 novembro - carta de D. Manuel a Brás Afonso Correa sobre a abertura da praça e edificações, recomendando resguardar lugar para a igreja que se havia de fazer; 1488, 17 junho - D. Manuel manda erigir no Funchal um mosteiro de religiosas e a Igreja Paroquial, esperando "mandar fazer na dita Igreja huma boa capella grande e honrada, e encomenda às gentes (...) do Funchal, nobreza e povo, queiram fazer o corpo da Igreja tal, que corresponda com a dita capella; 1489, 20 abril - acorda-se em reunião da vereação construir a "igreja principal"; 11 junho - carta de D. Manuel tomando a responsabilidade "de principal fazedor da obra, depois da Osya, que lhe pertence como Governador da Ordem... mandar fazer"; ordena que nela se gaste o dinheiro da imposição do vinho; 1493, maio - D. Manuel determina o recomeço da construção da igreja e nomeia João Gomes, o trovador, para vedor; provável início da construção da igreja, dedicada a Santa Maria; 1500, 1 junho - estando as obras interrompidas, D. Manuel apela aos madeirenses para contribuírem com uma taxa para as mesmas; Câmara obtém a isenção da dízima da cal utilizada na construção; 1503 - D. Manuel faz doação anual de 1000 arrobas de açúcar para as obras da igreja, até elas terminarem; 1508 - Câmara pede para reverter a seu favor o "dinheiro da imposição"; sagração da igreja pelo Bispo D. João Lobo, designado pela Ordem de Cristo, transferindo-se a sede da paróquia até então na Igreja de Santa Maria do Calhau; frei Nuno Cão participa a venda do absidíolo da Epístola, do Santíssimo Sacramento, a Pedro Gonçalves da Clara e sua mulher, Isabel de Barros; o absidíolo oposto, dedicado a São Tiago, é posto em pregão e vendido a Brás da Câmara; construção de coro sobre a antiga sacristia (piso térreo da torre); 1512 - data de um pagamento do retábulo-mor, com trabalho de ensablagem deste e do cadeiral, que deve ter-se iniciado pouco depois, atribuído aos mestres Machim Fernandes e João do Tojal (Rafael Moreira) *3; 1514 - elevada a Sé por bula de Leão X; nomeado Bispo D. Diogo Pinheiro; 12 junho - questionado como se deveria terminar a torre, D. Manuel responde ao vigário Nuno Cão para se fazer o coruchéu de ladrilho e não de madeira e, conforme desejavam, se avaliem e derrubem as casas junto à Sé e da banda de cima; feitura do coro na capela-mor, ainda que a vereação e outros procurem o acordo do rei para o construir sobre o portal axial; 1516, 18 outubro - sagração do altar-mor a Nossa Senhora da Assunção e às Onze Mil Virgens por D. Duarte, Bispo de Dume; 1517 - João Saraiva, encarregue da venda dos açúcares, elabora rol baseado nas informações do vigário e oficiais da obra da Sé, onde refere estar por concluir os peitoris e guirlandas das capelas da cabeceira e seu lajeamento e as grades de ferro do batistério, e por pagar 5000 tijolos e azulejos do coruchéu, jornas de oficiais e servidores, 120 moios de cal, estante do coro (a fazer em Lisboa), mantimentos de um pintor, do vigário e escrivão, para o que o rei doa 600.000 reais; 19 janeiro - carta régia proíbe os fiéis entrar na capela-mor durante os ofícios para não perturbar os cónegos "donde se asentar"; 1518 - D. Manuel doa à fábrica da Sé as casas compradas para a alfândega, junto ao Pelourinho; 1520 - alvará régio para se avaliarem e pagarem uns chãos no adro da Sé para este ficar "despejado"; 1526 - morte de Álvaro de Ornelas, instituidor com sua segunda, mulher Branca Fernandes de Abreu, da capela de Santo António; 1527, 6 dezembro - cónego Álvaro Lopes recebe em Lisboa, de João de Barros, tesoureiro do rei, vinte alfaias doadas à Sé por D. Manuel; 1528 - chegada das mesmas ao Funchal; séc. 16, 2º quartel - Cabido inicia a organização do chão da Sé para espaço funerário; 3º quartel - Confraria encomenda o sacrário da Capela do Santíssimo Sacramento a José Dias de Araújo; 1533 - Bispo D. Martinho de Portugal consegue a elevação da diocese a arcebispado; elaboração de inventário da Sé; 1547 - falecendo D. Martinho de Portugal, o arcebispado não foi preenchido; 1551 - Bula "Super Universis" extingue o arcebispado do Funchal, que volta a ser apenas bispado do Funchal, Porto Santo, Desertas e Arguim, e sufragânea do arcebispado de Lisboa; abertura de porta no absidíolo do Evangelho e elevação do altar de São Tiago, acedido por duas escadas laterais; 1566 - saque dos bens móveis por corsários franceses, escapando apenas o tesouro da Sé; incêndio do coro; até esta data, a imagem de vulto da Virgem com o Menino, sobre o sacrário do retábulo-mor, foi substituída algumas vezes por outras representações marianas; 1572 - provisão do bispo D. Fernando de Távora refere a necessidade de reparações e limpezas, por chover na capela-mor e corpo da igreja; esta devia ser caiada e nas paredes colocadas duas travessas de madeira para armações de tapeçarias, pois aquelas estavam esburacadas por pregos; deviam ser feitos mais dois altares no transepto, porque só em cinco dos sete existentes se podia dizer missa; 1574 - D. Sebastião doa à fábrica da Sé 40$000 anuais, além dos 16$000 de foros, para ornamentos, reparações e outras coisas necessárias; devido às águas da capela-mor, que minavam pelas juntas de cantaria "e isso fazia nojo no coro", o bispo D. Luís Figueiredo Lemos manda cobrir o eirado da capela-mor com armação leve e telha (17$090); 1581- Filipe II oferece o retábulo de Santana, pintado por Miguel de Coxcye; 1569 / 1587 / 1588 - referência documental ao "coro de cima"; 1590 - Visitação refere as pedras das sepulturas mal assentadas e o pavimento da igreja irregular, e o sacristão ser obrigado a cerrar as cortinas dos retábulos quando se varrer a Sé e torná-las a abrir e espanar os altares e cadeiral depois de varrida; inventariação dos bens da Sé; 1591- Visitação refere os pilares e capitéis das naves estarem danificados devido os "armadores" pendurarem nas festas ornatos, panos, "cartas de figuras" e pinturas; dezembro - temporal destrói telhado da ábside e a parte superior do coruchéu da torre; 1608 - há muito que não havia órgão e se usavam uns pequenos, de mão, emprestados; 1626 - aquisição da capela absidal de São Tiago pela confraria de Nossa Senhora do Amparo e consequente mudança de invocação; 1629 - documentos referem cortinados do retábulo-mor divididos em quatro partes, de várias cores e qualidades de panos; 1631 - D. Filipe II oferece 280$000 para se fazer tribuna de suporte do órgão; 1633 - feitura de inventário da Sé; 1634 - execução de estante pelo carpinteiro Manuel Pereira; 1646 / 1650 - execução do camarim da Sé pela oficina de Manuel Pereira, com a colaboração dos imaginários Domingos Moniz, José Fernandes, Martinho de Bettencourt e Inácio Ferreira, dos carpinteiros Manuel Lima, António Mendes e Miguel Fernandes e dos pintores-douradores Baltazar Gomes e Manuel Duarte; 1652 - pagamento ao carpinteiro Manuel Afonso pela execução das portas da Sé, com madeira de cedro da Ponta do Sol e utilizando materiais já existentes, como "a caixa de cedro da fábrica"; 1658 - 1ª fase de execução do sacrário do Santíssimo por José Dias de Araújo, interrompida por fuga para o Brasil; 1661 - feitura do sacrário pelos prateiros Simão Lopes, António Neto e António Araújo; 1666 - continuação da execução do sacrário para a Capela do Santíssimo, provavelmente por Simão Lopes; 1677 - data do retábulo do Senhor Bom Jesus para o transepto do Evangelho, por Manuel Pereira; 1688 - data da tela pintada da Capela de Nossa Senhora da Conceição; 1695 - ajuste com António Lopes para pintar e dourar as cadeiras do coro, sendo as figuras estofadas; 1696 / 1697 - feitura do novo altar de Santo António pelo entalhador Manuel Pereira de Almeida e imaginário Agostinho de Almeida; 1697, 20 fevereiro - milagre atribuído a Santo António na queda do pedreiro Teodósio Pestana, que trabalhava na montagem do seu altar, assistindo os entalhadores e o carpinteiro João de França e o pedreiro João Vieira; 1722 - Henrique Henriques de Noronha refere o retábulo-mor albergar no nicho central a escultura do Senhor Crucificado; 1731, cerca - execução de três sacras, atribuídas a Manuel Aguiar; 1731 / 1735, entre - feitura de ligação entre a capela de Nossa Senhora do Amparo e a sacristia dos Cónegos, com colocação de azulejos da oficina de Diogo de Oliveira Bernardes nas escadas de acesso ao oratório; 1732, 8 novembro - aprovação do orçamento das obras de pedraria e carpintaria da nova sacristia, ante-sacristia com lavabo e casa do Cabido, pelos mestres Diogo Filipe Garcês e João António de França, entalhadores Manuel Pereira de Almeida e Julião Francisco Ferreira e carpinteiros Manuel da Silva, Manuel da Costa e João Moniz; 1734, setembro / outubro - novo contrato com os mestres-de-obras João António de França e João Martins de Abreu para continuação das obras e feitura de outras: auditório, confrarias, serventia e escada para a torre, porta para a capela-mor, grades para as janelas baixas, telhados mouriscos, estuques da sacristia, corredoura e casas do Cabido, altar e retábulo da sacristia e armários para as casas de vestir, pagas em 1735 e 1736; 1735 - petição de um órgão grande devido aos existentes estarem danificados e não haver quem soubesse do ofício; acabamento das obras; pagamento de 72$332 para os azulejos da casa da Confraria do Santíssimo, vindos de Lisboa, incluindo-se 67$732 a Caetano da Costa pelo azulejo e o restante pelo frete do navio; assentamento do azulejo e reboco da casa (7$960); 9 setembro - pagamento aos mestres Bernardo Friz e José Teixeira e serventes pelo assentamento do azulejo e reboco no sábado; 1736 - mestre Bernardo Friz limpa o azulejo colocado ($450); 1747 - data da naveta de prata relevada, encomendada à oficina de Sebastião Bernardes dos Santos; 1751 - pintura do teto da capela-mor por António Vila Vicenzo; 1755 - obra no cadeiral, com douramento das figuras entalhadas por Manuel Francisco Moniz e pintura dos fundos em azul por João António; 1766 - data de quatro lanternas processionais de vara e, provavelmente, de uma campainha de altar, executadas pelo ourives João da Silva Esteves, de Lisboa; 1769, janeiro / 1772, fevereiro - remodelação do absídiolo do Santíssimo com inclusão dos retábulos e esculturas de talha dourada, executados por António João, Manuel Francisco Gomes e José António da Costa e o escultor Agostinho José Marques e "alimpador" João de Nóbrega; séc. 18, último quartel - fecho do vão do nicho central do retábulo-mor por uma tela com Ecce Homo, atribuída a Martim Conrado; época provável da adaptação de diversos elementos de talha do antigo camarim da Confraria do Santíssimo, como as volutas no pano central e frisos a encabeçar os painéis das fiadas superiores, aplicação do relevo dourado representando a Fé no fundo do nicho central e outros; por concretizar fica a reforma de seis painéis com doze cenas marianas, como pretendia o Cabido; 1775 - feitura do novo relógio por Paulo de França, sob ordem do governador e capitão-general João António de Sá Pereira; 1776 - colocação do relógio feito na Casa Gillet S. Johnston, de Groydon, Inglaterra; 1791 - o bispo D. José da Costa Torres manda fazer seis castiçais e um crucifixo para o altar-mor, aos ourives António José Roque e Custódio José da Cunha, fundindo-se para tal grande parte das pratas oferecidas por D. Manuel; 1797 / 1801 - obras por iniciativa do Bispo D. José da Costa Torres e aprovadas pela Real Junta do Estado com remoção de sete altares do transepto e colocação de seis nas ilhargas das naves laterais com os respetivos retábulos (obra do entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega e do pintor João Nicolau Ferreira), ficando tapadas quatro janelas; deslocação das portas laterais; prolongamento do coro pelas três naves sobre um travejamento, onde se pôs o órgão grande, até então sobre o púlpito; abertura de dois janelões na frontaria providas de varanda; 1799 - data de uma custódia de ouro, do ourives Paul Mallet; séc. 19, início - troca da imagem do nicho central do retábulo-mor por uma Virgem da Assunção, vinda da Igreja de São Pedro; feitura de órgão *4; 1814 - execução dos atuais sinos em Lisboa, por António Alves; 1815 - data de uma caldeirinha do Tesouro da Sé com punção; 1835, anterior - redução do adro; 1893 - transladação dos restos mortais de D. Luís de Figueiredo de Lemos e da sua tampa sepulcral (nº. 17) da capela de São Luís, junto do Seminário e Paço Episcopal, para a nave central por ordem do bispo D. Manuel Agostinho Barreto; 1874 - D. Aires de Ornelas de Vasconcelos, bispo do Funchal e arcebispo de Goa, morre em Lisboa e é transladado para a capela de Santo António; séc. 20 - execução do órgão novo em Londres, por T. A. Samuel; 1911 - transferência da capela de Nossa Senhora dos Varadouros, situada na antiga entrada da cidade, demolida, para a antiga sacristia; 1921, dezembro - remoção do antigo relógio; 1922, 23 fevereiro - benção do novo relógio da torre, oferecido pelo médico inglês Michael Grabham; 1940, 26 setembro - inventariação do painel de Nossa Senhora do Amparo, no altar dessa invocação, pelo Decreto nº 30 762, publicado no DG, 1.ª série, n.º 225; 1959 - colocação de vitrais nas janelas da capela-mor; 1980, 15 março - temporal derruba parte da platibanda da ábside; 1989 - substituição do relógio por um computorizado; 1997 / 2003, entre - estudo do estado de degradação e dos tipos de alteração da pedra vulcânica utilizada na Sé; 2000, janeiro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2011, 7 agosto - assinatura de protocolo entre a World Monuments Fund - Portugal (WMF-P) e o Governo Regional, compreendendo duas fases: a pesquisa, investigação, definição de metodologias e o restauro e conservação da Sé; decorre o estudo científico do retábulo-mor por técnicos do Laboratório de Conservação e Restauro José de Figueiredo e do Departamento de Conservação e Restauro do Instituto dos Museus e da Conservação, em colaboração com o Laboratório HERCULES, da Universidade de Évora; esta análise inclui a realização de refletografia de infravermelhos e radiografia dos painéis.

Características Particulares

Caracteriza-se pela grande amplitude e unificação espacial interior, devido à nave central ser bastante larga, tal como o transepto, quase do tamanho daquela, à redução dos tramos e ao adelgaçamento dos pilares de suporte da cobertura, reforçando a visibilidade do espaço interior. Em contraste, o transepto, apesar de amplo, é demasiado compartimentado pela existência de arcos divisórios, apoiados em pilares mais alongados, para as naves laterais e no cruzeiro. Na base do portal principal existem vestígios de decoração de ramagens em relevo. Constitui a única Sé quinhentista que preserva a estrutura inicial manuelina e a cobertura com tetos de alfarje, com entrelaçados geométricos de formulário variado totalmente pintados com grutescos, apoiados em friso corrido com cordão esculpido. As faces interiores da porta axial possuem decoração mudéjar incisa semelhante à do teto, mas mais simples. João Lizardo julga que as mesmas terão sido utilizados como traçado preparatório da obra do teto, visto que antes da sua execução era necessário a existência de "moldes", à escala natural, para se orientarem na obra definitiva, e reaproveitados no séc. 17, devido à escassez de madeira de cedro, para elaboração da porta atual. Segundo o mesmo autor, a porta da Capela da Granja de Meribal, no Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe, na Estremadura espanhola, apresenta decoração incisa semelhante, ainda que mais rica. Os azulejos hispano-mouriscos na torre sineira são organizados segundo linhas cromáticas alternadas, realçando a altura do coruchéu e conferindo-lhe um ritmo helicoidal. Os retábulos do transepto possuem remate pouco comum, com tabela vazada por rosácea, permitindo a entrada de luz, interrompendo um frontão semicircular, que forma, assim, as aletas da tabela, esta, por seu turno, rematada por frontão semicircular. Destaca-se o do lado da Epístola, dedicado a Santo António, que, na sequência de um prolongamento da obra ou de intervenção posterior, possui colunas pseudo-salomónicas, com pâmpanos e, no nicho inferior, uma estrutura do estilo nacional. Na capela-mor, com vestígios de pintura (volutas) nos degraus do topo, o retábulo monumental e o cadeiral profusamente esculpido, formam conjunto único no país, da época manuelina e ainda no local original. O retábulo, apesar de ter sofrido algumas alterações, sobretudo no eixo central, nos dois nichos sobrepostos ao sacrário, da eliminação das cortinas que o protegiam ou da desmontagem do altar e respetiva banqueta, constitui um dos dois únicos conjuntos retabulares conservados em razoável grau de integridade. A sua grande dimensão, a organização do trabalho das distintas oficinas manuelinas, em parcerias, associadas à multiplicidade de colaboradores detetáveis nas pinturas, leva Luís M. Teixeira a julgar mais credível ter sido executado no Funchal *5. Terá como datas limite 1512 (data do pagamento de uma das prestações), e 1516 (data da sagração da igreja). Segundo documentação, sabe-se que o retábulo-mor manuelino da Sé de Lamego possuía estrutura semelhante ao do Funchal. Os motivos decorativos do cadeiral, de temática terrena ao espiritual, distribuem-se numa dialética ascendente a partir de espaços mais baixos e menos visíveis até ao remate. Assim, as misericórdias e os apoia-mãos possuem assuntos mais laicos, como atividades quotidianas (cenas de trabalhos agrícolas, vinícolas, touradas e outras), crítica social, sátira, bestiário e elementos exóticos influenciados pelos descobrimentos, superando os congéneres espanhóis, com os quais possui afinidades, nomeadamente com o cadeiral de Zamora, e os espaldares das cadeiras têm temas mais sacros, como os santorais. As paredes laterais da capela-mor têm painéis pintados, com cenas da vida da Virgem, da 2ª metade do séc. 18 e molduras rococó, com leitura cronológica do Evangelho para a Epístola, no sentido dos ponteiros do relógio. No absidíolo do Evangelho subsiste parte de um silhar seiscentista de enxaquetados e os lances de escadas do oratório têm painéis figurativos integrados no chamado Ciclo dos Mestres. A Capela do Santíssimo é totalmente revestida a talha dourada, criando uma pequena gruta de ouro, que dirige o olhar do espetador para o local fulcral do espaço, o sacrário, tendo uma linguagem estrutural rococó, mas cuja decoração é contida e pouco reveladora da tratadística e gravuras que circulavam na época, não surgindo a decoração dos típicos concheados e acantos, que aparecem, contudo, na gramática decorativa da cobertura. Os corpos setecentistas da Confraria do Santíssimo Sacramento seguem a características comuns dos edifícios insulares, com dois pisos, rasgados por vãos sobrepostos, o do segundo em janelas de sacada e cornija reta. Interiormente, destaca-se a sala de reuniões, com silhar de azulejos barrocos, do Ciclo dos Mestres, atribuídos à oficina de Bartolomeu Antunes, com composições figurativas representando cenas galantes. A sacristia tem arcaz barroco, nacional, cujo espaldar tinha inicialmente telas com Passos da Paixão de Cristo. A estante do entalhador Manuel Pereira constitui a sua primeira obra conhecida. A Sé possui o maior conjunto de tampas sepulcrais com programa iconográfico do tetramorfo do país *6.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria de pedra regional rebocada e pintada; cantarias de arenito vermelho do Cabo Girão; betão; lajes de basalto; lavabo, púlpito, pia batismal e inscrição nº. 10 em conglomerado (brecha) da Arrábida; fragmentos epigrafados em basalto; tampas sepulcrais em pedra da Flandres (?); inscrição e símbolos da tampa sepulcral nº. 13 em bronze; madeira (cedro branco da ilha, carvalho, til, exóticas do Brasil, pinho de Riga); pavimento de madeira e tijoleira; retábulos de talha dourada e policroma; painéis pintados; silhares de azulejos azuis e brancos; grades e tirantes de ferro; cobertura de telha.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRML; DRAC; BN Rio de Janeiro (Planta do Funchal de 1567); Coleções regionais Dr. Frederico de Freitas; Museu da Quinta das Cruzes

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRML; DRAC; Museu Vicentes Photographos, Funchal

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; DRAC; Diocese do Funchal; ARM: Resíduos e Capelas; Registos Paroquiais; Livro de Óbitos, Sé, n.º 67, fl. 55v e fl. 68v-69; APEF: Tombo do Cabido da Sé do Funchal; IAN/TT: Cabido da Sé do Funchal, Mç. 7 docs 33 e 35; Mç. 10; Mç. 11 docs. 17, 18, 19 e 21; Mç. 23; Mç. 29 doc.15; Mç. 32 docs. 13, 15 e 40; Lv. 33 e 34

Intervenção Realizada

1601 - reparação do coruchéu com colocação de novos azulejos no remate; 1632 - reparação dos órgãos por um castelhano que veio ocasionalmente à ilha; 1650 - consolidação do primitivo altar de Santo António pelo mestre Manuel Pereira; 1748 / 1751 - consolidação das estruturas após o terramoto de 1748; 1755 - sobradamento das naves pelo carpinteiro Cristóvão Gomes de Sousa, visto as lajes do pavimento estarem em mau estado, deixando em pedra apenas um corredor central e uma faixa transversal a partir das capelas laterais, no que se reaproveitam algumas tampas de sepultura que foram mudadas de local, para junto das portas laterais e principal; 1784 - obras na casa da fábrica, forno e telha na cozinha e numa capela; 1790 - execução do baldaquino do púlpito por Estêvão Teixeira de Nóbrega; 1792 - construção do coro-alto sobre a entrada da igreja; 1793, 7 maio - após providência em contrário, obtêm-se licença para abrir janelas na fachada principal, se forem "debaixo do mesmo preceito de arquitetura executado no dito frontispício e porta principal, para que se executem as ordens régias respetivas a edifícios e monumentos antigos"; 1796 - conserto dos sinos; 1797 - colocação de vidro na fresta redonda sobre o arco da capela-mor, conserto dos estrados, escada do adro, sinos e telhados; 1797 / 1801 - construção junto à entrada de uma dependência correspondente ao batistério; colocação de teia de madeira em frente das capelas; feitura de guarda-vento com três portas; picagem dos paramentos interiores e colocação de reboco; abertura de um poço na cerca, tapando-se o existente no corpo da igreja; DGEMN: 1940, a partir de - "remodelação geral condizente com a traça primitiva", com remoção de grande parte das edificações à volta da cabeceira da Sé, nomeadamente da antiga casa dos Capelães, recolocação de vitrais na capela-mor, remoção de um dos lavabos do séc. 18 do Cabido e execução da atual cerca com a colocação de uma porta proveniente do convento de Santa Clara; consolidação do cunhal afetado pelo terramoto do séc. 18; recuperação de janela geminada então entaipada; limpeza de alguns painéis do retábulo-mor, para figurarem na Exposição dos Primitivos Portugueses; 1954 - entaipamento dos janelões da frontaria; 1956 - revisão, levantamento e reassentamento do telhado da nave lateral direita; demolição do terraço e paredes junto à sacristia dos Cónegos para desafrontar a zona das capelas; colocação de portão de ferro no pátio, retificação de vão de acesso ao templo; picar, rebocar e caiar as paredes interiores e exteriores do anexo; pintura de portas e janelas; fornecimento de escada de acesso ao primeiro piso do anexo; restauro de cantarias mutiladas; 1957 - assentamento de escada de madeira para o primeiro piso do anexo; restauro de frestas com cantaria moldada do mesmo tipo da existente; restauro das cantarias das fachadas, arrancando a existente em mau estado e colocando novas pedras do mesmo tipo; restauro da rosácea da frontaria, com substituição das pedras danificadas; revisão do telhado e substituição de telhas; 1958 - restauro das cantarias das fachadas; arranjo nas coberturas; construção de lanço de escada para o segundo piso do anexo e construção de sanitário no mesmo; 1961 - limpeza de cantarias com substituição de pedras em mau estado e refechamento de juntas; substituição de cantarias em arcos e cornijas; revisão da cobertura com substituição de telhas e madeiramentos; 1965 / 1966 - reparação do brasão que encima o portal principal pelo escultor Anjos Teixeira; 1966 - reparação do cadeiral e retábulo da capela-mor, sem orientação; 1967 - limpeza e picagem de cantarias da frontaria; substituição de forro de cantaria e de cunhais e gigantes em mau estado; 1969 / 1970 - substituição e restauro de cantarias degradadas, recuperação de juntas, remoção e caiação da fachada principal, remoção de apoios de infraestruturas das fachadas e colocação de cinta no perímetro da igreja; Cabido da Sé: reparação de portas, soalho, balaústres e madeiramento do telhado das naves; limpeza do guarda-vento e cancelas; caiação total do interior; reparação da sacristia; 1970 - reparação das coberturas da nave central e capela-mor com levantamento total, reconstrução de cintas de elegimento em betão fraco, reconstrução do madeiramento com vigamento e forro de criptoméria, cobertura de telha romana e de canudo ligadas com argamassa de cal hidráulica; construção de beirado à portuguesa; Fábrica da Igreja Paroquial da Sé: 1970 - reparação do soalho, guarda-vento, portas laterais, balaustradas, altares laterais, capelas e sacristias; substituição de telhados dos edifícios anexos; nova instalação elétrica e sonora; DGEMN: 1971 - continuação da reparação das coberturas: transepto, com levantamento da telha, construção de lintel de betão armado, novo madeiramento em castanho ou mogno e forro em criptoméria, cobertura de telha romana e portuguesa, beirado à portuguesa, colocação de esticadores com barra de ferro, desinfeção das madeiras do teto e cobertura; remodelação da instalação elétrica; 1972 - reparação do teto da sacristia: demolição, madeiramento com pinho sueco, estafe e estuque liso, restauro e pintura da moldura de madeira, restauro das conchas molduradas dos ângulos, caiação de paredes e reparação de rebocos, proteção dos cadeirais de madeira com cartão plástico; reparação da cobertura da nave lateral direita: levantamento de telha e madeiramento, construção de cintas de betão armado, colocação de esticadores de ferro, madeiramento com castanho ou mogno e forro de criptoméria, cobertura de telha romana e portuguesa, beirais à portuguesa com pintura, desinfeção das madeiras, descasque do reboco em paredes salitrosas, encasque de paredes com argamassa de cimento e areia, emboço e reboco, guarnecimento a massa de cal e areia e caiação; instalação elétrica; 1973 - reparação e beneficiação da nave lateral esquerda: levantamento da telha e madeiramento, betão armado em cintas de travamento, colocação de esticadores de ferro, madeiramento com castanho ou mogno e forro em criptoméria, cobertura de telha romana e beirado à portuguesa com pintura, desinfeção das madeiras do teto, picagem, emboço, reboco, afagamento e caiação de paredes; 1974 - instalação elétrica; conservação das fachadas da torre: descasque de rebocos salitrosos e limpeza de juntas de alvenaria, emboço e reboco a massa de areia e refechamento de juntas das cantarias dos cunhais e cimalhas, caiação de paredes, fixação e pintura do catavento; 1975 / 1979 - reparações da instalação elétrica; 1977 - conservação das coberturas dos anexos da sacristia: reparação de telhas e amouriscar uma fiada em cada três, reparação de caleiras, limpeza de paredes e caiação; 1980 - restauro de um módulo da balaustrada do terraço da ábside e impermeabilização do mesmo, fixação de todos os capeamentos das balaustradas, restauro das cantarias vermelhas na grilhagem exterior da capela-mor; 1982 / 1984 - reparações das coberturas e da instalação elétrica; identificação de patologias de infestação de madeiras e de entrada de águas; 1983 - beneficiação de madeiramentos dos tetos, altares e pavimentos e da instalação sonora; 1984 - beneficiação da cobertura do transepto junto à torre sineira: retirar e reparar gárgula junto à torre, reparação da caleira do algeroz e o rufo de remate; desinfestação da igreja e das talhas do retábulo que estão no Museu de Arte Sacra; 1985 - beneficiação da iluminação exterior; 1986 - remodelação da instalação elétrica; beneficiação da torre; 1987 - conservação dos azulejos do coruchéu da torre; limpeza e restauro do altar do Senhor Jesus a cargo do atelier da "Zona Velha"; 1988 - restauro das pinturas da capela-mor; 1988 / 1989 - consolidação e restauro da pintura do teto pelo mesmo atelier; 1997 - restauro do teto da capela-mor e da capela do Santíssimo Sacramento; DRAC: 2001 / 2002 - recuperação e impermeabilização das coberturas da Sacristia, Casa do Cabido e Casa da Confraria do Santíssimo; caiação da sacristia e casa do Cabido. DRML / DRAC: 2003 - impermeabilização dos terraços da capela-mor e contíguas; sistema de drenagem superior e inferior com ligação à rede pública; DRML / DRAC: 2007 - obras de recuperação da cobertura.

Observações

*1 - Este retábulo apresentava estrutura diferente, com um forte caráter cénico, comportando dois lanços de escadas com dois braços simétricos e convergentes, protegidos por guarda balaustrada, que permitiam a circulação rápida junto ao altar; as escadas contornavam um trono de sete degraus, no cimo dos quais surgia a imagem da Virgem de ao Pé da Cruz, protegida por baldaquino, e, na base, um grupo escultórico representando a "Última Ceia", estando dois dos Apóstolos sentados no exterior; as ilhargas do espaço encontravam-se decoradas por quatro painéis de talha a representar cenas do Antigo Testamento, entre as quais o "Transporte da Arca da Aliança" e um "Agnus Dei", divididos por quarteirões volutados e rematados inferior e superiormente por friso de ramadas de acantos; o espaço era iluminado por dois tocheiros do tipo balaústre. *2 - As tampas de sepulturas onde estão gravadas as inscrições não apresentam as medidas originais pois a maioria foi deslocada do lugar primitivo e reajustada ao pavimento executado no séc. 18. *3 - Vítor Serrão atribui os painéis do retábulo ao Mestre da Lourinhã, que relaciona com o pintor Álvaro Pires. Manuel Batoréo considera os painéis do retábulo-mor uma obra eclética, de vários pintores do círculo de Lisboa, com o pintor Álvaro Pires encarregue dos painéis com a figuração Mariana e ainda o da Apanha do Maná, um segundo pintor faria as três tábuas de características mais flamengas do segundo registo; Cristo no Horto seria, possivelmente, de outra mão e, um possível colaborador do retábulo de São Tiago de Palmela, terá pintado a Missa de São Gregório e Abraão e Melquisedeque no primeiro registo. *4 - Este órgão, em data posterior, foi transferido para a Igreja de São João Evangelista, no Funchal (v. PT062203080006). *5 - Segundo o autor, parece inviável a execução do retábulo-mor no continente e o seu transporte posterior para o Funchal, onde seria montado por vários oficiais, pois tal obrigaria ao prévio ajuste in loco de todos os componentes. Isso incluiria a montagem e desmontagem de todas as peças antes de serem douradas e policromadas, acrescidas de eventuais retificações ordenadas pelos mestres designados para o receber e avaliar, assim como referem os contratos para a execução do retábulo da Sé de Lamego ou os documentos relativos ao de São Francisco de Évora. *6 - Também existentes na Igreja Matriz de Santa Cruz (v. PT062209050002), no Prédio da Quinta das Cruzes (v. PT062203080020), na Igreja do antigo Mosteiro de Leça do Bailio (v. PT011308040001), na Igreja Paroquial de São Martinho, em Penafiel (v. PT011311240002), e no Castelo de Beja (v. PT040205130003). As características paleográficas das inscrições nº 14 e 16 são semelhantes às das inscrições nº 5 do castelo de Beja (v. PT040205130003) e nº 2 da Igreja de São Martinho, em Penafiel, (v. PT011311240002) que são gravadas no mesmo tipo de material pétreo: calcário negro da região de la Meuse(?).

Autor e Data

Rui Carita 1998 / Lina Oliveira e Filipa Avellar e Paula Noé 2003

Actualização

Ângelo Silveira 2003 / Carolina Silva 2007
 
 
 
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