Igreja de Fiães / Igreja de Santo André

IPA.00005248
Portugal, Viana do Castelo, Melgaço, Fiães
 
Arquitectura religiosa, românica e barroca. Igreja românica da 1ª fase do foco do Alto Minho, alterada no séc. 17 e 18, em estilo barroco, de que resultou uma nova iluminação. Sendo uma construção da Ordem de Cister sofreu influências do chamado Românico Cisterciense, ainda que as sua características não tenham sido completamente esplanadas. A decoração românica resume-se aos cachorros prismáticos (dois em rolo) e à arcatura, que segue a solução corrente na época em mosteiros cistercienses galegos e igrejas minhotas. Do séc. 17 são as imagem dos padroeiros e o brasão da Ordem no frontispício. O altar lateral é maneirista e o retábulo de talha da capela-mor é barroco, do estilo nacional.
Número IPA Antigo: PT011603070006
 
Registo visualizado 677 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta longitudinal, composta, de três naves e quatro tramos, cabeceira de três capelas quadrangulares, torre sineira adossada a N., sensivelmente recuada, e sacristia a S. Volumes articulados com cobertura de telha a uma água nos absidíolos, dois na nave e capela-mor e três na sacristia. Frontispício orientado, terminado em empena com cruz sobre plinto; é dividido em três corpos por contrafortes, tendo nos laterais janelas estreitas e no do centro pórtico de arco quebrado, de quatro arquivoltas assente sobre pés-direitos e imposta corrida; encima-o moldura, três nichos concheados com imagens de Nossa Senhora da Assunção, São Bernardo e São Bento sobre mísulas, três janelas estreitas e pedra de armas. Fachadas laterais com cornija sobre cachorros; na do S. abrem-se dois portais, de arco pleno sobre impostas e tímpano liso, e duas frestas; na de N. frestas, duas janelas e portal de arco pleno. Torre sineira quadrada, e coroada por pináculos. Absidíolo S. com arcatura cega e cornija bosantada. Capela-mor contrafortada, com janelas e cornija como as da nave. No interior, naves separadas por arcos plenos sobre pilares quadrados, púlpito de talha e altar colateral de talha e moldura pintada no lado do Evangelho; túmulo na nave da Epístola. Naves com tecto de madeira. Arco triunfal quebrado, de duas arquivoltas, sobrepujado com pintura e janela. Capela-mor de dois tramos, abóbada quebrada e retábulo de talha dourada. Absidíolos de arco quebrado sobre pilastras, encimadas por janelas e com fresta na parede testeira. Do edifício conventual, desenvolvido a S., nada resta, mas existe integrada nas construções próximas um pequeno troço com arcos plenos sobre pilares e colunas dóricas, as quais devem ter pertencido ao convento.

Acessos

Lugar do Convento

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, isolado, implantação harmónica. Implanta-se na encosta da serra da Peneda, numa plataforma de 700 m. de altitude, com cruzeiro no amplo adro e inserida numa pequena mancha agrícola rodeada de alguns velhos carvalhos e restos de castanheiros.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino da Ordem de São Bento (Beneditinos)

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 17 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

815 - segundo J. Augusto Vieira, já havia notícias do convento no tempo de Ramiro II e D. Paterna; 870 - data do edificação segundo o cronista Fr. António da Purificação; séc. 11 - só então se fala de um mosteiro beneditino, sucedendo-se doações, trocas e compras; 1142 - ali professava Fernando Tedão, deixando-lhe certos bens que possuía; 1173 - D. Afonso Henriques doou-lhe bens reguengos que tinha desde Melgaço ao termo de Chaviães, inclusive a herdade da Senhora da Orada, que D. Sancho lhe tomou em 1199; 1194 - segundo Maur de Chocheril, a comunidade adoptou a regra cisterciense, filiando-se na Abadia de Tarouca; 1210 - João Raimundo e sua mãe doam-lhe uma herdade em Doma, no lugar fronteiriço de Cristóval; 1211 - doação para obras; 1245 - outorgado um acordo entre o mosteiro e o concelho de Melgaço estabelecendo o quinhão do mosteiro na manutenção da muralha; séc. 14 - túmulo de Fernão Anes de Lima; 1320 - o convento rendia 400 libras; 1490 - incêndio no arquivo; 1530, cerca - abade João de Cós manda restaurar a igreja, casa do capítulo, claustro e residência abacial; 1533, Janeiro - visitação pelo abade da casa mãe de Claraval, Edme de Saulieu e seu secretário Cláudio de Bronseval, estando o claustro em ruínas; séc. 16, finais - tinha ainda a apresentação de 20 abadias; séc. 17 - restauro interior e do frontispício; 1730 - Coronel Francisco Ayres de Vasconcelos manda fazer recrutamento no Couto de Fiães; 1748 - D. João V recomendou que se intimasse a todos os governadores da Praça que respeitassem os privilégios do couto; séc. 18, meados - abriram-se duas grandes janelas na fachada N. e fez-se torre sineira; 1777 - convento reclama perante o Capitão-Mor de Valadares contra generais e governadores das fortificações que se utilizavam dos carros dos moradores do couto para as obras das fortalezas, sendo imediatamente atendidos; 1834 - extinção das Ordens Religiosas; o convento é vendido em haste pública, estendendo-se a ruína pelas dependências, e passando a igreja a paroquial; 1836, 6 Novembro - extinsão do couto e sua incorporação no concelho de Melgaço; 1875 - data no cruzeiro; 1903 - ainda existia fachada da ala direita do convento; 1910, 16 junho - decreto classificando como Monumento Nacional apenas os trechos da Igreja de Fiães; 1955 - o abade resolveu ir a França visitar os paroquianos ali residentes, para angariar donativos para adquirir dois sinos para o convento, concluir as obras da Casa Paroquial e fazer uma torre à capela de Adedele; 1977, 29 setembro - decreto alarga a classificação como Monumento Nacional a toda a igreja com o seu recheio, bem como os elementos que restam do antigo convento.

Características Particulares

As duas frestas da parede testeira da capela-mor constituem uma solução original, o que talvez indique o projecto de um pequeno retábulo para o altar.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes na nave e estrutura mista na capela-mor.

Materiais

Cantaria granítica em aparelho "vittatum" e alvenaria rebocada, talha, pinturas; pavimento de madeira e cobertura de telha.

Bibliografia

VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, vol. 1, Lisboa, 1886; OLIVEIRA, Guilherme de, Uma Visita às Ruinas do Real Mosteiro de Fiães, Lisboa, 1903; ALMEIDA, Fernando António, Fiães: a filha do Senhor Abade, O Expresso, Lisboa, 19 Mai. 1990, p. 38 - 40; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Primeiras impressões sobre a Arquitectura Românica Portuguesa in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971, p. 61 - 118; PINTOR, Pe. M. A. Bernardo, Melgaço Medieval, Braga, 1978; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho (Dissertação de Doutoramento em História de Arte), vol. 2, Porto, 1978; idem, O Românico in História de Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986; ibidem, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana do Castelo, 1987; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, A Igreja do Mosteiro de Fiães in VI Centenário da Tomada do Castelo de Melgaço, Braga, 1988, p. 77 - 86; GOMES, Saul António, Visitações a Mosteiros Cistercienses em Portugal nos séculos XV e XVI, Lisboa, 1998; Relatório dos Trabalhos de Acompanhamento Realizados pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao Abrigo dos Protocolos com a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1997 - 1999) (2001 - 2002), (Universidade do Minho), Braga, 2002; ESTEVES, Augusto César, Obras Completas, vol. 1, tomo 1, Melgaço, 2003.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1958 - Restauro da cobertura e consolidação de paredes; 1959 / 1960 - prosseguimento das obras de restauro; 1961 - reconstrução da sacristia e consolidação de paredes da igreja; trabalhos de escoramento das paredes O. e S.; 1962 - trabalhos de restauro da parede lateral S.; 1963 - conclusão da recontrução da parede lateral S. e do frontispício e outros trabalhos de restauro; 1970 - consolidação do cunhal SO. e revisão dos telhados; recontrução das cantarias de dois contrafortes; 1971 - trabalhos de consolidação; 1972 - reparações inadiáveis dos prejuizos causados pelo temporal; 1973 - prosseguimento da reconstrução da cobertura da nave central; 1974 - conclusão das coberturas; 1975 - trabalhos de conservação; conclusão da cobertura da igreja e reconstrução de portas; 1976 - construção de vitrais e diversas obras; 1977 - drenagem da fachada posterior; reparação de vitrais; 1980 - reparação da instalação eléctrica; 1981 - tratamento de paredes e limpeza de telhados; 1982 - trabalhos de conservação; 1989 - beneficiação geral; 1990 - substituição de taburnos; 1993 - guias de pedra e taburnos de madeira da nave central; 1998 - obras de conservação e beneficiação geral, incluindo arranjos exteriores: beneficiação das coberturas exteriores e interiores; revisão geral dos elementos em granito à vista, tais como paramentos, pavimento, outros elementos estruturais e decorativos; limpeza geral dos paramentos rebocados e pintados, tais como os paramentos sobre a arcaria da nave da igreja, e paramentos interiores da sacristia; tratamento de vãos; revisão geral da instalação eléctrica e sonora; drenagem exterior; consolidação do muro exterior do adro, junto às escadas de acesso; pavimentação do acesso à porta lateral N. em granito tipo "calçada à portuguesa"; 1999 - conclusão do arranjo das coberturas; limpeza e conserto do pavimento interior; acompanhamento arqueológico dos trabalhos de restauro e beneficiação, pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao abrigo do Protocolo realizado com a DGEMN; abertura de vala perimetral de drenagem, tendo-se detectado a existência de uma anterior desactivada, e, junto à fachada principal, descobriu-se um troço de calçada junto ao cunhal meridional, que se decidiu conservar, eliminando a drenagem nesta zona.

Observações

*1 - Do românico cisterciense tem a típica cabeceira de 3 capelas quadradas e de abóbada quebrada, embora com muitas marcas locais, e, segundo a análise que Carlos A. Ferreira de Almeida fez a alguns vestígios da nave, ter-se-ia pensado abobadá-la (como é característico do estilo), solução que, contudo não se chegou a realizar. *2 - A riqueza do Convento de Fiães era tal que originou o ditado popular de que ninguém, depois do rei, era mais rico que o abade de Fiães. *3 - Leitura do brasão do frontispício: escudo esquartelado com báculo sobre ele, no traçado do partido saindo depois por dentro de uma mitra que encima o escudo e com volta para a direita. Ladeia-o duas coroas abertas, no da direita passa uma serpe saliente do bordo superior do escudo e dentro do da esquerda há uma flor-de-lis, firmando no bordo superior. I quartel com armas de Portugal: cinco escudetes postos em cruz carregados com cinco besantes e bordadura de sete castelos; II - armas da Ordem Cisterciense: banda xadrezada de três tiras acompanhada de seis flor-de-lis, postas em orla; III - esfera armilar; IV - cinco mitras, um bordão de Santiago no flanco esquerdo e uma figura indecifrável em ponta.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

1998
 
 
 
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