Mosteiro de Ermelo

IPA.00005250
Portugal, Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, União das freguesias de São Jorge e Ermelo
 
Arquitectura religiosa, românica. Igreja conventual da 2ª fase do românico Português, 1ª do foco do Alto Minho e do grupo das igrejas da Ribera Lima. A sua planimetria, resultou de uma redução do programa construtivo inicial e a sua espacialidade e iluminação foram profundamente alterados pelas obras concluidas em 1760. Segundo Carlos Alberto F. de Almeida (1988), a decoração dos capitéis e cachorros mostram uma evolução de modelos da bacia do Minho e são muito semelhantes a outros de construções mais meridionais, como Valdreu (Terras de Bouro), Fervença (Celorico de Basto) e Ferreira (Paços de Ferreira). Julgando por estes elementos e pelas bases bulbiformes, de plinto decorado, o autor aventa que as obras da cabeceira não deverão ser anteriores aos finais do 1º quartel do séc. 13. A talha dos altares e as pinturas do tecto são neoclássicas.
Número IPA Antigo: PT011601110008
 
Registo visualizado 360 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta composta por nave longitudinal, capela-mor quadrangular, sacristia e torre sineira, com acesso por escada de pedra, adossadas a N.. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas. Frontispício terminado em empena com cruz sobre peanha e enquadrado por pináculo sobre soco. Rasga-o portal de arco pleno sobre pé-direito, com tímpano vazado por cruz equilátera, e fresta. Fachada S. com portal idêntico, mas de tímpano liso, e tendo, perpendicularmente, a parede testeira do antigo absidíolo, rasgada por vão pleno de dupla arquivolta, o interior sobre colunas de capitel coríntio, encimado por fresta, que abriria para o interior. Fachada N. com campanário disposto paralelamente à nave e com escada de acesso entre ambas, sendo encimado por pináculos e frontão triângular. Capela-mor com fresta enquadrada por colunas, com capitéis de folhagem encimados por impostas com laçaria, onde se apoia o arco pleno. A cobertura da nave repousa sobre cornija com cachorros lisos ou decorados num nível mais baixo à empena, cortando assim parte da rosácea, toda esculpida. INTERIOR iluminado por quatro frestas, duas no lado da Epístola, uma no Evangelho e outra no frontispício; pórtico do lado do Evangelho entaipado, púlpito quadrangular, e dois altares colaterais de talha, postos de ângulo; tecto em madeira de perfil curvo. Arco triunfal, apontado, com sanefa sobre impostas esculpidas; as colunas têm bases com losangos, garras e capitéis de folhagem. Na capela-mor fresta com colunas, mísulas e capitéis pintados, sendo encimada por representação do Padre Eterno e vêm-se atributos de São Tiago; retábulo de talha policroma com trono central e acesso para a sacristia onde também se conserva o arco do antigo absidíolo. Por trás do retábulo da capela-mor fresco, com sobreposição de pinturas, que cobre toda a parede com excepção da parte baixa que se encontra danificada. Do antigo convento conservam-se apenas a S. da igreja pequena arcada, de arcos plenos, entaipados.

Acessos

Lugar da Igreja; acesso pedonal por caminhos escarpados entre quintais com laranjais, a partir da estrada municipal. VWGS84 (graus decimais): lat.: 41,853682; long.: -8,289270

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, isolada. Ergue-se num dos contrafortes do outeiro, sobranceiro ao rio, inserindo-se num apertado adro murado e tendo fronteiro algumas construções rústicas. As antigas construções conventuais estão cobertas por vegetação.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino da Ordem de Cister (Cistercienses)

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 12 - D. Afonso Henriques coutou S. Pedro do Vale em favor do Mosteiro; 1220 / 1258 - tinha 4 casais em freguesias do concelho de Ponte da Barca; 1221 - D. Afonso II doa-lhe por testamento 100 morabitinos para celebração do seu aniversário; 1271, 23 Novembro - D. Afonso III legou-lhe 500 Libras com o mesmo fim; 1283, 9 Out. - D. Dinis apresentou Pedro Martins Real como Abade de Santa Maria de Ermelo; 1320 - tinha de rendimentos 200 libras; 1361, 2 Novembro - D. Pedro I confirma eleição de Fr. Estevão Lourenço para Prior e Abade; 1388, 5 Janho - D. João I autoriza pedido do Abade João Martins para anexação ao Mosteiro das Igrejas de Britelo e Soajo para remediar a crise; 1391, 10 Agosto - D. João I apresentou Fr. João Martins para Abade e não refere as 2 igrejas; 1441, 8 Jul. - D. Afonso V apresenta em Ermelo, por morte de Afonso Esteves, o Clérigo Afonso Anes; 6 Novembro - reduzido a igreja paroquial por ser de "Muy Poucas Rendas"; 1497 - D. Manuel confirma todas as honras, privilégios, liberdades, graças e mercês; 1498 - rendimento anual de 40.000 rs, o mais baixo de todos os Mosteiros de Cister; 1533, 20 Janeiro - visitação de D. Edmundo, abade de Claraval, verificando que o mosteiro se encontrava sujeito ao de Fiães e que tinha apenas 25 ducados de ouro das rendas, pois perdera muitos bens, ordenando o visitador que se apelasse para que fossem restituídos ao mosteiro; ordena que celebrem os ofícios divinos e que se sobrasse dinheiro reparassem as casas, para nelas poderem habitar 2 ou 1 monges; 1553 - estava deserto; o Abade comendatário, residente na Freguesia do Vale, ali mandava capelão ocasionalmente para celebrar missa; 1557 - era abade um capelão do rei, Gaspar Godinho; 1560 - Cardeal D. Henrique suprimiu o mosteiro e a igreja passa a paroquial; 1572 - já não é incluído na relação dos rendimentos dos mosteiros cistercienses; 1581, 5 Janeiro - era abade do mosteiro João de Mendonça, que fora apresentado pelo rei D. Sebastião e rendia 100 mil reais; 1664 - Tomé de Macedo Pacheco foi o último abade conhecido; 1704 - visitador D. Pedro Cerqueira Fiusa diz que tem erigidos na igreja dois altares colaterais, onde só se permitiam credências para o serviço do altar-mor, intimando que eles fossem reconduzidos para os absidíolos; 1706 - Pe. Carvalho da Costa diz que os frescos da capela representam a Virgem Maria e São Bento; 1754 - visitador Marcelino Pereira Cleto queixa-se da sua ruína, ordenando o seu restauro e que uma das capelas absidiais fosse aproveitada para sacristia; 1758 - data da inscrição na parede S. da nave; 1760 - conclusão das obras de redução da igreja; 1824 - segundo o Pe. Isaac da Silveira, o seu estado era miserável.

Características Particulares

Evolução planimétrica bastante particular. Possivelmente, devido ao desafogo económico inicial, optou-se por uma planta de três naves e cabeceira de três capelas quadrangulares, sendo a central mais desenvolvida e alta que as laterais, seguindo o esquema cisterciense, conservando ainda vestígios nas arcadas que davam para os absidíolos. Este esquema não se concluiu e foi drasticamente reduzido para uma planta ocupando pouco mais do que o espaço projectado para a primitiva nave central. Parte da arcada, um pouco afastado da igreja confirma a grandiosidade do projecto inicial para as dependências conventuais que, entretanto, se devem ter restringido a algumas construções mais modestas adossadas à fachada S. da igreja, como comprovam os pingadouros ali existentes.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Granito, madeira, pinturas, talha. Pavimento de madeira e cobertura de telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; IDEM, O Românico in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1988; IBIDEM, Primeiras Impressões sobre a Arquitectura Românica Portuguesa in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971, p. 65 / 116; ALMEIDA, José Alberto Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana do Castelo, 1987; BARREIROS, Padre Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926; COCHERIL, Don Maur, Routier des Abbayes cisterciennes du Portugal, Paris, 1978; COSTA, Padre Avelino de Jesus da, O Culto de S. Bento na Terra de Valdevez, Arcos de Valdevez, 1984; FERREIRA, João Palma, Mosteiros de Santa Maria de Miranda e de Santa Maria de Ermelo in A Capital, Lisboa, 25 Abril 1988; GOMES, Saul António, Visitações a Mosteiros Cistercienses em Portugal nos séculos XV e XVI, Lisboa, 1998; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Vol. II, Distrito do Porto, IPPAR, Lisboa, 1993; PEREIRA, F. Alves, Uma Fundação de D. Teresa (O Mosteiro de Ermelo) in O Archeologo Português, vol. 23, Lisboa 1918, p. 138 - 158.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; Arquivo " Mural da História "

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1982 / 1983 - reparação das coberturas; 1984 - diversos trabalhos de conservação; 1986 - conservação e reparações diversas; 1987 - reparações diversas; 1989 - obras de conservação; 1990 - conservações diversas; 1992 / 1993 - conservação do pavimento.

Observações

*1 - Dof. ... Restos da Igreja e da Abadia Cisterciense. *2 - Desconhece-se a data de construção do primitivo edifício conventual, estando no entanto normalmente associado a D. Teresa. O Padre Avelino J. da Costa, contudo, tendo em consideração uma necrópole e inscrição de um religioso, descobertos na Freguesia do Vale e que poderão ser do período visigótico, considera aceitável a existência do mosteiro antes de D. Teresa, a qual, neste caso, teria sido apenas sua benfeitora, promovendo o seu restauro e doado-lhe alguns bens. *3 - Em data não averiguada procedeu-se ao restauro do tecto da nave, iliminando as pinturas dos quatro Evangelistas e da Virgem, que existiam em medalhões, e apeou-se os dois altares colaterais de talha.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

Paula Noé 1998
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login