Hospital de Santo António

IPA.00005417
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Hospital construído no séc. 18, de planta em U com fachadas de dois ou três pisos, em estilo neoclássico ao gosto neopalladiano, e que muito influenciou a arquitectura portuense, sobretudo a de cariz civil. As fachadas, sobretudo a principal, com o aparelho característico a recobrir o 1º piso, as colunatas do andar nobre, os frontões, as balaustradas e as urnas a sobrepujar as cornijas, deram à cidade do Porto uma expressão arquitectónica que a individualiza, ao mesmo tempo que a opõe ao gosto barroco ainda vigente no Norte do país.
Número IPA Antigo: PT011312080009
 
Registo visualizado 3312 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Saúde  Hospital  Hospital universitário  

Descrição

Edifício de planta em U, com coberturas diferenciadas em telhados de 2 e 4 águas. A fachada principal, ampla, está dividida em cinco corpos. O central, um pouco saliente, tem ao centro um pórtico no qual assentam seis colunas dóricas que suportam o entablamento e o tímpano. Esta parte destaca-se das cinco janelas centrais existentes no andar nobre do mesmo corpo. Além do andar inferior e do andar nobre tem este corpo um terceiro andar; superiormente é rematado por uma balaustrada, tendo aos cantos pequenos torreões em cada um dos quais se abre um óculo. As janelas do andar nobre, no alinhamento dos torreões são diferentes das restantes, pois são decoradas com colunas e pilastras rematadas por um arco de volta inteira. Os corpos intermédios, iguais, são rematados superiormente por balaustrada, excepto nas três janelas centrais em que o remate é um tímpano. As janelas destes corpos dão para um terraço abalaustrado sustentado por abóbada e que assenta em arcada que corre ao longo do piso térreo, entre o corpo central e os laterais. Os corpos laterais, também iguais, têm, no andar nobre, um recuo na parte correspondente às três janelas centrais. A frente desse recuo é formada por quatro colunas análogas às do corpo central do edifício, que sustentam entablamentos com balaustrada e, ao centro, num entablamento mais elevado e decorado com grinaldas assentam, no corpo esquerdo a estátua de Galeno (da autoria de António de Almeida Costa) e, no direito a de Esculápio. Estes recuos têm, como o corpo central, um terceiro piso. Nos corpos laterais e intermédios, encimando a balaustrada, existem urnas. Todo o piso térreo incluindo o pórtico central e as arcadas dos corpos intermédios, é formado por silharia de juntas fendidas. As fachadas laterais do edifício são bastante singelas em relação à monumentalidade da fachada principal. Interiormente, apenas merece alusão especial a farmácia do Hospital, com acesso pela porta central do corpo intermédio esquerdo da fachada principal, pois conserva os armários antigos que foram um conjunto característico e quase único no género.

Acessos

Miragaia, Rua do Professor José Vicente de Carvalho; Rua Dr. Tiago de Almeida; Rua da Restauração

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23 junho 1910

Enquadramento

Urbano. Cercam o monumento vias de circulação automóvel. Embora a envolvente apresente grande densidade de construção, excepto na R. da Restauração, o imóvel destaca-se dos restantes pela sua monumentalidade e imponência.

Descrição Complementar

No átrio, amplo, encontram-se os bustos dos principais benfeitores do Hospital: D. Lopo de Almeida, João Teixeira Guimarães, Joaquim José de Campos e D. António de Carvalho Leme e Cernache.

Utilização Inicial

Saúde: hospital universitário

Utilização Actual

Saúde: hospital universitário

Propriedade

Privada: misericórdia

Afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: John Carr. MESTRES DE OBRAS: José Francisco Moreira e Caetano Pereira.

Cronologia

1766 / 1767 - A mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto decide construir um edifício novo para o seu Hospital, em substituição do então existente na R. das Flores; O projeto é encomendado ao arquiteto Inglês John Carr; 1769 - John Carr entrega o projeto do novo edifício à mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, que pagou a quantia de 500 libras; 1770, 15 Junho - Lançamento da primeira pedra do novo edifício; 1799 - O corpo S. do edifício é concluído e recebe os primeiros doentes, mas as invasões francesas fizeram suster os trabalhos; 1824 - Conclusão das obras de construção do Hospital; 1962 - remodelação geral do hospital; séc. 20, década de 70 - construção, junto ao corpo lateral do lado S., de um novo bloco hospitalar, o qual se encontra ligado ao edifício primitivo por um corredor coberto, ao nível do primeiro andar; séc. 20, finais da década - com a institucionalização do Serviço Nacional de Saúde, a gestão do Hospital passa para a tutela do Ministério da Saúde; 1993 - Arranque das obras de construção de novos blocos hospitalares, a poente do edifício existente em local anteriormente ocupado por jardins e parques de estacionamento; 2013, 07 março - abertura de concurso público para obras de Remodelação do 6º piso.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Embasamentos e paramentos em cantaria de granito do Porto, de grão médio; pavimentos em laje de betão; coberturas em telha sobre vigamento de betão armado.

Bibliografia

Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 2º Volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 2º Volume, Lisboa, 1960; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1962, 2º Vol., Lisboa, 1963; DIONÍSIO, Santana, Guia de Portugal, 4º vol., T. I., Coimbra, 1985; ANACLETO, Regina, Neoclassicismo. A Arquitectura in História da Arte em Portugal, vol. 10, Lisboa, 1986, p. 6 - 41; LOPES, Flávio (Coordenação), Património Arquitectónico e Arqueológico, Lisboa, 1993; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico do Porto, Lisboa, 1995; AIRES-BARROS, Luís, As Rochas dos Monumentos Portugueses: tipologias e patologias, vol. II, Lisboa, Abril 2001.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Comissão de Construções Hospitalares: 1957 / 1958 - Início dos estudos para remodelação e ampliação do hospital; 1959 - continuação do estudo da remodelação e ampliação das instalações do hospital; 1993 - arranque das obras de construção de novos blocos hospitalares, a poente do edifício, em local anteriormente ocupado por jardins e parque de estacionamento *3; 1962 - foi iniciada a execução das obras indespensáveis à montagem de um ascensor e ao desenvolvimento de uma escada, que o contorna, para melhorar os acesso dos doentes e pessoal aos serviços instalados nos vários pavimentos do edifício.

Observações

*1 - O arquitecto previra a construção das paredes em tijolo. Porém, ignorando esse pormenor, os executantes fizeram-nas de granito. As obras foram, por isso, muito demoradas e dispendiosas. Segundo o projecto de Carr o edifício seria quadrangular e de quatro fachadas, de 172,26 metros as de O. e E. de 177,54 metros as do N. e S., ocupando uma área total de 29.721 metros quadrados. No meio do pátio ficaria a capela, de planta circular no interior e quadrangular exteriormente, tendo de lado 29,26 metros, com um zimbório, 32 colunas e 4 estátuas. Tudo ficou, no entanto, só em projecto, devido às disponibilidades limitadas. O edifício ficou assim com planta em U por não se ter executado a fachada poente e haverem sido encurtados os corpos do N. e do S.; *2 - Mais pormenores sobre o projecto e da construção podem ver-se em Passos, Carlos de, Guia Histórica e Artística do Porto, Porto, s./d. e em Bastos, Artur de Magalhães, Origens e Desenvolvimento de um estabelecimento de Assistência e Caridade, Porto, s./d.; *3 - Desde a conclusão das obras de construção do Hospital, em 1824, a Santa Casa da Misericórdia do Porto, primeiro, e o Ministério da Saúde, depois, realizaram diversas obras de conservação e restauro em várias zonas do edifício, bem como pequenas obras de adaptação dos espaços interiores, de acordo com as exigências específicas dos serviços hospitalares e, bem assim, do internamento de doentes. De tais intervenções não foram encontrados, até ao momento, quaisquer registos.

Autor e Data

Isabel Sereno e Miguel Leão 1994

Actualização

Paula Noé 1997
 
 
 
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