Celeiro do Convento de São Francisco / Torre da Horta dos Cães

IPA.00005691
Portugal, Faro, Faro, União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro)
 
Arquitectura recreativa e agrícola, barroca, rococó. Edifício de planta central octogonal, com cobertura interior em abóboda de aresta de 8 panos, com tratamento compositivo e decorativo dos alçados de características barrocas convivendo com motivos rocócó. Trabalhos de massa nos alçados exteriores, representando figuras mitológicas (Adamastor e Hércules), com paralelos nos da Casa das Figuras (v. PT050805040015), pertencente ao mesmo mecenas e mestre. Terá sido provavelmente de origem uma Casa de Fresco mandada construir por uma família da nobreza local (LAMEIRA)
Número IPA Antigo: PT050805050005
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Armazenamento e logística  Celeiro  Celeiro conventual  

Descrição

Planta simples, centralizada, octogonal. Massa simples, disposta na vertical, em dois pisos, com cobertura homogénea em telhado de 8 águas. Alçados de alvenaria rebocada e caiada dispostos em dois registos definidos por friso simples; embasamento envolvente de massa e remate em cornija saliente, em popa de rola, e beirado. Oito alçados delimitados por pilastras angulares, de massa, munidas de bases e capitéis de voluta. No piso térreo, cada pano é rasgado por óculo elíptico, alguns entaipados; superiormente, rasga-se em cada pano, janela rectangular. No alçado principal, a O., rasga-se a porta de entrada, em arco de volta-perfeita sobreposta por composição em massa de concheados e volutas, com as armas dos Mascarenhas Figueiredo, ocultando o óculo, nas quais são perceptíveis vestígios de pigmentação branca e vermelha; no alçado E., ao nível do 2º registo, rasga-se porta de verga recta. Os vãos das janelas e óculos possuem molduras em massa. Os dois panos que ladeiam o alçado principal, são decorados com trabalhos de massa representando duas figuras mitológicas, Hércules e Adamastor, de grandes proporções, assentes sobre plintos duplos sobrepostos ao embasamento: a SO., a figura de Hércules, porta os seus atributos: veste pele de leão, enrolada nas pernas a hidra de Lerna e na mão direita a maça com o javali de Erimanto; possui uma legenda pouco perceptível; a figura do Adamastor, a NO., é personificada por um índio: traja vestuário e turbante de penas e luta com um crocodiloa; na legenda "CABO DE BOA ESPERANSA ADAMASTOR". Envolvendo os alçados E., SE. e S. escada de ferro de acesso à porta E. *1. INTERIOR: não há coincidência entre interior e exterior *2; piso térreo com cobertura em abóbada estrelada de oito panos, pintada de vermelho; pavimento em ladrilho cerâmico; compartimentação interior muito recente *3.

Acessos

Rua Manuel Penteado, Rua da Cordoaria, Campo de São Francisco e Rua Teresa Ramalho Ortigão

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR, 1.ª sére, n.º 226 de 29 setembro 1977

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, planície, flanqueado, destacado, em ligeira elevação, inserido na extremidade de malha urbana de princípios do séc. 20; a E. situa-se largo usado como parque de estacionamento dos blocos de apartamentos próximos; integra logradouro de propriedade particular, cercado por um muro; adossado a NE. a edifícios de habitação arruinados. Perto da antiga Horta do Convento de São Francisco (v. PT050805050076), em terreno antigamente designado por Horta dos Cães e próximo de um troço da Cerca Seiscentista (v. PT050805040040).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Armazenamento e logística: celeiro

Utilização Actual

Residencial

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Diogo Tavares de Ataíde, mestre pedreiro (atr.)

Cronologia

1669 - nasce Veríssimo de Mendonça Manuel, futuro desembargador de Faro; 1686 - casamento de Veríssimo de Mendonça Manuel com Maria Rafaela de Sequeira; 1700 - nascimento de Teresa Francisca de Mendonça Manuel, filha de Veríssimo de Mendonça Manuel e de Maria Rafaela de Sequeira; 1711 - na devassa feita a mando do Bispo D. António Pereira da Silva, surge a designação de Horta dos Cães; 1727 - casamento de Teresa Francisca de Mendonça Manuel com Diogo Mascarenhas de Figueiredo, sargento-mor de Faro; 1730 - nasce Manuel Mascarenhas de Figueiredo Manuel, neto do desembargador; 1747 - morre Veríssimo de Mendonça Manuel; 1761 - morre Diogo Mascarenhas de Figueiredo; 1789 - morre Manuel Mascarenhas de Figueiredo Manuel; Séc. 18 - construção do imóvel no espaço então denominado Horta dos Cães, compreendido entre a Cerca seiscentista (v. PT050805040040), a Cerca do Convento de São Francisco (v. PT050805050076), a R. da Cordoaria e o Campo de São Francisco; a obra foi encomendada pelo Desembargador Veríssimo de Mendonça Manuel ao mestre pedreiro Diogo Tavares de Ataíde; 1746 - testamento de Francisco Ribeiro, irmão Terceiro do Carmo, "hortelão da horta chamada dos cães intramuros desta cidade"; 1780 - os frades marianos adquirem ao Capitão Manuel de Figueiredo Mascarenhas, um terreno denominado por Ferragial, situado junto aos baldios e trincheiras antigas da cidade, para edificação do seu convento; o capitão Manuel de Figueiredo Mascarenhas surge na qualidade de "administrador do vínculo de sua casa que instituiu o Dezembargador Veríssimo de Mendonça Manuel (CORREIA, 2006) *3; 1869 - 1872 - na planta da cidade levantada por B.M.F. de Andrade o terreno até aí designado por Horta dos Cães surge com a designação de Horta de São Francisco; 1879 - numa escritura de hipoteca de casas sitas no campo de São Francisco mantem-se a topomínia de Horta de São Francisco para designar a antiga Horta dos Cães; 1919 - a família Ramalho Ortigão, então proprietária da Horta de São Francisco, propõe a urbanização do terreno; 1924 - urbanização do terreno da Horta de São Francisco; posteriormente transformado em habitação, em cada um dos pisos; 1989 - ruína da escada exterior que servia o 2º piso; 2005, Dezembro - elaboração de alçados fotográficos do exterior pela DGEMN.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Estrutura de alvenaria, cobertura em telha de canudo, pavimento em ladrilho cerâmico, madeira em portas e caixilhos.

Bibliografia

CORREIA, José Eduardo Horta, A Torre da Horta dos Cães, Revista Monumentos, n.º 24, Março, DGEMN, 2006; LAMEIRA, Francisco, Faro Câmara Municipal, Cultura, Faro, s.d. (brochura); IDEM, Faro - A Arte na História da Cidade, Faro, 1999; PAULA, Rui M. e PAULA, Frederico, Faro - Evolução Urbana e Património, Faro, 1993; ROSA, José António Pinheiro e, Monumentos e Edifícios Notáveis do Concelho de Faro, Faro, 1984.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco, DGEMN/DREMSul; CMF

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco,

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - a escada substitui uma primitiva de alvenaria entretanto caída e ainda visível em fotografias; *2 - o octógono exterior encontra-se ligeiramente rodado em relação ao octógono interior; *3 - o terreno, até há poucos anos designado por Horta do Ferragial, é referido no documento de aquisição como partindo "pelo norte e nascente com o Campo da Trindade e estrada que vai para o moinho do mestre de Campo Fernando José de Seabra Neto e pelo sul com o mar e caldeira do moinho chamado de São Francisco até topar na Vala Real com a qual e a trincheira nas valas que dividem a Cerca do convento de São Francisco e da Horta dos Cães pela parte do Poente" (CORREIA, 2006).

Autor e Data

João Neto 1991 / Daniel Giebels e Rosário Gordalina 2005

Actualização

 
 
 
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