Catedral de Idanha-a-Velha

IPA.00005882
Portugal, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, União das freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha
 
Igreja visigótica, islâmica românico-gótica e manuelina, de planta rectangular com dois eixos ortogonais e justaposição de rectângulos e quadrados, com três naves. Portas em arco quebrado, uma delas com gablete, portas de lintel recto, uma delas com ombreiras almofadadas. Clerestório com vãos em arco pleno. Arcos formeiros ultrapassados. Baptistério de planta cruciforme.
Número IPA Antigo: PT020505040010
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Catedral  

Descrição

Catedral de planta rectangular com dois eixos ortogonais, composta por rectângulo principal ao qual se justapõem, ao lado maior, dois rectângulos e um quadrado. Cobertura diferenciada a duas águas na nave central e a uma água nas naves laterais. Fachada principal voltada a NE., com dois registos, tendo o primeiro porta em arco quebrado e porta de lintel recto e o segundo óculo circular e campanário. Alçado SO. tem, no primeiro registo, duas portas de lintel recto com as ombreiras almofadadas e, superiormente, janelão em arco pleno. Alçado NO. com porta em arco quebrado e rematada por gablete decorado, ladeado por quatro frestas. No nível superior, correspondendo ao clerestório da nave central, sete frestas em arco pleno. Alçado SE. possui janela de lintel recto entaipada e duas frestas, integrando o aparelho dois fustes e inscrição romana. No segundo registo, cinco frestas em arco pleno. Dois baptistérios exteriores, um na entrada S. e outro junto à entrada N.. INTERIOR de três naves, uma das quais truncada. Pavimento em madeira em lajeado de granito, sendo os degraus de acesso revestidos a mármore rosa. Nave central mais larga e elevada do que as laterais, separadas por arcos formeiros ultrapassados, peraltados no lado do Evangelho, assentando em colunas e pilastras. As paredes SE. e NE. apresentam arcadas cegas em alvenaria de tijolo e a parede NE. arco pleno. Impostas em mármore decoradas com palmetas. Arco triunfal em ferradura, assente em impostas salientes. Pavimento lajeado, sendo, na nave central, de madeira. Cobertura de vigamento de madeira. A capela lateral SE. de planta quadrada e cobertura em abóbada de berço, apresenta pintura mural representando São Bartolomeu com o diabo agrilhado aos seus pés, em tons ocre e terra queimada, tendo como envolvimento barra decorativa em tons cinza. A Capela de Nossa Senhora do Rosário, com cobertura em concha, integra na zona superior da parede esgrafito de sabor popular com a data de 1593 gravada e decorada com motivos geométricos, zoomórficos, cruciformes e cabeças de anjo. Vestígios de pintura mural também nos alçados da nave entre as duas capelas e lateralmente à segunda, representando o Calvário, Cruz de Cristo e Santo António. O baptistério encontra-se situado no exterior, com planta cruciforme, apresentando pequenos tanques adjacentes. Cisterna adossado à igreja, à esquerda do portal principal.

Acessos

Rua da Sé

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 40 684, DG n.º 146 de 13 julho 1956 *1 / Incluído na Zona do Proteção do Conjunto arquitectónico e arqueológico de Idanha-a-Velha (v. PT020505040022)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano. Povoação fortificada situada na margem direita do rio Ponsul *2, implantando-se nas terras baixas a S. de Monsanto. A igreja situa-se intramuros, junto à Porta S. da muralha.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: catedral

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRC, Decreto regulamentar n.º 34/2007 de 29 Março 2007

Época Construção

Séc. 06 / 07 / 12 / 13 / 15 / 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 04 - provável construção da primitiva basílica; 559- 570 - criação do bispado da Egitânia, por Teodemiro, rei dos Suevos *3; 585, cerca de - edificação da catedral, do baptistério e do hipotético paço; séc. 09 - 10 - transformação em mesquita; séc. 12 / 13 - surge uma nova capela-mor, reaproveitando materiais da construção anterior; 1165 - doação a Gualdim Pais, Mestre dos Templários, por D. Afonso Henriques; 1197 - doação a Lopo Fernandes, Mestre dos Templários; 1199 - transferência da sede episcopal para a Guarda; 1229 - doação a Mestre Vicente, Bispo da Guarda; 1244 - doação a Martim Martins, Mestre dos Templários; 1326 - recebia 500 libras dadas pelo comendador de Rio Frio, a renda do espiritual e temporal da povoação, 100 libras dos comendadores de Almourol e Cardiga e 100 pela renda do espiritual de Proença; 1497 - obras de renovação na antiga Catedral por ordem de D. Manuel, para o que estipula a quantia de 5 réis por ano; abertura de novos portais; séc. 16 - a igreja encontrava-se já parcialmente enterrada; correcção da orientação do altar-mor, (C. Torres, 1992); 1505, 10 Outubro - visitação de D. João Pereira e Fr. Francisco, estando a comenda vaga, por morte de Fr. Garcia Afonso; os visitadores constataram a existência de três naves, a da direita com 7 arcos e a da esquerda com 4, surgindo 2 entradas, um portal virado a N., de pedra lavrada e executado recentemente, protegido por alpendre sustentado por colunas de pedra e coberto por telha vã, e um portal mais pequeno a S.; sobre o portal principal, campanário de pedra lavrada, de construção recente, com dosi sinos e rematado por grimpa; à esquerda do alpendre, edifício antigo com 5 arcos; a capela-mor era abobadada, totalmente em cantaria, tendo uma mesa de altar assente em coluna, onde surgia a imagem escultórica do orago, Nossa Senhora, surgindo dois altares colaterais de pedra, dedicados a Santo António e a São Sebastião, com esculturas dos oragos e imagens pintadas na parede, surgindo, ainda, as pinturas de Santa Catarina e São Sebastião; 1537, 10 Outubro - visitação de Fr. António Lisboa, referindo a existência de porta travessa com alpendre, apoiado em cinco colunas com a altura de 6 varas; a capela tinha 4 varas de comprido e 3 de largo; o altar-mor encontrava-se deslocado e estava forrado de azulejos, surgindo um retábulo velho com a pintura de Nossa Senhora, encimado por dossel de sarja vermelha; junto à capela, construíra-se a sacristia num arco; altares colaterais com tábuas pintadas com os oragos respectivos; no lado esquerdo do portal principal, a pia baptismal; igreja parcialmente forrada, entrando-se nela descendo quatro degraus; 1589 - rasga-se a Capela de Nossa Senhora do Rosário; 1593 - abertura da porta S.; séc. 19 - a igreja é transformada em cemitério da localidade, perdendo a sua função cultual; 1893 - data na Capela de Nossa Senhora do Rosário; 1955 - início da prospecção arqueológica, da responsabilidade de Fernando de Almeida; 1998, 12 Fevereiro - cedência do imóvel ao Instituto Português do Património Arquitectónico; 2006, fevereiro - fim das obras na zona envolvente da Sé; feitura de uma estrutura metálica em torno dos baptistérios e colocação de estrutura envidraçada para poderem ser visualizados.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Granito; xisto; mármore; cantaria, alvenaria; aparelho isódomo, almofadado e rusticado; revestimento inexistente; telha "romana".

Bibliografia

«A nova envolvência da Sé de Idanha-a-Velha - a inauguração é amanhã». Gazeta do Interior. 15 Fevereiro 2006; ALMEIDA, Fernando de - Egitânia, História e Arqueologia. Lisboa: 1956; IDEM - «Notas sobre as Primeiras Escavações em Idanha-a-Velha» in Separata das Actas do XXIII Congresso luso-espanhol. Coimbra: 1957; IDEM - Arte Visigótica em Portugal. Lisboa: s.n., 1962. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; ALMEIDA, F. de - Ruínas de Idanha-a-Velha, Civitas Igaeditanorum. Egitânea - guia para o visitante. Lisboa: 1977; ALMEIDA, Fernando de e FERREIRA, Octávio da Veiga - «O baptistério paleocristão de Idanha-a-Velha (Portugal)». Boletín del Seminario de Estudios de Arte y Arqueologia. Valladolid, 1965, vol. XXXI, pp. 134-136; Arte Visigoda em Portugal. Porto: 1955. Catálogo de exposição; BARROCA, Mário - «Contribuição para o estudo dos testemunhos pré-românicos de Entre-Douro-e-Minho». IX Centenário da Dedicação da Sé de Braga, Braga: Braga, 1990, vol. I, pp. 101-145; CALADO, Maria - «Idanha-a-Velha. Memória histórica e património cultural. Idanha-a-Velha», Lisboa: 1988, pp. 11-16; CASTELO - BRANCO, Manuel da Silva - «A Sé egitaniense na Era Quinhentista». Estudos de Castelo Branco. Castelo Branco: 1976, pp. 46-53; CORREIA, Vergílio - «Lembrança de Idanha-a-Velha». Diário de Coimbra. Coimbra, 10 outubro 1938, ano IX, n.º 2727, p. 1; CORREIA, Vergílio - «Idanha-a-Velha». Mvsev. Porto: 1945, vol. IV, n.º 9, pp. 106-120; CORTE-REAL, Artur e POLICARPO, Isabel - Idanha-a-Velha, Processo de Classificação. Coimbra: 1996; FERNANDES, A. de Almeida - Paróquias suevas e dioceses visigóticas. Viana do Castelo: 1968; FERNANDES, Paulo Almeida - «Antes e depois da Arqueologia da Arquitectura: um novo ciclo na investigação da mesquita-catedral de Idanha-a-Velha». ARTIS. Lisboa: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2006, n.º 5, pp. 49-72; FERNANDES, Paulo Almeida - «O primeiro restauro da Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha, a propósito de uma nota inédita de Fernando de Almeida». Revista Raia. Castelo Branco: 2000, n.º 21, pp. 42-47; FERREIRA, Seomara da Veiga e COSTA, Maria da Graça Amaral da - Etnografia de Idanha-a-Velha. Castelo Branco: 1970; FERRO, Maria José Pimenta - As doações de D. Manuel, Duque de Beja a algumas igrejas da Ordem de Cristo. Lisboa: 1971; FONSECA, Crispiano da - A Aegitanea - Idanha-a-Velha. Lisboa: 1927; GONÇALVES, Catarina Valença - A Pintura Mural em Portugal: os casos da Igreja de Santiago de Belmonte e da Capela do Espírito Santo de Maçainhas. Lisboa: s.n, 2001, 2 vols. Texto policopiado. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; HORMIGO, José Joaquim M. - Visitações da Ordem de Cristo em 1505 e 1537. Amadora: 1981; LANDEIRO, José Manuel - «Da Velha Egitânia». Beira Alta. 1952, n.º 11, vol. 1 / 2, pp. 3-18; LOPES, F. de Pina - A Egitânia Através dos Tempos. Lisboa: 1951; MARCELO, M. Lopes - Beira Baixa - Novos Guias de Portugal. Lisboa: 1993; MARROCOS, A. Manzarra - Idanha-a-Velha: Estudo Antropogeográfico. Famalicão: 1936; MATTOS, Armando de - «A basílica de Idanha-a-Velha». Douro Litoral. 1947, 2.ª série, n.º 7, pp. 32-33; NEVES, Vítor Pereira - «Importante achado arqueológico». Reconquista. 3 julho 1992, p. 17; IDEM, «Futuro da Egitânia garantido». Reconquista. 25 setembro 1992, p. 19; IDEM - As Aldeias Históricas de Monsanto, Idanha-a-Velha e Castelo Novo. Lisboa: 1996; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário. Distrito de Castelo Branco. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitetónico, 1993, vol. I; PEREIRA, Félix Alves - «Estudos Igeditanos». O Archeologo Portuguez. Lisboa: 1909, vol. XIV; PIMENTA, Alfredo - «Alguns documentos para a História de Idanha-a-Velha». Subsídios para a História Regional da Beira Baixa. Castelo Branco: 1944, vol. I, pp. 133-198; PROENÇA JÚNIOR, Francisco Tavares - Archeologia do Distrito de Castelo Branco. Leiria: 1910; REAL, Manuel Luís: «Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade tardia no Ocidente peninsular» in IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica. Barcelona: 1995; SALVADO, Pedro - «Idanha-a-Velha: das «ruínas de ruínas» a que futuro?». O estudo da História, 1986 - 1987, 2.ª série, vol. 2, pp. 93-96; SALVADO, Pedro - Elementos para a cronologia e para a bibliografia de Idanha-a-Velha. Idanha-a-Velha: 1988; SILVA, Pedro Rego da - «Memórias Paroquiais - Idanha-a-Velha (1758)».A Raia, Jullho-Agosto, 1998, n.º 6, pp. 20-25; TORRES, Cláudio - «A Sé - Catedral da Idanha». Arqueologia Medieval. Porto: 1992, vol. 1, pp. 169-178; TORRES, Cláudio [dir.], «Idanha-a-Velha - Sé-Catedral, antiga mesquita» in Terras da Moura Encantada. Lisboa: 1999, p. 68; TORRES, Cláudio e MACÍAS, Santiago - O legado Islâmico em Portugal. Lisboa: 1998; VELHO, Martim - O Arrasamento da Idanha em 1133. Estudos de Castelo Branco. Castelo Branco: 1979, n.º 5, pp. 45-47.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo "Mural da História"

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1955 - início das escavações na Catedral, dirigidas por F. de Almeida; 1960 - sob a mesma direcção, prosseguiram as escavações na catedral, mais precisamente no seu interior, rebaixamento do pavimento e consolidação estrutural; 1961 - escavação parcial do edifício descoberto no adro da Catedral; identificação de muros da hipotética abside; DGEMN: 1962 - plano de obras de construção da cobertura da Catedral; 1964 / 1965 - início da colocação da cobertura na Catedral, financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian; alteamento da estrutura do edifício e abertura do janelão no topo S.; 1964 - restauro da Catedral, consolidação das paredes, reconstrução da fachada, nivelamento da parede lateral, construção da cobertura e respectiva armação, abertura de janelão sobre a porta principal; 1969 / 1971 - obras de restauro da Catedral; 1986 - beneficiações na Catedral e Baptistério; 1987 - beneficiação da cobertura da Catedral; IPPC / DGEMN: 1986 / 1987 - beneficiações na Catedral e Baptistério; consolidação das estruturas envolventes; IPPC: 1987 / 1988 - sob a direcção de Artur Corte Real, intervenção de emergência na necrópole; IPPC / DGEMN: 1988 / 1989 - cobertura do baptistério; vedação e acesso pedonal; IPPAR: 2000 / 2001 - supressão do janelão a SO.; substituição do pavimento lajeado na nave central por pavimento em madeira; aterro da zona envolvente da Mesquita-Catedral, cobrindo todas as estruturas; levantamento fotogramétrico; reconstrução da porta N..

Observações

*1 - Classificada em conjunto com a Ponte sobre o Rio Ponsul ( v. 0505040081 ), com a DOF: A chamada "Catedral" e a velha ponte a este, sobre o Ponsul, em Idanha-a-Velha. *2 - topónimo derivado de Procônsul. *3 - em 569, o bispo da Egitânea encontrava-se presente no Concílio de Lugo, confirmando a existência do bispado, nesta data. *4 - espólio arqueológico disperso por vários museus e entidades particulares (Museu Lapidar Igeditano de António Marrocos, Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Museu Nacional de Arqueologia). *5 - de acordo com o "Plano de Aldeia" do Programa "Aldeias Históricas de Portugal - Beira Interior", está prevista intervenção no imóvel com projecto tutelado pelo IPPAR, da responsabilidade do arquitecto Alexandre Costa.

Autor e Data

Margarida Conceição 1994 / Marisa Costa 2001

Actualização

 
 
 
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