Casa Professa de São Roque / Igreja e Museu de São Roque

IPA.00006227
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Arquitectura educativa, maneirista e barroca. Casa Professa da Companhia de Jesus composta por igreja à esquerda e edifício residencial, conciliando o chamado "modo nostro", de plantas planificadas, simples e funcionais, inscrita num rectângulo, com as tendências e tradições arquitectónicas nacionais, de vocabulário plástico mais pobre, austero e proporções mais pesadas, seguindo a primeira arquitectura da Companhia. Igreja de planta longitudinal e nave única, de espaço unificado, amplamente iluminado, pelas janelas da fachada e, indirectamente, tendo, de cada lado, quatro capelas laterais intercomunicantes, seguindo o esquema da casa-mãe, a Igreja do Gesù, em Roma, com transepto inscrito, capela-mor pouco profunda enquadrada por duas capelas colaterais, as do topo já inseridas no espaço do transepto, flanqueada por duas torres posteriores, interligadas por galeria. Fachada principal da igreja de três panos definidos por pilastras colossais e terminada em frontão triangular, rasgada por portais de verga recta entre pilastras suportando frontões, o central triangular e os laterais curvos em concha, e superiormente por janelas com frontões, curvo ao centro e ao laterais triangulares, tendo óculo no tímpano, conforme o esquema das igrejas da primeira fase, tendo semelhanças com as fachadas das igrejas dos Colégios de Braga (v. 0303070056) e Évora (v. 0705210023). Fachadas laterais terminadas em cornija e ritmada por pilastras, com corredores fechados. A austeridade do exterior contrasta com o interior da igreja, cuja estrutura, delimitada em duas áreas, a zona entre a capela-mor e os púlpitos dedicada à liturgia, e a zona entre os púlpitos e a entrada, para a assistência missionária e prédica é profusamente decorada. Possui coro-alto sobre colunas e cobertura em tecto plano de madeira, assente em cornija bastante avançada sobre modilhões, pintado em "trompe l'oeil" com iconografia alusiva à Companhia de Jesus, semelhante às coberturas dos Colégios de Santarém (v. 1416210009) e do Funchal (v. 2203080006). Apresenta as naves com capelas, tendo acessos por arcos de volta perfeita simples sobre pilares, encimadas, num segundo registo demarcado por cornija, por tribunas de verga recta sobrepujadas por cornijas, dando para corredores laterais, com púlpito ao centro, quadrado, de cantaria e acedido por porta através dos corredores laterais. Na capela-mor, dispõem-se nichos e telas laterais e o retábulo-mor, maneirista, de planta recta e três eixos, definidos por colunas com o terço inferior decorado, com nichos sobrepostos albergando Santos, todos alusivos à Companhia, e camarim protegido por tela, integrando trono expositivo, sendo rematado em frontão semicircular com tondo central. Capelas colaterais com relicários sobrepujadas por tribunas. "Sacristia Pinacoteca", revestida com ciclo de pintura dedicado a São Francisco Xavier, um dos Santos maiores da Companhia de Jesus, paradigma a seguir pelos Padres da Companhia, e tecto em abóbada de caixotões, pintada com atributos marianos, possuindo amplo arcaz e sala do lavabo anexa. Edifício residencial com dois claustros rectangulares, o principal, da portaria com fachadas de dois pisos, separados por friso, tendo no primeiro arcada de 3 x 5 arcos de volta perfeita sobre pilares quadrangulares, e no segundo piso janelas de varandim, e o secundário, apenas definido em planta e volume. Constitui uma das poucas Casas Professas sobreviventes no mundo e a igreja uma das três mais antigas da Companhia de Jesus em Portugal e que mais viria a influenciar os Colégios no Brasil. Determinou uma nova fase na história do urbanismo do Bairro Alto ao constituir um polo de atracção da nobreza lisboeta que começou a construir aí os seus palácios com o intuíto de se aproximar dos padres da Companhia que gozavam de amplo reconhecimento cultural e social junto á corte. A igreja mantém a sua integridade no que respeita ao traçado arquitectónico, património integrado e móvel, constituindo este último um acervo riquissimo pela sua diversidade e qualidade. As capelas da Sagrada Família, São Francisco Xavier e, parcialmente, Santo António têm retábulos maneiristas, em talha dourada, de planta recta de um eixo, definido por duplas colunas coríntias, com o terço inferior decorado, tendo ao tela ao centro, e ático, sobre friso e cornija, em frontão semicircular com tondo. As capelas do Santíssimo Sacramento, São Roque e Nossa Senhora da Doutrina, têm retábulos barrocos, em talha dourada, de planta recta e três eixos, definidos por colunas torças, tendo nos laterais nichos com imaginária, e ático, sobre friso e cornija, com arquivoltas que prolongam as colunas e são unidas no sentido do raio, ou com tela ao centro. Algumas das capelas possuem as paredes laterais decoradas em talha com relicários. Destaque para a Capela de São João Baptista, em barroco romano, integralmente executada em Itália por artistas italianos, toda em mármore, de diferentes variedades, painéis de mosaico nas paredes laterais, centro do retábulo e pavimento, com pedras semi-preciosas, cobertura em abóbada de caixotões, decorada com querubins e anjos; retábulo de planta côncava, com quatro colunas coríntias, da tela que protegia o trono expositivo, o mesmo acontecendo às imagens e telas das capelas que enquadravam a capela-mor e das tribunas que encimavam as capelas colaterais, consoante as festividades litúrgicas. É possível que o nicho inferior do retábulo-mor correspondesse à localização primitiva do sacrário, antes de ser criada a Capela do Santíssimo, no lado do Evangelho. O edifício residencial encontra-se mais alterado, mas ainda volumetricamente bem detectável, com alguma correspondência de espaços, nomeadamente na antiga portaria para o actual vestíbulo do Museu. No claustro da portaria ficavam cinco capelas de Irmandades e dos Padres e, certamente outros espaços públicos, enquanto à volta do pátio ficariam os espaços utilitários da comunidade. Caracteriza-se por uma maior sobriedade, com a fachada principal no final do séc. 19 de dois pisos de vãos rectilíneos, com janelas de peitoril e tendo três portais encimados por cornija, um ao centro e dois laterais. Possuía ampla cerca, de que subsiste a porta do carro, sem qualquer decoração, e várias oficinas e dependências agrícolas. A nível epigráfico: a letra empregue nas duas inscrições da Capela da Piedade, correspondendo aos nº 4 e 5, datadas de 1711, é mais usual em códices e livros impressos, mas por se ajustar perfeitamente ao tamanho das cartelas e à decoração da capela foi preferida à letra capital quadrada; tem semelhanças com a letra utilizada nas epígrafes da Capela do Santíssimo, nº 12, 13, 14, e 15, datadas de 1719. As tampas de madeira epigrafada que cobrem as primitivas sepulturas de D. Tomás de Almeida e de D. Fernando Martins Mascarenhas (inscrições nº 16 e 17), executadas em 1894, representam uma solução curiosa de preservação da memória da localização das sepulturas destes prelados, e são caso raro na epigrafia portuguesa.
Número IPA Antigo: PT031106150012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Casa professa  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Igreja de planta longitudinal, rectangular, composta de nave única com oito capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor pouco profunda, ladeada por duas torres quadradas no exterior volumetricamente destacadas, e edifício da Casa Professa, a E., rectangular, formado por claustro e pátio, mais pequeno, com corredores de circulação laterais e posterior a articular os espaços, actualmente ocupados pelo Museu de São Roque e Serviços da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, adossando-se ainda a O., sacristias, torre sineira quadrada, dependências da Irmandade de São Roque e salas de arrumos. Massa paralelepipédica irregular, disposta na horizontal, excepto nas torres, com coberturas exteriores em telhados de duas e quatro águas e em terraço sobre alguns corpos. Fachada principal a S., a da IGREJA simétrica e integralmente revestida com placas de cantaria, terminando em frontão triangular, coroado por cruz sobre pinto quadrangular, rasgado por óculo moldurado oval; possui embasamento pouco saliente, três panos definidos por pilastras, duplas nos cunhais e assentes em altos plintos, que se prolongam pelo tímpano, e dois registos seccionados em dois sub-registos por cornija. O pano central é rasgado por portal de verga recta encimado por frontão triangular sobre friso de triglifos, e um janelão rectangular, emoldurado, igualmente encimado por frontão triangular; nos panos laterais abrem-se porta de verga recta, encimada por frontões curvos formando concha, pequena janela rectangular emoldurada, junto à cornija divisória de registos e, sobre esta, janelão rectangular emoldurado encimado por frontão curvo. No cunhal SO., a fachada forma entrecorte. Fachadas laterais da igreja ritmadas por pilastras, terminadas em larga cornija com gárgulas, e rasgadas por amplas janelas fronteiras às quais, sobre as capelas, correm corredores laterais, o da fachada O. coberto por telha e com clarabóias envidraçadas, e o de E. por parapeito encimado por falsas águas-furtadas. Os corpos adossados da fachada lateral O., rebocada e pintada a castanho, são de diferentes cérceas, formando quatro panos, com alto embasamento, três deles terminados em beiral e com vãos rectilíneos sobrepostos moldurados a cantaria; o 1.º pano é rasgado por uma janela de verga recta com grade ao nível do piso térreo, separado do 2.º por pilastra em cantaria; o 2.º, com 3 pisos, é rasgado por quatro janelas em cada piso, as do térreo de verga curva; o terceiro pano, o da torre sineira, possui pequenos janelos sobrepostos, e, no topo, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita, sendo rematada por platibanda plena com bolas sobre plintos nos cunhais; o 4.º pano, com 3 pisos, é rasgado por cinco janelas cada, as do piso térreo também de verga curva. Fachada posterior adossada, sendo visíveis as torres posteriores, rasgadas por amplas janelas protegidas por caixilharias de alumínio lacado de verde. INTERIOR de espaço amplo e iluminado, com pavimento em calcário e em madeira na zona dos bancos, com teia de balaústres em madeira a limitar esse espaço e o presbitério; tecto plano, de madeira, assente em cornija bastante avançada sobre modilhões equidistantes, com pintura perspectivada, figurando três cúpulas, a "Exaltação da Cruz" ao centro e cenas bíblicas nas extremidades e zonas laterais; o tecto é suportado por possante estrutura de madeira, formando caixa de ar. Coro-alto duplo em madeira sustentado por mísulas e duas colunas toscanas, com entase, a que se adossa pia de água benta, em forma de concha, sendo acedido pelo corredor lateral do Evangelho e possuindo balaustrada em madeira pintada a marmoreados fingidos, encimada por candeeiros em bronze; no plano inferior, dispõem-se algumas cadeiras e restos de um antigo cadeiral, e uma escada em caracol de acesso ao segundo nível do coro, que tem, ao centro, grande órgão. Parede fundeira forrada com azulejos "ponta de diamante", ao nível do coro conjugado com azulejos de padrão policromo; as janelas laterais têm vitrais. Tecto do sub-coro plano, em caixotões, pintados com elementos vegetalistas dourados e cartela ao centro com a abreviatura "IHS"(=JESUS); o portal principal tem guarda-vento em madeira pintado a marmoreados. Lateralmente, o coro é delimitado por pilastras e apresenta dois registos separados por cornija, o inferior rasgado por dois vãos em arco de volta perfeita, um deles cego e revestido a azulejos "ponta de diamante", que também surgem no segundo registo, e o outro acedendo à Capela do Senhor dos Passos (Evangelho) e ao Museu de São Roque (Epístola); entre e sobre os arcos, azulejos figurativos com elementos vegetais, volutas, putti, símbolos da "Paixão de Cristo" e medalhão com a abreviatura "IHS", a cruz e 3 raios ou flechas, símbolo de Santo Inácio de Loyola; no tímpano dos arcos, concha com cartela oval, ao centro, rematada por volutas, com uma inscrição nos arcos cegos "REGNI CELO RVM 1596", e a representação da Cruz com as chaves do Céu no do arco de acesso ao Museu. A nave organiza-se em dois registos separados por cornija, tendo no primeiro, de cada lado, quatro capelas laterais, intercomunicantes por vãos de verga recta, com acesso por arcos em volta perfeita assentes em pilares, protegidas por teias de madeira, surgindo, no segundo registo, tribunas rectilíneas e com balaustrada, abrindo para os corredores superiores que circundam a nave. As capelas, quase todas com antigas sacristias por trás, hoje salas de arrumos, têm a invocação da Sagrada Família*, Santo António, Nossa Senhora da Piedade e São João Baptista (Evangelho) e Nossa Senhora da Doutrina, São Francisco Xavier, São Roque e Santíssimo Sacramento (Epístola). Entre a segunda e a terceira capela, surgem, confrontantes, púlpitos de cantaria, com bacia quadrada assente em duas mísulas, guarda plena também de cantaria e acedido por porta de verga recta, sobreposto por dois nichos em arco de volta perfeita encimado por cornija, albergando as estátuas em mármore dos Evangelistas; sob o púlpito do Evangelho lápide epigrafada e sob o oposto porta de acesso ao mesmo, de avental de cantaria. Entre as capelas, os seguintes dos arcos são preenchidos com painéis representando os Doutores da Igreja e anjos e no segundo registo, entre as tribunas e o coro dispõe-se ciclo de 20 telas com episódios alusivos à vida de Santo Inácio de Loyola, dispostas cronologicamente, começando na parede do Evangelho, junto à entrada, circundando toda a nave. Braços do transepto com arco de volta perfeita, da mesma altura das capelas, revestido com azulejos de "ponta de diamante" integrando painéis com motivos fitomórficos e cobertura em abóbada com estuques; no lado do Evangelho, altar dedicado à Santíssima Trindade e porta de verga recta, encimada por friso e tabela rectangular, acede ao corredor de ligação à sacristia e outras dependência; do lado da Epístola, altar dedicado a Nossa Senhora da Anunciação, antiga capela de Nossa Senhora do Desterro também conhecida por nicho de Santo António, e uma porta que comunica ao edifício da antiga Casa Professa. No cruzeiro, o cadeiral da Misericórida, protegido por teia alta e as tampas de sepultura de D. Tomás de Almeida, 1º patriarca de LIsboa, e de D. Francisco Mascarenhas. Arco triunfal de volta perfeita, em mármore, ladeado por duas capelas de arcos idênticos que albergam relicários, encimados por duas tribunas rectangulares, com vidros foscos e guarda pintada a marmoreados fingidos. Capela-mor pouco profunda, com acesso por arco triunfal de volta perfeitade dois tramos definidos por pilastras toscanas, coberta por abóbada de berço com marcação de caixotões, tendo lateralmente quatro nichos em arco de volta perfeita, com imaginária, e quatro painéis representando os mártires do Japão. Retábulo-mor de talha dourada, planta recta, de dois pisos definidos por entablamento, cada um com três eixos, definidos por quatro colunas coríntias, tendo o terço inferiordo fuste torso, nas do segundo registo e com grotesco as do primeiro, decorados com acantos e querubins; no eixo central, abre-se tribuna em arco de volta perfeita e chave saliente, com cobertura interior em caixotões e albergando imagem, encimado, num segundo registo, por painel figurando um "Pentecostes"; nos eixos laterais, abrem-se duas ordens de nichos que albergam santos da Companhia de Jesus; ático de perfil curvo adaptado ao perfil da cobertura, com tondo central figurando o Salvador do Mundo, envolto em molduras recortadas com decoração fitomórfica; altar em mármore de várias tonalidades, em forma de urna. Corredor que acede à sacristia com paredes revestidas a azulejos "de tapete", policromo a azul e amarelo, tendo, na parede S., oratório, em talha dourada, com presépio de cinco figuras em prata dourada. SACRISTIA com pavimento em mármore rosa, branco e negro, formando padrão com rectângulos e coberta por abóbada de berço assente em cornija de cantaria, com caixotões pintados com símbolos marianos inscritos, alternadamente, em quadrifólios e octógonos, rodeados de flores e "ferronerie". Nas paredes E. e O. dispõem-se arcazes em jacarandá com filetes de marfim, sobrepostos por 3 séries de pintura sobre tela; na primeira figuram passos da vida de São Francisco Xavier, na segunda, cenas da Paixão de Cristo que intercalam com quadros alegóricos, legendados, de passagens bíblicas, e na terceira, cenas da vida de Santo Inácio de Loyola. Paredes S. e N., com armários embutidos encimados por telas das segunda e terceira séries de pintura, que ladeiam porta central, a N., encimada por janelão fingido, do lado oposto, por oratório com uma imagem de Cristo na Cruz. Porta N. de acesso a pequeno gabinete, a S. de acesso a quatro salas contíguas, a primeira com um lavabo em mármore, de duas penas, escada de acesso à torre sineira, à direita, e porta de acesso ao púlpito do Evangelho do lado oposto; a quarta sala tem escada para os pisos superiores nos quais se distribuem as dependências da Irmandade de São Roque, instalações sanitárias, acesso à torre sineira e pequenas salas de arrumos, algumas das quais ligadas às capelas laterais da igreja. O acesso a essa zona que fica por cima da sacristia e salas contíguas, pode igualmente ser feito através de escada situada a O. do corredor descrito. A N., fica a galeria de exposições temporárias do Museu, de planta irregular, coberta por abóbadas cruzadas assentes sobre pilares quadrangulares, tendo uma porta para o exterior a N., antecedida por lance de degraus. A E., escada de acesso aos corredores laterais da igreja, cobertas por abóbada de berço e com pavimento em tijoleira, camarim, torres que ladeiam a capela-mor, varandim coberto entre elas, forro do telhado, este com grandes vigas em madeira de casquinha prussiana, e telhado. CASA PROFESSA com fachada principal de dois pisos, rebocada e pintada, percorrida por embasamento de cantaria e terminada em cornija de estuque. É rasgada regularmente por janelas de peitoril rectilíneas, molduradas a cantaria, formando brincos quadrangulares inferiores, as do segundo piso integrando bandeira e encimadas por friso e cornija, sendo este esquema interrompido ao centro e lateralmente. Ao centro, abre-se portal de verga recta encimada por friso e cornija, sobrepujado por janela de sacada, assente em mísulas volutadas, com guarda em balaustrada, integrando igualmente bandeira, e cuja verga é encimada por friso e frontão curvo assente em duas volutas; sobre a janela, a cornija da fachada é interrompida por tabela sobrelevada coroada por frontão triangular interrompido, assente em pilastras sobre volutas, enquadrando almofada de cantaria com a inscrição "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" e as armas da Misericórdia. Lateralmente, o esquema dos vãos é semelhante, mas a janela é encimada por frontão triangular. Fachada posterior com panos de três e quatro pisos, rebocados e pintados de castanho, terminados em cornija de estuque e beiral ou apenas beiral; são rasgados regularmente por vãos vestilíneos, moldurados a cantaria, integrando bandeira; o pano principal, possui, sobrepostas, ao centro, janelas de varadim, mais largas, de verga curva e com guarda de ferro. INTERIOR estruturado em torno de claustro e antigo pátio das cisternas no alinhamento do anterior, ocupado actualmente pela sala de extracções, separados por corredor. O acesso é feito pelo portal mais próximo da igreja, que liga ao Museu, através de vestíbulo, correspondendo à antiga portaria, com pavimento em mármore branco e rosa, formando motivos geométricos; escada com guarda de ferro ornado de motivos volutados liga ao segundo piso, onde ficam as salas de exposição, tendo em plano intermédio, vão de comunicação com a igreja; neste piso ficam ainda as instalações sanitárias do Museu, uma sala de reuniões e outra de arrumos, antiga casa forte da Lotaria, e corredor de acesso às dependências N. do edifício; a S. dispõem-se a tesouraria e vestíbulo da SCML, este com pavimento em mármore, escada de acesso ao piso superior a E., também em mármore e corredor, a N., no sentido S. / N., com continuação em "zigue-zague", que faz a distribuição aos vários espaços administrativos da Misericórdia, para E. e N.. A E. fica o Gabinete de Relações Públicas e Centro de Documentação, a N. sala de extracções da Lotaria e salas da Lotaria, casa do pessoal, refeitório e cozinha, escadas de acesso aos pisos superiores e átrio de acesso a pátio nas traseiras do edifício que abre para a R. de São Pedro de Alcântara, antiga entrada da cerca ou Porta do Carro. A sala de extracções tem pavimento cerâmico e tecto de madeira, lateralmente mais baixo e plano, suportado por colunas de ferro, e ao centro de perfil abatido; em metade da sala, desenvolve-se a meio do pé direito, varandim de planta em U, igualmente sustentado pelas colunas de ferro, tendo guarda de ferro de perfil convexo, decorada com volutas, e integrando em cada uma das faces as armas da Misericórdia, também em ferro e pintadas, intercaladas por coronéis. No segundo piso, as salas do Museu surgem distribuídas em torno do claustro, a principal, a S., com portal moldurado a mármore, superiormente recortado e com a inscrição "PULSATE ET APERIE TUR VOBIS", pavimento em cimento forrado com alcatifa e tecto de estuque, em falsa abóbada abatida, assente em cornija bastante saliente, sendo decorado por amplas cartelas com motivos vegetalistas e concheados dispostas nos ângulos e lateralmente, interligadas por frisos igualmente com motivos fitomórficos; ao centro, enorme moldura quadrilobada integrando ao meio as armas da Misericórdia, também em estuque, mas policromado; a E., escada de acesso ao terceiro piso, de menor área, ocupado por gabinetes do Museu. O Museu estende-se a O., onde se dispõem uma outra sala do Museu e a a sala de reservas. A N. a Provedoria, reprografia e escadas de acesso ao piso superior. No terceiro piso, de menor área, e a E. do claustro, surgem gabinetes do Museu. A O. e N. ficam os gabinetes do Departamento de Gestão Imobiliária e Património. O claustro, designado da portaria, possui fachadas de dois registos, separados por friso de cantaria, tendo, no primeiro, arcada de 3 por 5 arcos de volta perfeita assente em pilastras, os da face maior entaipados (S.) ou parcialmente tapados por corpo avançado, ocupado pelo Gabinete do Voluntariado, coberto por terraço (N.); no segundo, tem janelas de varandim, molduradas, com guarda de ferro e integrando bandeira; no corpo E. e O., com terceiro piso, abrem-se janelas de peitoril, molduradas. O pátio, foi ocupado com a sala de extracções, tendo acesso a partir do corredor que se desenvolve desde o portal lateral direito da fachada principal, e que faz a distribuição aos vários espaços administrativos da Misericórdia, na zona central da fachada S., a E.; um outro corredor transversal, acede aos espaços desenvolvidos posteriormente, a N.. Sala de extracções com pavimento cerâmico e tecto de madeira, lateralmente mais baixo e plano, suportado por colunas de ferro, e ao centro de perfil abatido; em metade da sala, desenvolve-se a meio do pé direito, varandim de planta em U, igualmente sustentado pelas colunas de ferro, tendo guarda de ferro de perfil convexo, decorada com volutas, e integrando em cada uma das faces as armas da Misericórdia, também em ferro e pintadas, intercaladas por coronéis.

Acessos

Largo Trindade Coelho, Rua de São Pedro de Alcântara

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria n.º 529/96, DR, 1.ª série-B, n.º 228 de 1 outubro 1996 (igreja) *1 / Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) / Incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) / Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa (v. IPA.00003128)

Enquadramento

Urbano, no perímetro exterior do Bairro Alto (v. PT031106150275), em relação ao qual fica a NE.. Implanta-se destacado, formando gaveto, abrindo para o Lg. Trindade Coelho a S., do qual a igreja se separa por escadaria com gradeamento em ferro. Ao longo da fachada lateral esquerda, paralela à R. de São Pedro de Alcântara, corre passeio separador da estrada. A E. adossam-se edifícios da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que se prolongam perpendicularmente para S. e para N., adaptados ao desnível do terreno, possuindo vários pátios intermédios articulando os espaços e os vários corpos. Na fachada O., no topo da antiga Casa Professa, abre-se portal, correspondendo à antiga Porta do Carro, que constituía a entrada de serviço e de acesso à cerca, que se estendia pela colina até ao Rossio. Nas imediações, erguem-se o Palácio do Marquês de Tomar (v. PT031106150625), o Palácio de Ludovice (v. PR031106150051), o edifício do Restaurante Tavares (v. PT031106150200), o Palacete das Laranjeiras (v. PT031106150305), o Convento de São Pedro de Alcântara (v. PT031106150407) e outros imóveis de interesse.

Descrição Complementar

PINTURA DO TECTO de visão tripartida, definida por quatro arcos abatidos, terminando em volutas e decorados em grisalha com grotescoscompostos por enrolamentos florais e carrancas, encimados por quadratura de balaustrada, a toda a volta da igreja, com métopas e triglifos, sobre o qual, se dispõem três cúpulas assentes em trompas, com tambores abertos em arcos sobre colunas, a central de formato hiperbólico. O desenho das cúpulas encontra-se perpectivado de acordo com o ângulo da entrada, no caso da central e da que fica mais próxima do altar-mor, e com uma visão do altar-mor na restante. Sobre os pendentes da cúpula central tetramorfo em grisalha com os símbolos dos Evangelistas. Ao centro, sobrepondo-se à cúpula, anjos ostentam a Cruz de Cristo, símbolo do triunfo da Cruz, ou da Igreja. Nas extremidades dos eixos longitudinal e transversal da abóbada, surgem as quatro refeições místicas de Cristo: "Última Ceia", "Cristo em casa de Marta", "Ceia em Emaús" e "Bodas de Canãa"; os dois primeiros, enquadrados por arquitecturas opulentas, os outros por cartelas flamengas. No primeiro e no terceiro tramo, dois painéis caem ilusóriamente como tapeçarias: "A Páscoa dos Judeus", "A Apanha do Maná", "O Sacrifício de Isaac" e "Abraão e Melquisedeque". Ladeando os últimos e os do tramo central, doze representações, como quadros em grisalha, de temas retirados do Antigo Testamento. No coro-alto, ÓRGÃO com caixa de talha pintada de bege e dourado, de planta recta, composto por consola em janela, ladeada pelos botões dos registos e com o teclado, de onde partem mísulas que sustentam o corpo, com face principal dividida em três castelos, o central proeminente, definidos por pilastras e rematados por cornija, tendo os tubos, dispostos em meia-cana, sobrepujados por gelosias rendilhadas, fitomórficas; remate em central em querubins. CAPELA DO SENHOR DOS PASSOS (no sub-coro - Evangelho) de planta irregular, iluminada por uma pequena janela voltada a O., com acesso por vão em arco de volta perfeita, e altar em mármore rosa e beije com cruz trifólia ao centro, idêntico aos das capelas do transepto. CAPELA DA SAGRADA FAMÍLIA (1ª do Evangelho) com pavimento em calcário rosa, cinza e bege, cobertura em abóbada de berço pintada em grisaille, com elementos geométricos e vegetalistas e cerrada por balaustrada em teca com acrotérios forrados com embrechados de mármore. Paredes laterais idênticas, decoradas em calcário rosa e bege, rasgadas por porta, encimadas por telas. INSCRIÇÕES:1.Inscrição informativa da doação da capela, carneiro e sacristia gravada numa lápide, na parede do lado do Evangelho, em campo epigráfico relevado delimitado por filete simples e enquadrado por moldura de óvulos. Sulcos das letras preenchidos com betume negro. Na terceira e quarta linha algumas letras encontram-se esborratadas por terem sido pintadas, em época posterior, com tinta da mesma cor. Na primeira linha sob as letras "I" e "O" da palavra "SITIO" é visível um "O" que foi disfarçado com betume branco; na segunda linha o mesmo processo foi utilizado para fazer desaparecer o "I" que está debaixo do "E" de "NEIRO". Nexos. Calcário. Dimensões: totais: 45,5x79,8x5,5; campo epigráfico: 29,8x64,5; moldura de óvulos: 5,5; moldura filetada:1,8. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: O SITIO DESTA CAPELA, CARNEIRO, E SACRISTIA, DERAM OS REVERENDOS PADRES DESTA SANTA CASA À CONGREGAÇÃO DE AMOR EM GRAÇA, POR ESCRITURA NAS NOTAS DE GASPAR DE CARVALHO, EM 13 DE MAIO DE 1634. 2. Inscrição indicativa da invocação, da posse, comemorativa da construção da capela e pagamento da mesma gravada numa lápide, na parede do lado direito da capela, em campo epigráfico relevado delimitado por filete simples e enquadrado por moldura de óvulos. Sulcos das letras preenchidos com betume negro. Na palavra "IESVS" nota-se uma correcção: a letra "S" substituiu um "I" que foi tapado com betume branco. Calcário. Dimensões: totais: 47,5x85x5,5; campo epigráfico: 30x66,8; moldura de óvulos: 5,5; moldura filetada: 1,5. Tipo de letra: capital quadrada. Nexos e entrelaçados. Leitura modernizada: ESTA CAPELA DEDICADA A JESUS MARIA JOSÉ É DA CONGREGAÇÃO DOS IRMÃOS NOBRES FEITA FABRICADA E ORNADA À SUA CUSTA. Retábulo em talha dourada e policroma, de planta recta e um eixo, limitado por duplas colunas coríntias, com o terço inferior decorado com acantos e querubins, assentes directamente sobre o sotobanco; ao centro, painel rectangular, integrando tela pintada do orago, com remate em friso e cornija, encimados por frontão semicircular, tendo no tímpano tondo com pintura e moldura de glórias de querubins; altar em forma de urna com mármores rosa e branco, com cruz central. PÚLPITO do EVANGELHO: INSCRIÇÃO: 3. Inscrição informativa da localização da actual sepultura de Francisco Tregian, do achado do seu corpo e da homenagem prestada pelos ingleses católicos, gravada numa lápide em campo epigráfico rebaixado delimitado por duplo filete. A lápide está encastrada no centro de uma estrutura de calcário rosa que imita uma porta, que fecha o acesso ao púlpito. Na parte superior da porta, sobrepujando a inscrição, escudo redondo com cruz ao centro, feita em dois tipos de pedra sobrepostos, sendo o braço horizontal mais curto que o vertical. Todos os lados se encontram com pequenas mossas chegando a interferir com o filete da moldura. A altura das letras é alterada a partir da 12ª linha, cerca de dois a quatro centímetros a mais, chamando, propositadamente, o leitor para essa parte do texto. Nexos, inclusões e entrelaçados. Dimensões: totais: 211x94,2; campo epigráfico: 65,5x53,2; moldura de calcário rosa: 20; brasão: 29x22. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: AQUI ESTÁ EM PÉ O CORPO DE DOM FRANCISCO TREGIAN, FIDALGO INGLÊS(NGRES) MUI ILUSTRE O QUAL DEPOIS DE CONFISCADOS SEUS ESTADOS, E GRANDES TRABALHOS PADECIDOS EM 28 ANOS DE PRISÃO POLA DEFENÇÃO DA FÉ CATÓLICA EM INGLATERA NA PERSEGUIÇÃO DA RAINHA ISA-BEL NO ANO DE 1608 A 25 DE DEZEMBRO MORREU NESTA CIDADE DE LISBOA COM GRANDE FAMA DE SANTIDADE HAVENDO I7 ANOS QUE ESTAVA SEPULTADO, NESTA IGREJA DE SÃO ROQUE DA COMPANHIA DE JESUS NO DE 1625 AOS 25 DE ABRIL SE ACHOU SEU CORPO INTEIRO E INCORRUPTO, E FOI COLOCADO NESTE LUGAR, PELOS INGRESES(INGLESES) CATÓLICOS RESIDENTES NESTA CIDADE, AOS 25 DE ABRIL DE 1626. CAPELA DE SANTO ANTÓNIO (2ª Evangelho) de estrutura e cobertura idênticas à precedente, tendo, no intradorso do arco, seis pequenos quadros em cartelas, alusivos à vida de Santo António, enquadrados por molduras de talha e querubins encarnados. Primeiro terço das paredes laterais forradas de madeira imitando mármores embutidos; na parte superior azulejos em ponta de diamante, separados por porta; superiormente, telas com cenas da vida do orago, enquadradas por molduras fitomórficas recortadas. Retábulo de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por dois pares de colunas coríntias, com o terço inferior do fuste decorado por acantos e querubins, apoiando-se directamente sobre o sotobanco, em mármores rosa e branco; ao centro, nicho ovalado com moldura vegetalista recortada, tendo o fundo ornado por caixotões de acantos e pequeno tímpano, contendo plinto; sob este, apainelado convexo com dois anjos policromos, flanqueados por pilastras com os fustes decorados por acantos; remate em frontão interrompido, encimado por anjos de vulto e enquadrando espaldar recortado, com cartela sustentada por anjos encarnados; altar em forma de urna, semelhante ao anterior. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE (3ª Evangelho) com pavimento em calcário rosa, cinza e bege, cobertura em abóbada de berço pintada, em grisaille, com elementos geométricos e vegetalistas e cerrada por balaustrada de ébano com acrotérios de embutidos de mármore. Paredes laterais com o terço inferior revestidas a embrechados de mármores e parte superior a talha dourada e policroma, pontuada por "putti" encarnados, com relicários da colecção de D. João de Borja. No intradorso do arco, mísulas com imaginária. INSCRIÇÕES: 4. Inscrição de posse gravada num campo epigráfico relevado e quadrilobado, de mármore pintado de amarelo, inserido em cartela composta de mármores embutidos delimitada por filete. Apresenta uma fractura e remendos na zona do quadrilobo inferior. Vestígios de linhas auxiliares. Dimensões: 27,5x30,5x0,5. Tipo de letra: caligráfica maiúscula e minúscula idêntica à usada em códices e livros impressos. Leitura modernizada: Esta Capela por doação gratuita dos Padres desta casa é de Martim Gonçalves da Câmara Irmão do Conde da Calheta, escrivão da Puridade de El Rei Dom Sebastião, seu Vedor da fazenda, e de seu conselho de Estado. Faleceu nesta casa de São RoQue aos 6 de outubro de 1613, e nesta capela jaz sepultado. No séc. 17 esta capela era da invocação do "Crucifixo" e foi doada pela Companhia de Jesus a Martim Gonçalves da Câmara para seu jazigo por ser dela "insigne benfeitor", como se lê no registo do seu óbito. 5. Inscrição informativa da localização da Congregação dos Irmãos de Nossa Senhora da Piedade e da construção e ornato da capela gravada num campo epigráfico relevado, quadrilobado, de mármore pintado de amarelo, inserido em cartela de mármores embutidos delimitada por filete. Vestígios de linhas auxiliares. Dimensões: 27,5x30,5x0,5. Tipo de letra: caligráfica maiúscula e minúscula idêntica à usada em códices e livros impressos. Leitura modernizada: Nesta Capela está sita a congregacão dos Irmãos de Nossa Senhora da Piedade os Quais a fabricaram com a pedraria, retábulo, e tribuna, e a vão ornando à sua custa na era de MDCCXI(=1711). Retábulo de planta côncava e um eixo definido por quatro colunas torças e duas pilastras com os fustes decorados por acantos, assentes em consolas, com "putti", que se prolongam no ático em duas arquivoltas e dois fragmentos de frontão, com anjos atlantes e cartela central com as "Chagas", sustentada por anjos; ao centro, nicho em arco de volta perfeita, com moldura de anjos e fundo representando a cidade de Jerusalém, em baixo-relevo de estuque pintado a têmpera e dourado; sob este, painel pintado ladeado por anjos; sotobanco de embrechados de mármore, formando elementos geométricos, anjos e cartelas com coroa fechada; altar com nicho envidraçado. CAPELA DE SÃO JOÃO BAPTISTA (4ª Evangelho) em mármore, de várias cores, mosaico, bronze dourado e marchetaria de madeiras preciosas e marfim. É ladeada por duas pilastras em brecha antiga que suportam arco exterior, em mármore de Carrara, encimado pelas armas reais portuguesas entre anjos. Pavimento em mosaico, com a esfera armilar em cartela oval cercada de flores e cobertura em abóbada de berço com caixotões hexagonais, com cercaduras douradas, decorada com anjos e querubins em mármore de Carrara. Cerra-a balaustrada em mármore, verde antigo, com portas em bronze. Paredes laterais rasgadas por vão com moldura em mármore, verde antigo, e porta em bronze, sobreposto por painéis de mosaico, representando "Pentecostes" (Evangelho) e "Anunciação" (Epístola). Friso e cornija em jade envolve toda a capela. Retábulo de pedras semi-preciosas, de planta côncava e um eixo definido por oito colunas coríntias, duas embebidas no muro, três em lápis-lazuli e uma em verde antigo, com capitel dourado, assentes em plintos paralelepipédicos de alabastro; ao centro, painel de mosaico representando "O Baptismo de Cristo"; ático com tímpano côncavo, com cruz em talha dourada ladeada por anjos e sobre dois querubins; altar em lápis-lazuli e ametista, com as armas reais, com aplicações laterais em talha dourada. No topo do TRANSEPTO OESTE, ao lado da porta pela qual se acede à sacristia: INSCRIÇÃO: 6. Inscrição funerária gravada numa lápide relevada enquadrada por dupla moldura, a primeira, que envolve o campo epigráfico, é em mármore amarelo, a segunda, muito saliente, em mármore preto. Sulcos das letras pintados a dourado. Mármore Amarelo e negro de Carrara(?). Dimensões: totais: 12x90x4; moldura de mármore amarelo: 8,5; moldura de mármore negro: 36; campo epigráfico: 67,5x45. A análise paleográfica revela características comuns às da inscrição nº 7, nomeadamente nas figuras "Q", "P" e "G", indicando uma mesma proveniência. Tipo de letra: capital quadrada do séc. XIX. Leitura modernizada: OSSA PATER MAGISTER SIMONIS RODERICI PIAE RECORDATIONIS, QUI PROVINCIAM HANC LUSITANAM FUNDAVIT, PRIMUS IN EA PROVINCIALIS, UNUS È NOVEM BEATI PATRIS NOSTRI IGNATII SOCIIS. OBIIT IN HAC DOMO XV JULII MDLXXIX. Tradução: Ossadas do Padre Mestre Simão Rodrigues, de piedosa memória, que fundou esta Província Portuguesa e foi seu primeiro Provincial. Foi um dos nove companheiros do Bem-aventurado Santo Inácio. Faleceu nesta casa a 15 de Julho de 1629. No corredor de acesso à Sacristia, a CAPELA DO PRESÉPIO com arco, paredes laterais, pavimento, cobertura e altar em calcário rosa, cinza e branco, com cobertura em abóbada de berço com arquivoltas decoradas com óvulos e florão ao ao centro. Retábulo em talha dourada de um eixo definido por duplas colunas salomónicas, tendo ao centro nicho com baldaquino com Presépio; ático semicircular com óculo tendo pintura no tímpano. Na parede do corredor, no lado direito, sobre o revestimento azulejar uma lápide epigrafada. INSCRIÇÃO: 7. Inscrição informativa de transladação de ossada gravada numa lápide rectangular, acantonada por quatro pequenas circunferência. Calcário. Sulcos das letras preenchidos com betume negro. Dimensões: 40,5x65,3x0,5. Tipo de letra: capital quadrada do séc. XIX. Leitura modernizada: AQUI JAZEM OS OSSOS DO PADRE MESTRE SIMÃO RODRIGUES DE AZEVEDO, TRANSLADADOS DE NOVO PARA ESTE LUGAR, EM XXXI DE MAIO DE MDCCCXCIV. SACRISTIA: 8. Inscrição funerária, hoje ilegível, gravada numa laje de calcário branco. O mau estado de conservação da superfície epigráfica não permite efectuar leitura, medição das letras e dos espaços interlineares. Dimensões: totais: 219,5x69,5. O tipo de letra deveria ser a capital quadrada. Trata-se, certamente, da inscrição de Dom Jerónimo de Gouveia que o autor da "História dos Mosteiros" localiza no pavimento da sacristia. 9. Inscrição funerária gravada em duas lajes transversais, uma num calcário vermelho e a outra num branco, inseridas na decoração geométrica do pavimento, que inclui lajes de mármore negro. O texto gravado na laje branca encontra-se bastante erodido. Vestígios de betume negro nos sulcos das letras. Dimensões: 1ª laje: 21,5x78,5; 2ª laje: 44x78,5. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: AQUI JAZ DOM JERÓNIMO DE AZEVEDO XXII VICE-REI DA ÍNDIA MORREU EM LISBOA A IX DE MARÇO DE MDCXXX.. Há no entanto um erro cometido pelo redactor da inscrição uma vez que Jerónimo de Azevedo foi o 20º vice-rei da Índia e não o 22º como nela se lê. Nas paredes do CORREDOR E ESCADA que acede à CASA DO DESPACHO DA IRMANDADE DE SÃO ROQUE encontram-se localizadas três lápides epigrafadas:10. Inscrição comemorativa de instituição de missas, gravada numa lápide rectangular num campo epigráfico enquadrado por moldura de filetes duplos com os cantos em ressalto, onde se inscreve uma decoração de ramos de romanzeira, colocada na parede do lado direito.O canto superior direito está em mau estado de conservação. Sulcos das letras, moldura e decoração preenchidos com betume negro, algum já a cair. Calcário. Dimensões: totais: 43x92,5x0,5; campo epigráfico: 33,5x83; moldura: 2,5/3,5. Nexos e entrelaçados. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: ESTA IRMANDADE DE SÃO ROQUE É OBRIGADA A MANDAR DIZER NA SUA CAPELA, QUE TEM NESTA IGREJA DUAS MISSAS QUOTIDIANAS, QUE NELA INSTITUÍO DONA BEATRIZ(BRITES) DA COSTA, UMA POR SUA ALMA, E DE SEU TIO MARÇAL DA COSTA, E DE SEUS DEFUNTOS, E OUTRA PELA ALMA DE SUA TIA DONA MARIA DE ANDRADE, E DE SEUS DEFUNTOS, PARA O QUE DEU 90 MIL(U) REAIS DE JURO, POR ESCRITURA FEITA NAS NOTAS DE LUÍS DO COUTO TABELIÃO NESTA CIDADE EM 2 DE SETEMBRO(7BRO) DE 1650. 11. Inscrição comemorativa da edificação e sagração da ermida de São Roque gravada numa lápide num campo epigráfico rebaixado com moldura saliente, colocada na parede do lado direito; a última linha foi gravada no bordo inferior da moldura, talhado em forma de capialço, porque provavelmente não estaria prevista quando se elaborou o texto, explicando assim o facto de estar descentrada e das letras possuirem módulo inferior ao das restantes. Apresenta moças na moldura e no campo epigráfico. O canto inferior direito está partido. Sulcos das letras preenchidos com betume negro. Calcário. Dimensões: totais: 55,5x61,5x1,5; campo epigráfico: 48x55; moldura: 3,5. Tipo de letra: gótico minúsculo de forma e gótico maiúsculo; destaque para a figura maiúscula do "R", de inspiração cursiva, usada também como "40" e para a abreviatura "d/" (=dias) que apresenta figura extravagante. Leitura modernizada: na era de mil e bc e bj (=1506) aos xxiiii dias de março se edificou esta casa de são Roque e na era de mil bc e xb(=1515) aos xxb(=25) de Fevereiro se consagrou pelo bispo dom duarte e o dito bispo outorgou por autoridade apostólica em cada um ano aos xxb de fevereiro R(=40) dias de vera indulgência sendo eloi pires mordomo. 12. Inscrição comemorativa de escritura gravada numa lápide com moldura simples filetada, colocada sobre a porta da Casa do Despacho da Irmandade. Esta lápide esteve colocada ao lado das inscrições número 10 e 11 como indicam Moreira e Ribeiro. Sulcos das letras preenchidos com betume negro. Calcário. Dimensões: (não são precisas por a moldura se encontrar pintada com tinta branca idêntica à da parede) totais: 36x52,5; campo epigráfico: 31,5x57,5. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: A ESCRITURA DO CONCERTO ENTRE OS PADRES DESTA CASA, E OS IRMÃOS DE SÃO ROQUE SOBRE A SUA CAPELA, E SACRISTIA SE FEZ NA NOTA DO TABELIÃO LOURENÇO DE FREITAS A 19 DE 8TUBRO(=OUTUBRO) DE 1633. CAPELAS COLATERAIS formando nicho pouco profundo, com acesso por arco em volta perfeita assente sobre pilastras almofadadas, em mármores, as exteriores de tonalidades rosa, bege e amarelo, a formar padrão geométrico; têm altar tipo urna com cruz trifólia ao centro. Capela exterior do Evangelho, conhecida por ALTAR DA SANTÍSSIMA TRINDADE: Retábulo em mármore, de planta recta e um eixo, definido por duas colunas coríntias, tendo ao centro nicho de volta perfeita, com moldura recortada, encimada pela pomba do Espírito Santo; sobre friso e cornija, ático em frontão interrompido por tabela rectangular horizontal, coroada por frontão semicircular. INSCRIÇÕES: 13. Inscrição comemorativa de construção de capela, gravada numa pedra que originariamente deveria constituir o lintel ou uma arquitrave da primitiva capela da Santíssima Trindade, sita no lado da Epístola no cruzeiro . Sulcos das letras preenchidos com betume negro, algum a sair. Calcário. Dimensões: 150x13x0,5. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: O SITIO DESTA CAPELA DA TRINDADE, COM ESTA PARTE DO CRUZEIRO OPOSTA A ELA FEZ, E ORNOU, GONÇALO PIRES CARVALHO, E DONA CAMILA DE NORONHA SUA MULHER POR LHO CONCEDER A COMPANHIA, PARA SEU JAZIGO, E DE SEUS DESCENDENTES, ERA DO SENHOR, 1622 ANOS. CAPELA-MOR: 14.Inscrição de posse gravada numa lápide em ressalto, num campo epigráfico emoldurado por filete simples, aplicada sobre um painel de calcário vermelho que a enquadra. Sulcos das letras e filete da moldura preenchidos com betume negro. Calcário. Dimensões: totais: 65,5x97,3x0,8; campo epigráfico: 60,5x92; moldura: 2. Nexos e monograma. O texto apresenta oscilação nas regras e correcções na gravação da data da morte: debaixo do segundo algarismo é visível um 0 que depois foi tapado com betume branco e transformado num 6; sob o último digito é perceptível um 7, que também foi disfarçado com betume branco, e alterado para um 6. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: ESTA CAPELA É DE DOM JOÃO DE BORJA 1º CONDE DE FICALHO DO CONSELHO D'ESTADO D'EL REI NOSSO SENHOR MORDOMO MOR DA IMPERATRIZ DONA MARIA E DA RAINHA DONA MARGARIDA D'ÁUSTRIA PARA SEU ENTERRO E DA CONDESSA SUA MULHER DONA FRANCISCA DE ARAGÃO E DE SEUS FILHOS E DESCENDENTES ESTÁ SEU CORPO DEBAIXO DO ALTAR-MOR FALECEU EM SÃO LOURENÇO O REAL A 3 DE SETEMBRO DE 1606. Sob esta capela está a CRIPTA de D. João de Borja, à qual se acede por meio de uma escada. Nela são visivéis ossadas e sobre o arco principal a placa de metal epigrafada que esteve cravada na caixa que guardava a ossada de D. João de Borja. 15. Inscrição indicativa da caixa onde foi colocada a ossada de D. João de Borja gravada numa placa de metal, bastante erodida, outrora pregada na dita caixa. Linhas auxiliares bem visíveis. Nexos, inclusões e monogramas. Dimensões: 19,5x56,5. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: ESTÁ NESTA CAIXA O CORPO DE DOM JOÃO DE BORJA 1º CONDE DE FICALHO O QUAL FOI COLOCADO NESTA SUA CAPELA-MOR EM 14 DE MARÇO DE 1613. 16. Inscrição funerária embutida numa tampa de madeira inserida no estrado que actualmente cobre o pavimento da capela-mor. Campo epigráfico enquadrado por moldura relevada. Madeira: pau-santo e espinheiro. Dimensões: totais: 279,5x143; campo epigráfico: 239x103; moldura:18/20. Tipo de letra: capital quadrada cujo "E" tem a particularidade de ter um traço vertical a rematar o traço horizontal do meio. Leitura modernizada: AQUI JAZ DOM TOMÁS DE ALMEIDA 1º PATRIARCA DE LISBOA. Note-se que a primitiva inscrição funerária de D. Tomás de Almeida, cardeal e primeiro patriarca de Lisboa, falecido em 1754, gravada em latim e armoriada, se encontra intacta debaixo deste estrado. 17. Inscrição funerária embutida numa tampa de sepultura de madeira, inserida no pavimento da capela-mor, num campo epigráfico enquadrado por moldura relevada. Nos topos superior e inferior existem dois orifícios destinados a levantar a tampa. Madeira: pau-santo e espinheiro. Dimensões: totais: 50x143,5; campo epigráfico: 29,5x124; moldura: 10. Tipo de letra: capital quadrada, cujo "E" tem a particularidade de ter um traço vertical a rematar o traço horizontal do meio.Leitura modernizada: AQUI JAZ DOM FERNANDO MARTINS MASCARENHAS BISPO DO ALGARVE.Também a primitiva inscrição funerária de D. Fernando Martins Mascarenhas, bispo do Algarve de 1595 a 1616, se encontra provavelmente debaixo do actual estrado. A análise epigráfica desta inscrição denuncia caracteristicas comuns às da inscrição nº 16 provando uma proveniência comum, confirmada pela data da excução de ambas: 1894. TRANSEPTO LESTE: Capela do cruzeiro, no lado da Epístola, conhecida por ALTAR DAS RELÍQUIAS DAS SANTAS VIRGENS: INSCRIÇÕES: 18. Inscrição de posse gravada num dos silhares da pilastra que sustenta o arco do transepto, contígua ao altar das relíquias. O campo epigráfico é enquadrado por moldura dupla filetada. Sulcos das letras e moldura preenchidos com betume negro, algum já desaparecido. Uma infiltração na pedra está a corroer algumas palavras das 2ª, 3ª e 4ª linhas. Dimensões: totais: 55,5x54; campo epigráfico: 48,5x47,3; moldura: 1,8. Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: ESTA CAPELA COM TODO SEU SITIO ATÉ ÀS GRADES DA COMUNHÃO É DE JOÃO PIMENTA DE SAMPAIO FIDALGO DA CASA DE SUA MAGESTADE, E CAVALEIRO PROFESSO DO HÁBITO DE CRISTO E DE SUA MULHER DONA FLORINDA MERGULHOA NELA TEM FEITO UM CARNEIRO PARA SUA SEPULTURA, E DE SEUS DESCENDENTES, E MAIS PESSOAS CONFORME AO CONTRATO FEITO EM 13 DE AGOSTO DE 1636 NA NOTA DE GASPAR PEREIRA NO DITO CARNEIRO ESTÃO JÁ OS OSSOS DE SEU PAI O DOUTOR BELCHIOR PIMENTA FIDALGO DA CASA DE SUA MAGESTADE, CAVALEIRO PROFESSO DO HÁBITO DE CRISTO, CORREGEDOR DO CRIME DA CORTE, JUÍZ DOS FEITOS DA CORÔA, E FAZENDA DE SUA MAGESTADE. 19. Inscrição informativa da consagração do altar e concessão de indulgência gravada num ossário, de mármore branco com tampa de mármore preto, embutido na parede, à esquerda do altar. O facto de o altar ocultar parte do ossário e da inscrição prova não ser o original. Os sulcos das letras foram preenchidos com betume negro. Dimensões: 78,5x50x27,5. Tipo de letra: capital quadrada e letra caligráfica minúscula usada em códices e livros impressos. Nexos. Leitura modernizada: ANNO DOMINI M. DCC.XXV. DIE IV. MENSIS FEBRUARII, PONTIFICATUS THOMAE PATRIARCHAE I. ANNO IX. DE CUJUS MANDATO EGO JOANNES ARCHIEPISCOPVS LACEDAEMONIENSIS CONSECRAVI ALTARE HOC IN HONOREM SANCTAE QUITERIAE, URSULAE, ET SOCIARUMEJUS VIRGINI ET MARTIRUM ET RELIQUIAS SANCTAE XISTIP ET PETRI MARTIRIUM ET SANCTAE CATHARINAE, ET CAECILIAE VIRGINI ET MARTIRUM IN EO INCLUSI ET SINGULIS CHRISTI FIDELIBUS HODIE UNUM ANNVM ET in die, anniversario consecrationis hujus modi, ipsum visitantibus quadraginta dies de vera indulgentia in forma Ecclesie consueta concessi. Tradução: A quatro de Fevereiro do ano do Senhor de 1725, ano nono do pontificado do Patriarca Tomás de Almeida, eu João, Arcebispo de Lacedomonia, por mandato dele consagrei este altar em honra das Santas Quitéria, Úrsula e Companheiras Virgens e Mártires, e nele encerrei as relíquias de São Xisto e São Pedro Mártires e de Santa Catarina e Cecília Virgens e Mártires. A cada um dos fiéis de Cristo concedi, neste dia, um ano de indulgência, e, do mesmo modo, aos que o visitarem no dia de aniversário da consagração, quarenta dias de indulgência, na forma habitual da Igreja. 20. Inscrição informativa de concessão de altar gravada num ossário de pedra, idêntico ao anterior, embutido na parede à direita do altar. Colocado posteriormente, o altar oculta parte do ossário e da inscrição. Os sulcos das letras foram preenchidos com betume negro. Dimensões: 79,5x50x27,5. Tipo de letra: capital quadrada. Nexos. Leitura modernizada: ALTARE HOC PRIUILIGIATUM SANTAE QUITERIAE, URCULAE ET A VIRGINI MARTIRVM PERPERPETVVM, ET QVAE TIDIANNVM A BENEDICTO PAPA XIII CONCESSUM IVSTA LITERAS INFORMA BREUIS EXPEDITAS SVB DATVM ROMAE DIE XXVI MENCIS MARTII ANNO DOMINI M.DCC.XXV.Tradução: Este altar privilegiado de Santa Quitéria, Úrsula e Outras Virgens e Mártires é para dedicação perpétua e quotidiana. Tal foi concedido pelo Papa Bento XIII, conforme estas cartas despachadas por via breve. Dado em Roma no dia 26 de Março de Ano 1725. Tem retábulo em talha dourada, de planta recta e um eixo, definido por dupla ordem de estípides, assentes em plintos paralelepipédicos, com as faces frontais ornadas por florões, com apainelado central rectangular e emoldurado, contendo tela pintada; sobre friso e cornija, ático em frontão interrompido, com o tímpano ornado por encanastrados, envolvidos por arco pontuado por querubins e resplendor central. CRUZEIRO: INSCRIÇÕES: 21. Inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura tapada parcialmente pela teia e estrado da capela-mor.Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: SEPULTURA DE FRANCISCA DE SIQUEIRA INSIGNE BENFEITORA DESTA CASA. FALECEU DE IDADE DE 78 ANOS A 16 DE MAIO DE 1624. REQUIESCAT IN PACE. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA DOUTRINA (1ª Epístola) com pavimento em calcário rosa, cinza e branco, com motivos geométricos, cobertura em falsa abóbada de berço, totalmente revestida a talha e cerrada por balaustrada de ébano, com acrotérios em embrechados de mármore, tendo ao centro, escudo com o Livro da Doutrina. À excepção do terço inferior das paredes laterais e altar, em embrechados de mármore, é integralmente revestida a talha dourada de grande densidade decorativa, com cachos de uva, parras, pássaros, pelicanos, enrolamentos, querubins e "putti". Nas paredes laterais surgem relicários da colecção de D. João de Borja. Retábulo com corpo de planta côncava, com três eixos definidos por quatro colunas troças, sustentadas por consolas com anjos, que se prolongam em duas arquivoltas, também torças, unidas no sentido do raio e com cartela no fecho; ao centro, nicho em arco de volta perfeita, com o fundo ornado por acantos e cobertura em falsa abóbada, ornada por rosetão central; sob este, sacrário embutido, com porta flanqueada por colunas troças e ornada por símbolos eucarísticos; eixos laterais com nichos em arco de volta perfeita assente em pilastras, com cobertura em semi-cúpula, contendo imaginária. Altar paralelepipédico com nicho. CAPELA DE SÃO FRANCISCO XAVIER (2ª Epístola) idêntica à da Sagrada Família, mas com falsa abóbada de caixotões, em mármore beige e cinza, com frisos de olivas e óvulos, e guarda balaustrada em jacarandá com acrotérios de mármore cinzento, apresentando retábulo semelhante, com apainelado central rectilíneo, com peanha galbada. No pavimento, decorado por elementos geométricos em calcário branco e mármore negro, uma inscrição. Nas paredes laterais lápides epigrafadas CAPELA DE SÃO ROQUE (3ª Epístola) com pavimento em mármore, cobertura em falsa abóbada de berço com caixotões e medalhões, em estuque dourado e policromado, com símbolos do orago e cerrada por balaustrada de jacarandá sobre almofadas de madeira de espinheiro, com brasão da Irmandade de São Roque, as insígnias do orago, as armas Portuguesas e a Coroa Real. AZULEJOS: paredes laterais rasgadas por porta e revestidas de azulejos de composição figurativa e ornamental, polícromos, sobre fundo amarelo. Num enquadramento de motivos ornamentais de influência flamenga, com "ferroneries", elementos fitomórficos, urnas, máscaras, carrancas, motivos ornamentais vegetalistas, grinaldas de flores e frutos, cornucópias, destaca-se, na parede do lado da epístola, em cartela envolta em "ferronerie" e grinaldas de flores e frutos, encimada por carranca feminina, a representação de um episódio da vida do padroeiro: São Roque curando um doente. Esta representação copia minuciosamente uma das pinturas que faz parte do retábulo quinhentista que se encontrava na capela antes da realização do revestimento azulejar *2. Ainda nesta parede, por cima da porta, vê-se a representação de duas figuras infantis aladas, segurando numa cruz e apoiados sobre uma concha que envolve querubim; na parede do lado do evangelho, a decoração azulejar é idêntica, destacando-se no fundo amarelo, por trás do gradeamento formado pelas "ferroneries" um cão com um pão na boca, alusão ao cão que alimentou São Roque quando este, doente da peste, ser retirou no deserto. Na parte inferior, a assinatura, abreviada, e a data: FRANCISCO DE MATOS 1584. Na parte superior desta parede os azulejos foram retirados, provavelmente no século 18, sendo substituídos por uma pintura sobre tela com episódio da vida de São Roque. Retábulo em talha policroma, de branco e dourado, de planta recta e três eixos, definidos por quatro colunas torças, ornadas por pâmpanos, assentes em consolas, a exterior prolongando-se em arquivolta; ao centro, nicho em arco de volta perfeira, de perfil semicircular e com cobertura em semi-cúpula, tendo moldura fitomórfica, flanqueada por duas colunas torças, que se prolongam em arquivolta, formando tímpano fitomórfico; eixos laterais bastante estreitos, apresentando painéis de acantos, contendo mísulas que sustentam imaginária; ático em friso de acantos e querubins e cornija, encimados por tabela rectangular horizontal, flanqueada por quarteirões e contendo painel pintado, envolvida por arquivolta que prolonga as colunas exteriores do retábulo; altar em forma de urna, de mármore branco e rosa, com cruz central. CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO (4ª Epístola) com pavimento em mármore, cobertura em falsa abóbada de berço pintada em trompe l'oeil, com elementos vegetalistas e medalhões, o central com o símbolo da Eucaristia, os restantes com anjos e querubins, e cerrada por gradeamento em ferro forjado, originalmente da Capela de São Roque. Terço inferior das paredes laterais e sotobanco do retábulo em mármores embrechados e parte superior, intradorso do arco e retábulo revestidos a talha dourada com anjos, querubins, elementos vegetalistas e enrolamentos; ao centro das paredes laterais, relicários albergando relíquias da colecção doada por D. João de Borja. Retábulo em talha dourada, de planta recta e três eixos, difinidos por quatro colunas com o fuste ornado por grotescos e terço inferior marcado, assentes em consolas, tendo, ao centro, nicho em arco de volta perfeita, assente em quarteirões e seguintes com querubins, com o fundo apainelado e emoldurado por anjos encarnados de vulto, albergando imagem; os eixos laterais possuem nichos ovalados e rodeados por acantos enrolados, contendo relicários; sobre friso de acantos e querubins e cornija, ático com tabela rectangular vertical, flanqueada por quarteirões e painéis de talha em quarto de círculo, adaptando-se à cobertura, contendo tela pintada; frontal de altar revestido a talha dourada, decorado com "putti" atlantes, enrolamentos, cachos de uva e cartela central com inscrição: "PAVETE AD SANCTVA RIVM MEVM EGO DOMINVUS LEI".

Utilização Inicial

Educativa: colégio religioso

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Afonso Álvares (1566 / 1577); Carlos Pietra Torres (2011); Filipe Térzi (1576); Baltazar Álvares (1577); Luigi Vanvitelli (1742 / 1747); Manuel Nunes (1718); Nicola Salvi (1742 / 1747); Adães Bermudes (1901 / 1907); Fernando Peres Guimarães (1968). CANALIZAÇÕES DE GÁS: Júlio César da Silva (1875). CANALIZAÇÕES ESGOTO: Júlio Gomes Ferreira e C.ª.CANTARIAS: Firma Germano José de Tales e Filhos (1902 / 1907); António Moreira Rato (1902 / 1907). CANTEIROS: Joaquim José (1816 / 1819); Luís Avelar (1816 / 1819); Matos José (1816 / 1819); CONSTRUCTOR: Virgílio Preto (1927 / 1931); DESENHADOR: Hermenegildo da Costa Rafael (1893 / 1894); ENTALHADORES: João Vicente (1737-1738); José Rodrigues Ramalho (1688); Matias Rodrigues de Carvalho (séc. 18); Vicente Ferreira (1816 / 1819); Vicente de Sousa (1902 / 1907). ESCULTOR: Ponsiano Pieri (1863). ESTUCADOR: Manuel Gomes Trigo (1902 / 1907). FERREIRO: Joaquim Pedro Monteiro (séc. 19). MOSAÍSTAS: Mattia Moretti (séc. 18); Enrico Enuo (séc. 18). MESTRE-DE-OBRAS: José Francisco de Abreu (1803 / 1828); António César Mena Júnior (1893 / 1894); António Ribeiro (1902 / 1907). OFICINA DE CARPINTEIROS E MARCENEIROS: Frederico Augusto Ribeiro (1893 / 1894); OFICINA DE ENTALHADOR: Guilherme Coutinho (1893 / 1894); OFICINA DE RESTAURO: Museu Nacional de Arte Antiga (1963). ORGANEIRO: Tomás de Castilho (1861); Afonso Pereira de Amor Machado (1893 / 1894); António Duarte Silva (1893 / 1894); Werner Bosch. PEDREIROS: Gregório Luís (1560, 1601); José Freire (1718); Leonardo Jorge (1560, 1601); Luís dos Santos (1718); Silvestre Jorge (1560, 1601). PINTORES: Gaspar Dias (atr. - 1584); Francisco Venegas (1588 / 1589); Bento Coelho da Silveira (séc. 17); Amaro do Vale (1602); André Reinoso (1619 / 1635); Domingos da Cunha, o "Cabrinha" (1630); João Gresbante (1630 / 1640); Avelar Rebelo (1635 / 1640); Oliveira Bernardes (1690); Agostino Masucci (séc. 18), Joaquim Manuel da Rocha (séc. 18); Manuel José Gonçalves (séc. 18); Miguel António do Amaral (séc. 18); André Gonçalves (1721); Vieira Lusitano (1721); Bernardo Pereira Pegado (1784); Joaquim Xavier Queirós (1816 / 1819); Manuel Joaquim (1816 / 1819); Rosendo José (1816 / 1819); José Maria de Salles (1862 / 1864); Joaquim Pietro (1877); Januário Correia (1879); Domingos Afonso Oliveira (1893 / 1894); Domingos Afonso de Oliveira (1893 / 1894); Manuel Viegas (1903 / 1906). PINTOR de AZULEJOS: Francisco de Matos (1584). PINTORES-DOURADORES: Francisco Paulo Abel (1721); Pedro Maria de Sousa (1863); António da Cruz Xavier Leiria (1878); RESTAURADOR: Marino Guadalini (1963); SERRALHEIRO: Tiago António da Silva (1893 / 1894); VITRALISTA: Oficina de Ricardo Leone (1927 / 1931).

Cronologia

1506, 24 março - edificação da Ermida de São Roque, como informa lápide epigrafada, perto da torre de Álvaro Pais, no exterior da cerca fernandina; 1515, 25 fevereiro - consagração da ermida pelo bispo D. Duarte; 1523, 11 abril - alvará de D. João III ordenando a construção de um cemitério para as vítimas de peste numa herdade que estava sobre São Roque; 1527 - sagração do chamado adro da peste da ermida de São Roque, pelo bispo D. Ambrósio, conforme lápide; 1525-1527 - instituição da Irmandade de São Roque; 1583, 8 março - esta associa-se à Arquiconfraria da Caridade da cidade de Roma; 1540 - D. Pedro de Mascarenhas, embaixador em Roma, é incumbido por D. João III de trazer os primeiros Padres da Companhia de Jesus; chegada a Lisboa de Simão Rodrigues de Azevedo e Francisco Xavier; 1553, 1 outubro - os Jesuítas tomam posse de São Roque; 2 outubro - instalação de 14 padres, vindos do Colégio de Santo Antão, no coro, sacristia e casas térreas da ermida; 1555 - ampliação da igreja. com três naves, pelo Padre Jesuíta Nunes Barreto, Patriarca da Etiópia; na Casa, ter-se-ia mandado fazer, segundo Baltasar Teles, um corredor estreito lançado para O. com 8 cubículos no andar de cima e algumas casas por baixo; 1560 - Silvestre Jorge surge como "prefeito das obras" (MARTINS); 1564 - Padre Manuel Godinho trouxe de Roma desenhos de uma igreja; 1565 - nova ampliação, com uma nave, sob a orientação do mestre-de-obras de D. João III, Afonso Álvares, aproveitando-se o comprimento da ermida para a largura da igreja, a qual ficaria a servir de transepto; posteriormente, surgiram dúvidas, devido à dificuldade de arranjar vigas que vencessem os 80 palmos de largura, levando a mudar-se o projeto para três naves; 1567-1568 - decide-se regressar à nave única e dar uma nova forma à capela-mor, destruindo-se assim o que já possuía no interior; 1569 - com a peste, transferiu-se o Noviciado para Coimbra e Évora, até à feitura de um novo edifício; 1573 - abertura ao culto com a igreja ainda inacabada; 1577 - Baltazar Álvares dá continuidade ao trabalho de Afonso Álvares; a construção do edifício da Casa Professa deve ter decorrido em simultâneo com a igreja, tendo sido concluído enquanto o Pe. Pedro da Fonseca era Propósito (TELES), possuindo, pelo menos, um dormitório a S. e um a E.; séc.16, 2.ª metade - construção da capela de São Roque; 1580, cerca - pintura do painel da Capela da Anunciação por Gaspar Dias; 1584 - execução dos azulejos da Capela de São Roque por Francisco de Matos e provável pintura dos dois painéis por Gaspar Dias; decide-se cobrir a igreja com tecto plano em substituição da abóbada; 1586 - Filipe Térzi opera modificações na fachada da igreja e concebe o remate, cobertura e acabamentos interiores; 1587, 22 ou 25 setembro - escritura de doação das relíquias por D. João de Borja, conde de Ficalho e mordomo-mor da Imperatriz D. Maria, filho do Duque de Gandia D. Francisco de Borja, Geral da Companhia, e de D. Leonor de Castro, feita em São Lourenço do Escorial; tem como condição que as relíquias estivessem sempre na Casa de São Roque em lugar decente, não se podendo tirar alguma, dar, trocar ou emprestar, sob pena de serem transferidas para onde quisessem; 17 outubro - chegada das relíquias a Lisboa, tendo sido entregues ao Prepósito P. Pedro da Fonseca; vieram também 4 jubileus perpétuos que os doadores obtiveram de Sisto V para a Igreja e ornamentos de cetim bordados a ouro; 27 outubro - a coleção de relicários de D. João de Borja é levada da Sé de Lisboa, num magestoso cortejo, para São Roque, tendo sido para o efeito ornamentados os principais pontos da cidade, e elevados "teatros" junto ao pelourinho; o P. João de Madureira, enquanto Propósito, mandou fazer duas capelas ladeando a capela-mor para as relíquias, sendo a do lado do Evangelho dedicada aos Santos Mártires e a do lado da Epístola às Santas Virgens, a 1ª sem padroeiro e a 2ª de João Pimenta de Sampaio, fidalgo da Casa Real, onde mandou fazer jazigo perpétuo para si e esposa, D. Florinda Mergulhoa; 1588-1589 - pintura do tecto por Francisco Venegas; 1596 - colocação de azulejos "ponta de diamante" da escola Triana de Sevilha no transepto e sub-coro; 1601, 1 janeiro - transferência de Silvestre Jorge para São Roque com a missão de "atender e cuidar das obras" (MARTINS); séc. 17 - construção da capela da Sagrada Família, pelos Irmãos da Congregação dos Nobres, da Capela da Anunciação, por iniciativa de D. António de Castro, filho de D. João de Castro, vice-rei da Índia, da Capela de Santo António, instituída por testamento de Pedro Machado de Brito, que deixou encarregue a Misericórdia de construir uma capela onde fosse sepultado, e da Capela de Trindade Gomes para servir de sepultura, a si e aos seus descendentes; pintura da tela do retábulo do Presépio por Bento Coelho da Silveira; pintura das 20 telas com cenas da vida de Santo Inácio de Loyola por Domingos da Cunha, o Cabritinha; primeiro quartel - colocação das pinturas dedicadas à vida de São Francisco Xavier na sacristia; 1602 - pintura dos painéis dos seguintes dos arcos por Amaro do Vale e um deles por Fernão Gomes; 1613 - fundação da Capela da Senhora da Piedade por iniciativa de Martim Gonçalves da Câmara; 1615 - doação por Maria Rolim, esposa de Luís da Gama, do presépio que se encontra no altar da Via Sacra; 1619, cerca - pintura de 20 telas da sacristia por André Reinoso; 1623 - instituição da capela de São Francisco Xavier por Luís Roiz de Elvas; 1625-1628 - construção da capela-mor por ordem do Padre Diogo Monteiro; segundo Baltazar Teles teria sido este Propósito que mandara fazer o retábulo-mor, já que D. João de Borja e sua mulher D. Francisca de Aragão apenas deram para o espaço, o pavimento em pedraria e grande carneiro; 1630, cerca - pintura das telas laterais da capela-mor e de seis painéis da sacristia por Domingos da Cunha, o Cabrinha, e do tondo do retábulo-mor e de outras oito da sacristia por autor desconhecido; 1630-1640 - pintura de dois painéis da sacristia por João Gresbante; 1633, 8 abril - escritura entre os Padres Jesuítas e a Irmandade de São Roque sobre a capela e sacristia; 1634, 26 março- contrato entre a Companhia de Jesus e a Congregação dos Irmãos da Doutrina estabelecendo que a obra da Capela da Doutrina e respectiva sacristia era da responsabilidade desta; o risco, idêntico ao da capela contígua, pertencente a António Gomes de Elvas, foi da autoria de um mestre pedreiro da Irmandade, Gregório Luís, que com a colaboração do irmão Leonardo Jorge, mestre pedreiro, dirigiram obra pela quantia de 500$000; 1 abril - início da construção da Capela da Doutrina; 1635, cerca - pintura de painéis da Capela da Sagrada Família por André Reinoso e Avelar Rebelo; 15 abril - a Capela da Doutrina está inacabada; 16 junho - os Jesuítas, nas pessoas de Pedro da Rocha, provincial da Companhia, e de António Morais, prepósito da Casa Professa, concede aos Irmãos da Irmandade da Congregação de Nossa Senhora dos Prazeres da Doutrina autorização para usar a capela da Doutrina como cemitério da Irmandade. 1636 - fundação da capela do Santíssimo Sacramento (originalmente de Nossa Senhora da Assunção) por Luís Frois; 1636 - João Pimenta de Sampaio, fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, e D. Florinda Mergulhoa, sua mulher, fazem contrato de compra da 1ª capela do cruzeiro, do lado da Epístola, e de um carneiro para sua sepultura e de seus herdeiros; 1640, cerca - pintura de duas telas da Capela de São Francisco Xavier por Avelar Rebelo; 1642 - Padre António Vieira prega o "Sermão das Quarenta Horas" no púlpito oriental da igreja; 1647 - descrição da igreja pelo cronista Baltazar Teles *3; 1688, 24 julho - feitura do retábulo de Nossa Senhora da Doutrina pelo entalhador José Rodrigues Ramalho (FERREIRA, vol. II, p. 527); 1690, cerca - pintura de um painel para a sacristia por Oliveira Bernardes; séc. 17 - séc. 18 - renovação estética da Capela do Santíssimo; 1709 - renovação da decoração da capela de Nossa Senhora da Piedade; 1718, 15 julho - contrato com José Freire e Luís dos Santos para a obra de embutidos da Capela de Nossa Senhora dos Agonizantes, conforme risco de Manuel Nunes e com pedra proveniente de Itália, comprada a Carlos Batista Garvo (COUTINHO: 385-386); 1721 - pintura de dois óleos para a Capela de Santo António por Vieira Lusitano; 17 novembro - contrato entre a Irmandade de Santo António e o pintor Francisco Paulo Abel, para a pintura e douramento do retábulo, por 300$000; 1725, 4 fevereiro - o Arcebispo de Lacedomonia por mandado do patriarca D. Tomás de Almeida, consagra o altar da 1ª capela do cruzeiro, do lado da Epístola, instituida por João Pimenta de Sampaio, às santas Quitéria, Úrsula e outras Virgens Mártires e ai manda colocar as relíquias dos Mártires São Xisto e São Pedro, e das Virgens Mártires Santa Catarina e Santa Cecília; dá a cada cristão um ano de indulgência e aos visitantes do altar, no dia do aniversário da consagração, quarenta dias de indulgência; 1737-1738 - feitura da talha do remate do retábulo de Nossa Senhora da Doutrina pelo mestre João Vicente (FERREIRA, vol. II, p. 518); 1742-1747 - construção da capela de São João Baptista, em Roma, encomendada por D. João V, com projeto dos arquitetos Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi; o pavimento em mosaico é da autoria de Enrico Enuo e os painéis laterais, com cartões de Agostino Masucci, foram executados por Mattia Moretti; 1744, 15 dezembro - sagração da capela de São João Baptista em Roma, pelo Papa Benedito XIV, na Igreja de Santo António dos Portugueses; 1747, 6 Maio - montagem da Capela de São João Baptista em Roma, para que o papa celebrasse Missa, antes de ser enviada para Lisboa; 1747-1752 - montagem da capela de São João Baptista no lugar da antiga capela do Espírito Santo, demolida; séc.18, 1ª metade - pintura de duas telas da Capela de Nossa Senhora da Piedade e de uma da Capela do Santíssimo Sacramento, atribuída a José Gonçalves; 1755, 01 novembro - o terramoto atinge pouco a igreja, sendo sobretudo danificadas a fachada e a torre sineira, cuja queda afetou a Capela de Santo António; séc.18, 2.ª metade - obras na capela de Santo António que adquire uma nova decoração, ao gosto da época; colocação das duas séries superiores de pintura na sacristia e de um painel para o mesmo local por Miguel António do Amaral; 1759, 3 setembro - decreto de expulsão da Companhia de Jesus; 1761, cerca - pintura de 16 telas da sacristia por André Gonçalves; 1768, 8 fevereiro - carta régia doando a Igreja e Casa professa de São Roque à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para ali estabelecer e acomodar o Recolhimento das órfãs e expostos; 1784 - pintura de bandeira real da Misericórdia por Bernardo Pereira Pegado; séc. 18, final - instalação da sala de extracções da Misericórdia na sala principal da Casa Professa, virada a S.; 1809 - planta da igreja, Casa Professa, edifício dos Expostos e respectiva cerca, mostrando, entre outros elementos, a existência de cinco capelas entre os claustros e o pátio com duas cisternas; séc.19 - feitura de guarda em ferro forjado para a capela de São Roque, por Joaquim Pedro Monteiro; 1842 - descoberta das relíquias ocultas atrás dos retábulos das capelas do cruzeiro; 1848 - colocação do órgão, proveniente do Convento de São Pedro de Alcântara, na capela do transepto do lado da Epístola; 1865 - execução do gradeamento do adro da Igreja, pela Fábrica Phénix de Lisboa, e sua colocação; 1875 - instalação de canos e serpentinas para iluminação a gás da Igreja por Júlio César da Silva; 1877-1879 - fornecimento de mármore de Itália, pedra liós e lajedo por António Moreira Rato, nomeadamente, para a capela-mor um altar de mármore de Itália, polido, com embutidos de mármores nacionais azuis e rosa, revestimentos de mármore de Itália para a parte posterior do altar, duas credências de mármore branco polido com embutidos de mármore rosa e dois degraus de liós para acrescento dos existentes; duas lajes escudadas para a Igreja; para a capela de Santo Cristo e Onze Mil Virgens dois revestimentos de mármore branco e rosa e duas banquetas; para o altar de Nossa Senhora de Lourdes um revestimento de mármore azul e rosa; para as capelas de São Roque, Santo António, São Francisco Xavier e Jesus Maria José quatro revestimentos de mármore branco polidos, branco e rosa e oito lajes polidas para os vãos junto aos altares; 1886 - colocação de quatro pára-raios na Igreja e na torre por M. Herculano; 1889 - aquisição de encanamentos por Júlio Gomes Ferreira e C.ª, provavelmente para ligação à rede de esgotos pública; 1893-1894 - grande campanha de obras sob a direcção de António César Mena Júnior: construção do coro-alto, pela oficina da carpintaria e marcenaria de Frederico Augusto Ribeiro; pinturas no tecto do sub-coro e guarda em marmoreados fingidos por Domingos Afonso Oliveira e florões executados na oficina do entalhador Guilherme Coutinho; colocação de vidros foscos para o coro-alto; transferência do órgão para o coro-alto; execução de um retábulo em madeira de casquinha com aproveitamento de uma moldura e de uma banqueta pela oficina do entalhador Guilherme Coutinho; fornecimento de um altar em mármore nacional moldado e polido; construção de novo coro da capela-mor; Hermenegildo da Costa Rafael fez o desenho das letras em latim e português para os epitáfios do cofre ossário de P. M. Simão Rodrigues, e dos túmulos de D. Fernando Mascarenhas e de D. Tomás de Almeida; remoção da teia da Capela do Santíssimo Sacramento eassentamento de grade de ferro dourada, executada por Tiago António da Silva e dourada por Domingos Afonso de Oliveira; substituição da cancela da Capela da Doutrina; 1902-1907 - grande campanha de obras no edifício sede da Misericórdia, projectadas por Adães Bermudes e a cargo do mestre-de-obras António Ribeiro; regularização da fachada principal do edifício, com a demolição dos arcos de ressalva, peitoris e lanços de parede e arranque de todas as ombreiras, peitoris e vergas necessárias à adaptação das novas janelas e portas da fachada; demolição de todas as divisórias do edifício ao nível das tribunas da igreja e dos alçados para abertura de portas no arquivo e aferroamento de todas as paredes; demolição das escadas de pedra e madeira de acesso ao piso superior e construção de uma escadaria nova; demolição da cimalha e levantamento dos madeiramentos de cobertura e vigamentos e soalhos da antiga sala de extracções; arranque e aprovisionamento de todos os azulejos da antiga sala de extracções, onde se construiu a sala do Museu; execução de estuques em cimalhas, sancas e paredes da escada e sala do Museu, corredor, tesouraria, arquivo e escada de serviço; construção de cobertura da sala do Museu com abobadilha de tijolo, e reprodução das armas da Misericórdia e ornatos da antiga sala de extracções pelo estucador Manuel Gomes Trigo; construção da nova sala de extracções no pátio da antiga Casa Professa, que foi fechado para o efeito, demolindo-se as cinco capelas que o separavam do claustro para o substituir por um corredor; fornecimento de cantarias pela Firma Germano José de Tales e Filhos e António Moreira Rato, que forneceu as lápides com os nomes dos benfeitores; execução das vitrinas para a sala do Museu pelo entalhador Vicente de Sousa; 1905, janeiro - inauguração do Museu do Tesouro de São Roque; 1927-1931 - construção de uma casa-forte sob a Tesouraria, por baixo da sala do Museu; construção de pavimento e tetos em cimento armado na sala do Museu por Virgílio Preto; instalação nas clarabóias da escadaria de acesso ao segundo piso do edifício sede da Misericórdia e de dois vitrais executados na Oficina de Ricardo Leone; 1931 - pavimentação do Lg. Trindade Coelho; reabertura do Museu após as obras de remodelação; 1948 - corte do cunhal SO. da igreja, pela CMLisboa, para permitir o alargamento da Rua de São Pedro de Alcântara; 1957 - rasgão da tela com Santo Inácio entre os doutores devido à queda de uma tábua durante as obras; 1968 - remodelação do Museu projetada pelo arquiteto Fernando Peres Guimarães; 1969 - substituição, na capela da Senhora da Doutrina, da imagem de Nossa Senhora da Piedade pela da Senhora da Doutrina; 2004 - Intenção de Candidatura a Património Mundial.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada e pintada; elementos estruturais, molduras dos vãos e outros elementos em cantaria de calcário e mármore; pavimentos de mármore, madeira, mosaico policromo e tijoleira; decoração em talha dourada e policromada, painéis pintados e estuques; capela de São João Baptista com elementos em mármore de Carrara e brecha antiga e pedras semi-preciosas: jade, lápis-lazuli, alabastro, verde antigo e ametista e portas em bonze; revestimentos e silhares de azulejos; tectos de madeira; abobadilhas de tijolo; grades em ferro forjado; janelas da fachada principal com vitrais; portas e caixilharia de madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

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Século XVI ao Século XX, 2 vols., Lisboa, 1998; Resumo histórico da Ermida de São Roque e da sua Irmandade na cidade de Lisboa, Lisboa, 1869; RIBEIRO, Vítor, A Igreja e a Casa de São Roque em Lisboa - Algumas notícias subsidiárias e documentos, Lisboa, 1910; RODRIGUES, Maria João Madeira, A Igreja de São Roque em Lisboa. Proposta de interpretação, in Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa, nº 73 - 74, Lisboa, 1970; RODRIGUES, Maria João Madeira, Aspectos da definição estética da Capela de São João Baptista, in Boletim Cultural da Junta distrital de Lisboa, n.º 81, Lisboa, 1975; RODRIGUES, Maria João Madeira, A Igreja de São Roque, Lisboa, 1980; RODRIGUES, Maria João Madeira, A Capela de São João Baptista e as suas colecções na Igreja de São Roque, Lisboa, 1988; SANTOS, Pedro da Cunha, O Templo de São Roque e a Santa Casa, in Olisipo, n.º 23, Lisboa, 1943; SERRÃO, Vítor, A Pintura Manierista em Portugal, Lisboa, 1982; SERRÃO, Vítor, A Lenda de São Francisco Xavier pelo Pintor André Reinoso, Lisboa, 1993; SILVA, J. H. Pais, Estudos sobre o Maneirismo, Lisboa, 1983; SMITH, Robert, A talha em Portugal, Lisboa, 1962; TELES, Baltazar (Padre), História dos Estabelecimentos da Companhia de Jesus em Portugal, Tomo II, Lisboa, 1641; TOJAL, Alexandre, PINTO, Paulo, GUEDES, Natália (coord.), As Bandeiras das Misericórdias, Lisboa, 2002; VITERBO, Francisco Sousa, ALMEIDA, R. Vicente de, A capela de São João Baptista na Igreja de São Roque, Lisboa, 1900.

Documentação Gráfica

SCML: DGIP, Biblioteca e Arquivo Histórico; IHRU: DGEMN/DSID; DGA/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças

Documentação Fotográfica

SCML: DGIP, Biblioteca e Arquivo Histórico; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

SCML: DGIP, Arquivo Histórico e Biblioteca -Livro de Despesas das Obras, n.º 1 (1770 - 1788), n.º 2 (1788 - 1833), n.º 3 (1861 - 1895), n.º 4 (1895 - 1911); Livros de caixa, n.º 88 (1910 - 1912), n.º 89 (1912 - 1914), n.º 95 (1926 - 1928), n.º 96 (1928 - 1929), n.º 97 (1930 - 1931), n.º 98 (1931 - 1932); DGEMN: DSID

Intervenção Realizada

SCML: 1788 a 1804 - obras de conservação na Igreja e Recolhimento de Santa Ana, anexo à Igreja; 1789 - pintura de tectos do recolhimento, limpeza de quadros da Igreja, douramento da banqueta da capela-mor e do apainelado do arco da Capela de Nossa Senhora do Pópulo; 1790 - arranjo das janelas da igreja, "facheado" das sepulturas, conserto do relógio da torre, douramento da grade da capela do Santíssimo; 1791 - conserto da Banca da Mesa; 1799 - consertos numa loja por baixo do recolhimento; 1803 / 1828 - obras na Igreja, recolhimento e oficinas da Misericórdia, sob a ordem do Mestre-de-Obras José Francisco de Abreu; 1803 / 1821 - obras nas oficinas; 1804 / 1807 - obras no recolhimento de Santa Ana; 1816 / 1819 - campanha de obras de grande dimensão na Igreja e edifício sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tendo sido adquiridos azulejos, lajedo, cal, tijolos de alvenaria, areia, telhas, ferragens destinadas à Igreja (dois ferros para os degraus da Capela do Santíssimo); conserto dos painéis e janelas do camarim da capela-mor; pintura e substituição de cantaria das capelas laterais; obras na parede O. da igreja, frontaria e telhados; calcetamento do adro da Igreja; pintura pelo pintor Joaquim Xavier Queirós de oito faixas fingidas de pedra ao lado da capela-mor, dois seguintes fingidos de pedra com molduras e ornato levantado de claro-escuro imitando pedra liós para condizer com o arco da mesma e betumes e retoques de madeira fingida no tecto do guarda-vento; trabalharam na Igreja os canteiros Luís Avelar, Matos José e Joaquim José, os pintores Manuel Joaquim, Joaquim Xavier e Rosendo José e o entalhador Vicente Ferreira; 1861 - conserto do órgão por Tomás de Castilho; 1862 - limpeza do tecto de 32 quadros e suas tabelas pelo pintor José Maria de Salles; obras nas capelas laterais e tecto da Igreja; 1863 - conserto e limpeza de quatro esculturas da Igreja por Ponsiano Pieri; douramento das molduras dos sobre-arcos, cancelas e Capela de Jesus, Maria e José por Pedro Maria de Sousa; 1877 - restauro e limpeza de quadros da sacristia pelo pintor Joaquim Pietro; 1878 - restauro, douramento, pintura e encarnamento de imagens e obras de talha da Igreja por António da Cruz Xavier Leiria; 1879 - nova pintura das armas da Misericórdia na sala de extracções da Lotaria, actual sala do Museu, por Januário Correia; 1884 - restauro e limpeza de quadros da sacristia por Joaquim Prieto; 1885 - restauro de 14 quadros da Igreja que se encontravam na arrecadação por pintor Joaquim Pietro; 1890 - restauro de 3 quadros da Igreja por pintor Joaquim Pietro; limpeza de "O Casamento de D. Manuel"; 1893 / 1894 - reparação e branqueamento do tecto da capela onde estava o órgão por Domingos Afonso de Oliveira; conserto e afinação do órgão por Afonso Pereira de Amor Machado e António Duarte Silva; restauro na Capela de Nossa Senhora da Anunciação por Domingos Afonso de Oliveira (pintura de fundos a fingir mármore, douramento de cordões, ornatos e emblemas do Espírito Santo); conserto do estuque do tecto e dos azulejos, com repinte de alguns da Capela de São Roque; consertos nos pilares da teia da capela de São Francisco Xavier e em diferentes azulejos que foram metidos a gesso e pintados a óleo, por Domingos Afonso de Oliveira; restauro de uma capela (tacos novos, limpeza das cantarias) por Sérgio Augusto de Barros; fornecimento de encanamentos e remoção de placas, colunas e candeeiros de encanamentos; substituição da cancela da Capela da Doutrina; substituição das portas de entrada da igreja; restauro da balaustrada da Capela da Sagrada Família e da balaustrada e azulejos da Capela de Santo António; substituição das tribunas laterais da capela-mor; restauro do tecto do transepto, do lado da Epístola; remoção das balaustradas das Capelas do transepto do lado do Evangelho; restauro do pavimento do transepto; construção de nova caixa para albergar as ossadas do Padre Simão Rodrigues e de uma pedra com inscrição para colocar sobre a caixa; 1898 - abertura de uma janela na sacristia; 1903 / 1906 - limpeza de pinturas da Igreja por Manuel Viegas; 1908 / 1910 - despesas com os quadros e pesquisa das relíquias, obra de frente e cunhal da igreja; 1911 - douramento de objectos da Capela de São João Baptista por João Ventura Pereira Mateus; 1940 - restauro do órgão; DGEMN: 1956 / 1957 - diversas obras de beneficiação e reparação: lavagem de cantaria; pintura das portas da igreja e guarda-vento; forro do pavimento do desvão da cobertura e reparação do suporte do mesmo; reparação dos rebocos na torre e acessos, dos telhados e dos corredores laterais, com levantamento e reassentamento da tijoleira; limpeza de vitrais; reparação de caixilharia em janelas, de portas em talha e das grades da capela de São Francisco Xavier; pintura artística em madeira; construção e assentamento de ferragens para a estrutura do tecto; limpeza e beneficiação da pintura do tecto e sacristia; construção de genuflexórios e bancos de madeira para a igreja; 1958 - obras de beneficiação; construção das escadas de acesso ao público; limpeza e reparação do órgão por Werner Bosch, que lhe colocou um segundo manual e pedaleira, reparação de paramentos murários no interior; feitura de sacrário em mármore; modificação do sistema de elevação dos lampadários da capela-mor; pintura da teia da igreja; colocação de azulejos iguais aos existentes; reparação do pavimento em lajedo; reparação das coberturas nos anexos; SCML: 1963 - restauro de peças da Igreja e do Museu efectuado na Oficina de restauro do Museu Nacional de Arte Antiga e por Marino Guadalini; 1863 / 1864 - pinturas do tecto da Capela do Santíssimo por José Maria de Sales; 1964 - reparação da instalação eléctrica; 1968 - recuperação das dependências a O. da Igreja, no seguimento da sacristia; 1981 - limpeza do órgão por António Simões; 1994 - limpeza de cantarias e pinturas exteriores; SCML: 1997 / 1998 - sondagens e escavações arqueológicas, acompanhadas de estudos antropológicos, ao longo das estruturas da igreja com o estudo da primitiva ermida de São Roque, cemitérios dos pestíferos e respectivas ossadas; obras de consolidação estrutural e beneficiação ao nível das fundações e cobertura; DGEMN / SCML: 1999 / 2000 / 2001 - restauro do tecto da igreja; 2003 - colocação dos telões nas janelas da nave, para proteger as entradas de luz; SCML: 2008, 19 Dezembro - inauguração do Museu de São Roque, após obras de recuperação e ampliação do espaço museológico, com investimento de dois milhões de euros, as quais incluíram a recuperação do claustro, criação de uma loja, um café e melhoria das acessibilidades; 2011, Outubro - obras de conservação da fachada do templo, conforme projecto do arquitecto Carlos Pietra Torres.

Observações

*1 - constitui uma Zona Especial de Proteção conjunta dos edifícios classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente. *2 - Actualmente no Museu de São Roque. Actualmente conhecida pela capela da Sagrada Família era em 1623 da invocação do Menino Perdido como se refere no capítulo 1º dos Estatutos da Congregação, Assim os congregados, como todos os mais fieis cristãos que no 1º Domingo depois de dia de Reis, em que se celebra a festa do Menino Perdido, que é a da invocação desta Congregação, (…) . *3 - Segundo o cronista Baltazar Teles, existia no meio do retábulo-mor um quadro da Circuncisão, feito em Roma e trouxe-o o P. António de Morais, eleito Propósito em 1633; a charola que se via no retábulo havia sido mandada fazer pelo P. Álvaro Pires; o retábulo-mor foi mandado dourar e estofar pelo P. Sebastião Rodrigues, vice-propósito, à sua custa; existiam dois pequenos nichos ou capelinhas colaterais no topo do transepto, o do Evangelho dedicado à Santíssima Trindade, com retábulo de pedras embutidas, vindas de Roma, mandado fazer por Gonçalo Pires Carvalho e esposa D. Camila de Noronha, nela tendo feito sepultura para si e descendentes, e deixando-lhe de fábrica 15$000 rs; e no lado da Epístola dedicada a Nossa Senhora do Desterro, mandada fazer por D. João de Castro, Senhor de Resende, e D. Filipa de Castro, para ali sepultar o seu filho D. António de Castro; o mesmo filho mandou colocar no retábulo um painel pintado com a peregrinação da Senhora; as capelas da nave eram dedicadas: no lado Evangelho: 1) a Jesus Maria José; 2) a Santo António; 3) ao Senhor Jesus, de Martim Gonçalo da Câmara, onde está sepultado; 4) ao Espírito Santo, tendo sido feita por dois benfeitores da Companhia Bartolomeu Fróis, escrivão da Fazenda, e sua esposa Soeira de Vasconcelos, pai do Pe. da Companhia António de Vasconcelos, estando ali sepultados o dito Bartolomeu Fróis e seu filho Sebastião Perestrelo e esposa D. Luísa da Gama; do lado da Epístola; 1) a Nossa Senhora da Doutrina; 2) a São Francisco Xavier, com mármores embrechados nas paredes, mantida por António Gomes d'Elvas; 3) a São Roque, construída pela Companhia de Jesus à sua custa; 4) inicialmente a Nossa Senhora da Assunção, tendo sido instituída por D. Luísa Fróis, e depois, por devoção do P. Inácio Martins, a Nossa Senhora da Doutrina, nela começando os Padres as suas procissões, instituindo-se depois uma Irmandade de Irmãos oficiais; posteriormente transferiu-se para outra capela com a Irmandade e se passou a ter a invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Autor e Data

Paula Noé 1990 / Teresa Vale e Carlos Gomes 1995 / Helena Mantas 2004 / Filipa Avellar 2007

Actualização

 
 
 
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