Torre de São Lourenço / Torre do Bugio / Forte de São Lourenço da Cabeça Seca / Farol do Bugio

IPA.00006548
Portugal, Lisboa, Oeiras, União das freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias
 
Arquitectura militar, renascentista. Forte formado por torre circular, com alçado de 2 pisos separados por moldura e rasgado por poucas aberturas, muralha também circular, mais baixa, com alambor, e tendo no espaço entre ambas algumas obras defensivas. Constitui um excelente exemplo de fortaleza renascentista de planta redonda, tendo sido projectada por um arquitecto italiano em Portugal e, segundo Rafael Moreira, inspirada no Castel Sant'Angelo de Roma. Integra capela com retábulo-mor em embrechados de mármore e paredes e tectos forrados a madeira.
Número IPA Antigo: PT031110040005
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta circular composta, constituída por: 1) muralha com alambor, rasgada por porta em arco de asa de cesto precedida por alguns degraus de acesso; 2) amplo terreiro (a primeira linha de fogo), lajeado e com algumas obras defensivas; 3) torre, também circular, com porta em arco de asa de cesto e poucas aberturas, exteriormente quadrangulares. Alçado exterior da torre centrado por moldura e coroado por cornija bastante saliente sobre cachorrada intercalada por boeiros, constituindo a bateria alta, e tendo a espaços regulares quatro guaritas, de planta circular com cúpula esférica. Alçado interior rasgado irregularmente por portas de verga recta no 1º piso e janelas rectangulares no 2º, algumas com caixilharia de guilhotina. Uma das portas dá acesso à capela, de planta rectangular, com lintel recto arquitravado, sobrepujado por janela ladeada de por volutas e encimada por cornija, volutas e cruz. Coroando o alçado pequena sineira de remate recto. Ao centro da praça de armas, lajeada, ergue-se o farol, ligado à bateria alta por 3 estruturas de cantaria, sobre arco em asa de cesto, e com varandim de ferro. O interior da capela de nave única, possui 2 tramos marcados por pilastra central canelada, em madeira, criando 2 espaços diferenciados, o primeiro coberto por falsa abóbada de berço e o segundo de arestas, ambas em madeira. Paredes igualmente forradas a madeira pintada, formando lambril inferior e friso superior, sob a cornija óvulos e dardos. No lado do Evangelho púlpito quadrado pintado de branco e com frisos azuis e dourados, colateralmente 2 portas, uma dando acesso à sacristia e outra com ligação ao púlpito e acesso ao camarim do retábulo-mor, encimadas por nichos, de arco pleno, sendo estes vãos envolvidos por filete azul e branco. Altar-mor em mármore com embrechados de motivos florais estilizados.

Acessos

Areal da Cabeça Seca no rio Tejo (acessível por barco e helicóptero), em Oeiras e São Julião da Barra. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,660497; long.: -9,298952

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 41 191, DG, 1.ª série, n.º 162 de 18 julho 1957 *1

Enquadramento

Isolado, ergue-se a SE. de São Julião da Barra, sobre uma restinga de areia denominada Cabeça Seca que se cobre na praia-mar, à entrada da barra do Tejo e frente a Santo Amaro.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Comunicações: farol

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional - Marinha

Época Construção

Séc. 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: António Simões (séc. 17); João Vicenzo (Vicêncio) Casale (Frei); João Turriano (séc. 17); Mateus do Couto (1643). ENGENHEIRO MILITAR: Gaspar Rodrigues (1595).

Cronologia

1571 - Francisco de Holanda recomenda em "Da Fábrica que Falece a Cidade de Lisboa" a edificação de um ponto fortificado no meio da barra do Tejo, se possível, na cabeça seca; 1578 - D. Sebastião encarrega D. Manuel de Almada de ali erguer uma fortificação; optou-se por uma construção de madeira, mais tarde desfeita pelo mar; 1586 - D. Filipe II encarrega Frei João Vicenzo de estudar e melhorar o sistema defensivo da defesa da barra; 1590 - propõe que seja de planta redonda; de Madrid, André de Prade recomenda a forma estrelada, mas não foi aceite; ainda neste ano, dá-se ordem para se proceder ao desenho "das barcas e machinas" necessárias para o transporte de pedras e penedos para as fundações; 1593 - Casale escreve ao Rei informando que os "fundamentos debaixo de água" estavam concluídos; 1594 - após a morte de Casale, sucede-lhe Leonardo Turriano, arquitecto geral do Reino, introduzindo algumas alterações; 1595, 12 Junho - é mestre das obras de construção do forte Gaspar Rodrigues, com o ordenado de dez cruzados mensais; 1596 - João Vaz, Juiz ordinário e dos orfãos do reguengo de A-Par-de-Oeiras, dá conhecimento que, foi iniciada esta obra; a cantaria era preparada próxima da Fortaleza de S. Julião da Barra, que tomou o nome de «Feitoria das Obras da Cabeça Seca e também Feitoria d' El-Rei» e em seguida levada por 30 mestres de barcas para o local da construção; 1607 - foram feitas sondagens na Barra, « por cinco engenheiros que foram presentese por outras pessoas práticas e pilotos» que atestaram que esta estava boa e capaz de poderem entrar por ela as naus vindas da Índia; 1608 - os pilotos da Barra da Cascais, declararam sob «juramento dos Santos Evangelhos», que sondaram e mediram a Barra, e que ela se encontrava em boas condições para a entrada de naus vindas da Índia; 1640 - ainda não concluído, já albergava armamento e guarnição; o seu governador espanhol, João Carrilho Rótulo rendeu-se aos portugueses; 1643 - decreto real determina a conclusão dos trabalhos e aponta para que seja um engenheiro português a prosseguir os trabalhos; recomeça a obra superintendida pelo conde de Cantanhede e tendo como encarregado frei João Turriano assistido por Mateus do Couto, em substituição de António Simões; 1675 - decreto refere que a fortaleza passaria a ter comando separado da subordinação de São Julião; 1758 - determinada a construção de 6 faróis na costa, entre os quais São Lourenço, passando assim a dar apoio à navegação; 1807 - ocupada pelos franceses, aquando do ataque do Almirante Roussin; durante este período, surgiram projectos de alterações que não chegaram a ser executados; 1836 - obras de total remodelação do farol - máquina de movimento contínuo e regular de rotação; 1880 - considerada praça de guerra de 2ª classe, estava ainda artilhada com 18 peças de bronze e 2 obuses; 1896 - instalação de novo mecanismo de farol; 1902 / 1903 - Augusto Vieira da Silva, capitão de engenharia introduziu alterações ao nível da cisterna e iniciou a construção de estruturas para acesso de carga que não chegaram a ser concluídas; 1911 - ainda era guarnecida com alguns artilheiros; 1930 / 1940 - dragagem de areias na zona do areal; 1945 - perde todo o seu valor como posição fortificada, tendo sido entregue pelo Ministério da Guerra à Direcção dos Serviços de Faróis do Ministério da Marinha

Dados Técnicos

Estrutura mista. A torre do farol tem uma altura de 14 m, a luz encontra-se a 28 m de altitude e o seu alcance luminoso é de 9 milhas (c. 17 km), emitindo relâmpagos simples de cor verde, com um período de 5 segundos.

Materiais

Calcário, cantaria, betão, madeiras.

Bibliografia

AZEVEDO, Carlos, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, 1963;Boletim do Arquivo Histórico Militar, 57º Vol., Lisboa, 1988; CALLIXTO, Carlos Pereira, Fortificações Marítimas do Concelho de Oeiras, Lisboa, s.d.; CERDEIRA, António, A Torre do Bugio: Intervenção de Emergência, Monumentos 4, DGEMN, Lisboa, 1996; COSTA GUEDES, Lívio da, O Arco de Belém - São Julião da Barra, contorno da Enseada do Paço de Arcos, Lisboa, 1986; GIL, Júlio, CABRITA, Augusto, Os Mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal, Lisboa, 1986; GUEDES, Lívio da Costa, O Arco de Belém - São Julião da Barra Contorno da Enseada de Paço de Arcos, Lisboa, 1986; LOURENÇO, Manuel Acácio Pereira, As Fortalezas da Costa Marítima de Cascais, Cascais, 1964; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1954, Lisboa, 1955; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, 1º Vol., Lisboa, 1962; Monumentos, n.º 12, Lisboa, DGEMN, 2000; MOREIRA, Rafael, A Arquitectura Militar in História da Arte em Portugal, vol. 7, Lisboa, 1986, pp. 137 - 151; Plano de Salvaguarda do Património Construído e Ambiental do Concelho de Oeiras, DPGU, Oeiras, 1999; SILVEIRA, Angelo, CORTESÃO, Luísa, Estudo sobre o Bugio. Forte de São Lourenço, Lisboa, DRML, 1994; SANTANA, Francisco, SUCENA, Eduardo, Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, 1994; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRML, DGEMN/DREL/DRC; Arquivo Histórico Militar; CML: Museu da Cidade

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRML, DGEMN/DREL; CML: Museu da Cidade

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREL; AHM; CML: Museu da Cidade (Códice de Alexandre Massaii: Descripção do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII, 1621); AHM: Parecer da Sub-Commissão Incumbida do Estudo da Defeza do Porto de Lisboa Ácerca da Transformação da Torre de Sâo Lourenço da Barra em Forte Maritimo Moderno, Lisboa, 1888

Intervenção Realizada

DGEMN: 1952 - Demolição de maciços de betão; reconstrução de cantaria; construção do maciço entre a muralha e a torre; lajedo na zona abatida do terraço; reconstrução de parte do parapeito; entaipamento de porta; construção de ponte provisória em estacaria de madeira; reparação do pará-raios; 1954 - realização de diversas obras de consolidação e defesa, pela Direcção dos Serviços Construção e Conservação; 1958 - reparação das habitações dos faroleiros, pelos Serviços de Construção e Conservação; tratamento das paredes e abóbadas das células; reparação de guaritas de cantaria; caixilharias e portas; caiações e pinturas; 1959 - continuação da reparação das habitações dos faroleiros; obras de reparações do farol; 1960 - continuação da reparação das habitações; 1961 - arranjo da abóbada do átrio; restauro da escada de acesso; picagem e rebocos das paredes e abóbadas em dependências do piso térreo; reparação de pavimentos de madeira; arranjo do forro de madeira existente nas habitações e na capela; limpeza de cantarias da cal e pintura; restauro e pinturas de marmoreados nos paramentos de madeira da capela; reparação geral de portas e caixilho; demolição de maciços em betão; conservação do farol; restauro da muralha; Obras de restauro das muralhas e conservação do farol, pelos Serviços de Construção e de Conservação; 1963 - consolidação e conservação das muralhas; 1980 - beneficiação do forte; consolidação e conservação das muralhas; 1982 - obras de beneficiação; APL: 1989 - beneficiações; consolidação de um troço da muralha e parapeito; DGEMN: 1993 - trabalhos de consolidação e conservação das muralhas; 1995 - reconstrução da muralha em betão; 1996 / 1998 - reconstrução da muralha (1ª fase); 1999 - reconstrução da muralha (2ª fase, em curso); 2000 - conclusão das obras de protecção e rconstrução da muralha periférica.

Observações

*1 - DOF: Torre de São Lourenço, mais conhecida por Torre do Bugio. Cruzava o fogo com o Forte de São Julião da Barra.

Autor e Data

Paula Noé 1991

Actualização

Cecília Matias 1999
 
 
 
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