Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão

IPA.00007263
Portugal, Viseu, Mangualde, Fornos de Maceira Dão
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Mosteiro cisterciense masculino, composto por ampla cerca, situada em vale fértil, percorrida por ribeiro, composta por zona de cultivo, estruturada em socalcos, onde domina a vinha, mata, anexos agrícolas, uma capela e o núcleo monástico, de planta rectangular, organizado à volta do claustro central e com a igreja adossada ao lado esquerdo, de planta longitudinal, formada por nave elíptica e capela-mor rectangular, formando polígono interno, com torre sineira e sacristia adossados. A igreja encontra-se recuada relativamente ao conjunto monástico, seguindo uma tipologia comum aos conventos da Ordem, construídos no mesmo período, que não adossavam totalmente os dois corpos, solução igualmente visível na igreja de São Cristóvão de Lafões (v. PT021816110015), esta avançada relativamente às dependências. Igreja de planimetria barroca, seguindo uma linha erudita, com coberturas internas diferenciadas, em falsa cúpula elíptica na nave e em falsa abóbada de lunetas na capela-mor, intensamente iluminada por janelas rectilíneas, rasgadas nas fachadas laterais e na principal. A capela-mor é muito profunda, devido à necessidade de colocar o cadeiral monástico neste espaço de culto, como se observa em São Cristóvão de Lafões. A torre sineira é muito elevada, de três registos separados por cornija, o superior rasgado por ventanas de volta perfeita, tendo cobertura em coruchéu cónico. O complexo conventual, de estrutura maneirista, desenvolve-se em torno de claustro quadrangular, de cinco tramos, definidos por arcadas no piso inferior e janelas rectilíneas no superior, com coberturas de madeira. No piso inferior, desenvolve-se o refeitório, cozinha e portaria, no lado O., surgindo o locutório na ala N. e a Sala do Capítulo na E., com acesso por portal rectilíneo flanqueado por pilastras. Ao lado deste, as escadas de acesso ao piso superior, onde surgiam as celas, com janelas conversadeiras, a enfermaria, livraria e hospedaria, distribuídos de forma não decifrável. As fachadas são flanqueadas por cunhais apilastrados, da ordem colossal, a principal com pináculos, rasgadas regularmente por janelas rectilíneas, algumas de sacada. No interior da cerca, em zona elevada, uma capela dedicada à Virgem, como é comum noutros mosteiros da Ordem.
Número IPA Antigo: PT021806070021
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

A CERCA desenvolve-se ao longo de um vale, desenvolvido no sentido E. - O., atravessado pela Ribeira dos Frades, com a mesma orientação, com limites naturais, formados por três encostas; a virada a E., de pendor acentuado, constitui o ponto mais alto, a encosta N., mais suave e armada em socalcos e a S., aproveitada como zona de cultivo. Na zona baixa do vale, em zona plana e junto à linha de água, bordejada por choupos e salgueiros, o núcleo conventual, surgindo, na encosta E., a Capela da Senhora da Cabeça e, espalhados pela cerca, vários anexos agrícolas (palheiros e a denominada "Cadeia"), a casa dos caseiros e a casa dos proprietários, bem como tanques de rega. A cerca é atravessada por dois caminhos, de N. para S., de perfil sinuoso e em terra batida, tendo, em algumas zonas, um perfil muito inclinado, sendo um deles, o mais antigo, parcialmente lajeado; os caminhos atravessam a Ribeira dos Frades através de pontes de cantaria. Na zona de declive mais acentuado, que ocupa o terço superior da cerca, desenvolvem-se densos pinhais, surgindo a vinha, em socalcos, a ocupar o terço médio estendendo-se até ao vale, disposta em fiadas regulares, sem qualquer tipo de armação; a zona de socalcos está pontuada por várias oliveiras. O actual acesso é feito pelo lado O., onde estão umas Alminhas em cantaria e um cruzeiro, seguindo-se por caminho de terra batida até ao MOSTEIRO, de planta rectangular irregular, composto por vários corpos articulados - as dependências conventuais, a igreja no lado esquerdo, e o "torreão" -, com coberturas diferenciadas em telhados de uma, três e quatro águas, sendo de perfil cónico na nave da igreja. A IGREJA tem planta longitudinal, composta por nave elíptica, capela-mor rectangular, interiormente com os ângulos em chanfro, formando polígono, dividida em dois tramos, torre quadrangular adossada ao lado esquerdo e sacristia adossada ao oposto. Fachadas em alvenaria, parcialmente revestida a cantaria de granito aparente, rematadas em cornija e beiral. Fachada principal virada a O., de perfil convexo, com remate em empena recta; é rasgada por portal de verga recta e moldura dupla saliente, a exterior recortada e volutada, rematada por espaldar curvo e cornija, integrando cartela ornada por concheados, palmetas e encanastrados, que enquadram o escudo português, encimado por coroa fechada. Sobre o portal, janelão rectilíneo com moldura saliente, encimado por arco em tijolo; o janelão está flanqueado e encimado por nichos semicirculares *1, cada um deles em arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas e com fecho saliente, rematado por frontão triangular e tendo, na base, avental de perfil curvo. No lado esquerdo, torre sineira quadrangular, com cobertura em coruchéu cónico, tendo as fachadas marcadas por cunhais apilastrados, encimados por pináculos, de três registos definidos por friso e cornija, os dois inferiores cegos, excepto na face N., com duas frestas no piso inferior e uma no intermédio; o superior é rasgado por quatro sineiras em arco de volta perfeita, assente em impostas salientes, apresentando moldura de cantaria saliente. Fachada lateral esquerda virada a N., rasgada por duas janelas rectilíneas na zona da nave, com moldura semelhante ao janelão da fachada principal; na capela-mor, duas janelas em arco abatido. Fachada lateral direita, virada a S., adossada ao complexo monacal. Fachada posterior em empena recta, rasgada por duas janelas rectilíneas com molduras simples. INTERIOR parcialmente rebocado, com a nave coberta por cúpula elíptica, assente em dupla cornija e pavimento em terra batida *2. As paredes da nave têm um tratamento semelhante, surgindo, em cada um dos lados, dois nichos em arcos de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas e com fechos saliente, que integravam as antigas estruturas retabulares laterais *3; aparecem, ainda, três portas de verga recta, com molduras simples de cantaria, a primeira rematada por friso e frontão triangular, que dava acesso, no lado do Evangelho, à torre sineira; sucedem-se a porta travessa, encimada por espaldar curvo e cornija e porta parcialmente entaipada; a nível superior, duas janelas rectilíneas com molduras de cantaria. Arco triunfal de volta perfeita, assente em dois pares de pilastras toscanas, acedendo à capela-mor através de dois degraus de cantaria. Esta tem cobertura em falsa abóbada de falsas lunetas, em tijolo, com vestígios de pinturas murais. Divide-se em dois tramos, definidos por arco toral, de volta perfeita, assente em mísulas, rasgados por duas janelas rectilíneas, rematadas por cornija contracurvada. Na parede testeira, arco de volta perfeita que integrava o primitivo retábulo-mor *4 e, no segundo tramo, portas de verga recta e moldura simples, encimadas por friso e frontão triangular, o da Epístola de acesso à sacristia, que possui amplo lavabo de cantaria; o espaço é antecedido por ante-sacristia, actualmente aberta, com acesso a partir do claustro, apresentando vestígios de vários vãos entaipados. As DEPENDÊNCIAS MONACAIS são compostas por dois corpos rectangulares, o principal desenvolvido em torno de claustro quadrangular e o posterior, denominado "Torreão", articulados por um terceiro corpo, também rectangular. O principal evolui em dois ou três pisos, adaptando-se ao declive do terreno, tendo as fachadas flanqueadas por cunhais apilastrados, os da fachada principal encimados por pináculos piramidais, e rematadas por friso e cornija. A fachada principal, virada a O., é marcada por dois corpos torreados que flanqueiam o átrio de acesso ao imóvel, fechado por muro em cantaria de granito, rematado por cornija, formando um U invertido; o acesso processa-se por porta de verga recta e moldura almofadada, flanqueada por duas colunas toscanas embebidas no muro, já sem plintos. Cada um dos corpos possui janela jacente em capialço no primeiro piso e janela de peitoril, rectilínea, com moldura saliente e ladeada por duas mísulas. Ao torreão do lado direito, adossa-se escada exterior de acesso ao segundo piso, de execução recente, e cuja guarda desapareceu. Fachada lateral esquerda, virada a N., dividida em dois panos por pilar saliente, assente em plinto paralelepipédico, encimado por pináculo piramidal; o pano do lado direito é rasgado, no piso inferior, por quatro janelas jacentes e por duas janelas rectilíneas, com molduras incompletas, revelando uma abertura posterior, encimada por cinco janelas de peitoril, com molduras salientes e ladeadas por mísulas. O pano da direita tem dois vãos rasgados em eixo, formando uma janela jacente e uma de peitoril, também com mísulas laterais. Fachada lateral direita, virada a S., de três pisos, em alvenaria de granito, parcialmente revestida a cantaria, rasgada, no piso inferior, por quatro portas de verga recta e um janelo rectangular; no piso intermédio, sete janelas de peitoril, de diferentes dimensões, algumas emolduradas e por uma de varandim, rectilínea e sem guarda. O piso superior tem sete janelas de peitoril, rectilíneas e flanqueadas por mísulas, e por uma janela de sacada, com bacia de cantaria e guarda metálica. No extremo esquerdo, no ângulo formado com o corpo torreado, surge estrutura adossada, em betão, de dois pisos e rasgada por três janelas rectilíneas, com acesso por escadas, que começam na fachada principal. Fachada posterior de dois pisos, o inferior com três janelas rectilíneas, duas em capialço, e uma porta de verga recta e fresta de arejamento, com acesso por escadaria de oito degraus. No piso superior, quatro janelas de peitoril com moldura de cantaria saliente, flanqueadas por mísulas. INTERIOR composto pelo átrio rectangular, com a face frontal rasgada por porta de verga recta, assente em impostas salientes, no extremo esquerdo, e por três frestas rectilíneas, em capialço; no piso superior, uma janela de sacada, com bacia de cantaria e sem guarda, e três janelas rectangulares, ladeadas por mísulas; os corpos laterais são semelhantes, apresentando portas de verga recta no piso inferior e janelas rectilíneas no superior. O corpo é ordenado em redor do claustro quadrangular, composto por quatro alas de dois pisos, o inferior com cinco arcadas assentes em pilares toscanos almofadados e plintos cúbicos, com pavimento em lajeado de granito e cobertura de madeira de castanho, sendo percorrido por azulejo enxaquetado, azul e branco, formando silhar baixo; o piso superior forma cinco janelas rectilíneas, com pavimentos em soalho e cobertura em falsas abóbadas de madeira de castanho, com tirantes metálicos, parcialmente arruinadas; remata em cornija, com gárgulas de canhão. Na quadra, surgem cinco elementos em cantaria, com laranjeiras. Na ala O., situa-se o antigo refeitório, rectangular, com acesso por duas portas rectilíneas, sendo rodeado por mísulas de cantaria, onde assentavam os bancos corridos de madeira, sendo os espaldares compostos por painéis de azulejo enxaquetado, azul e verde; na parede S., surgem três vãos rectilíneos, por onde passavam os alimentos da cozinha. Esta possui forno embutido na parede e lareira em cantaria, marcada exteriormente por ampla chaminé; é ladeada por despensa, no corpo torreado. No claustro, junto à porta de acesso à cozinha, o lavabo, em cantaria, rectilíneo, com o espaldar flanqueado por pilastras, rematado por cornija, com vestígio de ter possuído três bicas, com bacia rectilínea e bordo boleado. No lado oposto, na ala N., três dependências rectilíneas, intercomunicantes, que formariam a portaria e locutório. No extremo desta, porta de acesso à ante-sacristia, de verga recta e moldura almofadada, onde é visível vestígio de antigo vão em arco de volta perfeita. Neste, surge lápide funerária. Na ala E., porta de acesso à mesma dependência, em arco abatido, com moldura saliente e rematada por espaldar curvo ornado por concheado e rematado por cornija. Ao lado desta, uma segunda porta em arco abatido, de acesso à escadaria de três lanços que liga ao piso superior, com vestígios de cantarias antigas embutidas nos muros. Sucede-se a antiga Sala do Capítulo, actual adega, rectangular, com dupla entrada, a partir do acesso E., com pedra sepulcral de bispo na soleira, e a partir da ala do claustro, através de porta de verga recta com moldura simples, flanqueada por pilastras toscanas de fustes almofadados, rematada por friso, cornija e três pináculos. A sala tem tecto plano de madeira e é revestido por azulejo enxaquetado a azul e branco. Na ala S., várias dependências rectangulares, de função dificilmente definível, uma delas com acesso por escadas de cantaria, servindo de armazéns agrícolas. No piso superior, existem vestígios de algumas celas, iluminadas por janelas com conversadeira de cantaria *5. O CORPO que articula o núcleo monacal ao "Torreão" é rectangular, de dois pisos, com as fachadas em alvenaria de granito aparente, rematadas em friso e cornija; a fachada principal, virada a S., é rasgada, no primeiro piso, por porta elevada, rectilínea, com acesso por escadas de cantaria, com moldura saliente e janela de peitoril; no piso superior, janela de sacada, transformada em varandim, pela introdução de guarda plena de cantaria. A fachada virada a E. é composta por alpendre inferior, assente em dois pilares de cantaria, e por varanda alpendrada no piso superior, assente em duas colunas, para onde abrem vãos rectilíneos. O "TORREÃO" é de planta rectangular simples, evoluindo em três pisos *6, com fachadas em alvenaria de granito aparente, com cunhais perpianhos e remate em beiral. Fachada principal virada a S., rasgada, no primeiro piso, por duas portas, a da direita dintelada e a da esquerda em arco de volta perfeita, de arestas biseladas e a moldura formada, superiormente, pelas aduelas do arco. O piso intermédio possui duas janelas rectilíneas, com lintel, e o superior com três janelas, uma rectilínea e duas em arco de volta perfeita. Fachada lateral esquerda, virada a O., marcada por escadas de cantaria, de acesso ao piso intermédio, através de porta de verga recta e moldura saliente, de cantaria, surgindo, no terceiro piso, janela em arco de volta perfeita. Fachada lateral direita cega, estando a posterior adossada ao corpo anteriormente descrito. INTERIOR com duas dependências em cada piso, comunicantes através de porta de verga recta, excepto no superior, com dependência ampla. Tem pavimentos de madeira e tectos planos do mesmo material. Junto ao convento, em cota mais elevada, uma estrutura de apoio, em cantaria, rasgada por vãos rectilíneos, surgindo uma semelhante junto à fachada posterior do imóvel, em alvenaria de granito, com cobertura em telhado de duas águas, encimada por chaminé. No topo da cerca, a CAPELA de Nossa Senhora da Cabeça, de planta longitudinal composta por nave, de planta elíptica e capela-mor rectangular, com sacristia adossada ao lado direito. Fachadas em alvenaria de granito aparente, excepto a principal, rebocada e pintada de branco, percorridas por embasamento saliente, com as fachadas e os panos divididos por pilastras toscanas, rematadas em cornija e beiral. Fachada principal virada a O., em empena recortada com cornija no remate, rasgada por portal em arco abatido e moldura recortada e envolvida por enrolamentos e concheados, com espaldar recortado, flanqueado por pináculos em forma de pinha, contendo vieira e rematando em cornija de perfil contracurvado, de inspiração borromínica. Está ladeado por dois óculos trilobados com a moldura interrompida inferiormente por voluta, protegidos por grades de ferro, e por duas lápides, rematadas por cornija angular. É encimado por óculo trilobado, com moldura recortada e remate em cornija, tendo pingentes na base, sobrepujado por escudo português e coroa fechada. Na verga da porta, a inscrição mariana: "NON EST HIC ALIUM ANS DOMUS DEI / PORTA COELI ET STELLA MARIS". Fachada lateral esquerda, virada a N., com três panos, tendo, no corpo da nave, divisão em dois, o da direita rasgado por janela rectilínea; no corpo da capela-mor, porta em arco abatido e moldura recortada, com cornija de perfil canopial, que se une, por enrolamentos, ao nicho que a sobrepuja, de volta perfeita, assente em dupla pilastra, com espaldar recortado e remate em cornija; está protegido por grades de ferro pintado de preto; possui pequena imagem da Virgem. Fachada lateral direita, virada a S., com janela rectilínea num dos panos da nave, marcada pelo corpo da sacristia, rasgada por porta dintelada e duas janelas rectilíneas. O corpo da capela-mor tem janela rectilínea, em capialço. Fachada posterior em empena cega com cruz latina sobre plinto, no vértice. A capela encontra-se rodeada por amplo recinto, envolvido por muro em alvenaria, de suporte de terras, com acesso por caminho em terra batida, a partir da elevação, ou por escadaria, a partir do núcleo monacal. O recinto está envolvido por frades e, sobre o muro, é visível um plinto, base de um desaparecido cruzeiro. Neste mesmo lado, em cota menos elevada, uma fonte de mergulho, rodeada por recinto murado, com acesso por escadaria de cantaria, actualmente envolvido por vegetação. Tem vão de volta perfeita com moldura boleada, parcialmente entaipado, dando lugar a vão rectilíneo, e remate em cornija. Do convento, evolui um caminho em lajeado de granito, tendo, no lado esquerdo, um antigo palheiro, rectangular, em alvenaria de granito e cobertura homogénea a uma água, com acesso por vão rectilíneo, rasgado na face O. INTERIOR com cobertura de madeira, servindo de zona de armazenamento. Mais acima, a casa dos proprietários e, no lado direito, a dos caseiros. Afastado, no meio dos vinhedos, duas estruturas agrícolas, em alvenaria de granito aparente, uma delas denominada "CADEIA", de planta rectangular, composta por dois corpos articulados, sem cobertura, com vários vãos rectilíneos, parcialmente arruinado, tendo, na face SO., janela com grades, que lhe valeu a designação. A outra estrutura é de reduzidas dimensões, totalmente arruinada.

Acessos

Situado a 5 Km de Mangualde; pela EN 16, ao Km 105,6, virar para Vila Garcia, pelo EM 1441, seguindo-se na direcção da povoação, tomando caminho de terra batida em direcção aos Moinhos do Dão; à entrada da Quinta, surge placa identificadora

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 5/2002, DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, isolado, situado em vale fértil, na zona do Rio Dão, enquadrado pelo maciço da Serra de Santo António dos Cabaços e pela Serra de Fagilde. Nas imediações, situa-se a povoação de Vila Garcia.

Descrição Complementar

Lousa sepulcral de D. Francisco Diogo da Fonseca, com as armas dos Fonseca e um báculo - inscrição SOLI DEO / AQUI JAZ O BISPO D. FRANCSICOS / DIOGO DA FONSECA D. ABADE / QUE FOI DESTA CASA / FALECEU A… DE SE / TEMBRO DE 15.. A / NOS.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino da Ordem de Cister (Cistercienses)

Utilização Actual

Agrícola: quinta de produção vitivinícola / Religiosa: capela (romaria na Quinta-feira de Ascensão)

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 14 (conjectural) / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: José da Fonseca Ribeiro (1779). ESCULTOR: Joaquim da Cunha (séc. 20). OURIVES: Sebastião da Mota (1666). PEDREIROS: José Ribeiro Alves, João Martins, João da Costa Coelho e João Fernandes Ribeiro (até 1744); José Duarte, António Barbosa da Cunha (1779). PINTOR: Pascoal José Parente (1786).

Cronologia

1154, Julho - Afonso Henriques e D. Mafalda doam, em agradecimento pela cura de Rodrigo Esomenis, algumas terras ao médico D. Soeiro Teodoniz - Echega, Godesteo, Sendino, Alvito e Taoi, na vila de Travanca, com casas, hortas, plantações, água e pastos; 1161 - o médico abandona a sua actividade e funda um pequeno mosteiro na Igreja de Santa Maria, de Moimenta da Beira, que lhe pertencia; Garcia Viegas e Godilha Moniz venderam uma vila em Maceira a D. Soeiro, por 40 moravedis; 1162 - D. Odório, bispo de Viseu, entregou a Igreja de Moimenta de Azurara ao Mosteiro, livre de todos os tributos; 1165, 1 Setembro - Afonso Pais doam ao Mosteiro uma herdade, enquanto seguissem a observância beneditina; 1170 - Gonçalo Pais vendeu a D. Soeiro uma herdade no local, por 110 morabitinos; Goterres vendeu ao mesmo uma herdade em Maceira Dão; 1173 - fundação do Mosteiro no local actual, pelo Abade D. Soeiro Teodoniz, seguindo a Ordem de São Bento *7; 31 Outubro - D. Afonso Henriques estabelece e fixa os limites do novo couto, passando o mosteiro a gozar de protecção régia *8; 1188 - filiação no Ordem Cisterciense, passando a depender de Alcobaça, à qual se manteve vinculada até à sua extinção *9; 1192 - 1208 - aquisição de várias terras na região de Trancoso, pelo bispo D. Martinho; séc. 13 - D. Afonso II e D. Afonso III deixaram, ao mosteiro, respectivamente 100 maravedis e 100 libras; 1212 - Inocêncio XIII assumiu a protecção do Mosteiro e confirmou-lhe todos os bens que lhe haviam sido doados, enquanto beneditinos; 1230 - a casa estava empenhada em cerca de 110 libras; existiam, na sacristia, três cálices de prata; o mosteiro tinha 11 serviçais; 1294 - instituição da Capela de Santa Catarina por D. Teresa Afonso Gata, deixando casas na guarda; séc. 14 - D. Dinis deixou ao mosteiro 200 libras; 1320 - tinha de rendimento 300 libras; 1431 - é referida apenas a existência de um monge, o abade Fr. Álvaro; 1445 - o Mosteiro possuía cerca de 1600 propriedades, entre herdades, vinhas, chãos, moinhos, lameiros, pomares e olivais, sendo 485 em Mangualde e os restantes em Algodres, Aveiro, Besteiros, Folgosinho, Gouveia, Manteigas, Matança, Melo, Mões, Penalva, Sátão, Seia, Senhorim, Tavares, Trancoso, Viseu e Vouzela; possuía cinco coutos, o do Mosteiro, do Outeiro, da Granja (Fagilde), de Moimenta e Figueiredo de Seia, além de muitas casas; 1493 - proibição de receber noviços; 1503 - pelas rendas do Mosteiro estarem desanexadas ao mesmo, D. Manuel I concede licença para a compra de 300$000 em bens de raiz; obras no mosteiro; 1526 - tinha 12 monges, além do abade e de vários serviçais; os bens orçavam em 80$000; 1532, 21 e 22 Dezembro - visita do abade Bronseval, de Clairvaux, refere a sua pobreza, que era "pequeno e mal construído, sem refeitório e cozinha regular" (COCHERIL, 1978, p. 122); 1533 - na sequência do abade Bronseval, o Abade de Alcobaça enviou Fr. António de Almoster a Maceira Dão para avaliar o estado da congregação; 1536, 30 Abril - visitação refere que o abade era Frei Afonso de Tavosa; 1553 - as rendas do mosteiro ascendiam a 300$000; 1560 - aumenta das rendas, com a incorporação dos bens do Mosteiro feminino de São João de Vale de Medeiros; 1564 - é fixado o número de 10 frades como limite máximo, para compor a comunidade; 1567 - os abades passam a ser eleitos por triénio; 1574 - sepultura do abade D. Simão Deserto, falecido a 30 de Março, junto à Capela de Santa Catarina; 1613 - provável reconstrução do claustro e das dependências conventuais, conforme data junto à porta de acesso ao claustro; 1628 - continuam as obras, conforme inscrição na zona coventual; 1668 / 1669 - terminam as obras de reconstrução da fachada e da frontaria; aquisição de vários paramentos e alfaias em prata para a igreja; 1632 - o mosteiro atinge o número máximo de quinze frades; 1666, Fevereiro - contrato com o ourives Sebastião da Mota para a execução de uns piveteiros de prata, semelhantes aos da Capela do Senhor da Sé de Viseu; 1720, 28 Dezembro - venda de algumas propriedades do Mosteiro, em Fornos de Algodres, a Manuel de Gouveia, para fazer face às despesas com as obras; 1744, 2 Março - contrato para a reedificação da igreja, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, a cargo dos mestres José Ribeiro Alves e João Martins, de Santiago de Encourado, Barcelos, João da Costa Coelho, de Eixo, Barcelos, e João Fernandes Ribeiro, de São João de Tarouca, por 6:100$000, dando estes os materiais; séc. 18, 2.ª metade - reconstrução da Capela da Senhora da Cabeça; o mosteiro tinha 17 celas; 1779 - conclusão das obras na Igreja, por intermédio de José Duarte, de São Miguel de Fontoura, Valença, António Barbosa da Cunha, de Ferreira de Coura, em Viana, mestres pedreiros; 28 Setembro - contrato com José da Fonseca Ribeiro para a feitura do retábulo-mor, por 371$200, conforme risco feito pelo mesmo entalhador *10; 1786 - Pascoal José Parente desloca-se ao local para pintar algumas telas, nomeadamente uma "Sagrada Família"; 1810 - na data das Invasões Francesas, a Capela de Nossa Senhora da Cabeça ainda não tinha as obras concluídas; 1834 - extinção do convento; 14 Junho - inventário das propriedades e recheio do mosteiro *11; arrematadas as terras e vendidos os edifícios a um negociante de Viseu, António da Silva; 1835, 13 Novembro - por portaria, assinada pelo ministro Silva Carvalho, o sino e máquina do relógio foram cedidos à Santa Casa da Misericórdia de Mangualde; 1837 - o couto de Maceira Dão é incorporado no Concelho de Mangualde; 1842 - a documentação do extinto convento, depositada no Seminário de Viseu, desapareceu num incêndio; 1845, 31 Julho - a Irmandade das Almas, de Mangualde, comprou os dois retábulos colaterais e um quadro com a "Fuga para o Egipto", por 48$000; séc. 20, início - a cerca foi descrita por Valentim da Silva, como "Uma linha de Maceira a Fagilde, atravessando o cume do monte que separa os dois lugares, ficando as suas vertentes dum e outro lado pertencentes ao couto. Daí uma outra linha de Fagilde a Tibalde. Depois, segue para Fornos pela cumiada do crasto até a uma pedra que separa esta povoação de Santar. Daí segue para Tibalde até à Pedra Ruiva e dessa Pedra Ruiva ao sítio denominado a Corga que vem de Tibalde para o Dão e daí para um padrão ou marco que o conde D. Fernando colocou à borda do rio. Uma parte do rio Dão ficava incluída dentro das terras coutadas até ao sítio onde o mesmo conde D. Fernando colocou, como marco, uma cruz"; feitura de uma imagem de Nossa Senhora da Cabeça, por Joaquim da Cunha, de Viseu *12; 1965, 22 Abril - após má administração de vários proprietários, da família Rosado, de Tibaldinho, que levaram à sua ruína, o mosteiro foi arrematado pelo Dr. António Jorge Ferreira, por 728.720$00 *13; 1978, 15 maio - em sessão camarária desta data, foi deliberada a proposta de classificação de vários imóveis de Mangualde, entre os quais, o Mosteiro; 16 maio - envio de ofício ao Director Geral do Património Cultural, pedindo a classificação como Imóvel de Interesse Público; 1990, 08 agosto - Despacho de abertura do processo de classificação pelo presidente do IPPC; 1995, 18 janeiro - proposta da DRCoimbra de classificação como Imóvel de Interesse Público; 28 setembro - parecer do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como Monumento Nacional; 1998, 10 agosto - Despacho de homologação da classificação como Monumento Nacional pelo Ministro da Cultura; 2006, Julho - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2011, 08 junho - proposta da DRCCEntro de fixação da Zona Especial de Proteção; 07 novembro - o Conselho Nacional de Cultura propões a revisão da Zona Especial de Proteção, de forma a englobar a delimitação da cerca antiga do Mosteiro.

Características Particulares

Antigo mosteiro transformado em quinta de produção vitivinícola, sendo a que mais produz na região, com o edifício monacal composto por vários corpos, construídos em épocas distintas. Na fachada posterior, distingue-se o denominado "Torreão", supostamente medieval, apesar de alguns autores opinarem de que se trata de uma construção tardo-medieva, o que poderá ser corroborado pela modinatura do portal de acesso, de arestas biseladas, e pelo facto de ter a moldura formada pelas aduelas que compõem o arco, solução comum na região durante o séc. 16. O corpo tem acesso pelo exterior, através de escadas adossadas à fachada lateral esquerda. A igreja segue uma planimetria pouco comum na zona, apesar de possuir afinidades com a do Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, com planta elíptica na nave, que resultará directamente da influência minhota, introduzida pelos arquitectos que nela trabalharam, reflectindo um esquema muito utilizado naquela região, visível em igrejas de Braga, Barcelos e Arcos de Valdevez. A capela-mor, por seu turno, apresenta-se rectangular exteriormente, formando polígono interno, com uma interessante cobertura em abóbada de falsas lunetas, tudo construído em tijolo, não exigindo grandes apoios externos e possibilitando a abertura de janelas de maiores dimensões; este espaço revela vestígios de pinturas murais. A estrutura elíptica da nave, seria repetida na reconstrução da Capela de Nossa Senhora da Cabeça, situada em zona elevada, templo que é, actualmente, objecto de concorrida romaria. A zona monacal, reconstruída no séc. 17, como se verifica em várias datas inscritas nos pináculos, reaproveitou materiais primitivos, sendo visíveis vários silhares siglados, com algumas marcas semelhantes às existentes em Alcobaça, levando a crer que alguns pedreiros ou canteiros trabalharam em ambos os monumentos; surgem, ainda, reaproveitamentos de frisos lavrados, mantendo-se, no claustro, no vão de acesso à igreja, vestígios de uma antiga porta, de volta perfeita. A fachada principal está antecedida por um invulgar átrio fechado, flanqueado por dois corpos torreados, com acesso por portal de verga recta, flanqueado por colunas embebidas no muro. A maior parte das modinaturas do edifício monástico são simples, formando molduras salientes em cantaria, sendo as da igreja, mais tardias, do final do séc. 18, rematadas por cornijas de perfil contracurvado, de influência borromínica. O mesmo esquema tardo-barroco é visível no escudo português sobre o portal axial, envolvido por decoração de concheados e encanastrados, típica do estilo rococó. A simplicidade seiscentista encontrou algum dinamismo no recurso sistemático ao aparelho almofadado na quadra do claustro, quer nos pilares, quer nos arcos, bem como nos silhares de azulejo, também visíveis na Sala do Capítulo e no refeitório, todos em enxaquetado seiscentista. Ainda no interior, subsistem dois túmulos de anteriores abades da casa, um deles com pedra de armas e inscrição. No perímetro da quinta, permanecem vários vestígios de anexos agrícolas e de uma fonte, todos muito degradados, um deles designado como "Cadeia" pela população local, devido a ostentar grades num dos vãos, que estaria, hipoteticamente, ligado à jurisdição do couto. Não existe documentação sobre os produtos produzidos no antigo mosteiro, mas é possível que a vinha já assumisse um papel preponderante no local, considerando a actividade vitivinícola da Ordem cisterciense e a importância que esta teve para a dinamização da produção em certas zonas hoje demarcadas, como o Alto Douro Vinhateiro, através dos mosteiros de Salzedas (v. PT011820050011) e São João de Tarouca (v. PT011820060009).

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito, revestida a cantaria; pilastras, pináculos, pilares, pavimento do piso inferior do claustro e da capela-mor, cornijas, frisos, lavabo da sacristia e do refeitório, mesa, cruzes em cantaria de granito; coberturas, pavimentos, portas de madeira; janelas com vidro simples; coberturas em telha; silhares de azulejo. Na cerca, espécies frutíferas, vinha, choupos e salgueiros.

Bibliografia

MARIA, Fr. Agostinho de Santa, Santuário Mariano, vol. V, Lisboa, 1716; SILVA, Valentim da, Concelho de Mangualde Antigo Concelho de Azurara da Beira, s. l., s.d.; ALVES, Alexandre, O Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira-Dão, in Beira Alta, vols. XX nº 4, XXI nº 1 e XXII, nºs. 2, 3 e 4, Viseu, 1961, 1962; VITERBO, Joaquim de Santa Rosa de, Cruz, in Elucidário das Palavras, Termos e Frases, Lisboa, 1966; ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, Barcelos, 1967-1970; COCHERIL, Dom Maur, Notes sur l'Architecture et le Décor des Abbayes Cisterciennes au Portugal, Paris, 1972; COCHERIL, Dom Maur, Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal, Paris, 1978; MARQUES, Carlos Alberto Almeida, O Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão, in Revista. Arquitectura, 4ª Série, nº 141, Lisboa, 1981; SILVA, Jorge Henrique Pais da, Páginas de História da Arte, vol. II, Lisboa, 1986; ALMEIDA, Fernando António, Maceira Dão: ciência de D. Soeiro, in Expresso, 17 de Março de 1990; MARQUES, Carlos A.A., O Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira-Dão, in Arquitectura, ano III, 4.ª série, n.º 141, Maio de 1991, pp. 60-62; ALVES; Alexandre, O Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão (Concelho de Mangualde), Mangualde, 1992; SANTOS, Ana Paula Nabais dos e SILVA, Victor Manuel Correia Leite da, Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão, Porto, Faculdade Arquitectura da Universidade do Porto, 1994; CORREIA, Alberto, Mangualde Roteiro Turístico, Mangualde, 1997; GOMES, Saul António, Visitações a Mosteiros Cistercienses em Portugal nos séculos XV e XVI, Lisboa, 1998; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, 3 vols., Viseu, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; CMM; DGA/TT

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 20 - colocação de porta de madeira no portal axial da igreja; construção de escada de betão na fachada principal; reboco parcial da fachada lateral direita, em cimento; abertura de novos vãos.

Observações

*1 - Os nichos da fachada tinham as imagens de Nossa Senhora da Assunção, orago do templo, São Bento e São Bernardo actualmente na Capela de São Domingos, em Tibalde. *2 - o pavimento era lajeado, tendo desaparecido a cantaria, porque difundiu-se a tradição de que os tesouros provenientes do Mosteiro de Alcobaça, casa-mãe da Ordem, haviam sido escondidos em Maceira Dão. *3 - dois retábulos e um quadro a óleo sobre tela foram comprados para a Igreja da Irmandade das Almas, em Mangualde; um terceiro transitou para a casa da Família Rosado. *4 - a estrutura retabular encontra-se na Igreja Paroquial de Fragosela. *5 - no piso superior, considerando o esquema normal dos edifícios cistercienses e o vizinho Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, existiam as celas, as dependências abaciais, bem como a livraria e, provavelmente, a hospedaria. *6 - segundo a tradição, o "Torreão" teria cinco pisos, de que restam apenas três, mas não parece muito verosímil. *7 - segundo a Crónica de Frei Bernardo de Brito, o mosteiro teria sido fundado em 1139, pelo mouro converso Albarach, alcaide de Leiria. *8 - é possível que este documento seja forjado. *9 - segundo a Crónica de Cister, D. Soeiro teria filiado o mosteiro na Ordem de Cister a 13 de Outubro de 1157. *10 - a obra consistia na feitura de um trono "(...) oitavado, mostrando três faces, a da frente de volta no meio para fora, e nos lados curva para dentro, tornando a sair para fora a aresta junto ao corte do oitavado nas segundas faces do dito oitavado, e estas serão curvas por modo de meia cana que são as três faces que se hão-de ver por diante, que é só aonde haverá talha; na da frente como está no risco, e o camarim será liso com volta de tumba, cimalhas nos lados, com porta em cada lado e escadas para o trono (...)" (ALVES, 2001, vol. III, pp. 61-62). *11 - segundo o inventário existente no Arquivo do Ministério das Finanças, o Mosteiro, composto por claustro, dormitórios, refeitório, casas do celeiro, hospedaria, Capítulo, tulha, livraria, cavalariça e lagar de azeite, foi avaliado em 11:296$300; as casas do forno, moinhos, lagar de alambique e currais em 1205$000; a casa junto à Torre com cavalariças, lagar e currais, em 195$000; o lagar de azeite em 450$000 e os palheiros em 85$000; existiam, em termo de alfaias, dois cálices de prata com as respectivas patenas e colheres, um vaso de sacrário, em metal dourado, um turíbulo e naveta, bem como uma lâmpada de latão, da igreja; existiam, ainda, um "bancão" de paramentos, um relógio de sala, dois sinos, um grande e outro pequeno, um contador, 10 quadros pintados e três estantes de livros. *12 - a antiga imagem de Nossa Senhora da Cabeça, em pedra de Ançã, com 3 palmos, com o rosto e as mãos encarnados e o corpo estofado, tendo o Menino no braço esquerdo, foi vendida no séc. 20. *13 - outros elementos já se haviam dispersado, como uma fonte de granito, da segunda metade do séc. 18, com azulejos hsitoriados, transferida para a Casa Sacadura Botto, em Tibaldinho, situada no pátio ao lado da Capela de Santa Eufémia, bem como um cruzeiro em granito, transferido para Fragosela de Cima.

Autor e Data

Anouk Costa 1998 / João Carvalho 1999 / Marta Calçada 2001 / Paula Figueiredo 2006

Actualização

 
 
 
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