Igreja das Chagas do Salvador / Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

IPA.00000737
Portugal, Beja, Castro Verde, União das freguesias de Castro Verde e Casével
 
Arquitectura religiosa, maneirista, barroca. Igreja de planimetria e volumes simples, austeros e funcionais característicos do estilo chão; animação barroca da fachada conferida pelo frontão recortado, dos interiores pelos revestimentos em talha e azulejo.
Número IPA Antigo: PT040206020002
 
Registo visualizado 223 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta longitudinal, composta; justaposição dos rectângulos da nave e capela-mor, a que se adossa a torre sineira e a sacristia de forma quadrangular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de 2 águas, em domo sobre a torre sineira. Fachada principal virada a S., marcada por pilastras com empena angular rematada por frontão de aletas; pináculos em forma de urnas assentes em acrotérios; 2 pisos definidos por portal e janelão rasgados no eixo da fachada, o primeiro rectangular com frontão de volutas, o segundo de verga em arco segmentar coroada pelo escudo português; à esquerda da fachada adossa-se a torre sineira de dois pisos, com cunhais apilastrados encimados por pináculos, rasgada por vãos com verga em arco segmentar, no segundo piso; do lado direito contraforte rasgado por arco de volta perfeita. Contrafortes idênticos adossam-se às fachadas laterais da nave; na fachada E. rasga-se portal de vão rectangular, com verga adintelada. Fachadas da capela-mor e sacristia, com cunhais apilastrados rematados por pináculos, rematadas por empenas triangulares.INTERIOR: nave única com abóbada de berço e capela-mor, coberta por abóbada de penetrações; arco triunfal de volta perfeita. Sacristia coberta por abóbada de berço redondo. Retábulo-mor em estuque marmoreado, rasgado por edícula, com trono em talha dourada e esverdeada; retábulos em altares laterais na nave e púlpito com guarda-voz adossado à parede esquerda da nave, em talha dourada joanina, com concheados rococó; a mesma talha cobre integralmente o arco triunfal e parte da parede onde este se rasga; sobre o arco triunfal as armas reais também em talha. As paredes laterais da nave são revestidas por alto silhar de azulejos de figura avulsa, em azul e branco, as da capela-mor por painéis figurativos em azul e branco, com cenas da vida da Virgem, integráveis no período de grande produção joanina.

Acessos

Praça da República, Rua de Mértola, Rua D. Afonso I.

Protecção

MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 740-Q/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 de 24 dezembro 2012

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano. Isolado, implantado no largo principal da vila.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja

Utilização Actual

Turística: igreja (para visitas contactar o Posto de Turismo)

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Beja)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 16, último quartel - Filipe II ordenou a reconstrução da igreja, cuja fundação é lendariamente atribuída a D. Afonso Henriques; a feira de Outubro foi então instituída para custear as obras; séc. 18, meados - reconstrução da fachada e campanha decorativa do interior; 1750 - pintura das telas da nave (Batalha de Ourique) realizada pelo pintor algarvio, Diogo Magina, que na mesma altura repintou as telas representando os Evangelistas e as telas da vida da Virgem, da capela-mor; 1867, 16 de Abril - a abóbada da igreja abate; 1910, 23 junho - classificado como MN - Monumento Nacional por Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136; 1950, 02 de maio - desclassificado pelo Dec. N.º 37 801, DG, 1.ª série, n.º 78; 1969, 2 fevereiro - danos causados pelo sismo; 2009, 15 de março - Proposta de classificação pela DRCAlentejo; 2009, 26 de março - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Diretor do IGESPAR; 2009, 17 setembro - Proposta da DRCAlentejo para a classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público e de ZEP; 2010, 30 de dezembro - Procedimento de classificação prorrogado até 31 dezembro de 2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252; 2011, 30 março - Parecer da SPAA do Conselho Nacional de Cultura para a classificação como MIP - Monumento de Interesse Municipal e Parecer favorável à ZEP; 2011, 7 de outubro - Anúncio n.º 14226/2011, DR, n.º 193, 2ª série, de Projeto de Decisão relativo à classificação como MIP - Monumento de Interesse Municipal e à fixação da respetiva ZEP.

Características Particulares

As cenas da Batalha de Ourique figuradas nas telas repetem cenas idênticas representadas nos painéis azulejares que revestem o registo superior dos alçados internos da vizinha Igreja Matriz (v. PT040206020006).

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra e tijolo; molduras de vãos em cantaria; cobertura em telha cerâmica; pavimentos em parquet e tijoleira; madeira entalhada e dourada, revestimentos azulejares.

Bibliografia

AAVV, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa, 1948; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; COSTA, Pe. Carvalho da, Corographia Portuguesa, Lisboa, 1708; LEAL, A. S. Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1874; PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, Portugal-Dicionário, vol. 2, Lisboa, 1906; PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, vol.2, Lisboa, 1932.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Paróquia: 1958 / 1966 - apeamento e reconstrução da cobertura da paróquia, execução de rebocos interiores e exteriores, reparação de caixilharia, pintura da abóbada da capela-mor; Paróquia / Câmara Municipal: 1993 / 1995 - substituição do pavimento, restauro das telas da capela-mor, da parede do arco triunfal e da tábua sobre o arco triunfal.

Observações

Segundo a tradição a actual igreja terá sido erguida no local da gruta do ermitão que predisse a D. Afonso Henriques a aparição de Cristo e a vitória nos campos de Ourique. Nas obras recentemente realizadas foi encontrado um "ex-voto" dedicado a esse orago.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1994

Actualização

 
 
 
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