Castelo de D. Chica / Castelo de Palmeira / Castelo Villa-Rego

IPA.00000766
Portugal, Braga, Braga, Palmeira
 
Arquitectura residencial, revivalista. Palácio com conjugação de elementos em estilo revivalista com elementos neogóticos, neorenascentistas e neoclássicos amalgamados. Seguindo o gosto romântico da época, o projecto inacabado da palácio e do jardim, inclui um lago, uma gruta e diversos canais artificiais.
Número IPA Antigo: PT010303310052
 
Registo visualizado 595 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

O edifício é constituído por quatro pisos. Desenvolve-se num jogo de volumes muito acentuado e numa enorme diversidade de uso de materiais e linguagens, misturando memórias populares e eruditas. Isolados, os volumes têm uma imagem própria e estabelecem ligações através de algumas pontes (materiais e elementos decorativos). Pela análise dos pormenores construtivos entende-se bem a importância dada à imagem, em detrimento de um método de construção. As janelas são indiferentemente de madeira ou de ferro, ou ainda, executadas com os dois materiais, sendo difícil saber se elas obedecem a um projecto de execução da obra ou se, definida a imagem pelo arquitecto Korrodi, a solução construtiva ficaria a cargo dos diferentes artistas / artesãos. Em contrapartida, as telhas estão "assinadas" pelo projectista. Coloridas de verde fingem a integração na paisagem que todo o resto do edifício recusa.

Acessos

Lugar do Assento, EN. 101, Km. WGS84 (graus decimais) lat.: 41.588850; long.: -8.428148

Protecção

MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 120/2013, DR, 2.ª série, n.º 48, de 08 março 2013

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Rural. Dista cerca de quatro quilómetros da cidade de Braga. Insere-se numa ampla propriedade murada, com bastante vegetação.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: Palácio

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Arquitecto Ernest Korrodi.

Cronologia

1915 - projecto do arquitecto suiço, naturalizado português pelo casamento, Ernest Korrodi e mandado construir por João José Ferreira Rego, casado com a brasileira Francisca Peixoto Rego que mandou vir do Brasil muitas das espécies arbóreas existentes na mata; 1919 - Suspensa a obra, numa altura em que o interior do edifício, se resumia ainda e apenas às suas estruturas fundamentais; Inacabado, orçamentavam, na altura, as obras em 370 contos; 1938 - Vendido por 165 contos a um fidalgo inglês que posteriormente o vendeu por 80 contos ao guarda livros do Conde de Vizela, Alberto Torres de Figueiredo; Francisco Joaquim Alves de Macedo adquiriu o palácio e encetou obras no seu interior, sem qualquer projecto de recuperação, numa tentativa infrutífera de reactivar o ideal dos anteriores proprietários, mas em vão, porquanto, divergências múltiplas surgiram no decorrer dos trabalhos, fundamentalmente com a autarquia local; Destruiu-se o pouco que restava de elementos decorativos interiores principalmente ao nível de cerâmicas (azulejos, tijoleiras e telhas), não restando qualquer vestígio para uma possivel reposição dessas peças, algumas, segundo referências das gentes mais velhas, de grande interesse artístico, para além da supressão de toda a madeira, base estruturante de todos os pisos; séc. 20, 2.ª metade - adquirido pela Junta de Freguesia de Palmeira concessiona o imóvel à IPALTUR, Investimentos Turísticos, S.A. através de um contrato de longa duração, renovável; 1983, 21 setembro - proposta de classificação do edifício pela Junta de Freguesia de Palmeira; 1985, 12 fevereiro - parecer do IPPC a propor a classificação como Imóvel de Interesse Público e a definir uma Zona Especial de Proteção que englobe a Quinta; 1985, 20 fevereiro - o Despacho de homologação de classificação aprova a proposta de definição da Zona Especial de Proteção; 1992 - adaptação descrita como transformação num espaço cultural e recreativo, bem como em restaurante e outros serviços de índole social e hoteleira - Proj. do Arqº. Paulo Tonet; Novembro - Joaquim Costa, gestor da IPALTUR, trespassa o palácio à empresa "Veloso - Empreendimentos Turísticos e Residenciais", tendo em vista o pagamento de uma alegada dúvida, o que não foi aceite pelos restantes credores; 1985, 20 Fevereiro - Despacho de classificação, com homologação em IIP; 1993 - Proposto o pedido de falência da IPALTUR, pela Caixa Geral de Depósitos, principal credora desta firma, e destino incerto relativamente à posse da propriedade, por ter sido hipotecada; 1998 - comprado pela Caixa Geral de Depósitos; 2006 - o imóvel encontrava-se à venda; 2009, 08 janeiro - proposta da DRCNorte a porpor a classificação conjunta com a Quinta e definição da Zona Especial de Proteção; 03 março - parecer favorável à proposta, por parte do Conselho Consultivo do IGESPAR; 2009, 23 outubro - o processo de classificação caduca nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, publicado nesta data; 2010, 02 junho - Despacho do vice-diretor do IGESPAR para aplicar o decreto de 2009 e encerrar o processo; 2011, 01 julho - proposta da DRCNorte a classificar o edifício como Conjunto de Interesse Público; 19 dezembro - o Conselho Nacional de Cultura propõe a classificação como Monumento de Interesse Público; 2012, 8 Junho - Anúncio n.º 12639/2012, DR, 2.ª série, n.º 111, com o projeto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público (MIP) e à fixação da respetiva zona especial de proteção (ZEP).

Características Particulares

A obra não procurou outra unidade que não fosse a de um extravagante ecletismo onde se misturou o neogótico, o neoárabe, o "rústico" e o novíssimo ferro (gradeamento, coroamento da cobertura e catavento) e onde o pretexto que levou à repetição da "folha de era", simultaneamente no desenho dos gradeamentos de ferro e em algumas molduras de mármore, era tão válido como a aplicação de diferentes motivos florais, nos capitéis das diferentes colunatas em parceria com as rosáceas geometrizadas, nos fechos dos arcos ogivais.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura de granito e xisto.

Bibliografia

Palácio de D, Chica em Palmeira: Passado, Presente e Futuro, Diário do Minho, 22 Out. 1984; Paulo Tonet, Memória Descritiva do Projecto de Recuperação do "Palácio de D. Chica", 1991; O Público, 05 Nov. 1993; Adiada hasta pública do Palácio Dona Chica, O Comércio do Porto, 27 Setembro 1996.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

A mata, exibindo uma vegetação exótica (amendoeira Brasileira, pau-santo, pinheiro brasileiro, etc.) para além de muitas variedades nacionais (palmeira, carvalho, eucaliptos, plátanos, cedros, japoneiras, pinheiro bravo, castanheiros, salgueiros, mimosas, sobreiros, etc.), com percursos ondulantes e o lago com a gruta de estalactites fingidas, é bastante interessante, sendo a consequência lógica da atitude romântica, que quis copiar o medieval, na sede de uma linguagem de pureza nacional, bem como copiar a natureza, preferindo o "bosque" ao geometrizado jardim barroco. Antes de se iniciar a sessão de hasta pública, a Junta de Freguesia de Palmeira tentou chegar a acordo com a Caixa Geral de Depósitos, oferecendo 165 mil contos pelo imóvel, mas o banco recusou.

Autor e Data

Isabel Sereno / João Santos 1993

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login